Estrangeiros atendem às expectativas, mas brasileiros são o destaque do carnaval do Warung

Sexta-feira 13/02, por Thiago Silva

Um dos momentos mais aguardados pelos consumidores de música eletrônica no Brasil com certeza é o carnaval. Durante os dias de folia o país todo recebe artistas internacionais de peso, e o litoral catarinense é um dos principais destinos deles. O Warung em sua primeira noite iria receber o lendário Pete Tong, o criador do aclamado Essential Mix era uma novidade aguardada com ansiedade no Brasil. Infelizmente por motivos pessoais o britânico cancelou seu tour pelo país e, para substituí-lo, a curadoria do club trouxe um velho conhecido das cabines: H.O.S.H.

A previsão do tempo era de chuva e inevitavelmente a mesma se fez presente durante horas, mas o mau tempo não afugentou os frequentadores da casa. Fabo foi quem iniciou os trabalhos na pista principal, transitando entre deep house e tech house o curitibano se manteve dentro de sua linha de conforto e deixou o público pronto para a estreia do duo Andhim. Ao mesmo tempo, o Garden era aquecido por Conti e Mandy que com carisma fizeram uma boa apresentação.

Tobias e Simon são os integrantes da dupla Andhim, que recentemente lançou boas tracks pelo selo Get Physical Music. Mostrando seriedade e perspicácia superaram as expectativas e demonstraram que podem ser uma boa opção no line-up. Enquanto o Inside era trabalhado pelas mãos deles, André Marques era quem se apresentava no Garden. Em uma rápida passagem por lá fui presenteado com a música Ghetto Kraviz, o que mostra que o ex-mocotó anda fazendo a lição de casa.

Pontualmente às 3:30 da madrugada H.O.S.H assumiu a pick up do antigo main room. Autor de tracks e remixes conhecidos como Keep Control e We Do It, deixou claro o que já é notável recentemente nos sets dos integrantes da Diynamic: o techno é a bola da vez. Revelando inovação e criatividade na escolha de suas músicas, algumas vezes transitou por ritmos melódicos e modestos, em outras preferiu arriscar e acertar em arranjos com tribais latinos. Lamentavelmente seu set foi marcado pelo famoso hino que insulta um dos clubs concorrentes, que possui foco em música eletrônica comercial. Uma certa infantilidade e falta de respeito por parte de alguns frequentadores para com a pessoa que está no palco tentando apresentar sua arte. Esbanjando simpatia e sorrisos Holger Behn encerrou sua performance às 7 da manhã, declarando assim aberta a folia no templo. 

Sábado 14/02, por Mohamad Hajar

O sábado era uma das noites mais aguardadas do carnaval, principalmente pela vinda de Loco Dice, artista para o qual rolou até campanha do grupo Fiel Ao Templo pedindo sua volta ao club. Tendo isso em vista e também o fato de que era a noite que mais me criou expectativas no pré-evento, elegi ela para ser a minha visita ao templo durante o feriado.

Ainda no caminho pude constatar que uma das melhores novidades que têm acontecido são as blitzes em Cabeçudas. Em poucos minutos você apresenta a documentação e segue rumo para uma Praia Brava sem todo aquele caos que sempre foi um ponto negativo das idas ao Warung, fato que se refletiu também na quase ausência de fila para entrar. Uma vez dentro do club nos apressamos para seguir para o Inside, pois Aninha fazia o aquecimento naquela pista. A DJ estava vestindo um imponente cocar indígena, contextualizando-se tanto com o feriado em questão como com a temática dos residentes da casa. Os fãs do Loco talvez me apedrejarão, mas ela se confirmou como minha savage favorita fazendo o melhor set da noite.

Com a mesma mestria da noite do Bonobo mas explorando sonoridades diferentes, devido aos artistas que se seguiriam, Aninha mostrou que entende da arte do warm up, e hipnotizou a pista por todo sua apresentação. Em seguida quem subiu ao stage (que agora está mais alto) foi Bella Sarris, estreante da noite. Eu estava com expectativas neutras para sua apresentação e foi exatamente esse o papel que ela teve na minha noite. O set era muito bem construído e apresentava bons momentos de criatividade, mas infelizmente ela acabou ofuscada pela energia da brasileira que abriu a pista.

