Categoria: DJs

  • Mike Servito no Dekmantel Festival São Paulo 2017

    Nascido e criado em Detroit, Mike Servito vem balançando a cena eletrônica em Nova York desde 2012 como um dos principais residentes do The Bunker, e mal podemos esperar para ele tomar o mundo. Com um som inovador que combina melodias clássicas com techno de raiz em transições épicas, os sets de Mike são o produto de uma personalidade revolucionária com habilidades insanas. Seus sets são arte, ponto. Não admira que seja bom amigo de Magda, que alega ser sua maior fã.
     

    Depois de espalhar sua mágica dos Estados Unidos à Europa, é hora de finalmente testemunhar a música transcendental de Mike no Brasil, graças ao Dekmantel Festival São Paulo 2017. Então não deixe de conferir o trabalho desse DJ que já imprimiu seu estilo único e desponta como um dos expoentes da boa música eletrônica.

    Serviço

    Dekmantel Festival São Paulo 2017
    Local: Jockey Club e Fabriketa
    Data: 04 e 05 de fevereiro de 2017
    Site oficial
    Evento oficial
    Ingressos à venda  

  • Conversamos com Ney Faustini às vésperas de sua apresentação no Dekmantel Brasil

    Sem dúvidas, uma das grandes atrações do Dekmantel Festival é o paulista Ney Faustini, que em meio a tantos nomes importantes tem seu lugar de destaque e carrega consigo uma nação que ama o seu trabalho. Ele é aquele tipo de artista singular, que não encontramos nas prateleiras de lojas comuns, pois seu trabalho é denso e cheio de camadas a serem desvendadas.  

     

     

    Em todo tempo que o acompanho já apreciei vários momentos incríveis. Já pude ver seus belos edits de clássicos brasileiros e internacionais, influências que vão do hip-hop ao jazz, como também sets de house, techno, ou tudo misturado, sem prender-se a uma aparência. Embora isso devesse soar como comum, graças à nossa cultura extremamente rica, não é o que acontece. Poucos artistas conseguem extrair leveza e originalidade nesse contexto, por isso ele está onde está: a poucos dias de abrir o palco principal do Dekmantel Festival em sua primeira edição em terras tupiniquins.

     


    Para conhecê-lo melhor, o convidamos para um bate papo sobre a sua carreira e o que ele está preparando para esse momento único.

    1 – Olá, Ney! Primeiramente obrigado por aceitar o convite e responder algumas perguntas para o detroitbr. Nosso coletivo tem uma relação muito intima com você e acompanha sua carreira diariamente, e mesmo assim somos pegos de surpresa com freqüência diante de seu dinamismo musical. Como é pra você organizar todo esse conteúdo fazendo como  que cada uma de suas apresentações soe como se fosse a primeira? Como que funciona o ritual de cada apresentação? Você pesquisa sobre os locais que você vai tocar para preparar da melhor forma? Explique um pouco pra gente sobre isso.

     

    Prazer em falar com vocês! Bom, acredito que toda gig merece uma atenção e preparação bastante específica. Acho importante, antes de tudo, investir tempo em pesquisa e conhecer bem os discos e as músicas que você tem pra, a partir disso, analisar o conceito da festa, o horário, ordem do line up, etc. Na minha residência no D-Edge, por exemplo, gosto igualmente de fazer warm-ups ou de encerrar a noite com sets de 5h, o que obviamente exigem preparações diferentes. Separo sempre uma bag de discos e tenho conseguido me encontrar cada vez melhor nas pastas dos meus pen drives, que tem de tudo, do techno à mpb. Acho que montar repertórios de estilos distintos torna-se natural quando você sabe exatamente o que quer ter gravado ali. Gosto de encarar situações distintas e de encontrar caminhos para que eu possa tocar o que eu quero, de acordo com cada uma delas. Arriscar músicas e seqüências inusitadas pode não ser o caminho mais garantido, mas é sempre divertido, mesmo quando alguma coisa não funciona tão bem.

     

    2 – E para o Dekmantel Festival, como está sendo sua preparação? Que surpresas podemos esperar?

