Não é de agora que o Warung tem uma relação especial com os DJs argentinos, é bem verdade que o club sempre soube explorar muito bem, principalmente no final do ano, a vinda dos turistas hermanos em nossas praias de Santa Catarina, tanto é que tivemos duas das três ultimas datas do calendario reservadas para headliners do país vizinho. Em determinada época essa relação ficou tão estreita que o club teve entre seus residentes um dos expoentes da terra de Di Stéfano e Lionel Messi… Ricky Ryan figurou entre os nomes internacionais que mais se apresentaram na casa até hoje e marcou época com longsets além do amanhecer. Outros nomes importantes que já passaram por ali como Martin Garcia, Deep Mariano e Spitfire ainda hoje são lembrandos, recentemente novos ascendentes à cena global como Guti e Shall Ocin fizeram ótimas apresentações, porém depois de Hernan Cattaneo, o grande preferido da casa tem sido Mauricio Barembuem, ou simplesmente Barem.
Descorberto por Richie Hawtin, ele teve sua carreira acelerada na Minus com lançamentos e tours ao redor do mundo, foi assim que teve sua inesquecivel estréia no templo em janeiro de 2011, impressionando a todos e deixando a pista perfeita para um dos sets mais marcantes de Richie que já se viu por aqui. Eu sou suspeito em falar pois tenho uma tremenda admiração pela maneira de absorver música dos argentinos e a meticulosidade dos seus sets, cresci na cena ouvindo que eles estavam sempre a ”um passo à frente” da gente, até mesmo como reflexo de sua cena mais consolidada. Por algum tempo, me parece que esse passo até virou dois, mas os ultimos anos por aqui tem novamente diminuido essa distancia com surgimentos de novos DJs e produtores realmente muito talentosos, e três deles fizeram parte do line-up do dia 26 de dezembro. Danee, Gromma e Wilian Kraupp, são destaques dessa nova safra de artistas e da noite.
Me aprecei em chegar o mais cedo possivel no club para conseguir ver o que Danee tinha preparado para o warm-up. Acompanho sua carreira a bastante tempo e sei que é um exímio pesquisador, sua maneira de mixar e a forma como constroi seus sets são bem proximas do meu gosto pessoal, além de sempre me fazer lembrar do John Digweed! Danee manteve por quase todo tempo seu techno obscuro e cadenciado intercalando com linhas de house que mantiveram a pista dançando já com muita descontração. Antes de Aninha assumir os decks, desci para o Garden atrás da cabine onde encontrei alguns amigos, entre eles Wilian, no meio do bate papo sobre a expectativa da noite, mantive um ouvido na conversa e outro no que Gromma estava mostrando. Ele é um artista que sempre ouço falar muito bem, porém foi a primeira vez que o vi tocar. Os elogios a sua tecnica e bom gosto se mostraram verdades pra min também, a pista já estava interessante e Gromma jogava com um linha que tinha pitadas de Nu-disco e arranjos de bateria e baixo de house e techouse muito bem trabalhadas, já tirando os primeiros aplausos da pista.
Subi ao Inside novamente para ver a ultima hora do set da residente Aninha, apesar de eu achar que o ideial sempre são no maximo 3 artistas por pista, ela se encaixou muito bem na proposta da noite. Seu carisma e excelente tecnica logo já fizeram a pista vibrar, ela sempre toca aquele tipo de musica que lhe parece familiar, mas que você nunca vai descobrir o que é. Bem à vontade com o horario, ela pode tocar com ritmo muito bom sem precisar se preocupar com o depois. Às duas horas em ponto, o grande destaque nacional de 2015 pra mim, assume o comando do templo. Tocar em horario nobre na pista principal é algo pra poucos e Wilian Kraupp teve pela segunda vez no ano a oportunidade. Esse pedaço de noite, das 2 as 4, é possivelmente o mais dificil de se fazer, você pode tocar pesado, a pista exige, mas sabe que tem mais alguem ainda pra mostrar sua música.
Kraupp demonstrou tremenda confiança, já na primeira musica fez a pista exaltar-se. Ele realmente vem pulando etapas e já com pouco tempo de estrada se mostra pronto pra assumir qualquer pista do mundo. Cumprindo a cartilha do artista moderno, ele se dedica ao estudio e o DJing com muita personalidade, sem duvidas é umas das grandes promessas brasileiras da cena techno para o mundo. Seu set começou muito dançante e explosivo, e depois dos 40 minutos foi ganhando mais peso e ritmo até desencadear no que ele realmente queria mostrar, com a pista na mão, soprou uma linha bem linear e até mesmo obscura, surpreendendo-me de forma muito positiva, eu que acompanhei sua evolução como DJ e produtor desde o começo, nunca o tinha visto tocar assim.
Com sutileza, Wilian foi trazendo seu som para o ‘’Barem Style’’ nas ultimas musicas, arrancando aplausos do Hermano que estava se aprontando e já poderia sentir que a pista estaria pronta pra ele. Infelizmente até esse momento o sistema de som da casa não estava 100%, faltando um pouco de médio, que só se equalizou na entrada de Barem, isso tem ocorrido com certa frequencia no club, decorrente da falta de atenção da equipe dos bastidores, desta vez não foi tão grave, mas ainda assim incomoda quem gosta de qualidade.
Com o publico sedento por música, Barem começou com sua habitual escola, continuou no ritmo um pouco mais suave que Wilian tinha deixado e aos poucos foi encorpando seu som. Muito inspirado, fez o seu melhor set que eu já vi, superando até mesmo aquele de 2011. Usando alguns processadores de efeito muito interessantes e que já são sua marca registrada, ele tocou tudo que tinha de melhor na case, muita bateria, contra-tempos e baixos emborrachados formando um groove sólido, fizeram as 3 horas passarem em um click. A pista estava na medida, sem estár lotada, era possivel se divertir bem à vontade. Barem não é o tipo de artista que vai buscar sons classicos pro final do set, ele trabalha racionalmente e não tanto o emocional, ainda assim, para delírio da pista jogou o único vocal da noite, ‘’Far From The Tree’’ de Bob Moses, no ótimo remix do inglês Third Son. De alma lavada, pude encarar as quase 2 horas de fila pra sair Brava, tudo bem, a noite sempre vence os sacrificios.
