A Pedreira Paulo Leminski é um dos mais tradicionais centros de eventos de Curitiba. Ao longo da sua história recebeu shows muito importantes para a cena musical da cidade, como AC/DC, Paul McCartney, Pearl Jam, além de eventos de outros estilos musicais, como festivais de reggae e até mesmo uma edição do Creamfields, em 2004. Entre 2008 e 2013, no entanto, ela esteve fechada, por conta de uma ação judicial movida pelos vizinhos. Foi apenas no ano passado que retomou as atividades, contemplando a música eletrônica ao abrigar o Warung Day Festival, que teve sua primeira edição realizada em maio.
O festival foi um sucesso: o ambiente “natureza em meio à cidade” remeteu bastante ao clima do templo, o line-up agradou a diversos gostos sem perder a característica da casa e outros detalhes você pode conferir no review que fiz para o Psicodelia.org. Tanto foi que o evento cresceu um palco, e abrigará quase 40 DJs em seu line-up. Os destaques ficam por conta de Sasha, que surpreendeu no último aniversário do Warung, Seth Troxler, uma das estrelas do carnaval, Marc Houle e Troy Pierce, em um revival parcial do showcase da Items & Things, além das novidades Agoria e The Martinez Brothers. Além deles, vale citar também a escalação de Nastia para encerrar o Pedreira Stage, algo que os fãs estão aguardando desde que ela não pôde se apresentar no palco principal da Tribaltech.
A ala nacional do line-up também está repleta de destaques: o live de Gaturamo é uma das melhores novidades que a cena techno nos trouxe recentemente, além dos sempre bem construídos sets de Stekke, Ney Faustini, Gromma, e do time de residentes do templo, que agrega grandes talentos como Aninha e Boghosian. Algumas sonoridades mais comerciais também se fazem presente, como Kolombo e Vintage Culture, que deverão agradar a outra parcela do público que se fará presente.
O festival acontece no próximo dia 21, sábado, com início marcado pras 11:00 da manhã. Os ingressos estão a venda pelo Alo Ingressos e pelo Blueticket, e existe um serviço de transporte oficial atendendo Curitiba e diversas cidades de Santa Catarina, prestado pela Transpassaporte.
A escola e academia de DJs de Curitiba continua seu projeto de levar a cultura eletrônica ao interior do Paraná, desta vez em parceria com o núcleo GM2, de Ponta Grossa. O Encontro Yellow de Cultura Eletrônica não é o primeiro evento do tipo: no histórico recente podemos citar a CON.C.E.P.T, realizada pela Culture, em Londrina, e a Music On Conference, realizado pela 4beat, em Maringá. Este no entanto é o primeiro a ser batizado com o nome que deverá percorrer outras cidades no futuro breve, com o objetivo de reunir profissionais e fortalecer a cena eletrônica, principalmente fora dos grandes centros.
A programação conta com workshops e debates com convidados de todo o estado e de São Paulo, além do workshop de demonstração da Linha AIRA da Roland, um dos lançamentos mais quentes do ano passado em matéria de live e produção musical. Após o evento será realizada a tradicional festa oficial de encerramento, que terá entrada franca para os inscritos no encontro, mas será aberta ao público geral pelos preços normais da casa. Confira abaixo a programação completa, bem como o link para a ficha de inscrição.
PROGRAMAÇÃO
12:00: Abertura do credenciamento
Apresentação: DJ Trevor Krounn
13:00 Painel “Entenda o KUVO, da Pioneer”
14:00 Mesa Redonda “Como gerar crescimento sustentável dentro da indústria musical eletrônica”
No último carnaval o grupo Terraza Music Park trouxe para o sul do país uma das maiores lendas do techno. O primeiro e o último dia do carnaval, em Florianópolis e Balneário Camboriú, foram comandados por Carl Craig, detroitiano com quase 30 anos de história. Seus sets foram recheados de referências históricas, para ouvir cada música que citamos basta clicar na primeira vez que o nome dela aprece no review 😉
Florianópolis
O carnaval começou e as condições climáticas não inspiravam empolgação. Uma chuva intensa castigou o litoral catarinense durante toda a noite, bloqueando estradas e atrasando o início da festa em 2 horas. Era passado de meia-noite quando entramos para conferir o warm up que o residente Ricardo Lin estava fazendo. Diante de toda a situação, a sua história teve que ser encurtada, e ele já apresentava uma sonoridade mais dançante. Em seu repertório, um pequeno presságio do que viria: Knights of the Jaguar (Underground Ressistance), clássico do techno.
