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  • Makam proporciona uma noite especial para o Terraza

    Assim que o evento foi lançado, o detroitbr se preparou para essa ocasião, pois Makam era a melhor atração confirmada na casa desde a vinda de Carl Craig, no carnaval. O dia 26 finalmente chegou e pegamos a estrada cedo, pois a noite já começaria com Gromma, DJ curitibano que tem feito apresentações excelentes e tem se destacado na cena nacional.

    Ao longo de seu set podemos notar seu nível de pesquisa altíssimo e coeso, junto à uma construção impecável. Ele conseguiu transitar entre o techno e house, o old school e o novo, com bons momentos formados por clássicos como Mystical Rhythm. Vimos ali o que se espera de um DJ: que faça leitura da noite, da pista, do contexto em que está inserido, resultando em uma boa apresentação.

    Outro fator que contou positivamente a ele é a semelhança entre o seu som e o do headliner da noite. Esse link entre os artistas da noite é muito importante na construção de uma boa experiência para quem vai curtir, que infelizmente foi quebrado pela atração escalada para fazer o warm up direto para Makam: Elefantkz. O duo atuou dentro da sua perspectiva de trabalho: som totalmente pop, guiado pelo hit She Knows, que inclusive foi tocado duas vezes. Visivelmente esse não era o line-up para eles e por se tratar de um live, não havia muito a se fazer para evitar o choque de realidade. Eu comentei com uns amigos que gostaria que estivéssemos no filme Click, para usar o controle mágico de Adam Sandler para acelerar a festa até a entrada de Makam. 

    Entendo que o clube precise de atrações mais comerciais para garantir o retorno financeiro, ainda mais sabendo do momento econômico ruim que o Brasil passa, mas infelizmente o fator artístico sofreu uma pequena ruptura, que diante da noite como um todo, foi apenas um contratempo. Os relógios passavam das 4h quando Makam finalmente assumiu, e fui completamente surpreendido pelo que ele apresentou – positivamente. Quando se pensa no artista logo nos vem na cabeça selos como Sushitech/Ostgut, sonoridades mais voltadas para dub techno, porém ele demonstrou ter características as quais eu não conhecia.

    Já de cara ele nos presenteou com seu remix de Set it Off, dando início à aula que aconteceria nas horas seguintes. Durante as duas primeiras horas sua sonoridade foi voltada para um techno mais obscuro, fechado, introspectivo e hipnotizante, com o público em suas mãos. Com o amanhecer sua história apresentou um novo capítulo, buscando sonoridades dentro do seu habitual: uma interação entre house, techno e dubtechno, passando por clássicos como Groove lá Chord, apresentando muitas vezes influências de sons latinos, jazz, músicas das mais variadas formas, o tornando ainda mais gigante, um verdadeiro conhecedor de música geral. No final do seu set, a casa ainda estava cheia, com um público totalmente emocionado com o que ele estava fazendo. O término do evento ocorreu quando os relógios passavam das 8h, nos deixando na expectativa por novas datas como essas. Artistas como Makam, daqueles que não se deve perder.  

    Fotos: Tiago Ribeiro/Terraza.

  • Review – Detroit Movement 2015

    Ahh, o primeiro dia do festival! A espera foi grande e a ansiedade maior ainda, desde que eu decidi que iria no festival. E não apenas um festival, mas O festival, Movement Eletronic Music Festival, em Detroit, a cidade que é o berço do techno. Chegando perto do horário não me aguentei, fui cedo para Downtown em Detroit, onde fica o Hart Plaza. Cheguei lá por umas 11:30 da manhã e como os portões só abriam ao meio dia, caminhei no calçadão do Detroit River, que é lindo, tinha muita gente por lá pedalando, correndo e caminhando, curtindo aquele dia de sol com temperatura agradável.

    Portões abertos era hora de entrar, naquele momento só a pista Thump estaria com som, as demais começariam só as 14 horas, mas eu eu precisava me sentir lá dentro, não escondo que me emocionei ao pisar lá, mas seria essa apenas a primeira de várias as vezes que o coração acelerou e a emoção bateu foi forte. Já que tinha um tempo lá dentro fui conhecer o Hart Plaza, visitar todas as pistas, o Biergarden, conhecer os pontos de alimentação, bebida e para passar nas lojas de camisetas, adesivos e demais artigos do festival, Detroit ou relacionados a música eletrônica. De cara já fiquei impressionado com a estrutura para a pista Movement, o main stage do festival, e da pista Beatport, que era na borda da praça, quase em cima do calçadão, e tinha uma vista linda do rio e da cidade de Windsor, no Canadá. 


    (Foto: Joe Gall-Movement)

    Na pista Thump o DJ Stingray (a.k.a Urban Tribe) começava a mostrar que teríamos a raíz do techno de Detroit em todos os aspectos, sendo o primeiro nome da cidade a se apresentar. Ele tem faixas lançadas pelos selos de Carl Graig, Retroactive e Planet E, e já agitou os primeiros que já entraram cedo no festival. Com todas as pistas abertas, a primeira parada foi para ouvir Midland, na pista Beatport. O inglês de poucos sorrisos trouxe uma linha com graves marcantes, enquanto na pista Underground era Anthony Jimenez que estava tocando bem pesado perto das 15h. No entanto, essa foi a marca dessa pista: techno mais dark, sombrio o tempo todo. Depois do giro em todas as pistas, hora de voltar para Beatport para assistir KiNK, com um live empolgado, dançante e cheio de energia. Sua característica mistura de house, techno e breakbeat levantou o público, que estava meio desanimado com Midland. O tempo passa rápido quando a gente se diverte: quando me dei conta já era 17h, hora de ir para a pista Thump pra não perder o live de Gaiser. O alemão estava animado, sorrindo e batendo palmas o tempo todo, atrás de seu Ray-Ban preto fez um live animado e característico! 

