Inspirada na recente história do club, gerido pelo italiano Tony Milano, a Terraza criou La Famiglia, sua nova label que vai agitar a pista mais democrática de Florianópolis no dia 30 de outubro. A ideia da festa surgiu com a vontade de transmitir o clima dos bastidores da Terraza e levar para as longas noites do club a mesma animação e intensidade vividas no dia a dia. “Entregar uma festa ao público requer muito mais do que as pessoas imaginam, é um trabalho diário que gera expectativa e une os profissionais”, afirma Mariana Censi, responsável pelo marketing da casa. “Colocar em prática tudo que foi pensado é prazeroso e ver o resultado na pista é muito gratificante, não tem como não ficar feliz e comemorar. Afinal, nós gastamos de fazer festa”, finaliza.
Criada na temporada 2011/2012, como after oficial das festas na Pacha Floripa, a Terraza se resumia a uma tenda montada do lado de fora da Pacha. A música era reproduzida sem um estilo definido e ao ar livre até o dia nascer. Foi essa maneira diferente de curtir a noite que fez a Terraza ganhar um público fiel e cara nova na temporada seguinte, com um ambiente fixo que se transformou na pista mais democrática da Ilha, que em 2014 abriu uma filial no litoral norte de Santa Catarina, a Terraza BC.
Para mostrar o talento, a diversidade e a qualidade de quem conduz as cabines das duas sedes, a noite de 30 de outubro será comandada pelos residentes das casas com sets em estilo back to back com as duplas formadas por: Antonela Giampietro e Emmy Betiol, Bernanrdo Ziembik e Doriva Rozek, Gustavo Pamplona e Ricardo Lin, Guilherme Konnin e Idee a.k.a Renee, além da VJ Linien. “Vamos reunir toda a família do clube para festejar a sintonia de fazer da Terraza um local de música eletrônica de vanguarda, onde várias tribos se encontram e se divertem à noite”, celebra Tony Milano.
SERVIÇO:
Evento: La Famiglia Data: 30 de outubro de 2015 (sexta-feira) Local: Terraza – Rod. Maurício Sirotsky Sobrinho, 2.500, Jurerê Internacional – Florianópolis/SC Preço: R$ 30 (fem) e R$ 60 (masc) – valores de 1º lote
Pontos de venda:
Blueticket Music Park – Jurerê Internacional Loja Blueticket – Beiramar Shopping Cheia de Graça – Centro, Lagoa e Ingleses Petry Calçados – Biguaçu Rede Multisom – SC, RS E PR Promoters autorizados Central de vendas Blueticket +55 (48) 4052-9001
Além dos line-ups ousados, a Tribaltech sempre foi referência em inovação tecnológica, tendo sido uma das primeiras a apresentar itens que se tornaram praxe nas festas brasileiras em seguida, como o Laser Beam Factory e o sistema de som Funktion-One. Neste ano ela será a primeira grande open air brasileira a utilizar o Pure Groove, uma das maiores novidades em termos de sonorização, que há um ano está ganhando o mundo e chega agora ao nosso país.
No último mês a Synergy Audio, empresa criada por dois brasileiros apaixonados por áudio e música eletrônica que passaram os últimos anos estudando e atuando em New York, teve seu nascimento em solo nacional. Em seu tempo nos Estados Unidos, Lucas Graczyki e Felipe Linares conheceram a Danley Sound Labs através de Luis Miolaro, terceiro membro que atua em Los Angeles. A DSL é uma empresa de audio fundada pelo ex-engenheiro da NASA Tom Danley, que será representada com exclusividade nacional pela Synergy Audio. Ela detém a patente de diversos sistemas inovadores de sonorização, sendo a linha Pure Groove voltada para grandes eventos de entretenimento, como raves e festivais.
Quem é o cara?
Tom Danley é o tipo de pessoa que poderia facilmente ser classificada como nerd genial. Filho de um inventor da área automobilística, ele passou sua infância aprendendo na prática conceitos de física e mecânica. Apesar disso, não gostava de escola e principalmente matemática até boa parte da adolescência – ponto da vida em que percebeu que sua prática seria limitada sem um farto conhecimento teórico. Depois de algumas experiências como sound designer e engenheiro eletrônico, em 1979 ele entrou para a Intersonics, empresa que atende a NASA, trabalhando lá com diversos projetos envolvendo engenharia sonora como: foguetes de sondagem, aeronaves de gravidade zero, programas de ônibus espaciais. Seu trabalho nada convencional rapidamente chamou a atenção de Roy Whymark, presidente da empresa, que lhe deu a oportunidade de abrir uma empresa de sistemas de som grandes como uma divisão da Intersonics.
Foi neste projeto que Tom lançou o ServoDrive, um dos melhores sistemas dos anos 80, que atendeu a shows de Michael Jackson, U2, entre diversas outras bandas. Apesar de gerar grandes lucros para a Intersonics, ele não era muito popular dentro da empresa, principalmente pelo perfil de clientes que Danley trazia para dentro dos corredores da NASA, como por exemplo a banda Manowar. “Eles estavam em suas roupas de rock n’ roll e os caras da NASA literalmente grudaram as costas na parede para que eles pudessem passar. Foi clássico, mas eu sabia que não ir mais além”. Com o desastre da Challenger em 1986 a concorrência começou a tomar o espaço da Intersonics na estatal americana, o que acarretou em sequenciais cortes de orçamento e pessoal. Somando a morte do seu pai e o fim do seu casamento, Tom entrou na década de 90 precisando se reinventar. Foi aí que ele entrou para a Sound Physics Labs, em Chicago, e conheceu o proprietário Mike Hedden. Em pouco tempo eles se uniram para formar a DSL (Danley Sound Labs), empresa que atualmente detém as patentes que tornam o Pure Groove único.