Seguindo com a noite, era a vez de Mau Mau. O brasileiro apresentou um som dinâmico e muito dançante, a pista pegava fogo enquanto ele tocava. Em seguida foi a vez de Renato Cohen, que como de costume, soube assumir muito bem a pista deixada pelo colega. Seu set foi mais puxado para o techno e tech house, com bastante valorização para sonoridades mais old school. Enquanto ele tocava vimos um dos momentos mais divertidos da festa, quando Mau Mau curtia na pista, junto com o público.
Era passado das 5 da manhã quando a grande atração da noite subiu à cabine. Ao ver Carl Craig tocar, a primeira coisa que se nota é a sua postura, extremamente séria e concentrada. Cada movimento dele em direção a um knob ou fader parece milimetricamente calculado, assim como seus atos dentro do set, executado em 4 decks, mesclando tracks e samples de maneira impecável. No seu repertório, uma verdadeira aula de história da música e da arte. O seu primeiro momento marcante foi ainda durante a noite, quando sorrateiramente inseriu Also Sprach Zarathustra (o tema de 2001: Uma Odisseia no Espaço) no set, devolvendo o groove para o pista logo em seguida com o seu próprio remix para Use Me Again, de Tom Trago.
Esta primeira parte da apresentação foi predominantemente dançante, tendo até música do Maceo Plex sendo tocada de uma forma surpreendente. Com o amanhecer clássicos como Behind The Wheel (Depeche Mode), J.A.N. (Moodymann) e Knights of the Jaguar (The Aztec Mystic) em versão remixada sem batida davam a impressão de que o set iria acabar, mas quem conhece o Terraza de Florianópolis sabia que a festa iria longe ainda.
E foi a partir daí que o set atingiu níveis de genialidade que somente um artista com a bagagem de Craig poderia proporcionar. A primeira grande bomba foi Lovely Day, um soul dos anos 70 que deixou a pista sem entender nada, mas empolgada e dançando, principalmente diante dos primeiros sorrisos e gestos mais soltos do maestro da noite. Quando a música acabou, muitos aplausos, interrompidos pela famosíssima melodia de Seven Nation Army, do White Stripes. Desta vez a perplexidade do público foi tanta que Carl pegou o microfone pela primeira e única vez na noite e justificou em apenas uma frase: “Vocês talvez não saibam disso, mas esta é uma genuína música de Detroit”.
Nos minutos que se seguiram, pode-se ouvir não um dos milhares de remixes fanfarrões que esta pobre track possui, mas sim um simples edit, bastante fiel à versão original, mas com um final mais energético, que foi a ponte perfeita para que ele voltasse para a tradicional batida reta 4×4 a ~120 bpm, e prosseguisse com a segunda parte do seu set. Deste momento em diante, o clima era outro, ainda mais intenso. A pista estava completamente entregue, nas mãos de um Carl Craig sorridente e nitidamente feliz por estar tocando ali. Ainda houve tempo para outros picos, como quando o remix dele mesmo para Your Love Will Set You Free, de Caribou, foi tocado, ou no finalzinho, quando o remix de Ricardo Villalobos para Everywhere You Go emocionou cada um dos presentes.
Era quase 8:30 da manhã quando a festa acabou. Sem fôlego e com a alma lavada, toda a legião detroiter saiu do Terraza satisfeita por ter presenciado um dos melhores sets do estilo já apresentados no país, e triste por saber que ainda era o segundo dia de carnaval e dificilmente outra coisa nos surpreenderia novamente.
Balneário Camboriú
Depois de quatro dias de muita música e diversão, ainda havia uma reserva de energias para acompanhar o ídolo em sua segunda gig na região, no Terraza BC. Infelizmente o costumeiro recesso da quarta-feira de cinzas não aconteceu neste ano, fazendo com que a festa tivesse um público reduzido (o que pelo menos garantiu uma pista menos apertada e mais interessada). A festa começou com Antonela Giampietro, e a residente da casa mais uma vez mostrou que warm up não é a sua praia. Seu set foi dançante e construído com boas tracks, mas inadequado para o horário. Pontualmente as 2 da manhã nosso residente Danee assumiu a pista, e começou a história novamente do zero.
