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  • Dekmantel Festival traz Nicolas Jaar ao Brasil

    Nicolas Jaar é jovem artista de apenas 25 anos, mas que possui um currículo de dar inveja em qualquer um que respire música. Nasceu nos Estados Unidos, cresceu no Chile, terra de seus pais, antes de retornar a New York. Sua origem faz com que frequentemente seja comparado a Ricardo Villalobos, o que em sua opinião não faz o menor sentido. “Não estou nem perto de atingir seu nível de técnica”, afirmou ao Pitchfork em uma entrevista. “Quando eu era jovem e pegava o metrô para o colégio, gostava de ouvir Thé Au Harem D’Árchimède, de Ricardo, e The Last Resort, de Trentemoller. Com o primeiro eu estava sempre pensando ‘Aonde você quer chegar com isto?’, enquanto que o segundo era fácil de ouvir, como doce. Eu sempre quis fazer um Trentemoller mais experimental e um Ricardo mais melódico” completou.

     

    Seu primeiro contato com a dance music, no entanto, foi com DJ Kicks, de Tiga, em 2004. “Quando ouvi eu pensei ‘Que porra é essa? É incrível!’, acabei obcecado por aquelas tracks” confessou. Poucos anos mais tarde já estava esbanjando talento em seu live act, como podemos perceber nesta gravação de 2008, que é muito mais dancefloor friendly do que seu som atual, apesar de já possuir os elementos melódicos e o experimentalismo que posteriormente tornaram-se sua característica.

    E foi no ano de 2011 que finalmente veio a consagração, com o lançamento de Space Is Only Noise If You Can See, seu primeiro álbum. A obra é dividida em 14 faixas, mas pode-se dizer que é apenas uma de 46 minutos, já que ela foi criada para ser apreciada como um todo. O disco conquistou elogios e reviews positivos de dentro e fora do mundo da dance music, muito graças ao fato de que a maioria das tracks fugia do padrão da época. Foi neste ano em que tornou-se líder do ranking de live acts do Resident Advisor, posição que seria mantida pelos dois anos seguintes, com ajuda do seu projeto paralelo Darkside, alias sob a qual Nico passou 2012 e 2013 se apresentando, ao lado do guitarrista Dave Harrington. Junto a ele encabeçou a lista de headliners de diversos festivais conceituados, como Sónar e Pitchfork, mas sobrando um tempinho para fazer o que foi considerado o melhor Essential Mix de 2012, na BBC Radio One.

    Foi em 2013 também que os fãs brasileiros tiveram uma decepção que está entalada até hoje: tanto Nicolas Jaar como Darkside eram atrações confirmadas no Sónar SP daquele ano, que acabaria sendo cancelado antes de sua realização. Como em 2014 ele surpreendeu a todos anunciando que o Darkside entraria em um hiato por tempo indefinido, a apresentação no Dekmantel Festival 2017 é a concretização de uma expectativa acumulada de 4 anos.

     

    Sua confirmação na primeira edição do festival holandês no Brasil vem como parte da tour de Sirens, álbum lançado no final de 2016. Ao contrário do primeiro, que tinha como característica forte a atmosfera e unidade (um “Ricardo mais melódico”?), neste as emoções atingem picos mais intensos e diversos, muitas vezes você acha que é outra música quando ainda é a mesma. A estética musical também está mais próxima do new wave, caminho músical seguido pelo outro ídolo dele, Trentemoller.

    Como isso se traduz na apresentação ao vivo, descobriremos no dia 5 de fevereiro. Além dele, o Dekmantel receberá também Jeff Mills, Ben Klock, John Talabot, Ben UFO, Moodyman, Nina Kraviz, Hermeto Pascoal e diversos outros grandes artistas. Confira o line-up completo e compre seu ingresso pelo site oficial.

  • Dekmantel Festival confirma atrações e reafirma proposta renovadora

    Houve um dia de 2016 em que o coração dos brasileiros amantes da música, dos que se alimentam de novidades e experiências inovadoras, bateu mais rápido: falo de quando foi anunciada a realização do Dekmantel Festival em São Paulo no início do próximo ano. Só o fato de termos aqui mais um grande festival global já seria motivo para comemoração, sendo ele um dos poucos sem foco na musicalidade mais comercial a vir pra cá, as razões se multiplicam.

    Podemos dizer que desde a histórica edição do Sónar SP 2012 não tínhamos a oportunidade de ver tantos grandes artistas de uma só vez em território nacional. Os tempos de crise espantaram os grandes investidores internacionais por um tempo, mas graças aos grandes eventos nacionais a peteca não caiu: Tribaltech, Warung e Dream Valley são alguns dos que proporcionaram encontros inesquecíveis com grandes ídolos ao longo desses quatro anos.

    No entanto, os tempos de escassez parecem ter passado: além dos brasileiros estarem vindo com força total para 2017, o cartão de boas-vindas desse tão aguardado ano vem das mãos do label holandês nos dias 4 e 5 de fevereiro, quando o Jockey Club de São Paulo e a Fabriketa abrigarão dezenas de produtores e DJs de grande talento e relevância para a cena musical.

    A lista é tão ampla que fica difícil escolher por onde começar a listar: seria pelas lendas de Detroit Jeff Mills e Moodyman? Ou talvez pelo desejadíssimo live de Nicolas Jaar? Para alguns o ponto alto será a intensidade e sedução de Nina Kraviz, mas não podemos esquecer que até mesmo o octagenário compositor e multi-instrumentista Hermeto Pascoal foi escalado, destoando deliciosamente do predomínio eletrônico do plantel!

    Poderia continuar falando de cada atração por mais algumas linhas, mas esse é o ponto que esquecemos o álbum de figurinhas e lembramos que o festival oferece uma experiência que vai além das apresentações artísticas. Nesse primeiro fim de semana de fevereiro teremos a oportunidade de vivenciar um contexto que idealizamos há um bom tempo e que ainda é utópico em nosso país, muitas pessoas terão contato com ele pela primeira vez e o momento pode representar mais um passo rumo à cena que objetivamos.

