Autor: Thiago Silva

  • Richie Hawtin: um fanático por tecnologia com amor pela música

    O mundo da música eletrônica nos oferece uma vasta gama de nomes que se destacam tanto pela sua história quanto pela sua importância, Richie Hawtin é um desses expoentes, que se projeta para além do trivial e é sinônimo de inovação e criatividade. Pioneiro em várias tecnologias que envolvem a arte da mixagem, ele coleciona incontáveis contribuições para a difusão da mesma, seja apresentando novas ferramentas para DJs ou a inclusão de novos entusiastas para o mundo das pick ups.

     

    No final da década de 70 Mick e Brenda Hawtin mudaram-se de um vilarejo no Reino Unido para a cidade de Windsor, no Canadá, levando consigo seu filho Richard, de 9 anos. Por ventura do destino a nova moradia era vizinha de Detroit, a famosa cidade das máquinas que viria a se tornar o berço do techno na década seguinte.

    A localização geográfica foi importante mas outro fator foi igualmente relevante para que o pequeno Richie viesse a se tornar o grande artista que é hoje: seu pai era engenheiro robótico e fã de música eletrônica, apresentou Kraftwerk cedo e sempre estimulou o uso da tecnologia em casa. Não demorou muito para o garoto britânico se familiarizar com o desejo de embalar festas noturnas, tão logo o nerd de óculos e cabelo raspado começou a se apresentar utilizando o nome Richie Rich.

    Richie Hawtin, na época “Richie Rich”, à esquerda e John Acquaviva à direita.

    Richie Rich ainda não causava tanto impacto, foi quando ele se juntou a John Acquaviva e fundou o selo Plus 8, em 1989, que seus passos na cena eletrônica começaram a ser notados, lançando artistas como Speedy J e Kenny Larkin. Nos primeiros releases seu nome como produtor era F.U.S.E, que rapidamente seria trocado pela alcunha que o consagrou como um dos grandes nomes da second wave of detroit techno: Plastikman. Sua proposta musical era uma resposta ao techno “brutal” que rolava na Europa à época, bebendo em referências do electro, synth-pop e industrial para criar uma sonoridade minimalista e progressiva.

    Richie Hawtin presents Plastikman – Spastik

    No entanto foi só a partir de 1996, quando juntou-se com Robert Hood para uma série de EPs mensais chamada Concept 1, que o Minimal Techno viria a ser considerado uma vertente. Em 1998 o Plastikman já era sinônimo de tecnologia e novidade mas o minimal techno ainda era considerado cru, vivendo seus early days. Foi quando o aclamado álbum Consumed, lançado por sua outra gravadora M_nus, surge como um divisor de águas, superando tudo o que as pessoas conheciam sobre Plastikman, apresentando uma nova forma de explorar o minimalismo e despertando interesse global no estilo.

    No início dos anos 2000, estimulado pelo seu sucesso, Richie decide mudar-se para Nova York, lugar onde não residiu por muito tempo, para logo em seguida firmar raízes em Berlim. Foi na Alemanha que os óculos ficaram de lado, o cabelo cresceu e seu estilo de vida mudou completamente. Foi lá que passou a ter uma forte amizade com Sven Vath, ícone lendário da Ilha de Ibiza, onde por incontáveis vezes compartilhou o line-up da festa Cocoon. Todo esse período de transição fez com que ele pudesse se dedicar mais ao lado Hawtin e à carreira dos jovens talentos que viriam a despontar por seu selo M_nus, como Gaiser, Magda, Troy Pierce e Marc Houle.

     

    Em 2012 Hawtin decide fazer importantes movimentos para disseminar ainda mais sua cultura. Nesse contexto surge a festa ENTER., realizada naquele que foi considerado o melhor club do mundo sucessivas vezes: Space Ibiza. Durante os 3 anos de atividade Hawtin esteve envolvido diretamente em tudo, era a principal figura por trás de toda a temática e decoração, incluído o famoso sake bar. Um de seus ambientes favoritos era o MIND, espaço destinado para música eletrônica experimental.

    Programação de Julho a Outubro de 2017 da festa “Enter”, no Space Ibiza.

    Ainda em 2012 Richie retornou à América do Norte para o projeto CNTRL: Beyond EDM, realizou seminários, palestras e debates em universidades dos Estados Unidos e do Canadá, com a co-produção de Loco Dice e Ean Golden. Tal projeto lhe rendeu ainda uma grande honraria, pois recebeu diretamente das mãos do prefeito de Windsor as chaves da cidade na qual cresceu. Outra reconhecimento de bastante prestígio aconteceu 2015, quando recebeu o título honorário de doutor, através da universidade Huddersfield, “por sua notável contribuição ao mundo da música e da tecnologia”. 

    A primeira metade desta década foi também o último momento que seu projeto Plastikman deu as caras. Em 2013 aconteceu uma lendária apresentação no Guggenheim Museum, em New York, a qual acabou se tornando o último álbum do homem de plástico a ser lançado até o momento: EX. O minimalismo ainda predomina, mas recebe camadas melódicas que aquecem a sonoridade do lançamento, que é uma bela leitura contemporânea de todas as experiências que Hawtin havia vivenciado até então.

    EXhale é a 7ª e última track do álbum “EX”.

    Em 2015 a Plus 8 completou 25 anos e para celebrar o fato histórico Hawtin lançou um álbum completo com músicas inéditas, muitas delas reutilizando nomes que ele mesmo havia usado ao longo de sua carreira. O título do álbum não poderia fazer referência maior: From My Mind to Yours. Não bastando todas as notórias contribuições, no início de 2016 anunciou uma parceria com a designer Andy Rigby-Jones e as empresas Allen & Heath e Audiotonix. Intitulada Play Differently, a iniciativa está desenvolvendo um novo conceito de mixer, equipamento essencial ao trabalho do DJ. O MODEL1 ainda não é vendido comercialmente mas já se tornou exigência no rider técnico de inúmeros artistas de renome, como Chris Liebing Loco Dice, Dubfire e Stephan Bodzin.