     

    Apesar da ansiedade, comecei a pensar mais na apresentação no Dekmantel só nos últimos dias. É um festival com o qual já tenho uma identificação musical muito natural, mas tenho consciência da responsabilidade que é abrir o palco principal. Apesar de ser um set de 1h30, estou separando uma quantidade de músicas que renderiam um long set rs… Existe a necessidade de se adaptar a situação, e as pessoas estarão chegando, tendo o primeiro contato sonoro e visual com tudo. Eu tenho uma idéia do caminho que gostaria de seguir, mas só vou saber mesmo quando eu ver o público ali, e como estarão reagindo aos primeiros sons, pra tentar construir alguma coisa que faça sentido pro momento. Prefiro não adiantar nada, mas venham de ouvidos abertos rs…

     

    3 – Embora você tenha experiência, o fator psicológico pode ser um aliado ou não em um momento como esse. Como você faz sua preparação psicológica? Mesmo em todos esse anos ainda rola aquele tradicional “frio na barriga”? Em algum momento de sua carreira isso o atrapalhou? Fale um pouco como é lidar com esses momentos importantes!

     

    Eu acho que o “frio na barriga” é parte importante disso tudo, e tem que rolar, em qualquer situação. Você se prepara, imagina a festa, o público, então é natural a ansiedade pra descobrir se é mesmo da forma que você imaginou. E é dessa preparação que deve vir a segurança necessária para que você se sinta à vontade quando for se apresentar. Existe sempre aquele momento em que você tem o primeiro contato com os equipamentos da festa, com o retorno, com o visual da pista… Isso às vezes pode causar uma introspecção natural nos primeiros minutos, mas tudo flui logo que você se conecta com tudo ao redor.

     

    4 – Você é um cara de referências diversas, como hip hop, mpb, jazz, etc. De onde vieram essas influências todas? Como condensar tudo isso em uma apresentação voltada para a música eletrônica?

     

    Eu ouvia quase isso tudo desde moleque, mesmo antes de pensar em ser DJ. Em casa minhas primeiras referências foram Stevie Wonder e Sade. Hip Hop peguei mais na fase do colégio, pouco antes das primeiras coletâneas de house e drum & bass que eu comprei (ainda fase pré Napster, tinha que comprar tudo mesmo). Ouvia dance de rádio nessa mesma época também rs… Tudo isso me influenciou, de alguma forma. Curiosamente, só aprofundei minha relação com a música brasileira e com o jazz quando comecei a tocar drum & bass, lá por 99. Enfim, comecei a pesquisar mais sobre as origens daquilo que eu estava tocando, e fui me aprofundando quase que naturalmente em disco, funk, soul, jazz, mpb, hip hop, dub… É música com alma, no final das contas. E a música eletrônica que eu toco, desde o início no jungle/d&b à Detroit e Chicago, tem relação direta com tudo isso.

     

    5 – Para finalizar nos conte como foi receber o convite para tocar no Dekmantel Brasil? Você sabe como foi feito o critério de seleção? Conte um pouco dos bastidores desta grande notícia.

     

    Apesar de ser frequentador das festas e amigo do crew da Gop Tun, não acompanhei muito dos bastidores, dos critérios… Fiquei sabendo do festival em meados do ano passado pelo Caio Taborda, quando fui acompanhar uma das gravações da rádio Na Manteiga, poucos meses após a Gop Tun realizar uma grande festa no centro de SP, com vários artistas do Dekmantel. Ele basicamente me mostrou uma lista de nomes que pretendiam trazer e disse que eu era um dos DJs nacionais que estavam nos planos. Obviamente fiquei muito feliz em ser lembrado, mas era tudo bem sigiloso, não teria nem como falar pra ninguém. E dali até o convite oficial se passaram alguns meses, então a ficha foi caindo aos poucos rs… O envolvimento do crew do Dekmantel é muito direto, do line up à montagem do festival. Posso dizer que da lista inicial que eu vi, uma parte muito considerável estará por aqui. E praticamente todo o line up é formado por artistas que acompanho de alguma forma. Tô só um pouco ansioso… Falta muito pra sábado? Nos vemos lá!

     

     Foto por Gustavo Remor

  • Moodymann e suas produções autênticas e atemporais

    Kenny Dixon Jr, ou simplesmente Moodymann, é um dos mais autênticos artistas que já surgiram no universo da música eletrônica. Com uma enorme discografia, o músico e produtor de Detroit que esbanja originalidade em seu trabalho ligado ao techno e ao house, com vasta influência de jazz, soul e disco music, vem para o Brasil na próxima semana para uma apresentação única no Dekmantel em São Paulo.

    Kenny é conhecido por ser polêmico, incisivo e com personalidade forte, ligados ao seu ativismo claramente expostos em suas produções trazendo sempre mensagens anti-racismo e de cunho sócio-político, com estatísticas ligadas a fatos da história norte americana envolvendo o movimento negro da época. Em seu próprio label, a KDJ Records, ele explora bastante essa identidade. 