Voltemos no tempo até o ano de 2002, época em que a seleção brasileira conquistava o invejável título de pentacampeão mundial de futebol, a cédula de 20 reais começava a circular pelo país e o dólar chegava pela primeira vez a R$ 4,00. Naquele mesmo período a Praia Brava havia sido escolhida como lar de um dos beach clubs mais charmosos do mundo. O “templo da música eletrônica”, como hoje é conhecido, se tornaria o principal cenário de noites inesquecíveis. Durante muito tempo diversos artistas tiveram a oportunidade de contar um pouco de sua história na cobiçada cabine do Warung, que teve logo na inauguração duas atrações de peso: Timo Mass e Loco Dice.
Um ano se passou desde a inauguração e nomes como DJ Marky, Lee Burridge e até mesmo Rica Amaral foram destaques nesta fase. Para celebrar o primeiro aniversário uma pista nova foi implementada: nascia o “Warung Garden”, com uma proposta diferente e complementar à do Main Room. O line-up da festa foi composto por Danny Howells e Anderson Noise no primeiro dia e Chris Liberator, Dave The Drummer e Perplex no segundo dia. Com o passar dos anos tanto a estrutura como o direcionamento artístico foram sendo moldados, construído a imagem que o club tem hoje.
Em seu terceiro ano de vida veio o reconhecimento internacional! O templo foi condecorado como um dos 3 melhores clubes do mundo pela revista britânica Mixmag. Neste mesmo ano, ainda em janeiro, Hernan Cattaneo e Marco Carola fizeram suas estreias. Vale ressaltar que durante seus anos iniciais o Warung não possuía camarotes, os espaços hoje disponíveis para reserva eram lounges de relaxamento e descanso. No ano subsequente o clube mudaria todos os paradigmas durante o carnaval com duas apresentações históricas. Deep Dish e Sasha escreveriam juntos um dos capítulos mais extraordinários do templo. Para o aniversário de quatro anos o escolhido para comandar as celebrações foi o canadense Luke Fair, até então revelação da gravadora Bedrock.
Mais um ano havia se encerrado e o verão de 2007 já estava em alta, logo em janeiro a festa Circo Loco (Ibiza) aterrissou no templo, sendo comandada por Luciano e Tania Vulcano. O carnaval reservaria grandes noites recheadas de estreias e retornos, sendo a noite exclusiva de Pedro e Raresh que, junto a Rhadoo formam o saudoso trio romeno [a.rpia.r], uma das mais memoráveis. Neste ano também foi feita uma festa fora do clube, com Fatboy Slim e Layo&Bushwacka! Deep Dish retornava para mais uma épica apresentação e Hernan Cattaneo encerraria com chave ouro o período das festividades carnavalescas.
Encantando noites com diversos artistas, o Warung já havia moldado sua própria identidade e já se consagrava como grande o grande expoente da noite catarinense. Seu quinto aniversário foi marcado pela presença de Dubfire, que fez um dos sets mais longos da história da casa. Para encerrar aquele ano, 16 Bit Lolitas foi quem conduziu mais uma noite de virada. Partindo para 2008 com novas energias, uma dobradinha seria fundamental para marcar o início daquele ano: Deep Dish faria uma apresentação dupla durante o carnaval deixando toda a cena eletrônica do sul do país extasiada! Até hoje as lembranças daquelas duas noites ecoam pelas memórias de quem as viveu. Em setembro Richie Hawtin era quem começava a escrever sua história no universo do Warung: aclamado por muitos como o criador do minimal techno, ele apresentou naquela noite sonoridades que moldariam novos pensamentos a respeito de música eletrônica. Outro DJ que foi um divisor de águas naquele ano é Laurent Garnier, convidado principal para uma das noites de comemoração do aniversário de 6 anos.
No fim de dezembro, o duo alemão D-Nox & Beckers fazia sua estreia e dividia a pista com o uruguaiano Gustavo Bravetti. Paralelo a isso o clube fez campanha para angariar suprimentos para às vítimas das chuvas que assolaram a cidade de Itajaí no mês de novembro. Finalizando o ciclo de festas daquele ano, o argentino Hernan Cattaneo foi responsável pelo ótimo set de réveillon. A programação de verão para o ano de 2009 foi agitada, Richie Hawtin, Mark Knight, Sebastian Ingrosso, Chris Lake e até mesmo Miss Mine foram alguns dos DJs que se apresentaram nos dois primeiros meses. Para o carnaval não foram economizados esforços, John Digweed, Dubfire, Sven Väth e Life Is a Loop eram os headliners. O inverno ficou marcado pelo retorno de Sasha com seu álbum Invol2ver, até hoje tido como uma de suas melhores compilações.
Se passaram 7 anos, o Warung Beach Club precisava mais uma vez celebrar a arte, a boa música e comemorar mais um ano de vida, para isso escalaram ninguém menos que Booka Shade. Infelizmente somente Arno Kammermeier tocaria naquela ocasião, pois Walter Merziger estava doente. Sendo assim, um curto set de apenas 3 horas foi executado, o que de certa forma não agradou a todos, tendo em vista que DJs como Dubfire e Sasha nunca haviam tocado menos de 6 horas até então. Fabricio Peçanha foi quem assumiu as pick-ups e continuou a festa até 10:30 da manhã.
Dando início ao cronograma de 2010, Gui Boratto e Michael Mayer se apresentaram e incendiaram o primeiro dia de janeiro. O carnaval seria regido pelas pratas da casa Life Is a Loop, Sharam e Luciano que retornava ao clube após um longo hiato. A baixa temporada ficaria marcada pela presença de Danny Howells que infelizmente nunca mais retornaria ao clube. Seguindo para a semana da música eletrônica, Gui Boratto, Rick Ryan e Richie Hawtin formavam o time da independência. Dessa vez quem teria a honra de cultuar uma noite única de aniversário seria de Alexander Coe, mais conhecido como Sasha. Depois de seu lendário set de mais de 10 horas em 2006, o inglês fez uma passagem não muito prazerosa e acabou na “geladeira” por um tempo. Hernan Cattaneo comandaria no dia 29 de dezembro o pré réveillon e se firmaria como uma das estrelas máximas do templo.