Preparar a pista para um grande artista é uma das especialidades de Daniel, que já executou este trabalho com louvor para artistas como Hernán Cattaneo e Troy Pierce no Warung. Para esta festa no entanto, houve uma preparação especial. Carl Craig é uma de suas maiores referências na música, tocar antes do ídolo era uma tarefa na qual ele não poderia dar menos que seu máximo. E o resultado foi digno de todo o esforço: conquistou a pista em poucos minutos e com uma construção progressiva e cadenciada, sem hits ou tracks coringa, conduziu a pista para o estado de espírito adequado para receber a obra que viria a seguir. Pontualmente às 4 horas da manhã o americano já estava no palco, e assumiu o posto sob fortes aplausos do público.
Bem, para quem estava em Florianópolis é claro que a emoção não foi tão grande – o que não significa que o set pecou em qualidade. A construção foi diferente: em BC Craig explorou menos clássicos e hits, e apresentou uma sonoridade mais housada. No entanto a hipnose da pista era semelhante à de quatro dias antes, e alguns momentos chave foram repetidos, como o tema de 2001, Conjure Superstar e Depeche Mode. Uma das novidades desse set é que Knights of the Jaguar não foi tocada, mas o seu papel foi desempenhado por outro clássico: um remix desconhecido para Black Water, do Octave One com vocais de Ann Saunderson. Outra novidade é que aqui, infelizmente, o climax do set marcou mesmo o seu fim: a track Lovely Day foi tocada poucos minutos antes da festa acabar, mas não sem antes dar brecha para momentos de deixar a pista com cara de espanto, como com um dubstep de deixar qualquer Skrillex no chinelo.
Neste momento já era quarta-feira, e ao sair do Terraza BC custávamos a acreditar que o carnaval havia acabado. A satisfação era imensa, pois estas duas memoráveis apresentações de uma lenda detroitiana coroaram um feriado marcante para cada detroiter que reside na região.
Um dos momentos mais aguardados pelos consumidores de música eletrônica no Brasil com certeza é o carnaval. Durante os dias de folia o país todo recebe artistas internacionais de peso, e o litoral catarinense é um dos principais destinos deles. O Warung em sua primeira noite iria receber o lendário Pete Tong, o criador do aclamado Essential Mix era uma novidade aguardada com ansiedade no Brasil. Infelizmente por motivos pessoais o britânico cancelou seu tour pelo país e, para substituí-lo, a curadoria do club trouxe um velho conhecido das cabines: H.O.S.H.
A previsão do tempo era de chuva e inevitavelmente a mesma se fez presente durante horas, mas o mau tempo não afugentou os frequentadores da casa. Fabo foi quem iniciou os trabalhos na pista principal, transitando entre deep house e tech house o curitibano se manteve dentro de sua linha de conforto e deixou o público pronto para a estreia do duo Andhim. Ao mesmo tempo, o Garden era aquecido por Conti e Mandy que com carisma fizeram uma boa apresentação.
Tobias e Simon são os integrantes da dupla Andhim, que recentemente lançou boas tracks pelo selo Get Physical Music. Mostrando seriedade e perspicácia superaram as expectativas e demonstraram que podem ser uma boa opção no line-up. Enquanto o Inside era trabalhado pelas mãos deles, André Marques era quem se apresentava no Garden. Em uma rápida passagem por lá fui presenteado com a música Ghetto Kraviz, o que mostra que o ex-mocotó anda fazendo a lição de casa.
Pontualmente às 3:30 da madrugada H.O.S.H assumiu a pick up do antigo main room. Autor de tracks e remixes conhecidos como Keep Control e We Do It, deixou claro o que já é notável recentemente nos sets dos integrantes da Diynamic: o techno é a bola da vez. Revelando inovação e criatividade na escolha de suas músicas, algumas vezes transitou por ritmos melódicos e modestos, em outras preferiu arriscar e acertar em arranjos com tribais latinos. Lamentavelmente seu set foi marcado pelo famoso hino que insulta um dos clubs concorrentes, que possui foco em música eletrônica comercial. Uma certa infantilidade e falta de respeito por parte de alguns frequentadores para com a pessoa que está no palco tentando apresentar sua arte. Esbanjando simpatia e sorrisos Holger Behn encerrou sua performance às 7 da manhã, declarando assim aberta a folia no templo.
Sábado 14/02, por Mohamad Hajar
O sábado era uma das noites mais aguardadas do carnaval, principalmente pela vinda de Loco Dice, artista para o qual rolou até campanha do grupo Fiel Ao Templo pedindo sua volta ao club. Tendo isso em vista e também o fato de que era a noite que mais me criou expectativas no pré-evento, elegi ela para ser a minha visita ao templo durante o feriado.
