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  • Música eletrônica como produto e não como arte

    Advertência inicial, mesmo que óbvia, mas para evitar equívocos de interpretação: as críticas do texto se referem a comportamentos que o autor considera da maioria das pessoas envolvidas na cena eletrônica, não da totalidade. Sendo também esse o motivo do título do texto ser “a música eletrônica como produto e não como arte” e não o inverso.

    Pois bem. A música é uma forma de manifestação artística e, como tal, não se forma como um produto de consumo (como aqueles normalmente produzidos pela industria que visam satisfazer nossas necessidades e que podem ser negociados no mercado por um valor de troca – momento então que se convertem em mercadorias).

    Arte é a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, é algo que o artista precisa exteriorizar como necessidade de representação dos seus sentimentos, emoções, ideias, experiências, tendo como objetivo também estimular esse interesse de consciência em um ou mais espectadores, cada obra de arte possuindo um significado único e diferente.

    A música, como arte, deve ser uma representação dos sentimentos, emoções, pensamentos e experiências, manifestada de forma espontânea e livre de paradigmas,  para expressar uma visão ou abordagem sensível do mundo, seja este real ou fruto da imaginação, com isso ela se torna atemporal, assim como as demais manifestações artísticas (artes plásticas, literatura, dança, teatro, cinema, escultura, arquitetura, fotografia e etc.). Portanto, criar uma música deve ser o resultado de acreditar que se tem algo a exteriorizar através dela, agregando ao repertório do universo musical já existente. Por isso, a música é um fim em si mesmo e não um meio para outros objetivos materiais. O objetivo de se criar uma música deve ser o prazer, a satisfação nela mesma e não com interesses estranhos a isso, como por exemplo, retribuições financeiras. O fato é que a música deve proporcionar satisfação por si só e não pelo que ela pode gerar. 

    A música eletrônica não foge a esse conceito e se fugir, por consequência, não será música. Ela será simplesmente uma sequência de sons produzidos de forma aleatória ou padronizados, mas sem nada a dizer. Será algo desprovido de conteúdo artístico, isto é, não é a exteriorização de nada (de uma emoção, de um sentimento, de uma experiência, de uma história, de uma percepção de mundo), não possuindo significado, será apenas resultado de um processo mecânico de selecionar elementos-padrão dentro de um software com objetivo vazio de criar uma “track”.

    Serão produzidas como qualquer produto de consumo, possuindo as mesmas características, sendo as principais: produção em larga escala, forma e conteúdo padronizados, para atender objetivos temporários e sazonais. Criadas dessa forma se sujeitam ao mesmo tratamento que qualquer produto: algo descartável e substituível, com objetivo de uso temporário, em que se prioriza e valoriza a quantidade e não a qualidade. Inevitável que, possuindo essas características, receba esse mesmo tratamento do público, fazendo jus ao estereótipo de que “música eletrônica são apenas barulhos sintéticos, sem conteúdo, sazonais, com o objetivo exclusivo de embalar diversões de pessoas jovens”.

    Educadas sobre essa ideia deturpada da música eletrônica como produto, as pessoas acreditam que as músicas devem sempre ser novas e atualizadas, produzidas em novas remessas a cada período de tempo (alguns meses), assim como qualquer produto de consumo. Ou seja, a música eletrônica é um produto descartável e com prazo de validade. Mas não é só o público que vê a música eletrônica dessa forma. Essa é uma concepção que os próprios djs e produtores têm – mesmo que de forma inconsciente – sobre a música eletrônica. Assim, se estabelece um ciclo vicioso de comportamentos que se retroalimentam, em que o público e “artistas” se influenciam mutuamente: o artista/dj toca porque o público quer; o público quer porque o artista/dj toca.

    A mesma regra para o artista ou produtor: ele produz porque o público quer; o público quer porque existem artistas produzindo tal forma de música.  E com isso acabam reproduzindo e perpetuando essa visão distorcida e equivocada sobre a música eletrônica (produto e não arte).

    Mas essa mentalidade/comportamento é também influenciada, estimulada pela indústria da música eletrônica, que, apoiada na concepção da música eletrônica como produto descartável, lança músicas novas todos os dias. Aqui também acontece o ciclo vicioso por comportamentos que mutuamente se influenciam. As gravadoras se comportam assim porque acreditam que o mercado (público/djs) vê a música eletrônica como produto com prazo de validade, em que os estoques precisam ser repostos periodicamente com mais produtos novos. O público, djs e artistas por sua vez, consomem esse produto porque a indústria/gravadora passa essa ideia, produzindo música em larga escala, com lançamentos diários.