O que o “som da NASA” tem de tão especial?
Atualmente a DSL possui 17 patentes de alto-falantes, entre elas a Tapped Horn, a Paraline, a Shaded Lens Technology e a Synergy Horn, que é a base principal de toda a linha. No passado as cornetas caíram em desuso, não por propriamente serem sonoramente ruins, mas porque ninguém conseguia achar uma forma de criar um modelo funcional para esta tecnologia. Com a invenção de Danley, é possível incluir múltiplos drivers de diferentes bandas e frequência em um único horn, fazendo com que apenas um único alto-falante potente e preciso atenda à demanda de volume e qualidade dentro de sua área de cobertura, sem distorções. Para as frequências baixas a base é a tecnologia Tapped Horn, a evolução do clássico ServoDrive dos anos 80.
Mundialmente falando o Pure Groove está no mercado há pouco mais de um ano e está em franca ascenção, ganhando a confiança de grandes nomes da cena global e colocando a concorrência em estado de alerta. Só para citar algumas das festas que já utilizaram o Pure Groove: Lost In a Moment, Cocoon, Bedrock, Get Lost, Paradise, Crosstown Rebels e Miami Music Week. No próximo final de semana ele será o responsável por garantir que todos nós possamos ouvir com volume e clareza as belas obras que serão criadas por nomes como Derrick Carter, Mathew Jonson e Roman Flugel, no palco que sábado será assinado pelo Club Vibe, domingo pelo D-Edge.
O Warung Beach Club apresentou o showcase da FACT no dia 19 de setembro, com nomes como André Jalbut, Rick Maia e o bom DJ Vibe no Garden, onde nossa equipe passou a maior parte do tempo. No Inside, o time escalado foi Diogo Accioly, Phonique e a estreia de Oliver Giacomotto. Infelizmente desta vez nossa equipe não conseguiu comparecer ao evento desde o começo, pois tivemos uma edição do detroitbr labs em Curitiba no dia anterior e enfrentamos vários contra-tempos na BR-101, sendo surpreendidos pela forte chuva e acidentes que fizeram com que nossa chegada ao templo fosse por volta da 01h00. Já dentro do clube pudemos notar algumas coisas interessantes, a primeira delas foi a excelente ação realizada pela Tribaltech, com vendas de ingressos, camisas, além de esclarecer duvidas sobre o festival.
No segundo momento fomos conhecer o novo bar da casa, citado pelo Jonas Fachi no review anterior. Posso dizer que o “Temple Drinks” foi um grande acerto! Trata-se de um bar não convencional localizado entre os dois bares do térreo do Inside. Antigamente essa era uma área pouco utilizada no clube e agora passa a ser mais uma boa opção para quem procura algo diferenciado. Depois de passear e conhecer as novidades subimos para a pista, onde Phonique se apresentava. Um dos fatores que nitidamente contribuía para deixar a experiência mais agradável foi o fato do Inside, assim como todo o club, estar extremamente confortável. Comparado a apresentações passadas, pode-se dizer que o alemão teve uma boa evolução, mas ainda assim longe de fazer um set com grandes emoções. Mesmo assim pudemos apreciar bons momentos, como o classic Green Velvet “lala land”.
Já no Garden o clima era outro. De cara pudemos notar que não havíamos perdido a apresentação de André Buljat, ele e Rick Maia optaram pelo formato b2b, fazendo um long set de 6 horas. A apresentação era dinâmica, não se prendendo a rótulos e criando bons momentos. O legal de vê-los tocando é notar que possuíam um entrosamento importante para que o set funcionasse, era nítido que um conhecia muito bem o trabalho do outro. Próximo às 04h00 me desloquei para o inside para acompanhar a estreia de Oliver Giacomotto, que teve a difícil missão de substituir Marc Houle no headline desta festa. O assisti por uns 40 minutos e, durante esse tempo, seu set foi pouco criativo, como se não contasse uma história, apenas fizesse uma transição de uma música para outra. Diante disso o Garden se tornou a melhor opção novamente.
Ele já havia se apresentado outras vezes no Warung, mas nunca foi um DJ que me chamasse atenção. Com uma ótima mixagem e uma variação interessantíssima entre sons mais novos e outros old school, DJ Vibe colocou o tempero que faltava nessa noite que ainda oscilava. Sua apresentação permaneceu numa faixa de altos BPMs, sendo em um primeiro momento uma adaptação do que foi apresentado anteriormente por André e Rick, caracterizado por house e tech house, e em um segundo momento já com a pista na mão o techno como evidencia. Seu principal momento foi quando meio toda essa variação Fly Life surgiu como uma bomba na pista, clássico de Basemant Jaxx que soa até hoje como som atual.
Warung teve seu termino às 07h00, como vem religiosamente acontecendo. O próximo evento conta com grandes atrações, como Stekke e Mathew Jonson, no dia 03 de outubro.
