Assim que o evento foi lançado, o detroitbr se preparou para essa ocasião, pois Makam era a melhor atração confirmada na casa desde a vinda de Carl Craig, no carnaval. O dia 26 finalmente chegou e pegamos a estrada cedo, pois a noite já começaria com Gromma, DJ curitibano que tem feito apresentações excelentes e tem se destacado na cena nacional.
Ao longo de seu set podemos notar seu nível de pesquisa altíssimo e coeso, junto à uma construção impecável. Ele conseguiu transitar entre o techno e house, o old school e o novo, com bons momentos formados por clássicos como Mystical Rhythm. Vimos ali o que se espera de um DJ: que faça leitura da noite, da pista, do contexto em que está inserido, resultando em uma boa apresentação.
Outro fator que contou positivamente a ele é a semelhança entre o seu som e o do headliner da noite. Esse link entre os artistas da noite é muito importante na construção de uma boa experiência para quem vai curtir, que infelizmente foi quebrado pela atração escalada para fazer o warm up direto para Makam: Elefantkz. O duo atuou dentro da sua perspectiva de trabalho: som totalmente pop, guiado pelo hit She Knows, que inclusive foi tocado duas vezes. Visivelmente esse não era o line-up para eles e por se tratar de um live, não havia muito a se fazer para evitar o choque de realidade. Eu comentei com uns amigos que gostaria que estivéssemos no filme Click, para usar o controle mágico de Adam Sandler para acelerar a festa até a entrada de Makam.
Entendo que o clube precise de atrações mais comerciais para garantir o retorno financeiro, ainda mais sabendo do momento econômico ruim que o Brasil passa, mas infelizmente o fator artístico sofreu uma pequena ruptura, que diante da noite como um todo, foi apenas um contratempo. Os relógios passavam das 4h quando Makam finalmente assumiu, e fui completamente surpreendido pelo que ele apresentou – positivamente. Quando se pensa no artista logo nos vem na cabeça selos como Sushitech/Ostgut, sonoridades mais voltadas para dub techno, porém ele demonstrou ter características as quais eu não conhecia.
Já de cara ele nos presenteou com seu remix de Set it Off, dando início à aula que aconteceria nas horas seguintes. Durante as duas primeiras horas sua sonoridade foi voltada para um techno mais obscuro, fechado, introspectivo e hipnotizante, com o público em suas mãos. Com o amanhecer sua história apresentou um novo capítulo, buscando sonoridades dentro do seu habitual: uma interação entre house, techno e dubtechno, passando por clássicos como Groove lá Chord, apresentando muitas vezes influências de sons latinos, jazz, músicas das mais variadas formas, o tornando ainda mais gigante, um verdadeiro conhecedor de música geral. No final do seu set, a casa ainda estava cheia, com um público totalmente emocionado com o que ele estava fazendo. O término do evento ocorreu quando os relógios passavam das 8h, nos deixando na expectativa por novas datas como essas. Artistas como Makam, daqueles que não se deve perder.
Fotos: Tiago Ribeiro/Terraza.