Finalmente chegamos ao tão falado ano de 2011. O primeiro mês do ano sempre é um bom momento para se visitar o Warung e ter novas experiências, não seria diferente naquela temporada. A começar por Michael Mayer e Gui Boratto que se apresentaram na primeira terça-feira do ano. Logo em seguida no dia 7 Barem e Richie Hawtin protagonizaram a tão falada “noite do chinelo”, mas não se pode deixar de mencionar o final épico com Yeke-Yeke. Sete dias depois quem retornava era Laurent Garnier que infelizmente também fazia sua última aparição por aqui.
No fim daquele mês Ricardo Villalobos e Robert Babicz enfeitiçaram a festa que duraria apenas 17 horas! Diversas histórias rondam está noite até os dias atuais, perda de voo e jato fretado são apenas algumas, o fato principal é que a estreia de Ricardo aconteceu às 6 da manhã quando todo mundo já estava desacreditado de que sua presença seria de fato consumada. Ele nos presenteou com uma festa que começou no main e terminou no Garden. Chilenos, argentinos e brasileiros partilhavam de uma única realidade: a realidade de Ricardo, música. O carnaval daquele ano também reservaria outro momento ímpar, Dubfire e Carlo Lio juntos no garden em um b2b de tirar o fôlego.
A programação de páscoa foi regida por Guy Gerber e Sharam. Gerber fez sua magnifica estreia e contagiou a todos com toda a sua genialidade.
Em agosto daquele ano, a gravadora Dynamic escolheu o templo para celebrar os 5 anos de sua existência, trazendo Solomun, H.O.S.H e Stimming. Em setembro, a tão aguardada semana da música eletrônica ficou marcada pelo long set de Dubfire, que se iniciou no main e terminou no garden às tantas horas da tarde. Passando para outubro mais uma estreia, que deixou saudades: Trentemoller.
O aniversário de 9 anos trouxe John Digweed, Loco Dice, Jamie Jones e Damian Lazarus. Mas foi em dezembro que todas as atenções se voltaram para a Praia Brava, ninguém menos que Carl Cox pisaria no clube mostrando todo o seu arsenal house e techno! Neste fim de ano a primeira edição da revista Warung foi publicada. O templo se dirigia para o seu décimo aniversário, ao longo do caminho muito autos e baixos aconteceram. O público mudou, a música e o foco do clube também mudaram. As comemorações de 10 anos de vida começaram em janeiro com Ricardo Villalobos e Marco Carola. Seguiram em diante para o carnaval com Dubfire, Guy Gerber, Solomun e Soul Clap & Wolf + Lamb.
A programação de baixa temporada foi contemplada pela presença do papa Sven Väth que fez um ‘simplório’ set de pouco mais de 3 horas. Importante ressaltar que neste período já não era mais permitido festas até altas horas do dia. Seth Troxler tocava pela primeira vez em maio e seria um dos principais convidados para o aniversário de 10 anos. Celebrar uma década de vida não é para qualquer casa, o time escolhido confirmou que uma nova era estava começando e os tempo de ouro haviam realmente chegado ao fim.
O ano de 2013 foi marcado pela bolha do deep house, gênero que aos poucos se tornaria uma epidemia para alguns e um amor de primavera para outros. Aquele carnaval seria um “escape” com Richie Hawtin, Seth Troxler e Dubfire, que fez um dos sets mais pesados para a época.
Em outubro, o showcase da gravadora Items e Things abalou todas as estruturas do templo trazendo Troy Pierce, Marc Houle e Magda. Danee foi responsável por um dos melhores warm-ups daquele ano. Pulando para o aniversário, Dubfire novamente, com a companhia de Nastia, Guy Gerber, Seth Troxler e Pan-Pot.
Chegando em 2014, foi possível notar que não haviam tantas apostas quanto nos anos anteriores, a exceção foi a vinda de tINI, que conduziu a noite no estilo Desolat. O carnaval também reservava um grande nome: Ben Klock, figura constante em noites insanas no Berghain/Panorama Bar. Tida como a noite que fez o templo voltar as suas origens, o encerramento deste carnaval contou com Nina Kraviz tocando até às 9 horas da manhã e Innvervisions no outro stage
O inverno foi marcado por boas festas, como a noite em que Barem e Stimming supriram com louvor a falta de Solomun, o choque de realidade de Bonobo no Garden e o fabuloso retorno de Tale of Us, em um set de 4 horas no Main Room, que passou a se chamar Inside.
Para celebrar 12 anos de vida a festa de dois dias contou com 30 nomes, dentre eles Gaiser, que fez sua estreia junto de Hawtin, e Apollonia, que comandou o Garden durante a maior parte da noite. Na outra semana, o combo Maceo Plex, Sasha e Tale of Us levou o público à loucura, apesar dos sets curtos que cada um teve que apresentar. Mais um janeiro chegou, com uma mescla de artistas conhecidos e outros em ascensão. O carnaval foi de grande destaque para Loco Dice, que retornava ao clube depois de passar quase 3 anos ausente. Bella Sarris fez sua charmosa estreia e Marco Carola mais uma vez comandou com seu estilo italiano de ser.
Finalmente chegamos às comemorações de 13 anos, com a aguardadíssima a da estreia de Joseph Capriati. A expectativa para ver o baixinho era grande e tendo isso em vista, a curadoria lhe concedeu 3 horas de set. Renato Ratier foi quem fez as honras preparando a pista para o primeiro italiano da noite.
Joseph parecia um pouco tímido no início o que é totalmente compreensível, diante de um público como o do Warung. Em poucos minutos sua timidez foi embora, deixando toda a sua versatilidade aflorar. Usando e abusando de baixos, baterias e vocais construiu seu set de maneira sucinta, deixando espaço para seu conterrâneo Carola. Apostando em clássicos como Crazy Frog e até mesmo a música tema de Top Gear (antigo jogo de carros da Nintendo) mostrou porque seu nome sempre figura em grandes festivais como Awakenings e Time Warp. Se mostrando feliz com o resultado alcançado, finalizou seu set pontualmente às 3 da madrugada. Neste momento aproveitei para dar uma espiada no Garden.