Ainda no caminho pude constatar que uma das melhores novidades que têm acontecido são as blitzes em Cabeçudas. Em poucos minutos você apresenta a documentação e segue rumo para uma Praia Brava sem todo aquele caos que sempre foi um ponto negativo das idas ao Warung, fato que se refletiu também na quase ausência de fila para entrar. Uma vez dentro do club nos apressamos para seguir para o Inside, pois Aninha fazia o aquecimento naquela pista. A DJ estava vestindo um imponente cocar indígena, contextualizando-se tanto com o feriado em questão como com a temática dos residentes da casa. Os fãs do Loco talvez me apedrejarão, mas ela se confirmou como minha savage favorita fazendo o melhor set da noite.
Com a mesma mestria da noite do Bonobo mas explorando sonoridades diferentes, devido aos artistas que se seguiriam, Aninha mostrou que entende da arte do warm up, e hipnotizou a pista por todo sua apresentação. Em seguida quem subiu ao stage (que agora está mais alto) foi Bella Sarris, estreante da noite. Eu estava com expectativas neutras para sua apresentação e foi exatamente esse o papel que ela teve na minha noite. O set era muito bem construído e apresentava bons momentos de criatividade, mas infelizmente ela acabou ofuscada pela energia da brasileira que abriu a pista.
Houveram também dois fatos negativos que influenciaram neste momento: a super-lotação, que havia tempos que eu não presenciava, infelizmente se mostrava presente, bem como o novo sistema de iluminação, que estava muito forte, cegando o público nas diversas vezes que um canhão acertava os olhos em cheio. Pouco antes de Bella encerrar fomos para o andar de baixo tomar um ar e se deparar com outra novidade negativa: a loja de souvenirs eliminou um dos poucos pontos de descanso que o club oferecia, ao lado da temakeria. Recuperamos energia por um tempo e mergulhamos no Inside novamente, com Loco Dice já no stage.
E aí infelizmente passei por um momento que me lembrou o Richie Hawtin do carnaval de 2012: um ótimo set, com uma boa construção e seleção de tracks, mas impossível de se apreciar com conforto, devido ao excesso de pessoas no ambiente. Encaramos o desafio até o fim, mas depois de muito tempo optei por deixar o club antes do término da festa, por já não restar mais ânimo para continuar no caos. No fim, uma noite divertida e satisfatória musicalmente, mas infelizmente sem uma boa lembrança devido a todo o perrengue que é encarar um Warung super-lotado.
Segunda-feira 16/02, por Eduardo Roslindo
O último dia de carnaval no Warung Beach Club foi muito bom musicalmente, marcado por grandes apresentações de Stekke e Seth Troxler.
Iniciando a noite o duo brasileiro Stekke, formado pelo savage Ale Reis e por Renee, desenvolveu uma das apresentações mais interessantes do carnaval. Quem chegou cedo pôde presenciar um set muito bem construído, transitando entre Efdemin, Delta Funktionen, Roman Fluguel, The Persuader, entre outros artistas. Um dos pontos positivos da apresentação deles foi o fato da pista ainda não estar super-lotada, foi possível se divertir frente ao palco com tranqüilidade.
Conforme o set chegava ao fim, eu me perguntava: o que o aniversariante da noite havia preparado para tal ocasião? Prestigiei os primeiros 30 minutos de Renato Ratier, e posso dizer que dentro do que estou acostumado a vê-lo tocar foi muito bem, um set digno da pista e do momento, mas sem a genialidade do duo que abriu a pista horas antes. Na busca por novas sonoridades, fui assistir Jackmaster, um dos estreantes da noite. Infelizmente ele não foi coerente com a atração que viria posteriormente, apresentando um som maçante e sem criatividade, mesclando house e tech-house sem nenhuma história, trocando apenas uma música por outra.