O feriado de independência do Brasil foi ao longo do tempo se tornando uma das principais datas do calendário de eventos do Warung Beach Club, visto a enorme quantidade de turistas que se movimentam em direção ao litoral catarinense, onde mesmo com as condições climáticas não favoráveis, fizeram formar-se filas ao longo da BR-101 entre Navegantes e Porto Belo, mostrando a importância que a vida noturna tem na região. Além disso, o club da Praia Brava não apostava em nomes consagrados da casa nesta data desde 2011, com o épico long set de Dubfire, o que significa que já estava na hora de outra desse porte, desta vez com o DJ argentino Hernan Cattaneo como convidado.
No verão de 2005 ele fez sua estreia no templo e durante o passar dos anos alternou entre carnavais, revéillons e páscoas, mas nos últimos 5 anos ele religiosamente se apresentou no club entre 28 e 29 de dezembro, período de férias que facilitava muito a vinda de turistas de toda América do Sul, argentinos principalmente. A realocação de Hernan, no entanto, não inibiu os hermanos, que fizeram grande número à frente da cabine para apreciar o aguardado long set do mestre. A composição do line-up é algo a se ressaltar, ter uma noite praticamente inteira dedicada a um artista já foi parte da identidade do club em tempos áureos, e hoje apenas ele é um dos poucos a ter o privilégio de dar o start à 1:00 em ponto e tocar até o amanhecer. O destaque dado na divulgação do evento a isto somado ao nome de Sharam Jey, que tem boa relevância em meio ao público mais novo do club, fez os lotes de ingressos girarem rapidamente, culminando no sold-out no sábado a tarde, dia da festa. A prova de que podemos voltar no tempo e ter noites mais enxutas de artistas já estava dada.
Para a abertura do Main Room novamente escalado foi o talentosíssimo DJ catarinense e integrante do núcleo detroitbr, Danee. Historicamente nomes como Leozinho e Daniel Kuhnen fizeram warm-ups elogiáveis para o argentino, porém ninguém conseguiu fazer uma leitura tão precisa como ele, do que é ideal para deixar a pista no ponto para o perfil de Hernan. Danee tem uma percepção de pista e uma qualidade técnica muito diferenciada, sendo provavelmente uma das melhores apostas do Brasil para o mundo nos próximos anos, seu set cadenciado com uma elaboração sistêmica fez a pista vibrar positivamente e já começar a viver o clima de uma noite ímpar.
Por volta de meia noite e vinte tive o prazer de bater um papo bem descontraído com Hernan em sua chegada à casa, no novo bar localizado atrás do banheiro masculino da parte inferior. Catta nos contou um pouco sobre como tem sido maravilhoso voltar a morar em Buenos Aires, e que não se importa em ter que pegar mais conexões aéreas para seus shows mundo afora, pois nas suas palavras, “família é tudo, filhos são a melhor coisa que pode acontecer na vida de um homem, por isso voltei”. Hernan também nós contou um pouco da magia do Burning Man e que sofreu uma torção no pé andando de bicicleta no deserto, fato que fez seu médico recomendar que não viajasse para a gig no Brasil. Como já era hora do show subimos à cabine e, como de costume, a recepção do publico foi muito quente. HC, mesmo mancando, não via a hora de tocar! Logo me juntei à enorme quantidade de amigos na pista e comecei a entrar no ritmo envolvente que foi se criando logo na primeira hora de set, um tom mais tribal e sério, que foi ganhando ritmo e abrindo espaço para os primeiros picos de euforia.
Falar sobre um artista que você admira e respeita tanto é mais difícil do que parece, isso quando ele sempre acha uma forma de te surpreender. Hernan Cattaneo é como um livro sem fim, se você começar a ler, de verdade, vai fazer isso pro resto da vida. É como se ele contasse a mesma história sempre de maneira diferente, você sabe o caminho que vai percorrer com ele, mas nem imagina todas maravilhas que vai encontrar durante o percurso. Neste ano ele contornou um pouco as melodias e a soturnidade tão comum em seu estilo e preferiu levar a pista por uma onda mais fria e anestesiante. Um dos destaques das duas primeiras horas foram as músicas “Virgo” de Alex Niggemann, com remix de Fur Coat, e “Walls” de Monkey Safari, com fantástico remix de Guy Gerber. Dali em diante, já com com o pitch no ponto, ele seguiu conduzindo todos com uma linha de baixo pesada e de groove delirante, fazendo a tão esperada “peneira na pista” Hernan moldou e jogou o que queria, são as famosas duas horas do meio do set em que a pista fica praticamente sem reação, tamanha intensidade que ele vai colocando as músicas, com viradas desconcertantes e forte carga de elementos aleatórios, que aparecem e somem sozinhos.
Certamente momentos de emoção também não faltaram, principalmente nas últimas duas horas, musicas como Chrysalism de Rodriguez Jr., Acamar de Frankey & Sandrino, e Lalitha de Sahar Z & Audio Junkies foram possivelmente os pontos mais simbióticos da noite. As escolhas finais no amanhecer dão sempre um tom de volta ao mundo real, e os destaques ficaram na ótima sequencia de All I Want de Bob Moses com remix desconhecido, virando para um classico de 1998 chamado Hale Bopp, de Der Dritte Raum, com versão remasterizada por Raumgleiter em 2013, e a escolha pro encerramento foi uma das melhores já vistas, Timing de Guy Gerber é reconhecível nos primeiros dois segundos por tamanha singularidade que tem, apontada por muitos como o maior clássico do club, já foi tocada por caras como Sven Vath, John Digweed, e o próprio Gerber. Só faltava encaixar no set de Hernan e o momento era esse, o público não se conteve e o canto de reverência “Ole, ole, ole, Hernan, Hernan” ecoou por toda estrutura do templo até se perder no mar. O maestro mais uma vez provou ter o espírito totalmente conectado com o Warung, e isso, nem os argentinos discordam.