HNQO era quem estava tocando, o curitibano passou por uma grande evolução musical desde a sua explosão com o selo Hot Creations em 2012, é notável que agora ele transita por novas sonoridades e fez um bom set. Paulo Bogoshian foi quem conduziu os trabalhos até a chegada do carismático Seth Troxler, destaque para a música, Howling – ‘Signs’ (Rødhåd Remix), usada no início de sua apresentação. É difícil mensurar algo sobre Troxler, ele simplesmente se reinventa a cada minuto, um verdadeiro camaleão dos palcos. Iniciou sua performance com uma versão acapela de Underground Resistance – Transition e, aos poucos, foi mostrando tudo o que sua case de vinis tinha para revelar. Transitando por house, dance e techno o fanfarrão, como é conhecido, se saiu bem até nas vezes em que a energia do Garden falhou.
Apostando sempre na veracidade dos clássicos a primeira bomba veio às 5 da madrugada, com Johnny Corporate – Sunday Shoutin (B Boys Shoutin Dub), que logo em seguida deu espaço para Kings of Tomorrow featuring Julie McKnight – Finally (Tom De Neef Club Mix). Perto do amanhecer outro momento ímpar, uma versão única de Dee Mac’s House of Funk Featuring Oliver Night Singing You Got To. Após isso me dirigi ao Inside para encontrar os amigos que lá estavam. Marco Carola já tinha hipnotizado a todos com seu estilo de música sem fim, era notável que todos dançavam conforme sua vontade e desejo. A pista já não se mostrava tão fervilhante quanto estava com Capriati, e ele parecia gostar disso. Como tem feito regularmente no fim de suas apresentações, finalizou a noite com Freak Like Me (Lee Walker Garage Edit) – DJ Deeon.
O Garden, como sempre, funcionou por alguns minutos a mais. Em um lindo gesto de solidariedade aos franceses, Troxler tocou Daft Punk – Revolution 909 e postou um vídeo com a música em sua página no Facebook. Imediatamente o vídeo se tornou um viral e, em menos de 24 horas, já tinha alcançado 100 mil visualizações. Infelizmente o vídeo foi removido pois muitas pessoas ainda estavam sensibilizadas com os ataques.
De 2002 a 2015 o Warung Beach Club se tornou um dos maiores diamantes do povo catarinense. Sempre pleno, nunca deixou de levantar a bandeira da música eletrônica durante estes treze anos. Feliz aniversário templo! Que venham mais anos de arte, vida, sabedoria, música e euforia!
No dia 14 de novembro aconteceu em Buenos Aires a edição de 15º aniversário do Creamfields na cidade, sendo um dos mais tradicionais da América do Sul. Adotando a mesma lógica de palcos principais das últimas edições, esse ano a festa foi composta por cinco palcos, entre eles os mais interessantes para amantes de techno: Cocoon e Enter. A maior parte das atrações já era conhecida do público argentino, sendo Marcel Dettmann a grande novidade da noite. Esse ano o local escolhido para a realização do evento foi a Reserva Ecológica Costanera Sur, um belo lugar com uma linda paisagem próximo ao centro da metrópole, assim como o antigo lugar, que apesar de maior foi substituído por conta de algumas críticas foram feitas em relação à segurança, por estar localizado numa região bastante perigosa da cidade.
Chegamos ao local da festa por volta das 16:30, meia hora depois do que deveria ser o início da festa, porém, os portões ainda estavam fechados. O fato ocasionou uma grande fila e uma longa espera, pois apenas às 18:00 liberaram a entrada do público. Apesar do acúmulo de pessoas devido ao atraso, o sistema de entrada deles estava muito bem organizado e em poucos minutos já estávamos dentro da festa. Assim que conseguimos entrar, já havia um bar logo à frente com a tabela de preços, que na primeira vista já nos deixou assustados. A água e o refrigerante estavam custando 40 pesos, a cerveja 100 pesos e o combo de dose de vodka com energético 80 pesos, valores esses que se convertidos em real, seriam de aproximadamente 15 reais a água, 38 reais a cerveja e 30 reais o combo, inviabilizando assim o alto consumo de bebidas no geral.
Nossa primeira passagem foi pela pista Enter, chegamos a tempo de acompanhar uma parte do set de Brian Gros, jovem argentino que teve alguns EP’s lançados pela Minus nos últimos dois anos e que é uma das promessas nesse estilo. Estava fazendo um bom warm-up enquanto Jonny White já se preparava para entrar. A primeira grande atração que viria a tocar era Art Department. Eu não havia visto nenhuma apresentação após a separação de Kenny Glasgow e como não acompanhava o projeto há muito tempo, a ideia apresentada seria, provavelmente, diferente das outra vezes que presenciei, principalmente pelo fato de não haver mais a influência de seu ex-companheiro. Após alguns minutos de set fiquei positivamente surpreso, pois estava puxando para uma linha de techno mais séria e um pouco desacelerada, além de estar mixando algumas músicas com tocadiscos. Foi nesse momento que a pista começou a ficar mais cheia e ganhar ânimo.
Chegando próximo as 20:45 nos dirigimos para o palco principal para a apresentação de Barem. Esse ano, para a surpresa de alguns, ele anunciou seu desligamento da Minus, para abrir seu próprio selo em parceria com seu amigo Alexis Cabrera, que se chama Fun Records. Por isso e por todo seu recente destaque no cenário internacional ele recebeu a missão de se apresentar no palco principal do evento, após três edições seguidas tocando no palco da Enter. Com muita experiência, uma conexão única com o público de seu país e uma proposta de construção musical partindo principalmente do tech house, obteve uma ótima resposta da pista. Durante uma hora e meia conseguiu fazer um excelente set, sendo um dos destaques da noite. Falando sobre a estrutura do main stage, importante observar que foi montado uma espécie de deck consideravelmente grande na pista, evitando assim que a lama tomasse conta do terreno conforme as pessoas fossem pisando e dançando, já que dias antes havia chovido muito na cidade e o chão não estava nas melhores condições. Por outro lado o sistema de som deixou a desejar, estava baixo e sofrendo fortes interferências dos outros palcos nos breaks das músicas, o que acredito que tenha prejudicado muito a experiência das pessoas que passaram a festa nessa pista.