    Na pista principal era hora de curtir Mano Le Tough, o irlandês que mora em Berlin há anos estava apresentando um set bem mais melódico do que eu esperava, mas boas linhas de grave que não deixavam a pista sem groove. Foi lá na pista Movement que encontrei os primeiros brasileiros no festival. É bom ver que mais gente tem a mesma paixão pelo techno de Detroit e conseguiu estar lá para curtir. Mais uma passada na Underground, quem se apresentava lá pelas 18h era Paula Temple (a.k.a Jaguar Woman). A alemã tem mão pesada, tocou faixas de sua autoria na casa dos 135 bpm. Hora de mais um giro e uma passada rápida na pista Beatport para ver o que o duo Soul Clap tinha para apresentar na cidade do Motown e confesso que esperava um pouco mais do projeto que leva o nome do sample que marcou a soul music. Corri para a pista Thump por que ia rolar em sequência Paul Woolford e Stacey Pullen, artistas que não queria perder. Ambos apresentaram seus sets de forma bem característica, com base no techno e bons momentos puxados para o minimal. O relógio não para e eu querendo aproveitar bem o festival voltei para o main stage para dar mais uma chance para Dixon me convencer do seu som, mas não foi dessa vez 🙁 Só pode ser comigo, pois a pista estava bem cheia, mas a linha de som dele, pela terceira vez, não me faz dançar. 

     

    Mudança de ares, pois nem só de Techno é feito o festival: fui curtir um pouco de Method Man na pista Red Bull Music Academy, e não é que o rapper americano me surpreendeu? Com um set misturando Indie Dance, House, Dubstep e até Drum & Bass, fez a pista, que estava bem cheia, dançar muito. A pista RBMA em vários momentos apresentou alguns estilos diferenciados para mostrar talentos fora da linha padrão do techno. Ok, era hora de voltar a ouvir o bom e velho 4 x 4, por isso me dirigi para a pista Beatport, onde Henrik Schwarz apresentava seu live. Como eu conhecia pouco do trabalho desse alemão, não tinha tanta expectativa e foi bem divertido, a vibe da pista estava bem agradável. Espiei ainda nessa pista um pouco de Tuskegee (Seth Troxler b2b The Mantinez Brothers) e os três americanos sabem muito bem o que fazem. No entanto, a pista beatport estava muito cheia nesse horário, sem condições para dançar, então fui para a pista Movement para ouvir Luciano. Sua levada era bem animada, durante o seu set dele caía a noite, momento em que a iluminação do main stage chamava muito a atenção, principalmente pelo efeito que gerava nos enormes prédios que circundam o Hart Plaza. 

    Quando eram 22 horas e faltavam só duas horas para o fim do primeiro dia de festival, fiquei com uma dúvida enorme do que ouvir. Quisera poder se dividir em dois, mas como não é possível, o jeito foi dividir meu tempo entre as pistas thump e Movement. Primeira parada foi na thump, pois não faria sentido vir para o Movement Festival em Detroit e não ouvir Carl Graig, ainda mais em seu projeto com ‘Mad’ Mike Banks, no qual se juntam a old e a new school da cena da cidade. O live deles é impressionante, dá para entender facilmente por que sua agenda de shows é tão requisitada. Foi um set dançante, com uma linha que trazia muitas referências ao house, principalmente pelos vocais extensos e marcantes. Gostei demais de ter ouvido Carl Graig em seu quintal de casa. (Foto: Steven Pham).

    Dado momento a ansiedade de ainda não ter ido pro main stage já havia tomado conta e corri pra lá, aonde o mestre Richie Hawtin já estava com seu set bem adiantado e eu só teria uma hora para ouvi-lo. Hawtin não é de Detroit, ele nasceu na Inglaterra, mas com nove anos se mudou com a família para LaSalle, uma cidade no subúrbio de Windsor no Canadá, essa que faz divisa com Detroit pelo Detroit River. Richie tem uma grande influência e é considerado precursor na segunda onda no techno de Detroit que veio em 1990, é um dos pioneiros do minimal techno e muito respeitado pelo público local. O set dele foi envolvente, alternando entre levadas de minimal e o bom e velho techno de Detroit. A pista estava bem cheia e respondia à altura do set, o que deixou Richie mais à vontade. Ele foi simpático o tempo todo, agradecia as palmas e gritos de empolgação que o público soltava a cada pegada compassada dos graves após os breaks. Eu havia ouvido ele tocar a alguns meses aqui em Santa Catarina e confesso, ouvi-lo lá foi diferente, Detroit é a casa dele, onde ele começou a tocar quando tinha 17 anos.


    (Foto: Bryan Mitchell)

    Meia noite, e como era de se esperar de qualquer evento americano, o som parou em todas as pista. Sem a chiadeira que acontece por aqui ou gritos de ‘saideira’, o público ovacionou o mestre com longas palmas e gritos. Eu não pude fazer diferente, mas quis deixar minha forma pessoal de agradecimento por aquele momento. Assim que ele foi para a parte de trás do palco para falar com os amigos e pessoal da organização que ali estavam, eu fui para o lado dessa área e com meu bom e velho aplicativo e-Led Me no celular que é um display de LED escrevi: BRAZIL LOVES YOU! E algo que eu nunca imaginaria aconteceu, Richie Hawtin, aponta pra mim e me chama!!! Sim, me chama para ir lá com ele e as pessoas que ainda estavam atrás do palco. Corri pra lá, o segurança olhou pra ele e Richie ainda estava fazendo o movimento com a mão chamando. Nem em sonho eu pensaria que teria uma oportunidade e proximidade dessas, nem aqui nos clubes onde tenho um ou outro promoter conhecido, quando mais lá, no Movement, em Detroit. Simplesmente um momento FANTÁSTICO!! Conversei com ele uns 8 minutos, sobre o festival, sobre eu conhecer toda a história de vida dele, da última apresentação dele em SC, do quando curto e sou fã do projeto Plastikman dele, foi demais. Eu não poderia ter encerrado o primeiro dia de melhor forma. Sequer fui pra alguma das dezenas de after-parties que rolam todas as noites em todos os clubs de Detroit. Eu só queria descansar bem, pois as 14:00h de domingo já começaria o segundo round do festival. 