Depois do sucesso absoluto da edição de 15 de agosto, realizada em Itajaí, o detroitbr labs parte para jornada dupla em setembro. A primeira parada é ainda perto de casa, em Itajaí, quando visitaremos o At Home para uma estreia memorável. A escalação começa com o warm up de Petrius D, que já exerceu essa função com louvor no detroitbr showcase realizado no Club Vibe ano passado, que contou também com Gromma, Pan-Pot e Kultra no line-up. Em seguida, é a vez do som envolvente e dançante de Danee, que recentemente fez apresentações emocionantes no grandes clubs da região, como nas noites de Hernán Cattaneo e maeve showcase no Warung Beach Club e na de Carl Craig no Terraza BC. Pra fechar com chave-de-ouro, Eduardo M e sua performance única com os tocadiscos, fazendo uma construção que mescla clássicos e novidades do techno.
No dia 18 a festa itinerante aporta em Curitiba para uma edição no Zeitgeist Club, porão obscuro localizado no centro histórico da cidade que poderia ser um belo cenário para o conceito de underground. Nesta noite o warm up fica por conta de Leo Andreazza, nosso mais novo integrante, que recentemente voltou à ativa e já fez belas apresentações em eventos internos, como no tv #003 realizado na semana passada. Em seguida, Danee confirma sua versatilidade e assume novamente a função de fazer a ponte para a terceira parte da festa, que contará com o techno pesado e hipnótico de Cheap Konduktor, que vem de um belo set realizado no último detroitbr labs.
Quando o primeiro line-up da noite de 22 de agosto foi divulgado não pude conter a criação de grandes expectativas: um dos meus maiores ídolos, Marcel Dettmann, seria o grande headliner do Inside, que contaria ainda com o warm up de um surpreendente b2b entre Boghosian e Ale Reis. Infelizmente agosto faz parte da alta temporada de festivais na Europa, o que fez com que Marcel cancelasse a data dias após a divulgação do material abaixo.
Após a perda do artista, Ale Reis também foi sacado do line-up, que contou apenas com Dimitri Nakov como reforço. No lançamento dos horários, Blond:ish assumiu a vaga principal do Inside e surpreendentemente Paulo ocupou a outra vaga “nobre” dos horários, deixando o aquecimento a cargo do francês. Conversando com o público presente pude perceber que muitos achavam que Dimitri deveria estar no segundo horário, mas após ver o resultado da noite podemos afirmar que a curadoria acertou nesta “inversão”. Quem conhece o trabalho de Nakov sabe: é um camaleão, e um excelente DJ. Nesta noite provou que warm up nem sempre é sinônimo de BPMs baixos. Com um set dinâmico, soube fazer uma construção bem elaborada, tendo momentos de intensidade, como também cadenciados. Podemos dizer também que Dimitri apresentou um profissionalismo de primeira, que mesmo com um set fora do habitual, soube respeitar o artista subsequente e ao mesmo tempo encantar quem o assistia.
Com a entrada de Paulo, o impacto veio em sua primeira música. Vocês sabem aquela sensação de que algo grande viria? O sentimento era esse. Já de início aplicava algo desconcertante, até então inédito para mim, pelo tempo que acompanho seu trabalho. Na sua primeira hora de set já era evidente o porquê de ele estar ali e, naquele horário, justificando tamanha confiança que o clube tem no Savage. Desta vez sua construção, normalmente bem equilibrada entre techno, tech house e house, foi focada no techno na maior parte do tempo, transitando por selos como Klockwork, de Ben Klock, tocando em um momento muito ímpar a track “Black Russian” de DVS1.
A vibração do público no momento era de emocionar, o que me fez refletir sobre o estágio de maturação do público relacionado à música. Mesmo sem o desejado Dettmann presente pudemos acompanhar um set com muita conexão com o universo que o alemão carregaria consigo, sendo executado por um brasileiro com a mesma maestria do mega-time que havia roubado a cena no começo do mês. Nesta noite o ponto era de Paulo, que fazia uma apresentação fantástica, acredito que um dos melhores que já o vi fazer. Artista de muita qualidade, saindo totalmente da sua zona de conforto, buscando algo inovador, o que esperamos de grandes apresentações. No final o público o aplaudia, como forma de reconhecimento pelo grande trabalho que foi apresentado.
Com a entrada de Blond:ish, houve um rompimento na história que estava sendo contata pela noite. Não necessariamente como algo pejorativo, mas descontextualizado com que Dimitri e Paulo apresentaram. As canadenses apresentaram bons momentos e outros aquém do que se espera de um artista que já encabeça bons EPs por selos como Kompakt e Get Physical. Infelizmente na pista elas não conseguiram surpreender ou sequer desenvolver uma linearidade para quem o assistia, era um set com boas referências, mas longe de ser algo próximo do que já havíamos assistido ali naquela noite. Religiosamente o término do evento aconteceu as 7h da manhã. A próxima noite do templo é com a lenda argentina Hernan Cattaneo, no feriado da independência, e o warm-up é por conta do nosso residente Danee.