Pouco após as 22:00 nos dirigimos ao palco Cream Arena, para acompanhar a apresentação de Hernan Cattaneo, que é um dos artistas mais requisitados e elogiados pelos seus conterrâneos. Infelizmente não conseguimos nem entrar de baixo da tenda devido a superlotação, foi o momento que mais reuniu pessoas em uma pista, ficamos alguns minutos do lado de fora e acabamos optando por Mano Le Tough, que estava tocando na Enter. Apesar de o público ter gostado, não é exatamente o tipo de som que me agrada. Foi um set com boas mixagens, mas muitas oscilações na seleção de músicas.
Próximo às 23:15 Marcel Dettmann já estava assumindo o controle da festa, alguns minutos antes do que era previsto, nos presenteando assim com alguns minutos a mais de apresentação. Ele é um dos nomes de maior destaques atualmente quando o assunto é techno, tem feito parte dos line-ups dos melhores festivais focados no estilo, além de manter residência no Berghain, um dos clubes mais respeitados do mundo. Nos primeiros minutos de set o clima berlinês já se espalhava pela pista, já no começo fomos agraciados com “Pastaboys feat. Osunlade – Deep Musique (Trus’me Spritz Mix)“, em meio a uma sequência de músicas que variavam de um techno pesado para momentos de melodias marcantes, como em “Scuba – Black On Black (Len Faki Goes Black Remix)” até alguns picos mais agressivos, como no recente lançamento “Vladimir Dubyshkin – Hair Like String, Like A Harp“, que saiu pela gravadora TRIP de Nina Kraviz. Marcel Dettmann foi construindo um set com uma conexão de diferentes ideias, mas que não deixava de lado a característica da sua linha musical. Nos momentos finais, ainda foi possível ouvir “Lewis Fautzi, Nuklear Default – Anti-Cake“, concluindo assim a sua apresentação e tornando-se o maior destaque da noite.
Enquanto Matador iniciava sua apresentação, a deslocação de pessoas de outras pistas para a Enter aumentou bastante, fato esse que acabou dificultando a movimentação dentro da pista. Apesar de não ter um live muito dinâmico, é um artista bastante admirado pelos argentinos e animou bastante a pista, misturando alguns de seus lançamentos com algumas faixas já bastante conhecidas como “Svinx“.
Chegando à pista Cocoon vimos Sven Vath iniciando o seu trabalho. Mesmo estando pelo quinto ano consecutivo na line-up do festival, papa Sven é um artista muito versátil e com um amplo repertório, que acaba normalmente surpreendendo em suas apresentações. Abrindo com “Inner City – Till We Meet Again (Carl Craig Remix)“, Vath começou a construir a sua história, que mesclava bons lançamentos da Cocoon, como “Daniel Stefanik – Twilight Zone“, até músicas que causaram grandes explosões na pista, como “Gary Beck – Leo“. Uma de suas características fundamentais e que acrescentam muito no desenvolvimento de seu set é o fato de trazer um pouco das história do house, tocando boas músicas old schools, como fez dessa vez com “Lil Louis – French Kiss“. Assim como esperado, fez uma das melhores atuações do evento, com excelentes mixagens e um conteúdo musical rico.
Quando chegamos à Enter para a última apresentação da noite ela já havia começado. Richie Hawtin seguiu a linha de techno característica dos seus últimos tempos, o que manteve a pista animada pelas suas duas horas de set. Vimos bons momentos como quando “James Hopkins – Trending (Fhaken Remix)” e “Peppelino – Emirates (Poty Remix)” foram tocadas, porém, ficou aquela sensação de que alguém com a bagagem e talento de Richie tem potencial para apresentar muito mais – vide suas apresentações em um passado não muito distante.
Apesar de ter uma line-up sem muitas variações fazendo um comparativo com os últimos anos e também pecar em alguns pontos, o festival manteve sua força, trazendo ao público uma sequência de artistas de grande expressão internacional e fez assim, mais uma vez, uma ótima festa. Uma boa opção para nós brasileiros curtir um evento que carrega o nome de um dos maiores festivais do mundo, em um país vizinho aonde o amor à música eletrônica está disseminado.
Neste ano o formato de Encontro realizado pela Yellow completou 10 anos e teve, de fato, um de seus mais brilhantes anos. Nascido dentro da Fnac em 2005, seu propósito sempre foi reunir pessoas envolvidas com os bastidores da cena eletrônica para que estas troquem experiências e ideias, visando um melhor resultado na busca de objetivos em comum. Em 2015 o Encontro fez sua maior tour, sendo realizado em três filiais da Fnac (Curitiba, São Paulo e Brasília), além de duas edições independentes: uma em Ponta Grossa e outra em Almirante Tamandaré, que acontece no próximo sábado.
O Encontro de Almirante Tamandaré pode ser entendido como uma edição complementar ao Encontro Fnac Curitiba, pois como a edição da capital acaba assumindo o perfil de “edição nacional”, por sua tradição e grande exposição, a cena independente local acaba ficando sem os benefícios sentidos nas praças aonde ele assumiu o perfil mais regional. Pensando nisso, a curadoria escolheu uma cidade da região metropolitana para sediar este Encontro, que se dividirá em três painéis:
15h00 – Como a cultura eletrônica pode obter representatividade fora das capitais?
Nas capitais a cultura eletrônica já possui certa aceitação por parte da sociedade, o que permitiu que as empresas e coletivos ligados à ela se proliferassem na última década. Nas cidades menores, no entanto, o desafio ainda é grande, por isso convidamos os heróis que assumiram praticamente sozinhos a responsabilidade de levantar a bandeira desta cena alternativa em suas respectivas praças. Na mesa redonda teremos G.Felix, Guilherme Cujary e Fábio Jurevitz representando a Grande Curitiba, Edson Richard vindo do litoral, Sam Pierry dos Campos Gerais e Alex Sevela e Michael Caliman do norte de Santa Catarina. A mediação fica por minha conta, que além de estar à frente de um coletivo sediado em Itajaí, comecei minha carreira na pequena Palmeira.
16h20 – A importância e a missão das festas, selos e artistas independentes.