    Por isso vale o lembrete: confira mais uma vez o line-up, prepare sua viagem e não perca esta oportunidade ímpar que caiu em nosso colo 😉

    Line-up completo

    4/fev (sábado)

    Jockey Club (dia):

    Jeff Mills / Nina Kraviz / Bixiga 70 / Azymuth / Hunee / Tom Trago / Makam / Juju & Jordash (live) / Young Marco / Anthony Parasole / Awesome Tapes From Africa / Dekmantel Soundsystem / DJ Nobu / Kornél Kovács / Solar / Aurora Halal (live) / Sassy J / Renato Cohen / Davis / Marcio Vermelho / Valesuchi / Ney Faustini / Gop Tun DJs / 40% Foda/Maneiríssimo (live) 

    Fabriketa (noite):

    Ben Klock / DVS1 / Mike Servito / Vakula / Veronica Vasicka / Orpheu The Wizard / L_cio (live) / Tessuto / Luisa Puterman (live) / Cashu / EXZ (live)

    5/fev (domingo)

    Jockey Club (dia):

    Nicolas Jaar (live) / Moodymann / John Talabot / Hermeto Pascoal / Ben UFO / Joy Orbison / Fatima Yamaha (live) / Palms Trax / Helena Hauff / Dasha Rush / San Proper / Call Super / Lena Willikens / Joey Anderson / Huerco S. / Shanti Celeste / Selvagem / Carrot Green / Gop Tun DJs / Zopelar (live)

    Ingressos

    Pacote 4/fev (dia) + 5/fev (dia), 3º lote: R$ 400,00 (meia c/ doação de livro)

    Apenas um dia (4 ou 5/fev), 2º lote: R$ 225,00 (meia c/ doação de livro)

    4/fev (noite), lote único: R$ 99,00
    Compre: https://www.eventbrite.com.br/e/dekmantel-festival-sao-paulo-2017-tickets-27916916248 

  • Entrevista com Konstantin, fundador da Giegling que está em tour pelo Brasil

    A Giegling é um dos representantes do futuro da música eletrônica, em um mundo pós-moderno que quebrou as barreiras de uma máxima musical de um tempo tão distante de hoje quanto o fonógrafo é da fita k7. Em uma época na qual um selo precisa estar bem além de produzir apenas músicas, a Giegling agrega o que é necessário para lançar records dentro de uma geração criada na internet. Giegling é um coletivo criativo; uma gravadora; uma equipe de produção de DJs; um club e tudo isso começou com uma festa em Weimar, Alemanha, por volta de 2006. O coletivo encontrou sua casa em um edifício abandonado, que rapidamente adquiriu fama na região, quando “montes de coisas mágicas aconteceram”, de acordo com Konstantin (também conhecido como Herr Koreander) em uma entrevista para a Resident Advisor. Konstantin estabeleceu a Giegling ao lado de Dustin, Dwig, Ateq e Rafael, espíritos com o mesmo ideal de criar algo especial “sobre as coisas que a musica e a comunidade podem fazer com você”, conforme diz Konstantin. Com essa ênfase na comunidade, Giegling veio à existência, e mesmo com a festa original ter durado apenas quatro edições, o que eles criaram nesse tempo pavimentou o futuro do que viria a se tornar o coletivo e a label. “Nós quisemos carregar essa energia, nos propomos a salvar essa vibe”.

    Giegling, a gravadora, oferece uma plataforma na qual amigos e artistas, tais como Vril, Prince of Denmark e Traumprinz, viriam a fazer lançamentos, assim como Kettenkarussel, o grupo que Konstantin estabeleceria com Rafael e que veio a publicar o primeiro lançamento da Giegling, “I Believe You And Me Make Love Forever”. Com isso, introduziram ao mundo um som que se origina em tempos mais lentos e toca com uma estética minimalista, obtida de um apanhado de diversas influências, e canaliza isso em algo que parece representar todo o coletivo, uma ligação não dita que amarra os vários artistas e suas músicas juntos. Staub, que se tornou a Forum, rapidamente seguiu como uma sub-label quando o coletivo quis explorar uma estrada menos trafegada, mas mesmo sob esse disfarce, ainda assim havia algo intrinsecamente Giegling sobre isso tudo, algo que parecia ser mais coeso do que uma label tradicional, onde uma ou duas pessoas no núcleo da gravadora ditam tudo. Paralelamente a coletivos similares, a Giegling trouxe algo distintivamente único e concorrente com a era da música eletrônica, e, apesar da embaçante dicotomia entre artista, label, club e DJ, eles estabeleceram-se como um dos verdadeiros inovadores da club music nos dias de hoje.

    Nós nos encontramos com Konstantin para ele nos contar mais sobre isso tudo e nos dar uma pequena visão dentro do mundo sedutor do coletivo Giegling.

    Você esteve na afortunada posição de conhecer o panorama clubber em uma época prematura na Alemanha. Como você acha que isso afetou sua carreira?

    Eu comecei a entrar para a música eletrônica porque eu encontrei esses lugares estranhos cheio de pessoas diferentes das mais diversas idades, dos 16 aos 66. Essas pessoas eram muito cabeça-aberta, dançavam livremente e gostavam da diversidade. E tudo isso era ligado por essa música eletrônica que eu senti na hora, era lindamente aberta e mais influenciada pelo punk. Se eu me sinto perdido no que estou fazendo, tento me lembrar disso e espero ser capaz de abrir um caminho como esse para outros.

    E como o coletivo Giegling veio a se estabelecer na cena clubber?