O mês de agosto de 2015 sofreu um surpreeendente e injusto bullying esse ano, com diversos memes e piadas clamando pelo seu fim. A brincadeira era engraçada mas não fazia muito sentido para mim, dada a quantidade de acontecimentos importantes para o contexto em que estamos inseridos. Nos últimos dias vimos a consolidação de Curitiba como um grande pólo de cultura eletrônica, graças a diversos projetos e acontecimentos sediados na cidade.
Encontro Fnac de Música Eletrônica
Nos dias 19 e 20 de agosto a livraria Fnac, situada no ParkShoppingBarigui, sediou a décima edição do Encontro, idealizado e organizado pela Yellow DJ Academy. Pela terceira vez participamos da curadoria, que apresentou dois interessantes debates com figuras importantes e experientes da cena (um sobre crescimento sustentável e outro sobre os sucessos e desafios das novas empresas do meio), duas sessões de perguntas e respostas com alguns ídolos da atualidade (Click Box, Re Dupre e Groove Delight) e um workshop de apresentação da nova linha de sintetizadores modulares da Roland.
Tribaltech 2015
No dia 24 de agosto a Tribaltech divulgou seu line-up completo e entrou na reta final do evento, que acontece em menos de 45 dias e deverá se confirmar como um dos festivais mais ousados e conceituais do país. Entre os artistas confirmados, algumas lendas como Carl Craig, Derrick Carter e Claude Von Stroke, novidades interessantes como Cobblestone Jazz, Rodhad, Roman Flugel, Traumer e o live Hybrid, de Dubfire, além de diversos bons artistas, nacionais e internacionais. Neste ano a festa terá dois dias e um camping oficial, com estrutura de primeira e festas paralelas exclusivas, criando uma experiência imersiva até então inédita na cidade.
RMC Regional Sul
Nos dias 27 a 29 de agosto o Portão Cultural sediou a edição regional Sul do Rio Music Conference, que reuniu boa parte dos realizadores da música eletrônica de PR, SC e RS, proporcionando uma grande troca de experiências entre eles. Além disso, diversos painéis discutiram diferentes pontos dos bastidores, com o objetivo de profissionalizar e direcionar todos que possuam algum objetivo dentro deste mercado, e a AIMEC ministrou cinco workshops técnicos, voltados para DJs e produtores em início de carreira.
Sounds in da City
Já tem algum tempo que Curitiba apresenta bons eventos em espaços urbanos públicos, como praças e ruas. De música eletrônica no entanto, não muitos. Tivemos o carnaval da Vibe na Marechal Deodoro, que apesar de ter reunido mais de 30 mil pessoas teve um final tenso, e a Free Zone, coletivo que ocupa diferentes espaços há algum tempo, em proporções menores do que a citada anteriormente.
No dia 29 de agosto a ocupação do espaço urbano pela cultura eletrônica deu mais um importante passo: o Sounds in da City, núcleo que já fez dezenas de eventos em Florianópolis, realizou sua primeira edição na capital paranaense. A festa aconteceu no Largo da Ordem e se estendeu por todo o sábado, criando um clima de paz e diversão não tão típico no lugar, com pessoas de diversas tribos interagindo entre si.
Diz-se que não somos capazes de reconhecer uma revolução quando estamos no meio dela, pois ela só será caracterizada se mudar drasticamente os paradigmas de uma sociedade. De fato, não podemos afirmar com certeza, mas querem meu palpite? Estamos fazendo história e, pouco a pouco, melhorando o espectro cultural que ofereceremos aos nossos decendentes. Quem venham os próximos capítulos!
O clube noturno D-Edge representa uma das peças fundamentais da construção da cena da música eletrônica brasileira. Comemorando seus 15 anos de história, o clube que foi idealizado pelo empresário, DJ e produtor Renato Ratier é conhecido mundo afora pela mais diversa gama de artistas e produtores musicais, e seu design minimalista com painéis de LED do chão ao teto já serviu de referência para diversos outros clubes do mundo.
Em um momento de instabilidade econômica local, a curadoria artística se mantém fiel aos seus ideais e apresenta uma programação imponente. As comemorações de 15 anos do D-EDGE ganham o seu primeiro vídeo, com depoimentos de personagens da indústria que já fizeram e/ou ainda contribuem como parceiros para o clube, entre eles Ellen Alien, Pillowtalk, Fred P, Roman Fluegel, Cesare vs. Disorder.
O segundo semestre já apresentou diversos artistas de peso como a lenda do techno Derrick May e o frontman da maeve, Mano le Tough. A lista promete surpreender ainda mais até o final do ano. Confira abaixo.
Agosto
29 – Alex Niggemann 29 – Philogrezs aka. Phil Hinter Ensemble 29 – R&B (Deep Secrets, DC)
Setembro
10 – Barem 17 – Rick Maia 25 – CJ Jeff
Outubro
8 – Matthew Johnson 15 – Justin Martin 17 – Francesco Tristano + Gaturamo 22 – Kolombo 24 – Lawrence 24 – Vera 30 – Andhim
Em outubro Curitiba receberá nova edição do seu mais tradicional festival de música eletrônica: a Tribaltech. A temática da festa deste ano gira em torno do conceito de Evolução, o segundo capítulo da trilogia que teve o Renascimento ano passado e terá a Fuga (ou seria Libertação?) no ano que vem, no entanto, a história do núcleo mostra que evolução é uma constante em suas edições. Como frequentador assíduo que não perdeu uma sequer desde a minha primeira em 2007, decidi remontar os momentos deste festival que tanto contribuiu para a música em nosso país.