Quando os relógios marcavam 3:00 cada palco receberia a sua estrela da noite: Marco Carola no Inside e Seth Troxler no Garden. Devido à infame super-lotação no clube, comecei a jornada na pista de baixo. Infelizmente este problema tem afetado a bela experiência que sempre foi ir ao Warung. Vendas exageradas de ingressos, grandes tumultos de pessoas, reclamações por roubos… Diante desses fatos se divertir se tornou uma tarefa ainda mais difícil, sem conforto e a constantemente alerta aos pertences pessoais. Em um espaço próximo a fim da pista pude acompanhar Troxler fazer uma de suas melhores apresentações no clube. O americano se inovou fazendo um belo set com CDJ e tocadiscos, transitando entre vários clássicos, como por Paul Johnson,Carl Craig, Green Velvet, entre outros. Foi do house ao techno com maestria, inclusive tocou música brasileira de uma forma objetiva e contextualizada com a sua apresentação. Além de confirmar seu talento, Seth provou sua fama de ser carismático. Antes de sua apresentação demonstrou simplicidade caminhando pelo club, cumprimentado as pessoas, dando atenção, tirando fotos.
Seguindo com a noite, aproximadamente 5:00 voltei para o antigo Main Room, para acompanhar uma das atraçòes mais esperadas do carnaval pela grande massa que freqüenta o clube. Apesar de ter pego a apresentação pela metade, pude constatar que Marco Carola fazia set muito bem construído, fato dificilmente constatado entre artistas de tech house, devido à dificuldade de prender uma pista por tanto tempo. A prova disso é que a pista estava nas suas mãos, o público presente interagia bastante e há claramente uma fidelidade a ele, semelhante a que Hernán Cattaneo possui. Entre as boas tracks tocadas por Marco, ressalto minha surpresa ao ouvir um sample de Under Pressure da lendária banda Queen, de uma maneira condizente ao set.
Sua apresentação terminou as 7h00min, como fielmente o clube tem fechado seus eventos, encerrando assim o carnaval 2015 do templo.
Muitas pessoas criticam o carnaval por simplesmente não gostarem das músicas que se tornaram tradicionais nele aqui no Brasil. No entanto, já fazem alguns anos que o estado de Santa Catarina oferece opções boas e suficientes para nem lembrarmos que samba e axé existem, cobrindo cada vez mais estilos musicais. Confira abaixo algumas que reunimos para ajudar a sua programação neste ano:
Solariom Festival
Há quase uma década Santa Catarina proíbe raves, festivais e festas de longa duração em geral, fato que fez com que a cena clubber se desenvolvesse muito mais que a open air. No entanto esse cenário tem mudado aos poucos, e o trance está voltando a ter espaço no estado. Neste carnaval, o destino certo para quem curte a linha é o Solariom Festival, que será realizado na cidade de Rio dos Cedros, durante todo o feriado. Informações sobre line-up, ingressos, localização exata entre outros detalhes, você confere no evento oficial.
Terraza Music Park
Para os fãs de techno este carnaval será uma oportunidade rara de ver ao vivo um dos pioneiros do estilo: Carl Craig. Nascido e crescido na Detroit que praticamente criou o estilo, irá trazer todo seu talento e conhecimento para as duas sedes do grupo: sexta-feira (13) em Florianópolis e terça-feira (17) em Balneário Camboriú (clique para ir ao evento oficial). O line-up das duas festas conta com bons reforços: Mau Mau, Renato Cohen e Ricardo Lin na primeira festa, Danee e Antonela na segunda.
Warung Beach Club
O templo da música eletrônica irá repetir neste ano a fórmula que vem dando certo: três festas com line-up equilibrado. A primeira é já na sexta-feira, com H.O.S.H. encabeçando uma lista que possui também Doctor Dru, Fabo e outros DJs locais, mas o destaque maior fica para a festa de sábado (14), que terá o aguardado retorno de Loco Dice, além de Bella Sarris, Phonique, Aninha. No entanto, a festa de segunda-feira (16) também está bem cotada: Seth Troxler e Marco Carola são as atrações internacionais, mas é a apresentação de Stekke, a melhor novidade nacional dos três lines, que nos chama a atenção. Mais informações no evento oficial.
Green Valley
Quem aprecia o lado mais comercial da música eletrônica também consegue fugir do carnaval à brasileira com sucesso no Green Valley, e neste ano não é só o EDM que foi contemplado nos line-ups do superclub. Na pista principal ele ainda comanda, pelas mãos de Showtek, Afrojack, Alesso, Tiesto e Alok, mas neste feriado será lançado o label Underline, que irá assinar a pista alternativa do clube verde de agora em diante. O nome é uma referência ao termo “underground”, e nos mostra como tudo é uma questão de referencial: os line-ups terão nomes como Plastic Robots, Violet, Dash Groove e Thomaz Krauze, artistas claramente menos comerciais do que os da outra pista da casa, mas ainda pouco chamativos diante do que as casas especializadas no estilo irão apresentar nos mesmos dias. A casa abrirá por quatro dias, de sexta a segunda, e mais informações você obtém na fanpage oficial.