    Foi apenas o lugar certo na hora certa. Weimar, no ano de 2006, foi onde tudo começou a tomar forma. Nós fizemos coisas antes disso em Hannover, que já eram legais, mas a multidão em Weimar no momento estava simplesmente tão aberta e feliz sobre as coisas que estávamos explorando. Foi um feedback maravilhoso, o que nos fez acreditar e carregar isso até os dias de hoje.

    A Giegling é composta por um eclético conjunto de personalidades e música. Na sua opinião, o que amarra isso tudo junto?

    Talvez a mesma coisa que mantém junta uma família? E isso nem sempre é fácil de explicar. Mas, quando estamos longe um do outro, nos sentimos em casa quando nos vemos novamente.

    O que começou como uma festa em casa, terminou como uma label. Quais os elementos dessas festas iniciais que fizeram seu caminho para dentro da label?

    Eu acho que os primeiros lançamentos realmente capturaram a vibe musical daqueles dias. Mais tarde, Giegling se tornou mais uma documentação de nossa jornada musical. Com isso e todas as sub-labels você pode retraçar como exploramos a música ao longo do tempo.

    Vamos nos voltar para sua música. Enquanto você faz música como Herr Koreander e uma metade de Kettenkarussel, você nunca entregou uma faixa com o nome que usa para tocar, Konstantin. Por que isso?

    Porque como Konstantin sou um DJ e eu represento toda a música do coletivo, nao apenas a minha e também toda a música pela qual estou interessado no momento. Eu gosto de separar “fazer música” de “tocar música”. Para mim essas são duas coisas totalmente diferentes e eu normalmente ficava meio que decepcionado quando eu via alguém mixando as produções que eu gostava, porque é uma abordagem diferente.

    Eu penso que como DJ você se submete a muitos interesses e ideias e idealmente você faz isso pelo amor às pessoas na pista. Como músico é uma coisa mais intimista e eu faço isso mais por mim mesmo, tentando não pensar em nada e nao aplicar muitas regras ou restrições.

    E como isso tudo se reflete no seus DJ sets?

    Eu comecei basicamente como DJ de festa. Quando a Staub veio à tona, eu era o único que também estava tocando techno no momento, por isso me tornei “o DJ de techno da Giegling”. Representando o som da Staub, que agora é a Forum. Mas eu estou tentando me livrar disso mais e mais para voltar a sets mais abertos e diversos novamente. Se você me viu tocar no último ano você deve ter notado isso.

    Em uma entrevista para o Resident Advisor você disse que gosta de tocar de maneira disfuncional. Nesse contexto em particular, você tocou faixas ambient no Berghain, mas você poderia nos dar uma ideia mais generalizada do que isso significa?

    Significa apenas que não vou sempre no mais legal e mais fácil de digerir para a pista de dança, mas irei desafiar a situação na pista com música que é mais atmosférica e não tão orientada ao corpo, ou pelo menos mexer com a estrutura usual que as pessoas estão acostumadas em termos de sinal e tempo e tudo o mais.

    Traduzido e adaptado de matéria do site norueguês Jaeger Oslo.

    Konstantin toca no Club Vibe no dia 04/11 (sexta-feira) em festa que conta também com Virginia (Ostgut Ton), Marvin & Guy (Hivern Discs) e o residente da casa Gromma. Mais informações no evento oficial.

  • A relatividade explica 8 horas de set do Hernan Cattaneo no Warung

    O ano de 2016 tem sido especial para os frequentadores do Warung Beach Club, a possível alta do dólar tem feito a casa voltar as origens estabelecendo line-ups mais enxutos no qual os artistas tem a oportunidade de mostrar melhor suas potencialidades. A ordem da vez é o ‘‘longset”, onde headliners assumem por 4 ou 5 horas em média. Claro, se compararmos com a primeira década de vida do Club – onde a vontade do DJ é quem determinava a hora de terminar – torna-se um paralelo injusto, porém, é o que a lei nos permite hoje. 

    Ainda assim, existem duas noites no ano que tem resistido ao longo do tempo com o DJ se apresentando por mais tempo que a média e fazendo nos lembrar cada vez qual é a verdadeira essência do Templo. Assistir ao clássico extended set de Hernan Cattaneo no Warung se tornou uma obrigação para qualquer apreciador de música eletrônica conceitual. É um consenso até entre os que não aderem a sonoridades mais introspectivas de que todos devem ter essa experiência ao menos uma vez na vida. Assim como em 2015, a semana da pátria foi o período escolhido para esse encontro, onde brasileiros e argentinos se somam para dividir sentimentos no pistão do Club. Se todos os anos temos esse show ”all night” de Hernan, por que o de 2016 se tornou especial? Bem, na semana da festa foi atendido a um velho pedido dos que acompanham a mais tempo a carreira do argentino. ”From Midnight untill the end”, foi com esse anuncio que o Club já prevendo algo histórico deu a notícia ao público. Histórico antes de acontecer porque jamais um artista principal – pelo menos não que eu lembre – deu start nesse horário e tocou até o fim, e mais, se tratando do símbolo cultural que HC se tornou para o Club, não seria prepotência declarar que guardaríamos para sempre na memória. 

    Se sete horas de set já seriam de lavar a alma, imaginem oito!! Como Hernan conseguiu mais uma hora, a forma que comandou a noite e como ela tem sido apontada como a data do ano, é o que vou tentar contar neste review, 10 de setembro de 2016.

    Às 22h30 estava no Garden começando a encontrar amigos para quebrar o gelo da expectativa pra noite, aproveitando, matei a curiosidade em ver as jovens apostas da DOC Records.  Liderados por Gui Boratto, o duo Shadow Movement entregava uma sonoridade de muita personalidade, ritmo certo pra hora e sem perder suas características obscuras, é um projeto pra se observar com cuidado. Faltando 30 minutos para meia-noite nos dirigimos ao Inside onde Leozinho jogava um house de primeira linha, o esperado para um DJ do seu nível. A pista estava cheia e a parte da frente tomada de argentinos como todos os anos. O roteiro quase que sagrado do aparecimento de Hernan na cabine até o inicio de seu set eu já mencionei outras vezes em reviews, todos sabem como funciona, antes mesmo do horário o Maestro já estava mixando e a pista pronta para se entregar. Pensei bastante em como descrever a construção de set de Hernan neste ano e cheguei a conclusão que colocar de forma separada em 3 fases seria o ideal para melhor compreendermos, ou ao menos chegar próximo a isso.