    Sai muito impressionado com o evento, pela estrutura montada, com o sound system de todas as pistas com qualidade impecável, com a diversidade de comida disponível dentro de festival (pelo menos uns 11 food trucks, com muita variedade), as poucas filas nos bares e banheiro. E me diverti com as figuras que encontrei por lá, algumas pessoas achando que era uma festa à fantasia, de unicórnio a super-heróis, Marge Simpson a índios. No entanto, nem tudo foram flores no festival: durante a tarde eu me perguntava em alguns momentos como ele ainda parecia ‘vazio’. Sabia que a minoria seria como eu, que entrou antes das pistas começarem, mas estávamos perto das 20h quando vim a saber que o problema era com o novo sistema de controle de entrada na entrega das pulseiras com RFID, formando filas e mais filas do lado de fora. Houve quem ficou mais de 4h aguardando para entrar no festival. Choveram críticas pesadas no Facebook do evento, que fez apenas um simples pedido de desculpas.

     

    Dia 2 – Domingo – 24/05

    Descansado, acordei cedo e fui zapear um pouco mais pela cidade de Detroit, e mais uma vez vi uma cidade de contrastes. Downtown totalmente moderna, com enormes prédios arranha-céus, as mais variadas praças, gigantescos estádios de futebol americano e basebol. Já alguns bairros, totalmente abandonados após a decadência da indústria automobilística local, quando milhares de famílias largaram casa e saíram de Detroit. Muitas dessas casas estão queimadas ou totalmente pichadas, local onde infelizmente acontece muita prostituição e uso de crack, segundo relato de várias pessoas que moram lá há anos, com as quais conversei para entender da história. 

    Chegando ao Movement, entrei e fui direto curtir um pouco da pista Sixth Stage, mal tinha passado perto dela no dia anterior, pois nenhum nome de lá tinha me chamado atenção. Quem abriu a pista foi Marissa Guzman, apresentando o seu live, no qual além de mixar também é vocalista. Ela tem seu vocal lançado em mais de 15 tracks e tinha até um grupo de dança que completava a apresentação com coreografias na pista. O público teve uma recepção bem boa, dançando junto e aplaudindo essa morena, que é natural de Detroit. Naquele momento também quem tocava na pista Movement era Gabi, alemã de Frankfurt criada em Detroit. Soube levar de forma espetacular o main stage do festival, com uma linha de muito groove mostrou em seu set toda a influência do techno de Detroit em sua carreira. Consegui ainda pegar na pista Beatport o finalzinho do set do duo detroitiano Ataxia – não era nem 16h e a pista estava muito animada. Por ali ainda na sequencia fiquei ouvindo e dançando com Robert Dietz, era minha segunda vez ouvindo seu set. Mal rolou uma voltinha nas demais pistas e uma parada para comer uma pizza e reabastecer de cerveja, voltei fiquei ali para curtir seu set inteiro. Ele não tem todo aquele carisma que as vezes eu espero de um DJ, mas tem uma boa técnica e um bom repertório que compensam o seu jeito de ser.

    E por quem eu não queria sair muito da pista beatport? Por que ela iria pegar fogo! Dubfire assume o som e não tem como perder um minuto sequer. Ali Shirazinia é o mago por trás da SCI+TEC, é um dos iranianos de maior sucesso na música eletrônica, já ganhou até o Grammy pelo projeto Deep Dish, que o consagrou ao lado de Sharam nos anos 90. Seu set foi de aclamar em pé, com uma pegada bastante groovada viajou entre o techno e minimal, não deixando ninguém parado na pista. Tocou clássicos como “I Feel Speed”, do seu EP de 2007, até seus lançamentos de 2014. Senti falta de ouvir ele tocando “Grindhouse”, sem dúvida, eu ia chorar ouvindo! Mas tudo bem, ele estava bem animado, interagindo bastante com a pista. 

    Próxima parada era main stage, pois viria nada menos que Josh Wink e Art Department em sequência. Josh dispensa apresentações, é veterano e escreveu boa parte da cena americana e mundial nos anos 90. O set dele foi impecável, só com clássicos de acid house e acid techno, inclusive fechando com um bootleg de Prodigy que ainda me arrepio só de lembrar. E o que falar de Art Department? O duo canadense não conseguia esconder o desconforto de ainda tocarem juntos, o festival era a penúltima apresentação oficial tocando juntos, eles anunciaram que vão seguir carreira solo. Por vários momentos eles nem fica próximos, mas respeitaram o público com um set forte, tocando mais músicas clássicas e animando a pista. 

    Next? Hot Since 82, na pista Beatport. O inglês era um dos Top 5 na minha lista de DJs para ouvir, sou fã dele de carteirinha, toco várias produções dele e nunca tinha conseguido ver ele ao vivo. O set dele foi marcante, com muita pegada e tocou inúmeras de suas próprias tracks. Lembro de ter ouvido “Forty Shorty”, “Hit & Run” e “Don’t Touch The Alarm”. Com certeza não perderei as próximas apresentações dele por aqui. Após este momento o conflito de palcos começou a me deixar angustiado, mais uma vez quisera eu poder estar em mais de uma pista ao mesmo tempo. Acabei optando primeiro por Loco Dice, no main stage. O alemão estava muito animado, tocando para uma pista bem cheia, tanto que mal consegui chegar perto para tirar uma foto legal. Estava quase um empurra-empurra, muito graças ao set dele, que é sempre forte e dançante. Passei rapidamente para ver o entusiasmo empolgante de Joseph Capriati por alguns minutos na pista Beatport, o italiano sabe muito bem o talento que tem, porém ainda queria tempo para ver o que Ben Klock faria na Underground. Ali pude ver quão pesada a mão dele pode ser! Com um set fortíssimo, que beirava o hard techno, ele fez a estrutura da pista tremer liberalmente.

