No dia 16 de agosto o detroitbr esteve presente pela primeira vez em Carazinho/RS, com mais uma histórica apresentação do meu querido amigo Eduardo Moraes. Antes de começar a narrar a minha aventura com ele, gostaria de explicar como aconteceu esse link entre o clube e eu.
Em 2014, durante o Timewarp na Argentina, conheci vários brasileiros, que assim como eu foram prestigiar esse que é um dos festivais mais aguardados na America do Sul. Entre os presentes estava Alekson, ficamos amigos, trocamos algumas ideias sobre música e após a viagem continuamos nos comunicando. O mesmo apresentou-me o Marcelo de Carli tempo depois e rapidamente começamos à trocar algumas mensagens. Depois desse momento, eu e Marcelo ficamos um ano acompanhando o trabalho um-do-outro a distância. O legal desse período inicial é que o detroitbr era recém-nascido, e eu queria muito mostrar o que estávamos fazendo em Santa Catarina. Talvez para época seria um tiro no pé, ir até à cidade tão precocemente.
Quando surgiu o request para o booking do Eduardo, confeso que foi uma bela surpresa, afinal passara um ano desde a conversa que tivemos, e até o momento não havia sido feito nenhum convite. Em primeira instância, não conseguimos chegar em um acerto para ida do artista – vocês devem imaginar a minha tristeza, pois você tem um DJ em potêncial para uma data em um lugar que só escuta-se falar coisas boas e o acerto por final acaba não se concretizando. Apesar disso, tudo teve um desfecho feliz, voltamos a conversar e em uma negociação extremamente transparente batemos o martelo.
Naquele momento Eduardo estava na europa viajando e havia me ligado falando que estava trazendo vários discos novos para sua coleção, e que poderiamos pensar em uma apresentação em três decks. Imediatamente entrei em contato com o Marcelo e apresentei como possibilidade essa apresentação. Ao aceitar, Marcelo ainda me disse “Edu, avisa que ele pode vir tranquilo, a galera aqui curte os Jeff Mills, Robert Hood, etc.” Imaginem a minha cara de felicidade ao escutar isso – e também a ansiedade para ver tudo isso ao vivo.
Com o retorno do Eduardo ao Brasil realizamos duas reuniões de planejamento, pois eram cansativas nove horas de viagens. Posso dizer que nessas reuniões conquistamos nossa pos-graduação em google maps. Brincadeiras a parte, nessas viagens sempre acontecem imprevistos, não é? Conosco não seria diferente. A menos de uma semana da festa o carro que faria a viagem apresentou alguns problemas, o invalidando como nosso transporte. Nesse mesmo momento começei a olhar os meus contatos, até que encontrei o quinto protagonista dessa história: Rodrigo Ribeiro, também conhecido como Slipe. Ele salvou nossa viagem, pois precisávamos de alguém de confiança para dividir o volante mas que ao mesmo tempo não fosse um maluco beleza, desses que encontramos pelas BRs, ruas e avenidas da vida.
Saímos de Itajaí às 6h e passamos em Balneário Camboriú, pegamos nosso astro e partimos em direção ao Rio Grande do Sul. Fizemos uma viagem tranquila com boas paradas durante o trajeto e com pen drives inacreditavelmente diversificados. Para quem é fã de coisas malucas, rolou Flooating Points, SBTRKT, Radiohead, Mr. Scruffe entre outras coisas. Chegamos por volta das 16h em Carazinho, fomos diretamente ao local fazer o soundcheck, e também conhecer as estruturas do clube. Essa é uma parte interessante, pois ela fica em um complexo formado por 2 clubes – o B Club e Sky Tronic, uma micro cervejaria, um bar/restaurante, e um salão de eventos sociais – o lugar é simplesmente incrível. O B Club, local onde foi a apresentação, tem capacidade para 250 pessoas. Trata-se de uma pista totalmente intimista, com setup e soundsystem de primeira. É emocionante ver a dedicação da adimistração em manter aquilo vivo, pois é de uma riqueza enorme e de ideias semelhantes com os que temos aqui no detroitbr. Outro fato é que ficamos hospedados em um hotel na frente do complexo. Poderiamos ir a pé.