    Exemplo dessa mentalidade ou um sintoma dela, são djs fazendo downloads de músicas novas em larga escala toda semana, quando não todo dia, sem ao menos ouvir cada uma delas, para seus sets terem sempre músicas novas, mas músicas que eles nunca ouviram antes e só vão ouvir naquele set “único”, músicas sem qualidade ou conteúdo, mas que apenas estão dentro do conceito de produto. Se orgulhando de ter “X” gigabytes ou terabytes de arquivos de músicas.

    A música eletrônica é um dos estilos mais democráticos que existe. Porém, isso tem um feito negativo: a falta de critérios. Qualquer um se autointitula produtor ou dj. Não há critérios ou qualidades mínimas pelo qual a pessoa precisa demonstrar. 

    Isso gera mais um outro ciclo vicioso: o mercado/público estimulam o processo, pedindo que a indústria da música produza o máximo possível de novos produtos (músicas) para eles usarem. A indústria então precisa do máximo de material humano para atender essa demanda. Para um mercado sem critérios, que só quer o máximo de produtos novos, se estimula/contrata o máximo de pessoas (produtores/mão-de-obra) possível, sem nenhum critério de qualidade.. Ou seja, só existe uma infinidade de autointitulados produtores ou artistas porque a indústria pede, e ela só pede porque alguém consome, e alguém só consome porque é produzido. Um setor mutuamente influencia a perpetuação do outro, numa simbiose.

    No caso, cada setor se baseia no comportamento do outro setor, mas todos compartilhando a mesma ideia que a música eletrônica é um produto. Mais um ciclo vicioso. Um comportamento que retroalimenta o outro: o público vê a música como produto porque ele é produzida como tal, mas ela é produzida como produto porque o público a vê como um produto. Ou seja, não se tem como definir qual comportamento vem antes do outro.

    É a valorização da quantidade ou invés da qualidade, típico de uma sociedade de consumo. E aí questiona-se: em qual estilo musical se produz tanta música nova todos os dias? Melhor dizendo: qual tipo de arte produz tanto material diariamente? Nenhum. Arte não se submete ao modelo de produção de produtos de consumo. Assim, como todo produto produzido em escala industrial, é óbvio que 98% são músicas sem qualidade e conteúdo algum. Meros produtos perecíveis/descartáveis.

    Mas o problema não para por aí. Desse tratamento dado a música eletrônica surgem outros problemas: os eventos e o público que os frequenta. Se a música eletrônica não é valorizada como música, mas como produto, um evento que pretende expô-la não será um evento artístico, mas evento comercial, que não visa a arte, mas o lucro.  O público não irá com o objetivo de ver um artista se apresentar (até porque o evento não proporcionará isso), mas com objetivos fúteis: sexo, status, ostentação, abuso de drogas lícitas e ilícitas e etc. A música, nesses ambientes, é só um plano de fundo em um lugar em que as pessoas estão procurando qualquer um dos objetivos já citados na frase anterior. Esses são os objetivos primários, a música vem em segundo, terceiro ou quarto plano, conforme os interesses de cada pessoa.

    No caso, o uso de drogas lícitas e/ou ilícitas vira um fim em si mesmo e não um meio de se chegar a um estado mental para melhor absorver a música. E conhecer pessoas ao invés de ser algo ocasional e espontâneo, vira um objetivo obsessivo. Ou seja, como consequência de a música eletrônica ser tratada como produto é existência de eventos que visam fins comerciais e não artísticos, oferecendo produto e não arte, para um público que quer estar num ambiente apenas para satisfazer objetivos vazios. 

    É a música como arte sendo deturpada pela sociedade de consumo, que não sabe lidar com alguma coisa se não for da mesma forma que um produto. Em analogia ao termo cunhado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é uma relação “líquida” com a música: frágil, tênue, descartável e temporária.

    É claro que a forma como a música eletrônica é tratada no Brasil é um sintoma de uma causa mais profunda, que é a falta de educação e valorização musical no geral, como acontece nos países europeus.  Mas, de qualquer forma, para reverter ou minimizar esse cenário, é necessário um constrangimento musical exercido pelo público em relação aos artistas e produtores de eventos e vice-versa, isto é, o dj/produtor deve saber que seu público é crítico e seletivo, da mesma forma o público deve saber que o evento/artistas têm conceito, são seletivos e críticos.