    Nos meados dos anos 90, trabalhou em diversas lojas de discos de Detroit, incluindo a loja do produtor Blake Baxter, onde certamente aflorou ainda mais a sua paixão por discos o fazendo um grande defensor da cultura do vinyl e da arte do digging. Seu primeiro álbum, intitulado Silentintroduction (1997) e lançado pela Planet E Communications de Carl Craig, deu início à sua incursão no mundo das produções. Em seguida outros ótimos álbuns foram lançados: Mahoganny Brown, Forevernevermore, Silence in the Secret Garden, Black Mahoghani (este sendo considerado um dos discos mais clássicos lançados por ele) e Black Mahogani II, todos pelo respeitadíssimo selo de techno Peacefrog Records. Para muitos ele é considerado mestre na arte de samplear (em sua MPC).

    Silentintroduction (1997)

    Black Mahogani (2004)

    Com mais de 40 singles/12″, todos atemporais e com enorme procura no “black market” de vinyl, Moodymann pode ser considerado um dos mais prolíficos e autênticos produtores de todos os tempos, fugindo a qualquer regra e fórmula. Sua musica, com certeza, perdurará por decadas.

    Serviço

    Dekmantel Festival São Paulo 2017
    Local: Jockey Club e Fabriketa
    Data: 04 e 05 de fevereiro de 2017
    Site oficial
    Evento oficial
    Ingressos à venda 

  • Jeff Mills: além dos sinos

    Não há dúvidas de que tocar The Bells em uma pista é algo único, fora do tempo, que não deixa indiferença por parte de ninguém que estiver ali. Pois bem, o pai dessa obra possui uma história ímpar e que se perpetua até hoje.  

    Uma das heresias que você observa num artista como o Mills é a maneira de se vestir. Na verdade não deveria ser, mas acaba sendo por um código pré-estabelecido que acabou se criando, com uma uniformização dos que frequentam essa “cena”. Imagine alguém da alta entidade do techno de Detroit chegando pra tocar com sapatos bem polidos, calça social, camisa social (para dentro da calça) e talvez até um terno por cima. Daria pra ele colocar uma Bíblia debaixo do braço e entrar em qualquer igreja sem levantar suspeitas! Isso sem falar na sobriedade e seriedade. Outra delas, é o fato dele já ter admitido que não quer ficar passando horas do seu dia ouvindo promos de outros DJs e mandando feedbacks e muito menos que alguém faça isso por ele. Em outras palavras, ele disse: “eu fico feliz que as pessoas me mandem suas músicas querendo um feedback de volta, é como se elas me respeitassem, mas tudo que eu quero é aproveitar o tempo que eu tenho livre e continuar explorando todas as possibilidades de fazer/tocar techno, ver o quão longe eu posso ir”. Ele ainda completa: “Nas lojas de discos há músicas que tem todos os componentes certos para cativar o ouvinte. São feitas para vender, não para expressar algo. Por isso acho que 99% do meu set é composto por faixas minhas.” Não há como negar que isso não seja um artista de personalidade livre e independente.  

    Lá pelos idos de 2000 ele fez uma turnê com o Laurent Garnier chamada “Expect the Unexpect”. A ideia era basicamente casar bookings em diversos países com participações especiais em programas de rádio, na noite ou no dia seguinte à gig em algum club. Em ambos espaços, tanto rádio como club, a proposta era que eles tocassem long sets juntos, soltando todas suas referências sem limite algum de alcance. Isso incluía jazz, salsa, reggae, dub reggae, rock, punk rock, drum and bass, hip hop, funk, e CLARO, em algum momento uma pitada de techno com algum clássico Purpose Maker ou AXIS (selos próprios). Isso ilustra pra mim como mais ou menos funciona a cabeça de um cara como esse: a ideia de techno vai muito além do que algum beat de 909 ou timbre de 303, embora ambos sejam icônicos dentro deste estilo. 

    Quando você carinhosamente estuda a discografia do Mills, é notável que ele não se limita em absolutamente nada. Já no início da década de 90, se analisarmos dois álbums fundamentais na minha opinião (Waveform Transmission Vol. 1 e 3) já dá pra sacar o potencial de expressão sem limites. 

    Quando se ouve hoje em dia caras como Rødhåd e Ben Klock e os considera incrivelmente moderno ou “novo”, vale lembrar que a faixa abaixo estava sendo laçado lá em 2004. Na verdade já em 1996 já existiam coisas bem parecidas com isso, salvo alguns pequenos detalhes característicos da sonoridade na época, soa um tanto quanto “atual”. Além destes dois nomes, há muitos outros que fazem esse resgate constantemente no meios dos sets, e para os ouvidos menos acostumados passam batidos como alguma faixa dos tempos recentes. 