    Warm-up para si mesmo. 

    Primeiro, existem DJs e DJs e existe Hernan Cattaneo. Aceitar o desafio de assumir a pista enquanto o som ainda nem está trabalhando no seu melhor é algo que poucos se sujeitariam. Ele adora jogar devagar, encara a possibilidade de preparar a pista como uma grande oportunidade, é como se você se preocupasse tanto com a partida de futebol que viesse cortar e molhar a grama antes de entrar em campo, pra depois poder ganhar de goleada, é claro. Ele manteve suas duas primeiras horas em uma consistência impressionante, quem já se aventurou atrás de um mixer sabe o quanto é difícil se manter em um ritmo, escolhendo músicas com o mínimo de breaks longos possíveis, fez isso de forma brilhante até culminar na música que acredito ter sido o primeiro pico emocional da noite, ‘’Secret Encounters’’ nova obra-prima de Guy Gerber. Ela sinalizava que o ritmo estava subindo. Hernan parte do pressuposto de que se deve segurar a onda o tanto quanto for possível na primeira parte, pois a partir do momento que coloca uma música de maior intensidade, jamais poderá voltar atrás, então ela deve acontecer no momento certo. 

    Buraco negro e riffs de uma só nota

    Até as quatro horas Cattaneo balançou a pista de um lado ao outro alternando entre momentos emotivos pontuais como ‘’The Bar Tender’’ de Seth Schwarz & Be Svendsen (Dark Soul Project Edit), levadas progressivas tribais como ‘’Amazonia’’ Oniris e de baixos sintetizados longos como em ”Dodge’‘ de Monkey Safari, remix do Victor Ruiz que fez todos vibrarem. 

    É intrigante a maneira que ele consegue explorar o sistema de som do Warung, a música parece fluir através de seu corpo como uma extensão de si mesmo. Cada vez mais os graves iam se comprimindo até um momento em que a pista toda se encontrava dentro de um colisor de partículas, os elementos sonoros dançavam entre si somados a feixes luminosos que por momentos te davam a sensação de câmera lenta. ‘’Systematika’’ de Guy Mantzur & Roy Rosenfeld marca um ponto explosivo e um golpe fatal. Em meio a tanta euforia, e como de costume, me via buscando referências para tentar entender o que estava ouvindo e diante das bandeiras da argentina sendo levantadas pelas pessoas em completo estado de plenitude, lembrei de outro gênio, só que das guitarras. Diz a lenda que Jimi Hendrix tecia uniformemente acordes com trechos de uma só nota e usava sequências que não aparecem em nenhum livro de música. Seus riffs eram uma viagem elétrica sem fim até as encruzilhadas, onde ele humilhava a si próprio. No auge, Hernan solta riffs de um grave demolidor e mostra porque é um DJ único, adianta as linhas de onde normalmente as músicas são feitas para mixar tecendo uniformemente viradas de um techno gravitacional obscuro e tão denso que me fez entrar em um colapso estelar. 

    A física moderna de Einstein diz que espaço e tempo não são absolutos e sim relativos entre si, dentro dele estrelas nascem e morrem através de um colapso onde tudo se concentra e acaba em um único ponto, que por sua vez se transforma em buracos negros. Esses, tão densos que engolem tudo ao seu redor e nem mesmo a luz é capaz de escapar. Às 5h senti minhas pernas serem puxadas como se estivessem caindo dentro de um desses buracos, foi como se a força de maré estivesse me carregando e dividindo-me ao meio, eu definitivamente amo essa parte da noite.

    Renascendo no futuro

    Não preciso dizer o quanto especial é o amanhecer na Brava, vencemos o clima soturno da noite para entrar em uma nova fase à espera do sol, ele simboliza a identidade do templo ao mesmo que estampa a bandeira da argentina, essa dualidade quase mitológica estava presente trazendo energia e acredito que não só comigo, mas todos ali também receberam um novo folego para mais algumas horas de música. 

    Essa transição de volta a sonoridades sentimentais acontece no vocal de Moderat em ‘’Running’’ para ‘’Trigonometry’’ de Sasha, uma das músicas mais aguardadas do momento. Olhando para a última hora temos uma sequência que renderia uma compilação, ouvir a voz única de Dave Gahan ecoando pela pista em ‘’Only When I Lose Myself’’ era um momento esperado por muitos a anos. Às 7h horas Hernan não sinaliza querer parar, seu ritmo intenso em cada mixagem e plácido na escolha das músicas é o mesmo desde o primeiro minuto. Olhei ao redor me perguntando, como ele pode se manter por tanto tempo com a mesma dedicação infinita à pista de dança? De pronto alguém me respondeu o que eu já sabia, mas precisava ouvir de outra pessoa: ‘’É apaixonado pelo que faz’’.

    Já passavam de 7h20 quando o toque celestial de ‘‘Forme” começou a surgir, essa música de Gill Norris com remix de Guy J marcou a manhã de 2011, que coincidentemente ou não tinha sido a última vez que o sol tinha subido com força frente a frente com o maestro, essa escolha nostálgica novamente foi ideal para o fechamento do set. Entre aplausos sinceros ”Snooze For Love” entra como a música de despedida, esse lindo retoque de Dixon venceu-me, ainda assim mais dois suspiros entram no jogo, a essa altura ninguém iria mais pedir pra parar, ‘‘Oracle” de Sebastien Leger seguida de uma música que já nasceu clássica, ‘’Nana’’ de Acid Pauli finalmente trouxe o tom dramático do fim. Depois de ‘’Eight hours of magic’’ como sugeriu Hernan em sua página do instagram mais tarde, o sentimento ao sair do templo era de que tinham se passado décadas do lado de fora, como se tivéssemos atravessado o universo até um outro momento no futuro.