    Todas as pessoas envolvidas na cena eletrônica brasileira, seja como for (público, artistas, indústria, organizadores de eventos), que possuem consciência crítica não podem ser omissos e coniventes com esse cenário deturpador da música eletrônica, devem sempre se manifestar e buscar a propagação da ideia de arte e não de produto. A soma de todos os comportamentos e pensamentos individuais gera um modo de operação coletivo. E se a mentalidade coletiva for majoritariamente (não digo totalmente – seria algo incansável e desnecessário) a favor da música eletrônica como arte e não como produto, já teremos alcançado nosso ideal. 

  • Pista Vip Room leva a assinatura do detroitbr no aniversário da Discolovers

     

    Neste sábado, 13/08, a Discolovers comemora seu primeiro aniversario no Club Vibe. Na pista principal se apresentarão Carrot Green, Biel Precoma e Rafael Cancian. A pista VIP Room será assinada pelo nosso coletivo, com um line composto por Kultra, que fará um birthday set, Alex Kamel e Hetich.

    INGRESSOS:

    Antecipados disponveis em: http://bit.ly/Vibe13ago16

    R$ 60,00 masc e R$ 30,00 fem

    Listas no mural do evento

     

    EVENTO OFICIAL:

     

    https://www.facebook.com/events/567235596782828/

  • Eduardo M de long set no Brava Garden

     

    Neste Sábado, 13/08, Eduardo M fará um incrível long set no Brava Garden, em Itajai/SC. Ciclus, um dos líderes da Konsep Records, fará o warm-up para nosso residente, completando o line up.

     

    INGRESSOS:

     

    LISTA:

    R$ 30,00 masc, até as 00:00, após, R$ 40,00

    R$ 10,00 fem, até as 00:00 após, R$ 20,00

    Nomes devem ser postados no mural do evento até as 18:00 do dia para validação.

     

    Convites disponiveis na hora no evento

     

    EVENTO OFICIAL:

     

    https://www.facebook.com/events/303579859992850/

  • Stekke encerra sua turnê na Europa com chave de ouro na Fabric

    O dia 07/08/2016, domingo, será um grande dia para nossa dupla residente Stekke. Eles encerram com louvor sua turnê pelo velho continente, que contou com gigs em eventos e clubs de peso, como Festival Quinto Sol e Club Der Visionaere. Esta estreia na Fabric será dividindo line-up com Marco Petrazzi e Peter Pixzel, em uma festa da WetYourSelf!, label residente no club aos domingos.

    INGRESSOS:

    £5,00 a £7,00 valor unissex

    VENDAS: https://goo.gl/Us3xlL

    EVENTO OFICIAL: https://goo.gl/ChpfnM 

  • Bernardo Ziembik estreia no LakeRoom do Matahari

     

    Bernardo Ziembik assume pela primeira vez os decks do Matahari Super Club, localizado em Indaial/SC. Ele está escalado para apresentar-se na pista LakeRoom, ao lado de um time composto por William Kraupp, Tarter, Rhenan Batista, Daniel May e pelo nosso líder João Pedro. Recentemente Bernardo se apresentou no club irmão Nudh, localizado na cidade vizinha Gaspar, deixando uma ótima impressão e um sentimento de saudades nos presentes.

    EVENTO OFICIAL: https://goo.gl/sJKZFH

    INGRESSOS: https://goo.gl/N5ggOA

    R$ 60,00 Unissex – disponiveis no Ingresso Nacional
    PRONTOS DE VENDAS: http://ow.ly/Y745w
    RESERVAS:  (47) 9200-0505

     


  • Danee estréia na 2nd Floor, em Caxias do Sul

    Neste final de semana, no dia 06/08, Danee faz sua estreia na 2nd Floor, em Caxias do Sul. Além de nosso residente, o line é composto por &silva, Eduardo Drumm e Wilian Celuppi, residente do Beehive, clube referência no Rio Grande do Sul.

    INGRESSOS:
    Masculino: R$ 30,00
    Feminino: R$ 20,00

    Os ingressos podem ser adquiridos com os promoters oficiais do evento ou no local do evento.

