Dekmantel Festival traz Nicolas Jaar ao Brasil

Nicolas Jaar é jovem artista de apenas 25 anos, mas que possui um currículo de dar inveja em qualquer um que respire música. Nasceu nos Estados Unidos, cresceu no Chile, terra de seus pais, antes de retornar a New York. Sua origem faz com que frequentemente seja comparado a Ricardo Villalobos, o que em sua opinião não faz o menor sentido. “Não estou nem perto de atingir seu nível de técnica”, afirmou ao Pitchfork em uma entrevista. “Quando eu era jovem e pegava o metrô para o colégio, gostava de ouvir Thé Au Harem D’Árchimède, de Ricardo, e The Last Resort, de Trentemoller. Com o primeiro eu estava sempre pensando ‘Aonde você quer chegar com isto?’, enquanto que o segundo era fácil de ouvir, como doce. Eu sempre quis fazer um Trentemoller mais experimental e um Ricardo mais melódico” completou.

 

Seu primeiro contato com a dance music, no entanto, foi com DJ Kicks, de Tiga, em 2004. “Quando ouvi eu pensei ‘Que porra é essa? É incrível!’, acabei obcecado por aquelas tracks” confessou. Poucos anos mais tarde já estava esbanjando talento em seu live act, como podemos perceber nesta gravação de 2008, que é muito mais dancefloor friendly do que seu som atual, apesar de já possuir os elementos melódicos e o experimentalismo que posteriormente tornaram-se sua característica.

E foi no ano de 2011 que finalmente veio a consagração, com o lançamento de Space Is Only Noise If You Can See, seu primeiro álbum. A obra é dividida em 14 faixas, mas pode-se dizer que é apenas uma de 46 minutos, já que ela foi criada para ser apreciada como um todo. O disco conquistou elogios e reviews positivos de dentro e fora do mundo da dance music, muito graças ao fato de que a maioria das tracks fugia do padrão da época. Foi neste ano em que tornou-se líder do ranking de live acts do Resident Advisor, posição que seria mantida pelos dois anos seguintes, com ajuda do seu projeto paralelo Darkside, alias sob a qual Nico passou 2012 e 2013 se apresentando, ao lado do guitarrista Dave Harrington. Junto a ele encabeçou a lista de headliners de diversos festivais conceituados, como Sónar e Pitchfork, mas sobrando um tempinho para fazer o que foi considerado o melhor Essential Mix de 2012, na BBC Radio One.

Foi em 2013 também que os fãs brasileiros tiveram uma decepção que está entalada até hoje: tanto Nicolas Jaar como Darkside eram atrações confirmadas no Sónar SP daquele ano, que acabaria sendo cancelado antes de sua realização. Como em 2014 ele surpreendeu a todos anunciando que o Darkside entraria em um hiato por tempo indefinido, a apresentação no Dekmantel Festival 2017 é a concretização de uma expectativa acumulada de 4 anos.

 

Sua confirmação na primeira edição do festival holandês no Brasil vem como parte da tour de Sirens, álbum lançado no final de 2016. Ao contrário do primeiro, que tinha como característica forte a atmosfera e unidade (um “Ricardo mais melódico”?), neste as emoções atingem picos mais intensos e diversos, muitas vezes você acha que é outra música quando ainda é a mesma. A estética musical também está mais próxima do new wave, caminho músical seguido pelo outro ídolo dele, Trentemoller.

Como isso se traduz na apresentação ao vivo, descobriremos no dia 5 de fevereiro. Além dele, o Dekmantel receberá também Jeff Mills, Ben Klock, John Talabot, Ben UFO, Moodyman, Nina Kraviz, Hermeto Pascoal e diversos outros grandes artistas. Confira o line-up completo e compre seu ingresso pelo site oficial.