    Eu considero a junção de músicos tocando a apresentações de DJs uma situação de extremos: ou fica incrível, ou fica brega. Digo isso por tudo que já vi até hoje. Pode parecer uma ideia genial e enriquecedora, mas é essencial um belo propósito e respeito mútuo entre os participantes. Imagino ser uma experiência única para um DJ e produtor de techno que, aos olhos de quem está de fora do seu mundo, vive à beira da marginalidade intelectual perto de músicos de uma orquestra

    Outro capítulo interessante foi quando ele lançou esse vídeo set (?) – evento não tão comum na época. Quase que um show de voyeurismo. A primeira versão conta com uma apresentação real em 3 decks, propondo o improviso, e a recriação de algo novo a partir de algo existente. É possível ver pequenos “erros” nas mixagens, algo que é totalmente comum e devido a dificuldade de controle neste caso. A ideia é que apareça mesmo, como um processo que ocorre orgânico e humano. 

    Além de tudo isso, é muito gratificante ver um artista de referência estar ainda por aí lançando sua expressão sem medo, do fundo da alma, sem a preocupação do agradar ou não o público. Isso tem um valor nobre e provavelmente raro, mesmo depois de tanto tempo de colaboração e tanta renovação de mercado. Acredito que até pelo fato de isso ser tão levado a sério por ele é que esse fato seja possível, correndo por fora da grande cultura do hedonismo pregada nos dias de hoje.

    Qual a expectativa para a sua apresentação no Dekmantel Festival? Imagino eu que não será algo padrão, de prazer fácil e entregue pronto que nem pão quente. É pra ir com coração aberto, sem expectativas determinadas, e com respeito a alguém que lançou as bases do que a gente consome e tanto ama hoje. Boa viagem pra todos nós!

    Serviço

    Dekmantel Festival São Paulo 2017
    Local: Jockey Club e Fabriketa
    Data: 04 e 05 de fevereiro de 2017
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    Ingressos à venda

  • Dekmantel Festival traz Nicolas Jaar ao Brasil

    Nicolas Jaar é jovem artista de apenas 25 anos, mas que possui um currículo de dar inveja em qualquer um que respire música. Nasceu nos Estados Unidos, cresceu no Chile, terra de seus pais, antes de retornar a New York. Sua origem faz com que frequentemente seja comparado a Ricardo Villalobos, o que em sua opinião não faz o menor sentido. “Não estou nem perto de atingir seu nível de técnica”, afirmou ao Pitchfork em uma entrevista. “Quando eu era jovem e pegava o metrô para o colégio, gostava de ouvir Thé Au Harem D’Árchimède, de Ricardo, e The Last Resort, de Trentemoller. Com o primeiro eu estava sempre pensando ‘Aonde você quer chegar com isto?’, enquanto que o segundo era fácil de ouvir, como doce. Eu sempre quis fazer um Trentemoller mais experimental e um Ricardo mais melódico” completou.

     

    Seu primeiro contato com a dance music, no entanto, foi com DJ Kicks, de Tiga, em 2004. “Quando ouvi eu pensei ‘Que porra é essa? É incrível!’, acabei obcecado por aquelas tracks” confessou. Poucos anos mais tarde já estava esbanjando talento em seu live act, como podemos perceber nesta gravação de 2008, que é muito mais dancefloor friendly do que seu som atual, apesar de já possuir os elementos melódicos e o experimentalismo que posteriormente tornaram-se sua característica.

    E foi no ano de 2011 que finalmente veio a consagração, com o lançamento de Space Is Only Noise If You Can See, seu primeiro álbum. A obra é dividida em 14 faixas, mas pode-se dizer que é apenas uma de 46 minutos, já que ela foi criada para ser apreciada como um todo. O disco conquistou elogios e reviews positivos de dentro e fora do mundo da dance music, muito graças ao fato de que a maioria das tracks fugia do padrão da época. Foi neste ano em que tornou-se líder do ranking de live acts do Resident Advisor, posição que seria mantida pelos dois anos seguintes, com ajuda do seu projeto paralelo Darkside, alias sob a qual Nico passou 2012 e 2013 se apresentando, ao lado do guitarrista Dave Harrington. Junto a ele encabeçou a lista de headliners de diversos festivais conceituados, como Sónar e Pitchfork, mas sobrando um tempinho para fazer o que foi considerado o melhor Essential Mix de 2012, na BBC Radio One.

    Foi em 2013 também que os fãs brasileiros tiveram uma decepção que está entalada até hoje: tanto Nicolas Jaar como Darkside eram atrações confirmadas no Sónar SP daquele ano, que acabaria sendo cancelado antes de sua realização. Como em 2014 ele surpreendeu a todos anunciando que o Darkside entraria em um hiato por tempo indefinido, a apresentação no Dekmantel Festival 2017 é a concretização de uma expectativa acumulada de 4 anos.