Houveram também dois fatos negativos que influenciaram neste momento: a super-lotação, que havia tempos que eu não presenciava, infelizmente se mostrava presente, bem como o novo sistema de iluminação, que estava muito forte, cegando o público nas diversas vezes que um canhão acertava os olhos em cheio. Pouco antes de Bella encerrar fomos para o andar de baixo tomar um ar e se deparar com outra novidade negativa: a loja de souvenirs eliminou um dos poucos pontos de descanso que o club oferecia, ao lado da temakeria. Recuperamos energia por um tempo e mergulhamos no Inside novamente, com Loco Dice já no stage.

E aí infelizmente passei por um momento que me lembrou o Richie Hawtin do carnaval de 2012: um ótimo set, com uma boa construção e seleção de tracks, mas impossível de se apreciar com conforto, devido ao excesso de pessoas no ambiente. Encaramos o desafio até o fim, mas depois de muito tempo optei por deixar o club antes do término da festa, por já não restar mais ânimo para continuar no caos. No fim, uma noite divertida e satisfatória musicalmente, mas infelizmente sem uma boa lembrança devido a todo o perrengue que é encarar um Warung super-lotado.

Segunda-feira 16/02, por Eduardo Roslindo

O último dia de carnaval no Warung Beach Club foi muito bom musicalmente, marcado por grandes apresentações de Stekke e Seth Troxler.

Iniciando a noite o duo brasileiro Stekke, formado pelo savage Ale Reis e por Renee, desenvolveu uma das apresentações mais interessantes do carnaval. Quem chegou cedo pôde presenciar um set muito bem construído, transitando entre Efdemin, Delta Funktionen, Roman Fluguel, The Persuader, entre outros artistas. Um dos pontos positivos da apresentação deles foi o fato da pista ainda não estar super-lotada, foi possível se divertir frente ao palco com tranqüilidade.

Conforme o set chegava ao fim, eu me perguntava: o que o aniversariante da noite havia preparado para tal ocasião? Prestigiei os primeiros 30 minutos de Renato Ratier, e posso dizer que dentro do que estou acostumado a vê-lo tocar foi muito bem, um set digno da pista e do momento, mas sem a genialidade do duo que abriu a pista horas antes. Na busca por novas sonoridades, fui assistir Jackmaster, um dos estreantes da noite. Infelizmente ele não foi coerente com a atração que viria posteriormente, apresentando um som maçante e sem criatividade, mesclando house e tech-house sem nenhuma história, trocando apenas uma música por outra.

 

Quando os relógios marcavam 3:00 cada palco receberia a sua estrela da noite: Marco Carola no Inside e Seth Troxler no Garden. Devido à infame super-lotação no clube, comecei a jornada na pista de baixo. Infelizmente este problema tem afetado a bela experiência que sempre foi ir ao Warung. Vendas exageradas de ingressos, grandes tumultos de pessoas, reclamações por roubos… Diante desses fatos se divertir se tornou uma tarefa ainda mais difícil, sem conforto e a constantemente alerta aos pertences pessoais. Em um espaço próximo a fim da pista pude acompanhar Troxler fazer uma de suas melhores apresentações no clube. O americano se inovou fazendo um belo set com CDJ e tocadiscos, transitando entre vários clássicos, como por Paul Johnson, Carl Craig, Green Velvet, entre outros. Foi do house ao techno com maestria, inclusive tocou música brasileira de uma forma objetiva e contextualizada com a sua apresentação. Além de confirmar seu talento, Seth provou sua fama de ser carismático. Antes de sua apresentação demonstrou simplicidade caminhando pelo club, cumprimentado as pessoas, dando atenção, tirando fotos.

Seguindo com a noite, aproximadamente 5:00 voltei para o antigo Main Room, para acompanhar uma das atraçòes mais esperadas do carnaval pela grande massa que freqüenta o clube. Apesar de ter pego a apresentação pela metade, pude constatar que Marco Carola fazia set muito bem construído, fato dificilmente constatado entre artistas de tech house, devido à dificuldade de prender uma pista por tanto tempo. A prova disso é que a pista estava nas suas mãos, o público presente interagia bastante e há claramente uma fidelidade a ele, semelhante a que Hernán Cattaneo possui. Entre as boas tracks tocadas por Marco, ressalto minha surpresa ao ouvir um sample de Under Pressure da lendária banda Queen, de uma maneira condizente ao set.

Sua apresentação terminou as 7h00min, como fielmente o clube tem fechado seus eventos, encerrando assim o carnaval 2015 do templo.