    Richie Hawtin conta sobre o setup que usa em suas apresentações, com ênfase no mixer “MODEL1”

    Neste final de semana Richie Hawtin volta ao Brasil para duas apresentações bastante especiais: sexta ele se apresenta na edição nacional do Time Warp e sábado no Warung Beach Club, na Praia Brava. A conexão de Hawtin com o templo começou há exatos 10 anos, quando trouxe para o pistão a tendência do mercado europeu. Como fruto, em pouco tempo se tornou uma das pratas da casa, sendo sempre ovacionado em suas apresentações. Um de seus momentos mais icônicos foi durante sua passagem em janeiro de 2011, a energia elétrica falhou duas vezes, Yeke Yeke figurou no setlist e também teve o famoso episódio do chinelo, quem estava lá lembra claramente disso. 

    Apresentação de Richie Hawtin no Warung Beach Club em Janeiro de 2011.

    Sua última passagem no Brasil foi no 1º semestre desse ano, no DGTL São Paulo, e a última passagem pelo Warung foi em 2016, quando estava fazendo tour apresentando o MODEL1. Podemos aguardar muitas novidades em seu retorno à São Paulo na sexta, e neste sábado, quando ele e outros medalhões coroarão o aniversário de 17 anos da mais tradicional casa de música eletrônica do litoral catarinense!

    SERVIÇO

    Matéria Principal Warung: Warung reúne alguns dos principais artistas do mundo no seu mês de aniversário.
    detroitbr: Time Warp retorna ao Brasil com line-up de impacto.

    Warung Beach Club – 17 Anos:
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    Venda de Ingressos: Blueticket/Eventbrite

    Time Warp Brazil 2019
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    Venda de Ingressos

     

  • Marcel Dettmann retorna ao Brasil para três apresentações

    Quando se fala de Berlim logo nos vem à cabeça o lendário Berghain, tido como a meca mundial do techno contemporâneo. O lugar possuiu uma mística impar que começa logo na entrada com seu famoso bouncer Sven Marquardt, responsável por permitir a entrada ou bloqueio dos que tentam se aventurar pelas estruturas inabaláveis do club alemão. Os principais chamarizes são as festas insanas que começam sábado e terminam na madrugada de domingo para segunda e, claro, o seu imbatível time de residentes. De Anthony Parasole a Steffi, passando por Efdemin e Ryan Elliot, a cultura dos residentes permanece forte e confirma o quão importante eles são para difundir e representar o seu local de residência.

    Um dos nomes que também pertence ao “dream team” do club alemão é Marcel Dettmann. Nascido e criado em Pößneck, cidade que fica localizada no estado de Turíngia, desde pequeno esteve envolvido com música, pois sua mãe era professora e uma grande influenciadora em favor da arte em sua família. Sempre que todos estavam reunidos aproveitavam o tempo para cantar e tocar instrumentos, não demorando muito para ele se familiarizar com bandas como Depeche Mode, Joy Division e New Order. 

    Sua cidade natal fica a 60 quilômetros de Berlim, onde fica localizada a famosa loja de discos Hard Wax. No início dos anos 90 Marcel fazia festas em sua cidade com seus amigos, pouco tempo antes de fundar sua loja dentro de sua própria casa, afim de incentivar a disseminação da música eletrônica, o que criou um vínculo inegável com a record store berlinense. Em contato direto com os clubs E-Werk e Tresor, não por acaso começou a despertar o seu desejo pelas novidades que estavam vindo de Detroit. Em 1999 se tornou residente do Ostgut, predecessor do Berghain, e após um curto período recebeu o convite para trabalhar na Hard Wax, onde além de vender discos poderia refinar ainda mais o seu aguçado conhecimento.

    Rapidamente seu nome se popularizou por toda a Alemanha, até que em 2006 fundou sua própria label intitulada Marcel Dettmann Records, por onde passou a ter liberdade para lançar suas próprias músicas e ajudar a revelar novos talentos. O primeiro single, chamado MDR 01, trazia as músicas Let’s Do It e Radio e seu lançamento foi um sucesso, seguido pelo single MDR 02, remixado por T++. 


    Em 2014 seu nome já havia se estabelecido como um dos maiores embaixadores do techno industrial de Berlim, seu mix fabric 77, lançado em agosto do mesmo ano, confirma toda a sua notoriedade e a sua precisão cirúrgica na escolha das músicas que figurarão em seus sets.

    Aqui no Brasil a sua primeira aparição foi em 2009 no Club Kraft em São Paulo. Uma de suas vindas mais recentes e memoráveis foi em 2016, quando ele retornou para uma turnê na qual mais uma vez passou por São Paulo, agora na festa Moving do D-Edge, e por Itajaí, quando foi protagonista de uma das noites mais geladas do Warung Beach Club naquele ano.

    Marcel Dettmann é o tipo de DJ que atrai os olhares de qualquer amante de techno, seu nome por si só causa bastante impacto, o qual é correspondido por suas performances, em club ou em open air elas sempre são de tirar o fôlego. Dettmann retorna ao nosso país como uma das principais atrações do festival holandês Dekmantel, que aporta em São Paulo pela segunda vez apresentando grandes artistas da música eletrônica mundial. Antes da sua apresentação lá, que será no dia 4 (domingo), o DJ alemão passa pela festa Caos no dia 2 (sexta) e pelo Warung Beach Club no sábado (3), sendo que ao longo de toda a tour ele se apresentará junto de Nina Kraviz.

    Serviço

    Evento: Caos

    Data: 2 de março de 2018
    Locais: Rua Luis Otavio, 2995, Campinas (SP)
    Ingressos: Bilheteria Digital
    Link: evento no facebook

    Evento: Warung Beach Club

    Data: 3 de março de 2018
    Locais: Av. José Medeiros Vieira, 350, Itajaí (SC)
    Ingressos: Blueticket / Alô Ingressos
    Links: site oficial / evento no facebook

    Evento: Dekmantel Festival

    Data: 3 e 4 de março de 2018
    Locais: Rua Inhaúma, 263 (Antigo PlayCenter) e Av. Olavo Fontoura, 1209 (Sambódromo do Anhembi), ambos em São Paulo (SP)
    Ingressos: Eventbrite
    Links: site oficial / evento no facebook

  • Carnaval eletrônico reúne diferentes tribos no Warung

    O Brasil é conhecido no mundo por ser o país do futebol, da caipirinha e, claro, do famoso carnaval. Os primeiros indícios das festas remontam do século XVII com a introdução do entrudo português, que é como eram chamado os grandes bonecos que faziam desfiles nas ruas. Com o passar dos anos os desfiles passaram a ser proibidos pela polícia, devido à violência de rua gerada. Na virada do século XX os entrudos foram substituídos por corsos, onde grupos de elite das cidades se fantasiavam e decoravam os seus carros de acordo, fazendo assim os primeiros desfiles de carros alegóricos de escola de samba. 