     

    Sua confirmação na primeira edição do festival holandês no Brasil vem como parte da tour de Sirens, álbum lançado no final de 2016. Ao contrário do primeiro, que tinha como característica forte a atmosfera e unidade (um “Ricardo mais melódico”?), neste as emoções atingem picos mais intensos e diversos, muitas vezes você acha que é outra música quando ainda é a mesma. A estética musical também está mais próxima do new wave, caminho músical seguido pelo outro ídolo dele, Trentemoller.

    Como isso se traduz na apresentação ao vivo, descobriremos no dia 5 de fevereiro. Além dele, o Dekmantel receberá também Jeff Mills, Ben Klock, John Talabot, Ben UFO, Moodyman, Nina Kraviz, Hermeto Pascoal e diversos outros grandes artistas. Confira o line-up completo e compre seu ingresso pelo site oficial.

  • Entrevista com Konstantin, fundador da Giegling que está em tour pelo Brasil

    A Giegling é um dos representantes do futuro da música eletrônica, em um mundo pós-moderno que quebrou as barreiras de uma máxima musical de um tempo tão distante de hoje quanto o fonógrafo é da fita k7. Em uma época na qual um selo precisa estar bem além de produzir apenas músicas, a Giegling agrega o que é necessário para lançar records dentro de uma geração criada na internet. Giegling é um coletivo criativo; uma gravadora; uma equipe de produção de DJs; um club e tudo isso começou com uma festa em Weimar, Alemanha, por volta de 2006. O coletivo encontrou sua casa em um edifício abandonado, que rapidamente adquiriu fama na região, quando “montes de coisas mágicas aconteceram”, de acordo com Konstantin (também conhecido como Herr Koreander) em uma entrevista para a Resident Advisor. Konstantin estabeleceu a Giegling ao lado de Dustin, Dwig, Ateq e Rafael, espíritos com o mesmo ideal de criar algo especial “sobre as coisas que a musica e a comunidade podem fazer com você”, conforme diz Konstantin. Com essa ênfase na comunidade, Giegling veio à existência, e mesmo com a festa original ter durado apenas quatro edições, o que eles criaram nesse tempo pavimentou o futuro do que viria a se tornar o coletivo e a label. “Nós quisemos carregar essa energia, nos propomos a salvar essa vibe”.

    Giegling, a gravadora, oferece uma plataforma na qual amigos e artistas, tais como Vril, Prince of Denmark e Traumprinz, viriam a fazer lançamentos, assim como Kettenkarussel, o grupo que Konstantin estabeleceria com Rafael e que veio a publicar o primeiro lançamento da Giegling, “I Believe You And Me Make Love Forever”. Com isso, introduziram ao mundo um som que se origina em tempos mais lentos e toca com uma estética minimalista, obtida de um apanhado de diversas influências, e canaliza isso em algo que parece representar todo o coletivo, uma ligação não dita que amarra os vários artistas e suas músicas juntos. Staub, que se tornou a Forum, rapidamente seguiu como uma sub-label quando o coletivo quis explorar uma estrada menos trafegada, mas mesmo sob esse disfarce, ainda assim havia algo intrinsecamente Giegling sobre isso tudo, algo que parecia ser mais coeso do que uma label tradicional, onde uma ou duas pessoas no núcleo da gravadora ditam tudo. Paralelamente a coletivos similares, a Giegling trouxe algo distintivamente único e concorrente com a era da música eletrônica, e, apesar da embaçante dicotomia entre artista, label, club e DJ, eles estabeleceram-se como um dos verdadeiros inovadores da club music nos dias de hoje.

    Nós nos encontramos com Konstantin para ele nos contar mais sobre isso tudo e nos dar uma pequena visão dentro do mundo sedutor do coletivo Giegling.

    Você esteve na afortunada posição de conhecer o panorama clubber em uma época prematura na Alemanha. Como você acha que isso afetou sua carreira?

    Eu comecei a entrar para a música eletrônica porque eu encontrei esses lugares estranhos cheio de pessoas diferentes das mais diversas idades, dos 16 aos 66. Essas pessoas eram muito cabeça-aberta, dançavam livremente e gostavam da diversidade. E tudo isso era ligado por essa música eletrônica que eu senti na hora, era lindamente aberta e mais influenciada pelo punk. Se eu me sinto perdido no que estou fazendo, tento me lembrar disso e espero ser capaz de abrir um caminho como esse para outros.