    Alguns minutos antes das onze da noite corri para a pista Red Bull Music Academy, para nao perder nem um minuto da apresentação de Model 500. Model 500 é um dos projetos de Juan Atkins, um dos pais do techno de Detroit, fundador do selo Metroplex, um dos mais relevantes do estilo. Model 500 é formado por Juan, Mike Banks, DJ Skurge e Mark Taylor. O show começou cheio de expectativa, muita gente aglomerada para assistir esse momento, que seria histórico. A apresentação explicita a grande influência que o grupo tem dos alemães do Kraftwerk, a banda que foi fundamental para o surgimento da música eletrônica como conhecemos hoje: quatro integrantes com seus teclados, bateria eletrônica, sintetizadores e Atkins no vocal. Já abriram o show com o primeiro grande sucesso, “No UFOs”, e na sequência mandaram “Night Drive”, ambas músicas de 1985. O show foi marcante, tinha horas que era bem dançante, outras era um enorme prazer apenas assistir. Era impossível não se emocionar por estar vendo eles ao vivo. Não só a música me chamou a atenção durante a apresentação, mas também as imagens do enorme telão de LED atrás deles, fazendo referências aos vocais das músicas, a momentos de guerra e revolução. 


    (Foto: Douglas Wojciechowski)

     

    Um fator muito interessante da experiência que passei no festival foi o público. Eu já esperava que fosse um público mais experiente, mas me impressionou a quantidade de gente com pelo menos o dobro da idade do techno em si. É isso mesmo, senhores e senhoras na casa dos 60/70 anos! Uma delas era uma senhorinha muito simpática e famosa na cena, Patricia Lay-Dorsey, conhecida como “Gradma Techno” (a vovó do Techno), que pude avistar bem próxima de Dubfire enquanto este tocava. Durante a apresentação do Model 500 havia um casal de senhores, ele com 68 e ela com 72, que estavam lá esbanjando empolgação, firmes e fortes até a meia noite, quando encerrou a segunda noite do festival. Conversei com eles na saída do show, dei os parabéns pela garra e comentei que me vejo assim também no futuro, indo ao menos em uma grande festa por ano. E se você pensou que só a terceira idade que me impressionou, nada disso! As crianças também chamaram atenção, não só as crianças, como também vários bebês. Isso mesmo, durante as tardes, com os pais e proteção auricular, haviam vários bebês em carrinhos ou naqueles “cangurus”, que os pais levam. Cheguei a cumprimentar um dos pais, que estava com a filha de 6 anos lá sentadinha, curtindo uma pizza e dançando com a cabeça, enquanto eles estavam animadões! Me apresentei e os parabenizei pela iniciativa, pois a pequena realmente parecia estar curtindo, dá vontade de um dia estar com minha filhota num festival assim também.

     

    Infelizmente não pude ir no festival no seu último dia, segunda-feira (25/05), pois não quis arriscar perder meu voo para o Brasil, que sairia às 20:00h. Fiquei de coração apertado por não ir, o line up era o melhor dos três dias em minha opinião. Perdi de ouvir Maceo Plex, JETS, Audio Fly, Paco Osuna, Joris Voorn, The Saunderson Brothers, Lee Foss, MK, Hi-Tech Soul por Kevin Saunderson e Derick May, Steve Rachmad, e Ben Sims. Mas ainda assim, valeu muito a pena, toda a experiência foi fantástica. Houve ainda muito barulho sobre alguns nomes sem sentido no line up, como o DJ Snoopadelic a.k.a Snoop Dog. O raper pelo que li e vídeos que vi, estava perdido, não sabia mixar, ficou apenas trocando músicas e quando tocou rap conseguiu esvaziar a pista. Como eu não consegui ir no último dia de festival, aproveitei o domingo à noite para ir pra ir a uma after party no Paradigm Underground. Trata-se de uma balada de Chicago, que aluga o subsolo do hotel LeLand para fazer os afters durante a semana do Movement Detroit. Quem tocou lá foi Lee Foss e Art Department, então deu pra dar uma esticadinha até as 6:00 horas da manhã da festa que tinha começado as duas da tarde do dia anterior.

    Os motivos para ir ao Movement

     

    O site Dancing Astronaut publicou uma matéria interessante sobre os 10 motivos para você ir para o Movement Detroit: (1) Os DJs do underground. (2) Pela história do festival. (3) A localização no Hart Plaza. (4) Os momentos épicos que só acontecem em Detroit. (5) O Sound System. (6) As seis pistas. (7) As afterparties. (8) O amor de Detroit. (9) Os fabricantes de equipamentos e exposição. (10) A organização do evento. Eu concordo com todos os motivos e digo para conferir os vídeos e fotos no link acima. E adicionaria algumas coisas: A emoção de ser uma entre as mais de 100 mil pessoas que passam pelo evento; ser no Memorial Day e representar mais que um festival, uma celebração do amor pela música e orgulho da cena Techno; ser um festival que vem crescendo a cada ano desde sua primeira edição há 15 anos atrás; o Techno está mais vivo do que nunca e muito bem, obrigado. 