    Foto: Reprodução.

    Aqui no sul do país a cultura tradicional do carnaval não é tão celebrada quanto em outras partes do território nacional, por isso muitos aproveitam o período para festejar de acordo com a programação de casas noturnas da região ou optam por viajar para longe do agito diurno e/ou noturno. Na Praia Brava, mais precisamente no Warung Beach Club, a programação estava repleta de nomes conhecidos, artistas nacionais e internacionais que coroaram as três noites de folia eletrônica.

    Logo na primeira noite o selo espanhol Rumors criado por Guy Gerber em 2014, enalteceu o Garden trazendo as estreias de Acid Mondays e Bill Patrick. Minha ansiedade maior era por Bill, que em outubro de 2015 cancelou a sua vinda. Entrei tarde no club porém felizmente consegui ver a parte final do seu set. Transitando por uma linha mais voltada para o tech house com leves pitadas de progressive, soube levar e entregar muito bem o Garden para as mãos do anfitrião daquela noite.


    Foto: Ebraim Martini

    Por saber como seria a proposta de Guy Gerber, optei por ir ao Inside acompanhar o set de Renato Ratier, nome por trás do D-Edge, lendário club que fomenta a cena eletrônica de São Paulo. Assim que comecei a subir as escadas, me familiarizei com o som de Johannes Heil – B2. 
Adotando uma postura 100% voltada para o techno, Renato introduziu diversas faixas do gênero criado em Detroit, deixando assim todos muito bem preparados para o que viria a seguir.




    Foto: Ebraim Martini

    Nicole Moudaber é natural da Nigéria, trabalhou por vários anos promovendo festas em Beirute, capital do Líbano. Após um longo período de aprendizagem foi apadrinhada por ninguém menos que Carl Cox, que como seu mentor a ajudou a encontrar o seu estilo musical. Figurou como anfitriã de vários afters parties até assumir a linha de frente de festas de clubs famosos da Espanha como Space e DC-10, não demorando muito para seu nome chegar ao line-up dos grandes festivais. No Inside ela estava muito à vontade, dona de um carisma único sua presença pode ser notada de longe, seja pelo seu estilo de discotecagem, seja por seus cabelos cacheados, sempre armados e acompanhados do seus óculos escuro. 

    Não demorou muito para uma chuva de músicas estarrecedoras e assombrosas começar a ecoar por dentro do Inside, indo contra o período carnavalesco que sugere mais alegria, Nicole não poupou os ouvidos do público e optou por seguir uma linha de techno mais industrial. O trabalho de um DJ consiste basicamente em entreter o público que sai de casa para se divertir, dentro deste contexto se introduz uma história e através disso toda uma atmosfera se cria e se renova música após música. No set dela não foi diferente: na primeira noite de carnaval músicas de artistas consagrados como Len Faki e Ben Klock e até algumas de autoria própria soaram de forma esplêndida dentro do pistão. Dos inúmeros trunfos que ela tinha na manga, o que mais me chamou a atenção foi Scuba – Family Entertainment (Øphase Remix), tocada na transição da noite para a dia.

    O meu desejo neste instante era de permanecer ali e acompanhar até o fim a sua performance, mas sabia que era hora de descer as escadas para ser surpreendido por Guy Gerber. O Garden é um palco mais aberto, onde o público fica mais à vontade, o que se intensifica quando a Rumors assina e muda toda a decoração. Se durante a noite a experiência visual já estava bonita, durante o dia se tornou melhor ainda, era possível ver com detalhes todos os arranjos postos, flores e toda a arte feita para receber este selo. Gerber possui produções únicas que destacam muito a sua capacidade de prender o ouvinte, logo que me estabeleci fui bombardeado com Secret Encounters, track de autoria própria dele lançada em 2016 pelo seu selo.

    



    Alguns minutos passados, não bastando toda a euforia de ver a festa se encaminhando para o seu desfecho, às 8hrs da manhã eis que surge Here Comes The Rain – Deniz Kurtel, me fez voltar 4 anos no tempo e relembrar aquela apresentação dele de final de ano. No mundo dos DJs acontece muito de uma música ser tocada várias e várias vezes sem ser lançada, esta por incrível que pareça foi lançada apenas no passado. E foi assim, com esse sentimento de nostalgia que o Garden deu as boas-vindas ao carnaval.




    Foto: Gustavo Remor

    Para a segunda noite as energias já estavam um pouco esgotadas e era necessário se resguardar, pois na noite seguinte haveria mais uma festa, por isso encontrei rapidamente um bom local no Inside e por ali me estabeleci. Acompanhei o live inteiro de Recondite e realmente, é uma pena ser apenas 1 hora. Um setlist repleto de músicas produzidas por ele mesmo, acompanhado de uma categoria e uma maneira absoluta de gerenciar todos os seus recursos, digno de uma noite Spectrum. 



    Foto: Gustavo Remor

    

Logo nos minutos iniciais a exuberante Warg mudava o clima da noite, subitamente nos vimos entrando em uma imersão que se aprofundou ainda mais com Wist 365. Neste momento eu sabia que deveria permanecer ali contemplando toda a obra sendo construída, o “tijolo” final para santificar toda a sua construção foi Phalanx.

    Sempre que vejo o retorno de um grande nome me pergunto: Vai ser bom? Será ruim? Talvez aceitável? Na dúvida deixo a expectativa de lado e tento me surpreender, quando se trata de um artista como Joris Voorn nenhuma das alternativas se aplica, pois ele é uma mescla de vários estilos. Diferente da proposta introspectiva adotada por Recondite, Joris optou por jogar em vários campos da música eletrônica, como por exemplo a clássica e insuperável releitura de Tiesto para Adagio for Strings. Poucos sabem, mas a música que o inspirou vem da obra de Samuel Barber e foi orquestrada em 1936, Tiesto a adptou e a transformou em um dos clássicos supremos do euro trance.