    EVENTO: https://goo.gl/t0TBBJ

    Confira um pouco da primeira apresentação de Danee em Caxias do Sul, na Albrg, no dia 21/08/15, na qual dividiu o line com o argentino Gabriel Ferreira, da Items & Things:

     

  • O Alataj celebra 4 anos de história com evento completíssimo

    A comemoração dos 4 anos do núcleo Alataj será celebrada com um evento bem amplo no dia 30 de julho no Music Park BC. O play na intro será tocado as 18h30, com uma conferência onde dois painéis de debates serão expostos. O primeiro deles abordará o relacionamento entre clubs e núcleos, enquanto o segundo versará sobre a importância do DJ na cena contemporânea. E sim, haverá um break a partir das 22h no espaço LOB da casa onde os participantes da conferência se congregarão num coquetel open bar até a abertura da pista do Terraza BC às 23h30 para a festa Tribute to Chicago.

    O detroitbr estará muito bem representado no evento pelo amigo Danee – membro do painel “DJs em Ação” – e Petrius D com Bernardo Zembiek estarão presentes no painel “Núcleos e Clubs”. Confira abaixo a programação completa e detalhada do evento:

    Painel 1 – Núcleos & Clubs

    Cada vez mais o trabalho dos núcleos tem sido reconhecido como de suma importância para o crescimento sustentável da cena, assim como o dos clubs, que são responsáveis por fazer o mercado girar de forma intensa e com atrações de grande porte. Um bom relacionamento entre ambas as partes garante ao público mais opções de acesso a música e aos artistas um mercado mais estável. Vamos colocar frente a frente as mentes por trás dos núcleos e profissionais responsáveis pelo cotidiano dos clubs para um debate que traz a plateia, duas visões distintas do mercado. 

     

    Participantes: 

    – Sevela (EMBED)

    – Bernardo Ziembik (Terraza BC/detroitbr)

    – Jefferson Miranda (El Fortin Club)

    – Rhenan Luiz (Garage)

    – Petrius D (detroitbr)

    – Willian Israel (HTBC)

    – Michel Dalmoro (Grupo GV)

     

    Painel 2 – DJs em Ação

    Em tempos onde consumir música se tornou tão fácil, DJs precisam se reinventar como artistas para continuar entregando algo relevante para as pistas por onde passam. Um bate papo franco e aberto sobre a real importância dos DJs junto ao público.

     

    Participantes:

    – Danee (At HOME/detroitbr)

    – Kaká Franco (Hot Legs Party/ Tropicália house.club)

    – Emmy Betiol (Terraza Music Park)

    – Dudu Palandre (Anhanguera/D AGENCY)

    – Doriva Rozek (Terraza Music Park/D.Agency)

    – Gabriel Boni (Entourage)

     

    +: Network, distribuição de brindes, coquetel open bar.

     

    Terraza BC e Alataj presents: Tribute do Chicago

    O Terraza de Balneário Camboriú presta uma homenagem à origem da house music com a festa Tribute to Chicago, marcada para o próximo dia 30 de julho, sábado. A cidade americana foi a primeira a abrigar uma cena voltada a este gênero eletrônico, no início dos anos 80. A house music logo saiu das garagens e clubes undergrounds de Chicago para ganhar pistas do mundo inteiro, não apenas por suas batidas e seu groove envolvente, mas também pela sensação de liberdade transmitida por meio de suas letras e melodias.

    – Michael Caliman (HTBC)

    – Kaká Franco (Hot Legs)

    – Anhanguera (D.AGENCY)

    VJ Daniel Paz – all night long

     

    Inscrições para o Alataj Conference 
    As vagas para esse completo evento são limitadas para propiciar um maior conforto para os participantes e melhor dinamismo entre os painéis. Para confirmar sua inscrição, preencha seus dados nesse LINK e siga o restante das instruções descritas na página.

  • E-Music na Cidade agitará Paranaguá em prol da Música Eletrônica

    O E-Music Na Cidade é um projeto que existe desde 2014 criado por João Rocha Loures em parceria com artistas e instituições do meio musical, atua no sócio cultural com eixos educativos e de entretenimento, provocando inovação e pluralidade para cena eletrônica. O E-Music Na Cidade envolve mais de 20 instituições locais, nacionais e internacionais e já mobilizou mais de 20 mil pessoas no litoral com oficinas, intervenções culturais, palestras, workshop e eventos.