2004 a 2008 – Uma infância no trance
No começo da década passada Curitiba recebia suas primeiras open airs, como Big Fish, Union e XXXperience, rave paulista que era realizada localmente por dois grandes entusiastas da cena que estava nascendo: Jeje e Dudu Marcondes. Foi há 11 anos, em agosto de 2004, que eles deram vida à sua própria festa, intitulada Tribaltech, com a primeira edição realizada no Haras Bom Pastor, em São José dos Pinhais.
Nesta época o line-up era quase todo composto por artistas de psytrance e vertentes, como Bizarre Contact, Sub6 e Eskimo, mas a veia “tech” já existia e não era apenas no título: os italianos do Presslaboys se apresentaram no primeiro aniversário, em 2005, e Trentemoller era uma surpreendente atração de 2006, fato que infelizmente não se concretizou, pois o artista cancelou sua turnê brasileira na ocasião. Nestes primeiros anos também aconteceram edições em Londrina, Toledo e Florianópolis, o que com certeza contribuiu para que a marca se tornasse conhecida fora da grande Curitiba.
Foi a partir de 2007 que a TT começou a tomar ares de festival. Ao contrário dos primeiros anos, agora a festa era realizada exclusivamente em Curitiba, apenas uma vez por ano, o que possibilitou um crescimento considerável, tanto em público como em estrutura. Uma das principais novidades era o surgimento do palco alternativo, concebido para ampliar os horizontes artísticos e abrigar artistas de techno e house. O parque de diversões, que já havia se tornado uma das marcas registradas da festa, estava ainda maior. O sucesso foi tão grande que em 2008 a fórmula foi repetida, com a adição de um terceiro palco, separando o techno do house. Neste ano a Tribaltech recebeu uma de suas apresentações mais marcantes, que mudou a vida e os conceitos de muitos que estavam ali assistindo: o live 100% analógico de 300kg de Anthony Rother. Pela primeira vez aquele público tinha contato com a criação pura e grosseira, em tempo real, um verdadeiro live sem Ableton pré-montado.
2009 a 2010 – Uma adolescência multicult
Diante de todo o sucesso recente não só da TT, mas da cena eletrônica como um todo, em 2009 a T2 Eventos resolveu pular de bungie jump pra fora da zona de conforto e fazer uma aposta que mudaria completamente a cara do festival, além de ter sido a semente que garantiu a força do conceito que ela tem hoje. Com a adição de um quarto palco, 100% voltado para sonoridades orgânicas, e a expansão dos outros dois palcos alternativos, a Tribaltech se tornou um verdadeiro festival multicultural, abraçando diversas tribos e se destacando em meio a tantas raves iguais entre si. Nessa vibe multicultural que surgiram as intervenções durante a festa, os paineis de arte plástica e o Cinetech, ambiente no qual foi realizado uma mostra de cinema independente. Neste ano a cenografia também ganhou um upgrade, ao apresentar o Laser Beam Factory pela primeira vez no Brasil, espetáculo visual que viria a se tornar praxe na maioria das festas do gênero em seguida. O line-up também passou a ter mais peso, contando com apresentações memoráveis de Maetrik (atualmente Maceo Plex), Thomas Schumacher, Marc Romboy, Gui Boratto, Tigerskin e diversos outros.
Com mais um sucesso na conta, em 2010 foi dado mais um passo ousado: o trance, que até então habitava o main stage, agora teria seu próprio stage alternativo, enquanto o principal passou a ser ocupado por artistas de techno e tech house. Na época a organização fora apedrejada pela decisão, no entanto, a mesma foi copiada por todas as raves de origem semelhante Brasil afora, e hoje não há um fã de psytrance que abra mão do seu espaço próprio devidamente contextualizado. Além disso, esta festa também fora castigada pelo tempo frio e cheio de serração, o que acabou por inviabilizar o videomapping do palco principal, a grande novidade visual que seria apresentada. Somando isso a um line-up que em geral não agradou (à exceção de Green Velvet, Sascha Funke e boa parte do psytrance), a Tribaltech enfrentou sua primeira grande baixa.
2011 a 2012 – Tempo de se reinventar
Após o balde de água fria, ficou claro que deveria ser feita uma reavaliação dos últimos anos, para selecionar os pontos de sucesso e montar um formato sustentável. Isso era tão claro que em 2011 a temática multicult deu lugar ao Reuse, Repense, Reaja, mostrando outra grande característica do núcleo organizador: a transparência com o público. Apesar do formato enxuto, mais uma vez o tempo não permitiu que o sucesso acontecesse: uma chuva constante fez com que o Organic Beat e até mesmo o main stage (que havia voltado para o formato misto de psytrance e techno/house) ficassem “vazios” por diversos momentos. Nesta festa deu sorte quem ficou com a cobertura: o Black Tarj, que recuperaria o espaço principal no ano seguinte, e o Funk You, que conquistou bastante gente que estava tendo o seu primeiro contato com aquele tipo de sonoridades.
Foi em 2012, ano do fim do mundo, que a Tribaltech encarou o que iria ser sua última edição. Depois de muitos altos e alguns baixos, decidiu-se fazer a “melhor de todas as edições”, para sair de cena com a imagem que sempre se quis ter para o festival. O palco principal agora era definitivamente techno, com artistas que encabeçam festivais como Time Warp e Awakenings, o trance voltou a ter seu próprio palco, desta vez, com cenografia e decoração impressionantes, e o house passou a ser assinado pelo Club Vibe, que havia sido incorporado ao ecossistema T2 após reforma realizada alguns anos antes. Como as pessoas só dão valor ao que tem quando perdem, o The End se tornou a maior e mais elogiada Tribaltech da história.