    Depois de uma rápida passagem pelo bar, fiz um bate e volta no Garden e pude conferir um pouco da proposta de Black Coffee, que teria sido mais agradável não fosse a chuva que assolava a noite. Presenciei muitos rostos sorridentes e contentes com toda a sonoridade que o africano estava apresentando, explorando vocais com tribal ao fundo começou a escrever um livro com o público do Warung, que certamente ainda tem mais páginas para serem escritas. Fui presenteado com Keinemusik (Rampa, Adam Port, &ME) – Muyè.






    Foto: Gustavo Remor

    O Inside sempre traz grandes surpresas, se em um momento você está no euro trance, em outro você pode se deparar com um dos maiores hinos da música: Depeche Mode – Enjoy The Silence. É espantoso e ao mesmo tempo espetacular o efeito que a voz de Dave Gahan tem sobre as pessoas que amam música eletrônica. Logo em seguida mais um clássico, só que dessa vez da house music lá do final dos anos 90: Stardust – Music Sounds Better With You. Seria Joris o camaleão do carnaval? Vestindo a fantasia de inúmeros estilos musicais e acertando muito bem em cada escolha? Talvez, mas o encerramento do seu set ainda reservava mais uma surpresa: Ringo, tida até hoje como um dos seus maiores clássicos.


    Foto: Gustavo Remor

    

Economizar energias de domingo para segunda valeu a pena, poucas vezes se vê um nível tão alto de profissionalismo e comprometimento quanto o apresentado no terceiro dia. Infelizmente devido ao atraso no voo e a impossibilidade de conexão, Tânia Vulcano que era a artista que eu mais queria ver, não pode vir. Rapidamente o time do templo se pronunciou nas redes sociais e remanejou os horários de Seth Troxler e The Martinez Brothers, fazendo com que a brincadeira começasse às 23h e seguisse com os três até o fim. Não é de hoje que eles se juntam para proporcionar noites recheadas de clássicos, em 2016 no aniversário de 14 anos do Warung eles se reuniram no Garden e caíram nas graças dos que estavam presentes. 

    Enquanto isso, no Garden estava rolando a estreia de Alex Niggemann, que até então era desconhecido para mim. Mais uma vez deixei o destino encarregado de agradar os meus ouvidos, que já estavam bem calibrados após duas noites. O retorno foi super-positivo, sem dúvidas o melhor nome que o carnaval me trouxe, irei me aprofundar mais em suas produções. O warm up foi feito por Gromma, seguido de Flow & Zeo, mas quem realmente tratou deixar a pista pronta para Nastia foi o alemão Alex. Se no piso superior o house e o tech house iriam imperar, a pista inferior era do techno, daqueles muito bem trabalhados que te deixam hipnotizado e sem palavras. Sem ser muito agressivo ele tratou de deixar todos em ponto de ebulição para que a DJ ucraniana afirmasse mais uma vez seu nome.


    Foto: Gustavo Remor

    



Não é de hoje que as mulheres vem cada vez mais ganhando espaço dentro do entretenimento musical eletrônico, quando se pensa nisso inúmeros nomes são enfatizados como sinônimo de qualidade e acima de tudo respeito. Nastia já acumula um bom currículo, pode se dizer que sua conexão começou a ficar próxima com o Brasil após a sua apresentação na TribalTech de 2014.

    



    O que se nota atualmente é a postura de uma profissional pós-graduada no que faz, que seduz e conduz a pista sem muitas delongas e que sabe manter a elegância em cada mixagem. É extremamente difícil e ao mesmo tempo gratificante não encontrar palavras para definir como foi a apresentação dela: Histórico? Único? inesquecível? São palavras que talvez possam se aplicar muito bem. 

    Durante as minhas idas e vindas entre o Inside e Garden em uma tentativa de tentar me dividir em dois para extrair o melhor dos dois palcos, eis que me deparo com uma homenagem ao povo brasileiro. Sim, a polêmica Rap da Felicidade de Cidinho e Doca. Antes da criação deste texto analisei a música várias e várias vezes, criada em 1995, explodiu trazendo uma mensagem politizada que mensurava a realidade das comunidades do Rio de Janeiro, onde moradores eram frequentemente desrespeitados pela sua condição financeira. Se aplicada aos dias atuais, nota-se um subliminar pedido de socorro. O funk é algo intrínseco da cultura brasileira e sempre esteve presente, mas nem sempre agradou gregos e troianos, assim como vários outros estilos musicais. Dentro do Warung a recepção por muitos foi negativa: “Como pode um DJ tocar isso? ” Outros falaram: “Isso que é homenagem! ”. Dentro do turbilhão de opiniões geradas, devemos ser gratos pelo trabalho que o DJ tem de chegar aqui, procurar algo que seja nosso e consegui encaixar perfeitamente dentro da sua história apresentada na noite. 


    Foto: Gustavo Remor

    Para o final do set, outra homenagem, de um cantor que possivelmente foi uma das melhores vozes da MPB, Tim Maia. Não é a primeira vez que Acenda o Farol ecoa pelas estruturas do templo, mas sempre que surge, todos cantam e seguem o dia com a certeza de que mais uma noite foi curtida com sucesso.



    O carnaval é sempre um período marcado por muitas histórias e experiências que na sua grande maioria sempre deixam saudades, em 2018 a sensação não poderia ser outra. Nossas atenções agora se voltam para a segunda edição do festival holandês Dekmantel que acontece 3 e 4 de março em São Paulo, simultaneamente ao retorno de Marcel Dettmann e Nina Kraviz ao templo da Praia Brava.

  • Três selos, três noites no carnaval do Warung

    Um dos períodos mais festivos do ano está para começar e o ciclo carnavalesco do Warung será contemplado por três grandes showcases: Rumors, Spectrum e Circoloco. Todos trazem consigo uma temática específica, contextualizada com os DJs que apresentam.

    

Rumors surgiu em 2014 como uma festa gratuita nas praias de Ibiza. Idealizada por Guy Gerber, desembarca pela segunda vez no Brasil. Sua primeira aparição por aqui foi no carnaval de 2016, quando trouxe Lauren Lane. A principal característica é a decoração do palco, várias luminárias amarelas, gérberas vermelhas e brancas e até alguns girassóis deixam a experiência visual mais impactante. Gerber já é íntimo do público do Warung, estreou por aqui na páscoa de 2011 com um memorável set de 6 horas, criando assim uma conexão com o templo que se fortaleceu com novas passagens nos anos seguintes. No dia 10 de fevereiro ele vem acompanhado de Bill Patrick e Acid Mondays, no comando do Garden.