El Fortin
E já que falamos do EDM, não vejo razões para não lembrar que o G-House e o off-beat também tem casa em SC durante o carnaval: o El Fortin Club, localizado em Porto Belo, terá duas grandes festas neste feriado. A primeira, no domingo, recebe Amine Edge & D.A.N.C.E., Sirius Hood, Victor Ruiz AV Any Mello e Vintage Culture, enquanto na terça é Neelix que encabeça o showcase da Season Bookings que será realizado no club.
Quem assistiu o filme It’s All Gone Pete Tong talvez vá confundir ficção com realidade, mas infelizmente a vida imitou a arte desta vez. No final de janeiro o DJ e produtor Lil Louis, natural de Chicago e uma das principais referências da cidade nas últimas três décadas, sofreu um acidente que lhe custou metade da audição, e pode forçar uma aposentadoria precoce.
O fato ocorreu em Manchester antes de uma gig e foi relatado pelo próprio Louis em seu Facebook. Segundo ele, um idiota foi demonstrar o novo brinquedo do club, e disparou o canhão de CO2 próximo do seu ouvido esquerdo. “Instantaneamente metade da sala ficou muda pra mim”, conta o DJ. “Estou muito triste (…) não por apenas não ter tocado para vocês, mas porque talvez isso tenha encerrado minha carreira como DJ”, disse no texto, que foi direcionado ao público da festa, em qual ele acabou não tocando no final. Veja a publicação completa em inglês:
Já está em exibição em alguns cinemas franceses e festivais o filme Eden, que conta a história da era mais famosa da música eletrônica da França, passando por nomes essenciais, como Cassius, Air e Daft Punk.
A história do duo robótico é um dos roteiros da trama que tem como fio condutor o DJ Sven Løve. Nos anos 90, Sven era um adolescente recém-saído de crises amorosas quando se viu em meio a festas em clubes ou apartamentos com uma penca de franceses fumando cigarros bolados e francesas bebendo vinho barato. Em paralelo a Thomas Bangalter e Guy de Homem-Christo, Løve descobriu e construiu a cena eletrônica francesa que se espalhou por Paris e, depois, por todo o mundo.
Mia-Hansen Løve, irmã do DJ protagonista, dirige o filme, celebrada pela crítica. O filme é garantia de música boa: os valores pelos direitos de quarenta faixas eram muito altos, mas artistas como o próprio Daft Punk resolveram doar algumas canções para a trilha sonora. No caso deles, “Da Funk”, “One More Time” e “Within”.
Sejam bem-vindos ao detroitbr sessions, nova seção mensal do detroitbr.org. Aqui DJs e formadores de opinião irão dar dicas de músicas que encontraram em suas recentes pesquisas, começando hoje com uma edição especial com todos os residentes do detroitbr.
Curadoria Artística
Eduardo Roslindo
Há quase dois anos venho acompanhando o trabalho dos irmãos Zenker na Ilian Tape e venho gostando a cada dia do que o label vem apresentando. Essa track traz um techno mais fechado, arrastado e hipnótico (ao mesmo tempo dançante) que bem aplicado em um set pode render bons momentos.
Mohamad (Kultra)
Dono de um dos lives mais incríveis que já assisti e de um carisma sem igual, Strahil Velchev é um dos artistas em quem mais me inspiro atualimente. Musicalmente KiNK nem sempre passa dentro do espectro que o Kultra apresenta, mas ele começou 2015 me enchendo de alegria: esta incursão ácida intitulada Fantasia cairá como uma luva nos nossos próximos sets
Residentes
Alex KameL
Sempre estou a caça de novas musicas, e em minhas buscas recentes, visitando os lançamentos recentes da respeitada Soma Records, me deparo com essa linda track! Baterias bem arrumas, hipnótica e dançante, com certeza estará em meus próximos sets.
André Anttony
Eu sempre gostei muito de sons com bastante ambiência que trabalha muito a “mente”, movidos por batidas constantes que te mantém em movimento. Minha indicação é o remix de Felipe Valenzuela, artista que me chamou atenção no inicio do ano passado com a faixa “Mas” pelo seu groove de bateria constante, e elementos “inesperados”.