    E como o coletivo Giegling veio a se estabelecer na cena clubber?

    Foi apenas o lugar certo na hora certa. Weimar, no ano de 2006, foi onde tudo começou a tomar forma. Nós fizemos coisas antes disso em Hannover, que já eram legais, mas a multidão em Weimar no momento estava simplesmente tão aberta e feliz sobre as coisas que estávamos explorando. Foi um feedback maravilhoso, o que nos fez acreditar e carregar isso até os dias de hoje.

    A Giegling é composta por um eclético conjunto de personalidades e música. Na sua opinião, o que amarra isso tudo junto?

    Talvez a mesma coisa que mantém junta uma família? E isso nem sempre é fácil de explicar. Mas, quando estamos longe um do outro, nos sentimos em casa quando nos vemos novamente.

    O que começou como uma festa em casa, terminou como uma label. Quais os elementos dessas festas iniciais que fizeram seu caminho para dentro da label?

    Eu acho que os primeiros lançamentos realmente capturaram a vibe musical daqueles dias. Mais tarde, Giegling se tornou mais uma documentação de nossa jornada musical. Com isso e todas as sub-labels você pode retraçar como exploramos a música ao longo do tempo.

    Vamos nos voltar para sua música. Enquanto você faz música como Herr Koreander e uma metade de Kettenkarussel, você nunca entregou uma faixa com o nome que usa para tocar, Konstantin. Por que isso?

    Porque como Konstantin sou um DJ e eu represento toda a música do coletivo, nao apenas a minha e também toda a música pela qual estou interessado no momento. Eu gosto de separar “fazer música” de “tocar música”. Para mim essas são duas coisas totalmente diferentes e eu normalmente ficava meio que decepcionado quando eu via alguém mixando as produções que eu gostava, porque é uma abordagem diferente.

    Eu penso que como DJ você se submete a muitos interesses e ideias e idealmente você faz isso pelo amor às pessoas na pista. Como músico é uma coisa mais intimista e eu faço isso mais por mim mesmo, tentando não pensar em nada e nao aplicar muitas regras ou restrições.

    E como isso tudo se reflete no seus DJ sets?

    Eu comecei basicamente como DJ de festa. Quando a Staub veio à tona, eu era o único que também estava tocando techno no momento, por isso me tornei “o DJ de techno da Giegling”. Representando o som da Staub, que agora é a Forum. Mas eu estou tentando me livrar disso mais e mais para voltar a sets mais abertos e diversos novamente. Se você me viu tocar no último ano você deve ter notado isso.

    Em uma entrevista para o Resident Advisor você disse que gosta de tocar de maneira disfuncional. Nesse contexto em particular, você tocou faixas ambient no Berghain, mas você poderia nos dar uma ideia mais generalizada do que isso significa?

    Significa apenas que não vou sempre no mais legal e mais fácil de digerir para a pista de dança, mas irei desafiar a situação na pista com música que é mais atmosférica e não tão orientada ao corpo, ou pelo menos mexer com a estrutura usual que as pessoas estão acostumadas em termos de sinal e tempo e tudo o mais.

    Traduzido e adaptado de matéria do site norueguês Jaeger Oslo.

    Konstantin toca no Club Vibe no dia 04/11 (sexta-feira) em festa que conta também com Virginia (Ostgut Ton), Marvin & Guy (Hivern Discs) e o residente da casa Gromma. Mais informações no evento oficial.

  • Carl Craig levará Detroit Love a Ibiza neste ano

     

    A temporada 2015 da meca das baladas já começou! De agora até meados de setembro a ilha de Ibiza “não dorme“, com eventos de diversas vertentes de música eletrônica quase todos os dias. O techno está presente em diversas noites, mas este ano um detroitiano de peso dará as caras em território espanhol com festas que devem complementar a alegria dos fãs do estilo: Carl Craig.

     

    Desde o ano passado ele está viajando com a proposta de levar ao mundo um pouco do amor que sente pela sua terra natal, com a tour do label Detroit Love, que até passou pelo Brasil durante o carnaval, com apresentações históricas nas duas sedes do Terraza Music Park. Em Ibiza Craig apresenta dois formatos: o primeiro acontecerá no main stage da Space Ibiza em quatro domingos, um por mês. Derrick May, Moodyman, Robert Hood e Octave One são alguns dos nomes confirmados. O segundo se chama Detroit Love Affair, trata-se de seis eventos gratuitos na beira da praia, em terças-feiras de julho e agosto. Apenas o line-up de amanhã foi divulgado, que tem nada menos do que um back-to-back entre C2 e Dubfire. Além destas dez festas, Carl também está escalado para tocar na Cocoon, Carl Cox e ENTER., em data ainda a serem divulgadas.