    No próximo dia 23 de julho – em paralelo com as comemorações ao aniversario de 368 anos da cidade de Paranaguá – o “E-Music na Cidade” acontecerá na praça de eventos 29 de Julho e terá início as 14h. A Programação do Festival abre com o coletivo de rap HEY HO RAPS! Na sequência, teremos a estreia do projeto ROCK YOU MIND, com discotecagem voltadas ao Rock & Roll e vertentes com a curadoria dos Djs e produtores Alejandro Bargueño e Marcos Coloma (MARC2S). O projeto oferecerá também um concurso online para selecionar jovens que desejam se apresentar tocando no festival. As inscrições são validas até dia 21/7 no site da yellow.art.br e são exclusivas para alunos que participaram das oficinas do E – Music Na Cidade em 2015 (Ver regulamento site). Para completar o festival com assinatura da curadoria ART-E, trazendo ao palco do E-Music Na Cidade Festival um line up com artistas que navegam em influencias desde House, Minimal & Techno ao Trance reafirmando a diversidade cultural que a música pode oferecer.

    O detroitbr nasceu em um berço ideológico que visava o crescimento cultural e intelectual da cena eletrônica. Reverenciamos e apoiamos iniciativas semelhantes à nossa, assim como a proposta do Festival E-Music na Cidade. Juntos, zelamos com força cada vez maior pelo desenvolvimento de uma cenário mais próspero e rico culturalmente na música eletrônica.

     

     

     

     

  • TribalTech anuncia nova data e promete edição histórica

    Após longos meses de mistério o Grupo T2 finalmente abriu o jogo sobre a Tribaltech Escape: será realizada em 2017, ao contrário das expectativas populares de que ela seria em outubro deste ano, seguindo a lógica das últimas edições. A organização explica que 2016 foi um ano bastante desfavorável economicamente para a concepção de um line-up e estrutura à altura do que, segundo eles, seria digno de um novo “fim” para a festa, além do mês de outubro ter um grande volume de chuvas, experimentado não somente pela Tribaltech Evolution no ano passado, mas também por duas edições passadas da Tribe, quando era realizada nesta época do ano em Curitiba.

    A data escolhida é o dia 6 de maio, período em que tradicionamente acontecia a XXXperience de Curitiba. Em conversa com Jeje, proprietário do Grupo T2, descobrimos um pouco mais sobre a nova lógica do calendário de festivais da capital paranaense: “A XXXperience continua em maio também, mas acontecerá a cada dois anos, a exemplo da Tribaltech”. Quanto as razões para isso, “dois anos é tempo suficiente para nós montarmos algo realmente impactante, para o público sentir saudades e também para lançarmos projetos diferentes nas outras épocas do ano”. Com o adiamento, o que eram três meses até o evento se tornam 10 meses, abrindo a possibilidade para que muita coisa nova venha a acontecer. Segundo o departamento de marketing, mensalmente iremos conhecer os detalhes que construirão a festa, como a nova divisão de palcos, o local de realização, os primeiros nomes do line-up e, claro, a venda de ingressos. O principal ponto de comunicação será a página oficial no Facebook, portanto, curtam e fiquem atentos!

  • Guy J retorna ao templo em noite de reverência ao mais puro house progressivo

    Dia 25 de Junho o Warung Beach Club abriu suas portas para apresentar o produtor israelense Guy J, depois de 4 anos de espera ele estava de volta e disposto a fazer uma noite repleta de magia e emoção. O crescente número de admiradores de sua música no Brasil estava contando os minutos para sua apresentação, alguns deles resguardavam nas memórias de 2012 quando ele abriu a noite para seu até então “boss label”, John Digweed. De lá pra cá, Guy tornou-se um dos artistas internacionais mais aguardados do templo visto o crescimento que obteve em sua carreira, seja com lançamentos ou liderando a própria gravadora repleta de talentosos produtores. Novamente a convite do núcleo detroitbr e com muita satisfação fiquei responsável de abordar este reencontro, porém, antes de falarmos sobre a noite é preciso expor o impacto existencial que tive logo após final de semana da festa.