    Alguns pensadores como Ray Kurzweil apontam que à nossa próxima revolução tecnológica acontecera na virada do século, onde o conhecimento humano estará tão avançado que homem e máquina literalmente irão se fundir e então poderemos se conectar com tudo a nossa volta, criando assim o que chamam de singularidade. Ao que me parece, tem um argentino que já alcançou.

    Imagens: Gustavo Remor

  • Terraza BC celebra aniversário com Makam e detroitbr no line-up

    O dia 11 de outubro é uma terça-feira que irá ficar marcado na memória. Na véspera do feriado pela padroeira do Brasil a Terraza BC comemora seu segundo aniversário em grande estilo: trazendo Makam pela primeira vez para o Vale do Itajaí. Integrante da Dekmantel, o holandês coleciona apresentações em clubs lendários como Panorama Bar, Fabric e Amnesia. Nos dois anos últimos anos ele fez duas tours pelo Brasil com apresentações muito marcantes no Terraza Music Park de Florianópolis, fato que certamente garantiu seu retorno agora para a filial de Balneário Camboriú.

    Se a presença deste grande artista já seria razão suficiente para que a festa fosse inesquecível, os outros escalados para este line-up reduzem as dúvidas a zero: nossos residentes André Anttony e Bernardo Ziembik. O primeiro, que terá a missão de fazer o warm up, atravessa uma ótima fase em sua carreira, chegando às melhores pistas do sul do país e mais do que isso, se destacando nelas. O segundo é também residente da casa e, mais uma vez, mais do que isso: é o cérebro e a força motriz da Terraza BC, sendo a escolha mais justa para fazer o as honras nesta data especial. Parece pouco? Então adicione Ricardo Lin, residente do Terraza de Floripa que mandou muito bem em sua apresentação no detroitbr #014 e completa o time de grandes artistas regionais dessa festa!

    Serviço

    Data: 11/10/16
    Hora: 23:00
    Local: Terraza BC, R. Francisco Correa, 908
    Evento: https://www.facebook.com/events/1789519441315031/

  • Richie Hawtin retorna ao Templo após longo período de ausência

    A semana da pátria sempre marca o calendário de festas no sul do país, tradicionalmente o templo aproveita esta data para contemplar seus convidados com pratas da casa, geralmente utilizando duas noites para a celebração da independência. Este ano a mente por trás da M_NUS, um dos selos mais icônicos de Berlin foi o escolhido para encabeçar a primeira noite. Conhecido por embalar festas inesquecíveis, Richie Hawtin retorna à casa após um hiato de quase 2 anos. Sua última visita à cabine do Main Room foi durante o aniversário de 12 anos do templo e trouxe Gaiser como principal estreia.

    Era sábado de chuva e a expectativa era de casa cheia, diante de um sold out nem mesmo o mau tempo poderia desencorajar os assíduos frequentadores do Club. O relógio marcava 22h20 e a Av. José Medeiros já apresentava indícios de uma noite atípica, filas dos dois lados, taxistas imprudentes e a insistência por parte de alguns em descumprir a norma de não estacionar na Praia Brava combinaram para que eu perdesse a apresentação do nosso querido tiozinho Ale Reis. 

     Após superar o caos no trânsito outro obstáculo surgiu, o nome não estava presente na lista de convidados. A pouco tempo a política de listas foi reformulada, até então nunca havia enfrentado algum inconveniente quanto a isso e, após uma longa e cansativa espera de quase 2 horas finalmente consegui firmar meus pés dentro do Warung. Nessa hora o desânimo já tomava conta, além de ter perdido o warm up já não tinha condições de enfrentar o empurra-empurra para ver Hito, optei por fazer reconhecimento do terreno, localizar alguns amigos e aguardar o retorno do “mago”.

    Durante uma das idas ao Inside, meus ouvidos foram presenteados com o remix de Dubfire para EXposed, música que abre o álbum EX de Plastikman lançado em 2014 pela gravadora Mute Recordes. Depeche Mode, New Order e Kraftwerk são apenas alguns dos nomes que já lançaram por ela, essa música com toda a certeza fez eu recuperar uma parte do ânimo que havia perdido.

     Como nunca se deve julgar antes de conhecer, dei uma chance para que Hito mudasse minha opinião sobre ela, já havia ouvido diversos sets dela e em 2014 acompanhei todas as suas apresentações na ENTER, festa que este ano não figurou pelas praias de Ibiza. Com mixagens que as vezes transpareciam um pouco de nervosismo, a japonesa que sempre toca acompanhada de um belo kimono conseguiu manter a pista energizada e em outro momento enfeitiçou a todos com uma das músicas mais famosas de Nina Kraviz, Ghetto Kraviz.

    Após isso me dirigi ao hall de entrada do camarim e acompanhei de perto a chegada do lendário homem de plástico e por felicidade do destino consegui trocar rápidas palavras com o mesmo. Ele estava com o olhar um tanto quanto cansado afinal estava vindo de uma jornada de duas noites intensas no D-Edge, quinta para o Moving em São Paulo e sexta para a abertura do D-Edge RJ com a festa Underconstruction. Pontualmente às 3h da manhã Richie Hawtin começou a construção do seu set acompanhando de seu mixer MODEL 1. Projetado e criado de DJ para DJ, o mixer oferece um leque imenso de opções para mixagens e filtros, abaixo é possível conferir mais detalhes do que o novo aparelho é capaz de fazer. 