  • Time Warp disponibiliza sets gravados em 2015

    Na busca por novidades? O soundcloud oficial da TIME WARP, disponibilizou há menos de um mês uma série de sets gravados na edição de Mannheim (Alemanha) realizada no ano de 2015. Na lista você pode acompanhar os sets dos artistas: Chris Liebing, Steve Rachmad, Felix Krocher, Ilario Alicante, Bunte Bummler, Steffen Baumann, Steffen Deux, Sasch BBC, Monkey Safari, Seebase, AKA AKA.

    É interesse tentar interpretar como funciona o pensamento ideológico do Time Warp com relação ao line-up, tendo em vista que há uma grande amplitude de vertentes do techno, não focando em uma ou outra específica. Esse pensamento traz à tona uma reflexão sobre como é possível contemplar diferentes formas de trabalhos e mesmo assim alcançar um bom resultado final, sem que seja rotulado por algo pejorativo, que simplesmente tenha seus méritos. Nesse quesito essa seleção feita pelo festival tem seus louros. Confira os sets abaixo:

  • DJ Lil Louis perde parte da audição e pode encerrar carreira

    Quem assistiu o filme It’s All Gone Pete Tong talvez vá confundir ficção com realidade, mas infelizmente a vida imitou a arte desta vez. No final de janeiro o DJ e produtor Lil Louis, natural de Chicago e uma das principais referências da cidade nas últimas três décadas, sofreu um acidente que lhe custou metade da audição, e pode forçar uma aposentadoria precoce.

    O fato ocorreu em Manchester antes de uma gig e foi relatado pelo próprio Louis em seu Facebook. Segundo ele, um idiota foi demonstrar o novo brinquedo do club, e disparou o canhão de CO2 próximo do seu ouvido esquerdo. “Instantaneamente metade da sala ficou muda pra mim”, conta o DJ. “Estou muito triste (…) não por apenas não ter tocado para vocês, mas porque talvez isso tenha encerrado minha carreira como DJ”, disse no texto, que foi direcionado ao público da festa, em qual ele acabou não tocando no final. Veja a publicação completa em inglês:

  • Segunda noite do Terraza BC remete às origens da música eletrônica brasileira

    Depois de um começo fervoroso, o Terraza realizou seu segundo evento na filial de Balneário Camboriú, onde pude acompanhar de perto duas lendas da música eletrônica Brasileira: Mau Mau e Cohen. A ansiedade por vê-los mais uma vez aumentava a cada dia. Primeiro por se tratar de dois artistas que agregam muito à cena eletrônica; segundo por ter visto que em sua ultima apresentação pelo sul a dupla apresentou uma mescla interessante, variando do old-school ao contemporâneo, do house ao techno.

    Ao chegar ao evento, por volta das 23:30, assisti ao começo do set da Antonela Giampietro, enquanto aguardava a chegada das estrelas da noite, com quem eu faria uma entrevista. A argentina-brasileira vem nos surpreendendo a cada dia com seu talento, no entanto esta não foi uma noite feliz para ela. Seu repertório foi composto por boas músicas, organizadas em uma estrutura interessante conforme a execução, porém pareceu impróprio para o momento, que pedia um warm up mais apropriado para a noite.

    Depois de algum tempo, finalmente Renato e Mau Mau chegaram ao club, e bateram um breve papo comigo.

    1 – Fale um pouco sobre a carreira de vocês.

    Mau Mau: Eu comecei minha carreira em 1986, quando eu comecei a frequentar o Madame Satã, vendo DJs como Marquinhos MS tocando. Comecei me apaixonar pela profissão, algo inusitado para época, mas foi em 1991 que tive minha primeira oportunidade para mostrar o que eu realmente queria, quando consegui desenvolver meu estilo próprio de pesquisa. Foi aí que eu percebi o que eu queria fazer da vida, que era seguir com essa profissão, na época eu ainda estudava publicidade, seguei a trabalhar com escritório e já se passaram 27 anos desde que isso aconteceu e me aprofundei na produção musical, fazendo algumas parceria no longo desse trajeto com vários selos e resumindo estou aqui, fazendo o que eu mais gosto que é tocar música.

    Cohen: Eu comecei ao contrário do Mau Mau, comecei produzindo música, e depois que veio a carreira de DJ. Eu era músico e tinha banda, produzia música com equipamentos, pelo processo eletrônico, mas a primeira vez que eu escutei uma música eletrônica que eu realmente gostei foi quando eu fui no Hells e vi o Mau Mau tocar. Então eu comecei ali, foi a primeira vez que eu ouvi alguma coisa que me motivasse. A partir dali eu comecei a ouvir techno e percebi que aquilo era a minha música, com o tempo eu comecei a discoteca e aí foi. Em 2001 em tive uma música que estourou no mundo inteiro (Pontapé) e isso impulsionou minha carreira.