Devidamente hospedados, descançamos um pouco até sair para jantar com Marcelo e Dani Moraes, sua primeira dama. Em seguida, foi dada a largada para que sentíssemos à energia do povo de Carazinho. As pessoas começaram a chegar e rapidamente começando a ver rostos conhecidos dos quais estavam interagindo conosco no evento durante a promoção da festa. Uma grata surpresa foi conversar com várias pessoas que vieram nos parabenizar pelo coletivo.
O warm-up do evento foi liderado por Wagner Scorsatto. Esse menino representa uma nova geração de artistas gaúchos que devemos ficar de olho para os próximos anos. Além do Wagner, eu pude conhecer outros meninos que também estão iniciando. Também conheci pessoalmente o Felipe Barros, amigo de internet já há algum tempo, todos apoiados pelo “Professor” Marcelo, assim chamado carinhosamente por eles. Marcelo ainda comentou comigo que por ele já tinha passado umas 4 gerações de pessoas e djs, e que essa era uma das mais legais que surgiu nos últimos anos.
Enquanto nos divertiámos na pista conversando com a galera local, Eduardo preparava-se para mais um de seus rituais. O legal de quando você acompanha um artista por um longo período é perceber as caracteristicas que formam sua personalidade. No caso do Eduardo é nítido uma mudança radical de comportamento, é como se ele deixasse de lado por algumas horas aquele meninão brincalhão, por um cara extremamente sério e concentrado, sedendo pra ver a pista pular em cada disco escolhido. Em tempo, Wagner finalizava sua apresentação e lá estava o nosso astro com todo xadrez montado em sua cabeça.
Falar de uma apresentação do Eduardo é sempre incrível, pois a qualidade é sempre de um altíssimo nível – e eu tenho a honra e sorte de trabalhar com ele e me surpreender frequentemente, porém, tem algo que eu sempre comento com os meus amigos – a primeira apresentação é sempre inesquessível. Para os mais de 250 presentes na noite, aquilo estava sendo mágico, e para mim também. Em alguns momentos eu fui parado por pessoas falando “Em anos que eu frequento clubes eu nunca vi um cara como uma habilidade como o Eduardo”. Foram intensas duas horas e meia da mais pura e verdadeira conexão que um artista pode ter com o público presente.
No o final da apresentação do Edu, eu fiquei imaginando o que Marcelo faria, e é nessas horas que a experiência conta. Ele saiu do rítimo frenético que estava anteriormente para algo mais cadenciado e de maneira muito inteligente. Foi muito legal também ver cada um dos presentes na pista, deu pra ver literalmente que ele é adorado por todos. Naquele momento eu entendi todo lance do titulo de professor. De fato, ele é um grande DJ e protagonista no desenvolvimento da cena gaúcha. Digamos que ele esteja focado em uma proposta “Lado B”, longe de todos esses lances mainstream que impedem apresentação artisticas complexas. O público que ele educou esta ali sedento por música, e os artistas tem liberdade plena em suas apresentações. No final da apresentação rolou até um b2b, e eu estava tentando entender o que estava acontecendo. Quem conhece o Edu sabe o quanto ele é seletivo para esses lances, e ver os dois juntos no palco foi a cereja do bolo. O clube geralmente tem suas atividades finalizadas às 7h, mas a noite/dia estava tão mágica que acabou rolando um plus até às 9h.
Com o final do evento, fomos para o hotel, tomamos um café e descançamos, pois depois das belas experiências vividas tinhamos longas 9 horas de volta até à nossa cidade. Posso dizer que essa foi uma das festas mais sensacionais do ano pra mim, tanto que me dediquei minuciosamente para contar cada detalhes a todos vocês. Que essa seja a primeira de muitas idas a Carazinho. Eu em nome de todo detroitbr agradeço todo carinho, seja ele da da organização, dos djs ou do público presente.