Ellen Allien protagoniza mais uma das belas noites frias do templo

No dia 5 de junho visitamos o Warung Beach Club para mais uma daquelas noites divertidas e aconchegantes de baixa-temporada, que possuem line-ups menos comerciais e não atingem os níveis desconfortáveis de lotação comuns no verão. Nessa data em específico optamos por chegar bem cedo, afinal, era Stekke quem iria iniciar os trabalhos no Inside.

Chegamos na casa pouco antes das 23:00 e tivemos o prazer de descobrir que a festa ainda não tinha começado. A noite marcava a estreia do live de Ale Reis e Renee, que estavam terminando de montar o setup e logo deram início à noite, mas ainda no modo dj set, fazendo warm up para si mesmos. Este posso dizer que foi um momento único para mim como frequentador do club: por uma hora ouvi ali tracks que jamais imaginei ouvir no Main Room do templo. Certamente não era o que a maioria das pessoas estava esperando encontrar ao chegar na balada, tanto que nesse momento o Garden era o destino preferencial das pessoas, com Adnan Sharif nos decks. No entanto as coisas mudariam com a entrada da madrugada: era exatamente meia-noite quando a sensação causada pelo primeiro timbre analógico no sound system do Inside deixava claro o início do live act da dupla.

Nos 90 minutos que se seguiram o que vimos foi uma construção de pista sem igual. A quantidade de hardware levado ao palco possibilitava uma infinidade de sons diferentes, mas poucos elementos eram usados simultaneamente, tornando a construção minimalista e nem um pouco repetitiva. A energia foi crescente, tanto da música como da pista, e nos minutos finais já era possível ver o público desconcertado com alguns bons momentos criados. Foi uma satisfação ver um projeto brasileiro em tal nível técnico, é o tipo de situação que renova a nossa esperança na cena nacional.

Já era passado de 1:30 da manhã quando a pista foi entregue de bandeja para Renato Ratier, residente e proprietário do club. O savage demonstrou estar em sintonia com a proposta da noite, apresentando uma boa seleção musical, com picos de energia bem dosados, em acordo com o horário e satisfazendo o público, ansioso para assistir o Rei Raww tocar. Quando os relógios marcavam 2:30 decidimos visitar o Garden, para ver o que Pillowtalk estava fazendo, e rapidamente nos arrependemos. Tecnicamente é um live muito bom, tenho profundo respeito por pessoas que tem cara e coragem de se apresentar como banda no mundo da música eletrônica, mas a sonoridade em si é algo que não passa pelo meu filtro do gosto pessoal. Apesar do excesso de vocais e da levada mega-feliz estarem tentando nos expulsar de lá, acabamos ficando um tempo lá conversando com alguns amigos. Tempo suficiente para o live acabar e a história mudar da água para o vinho com o início do dj set deles: com uma seleção de músicas mais condizentes com a pista e uma técnica muito boa, mantiveram-me preso ao jardim até o fim da apresentação, às 4:30.

O próximo ali era Leozinho, mas corri para o Inside, e me deparei com uma Ellen Allien atropelando a pista! Eu já havia visto ela tocar no Some Festival de 2012 e tinha uma boa expectativa, mas ali no Warung ela realmente se sentiu em casa. A sonoridade do seu set era pesada e envolvente, muitos não absorveram e deixaram a pista, mas os que ficaram pareciam estar em transe. Apenas quando o dia amanheceu que a tensão foi aliviada: na última hora de festa a alemã fez um b2b com Ratier, no qual apresentaram uma linha mais dançante e menos sinistra.

Ao término da festa, perto das 7:30, a sensação era de missão cumprida. Uma noite com vários momentos musicais diferentes e com a atmosfera que consagrou o club como templo. Que venha o inverno 🙂