Bernardo Ziembik
Depois do álbum lançado pela Desolat, posso dizer que já sou fã de carteirinha do Traumer. Ano passado, pesquisando um pouco mais sobre o cara, me deparei com essa música e fiquei muito curioso, pois Hot Since 82 não me parecia compatível a ele. A música de incríveis 13 minutos me conquistou pelo sua percussão “afro” e o piano que é muito bem elaborado. A música não possui nenhum grande ápice, porém, conta uma bela história, criando a necessidade de ouvi-la inteira e por várias e várias vezes.
Cheap Konduktor
Confesso que conheci o trabalho de Matt Lange recentemente e por acaso, em meio a pesquisas costumeiras. Me impressionei com a qualidade de suas produções e acabei ouvindo diversas outras, quando pude constatar que Matt Lange caminha por diversas vertentes, incluindo o techno. Escolhi esta track em especial pois, além de ter elementos muito bem escolhidos, com peso e delicadeza ao mesmo tempo, tem uma atmosfera viajante, gostosa, e uns vocais misteriosos que soam como se monges tivessem sido gravados dentro uma igreja. É pra fechar os olhos e curtir.
Danee
Recondite é dos meus favoritos na atualidade e quando eu vi que ele tinha remixado Plastikman, antes mesmo de ouvir os dois nomes juntos, já tinham me impactado bastante porque sou muito fã deles. O resultado é essa obra prima de um nome já consagrado e outro que certamente estará entre os grandes em breve.
Davi Cecato
Margaret Dygas. Alemã que teve seu som nascido em Nova York, podemos dizer amadurecido em Londres e por fim refinado em Berlim. Produtora com diversos lançamentos em 12″ pelo consagrado selo Perlon, e também lançamentos por selos como PowerShovelAudio e Non Standard Productions, residente bi-mestral do Panorama bar. Margaret associa seu tempo de produtora com pausas entre cuidar de seus gatos, escutar um bom disco de Jazz e tomar um copo de leite morno. Como muitos músicos dizem, vinil não tem idade, se torna atemporal em um mundo com tanta competitividade digital. Ai está minha ultima compra em vinil, e minha colaboração do mês.
Doriva Rozek
“Energia é algo que não pode ser definido.” Diz a ciência, mas pensar em artistas como Sven Väth e Deep Dish (Ali Dubfire e Sharam) esse conceito muda um pouco. Nas minhas pesquisas de sons mais antigos, buscando algumas coisas que andam sumidas do dancefloor aqui, encontro essa pérola, remix de um dos maiores clássicos do Papa. Tem uns timbres bem nostálgicos, uma música divertida e importante de ser lembrada. Ainda não a toquei mas estou ansioso para ver a pista transpirar energia.
Eduardo M
Sou totalmente viciado em WARP desde os primórdios do selo. E até hoje não é diferente. Como eu adoro pesquisar coisas mais “experimentais” ou não com foco em “dancefloor”, esta é minha indicação. Clark é o cara que não tem regra absolutamente nenhuma, em com certeza prioriza “mente” ao invés de “físico”. Essa é só uma das que eu adoro dele.
Handerson (Unterwelt80)
É de praxe receber belas produções de presente dos nossos ‘hermanos’ argentinos – como a faixa “What is Groovy Now”, do produtor “If You Ask”, que costuma transitar por vertentes como o Deep House e o Techno. Nesta faixa o Sul-Americano utilizou-se de uma construção simples, porém, hipnotizante. Vale destacar sua bassline envolvente e a percussão que trouxe uma conga marcante que da ritmo a sua bateria, com um groove intenso e sempre direcionado para a frente a faixa traz uma dinâmica que pode funcionar muito bem na pista.
Petrius D
Adult Only é o nome da label desta excelente música. Escolhi ela por ela ser completa em meus gostos, ela prende a pessoa em uma atmosfera fantástica. Musica lançada em 2009, tem grande apelo em sets construídos para warmup de gente grande.
Tharik (Kultra)
Monkkrater foi a descoberta do mês em nossas pesquisas, com o EP Siberia, lançado pela Klangwelt. Entre as duas, Sphere é minha preferida, por sua linha de grave e sua bela construção melódica. Não consegui link para a música completa, mas segue o preview disponibilizado no SoundCloud.
Um dos artistas em atividade mais respeitados do techno mundial fará passagem histórica pelo Brasil. Carl Craig, importante protagonista do embrião da cena de Detroit (USA), é o headliner da duas festas que o Terraza Music Park realizará no carnaval – sexta em Florianópolis e terça em Balneário Camboriú.