Curitiba viu em 2015 um grande avanço em sua cena independente. Vimos o nascimento da festa Reddoma, realização do coletivo Gold Dome em parceria com outro grupo, que está introduzindo na cidade uma nova forma de viver a arte, enquanto a tradicional Hot Legs alcançou grandes voos fora do estado e o “semi-forasteiro” detroitbr lançou seu braço paranaense. Paralelo a isso, a Laguna Music cresceu e os selos ToneMind e Music Nerds revelaram diversos produtores locais. Neste painel, que ainda está com a mediação pendente, todos discutirão formas de se posicionar no mercado de maneira equilibrada e eficaz, para que haja ainda mais interação entre os realizadores da cidade.
17h40 – Vida de Artista.
O terceiro painel sai dos bastidores da realização de eventos e se volta aos artistas, que são quem de fato cria a história da cultura eletrônica. Nele o público e o mediador Christ irão tentar extrair de três nomes já consagrados as suas experiências, entendendo um pouco da cabeça do DJ e do produtor em meio ao cenário musical. Na mesa redonda, Roma Dias representando a cena trance, Renan Mendes a house/nu-disco e Malik Mustache o g-house.
Programação musical
Os dois vencedores do Circuito Techno & House 2015 se apresentarão no evento. O campeão Royce Laroca toca às 14h, durante o credenciamento, enquanto o vice-campeão Soney assume o fechamento, às 19h.
Serviço
Data: sábado, 5 de dezembro de 2015 Hora: 14:00 (início do credenciamento) Local: Centro da Juventude de Almirante Tamandaré – R. Dep. Max Rosenmann, 100 Evento oficial:https://www.facebook.com/events/1677199135825892/
Depois de comemorar seu aniversário com um belo e consistente time de brasileiros, o Terraza BC repete a fórmula na festa do próximo sábado, quando receberá uma das brasileiras que mais tem se destacado no exterior recentemente: Anna.
Ela vem se firmando no cenário internacional graças a apresentações de destaque em grandes festivais, como Ultra Music Festival, Electric Daisy Carnival e Lollapalooza, e também a lançamentos por selos como Turbo Recordings e Toolroom, pertencentes a Tiga e Mark Knight, respectivamente. Suas giga já atingiram inúmeros países, entre eles França, Espanha, Inglaterra, Finlândia, México, Guatemala, Chipre, África do Sul, China e Emirados Árabes Unidos.
Fazendo as honras da Famiglia, um time de primeira: dois residentes de BC, Bernardo Ziembik e Guilherme Konnin, se unem ao residente de Floripa que fará sua estreia na filial, Doriva Rozek. Conversamos com ele para saber as suas expectativas para a noite: “Apesar de ser um frequentador assíduo da pista do Terraza BC e conhecer grande parte do público, tocar em um ambiente novo é sempre uma missão a ser cumprida, conhecer uma pista nova é sempre um desafio, vai ser bem divertido!”
Serviço
Data: 28/11 Hora: 22:00 Local: Music Park BC – Rua Francisco Córrea, 908 – Balneário Camboriú/SC Ingressos:Blue Ticket – 2º lote – Fem. Pista R$ 25,00 / Masc. Pista R$ 60,00
Falta pouco para aterrissar no Brasil a primeira edição de um dos maiores festivais mundias de música eletrônica: o Electric Daisy Carnival, também conhecido popularmente como EDC. Este festival tem como principal diferencial sua decoração, que além de ser grandiosa, não deixa de lado os detalhes. Serão 4 palcos enormes, especialmente o Main Stage, que se chama kineticFIELD e tem duas corujas gigantes de cada lado, e o inusitado boomboxARTCAR, que é itinerante e roda a festa toda!
Claro que em um festival deste porte não poderiam faltar os representantes do techno! O lineup do neonGARDEN é composto por vários artistas consagrados mundialmente, bem como alguns brasileiros que completam o time do estilo, que cada vez mais se populariza no país. O line-up foi montado de forma a ser uma aposta segura da organização: são excelentes djs, porém nenhuma super novidade. Certamente o momento econômico do Brasil, somado ao fato de ser a primeira vez que o festival desembarca por aqui, sejam razões para se manter os pés no chão. De qualquer maneira, se você é um amante do techno, poderá curtir grandes e bons nomes durante a festa!
No time internacional destaque para artistas como Marc Houle, que foi bastante elogiado em suas últimas passagem pelo país, o galês Jamie Jones e o chileno Luciano, que não vinha para cá há algum tempo. Também poderemos curtir Art Department e Jonas Rathsman – este último é talvez o menos conhecido da massa, que pode acabar se tornando uma das boas surpresas para o publico. Para finalizar, não poderia deixar de falar de Dubfire, que finamente trará o projeto Hybrid para o Brasil, que estava marcado para estrear em terras tupiniquins na Tribaltech mas teve sua apresentação cancelada por conta do mau tempo que assolou a festa. Entre os brasileiros, boas figuras conhecidas como Alex Justino, Ahmed, Anna, Renato Ratier, além do nosso residente Bernardo Ziembik, que irá representar o coletivo no festival.
Temos um bom mix bom de artistas, que com certeza conseguirão agitar a pista de techno e house da EDC, nesta primeira edição. A festa geralmente arrasta multidões nos EUA e se pensarmos pelo lado dela ter um público bem variado, o lineup faz total sentido: são artistas com boa bagagem, desde pequenos clubes até festivais gigantes, que sabem ler a pista muito bem e agradar a massa. Nos vemos lá!
A história com o Ion Ludwig esse ano foi engraçada: tudo começou quando eu apresentei ele a uns amigos em um after em agosto, sem nem saber o que estava por vir. Ouvimos vários lives dele em sequência e eu mesmo, que já há algum tempo não o acompanhava, voltei a encaixar nos meus sets. Poucos dias depois sua booker Isis Salvaterra, da agência Toi Toi Musik de Londres, me disse que ele estaria no Brasil no começo de novembro. O que eu achava uma oportunidade única, já que seria um live que cairia como uma luva na pista do Terraza.Me dispus a fazer o road mananger dele, já que não poderia perder a chance de passar um dia com um cara genial como ele. Negociação avançada e já perto de assinar contrato, eu já estava vivo dentro do dia que ele tocaria aqui em Floripa, com a ansiedade cada vez maior.