    Começando o review, me pego sentado à frente do computador em meu quarto ouvindo pássaros assobiarem pela janela de uma acinzentada sexta-feira à tarde. Desde que me propus a escrever sobre música eletrônica, foram poucas as vezes que me vi em tamanha dificuldade para relatar algo. O choque da volta à realidade forçou-me a refletir mais que o de costume e durante a semana busquei em alguns pensadores inspirações para expressar da forma mais verdadeira as impressões sonoras que tive com esse artista.

    Bem, ao entorno de um set existem diversos fatos que são necessários para algo especial acontecer, e nós vamos tentar encontrá-los. De alguma forma, pessoas dos mais diversos lugares tiveram seus caminhos colocados no mesmo instante sendo possivelmente preparadas para ouvir alguém que veio do outro lado do oceano a fim de manipular ondas sonoras. Então, de repente me peguei observando que estava diante de uma das questões mais intrigantes que se pode ter enquanto indivíduo humano e pensante. Qual o sentido de ter apenas uma fração da sua existência junto de seus novos eternos amigos ou alguém que você gosta? Por que tão pouco tempo? Segui adiante, só a noite poderia me dizer. 

    Enquanto aguardávamos a chegada do pequeno gênio, o sentimento na parte à frente da cabine era de festa na sala, por todos os lados me via cercado por conhecidos, amigos e isso só fazia aumentar a expectativa. Guy J tem cada vez mais sintetizado o tipo de música que melhor desperta meu interesse, arranjos de bateria e percussão tribais somados a timbres obscuros carregados de melancolia na dosagem certa, sem exageros. Tendo que começar a noite praticamente do zero, ele deu mostras já nos primeiros minutos de que tem se tornado um DJ de primeira linha, de forma sutil recolocou a pista onde deveria estar e começou a moldar seu set.

    As pessoas estavam dançando e elas queriam ver do que Guy J era capaz, porém, junto de alguns amigos, constatei que o sistema de som estava bem abaixo da sua normalidade. Possivelmente devido a troca de equipamentos e assim como no carnaval com Luciano, falta de atenção por parte dos técnicos da casa. Somente depois de quase uma hora que conseguimos chamar a atenção do manager de Guy J, que fez o pedido do ganho no sound system. Infelizmente a essa altura, ele já tinha tocado Melt – uma das minhas favoritas – mas que infelizmente não surtiu efeito na pista, paciência. Dai em diante foi outra festa, era possível sentir as batidas no peito e os médios entorpecendo a mente. Guy J foi subindo o set até determinado ritmo e ali se manteve alternando entre breaks delirantes e transições sequenciadas, emotivas e obscuras. Era como se estivéssemos uma hora caminhando nas nuvens e logo depois éramos jogados no limbo, sem dó. Ficou nítido que ele queria tocar tudo que sempre imaginou ali, todos estavam vibrantes e a cada virada em camadas eu recebia estalos cognitivos no cérebro, circuitos iam se ligando e lapsos de memória começaram a surgir, assisti momentos da minha infância, coisas que já vivi e de onde já estive, uma imersão ao subconsciente como poucas vezes já tive. É como se Guy J tivesse pego como referência os efeitos anestesiantes do Sasha e as mixagens desconcertantes do Hernan Cattaneo e colocado em sua forma de tocar, não com a mesma excelência – é verdade – mas formando um conjunto que não deixa a pista se dispersar da música um segundo.

    É difícil colocar em uma linha do tempo todas músicas próprias que ele tocou, foram diversas, acredito que mais de 1/3 da noite tenha sido só de faixas autorais, ainda assim é impossível não destacar o clima explosivos que o público teve em Dizzy Moments e Nirvana. Ele tentava se manter concentrado mas suas expressões entregavam a emoção de comandar aquela pista, em nenhum momento precisou acelerar o bpm ou jogar mais techno, a noite não era pra isso, era um momento de reverência ao mais puro house progressivo, ao estilo que marcou a vida de muitos dos que estavam ali esperando por isso, e que de forma sublime foram recompensados. 

    O canto de Miriam Vaga em Tomorrow pela manhã, música que tocou em 2012 também, foi uma forma de dizer: “Como eu queria estar de volta” e me fez encontrar as respostas que tanto me incitaram no início da festa. As mãos no rosto do Guy J ao final junto com o coro de seu nome pelo público provaram tanto pra ele quanto pros presentes que se há recompensa – se é que ela existe – de termos nos tornados autoconscientes sobre nossa existência é de ter pequenos momentos como este, tudo vale a pena!