Nesta festa tudo funcionou: o line-up equilibrado e a inspiração de Dubfire e Magda recriaram pela primeira vez o clima de um verdadeiro festival de techno; o pavilhão da Vibe conseguiu transpor o clima intimista do clubinho para as proporções de superclub; a cenografia, localização e contextualização do psytrance fez com que até os mais xiitas se sentissem à vontade no “mini-festival” ali montado; e o tempo ajudou de verdade, com um dia ensolarado e bonito.
2014 – Let’s Reborn
O sucesso do formato e a recepção do público foi tanta que o inevitável aconteceu: dois anos depois o festival estaria renascendo, com mais força do que nunca! A edição de 2014, intitulada Tribaltech Reborn, trouxe o melhor do festival de volta à vida, abrindo espaço para inúmeros novas tribos em nada menos do que 12 palcos, que iriam dos tradicionais techno, house e psytrance, até novidades como bass music e breaks. A ambientação atingiu níveis nunca antes alcançado por um festival brasileiro: a cidade temporária tinha diversos ambientes e detalhes a serem explorados, proporcionando uma verdadeira imersão para o reborner.
2015 – It’s Time For Evolution
O segundo capítulo da trilogia, a ser realizado neste ano, é mais um salto evolutivo no conceito, como foi em 2009 e 2014. A começar pela duração de dois dias, velho sonho da organização que finalmente está se concretizando. Para tanto, será fundada a Evolution Town, cidade temporária com camping, estrutura de primeira e festa exclusiva para moradores, projetada para receber pessoas dispostas a dar um passo adiante na imersão. Fora desta cidade a quantidade de palcos encolheu, no entanto, o line-up escalado é um dos melhores da América do Sul no ano, em termos de techno e house.
A grande aposta é naquele que garantiu uma manhã inesquecível em 2012: Dubfire, que desta vez, vem com seu live Hybrid, inédito no Brasil. No setor da aula de história, alguns mestres: o representante do house de Chicago, Derrick Carter; o chefão da Dirtybirdz, Claude Von Stroke; e a lenda do techno de Detroit, Carl Craig, que já realizou duas obras-primas no Terraza no começo deste ano e deve ser um dos destaques do festival. A ala europeia também está muito bem representada: a experiência de Roman Flugel; o set mais dinâmico que muito live do frontman da CLR, Chris Liebing; o ascendente e inédito Rødhåd; a aposta em Traumer; a volta de Ellen Allien, um dos cancelamentos de 2014 (ainda acreditamos em um Rother triunfal em 2016 🙂 ).
Quem procura lives mais complexos e bem trabalhados também terá um prato cheio: um dos grandes nomes de 2014, Mathew Jonson, retorna para duas apreentações: a sua individual e da banda Cobblestone Jazz, que apresenta uma mistura de jazz com techno utilizando diversos instrumentos analógicos e uma expressão ao vivo impressionante. Não tão analógico mas de grande valor também é o live de Stimming, que já garantiu grandes noites no Warung e não deve fazer diverente na Tribaltech. Na ala mais freak agitada dos lives teremos o dOP, que já é um clássico da TT e também tem um cancelamento em a ver com o público.
Com essa verdadeira seleção mundial escalada, o Brasil não poderia ficar mal representado. Por isso, foram escalados bravos guerreiros que lutam para manter acesa a chama da arte num país tomado pela repetição. Stekke, Renato Cohen, Aninha, Boghosian, Eli Iwasa, Gromma, Renato Ratier, Albuquerque são apenas alguns dos representantes do time verde-e-amarelo, que contará tambem com o residente do detroitbr Kultra. As raízes psicodélicas também foram respeitadas: confesso que atualmente pouco conheço deste universo, mas sei que Merkaba, Shadow FX & Tetrameth, Loud, Avalon e Tristán são artistas de muito respeito, sem contar os grandes realizadores da cena nacional, como The First Stone, Circuit Breakers, Fábio Leal e Element, que além de ótimo DJ é o responsável pela curadoria do Vuuv Stage.
E com tantas novidades, fica a pergunta: e aquele pessoal que sempre pede mais do mesmo? São volumosos e importantes para fechar o equilíbrio da festa, portanto, foram atendidos. Boris Brejcha, Alok, Kanio, Vintage Culture, Volkoder são alguns dos nomes de destaque que deverão atrair multidões para a festa – nada que uma boa curadoria de horários não resolva. Eu provavelmente fui injusto e deixei de destacar outros nomes merecedores, mas daqui pra frente deixo a lista completa livre para o julgamento de cada um:
Como pudemos ver, a Tribaltech é mais do que um simples festival arriscando um line-up ousado. A Tribaltech é o mais vistoso fruto do crescimento orgânico da árvore da cena eletrônica do sul do país. Ela, assim como nós, passou por erros, acertos, metamorfoses e revelações no longo trajeto trilhado até aqui, e sabe que este ainda não é o topo da linha evolutiva. Dizer que “é hora da evolução” parece redundante após conhecer toda essa história, mas é um grito necessário para que compreendamos a importância do momento vivido e depositemos nossa confiança do fundo da alma, com a certeza de que os dias 10 e 11 de outubro de 2015 serão dias para guardar na memória como marcos em nossas vidas. Eu farei parte dessa história, e vocês?