    Hawtin é o tipo de pessoa que apenas a sua presença já impacta na atmosfera do local. De origem britânica, criado no Canadá e influenciado pelo pai, engenheiro de robótica, sua vida sempre foi voltada para música, arte e tecnologia. Ao longo de toda a sua carreira sempre foi apontado como líder e pioneiro, seja pelos enigmáticos álbuns pela alcunha de Plastikman ou por todas as diversas contribuições para aproximar a relação das pessoas com a música. Um dos maiores exemplos disso é a plataforma de música on-line Beatport fundada em 2004 junto com Jhon Aquaviva. 

    Para aquela madrugada o set foi alternando entre momentos de euforia e êxtase, em quatro horas de música toda a sua genialidade era notada nos pequenos detalhes, o fato de ele estar ali na cabine que sempre o coroa como “mago” apresentando mais uma de suas criações abrilhantou ainda mais a sua performance. Uma câmera foi alocada em cima do mixer para que todos pudessem ver com mais profundidade o que estava sendo produzido a cada segundo. No decorrer da noite poucas músicas conhecidas, o headliner contou uma história recheada de mistérios, daquelas que você pode e vai ser surpreendido a qualquer momento, a famosa batida 4 por 4 funcionava como fundo para os meticulosos efeitos do abtleton, a cada mudança no aspecto da música um efeito instantâneo era notado na vasta legião de pessoas aglomeradas no pistão.


    Durante alguns instantes era como se um ser de outro planeta estivesse presente, forjado nas entrelinhas minimalistas do lado sombrio de Hawtin, sugando a todos para uma extraordinária dimensão repleta de criatividade e inovação. Inevitavelmente tudo que tem um início tem um fim, e de repente, os primeiros raios de luz começaram a tomar conta, era o primeiro sinal de que a abdução estava chegando ao fim, mas antes disso mais uma pequena amostra de engenhosidade, para os minutos finais a escolhida foi Tale Of Us – Lies,perfeita para finalizar toda a jornada vivida durante aquela noite chuvosa.

  • Timo Maas e o resgate dos símbolos da história do templo

     

    Marcado na memória como o primeiro headliner da inauguração do Warung Beach Club em novembro de 2002, Timo Maas teve seu nome esquecido nos últimos anos pelo club e consequentemente pelo público. Permeando renovações em cada 3 a 4 anos de frequentadores na noite, estar fora do ciclo durante esse pequeno período é suficiente para uma determinada região não saber mais quem é você. Mesmo tendo feito tours pela Argentina, de alguma forma Timo não se apresentava mais desde a celebração de aniversário de 6 anos em 2008. Em parte por sua própria baixa como artista – o que é normal – em parte pela maior abertura de estilos que a casa passou a abordar, seguindo a lógica, foi fatídico que só esteve voltando quem se manteve em um certo nível de consistência, seja com lançamentos ou grandes apresentações em festivais de renome. Outras lendas como Danny Howells, Dave Seaman e Satoshi Tomiie também marcaram época na primeira década de vida do clube da Praia Brava e por intensão própria deixaram de se preocupar em serem totalmente globais, quem já gastou solas na pista de madeira lamenta, porém, esse ano a curadoria tem apostado no resgate de símbolos que ajudaram a construir a identidade única do templo, como com Luciano que não aparecia desde 2010 e Guy J desde 2012. 

    Agora que clareamos o contexto histórico do retorno do Dj Alemão, podemos analisar quais pontos positivos a noite de 6 de agosto agregou para cena, para quem aguardava assim como eu e que não teve oportunidade de ver em 2008 e para quem estava na casa por ter se interessado na promoção do escolhido como “primeiro headliner” do templo.

    Independente das expectativas que cada grupo poderia ter, todos eles receberam uma noite com sonoridades atípicas em três momentos diferentes, e que na minha concepção fizeram valer a presença. Posso começar falando que antes mesmo da uma hora da manhã já tinha ganhado a noite. Como? Bem, após acompanhar um pouco do bom set que o catarinense Edu Schwartz vinha desempenhando no inside, desci para buscar uma bebida no bar e de repente senti minha mente ser invadida por elementos de uma familiaridade de se ver no sofá de casa, olhei para trás buscando quem estava no comando do garden e me dei conta que não poderia ser outra pessoa a não ser Gustavo Conti, será que ninguém mais está ouvindo? O cara está tocando Involver!

    Pra quem é fã do icônico primeiro álbum da trilogia de Sasha, ter a chance de ouvir qualquer uma das faixas na pista é algo surreal. Fui para a frente do som, precisava ouvir com plenitude! O mais legal era ver a pista inteiramente envolvida pelo toque balearic em breakbeats de ‘’Dorset Perception’’, segunda música do disco lançado pela Global Underground em 2004 que brigou no top 100 dos mais vendidos do Reino Unido daquele ano, a frente de muitas bandas de rock famosas inclusive. Não é preciso dizer que me obriguei a acompanhar o restante do set de Conti & Mandi, eles mantiveram a pista balançando em uma sintonia aconchegante, ainda tocaram diversas outras músicas que se percebia serem antigas, podendo ser o warm-up ideal para Timo.

    Ainda assim, minha eterna curiosidade em ver novos artistas me fez subir para acompanhar a última hora do set de Jimmy Edgar. O produtor de Detroit estava jogando intensamente e pegar seu set pela metade me fez ter que esperar uns 20 minutos até começar a entrar no ritmo minimalista e com linhas de baixo agressivas que fazia a pista crescer. Jimmy toca um estilo de música que você não vai ouvir todo dia, é preciso mente aberta pra conseguir aceitar sua proposta e a pista acompanhou muito bem, mixagens rápidas e sem deixar espaços pra baixas ajudaram a prender atenção. Linhas de bateria cortantes e timbres por vezes obscuros são o que me vem a mente para tentar descrever. É o tipo de som pra duas horas de experiência no máximo, e então seu corpo começa a pedir por balanço novamente.