    O beatport anunciou as 10 faixas mais clássicas que tocaram no Movement, seleção feita também pela Mixmag. Destaco algumas: Audion – Mouth to Mouth, foi de chorar quando dubfire tocou; o clássico Knights of the Jaguar do DJ Rolando, dançante para mostrar o projeto de Carl Graig e Mike Banks; Model 500 com Night Drive e Future, na verdade ouvir Juan Atkins live matou um pouco minha vontade de ouvir Kraftwerk; e ainda tocada pelo Model 500 teve Cybotron – Clear, como o próprio Atkins falou enquanto cantava: “Esse é o Techno verdadeiro. Não subestime. O negócio de verdade, direto de Detroit”. Art Department superou as expectativas antes de se separarem, sim Kenny Glasgow e Jonny White vão seguir carreiras solo, ao tocarem Reese & Santonio – Structure de 1988. Josh Wink com Moodymann – Dem Young Sconies e um bootleg de Prodigy fez o main stage vibrar. Não pude ouvi Claude VonStroke tocando, mas imagino o efeito da faixa Sacha Robotti & Kevin Knapp – Thump Bumper na pista. Lil Louis – French Kiss (Joris Voorn edit) nem precisa dizer nada! E foi isso, minha grande aventura no Movement Eletronic Music Festival em Detroit. 

  • Ellen Allien protagoniza mais uma das belas noites frias do templo

    No dia 5 de junho visitamos o Warung Beach Club para mais uma daquelas noites divertidas e aconchegantes de baixa-temporada, que possuem line-ups menos comerciais e não atingem os níveis desconfortáveis de lotação comuns no verão. Nessa data em específico optamos por chegar bem cedo, afinal, era Stekke quem iria iniciar os trabalhos no Inside.

    Chegamos na casa pouco antes das 23:00 e tivemos o prazer de descobrir que a festa ainda não tinha começado. A noite marcava a estreia do live de Ale Reis e Renee, que estavam terminando de montar o setup e logo deram início à noite, mas ainda no modo dj set, fazendo warm up para si mesmos. Este posso dizer que foi um momento único para mim como frequentador do club: por uma hora ouvi ali tracks que jamais imaginei ouvir no Main Room do templo. Certamente não era o que a maioria das pessoas estava esperando encontrar ao chegar na balada, tanto que nesse momento o Garden era o destino preferencial das pessoas, com Adnan Sharif nos decks. No entanto as coisas mudariam com a entrada da madrugada: era exatamente meia-noite quando a sensação causada pelo primeiro timbre analógico no sound system do Inside deixava claro o início do live act da dupla.

    Nos 90 minutos que se seguiram o que vimos foi uma construção de pista sem igual. A quantidade de hardware levado ao palco possibilitava uma infinidade de sons diferentes, mas poucos elementos eram usados simultaneamente, tornando a construção minimalista e nem um pouco repetitiva. A energia foi crescente, tanto da música como da pista, e nos minutos finais já era possível ver o público desconcertado com alguns bons momentos criados. Foi uma satisfação ver um projeto brasileiro em tal nível técnico, é o tipo de situação que renova a nossa esperança na cena nacional.

    Já era passado de 1:30 da manhã quando a pista foi entregue de bandeja para Renato Ratier, residente e proprietário do club. O savage demonstrou estar em sintonia com a proposta da noite, apresentando uma boa seleção musical, com picos de energia bem dosados, em acordo com o horário e satisfazendo o público, ansioso para assistir o Rei Raww tocar. Quando os relógios marcavam 2:30 decidimos visitar o Garden, para ver o que Pillowtalk estava fazendo, e rapidamente nos arrependemos. Tecnicamente é um live muito bom, tenho profundo respeito por pessoas que tem cara e coragem de se apresentar como banda no mundo da música eletrônica, mas a sonoridade em si é algo que não passa pelo meu filtro do gosto pessoal. Apesar do excesso de vocais e da levada mega-feliz estarem tentando nos expulsar de lá, acabamos ficando um tempo lá conversando com alguns amigos. Tempo suficiente para o live acabar e a história mudar da água para o vinho com o início do dj set deles: com uma seleção de músicas mais condizentes com a pista e uma técnica muito boa, mantiveram-me preso ao jardim até o fim da apresentação, às 4:30.

    O próximo ali era Leozinho, mas corri para o Inside, e me deparei com uma Ellen Allien atropelando a pista! Eu já havia visto ela tocar no Some Festival de 2012 e tinha uma boa expectativa, mas ali no Warung ela realmente se sentiu em casa. A sonoridade do seu set era pesada e envolvente, muitos não absorveram e deixaram a pista, mas os que ficaram pareciam estar em transe. Apenas quando o dia amanheceu que a tensão foi aliviada: na última hora de festa a alemã fez um b2b com Ratier, no qual apresentaram uma linha mais dançante e menos sinistra.

    Ao término da festa, perto das 7:30, a sensação era de missão cumprida. Uma noite com vários momentos musicais diferentes e com a atmosfera que consagrou o club como templo. Que venha o inverno 🙂

     

  • Dubfire visita o Brasil em tour marcante no mês de maio

    Durante o mês de maio Ali Dubfire esteve no Brasil para uma tour na qual visitou 4 cidades: Brasília na quinta, Curitiba na sexta, Itajaí no sábado e São Paulo no domingo. Nossa equipe esteve presente em dois destes eventos: Club Vibe, na capital paranaense, e Warung Beach Club, no litoral catarinense.

    Club Vibe, por Mohamad Hajar

    A estreia de Dubfire no clubinho foi uma surpresa para todos, inclusive para os donos da casa. Isso porque o cachê dele extrapola os limites orçamentários do club, que possui capacidade para apenas 350 pessoas. No entanto, o interesse partiu do próprio artista, que disse ter recebido bons relatos de amigos que haviam tocado lá recentemente e cobrou um valor simbólico, possibilitando à casa a realização de uma noite ímpar em seu currículo.