O dia 1º de agosto simbolizou o bom momento que vive a cena artística nacional. Este processo vem acontecendo silenciosamente há anos e vem ganhando adeptos a cada dia e a cada lugar do Brasil que passa. Os brasileiros estão cada vez mais se profissionalizando, dentro de seus ideais, conquistando o público e quebrando a adoração, muitas vezes cega, pelos nomes estrangeiros. Esse meio vem sendo explorado de forma inteligente pelo D-Edge e pelo Warung há algum tempo, a exemplo disso podemos citar os lines-ups nacionais do Warung Day Festival e do aniversário do D-Edge, porém, ambos fora do estado de Santa Catarina. O que tínhamos por aqui nesse ideal é a eventual festa dos Savages, contando com o excelente time de residentes da casa. Para ampliar o leque de opções, o showcase do D-edge caiu como uma luva no cronograma do clube. Toda essa introdução serve para explicar porque valeu a pena estar dentro do clube às 10 horas da noite.
Assim que a festa começou, nos dirigimos para o Inside, aonde nosso residente Doriva Rozek seria o primeiro a se apresentar. Pelo fato de trabalharmos diretamente juntos e de sermos grandes amigos, eu tinha uma expectativa pessoal em sua apresentação. Nos dias que antecederam a festa ele comentou comigo que estava nervoso, ansioso para que a data chegasse. Seu preparo foi intenso, muitas horas de pesquisa, para que o resultado final fosse excelente. E quando acompanha-se isso é que se torna ainda mais gratificante ver o artista te surpreender! O que Doriva apresentou foi um set daqueles para guardar na memória. Logo na abertura já devia haver cerca de 200 pessoas ali o prestigiando. Uma hora depois a pista já estava cheia, vendo-o fazer uma de suas construções emblemáticas. Para quem costumar ler meus reviews sabe que adoro citar momentos chaves, mas nesse caso, o momento foi o todo, algo totalmente novo, uma experiência incrível.
Ao final da apresentação de Doriva, que era aclamado pelos presentes, o duo Stekke, formado por Ale Reis e Renee Mussi, se preparava para o que seria o inicio de um novo capítulo, diante de toda história que a festa prometia. Já com os discos girando, pudemos perceber várias novidades, um repertório vasto e com uma qualidade musical absurda, com momentos ora dançantes, ora reflexivos, fazendo com que os presentes refletissem sobre a arte que era apresentada. Além do belo set, o profissionalismo apresentado pelo duo foi outra de suas nobres características: próximo ao fim da apresentação o set complexo fora desconstruído, respeitando o contexto geral pretendido pela curadoria e finalizando com uma linha apropriada para que Willian Kraupp fizesse a melhor estréia possível. Na pista poucos percebem este tipo de situação, tanto que o próprio Ale me explicou em uma conversa de bastidores: algumas ações muitas vezes fogem da compreensão de quem está na pista.
Com o clima mais morno que Stekke entregou, Wilian bateu pro gol e correu pro abraço: a pista explodiu já em sua primeira track! Pude assistir seu inicio e ver o público em uma ótima vibe, muitos nitidamente orgulhosos pelo seu momento, afinal, é raro um artista local conseguir tal destaque no Warung. No entanto, por uma questão de afinidade musical, optei por me deslocar ao Garden, para ver Gromma. Depois dos reviews que fiz para a noite com Mind Against, no templo, e com Makam, no Terraza, a palavra “surpreendente” pode soar repetitiva nesse review, mas de fato o curitibano se reinventa a cada noite. Desta vez ele estava com enfoque mais voltado para o house, mas sempre mantendo o respeito ao que o headliner Amirali apresentaria a seguir. Ainda assim, a cada virada, o público aplaudia e vibrava com o DJ. Ao fim do set o garden estava em êxtase, na medida certa para a atração principal.
Amirali começou apresentando um live bem estruturado, apesar de sua sonoridade não ser minha praia pude perceber que o artista possuía qualidade. O assisti por algum tempo, mas sem a mesma empolgação dos artistas anteriores. Comecei a pensar: “Vai ser uma noite verde e amarela”! Subseqüente a isso me desloquei para o Inside, para ver o que o outro gringo estava apresentando. Ao contrário do Garden, a pista ali estava transbordando energia, característica marcante do som de Gaiser. O problema é que, depois de vê-lo pela quarta fez, percebemos claramente como seu live é repetitivo: o mesmo padrão do começo ao fim, mudando apenas o repertório. Depois de cerca de 30 minutos sua apresentação já era maçante, sem muita dinâmica. Nesse momento tive certeza: a noite de fato era verde e amarela, só faltava o líder do D-Edge Renato Ratier levantar o troféu.
Já assisti diversas apresentações dele, e essa sem dúvidas foi a melhor de todas. Seu set foi dinâmico, passeando por linhas de techno conceituais e dançantes. Comentei com alguns amigos que estava muito feliz por aquele momento e por tudo que aquela noite nos proporcionou. Falamos sobre o significado daquele momento, com tantos artistas brasileiros se destacando e se mostrando tão bons quanto ou até melhores que os estrangeiros, com o “chefe” colocando a cereja do bolo naquela manhã. Com uma pequena esticadinha além do tradicional, o evento teve seu encerramento às 7h30min. Era o fim de uma linda história na qual cada artista foi responsável por um capitulo, cumprindo seu papel e emocionando os presentes, transitando por vários gostos musicais, livre de rótulos.