    Foi quando vi surgir a figura de Timo Maas à frente do dragão. Como programado, às 3h30 ele deu início ao set com enorme tranquilidade, começar a pista do zero é algo que um cara com quase 3 décadas de carreira já fez incontáveis vezes, sem problemas. Em 15 minutos já era possível observar a pista em ritmo contínuo, como esperado começou jogando como a escola progressiva sugere: mixagens longas, elementos se encaixando e consistência. Era isso mesmo, estava diante de uma noite old school que começou no garden e agora estava nas mãos de Timo. Desde a primeira música notei que seria um set daqueles que você não vai achar as músicas para comprar, a não ser que vasculhe o que foi lançado há alguns anos atrás e ninguém mais lembra, e isso me deixou animado. Esquecendo do tempo, um clima um pouco surpreendente foi se mostrando, sem ser muito viajante e quase nada melódico, mesmo assim você entendia que era house progressivo. Depois das 5 horas os baixos mais pesados foram dando lugar a um ritmo um pouco mais rápido, estava tudo certo, era só se manter assim até perto do fim que seria uma noite pra pedir bis, porém, Timo resolveu cadenciar novamente e isso me frustrou um pouco. É uma escolha que o DJ faz no momento, ele consegue manter tudo sob controle, mas pode perder um pouco a energia na pista.

    De qualquer forma, estava ali, disposto a se surpreender novamente, e na última hora, ao ouvir o vocal de Paul McCartney ecoando pelo club me despertei novamente. uns dias antes tinha escrito uma matéria para revista Phouse sobre o incrível remix de Kerri Chandler para ‘’Nineteen Hundred and Eighty-Five’’ da banda Wings, mais conhecida como Paul MacCartney & Wings. Mesmo não sendo a última, foi o fechamento ideal para mim, ter sentimentos nostálgicos evocados é sempre algo diferente e especial, pude finalmente riscar da lista um artista que sempre quis ver. Foi ao ar pelo Warung Waves uma grande parte do set de Timo Maas, ouvir certamente sempre será mais compreensível do que ler, por isso deixei pro final.

     

  • Danee faz estreia na Save Club

     

    Neste sábado, dia 27/08, Danee fará sua estréia na Save Club, em Portão/RS, encerrando o Terraço, na mesma pista, dividem com ele o line dois djs que ganham destaque no sul do país, Hencke, da Trip to Deep e Mezomo Music, da Sunset Sessions. No Mainroom, o line da noite é composto por 2nd Round, , o duo Red Faced, Alok e Paradise City.

     

    INGRESSOS:

    Pista Feminino 1º Lote: R$ 40,00

    Pista Masculino 1º Lote: R$ 50,00

    VIP Feminino 1º Lote: 60,00

    VIP Masculino 1º Lote: R$ 80,00

     

    EVENTO OFICIAL: http://goo.gl/r7oG8m


  • Stekke toca na moving D.EDGE na quinta

    Hoje nosso querido duo comandará a pista da Moving l D.Edge, juntamente com Sammy Dee, Renato Ratier e Dee Bufato, em sua primeira gig no Brasil após a tour pela Europa. Nesta noite, o D Lounge leva a assinatura da SUNDAZE, com o line composto por N.A.S.SI, Edu Poppo, Mauricio Gatto e Germek.

     

     

    EVENTO OFICIAL: http://goo.gl/6ktNmJ

     

    INGRESSOS:

    Sem Lista: Feminino R$ 60,00 / Masculino R$ 80,00

    Com Lista: Feminino R$ 40,00 / Masculino R$ 60,00

  • O detroitbr chegou em Carazinho com Eduardo M e três toca-discos

    No dia 16 de agosto o detroitbr esteve presente pela primeira vez em Carazinho/RS, com mais uma histórica apresentação do meu querido amigo Eduardo Moraes. Antes de começar a narrar a minha aventura com ele, gostaria de explicar como aconteceu esse link entre o clube e eu.

    Em 2014, durante o Timewarp na Argentina, conheci vários brasileiros, que assim como eu foram prestigiar esse que é um dos festivais mais aguardados na America do Sul. Entre os presentes estava Alekson, ficamos amigos, trocamos algumas ideias sobre música e após a viagem continuamos nos comunicando. O mesmo apresentou-me o Marcelo de Carli tempo depois e rapidamente começamos à trocar algumas mensagens. Depois desse momento, eu e Marcelo ficamos um ano acompanhando o trabalho um-do-outro a distância. O legal desse período inicial é que o detroitbr era recém-nascido, e eu queria muito mostrar o que estávamos fazendo em Santa Catarina. Talvez para época seria um tiro no pé, ir até à cidade tão precocemente.

    Quando surgiu o request para o booking do Eduardo, confeso que foi uma bela surpresa, afinal passara um ano desde a conversa que tivemos, e até o momento não havia sido feito nenhum convite. Em primeira instância, não conseguimos chegar em um acerto para ida do artista – vocês devem imaginar a minha tristeza, pois você tem um DJ em potêncial para uma data em um lugar que só escuta-se falar coisas boas e o acerto por final acaba não se concretizando. Apesar disso, tudo teve um desfecho feliz, voltamos a conversar e em uma negociação extremamente transparente batemos o martelo. 

    Naquele momento Eduardo estava na europa viajando e havia me ligado falando que estava trazendo vários discos novos para sua coleção, e que poderiamos pensar em uma apresentação em três decks. Imediatamente entrei em contato com o Marcelo e apresentei como possibilidade essa apresentação. Ao aceitar, Marcelo ainda me disse “Edu, avisa que ele pode vir tranquilo, a galera aqui curte os Jeff Mills, Robert Hood, etc.” Imaginem a minha cara de felicidade ao escutar isso – e também a ansiedade para ver tudo isso ao vivo.