    Spectrum é um programa de rádio desenvolvido pessoalmente por Joris Voorn, que pode ser ouvido/baixado em diversas plataformas. Com quase um ano de existência, nele Joris aproveita para compartilhar todo o seu extenso gosto musical, transitando entre os mais variados estilos como techno, tech house, house, deep house e até progressive house. Atualmente está no episódio 041 e pode ser conferido diretamente através do site http://jorisvoornspectrum.libsyn.com/. O Spectrum vem para coroar a segunda noite de folia no Inside, além de Joris Voorn traz Yotto e o aguardado retorno do live de Recondite.

    Circoloco, assim como a Rumors, surgiu em Ibiza. No entanto sua história começa há muito mais tempo, lá no final da década de 90, quando a ilha começava a dar indícios de que seria referência mundial em festas de música eletrônica, um Club chamado DC-10 iniciava uma ousada proposta. Todas as segundas durante o verão a festa Circoloco aconteceria, não demorou muito para se popularizar e se tornar o destino de vários turistas que a ilha recebe durante a alta temporada. Loco Dice, Luciano e Tania Vulcano são apenas alguns dos nomes que firmaram suas carreiras junto ao Crazy Clown, o emblemático símbolo do Palhaço Maluco é considerado por muitos a referência máxima ao estilo de vida festivo espanhol. Esta é a terceira vez que o núcleo realiza uma festa por aqui, as outras edições foram e 2007 e em 2013. The Martinez Brothers, Seth Troxler, Tania Vulcano e o savage Albuquerque estarão encarregados de transportar para a Praia Brava todo o clima das festas da ilha europeia.

    A programação que o Warung oferece é uma excelente alternativa para aqueles que preferem música eletrônica aos passinhos e hits carnavalescos. Além dos artistas já citados, outros grandes nomes que se apresentarão virão para proporcionar uma experiência sonora ímpar a quem frequentar o templo durante o feriado.

    Serviço

    Local: Warung Beach Club – Av. José Medeiros Vieira, 350, Itajaí (SC)
    Ingressos: site oficial

  • Petre Inspirescu retorna ao Warung após hiato de 10 anos

    De modo geral, é comum o redator ter seus momentos de baixa criatividade em que o texto não flui, são inúmeros os fatores que rodeiam e primam o cérebro até que você encontre o seu ponto de partida. Redigir um texto sobre um dos nomes que mais efervesce a cena eletrônica romena é de longe um dos meus maiores desafios, desde que comecei a me aventurar por esse vasto mundo. Durante a semana que sucedeu o evento aquele típico frio de noite histórica ecoava sobre mim, as lembranças da última passagem de Petre Inspirescu por terras tupiniquins ainda me assombravam e a certeza que essas memórias seriam excluídas estava prestes a se confirmar.

    Quando se fala em Romênia automaticamente associasse o nome Sunwaves, festival que acontece na praia Bulevardul Mamaia Nord na cidade de Constanta. Por lá, acontecimentos emblemáticos costumam ocorrer com certa facilidade, como o set de 31 horas feito por tINI e Bill Patrick durante o ano passado. No Line-Up, a presença de nomes expressivos como Ricardo Villalobos, SIT, Priku, Premiesku e Herodot fomentam ainda mais que a sutileza do Minimal, em conjunto com Techno e Tech-House formam a proposta do festival em si.

    Um dos momentos mais aguardados durante o evento é a presença do trio por trás da sigla [a.rpia.r], Petre Inspirescu, Rhadoo e Raresh partilham momentos inigualáveis de amor à arte, seja com sua música atemporal que foge dos moldes tradicionais, ou apenas pela presença de palco e sinergia que os rodeia. Receber um desses nomes aqui na cidade de Itajaí no Club de maior referência para o estado e até para o Brasil é sem dúvidas uma das melhores maneiras de se começar um ano.

     

     

    Janeiro é um dos meses mais aguardados aqui no Sul, seja pela noite incandescente repleta de atrações nacionais e internacionais ou pelas praias abarrotadas de turistas de outras cidades do Brasil e do mundo que ajudam a movimentar a economia. A revista britânica de maior prestigio na cena eletrônica mundial Resident Advisor, tomou por assinar quatro noites neste verão. Apollonia, Recondite, Nina Kraviz e Cassy são alguns dos convidados para encabeçar os diversos eventos que estarão acontecendo no Warung Beach Club.

    Sábado, 07 de janeiro de 2017.

    Pelas redes sociais horas antes do evento era possível notar a euforia nas publicações que falavam do retorno de Petre Inspirescu, inúmeros links com vídeos no YouTube, sets no SoundCloud ou apenas o nome Pedro esquentava ainda mais a noite atípica de verão. É comum notar certos erros em algumas noites das quais a curadoria utiliza artistas que não casam tão bem com a atração principal, porém não dessa vez. Gromma e Ale Reis, nomes que não precisam de muitas apresentações, o primeiro sem dúvida alguma um dos DJs curitibanos de maior renome na cena eletrônica brasileira, o segundo por sua vez transborda experiência, conhecimento e respeito.

    A escolha deles para abrir a noite confirma que estamos na direção certa em relação ao conceito de Warm Up. João Paulo Gromma fez nada mais nada menos que 4 horas de set, infelizmente devido à enorme fila que se formava no caminho que liga a praia de Cabeçudas à Praia Brava acabei perdendo a incontestável fábula do “Magrelo”. Ao chegar no Warung outra surpresa não incomum, o convite não estava disponível para a retirada, após horas de ligações, terminei por entrar no Club às 2:20 da manhã, felizmente neste momento acabei me deparando com ninguém menos que o próprio Pedro.

    Usando sandálias havaianas e portando um ar extremamente pacifico transbordou simpatia ao ceder alguns de seus minutos para tirar fotos com quem estava por perto. Aproveitei a chance para lhe abordar e questionar sobre como era retornar ao Warung após 10 anos, modestamente ele me respondeu dizendo que estava contente com o retorno e surpreso com o quão bonito era o público da casa e que muita coisa mudou desde então. O acompanhei até o Garden onde ele observou atentamente a história que Ale Reis contextualizava, o tiozinho como é conhecido faz parte do time de Savages e era dele a honra de entregar a pista pronta para o que estava por vir.