    Para nós o momento era especial também: seria a primeira vez que realizaríamos um detroitbr em Curitiba, fato que infelizmente nos levou a chegar tarde na festa. Pegamos apenas o final do warm up da Aninha, que estava envolvente e contextualizado, exatamente o que se espera dela que é uma das melhores DJs em atividade no país. Fato reforçado com o contra-ponto vindo logo em seguida: Hector, revelação da SCI+TEC vinda a pedido do próprio Ali, precisou de poucos minutos para quebrar toda o clima criado pela brasileira, tocando um tech house previsível e sem sal. A insatisfação da pista era nítida, mas a presença de Dubfire no backstage manteve os ânimos calmos e não houve exaltação negativa, apenas constantes comentários ansiosos pelo início do headliner.

    Era aproximadamente 4 horas da manhã quando ele finalmente assumiu o comando dos decks. O salto de qualidade era nítido em todos os sentidos: a técnica impecável e inconfundível dele logo se fez presente e, aliada a uma boa leitura de pista e escolha de repertório, fez com que a pista estivesse pegando fogo em poucos minutos. Pudemos acompanhar seu set apenas durante as duas primeiras horas, que apresentaram uma boa progressão com bons momentos criados. No entanto, para quem já estava o vendo tocar pela 5ª ou 6ª vez, nada de surpreendente ou fora do que você espera dele. Saímos do clubinho às 6:15, para os preparativos finais do after, mas quem permaneceu nos informou que o mesmo clima foi mantido até as 8:20.

    À parte da análise musical, vale ressaltar que por mais que o set de Dubfire não tenha sido um “divisor de águas” a noite em si foi muito proveitosa e divertida, com música boa rolando na maior parte do tempo e com pessoas que estavam ali em busca exatamente desse tipo de diversão. Fazendo um paralelo, diria que ela foi um capítulo de destaque na série de “grandes noites da Vibe” que tivemos a oportunidade de presenciar neste ano, como Mind Against, Recondite e Gaturamo.

    Warung Beach Club, por Rodrigo Ribeiro

    No dia seguinte foi a vez do templo receber Ali, tendo ainda o Watergate Showcase como atração no mesmo dia. Apesar de recentemente ter ocorrido uma grande festa no club, o Diynamic Festival, o hype duplo era suficiente para que a casa estivesse cheia, principalmente pelos feedbacks positivos das apresentações dele em Brasília e Curitiba.

    Após um bom tempo no congestionamento, finalmente consegui entrar no club, mas não sem antes perder os warm ups, que estavam sendo feitos por Albuquerque no Inside e Diogo Accioly no Garden. Quando entramos fomos direto ao palco do jardim, a tempo de prestigiar o som de Matthias Meyer, que fez um ótimo set, com muita melodia e uma atmosfera hipnotizante. Faltando pouco tempo para a entrada de Ali, era hora de se dirigir ao Inside e se preparar para a abertura. Ainda foi possível acompanhar uma parte do set de Hector, atração que foi divulgada nos últimos dias que antecederam a festa. Assim como na sua última passagem pelo Warung, recebeu o trabalho de abrir a pista para Dubfire, porém, não chegou perto de ser um dos destaques da noite, apresentando um som sem causar grandes impactos na pista.

    Ali coleciona passagens pelo club, das quais algumas foram memoráveis, o que criou uma grande afinidade entre ele e público. Dubfire veio com a missão de superar as expectativas e fazer dessa mais uma noite histórica no templo da música eletrônica. Apesar de ter um estilo bem caracterizado nas suas apresentações ele conseguiu fazer um set diferenciado, misturando novidades com algumas músicas de artistas que normalmente fazem parte de seu repertório. Durante as horas em que esteve no controle da pista fez uma construção excelente, com músicas marcantes e mixagens de muita qualidade.

    No final gostaríamos de ter visto um pouco de Marcos Ressmann, mas o ídolo nos prendeu no Inside até o fim. Religiosamente como tem sido, o som parou às 7:00 e todos começaram a seguir seus rumos. After ou casa, uma coisa era comum à maioria: havia sido mais uma noite que atingiu as expectativas musicais do público presente nas duas pistas.

  • Time Warp disponibiliza sets gravados em 2015

    Na busca por novidades? O soundcloud oficial da TIME WARP, disponibilizou há menos de um mês uma série de sets gravados na edição de Mannheim (Alemanha) realizada no ano de 2015. Na lista você pode acompanhar os sets dos artistas: Chris Liebing, Steve Rachmad, Felix Krocher, Ilario Alicante, Bunte Bummler, Steffen Baumann, Steffen Deux, Sasch BBC, Monkey Safari, Seebase, AKA AKA.

    É interesse tentar interpretar como funciona o pensamento ideológico do Time Warp com relação ao line-up, tendo em vista que há uma grande amplitude de vertentes do techno, não focando em uma ou outra específica. Esse pensamento traz à tona uma reflexão sobre como é possível contemplar diferentes formas de trabalhos e mesmo assim alcançar um bom resultado final, sem que seja rotulado por algo pejorativo, que simplesmente tenha seus méritos. Nesse quesito essa seleção feita pelo festival tem seus louros. Confira os sets abaixo:

  • Sónar confirma edição São Paulo para 2015

    Já faz algumas semanas que diversos portais de informação sobre cena pop e alternativa divulgam o Sónar SP 2015 como confirmado, mas foi só há poucos dias que o site oficial incluiu a cidade no seu tour sul-americano do final do ano, entre os dias 24 e 28 de novembro. O line-up só será divugado no fim de junho, após a realização da edição principal em Barcelona, mas as especulações estão quentes: teoricamente o live de Chemical Brothers seria uma das atrações confirmadas, além da cantora Bjork (que furou em 2012 e abriu espaço para a vinda do Kraftwerk) e de Die Antwoord.