    Com o retorno do Eduardo ao Brasil realizamos duas reuniões de planejamento, pois eram cansativas nove horas de viagens. Posso dizer que nessas reuniões conquistamos nossa pos-graduação em google maps. Brincadeiras a parte, nessas viagens sempre acontecem imprevistos, não é? Conosco não seria diferente. A menos de uma semana da festa o carro que faria a viagem apresentou alguns problemas, o invalidando como nosso transporte. Nesse mesmo momento começei a olhar os meus contatos, até que encontrei o quinto protagonista dessa história: Rodrigo Ribeiro, também conhecido como Slipe. Ele salvou nossa viagem, pois precisávamos de alguém de confiança para dividir o volante mas que ao mesmo tempo não fosse um maluco beleza, desses que encontramos pelas BRs, ruas e avenidas da vida. 

    Saímos de Itajaí às 6h e passamos em Balneário Camboriú, pegamos nosso astro e partimos em direção ao Rio Grande do Sul. Fizemos uma viagem tranquila com boas paradas durante o trajeto e com pen drives inacreditavelmente diversificados. Para quem é fã de coisas malucas, rolou Flooating Points, SBTRKT, Radiohead, Mr. Scruffe entre outras coisas. Chegamos por volta das 16h em Carazinho, fomos diretamente ao local fazer o soundcheck, e também conhecer as estruturas do clube. Essa é uma parte interessante, pois ela fica em um complexo formado por 2 clubes – o B Club e Sky Tronic, uma micro cervejaria, um bar/restaurante, e um salão de eventos sociais – o lugar é simplesmente incrível. O B Club, local onde foi a apresentação, tem capacidade para 250 pessoas. Trata-se de uma pista totalmente intimista, com setup e soundsystem de primeira. É emocionante ver a dedicação da adimistração em manter aquilo vivo, pois é de uma riqueza enorme e de ideias semelhantes com os que temos aqui no detroitbr.  Outro fato é que ficamos hospedados em um hotel na frente do complexo. Poderiamos ir a pé.

    Devidamente hospedados, descançamos um pouco até sair para jantar com Marcelo e Dani Moraes, sua primeira dama. Em seguida, foi dada a largada para que sentíssemos à energia do povo de Carazinho. As pessoas começaram a chegar e rapidamente começando a ver rostos conhecidos dos quais estavam interagindo conosco no evento durante a promoção da festa. Uma grata surpresa foi conversar com várias pessoas que vieram nos parabenizar pelo coletivo.

    O warm-up do evento foi liderado por Wagner Scorsatto. Esse menino representa uma nova geração de artistas gaúchos que devemos ficar de olho para os próximos anos. Além do Wagner, eu pude conhecer outros meninos que também estão iniciando. Também conheci pessoalmente o Felipe Barros, amigo de internet já há algum tempo, todos apoiados pelo “Professor” Marcelo, assim chamado carinhosamente por eles. Marcelo ainda comentou comigo que por ele já tinha passado umas 4 gerações de pessoas e djs, e que essa era uma das mais legais que surgiu nos últimos anos.  

    Enquanto nos divertiámos na pista conversando com a galera local, Eduardo preparava-se para mais um de seus rituais. O legal de quando você acompanha um artista por um longo período é perceber as caracteristicas que formam sua personalidade. No caso do Eduardo é nítido uma mudança radical de comportamento, é como se ele deixasse de lado por algumas horas aquele meninão brincalhão, por um cara extremamente sério e concentrado, sedendo pra ver a pista pular em cada disco escolhido. Em tempo, Wagner finalizava sua apresentação e lá estava o nosso astro com todo xadrez montado em sua cabeça.

    Falar de uma apresentação do Eduardo é sempre incrível, pois a qualidade é sempre de um altíssimo nível – e eu tenho a honra e sorte de trabalhar com ele e me surpreender frequentemente, porém, tem algo que eu sempre comento com os meus amigos – a primeira apresentação é sempre inesquessível. Para os mais de 250 presentes na noite, aquilo estava sendo mágico, e para mim também. Em alguns momentos eu fui parado por pessoas falando “Em anos que eu frequento clubes eu nunca vi um cara como uma habilidade como o Eduardo”. Foram intensas duas horas e meia da mais pura e verdadeira conexão que um artista pode ter com o público presente. 

    No o final da apresentação do Edu, eu fiquei imaginando o que Marcelo faria, e é nessas horas que a experiência conta. Ele saiu do rítimo frenético que estava anteriormente para algo mais cadenciado e de maneira muito inteligente. Foi muito legal também ver cada um dos presentes na pista, deu pra ver literalmente que ele é adorado por todos. Naquele momento eu entendi todo lance do titulo de professor. De fato, ele é um grande DJ e protagonista no desenvolvimento da cena gaúcha. Digamos que ele esteja focado em uma proposta “Lado B”, longe de todos esses lances mainstream que impedem apresentação artisticas complexas. O público que ele educou esta ali sedento por música, e os artistas tem liberdade plena em suas apresentações. No final da apresentação rolou até um b2b, e eu estava tentando entender o que estava acontecendo. Quem conhece o Edu sabe o quanto ele é seletivo para esses lances, e ver os dois juntos no palco foi a cereja do bolo. O clube geralmente tem suas atividades finalizadas às 7h, mas a noite/dia estava tão mágica que acabou rolando um plus até às 9h.

    Com o final do evento, fomos para o hotel, tomamos um café e descançamos, pois depois das belas experiências vividas tinhamos longas 9 horas de volta até à nossa cidade. Posso dizer que essa foi uma das festas mais sensacionais do ano pra mim, tanto que me dediquei minuciosamente para contar cada detalhes a todos vocês. Que essa seja a primeira de muitas idas a Carazinho. Eu em nome de todo detroitbr agradeço todo carinho, seja ele da da organização, dos djs ou do público presente.