    Pontualmente às 3:30 da madrugada Radu Dumitru Bodiu assumiu o controle da cabine. Subitamente o clima se transformou e a sensação de estar vivenciando algo histórico era nítida. Calmamente ele foi se aconchegando e se adequando a pista e ao local, aos poucos as mixagens começavam a ecoar pelo Garden. É incrível o poder que esse tipo de artista tem, a fascinação que consegue exercer é algo que não se vê todos os dias.

    Muitas das pessoas com as quais falei antes da festa esperavam um tipo de som menos intragável, porém foi exatamente o oposto disso que nos foi apresentado. Pedro se molda de acordo com o lugar, destrói e reconstrói sua história sem muito esforço e não economiza músicas na hora de confundir os ouvintes. Ao mesmo tempo, expõe toda a sua genialidade usufruindo de elementos ritmados e dançantes. Sem muita apelação seu set ia se desenvolvendo de acordo com o tempo que ele tinha, certos momentos de BPM mais baixo já em outros com BPM mais alto, porém sempre mantendo aquele típico som groovado e quebrado, padrão de seu estilo.

    Inúmeras perolas foram decorando a noite, uma das que mais me chamou a atenção foi Clap, produzida por ninguém menos que Ricardo Villalobos. Villa é sem dúvida alguma a maior referência quando se fala em criatividade, infelizmente nesse mês de janeiro completa-se quatro anos desde a sua última vinda para o Brasil.

    Perto das 7 da manhã quando os raios da luz do dia já tomavam conta do Terrace aka Garden, Petre coroa o início da manhã com Dubsons – Faraon, track presente no EP Olecuta lançado no ano passado pela gravadora espanhola NG Trax.

     

    O sucesso no retorno de Petre Inpirescu confirma a existência de um público que anseia por timbres mais refinados, está é a recompensa do trabalho árduo de diversos núcleos em educar e catequizar novos membros com sonoridades aquém das comuns. Nós do detroitbr ficamos felizes em saber que a revolução no modo de viver, pensar e dançar música está cada vez mais presente na vida daqueles que assim como nós amam a música eletrônica.

    Escrito por Thiago Silva

    Fotos por Remor e Juliano

    Vídeos por Bruno Janke

  • Richie Hawtin retorna ao Templo após longo período de ausência

    A semana da pátria sempre marca o calendário de festas no sul do país, tradicionalmente o templo aproveita esta data para contemplar seus convidados com pratas da casa, geralmente utilizando duas noites para a celebração da independência. Este ano a mente por trás da M_NUS, um dos selos mais icônicos de Berlin foi o escolhido para encabeçar a primeira noite. Conhecido por embalar festas inesquecíveis, Richie Hawtin retorna à casa após um hiato de quase 2 anos. Sua última visita à cabine do Main Room foi durante o aniversário de 12 anos do templo e trouxe Gaiser como principal estreia.

    Era sábado de chuva e a expectativa era de casa cheia, diante de um sold out nem mesmo o mau tempo poderia desencorajar os assíduos frequentadores do Club. O relógio marcava 22h20 e a Av. José Medeiros já apresentava indícios de uma noite atípica, filas dos dois lados, taxistas imprudentes e a insistência por parte de alguns em descumprir a norma de não estacionar na Praia Brava combinaram para que eu perdesse a apresentação do nosso querido tiozinho Ale Reis. 

     Após superar o caos no trânsito outro obstáculo surgiu, o nome não estava presente na lista de convidados. A pouco tempo a política de listas foi reformulada, até então nunca havia enfrentado algum inconveniente quanto a isso e, após uma longa e cansativa espera de quase 2 horas finalmente consegui firmar meus pés dentro do Warung. Nessa hora o desânimo já tomava conta, além de ter perdido o warm up já não tinha condições de enfrentar o empurra-empurra para ver Hito, optei por fazer reconhecimento do terreno, localizar alguns amigos e aguardar o retorno do “mago”.

    Durante uma das idas ao Inside, meus ouvidos foram presenteados com o remix de Dubfire para EXposed, música que abre o álbum EX de Plastikman lançado em 2014 pela gravadora Mute Recordes. Depeche Mode, New Order e Kraftwerk são apenas alguns dos nomes que já lançaram por ela, essa música com toda a certeza fez eu recuperar uma parte do ânimo que havia perdido.

     Como nunca se deve julgar antes de conhecer, dei uma chance para que Hito mudasse minha opinião sobre ela, já havia ouvido diversos sets dela e em 2014 acompanhei todas as suas apresentações na ENTER, festa que este ano não figurou pelas praias de Ibiza. Com mixagens que as vezes transpareciam um pouco de nervosismo, a japonesa que sempre toca acompanhada de um belo kimono conseguiu manter a pista energizada e em outro momento enfeitiçou a todos com uma das músicas mais famosas de Nina Kraviz, Ghetto Kraviz.

    Após isso me dirigi ao hall de entrada do camarim e acompanhei de perto a chegada do lendário homem de plástico e por felicidade do destino consegui trocar rápidas palavras com o mesmo. Ele estava com o olhar um tanto quanto cansado afinal estava vindo de uma jornada de duas noites intensas no D-Edge, quinta para o Moving em São Paulo e sexta para a abertura do D-Edge RJ com a festa Underconstruction. Pontualmente às 3h da manhã Richie Hawtin começou a construção do seu set acompanhando de seu mixer MODEL 1. Projetado e criado de DJ para DJ, o mixer oferece um leque imenso de opções para mixagens e filtros, abaixo é possível conferir mais detalhes do que o novo aparelho é capaz de fazer. 

    Hawtin é o tipo de pessoa que apenas a sua presença já impacta na atmosfera do local. De origem britânica, criado no Canadá e influenciado pelo pai, engenheiro de robótica, sua vida sempre foi voltada para música, arte e tecnologia. Ao longo de toda a sua carreira sempre foi apontado como líder e pioneiro, seja pelos enigmáticos álbuns pela alcunha de Plastikman ou por todas as diversas contribuições para aproximar a relação das pessoas com a música. Um dos maiores exemplos disso é a plataforma de música on-line Beatport fundada em 2004 junto com Jhon Aquaviva. 