    Se tivermos como base a edição realizada em 2012, ou até mesmo o pré-line da edição cancelada de 2013, dá pra ter boas expectativas. Há três anos pudemos conferir em solo nacional grandes artistas como Justice, Modeselektor, James Blake, Jeff Mills entre outros. Já no ano seguinte nos foi prometido artistas como Nicolas Jaar, Darkside, Paul Kalkbrenner, o que pode dar esperanças de ver alguns destes no palco de 2015.

    Os ingressos deverão ser disponibilizados juntamente com o line-up, mas o padrão da última edição deve ser mantido: aproximadamente R$ 200,00 por dia, sendo dois de festa e dois de SonarPro, evento mais técnico, com workshops, painéis e outras atividades voltadas para quem vive o mercado da música eletrônica.

  • O crescimento da cauda longa na cena nacional

    O sucesso de pequenos núcleos e selos parece novidade para alguns no mundo da música eletrônica, mas o conceito que garante esta prosperidade é conhecido há mais de uma década. Estamos falando da Cauda Longa, termo utilizado em estatística para identificar distribuições de dados que sigam uma lei de potência, classificados de forma descendente. Se você já estudou sobre o funcionamento do mercado em Administração, com certeza já ouviu falar do Princípio de Pareto, que afirma que 80% das consequências advêm de 20% das causas. Graficamente falando, se colocarmos os produtos em ordem de popularidade — do maior para o menor — no eixo y e o volume de vendas no eixo x, vamos ter uma curva com convexidade decrescente, conforme ilustrado abaixo:

    O termo foi cunhado pela primeira vez em 2004, quando Chris Anderson escreveu um artigo para a revista Wired demonstrando que a internet estava mudando a realidade dos mercados que nela ingressavam, já que produtos de baixa demanda estariam coletivamente conseguindo alcançar fatias de vendas que rivalizavam ou excediam os poucos comercializados. Os primeiros segmentos a sentirem esse efeito foram exatamente os do entretenimento: se em outras épocas havia uma dominância das opções selecionadas e divulgadas pelas grandes gravadores e estúdios, atualmente a facilidade de catalogamento em sites como iTunes Store e Netflix tornou músicos e produtores alternativos mais acessíveis. Some a isso o fato de que redes como MySpace, Facebook, YouTube democratizaram a promoção destes artistas, e obtenha como resultado diversas opções independentes obtendo alcance estrondoso, como Arctic Monkeys e Atividade Paranormal.

    É importante ressaltar que tal teoria não representa a “vitória do underground sobre o mainstream”. Jornalistas empolgados e sensacionalistas utilizam este jargão para atrair leitores curiosos, mas a verdade é que este novo comportamento trouxe equilíbrio e sustentabilidade entre os dois tipos de produto. Se antes a maioria esmagadora do público só tinha acesso aos “big five major labels“, agora ele pode facilmente consumir o trabalho de novos talentos, aumentando a amplitude de conhecimento e fortalecendo a relação mantida com este tipo de arte. Com a crescente diversidade oferecida, as pessoas passaram a se especializar em estilos e vertentes específicas, criando assim diversos micro-nichos ávidos por conteúdo a ser consumido.

    Traduzindo isso para o ambiente da cena eletrônica nacional, temos grandes agências e superclubs agindo como trend setters, atendendo à grande demanda dos 20% iniciais do gráfico; enquanto que menores clubs e selos levam conteúdo para a outra parte, com cada um atendendo uma pequena parcela do total de adoradores dos 80% menos famosos. Note como eles podem coexistir: são produtos distintos para pessoas diferentes. Ao mesmo tempo em que os players da Cauda Longa “roubam” consumidores dos agentes principais, estes líderes trazem novos consumidores para o mercado global, tornando o processo um ciclo sustentável.

    A situação se torna ainda mais interessante se observarmos que pouquíssimas pessoas se deram conta do potencial que isto representa pro nosso país. Segundo Anderson a tendência é que a soma dos pequenos nichos atinja valores maiores do que o total das grandes empresas. Como isso está longe de ser realidade por aqui, subentende-se que existam ainda muitos nichos de consumidores desatendidos, aguardando o surgimento de núcleos que gerem conteúdo profissional e organizado para suprirem as necessidades destes segmentos em plena expansão.

    Publicado originalmente na 41ª edição da House Mag

  • Detroit Movement apresenta line-up completo de 2015

    O Movement Eletronic Music Festival não é apenas o festival favorito dos fãs de música eletrônica nos EUA, é um dos eventos historicamente mais importantes do ano. Mais do que um festival, o evento é a celebração das raízes musicais de Detroit, mais especificamente, o techno. Desde a sua criação em 2000, o festival Movement tem sido como um paraíso da dance music underground, onde iniciou sob os olhos de artistas como Juan Atkins, Derick May, Kevin Saunderson e MK (Marc Kinchen). 

    Em 2015 Richie Hawtin, DJ Snoopadelic e Dog Blood – o projeto de Skrillex e Boys Noize – serão os headliners, além de outros importantes artistas anunciados que incluem Disclosure, Tuskegee (Seth Troxler b2b the Martinez Brothers), Luciano e Dixon. Além deles, este ano o festival apresenta também muitos nomes de destaque do techno internacional, como já é praxe: Ben Klock, Marcell Dettmann, Loco Dice, Dubfire b2b Hot Since 82, Matador, Nina, Maya e muitos outros mais. Depois de anos colocando praticamente todos os nomes relevantes da cena em seus line-ups era difícil imaginar como o festival poderia melhorar seu nível de qualidade. No entanto, com o anuncio da fase 2, parece a organização conseguiu fazer exatamente isso: os pioneiros locais do gênero, Kevin Saunderson e Derrick May, vão tocar em b2b. Squarepusher traz seu live para o festival, enquanto as estrelas mais recentes como Paul Woolford, Gaiser, Maceo Plex e Brodinski foram adicionados à lista. Jimmy Edgar e Machinedrum unirão seus talentos para uma rara performance como JETS. 

    A organização do evento mais uma vez será do grupo Paxahau, que já mostrou nos outros anos a excelência no que faz. “O lineup deste ano é um grupo diversificado de lendas, heróis do underground e talentos novos que estão aparecendo, todos foram inspirados por Detroit em seu legado musical em algum momento de sua carreira”, disse em entrevista Chuck Flask, coordenador do grupo Paxahau. Amplamente abraçado pela cidade onde nasceu o techno, o Movement Eletronic Music Festival continua sendo um dos mais prolongados festivais de música independente no país. “Detroit define o tom para o mundo, e nós vamos ser muito cautelosos para qualquer coisa que nos é apresentado que não coloca a cidade em primeiro lugar”, diz o fundador do Paxahau, Jason Huvaere.

    Neste ano eu estarei lá, representando o detroitbr. Participar desde festival será a realização de um sonho, por mais que temos em nossa cena catarinense a possibilidade de ouvir muitos desses nomes, a experiência de participar de um festival internacional dessa proporção ficará marcado pra toda a minha vida. Estou ansioso para saber os horários e conseguir montar o meu lineup, infelizmente não dá para se dividir e ouvir todas as pistas ao mesmo tempo, mas meus ouvidos estarão atentos artistas como The Saunderson Brothers, Damarii e Dantiez – os filhos de Kenvin Saunderson – estão seguindo os passos do pai e tem mostrado o talento está no sangue. 

    O Movement 2015 será realizado de 23 à 25 ​​maio no Detroit Hart Plaza, uma das praças mais importantes de Detroit que fica na beira do Detroit River, esse que faz divisa com Windsor no Canadá, cidade onde Richie Hawtin cresceu depois que veio com os pais da Inglaterra. Os ingressos podem ser adquiridos neste site.

  • Assista 10 documentários sobre Detroit, a meca do techno

    Que Detroit é uma cidade que carrega uma mística no meio techno, não é nenhuma novidade para nós. Como consequência disso, nenhuma outra cidade na história da música vem sendo tão documentada. Isso para nós, espectadores apaixonados da cena, é um belo presente! Segue abaixo uma lista com os 10 melhores documentários de Techno Detroit, todos eles disponíveis e sem custo, para todo detroiter poder se apaixonar e reapaixonar quantas vezes quiser:

    Real Scenes: Detroit

    Em primeiro, e merecido lugar, está o Real Scenes: Detroit. Abordando a cena mais atual, sua regeneração e crescimento, este documentário produzido pelo Resident Advisor mostra a incrível realidade do Detroit Techno, deixando pra trás sua história passada e decadência pós industrial.

    Detroit: Blueprint of Techno.

    Produzido há alguns bons anos atrás e com apenas 25 minutos de duração, Blueprint of Techno é um documentário super aprofundado, com imagens de muitas figurinhas conhecidas da cena, como por exemplo Terrence Parker, e muito mais.

    Slices – Pioneers of Electronic Music: Richie Hawtin.

    Por mais que ele tenha passado a maior parte da sua formação do outro lado do rio, em Windsor, é impossível falar de Detroit Techno sem citar o nome que o disseminou pelo mundo: Richie Hawtin. Este é um documentário que olha para trás na vida e carreira do artista, e mostra como foi sua passagem para a Europa nos anos de 2000.

    Belle Isle Tech

    Produzido por Ari Marcopoulos, famoso fotógrafo de skatistas, Belle Isle Tech é um filme com um trecho da vida real dos reis do guetto-tech (senhores; isso não tem nada a ver com o G-house de hoje), DJ Assault e Mr. De, em um giro por Detroit, contrastando sua origem, num estúdio humilde em casa, com uma super festa em um cruzeiro na cidade de Belle Isle.

    Universal Techno

    Produzido na França em 1996, com uma hora de duração, este documentário mostra o impacto de Detroit, no exterior e no mundo. E tem muitos dos principais nomes do Techno, conhecidos até hoje, muito bem representados. Jeff Mills é um exemplo…

    Modulations 

    Modulations, apesar de ir além do âmbito “Detroit”, mostra várias raízes desse meio em vários outros locais, e ainda tem cenas incríveis de Derrick May, Juan Atkins, Eddie Fowlkes e muito mais! 

    Current TV’s – Underground Resistance episode

    Documentário criado pela Current TV que retrata a realidade dos anos 90, foi criado com a intenção de pregar o verdadeiro lado underground de Detroit em questão musical, numa tentativa de perturbar a industria dominante na época. 

    High Tech Soul

    Este documentário faz uma mistura do social, com o musical. Olhando para Detroit com olhos de quem sabia que a cidade seria uma grande indústria de música boa, e mostra nomes conhecidos, mas não menos importantes para a cena.

    Techno City 

    Produzido em 2001, Techno City ficou pouco conhecido. Lendas como Carl Craig, Stacey Pullen, e Kenny Larkin conduzem boa parte dessa turnê, que atinge seu ponto mais alto na segunda edição do Detroit’s Eletronic Music Fest. 

    Detroit Techno & The Eletrônic Music Festival

    Este documentário trata sobre 15 anos do Detroit’s Electronic Music Fest, hoje conhecido como Movement. Em 03 partes ele faz uma retrospectiva do festival, desde o início (no ano 2000), até sua solidificação, uma década depois. 

    Fonte: Beatport.