    2 – Como que funciona vocês tocando juntos? Vocês treinam juntos?
    Mau Mau: A gente nunca programou, acho que funciona porque eu gosto do som do renato e acredito que ele gosta do meu, não existe nada programado, a gente sabe o que cada um gosta e procuramos nos divertir.
    Cohen: É como o Mau Mau falou, acredito que funciona porque nos divertimos e gostamos do som um do outro e pra nós é legal porque somos amigos de anos.

    3 – Sobre os produtores atuais: O que vocês acham dos anos atuais comparado a essa época dos anos 90 que vocês viveram? E os Brasileiros?
    Mau Mau: Eu nunca fiquei muito preso em algum estilo, gosto de acrescentar novidades, minha grande motivação é acrescentar, descobrir coisas novas a minha bagagem. Na questão da produção existem coisas boas como coisas ruim, em qualquer época, acho que o tipo de trabalho que eu faço foi sempre fugir do convencional, então tá bacana porque eu to sempre to descobrindo coisas que eu gosto e coisas que se encaixam no meu set.
    Cohen: Antigamente, principalmente aqui no Brasil, tinha uma dificuldade de fazer música, esse tipo de música acho que agora é uma coisa mais acessível, tem muito mais gente fazendo e por isso o nível acaba subindo, mais é preciso saber filtrar as coisas boas. Nos dias atuais é legal porque todos tem oportunidade de mostrar seu trabalho.
    Mau Mau: Acho importante todos terem oportunidade pra lançar, muito diferente de antigamente, onde pra você conseguir lançar um disco ou uma música era bem difícil, como também pra produzir os equipamentos eram caros.
    Cohen: Hoje em dia quem manda nisso tudo é o mercado europeu, mas agora o brasil consegue se impor e isso é importante pra nós produtores. O Brasil com todo esse potencial gigante, todo mundo vem tocar aqui e de qualquer forma eles tem que engolir a gente.

    4 – Pode citar alguns produtores?
    Cohen: Pô tem tanta gente!
    Mau Mau: Normalmente eu vou mais pela música e não pelo artista, tem muitas que eu acho boas e outras não.

    5 – Encerando a entrevista, vocês podem mandar uma mensagem para os nosso seguidores apaixonados por techno aqui do sul do país?
    Mau Mau: Eu sou apaixonado por música, assim como o estado de vocês. Que todos vocês continuem se divertindo em qualquer lugar que seja, dançando e sendo feliz.
    Cohen: A cena aqui está cada vez mais legal, existe sempre uma energia legal e que todos continuem assim.

    Após a entrevista era hora do show: por volta das 02:00 eles subiram ao palco. Diferente do que aconteceu na Tribaltech, desta vez Mau Mau foi o encarregado de iniciar os trabalhos sozinho, com predominância da house music com uma pegada mais retrô, como manda o figurino, apesar dele ter soltado boas pérolas dos dias atuais. Subseqüente a isso Cohen se inseriu com uma perspectiva mais voltada para o tech-house e techno. Mesmo com repertórios bem diversos, a sintonia entre eles era animadora, dava pra sentir o quanto eles conheciam um ao outro. Perto do término o tão esperando b2b saiu do papel, para alegria dos fãs que ali estavam. O duelo entre eles seguiu as características dos sets individuais, com ambos DJs esbanjando técnica. Em alguns momentos transitei pela festa e uma das coisas que me chamou atenção foi a apresentação do residente Guilherme Konnin, que tocava na pista alternativa do Terraza. Para mim era algo novo, o conhecia apenas por nome mas nunca havia o visto tocar, mas posso dizer que entre os residentes que se apresentaram na noite, ele foi o melhor, com um set envolvente e uma atmosfera incrível!

    E falando em residente, após o termino da apresentação de Mau Mau e Cohen, voltamos ao palco principal e assistimos Antonela pela segunda vez na noite. O set foi parecido com o anterior, mas desta vez o horário a favorecia, e o resultado foi completamente diferente de outrora. Assim se encerrou o segundo evento do Terraza BC, que já tem data mercada para o próximo: amanhã, 20 de dezembro, com o alemão Daniel Stefanik, representando o consagrado selo Cocoon. O line-up também conta com um integrante do detroitbr: Bernardo Ziembik, que também é residente do clube.