    Para aquela madrugada o set foi alternando entre momentos de euforia e êxtase, em quatro horas de música toda a sua genialidade era notada nos pequenos detalhes, o fato de ele estar ali na cabine que sempre o coroa como “mago” apresentando mais uma de suas criações abrilhantou ainda mais a sua performance. Uma câmera foi alocada em cima do mixer para que todos pudessem ver com mais profundidade o que estava sendo produzido a cada segundo. No decorrer da noite poucas músicas conhecidas, o headliner contou uma história recheada de mistérios, daquelas que você pode e vai ser surpreendido a qualquer momento, a famosa batida 4 por 4 funcionava como fundo para os meticulosos efeitos do abtleton, a cada mudança no aspecto da música um efeito instantâneo era notado na vasta legião de pessoas aglomeradas no pistão.


    Durante alguns instantes era como se um ser de outro planeta estivesse presente, forjado nas entrelinhas minimalistas do lado sombrio de Hawtin, sugando a todos para uma extraordinária dimensão repleta de criatividade e inovação. Inevitavelmente tudo que tem um início tem um fim, e de repente, os primeiros raios de luz começaram a tomar conta, era o primeiro sinal de que a abdução estava chegando ao fim, mas antes disso mais uma pequena amostra de engenhosidade, para os minutos finais a escolhida foi Tale Of Us – Lies,perfeita para finalizar toda a jornada vivida durante aquela noite chuvosa.

  • Showcase da Rumors encanta o Garden e The Martinez Brothers marca o fim do carnaval no Templo

    A terceira noite de carnaval no Warung sempre marca o fim de um ciclo de ótimas apresentações. Este ano, mesmo com o dólar em alta, diversos nomes importantes foram convocados. O clima era de folia e a esperança era um só: presenciar mais uma noite histórica liderada por ícones da música eletrônica mundial. Infelizmente por problemas pessoais uma das estrelas da noite cancelou sua apresentação, Seth Troxler que há alguns meses atrás revelaria ao Garden uma case recheada de ótimos vinis, dessa vez não pode comparecer para nos agraciar com sua típica personalidade. Uma pena, pois a possibilidade de um b2b lendário com os irmãos Martinez era alta e claramente seria um dos ápices do período carnavalesco.

    Consegui adentrar ao templo e já se passava da 1h00 da manhã, nesse momento, o Inside estava sob o controle de Renato. Sempre aclamado pelo público, tratou de aquecer o pistão com sonoridades explosivas e arrojadas, deixando todos efervescidos para The Martinez Brothers. Por volta das 2h30 me dirigi ao Garden onde fiquei fascinado por toda a decoração voltada para o Showcase Rumors. Luminárias amarelas, girassóis, gérberas rosas e vermelhas haviam sido utilizadas para caracterização do palco, que diga-se de passagem, abrilhantou ainda mais as apresentações.

    Lauren tinha a missão de mostrar toda sua personalidade em 2 horas de apresentação e ao mesmo tempo, preparar a pista para o seu headliner. Presenciei 30 minutos de seu set e pude notar que ela estava extremamente à vontade, criando assim um clima aconchegante, similar ao que acontece em Ibiza em noites de Rumors. Pontualmente às 3 da madrugada, Guy Gerber assumiu o domínio do Garden. Seu histórico de ótimas apresentações fala por si só. Buscando sempre alimentar o público com ótimas performances, o israelense abusou dos sintetizadores, proporcionando momentos ímpares que resultaram no surgimento de ótimas tracks como Freund – Berlin, em seu mix original.

     

    Em seguida, quem mais uma vez faria várias pessoas retrocederem no tempo seria “Timing”. É incrível o quão nostálgica e fascinante essa música é. Lançada em janeiro de 2009 pelo selo Cocoon do Papa Sven, a música transparece toda a genialidade de Gerber, que enobreceu ainda mais a noite. Decidi então que era hora de ver o que acontecia na pista de cima, afinal, não é todo o dia que se tem a presença de Chris e Steve. Os irmãos possuem uma ótima sintonia e ambos estavam vislumbrados com a arquitetura do templo e a energia do público. Esbanjando sorrisos e felicidade, a seleção de tracks foi feita com sutileza e sensatez, com destaque para o remix de Radio Slave para Michel Cleis & Klement Bonelli – “Marvinello”, música que caiu como uma luva para os irmãos. Como de costume, o Inside encerrou suas atividades às 7h00 da manhã, deixando um gostinho de quero mais para os Martinez.

    Ainda dava tempo para ver um pouco do que foi apresentado no Garden, uma das últimas tracks escolhidas por Guy para encerrar o carnaval foi “Mandy vs. Booka Shade – Oh Superman”, que por si só anestesiou os “foliões” que ali estavam.

     

    E assim se encerrou-se o período a tríplice sequência de carnaval do Warung. Vale ressaltar que diante do cenário econômico que vivemos é difícil trazer nomes deste calibre para cá. A presença dos ótimos brasileiros figurando as pick-ups foi mais que essencial para que o carnaval se desenvolvesse de maneira formidável e graciosa. 

    Fotos: Gustavo Remor e Ebraim Martini (Warung) e Juliano Viana (IMAGECARE)

  • Warung Beach Club: 13 anos de história

    Voltemos no tempo até o ano de 2002, época em que a seleção brasileira conquistava o invejável título de pentacampeão mundial de futebol, a cédula de 20 reais começava a circular pelo país e o dólar chegava pela primeira vez a R$ 4,00. Naquele mesmo período a Praia Brava havia sido escolhida como lar de um dos beach clubs mais charmosos do mundo. O “templo da música eletrônica”, como hoje é conhecido, se tornaria o principal cenário de noites inesquecíveis. Durante muito tempo diversos artistas tiveram a oportunidade de contar um pouco de sua história na cobiçada cabine do Warung, que teve logo na inauguração duas atrações de peso: Timo Mass e Loco Dice.

    Um ano se passou desde a inauguração e nomes como DJ Marky, Lee Burridge e até mesmo Rica Amaral foram destaques nesta fase. Para celebrar o primeiro aniversário uma pista nova foi implementada: nascia o “Warung Garden”, com uma proposta diferente e complementar à do Main Room. O line-up da festa foi composto por Danny Howells e Anderson Noise no primeiro dia e Chris Liberator, Dave The Drummer e Perplex no segundo dia. Com o passar dos anos tanto a estrutura como o direcionamento artístico foram sendo moldados, construído a imagem que o club tem hoje.