Chegando perto da data, mandei uma mensagem para a fanpage dele, e ele super educado me respondeu em poucos minutos, dizendo que estava muito feliz de conhecer uma cidade nova e um clube novo. Fiquei ainda mais curioso, como será que deve ser esse cara? Em minha cabeça criei a imagem daquele nerd pirado, que mal se comunica e é cheio de frescuras para fazer qualquer coisa. Chegando no dia a surpresa: na hall de desembarque do aeroporto, quando eu o avisto, ele já vem em minha direção dizendo “Heyy Doriva, nice to meet you, finally!”. A partir daquele momento eu sabia que a noite que estaria por vir seria diferente e especial. Fomos ao clube, passamos o som e em seguida jantamos junto com Renee, Ale Reis e Henrique. Ali conversamos um pouco sobre música e contei para ele algumas experiências que tive ouvindo o som dele, falei sobre o Terraza e como ele poderia conduzir o som naquela noite. Deixei ele no hotel e fui para o clube para começar o warm-up sem ter ideia que ele, eu e o Digitaria tocaríamos para o maior público já presente dentro do Terraza desde a sua fundação, 4000 pessoas!
O live começou pontualmente as 02:15. Fiquei surpreso com o começo, normalmente em apresentações mais longas ele começa com uma viagem mais introspectiva na primeira hora, passando para um lance mais voltado para a pista na segunda hora, porém o que aconteceu foram quase três horas de pista, o que mostra que o artista tem versatilidade mesmo fazendo uma apresentação live. Além disso, a quantidade de novidades apresentadas foi muito grande, conhecia poucas músicas das que foram tocadas, mas que ainda assim representaram momentos especiais, como quando tocou Maternity Album Church, música que ele me contou mais tarde que foi feita para a namorada que está grávida, e com os synths e vocal de After Ysle, sobre uma bateria bem mais acelerada que a original do seu último álbum.
No começo a pista estava pouco desconfiada, porque realmente o techno que ele toca é bem diferente e bem difícil de absorver em alguns momentos, mas a partir da segunda hora foi como ouvi o comentário depois: “Parecia um estádio de futebol, cada virada era gol”, o que rendeu uma esticada além do horário previsto. Às 5:00 ele passou o controle para o Digitaria e agradeceu muito a oportunidade e principalmente o carinho que todas as pessoas tiveram com ele aqui em Floripa. Vimos um pouco do set deles, que teve um começo muito bom, mantendo a pegada, que estava bem mais acelerada que o de costume dos dois, mas Ion já estava bem cansado de som alto por dois dias seguidos (na sexta ele tocou em São Paulo), então saí com ele de lá e fomos para um ambiente mais tranquilo fazer um som com volume mais baixo. Neste momento tive a chance de tocar quase 6:00 com ele, ali foi onde eu ouvi tudo o que eu ouvi nos lives dele antes da festa, mais uma vez, mesmo tocando com pen drives, somente musicas dele durante todo o tempo. Houveram momentos paranoicos, algumas pitadas de acid house, com bastante complexidade, tudo numa pegada bem after hours.
Neste final de semana vivi dias especiais, pois além de ter feito um novo amigo, conheci um artista fantástico, que mostra porque a música é tão incrível: ela une pessoas as pessoas. Com um respeito incrível com todos, em todo momento, Ion Ludwig deu uma aula de um pouco de tudo para todos naquele fim de semana, tanto de cordialidade, como de amor ao que faz.
Já se passaram 4 anos desde que Guy Gerber fez sua mítica estreia no Warung Beach Club, um long set de mais de 6 horas que ainda persistia como sua melhor aparição por aqui, época em que ele ainda carregava seu Rolland Juno 106 pelo mundo e se preocupava mais em mostrar todo seu talento como músico. Hoje ele já não precisa mais disso, pois consegue deixar qualquer pista ainda mais marcada por seu estilo envolvente, sendo aclamado como ‘”rei do groove”. O seu lado DJ floresceu e o colocou entre os nomes mais respeitados da atualidade. Gerber é o exemplo do artista moderno, excepcional tanto no estúdio quanto na pista de dança.
Depois de sua estreia ele figurou todos os anos no Club sem ter espaço para uma noite só sua novamente, porém no último sábado, após o cancelamento do Bill Patrick, ele pôde ter novamente um long set para mais uma bela história. Guy Gerber protagonizou um espetáculo inigualável repleto de nostalgia e felicidade. Anos atrás o club tinha como principal característica apresentações que variavam entre 5 e 8 horas, hoje, apenas alguns convidados são agraciados com essa oportunidade.
Eu estava há meses sem frequentar a casa e confesso que estava ansioso pela noite como um todo. Logo na entrada pude notar o bar novo, algo que me intrigou, pois descaracteriza o estilo da casa, mas não se pode agradar gregos e troianos não é mesmo? Rapidamente segui para o Inside, aonde Leo Janeiro iniciava as festividades com tranquilidade, fazendo um bom warm up. Em uma rápida passagem pelo Garden conversei um pouco com o duo Andhim, Tobias e Simon estavam ansiosos e felizes por retornar ao Canto do Morcego após a boa passagem no carnaval deste ano.
Sem atrasos, a fábula do headliner israelense começou a ser escrita pontualmente às duas horas da madrugada. Oriundo de Tel Aviv, ele sempre bebeu de boas fontes musicais e contou com o apoio de grandes gravadoras como Bedrock e Cocoon para formar o artista que é hoje. Sua conexão com a pista do club catarinense se sobressai sem que ele faça muitos esforços, cada música sempre surge de forma simples e mágica. Logo na primeira hora de set o público foi agraciado com o seu remix feito para a música Catch You By Surprise de Art Department, lançada no início deste ano pela gravadora canadense No.19 Music. Era nítido, o principal artista da noite estava inspirado e sem mais delongas tratou de soltar a intimista No Distance, feita em colaboração com Dixon.
Gerber construiu seu set com sua habitual hipnose viajante e apresentou no auge da noite um lado obscuro e mais pesado do que já tinha se visto por aqui. Ainda tinha tempo para algumas cartas na manga como The Mirror Game, que referenciou um pouco à noite de Halloween que acontecia. Pouco antes do término do seu set o inigualável e inesperado remix de Radio Slave para Moan foi sacado e extasiou a pista inteira. Para quem não conhece, esta é uma das principais produções do emblemático Trentemøller, o qual não vemos em terras tupiniquins desde a sua passagem pela trinca D-Edge, Club Vibe e Warung em 2011.
As luzes do dia já haviam tomado conta do Inside indicando o fim de mais uma bela noite quando a magia de Timing começou a ser tocada. Em poucos segundos toda a atmosfera se transformou dando espaço a toda genialidade por trás dessa música, artistas lendários como Hernan Cattaneo, John Digweed e até mesmo o papa Sven Väth já tocaram ela no pistão. Ao fim do set, Gerber ainda deixaria um último presente, a especial Dillon – Thirteen Thirtyfive (Deniz Kurtel Remix), para fechar com emoção mais este belo capítulo na história do templo!
No dia 03 de outubro o Warung recebeu Mathew Jonson, um dos lives mais incríveis da atualidade, que no ano passado carimbou seu nome como um dos destaques da Tribaltech. Completando o line-up do Garden, uma bela articulação da curadoria: um inusitado longset do duo Stekke no warm up e o curitibano Fabo pra encerrar. Na véspera, com a divulgação dos horários, as comunidades de debates sobre assuntos do templo foram tomadas por elogios, tanto pela estreia de Mathew, como também pela oportunidade de ter um dos principais projetos de techno do país guiando a pista por seis horas, podendo contar uma bela história, surpreendendo até mesmo aqueles fãs que já conheciam o som deles.
Entramos no clube por volta das 10h e nos instalamos em frente ao palco, para acompanhar cada minuto do que Stekke apresentaria. No primeiro momento rolou o clássico “warm up para si mesmo”, contando com suas características habituais, norteadas pelo dubtechno. O legal desse começo é o clima que se criou: uma atmosfera fechada, misteriosa, sem muitas pistas de como aconteceria a evolução da apresentação, com momentos de experimentalismo puro. Com o passar das horas a evolução era milimétrica, o duo conseguiu hipnotizar os presentes com as mesmas características citadas anteriormente, porém subindo a quantidade de batidas por minuto e algumas certeiras variações de bassline, hats e kicks. Até aquele momento pouco se conhecia sobre os LP tocados, até que próximo ao final o público foi brindado com alguns clássicos, como “Whats Is The Time, Mr. Templar?” e “Kinda Kickin”.
Com a entrada de Mathew Jonson, a euforia era grande. Em seu primeiro timbre já era perceptível a qualidade que viria a seguir, justificando o porquê de ser tão aguardado. Sua primeira música apresentavam muitas influencias da house music, com um belo vocal, levando a pista ao delírio. Subsequente a isso, uma soma de novidades: músicas desconhecidas, até o primeiro clássico dar as caras: na sua quarta música o canadense apresentou uma versão de Learm to Fly incrível, com uma série de novos elementos, transformando o que já era magnifico! Em seguida tudo passou tão rápido, belo e impactante que quando olhamos no relógio o horário do término de sua apresentação já se aproximava. O carisma de Mathew é surpreendente, um show à parte, além de todos os equipamentos analógicos que o mesmo carrega, ele foi importantíssimo para ganhar os presentes. Essa comunicação entre artista e pista é essencial a qualquer DJ ou produtor que se apresente ao vivo.
Com a entrada de Fabo notou-se uma mudança brusca no clima na festa. Não de forma pejorativa, mas a mudança de “humor”, musicalmente falando, foi nítida. O curitibano, diferente de todas as outras vezes que o vi se apresentar, mostrou um som mais sério, longe das características que o consagraram. De certa forma, Fabo foi muito inteligente ao optar por esse perfil de set, pois ele tinha a árdua missão de segurar a pista depois das impactantes apresentações de Stekke e Mathew Jonson. Podemos dizer que ele conseguiu, já que a pista o respondia muito bem diante sua apresentação.
A noite seguinte do templo contou com Guy Geber e já aconteceu. Na próxima semana nosso correspondente Thiago irá publicar seu relato da festa, enquanto nos preparamos para o aniversário do templo, marcado para acontecer dias 13 e 14 de novembro. Para obter informações acesse: www.warungclub.com
Nascido na Holanda, Koos Ludwig é um daqueles talentos precoces, que começaram a produzir desde muito cedo. Mudou-se para Berlim no começo de 2005, onde começou a lapidar o live que viria a apresentar com o nome de Ion Ludwig, em casas como o Club Der Visionaire e o Weekend. Com 21 anos já havia lançado seu primeiro EP pela Alphahouse.
O que podemos esperar nas suas apresentações? Uma viagem introspectiva e ao mesmo tempo bem divertida pelos mais diferentes tipos de arte, um som bem desconforme em estrutura e harmonia em relação ao que estamos habituados a ouvir. Ion cria uma atmosfera bem fantasmagórica em certos momentos, deixando a ambiência caótica, e em outros com vocais lindos, citações de vozes do cinema e sons orgânicos do mundo.
Uma verdadeira máquina de produzir, lançou este mês seu segundo disco/ábum pela sua própria gravadora, a UGold Series, em parceria com a DD Distribution Berlin. Um álbum triplo, denominado Ghost to Cost, vinyl only, com parte do refinado conceito que ele consegue extrair nos lives ao redor do mundo. Você pode ouvir o álbum aqui. Infelizmente todas as cópias foram reservadas em poucos dias no site alemão Decks.de.
Será uma enorme experiência musical para quem puder acompanhar suas duas horas de live dia 7 de novembro no Terraza em Florianópolis, ou dia 6 na Subdivisions, em São Paulo. Poder acompanhar o estudo sonoro de um artista inteligente assim é um prato cheio para quem ama música eletrônica. Completando o line de Floripa temos eu, Doriva Rozek, representando a casa e também o detroitbr, e o duo brasileiro que hoje vive em Barcelona, Digitaria. Em SP Oliver Gattermayr, Manara e Raphael Carrau farão companhia a Ion na cabine.