Pertencente à segunda onda de produtores de Detroit, Carl Craig é tido como um dos mais produtivos e inovadores de todos. Ele é um daqueles raros talentos cuja carreira não possui muitos momentos de inflexão ou episódios de baixa produtividade, nem sequer uma virada brusca ou erro de cáculo que tenha alienado seus fiéis admiradores em prol de uma nova audiência. O que não quer dizer, de forma alguma, que ele não se reinvente a cada novo release ou remix.
Na primeira data ele contará com o apoio de outras duas lendas, mas estes, do cenário nacional: Renato Cohen e Mau Mau. O residente Ricardo Lin completa o line-up, fazendo o warm up da noite. Já em BC Carl chega para encerrar o feriado, pois toca na terça-feira (17). Neste line o apoio vem do sangue novo: Danee, residente detroitbr, e Antonela Giampietro, residente Terraza BC, farão as honras da casa para o ilustre convidado.
Detroit Love
Este ano marca a tour Detroit Love, que Craig lançou para espalhar o amor que existe pela cidade-berço do techno e já foi assunto aqui no site ano passado. Nada mais gratificante do que poder apoiar oficialmente um evento da tour, colocando um residente nosso no line-up, não é mesmo? 🙂 Os ingressos estão à venda pelo site do Blueticket, pelos valores iniciais de R$ 40,00 (masc.) e R$ 20,00 (fem.).
Samba, rock, música eletrônica, invasão zumbi. Mantendo a proposta iniciada em 2013, a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) transforma mais uma vez o Carnaval de Curitiba numa comemoração multicultural, que acontece entre os dias 25 de janeiro e 17 de fevereiro em toda a cidade. A Marechal Deodoro novamente será o grande “palco” da festa, e já no dia 1º de fevereiro ela abre espaço, pela primeira vez, a um trio elétrico de música eletrônica, projeto realizado em parceria com o Club Vibe e a Academia Internacional de Música Eletrônica (AIMEC). Entre os DJs escalados, residentes de ambas marcas: Dashdot, HNQO, Rolldabeetz, Aninha e Mateus B.
“Fazemos questão de apoiar as iniciativas da Prefeitura de Curitiba para valorizar a música eletrônica. É uma vocação da cidade e estes eventos abertos ao público estimulam o crescimento de todo o cenário cultural local”, diz o empresário e produtor Carlos Civitate Júnior, o “Jeje”, sócio do Club Vibe.
Programação completa
(todos os eventos têm entrada franca)
Garibaldis e Sacis
25 de janeiro – Marechal Deodoro – a partir das 15h
07 de fevereiro – Sítio Cercado – a partir das 15h
08 de fevereiro – Com Orquestra Contemporânea de Olinda na Marechal Deodoro – a partir das 15h
Eleição do Cortejo Real
30 de janeiro – Sociedade Treze de Maio – 19h30
Carnaval Eletrônico (CarnaVibe)
1 de fevereiro – Marechal Deodoro Deodoro – a partir das 14h
DJs Dashdot, HNQO, Rolldabeetz, Aninha e Mateus B
Baile da Terceira Idade
10 de fevereiro – Salão Azul do Clube Curitibano – 14h
Desfile das Escolas de Samba
14 de fevereiro – Marechal Deodoro – a partir das 18h
Curitiba Rock Carnival
Sábado, 14 de Fevereiro – a partir das 13h
Movie Star Trash (Curitiba)
99Noizagain (Curitiba)
A Carne (Curitiba)
Motorama (Argentina)
Sugar Kane (Curitiba)
Goddamn Gallows (USA)
Man Or Astro Man? (USA)
Domingo, 15 de Fevereiro – a partir das 13h
Phantom Powers (RS)
Interceptor (SP)
Aloha Haole (PI)
The Brown Vampire Catz (Londrina)
The Anomalys (Holanda)
Ovos Presley (Curitiba)
Relespública (Curitiba)
Zombie Walk
15 de fevereiro – Trajeto a ser divulgado
Apuração do Desfile das Escolas de Samba
15 de fevereiro – Memorial de Curitiba – a partir das 15h
Carnaval Gospel
17 de fevereiro – TUC Galeria Júlio Moreira, Largo da Ordem
Bailes de Carnaval na Regional Bairro Novo
16 e 17 de fevereiro – das 15h às 19h (infantil) e das 20h às 24h (adulto)