    Em seu terceiro ano de vida veio o reconhecimento internacional! O templo foi condecorado como um dos 3 melhores clubes do mundo pela revista britânica Mixmag. Neste mesmo ano, ainda em janeiro, Hernan Cattaneo e Marco Carola fizeram suas estreias. Vale ressaltar que durante seus anos iniciais o Warung não possuía camarotes, os espaços hoje disponíveis para reserva eram lounges de relaxamento e descanso. No ano subsequente o clube mudaria todos os paradigmas durante o carnaval com duas apresentações históricas. Deep Dish e Sasha escreveriam juntos um dos capítulos mais extraordinários do templo. Para o aniversário de quatro anos o escolhido para comandar as celebrações foi o canadense Luke Fair, até então revelação da gravadora Bedrock.

    Mais um ano havia se encerrado e o verão de 2007 já estava em alta, logo em janeiro a festa Circo Loco (Ibiza) aterrissou no templo, sendo comandada por Luciano e Tania Vulcano. O carnaval reservaria grandes noites recheadas de estreias e retornos, sendo a noite exclusiva de Pedro e Raresh que, junto a Rhadoo formam o saudoso trio romeno [a.rpia.r], uma das mais memoráveis. Neste ano também foi feita uma festa fora do clube, com Fatboy Slim e Layo&Bushwacka! Deep Dish retornava para mais uma épica apresentação e Hernan Cattaneo encerraria com chave ouro o período das festividades carnavalescas.

    Encantando noites com diversos artistas, o Warung já havia moldado sua própria identidade e já se consagrava como grande o grande expoente da noite catarinense. Seu quinto aniversário foi marcado pela presença de Dubfire, que fez um dos sets mais longos da história da casa. Para encerrar aquele ano, 16 Bit Lolitas foi quem conduziu mais uma noite de virada. Partindo para 2008 com novas energias, uma dobradinha seria fundamental para marcar o início daquele ano: Deep Dish faria uma apresentação dupla durante o carnaval deixando toda a cena eletrônica do sul do país extasiada! Até hoje as lembranças daquelas duas noites ecoam pelas memórias de quem as viveu. Em setembro Richie Hawtin era quem começava a escrever sua história no universo do Warung: aclamado por muitos como o criador do minimal techno, ele apresentou naquela noite sonoridades que moldariam novos pensamentos a respeito de música eletrônica. Outro DJ que foi um divisor de águas naquele ano é Laurent Garnier, convidado principal para uma das noites de comemoração do aniversário de 6 anos.

    No fim de dezembro, o duo alemão D-Nox & Beckers fazia sua estreia e dividia a pista com o uruguaiano Gustavo Bravetti. Paralelo a isso o clube fez campanha para angariar suprimentos para às vítimas das chuvas que assolaram a cidade de Itajaí no mês de novembro. Finalizando o ciclo de festas daquele ano, o argentino Hernan Cattaneo foi responsável pelo ótimo set de réveillon. A programação de verão para o ano de 2009 foi agitada, Richie Hawtin, Mark Knight, Sebastian Ingrosso, Chris Lake e até mesmo Miss Mine foram alguns dos DJs que se apresentaram nos dois primeiros meses. Para o carnaval não foram economizados esforços, John Digweed, Dubfire, Sven Väth e Life Is a Loop eram os headliners. O inverno ficou marcado pelo retorno de Sasha com seu álbum Invol2ver, até hoje tido como uma de suas melhores compilações.

    Se passaram 7 anos, o Warung Beach Club precisava mais uma vez celebrar a arte, a boa música e comemorar mais um ano de vida, para isso escalaram ninguém menos que Booka Shade. Infelizmente somente Arno Kammermeier tocaria naquela ocasião, pois Walter Merziger estava doente. Sendo assim, um curto set de apenas 3 horas foi executado, o que de certa forma não agradou a todos, tendo em vista que DJs como Dubfire e Sasha nunca haviam tocado menos de 6 horas até então. Fabricio Peçanha foi quem assumiu as pick-ups e continuou a festa até 10:30 da manhã.

    Dando início ao cronograma de 2010, Gui Boratto e Michael Mayer se apresentaram e incendiaram o primeiro dia de janeiro. O carnaval seria regido pelas pratas da casa Life Is a Loop, Sharam e Luciano que retornava ao clube após um longo hiato. A baixa temporada ficaria marcada pela presença de Danny Howells que infelizmente nunca mais retornaria ao clube. Seguindo para a semana da música eletrônica, Gui Boratto, Rick Ryan e Richie Hawtin formavam o time da independência. Dessa vez quem teria a honra de cultuar uma noite única de aniversário seria de Alexander Coe, mais conhecido como Sasha. Depois de seu lendário set de mais de 10 horas em 2006, o inglês fez uma passagem não muito prazerosa e acabou na “geladeira” por um tempo. Hernan Cattaneo comandaria no dia 29 de dezembro o pré réveillon e se firmaria como uma das estrelas máximas do templo.

    Finalmente chegamos ao tão falado ano de 2011. O primeiro mês do ano sempre é um bom momento para se visitar o Warung e ter novas experiências, não seria diferente naquela temporada. A começar por Michael Mayer e Gui Boratto que se apresentaram na primeira terça-feira do ano. Logo em seguida no dia 7 Barem e Richie Hawtin protagonizaram a tão falada “noite do chinelo”, mas não se pode deixar de mencionar o final épico com Yeke-Yeke. Sete dias depois quem retornava era Laurent Garnier que infelizmente também fazia sua última aparição por aqui.

    No fim daquele mês Ricardo Villalobos e Robert Babicz enfeitiçaram a festa que duraria apenas 17 horas! Diversas histórias rondam está noite até os dias atuais, perda de voo e jato fretado são apenas algumas, o fato principal é que a estreia de Ricardo aconteceu às 6 da manhã quando todo mundo já estava desacreditado de que sua presença seria de fato consumada. Ele nos presenteou com uma festa que começou no main e terminou no Garden. Chilenos, argentinos e brasileiros partilhavam de uma única realidade: a realidade de Ricardo, música. O carnaval daquele ano também reservaria outro momento ímpar, