Durante o mês de maio Ali Dubfire esteve no Brasil para uma tour na qual visitou 4 cidades: Brasília na quinta, Curitiba na sexta, Itajaí no sábado e São Paulo no domingo. Nossa equipe esteve presente em dois destes eventos: Club Vibe, na capital paranaense, e Warung Beach Club, no litoral catarinense.
Club Vibe, por Mohamad Hajar
A estreia de Dubfire no clubinho foi uma surpresa para todos, inclusive para os donos da casa. Isso porque o cachê dele extrapola os limites orçamentários do club, que possui capacidade para apenas 350 pessoas. No entanto, o interesse partiu do próprio artista, que disse ter recebido bons relatos de amigos que haviam tocado lá recentemente e cobrou um valor simbólico, possibilitando à casa a realização de uma noite ímpar em seu currículo.
Para nós o momento era especial também: seria a primeira vez que realizaríamos um detroitbr em Curitiba, fato que infelizmente nos levou a chegar tarde na festa. Pegamos apenas o final do warm up da Aninha, que estava envolvente e contextualizado, exatamente o que se espera dela que é uma das melhores DJs em atividade no país. Fato reforçado com o contra-ponto vindo logo em seguida: Hector, revelação da SCI+TEC vinda a pedido do próprio Ali, precisou de poucos minutos para quebrar toda o clima criado pela brasileira, tocando um tech house previsível e sem sal. A insatisfação da pista era nítida, mas a presença de Dubfire no backstage manteve os ânimos calmos e não houve exaltação negativa, apenas constantes comentários ansiosos pelo início do headliner.
Era aproximadamente 4 horas da manhã quando ele finalmente assumiu o comando dos decks. O salto de qualidade era nítido em todos os sentidos: a técnica impecável e inconfundível dele logo se fez presente e, aliada a uma boa leitura de pista e escolha de repertório, fez com que a pista estivesse pegando fogo em poucos minutos. Pudemos acompanhar seu set apenas durante as duas primeiras horas, que apresentaram uma boa progressão com bons momentos criados. No entanto, para quem já estava o vendo tocar pela 5ª ou 6ª vez, nada de surpreendente ou fora do que você espera dele. Saímos do clubinho às 6:15, para os preparativos finais do after, mas quem permaneceu nos informou que o mesmo clima foi mantido até as 8:20.
À parte da análise musical, vale ressaltar que por mais que o set de Dubfire não tenha sido um “divisor de águas” a noite em si foi muito proveitosa e divertida, com música boa rolando na maior parte do tempo e com pessoas que estavam ali em busca exatamente desse tipo de diversão. Fazendo um paralelo, diria que ela foi um capítulo de destaque na série de “grandes noites da Vibe” que tivemos a oportunidade de presenciar neste ano, como Mind Against, Recondite e Gaturamo.
Warung Beach Club, por Rodrigo Ribeiro
No dia seguinte foi a vez do templo receber Ali, tendo ainda o Watergate Showcase como atração no mesmo dia. Apesar de recentemente ter ocorrido uma grande festa no club, o Diynamic Festival, o hype duplo era suficiente para que a casa estivesse cheia, principalmente pelos feedbacks positivos das apresentações dele em Brasília e Curitiba.
Após um bom tempo no congestionamento, finalmente consegui entrar no club, mas não sem antes perder os warm ups, que estavam sendo feitos por Albuquerque no Inside e Diogo Accioly no Garden. Quando entramos fomos direto ao palco do jardim, a tempo de prestigiar o som de Matthias Meyer, que fez um ótimo set, com muita melodia e uma atmosfera hipnotizante. Faltando pouco tempo para a entrada de Ali, era hora de se dirigir ao Inside e se preparar para a abertura. Ainda foi possível acompanhar uma parte do set de Hector, atração que foi divulgada nos últimos dias que antecederam a festa. Assim como na sua última passagem pelo Warung, recebeu o trabalho de abrir a pista para Dubfire, porém, não chegou perto de ser um dos destaques da noite, apresentando um som sem causar grandes impactos na pista.
Ali coleciona passagens pelo club, das quais algumas foram memoráveis, o que criou uma grande afinidade entre ele e público. Dubfire veio com a missão de superar as expectativas e fazer dessa mais uma noite histórica no templo da música eletrônica. Apesar de ter um estilo bem caracterizado nas suas apresentações ele conseguiu fazer um set diferenciado, misturando novidades com algumas músicas de artistas que normalmente fazem parte de seu repertório. Durante as horas em que esteve no controle da pista fez uma construção excelente, com músicas marcantes e mixagens de muita qualidade.
No final gostaríamos de ter visto um pouco de Marcos Ressmann, mas o ídolo nos prendeu no Inside até o fim. Religiosamente como tem sido, o som parou às 7:00 e todos começaram a seguir seus rumos. After ou casa, uma coisa era comum à maioria: havia sido mais uma noite que atingiu as expectativas musicais do público presente nas duas pistas.