Já se passaram 4 anos desde que Guy Gerber fez sua mítica estreia no Warung Beach Club, um long set de mais de 6 horas que ainda persistia como sua melhor aparição por aqui, época em que ele ainda carregava seu Rolland Juno 106 pelo mundo e se preocupava mais em mostrar todo seu talento como músico. Hoje ele já não precisa mais disso, pois consegue deixar qualquer pista ainda mais marcada por seu estilo envolvente, sendo aclamado como ‘”rei do groove”. O seu lado DJ floresceu e o colocou entre os nomes mais respeitados da atualidade. Gerber é o exemplo do artista moderno, excepcional tanto no estúdio quanto na pista de dança.
Depois de sua estreia ele figurou todos os anos no Club sem ter espaço para uma noite só sua novamente, porém no último sábado, após o cancelamento do Bill Patrick, ele pôde ter novamente um long set para mais uma bela história. Guy Gerber protagonizou um espetáculo inigualável repleto de nostalgia e felicidade. Anos atrás o club tinha como principal característica apresentações que variavam entre 5 e 8 horas, hoje, apenas alguns convidados são agraciados com essa oportunidade.
Eu estava há meses sem frequentar a casa e confesso que estava ansioso pela noite como um todo. Logo na entrada pude notar o bar novo, algo que me intrigou, pois descaracteriza o estilo da casa, mas não se pode agradar gregos e troianos não é mesmo? Rapidamente segui para o Inside, aonde Leo Janeiro iniciava as festividades com tranquilidade, fazendo um bom warm up. Em uma rápida passagem pelo Garden conversei um pouco com o duo Andhim, Tobias e Simon estavam ansiosos e felizes por retornar ao Canto do Morcego após a boa passagem no carnaval deste ano.
Sem atrasos, a fábula do headliner israelense começou a ser escrita pontualmente às duas horas da madrugada. Oriundo de Tel Aviv, ele sempre bebeu de boas fontes musicais e contou com o apoio de grandes gravadoras como Bedrock e Cocoon para formar o artista que é hoje. Sua conexão com a pista do club catarinense se sobressai sem que ele faça muitos esforços, cada música sempre surge de forma simples e mágica. Logo na primeira hora de set o público foi agraciado com o seu remix feito para a música Catch You By Surprise de Art Department, lançada no início deste ano pela gravadora canadense No.19 Music. Era nítido, o principal artista da noite estava inspirado e sem mais delongas tratou de soltar a intimista No Distance, feita em colaboração com Dixon.
Gerber construiu seu set com sua habitual hipnose viajante e apresentou no auge da noite um lado obscuro e mais pesado do que já tinha se visto por aqui. Ainda tinha tempo para algumas cartas na manga como The Mirror Game, que referenciou um pouco à noite de Halloween que acontecia. Pouco antes do término do seu set o inigualável e inesperado remix de Radio Slave para Moan foi sacado e extasiou a pista inteira. Para quem não conhece, esta é uma das principais produções do emblemático Trentemøller, o qual não vemos em terras tupiniquins desde a sua passagem pela trinca D-Edge, Club Vibe e Warung em 2011.
As luzes do dia já haviam tomado conta do Inside indicando o fim de mais uma bela noite quando a magia de Timing começou a ser tocada. Em poucos segundos toda a atmosfera se transformou dando espaço a toda genialidade por trás dessa música, artistas lendários como Hernan Cattaneo, John Digweed e até mesmo o papa Sven Väth já tocaram ela no pistão. Ao fim do set, Gerber ainda deixaria um último presente, a especial Dillon – Thirteen Thirtyfive (Deniz Kurtel Remix), para fechar com emoção mais este belo capítulo na história do templo!
Fotos: Gustavo Remor e Juliano Viana / IMAGECARE.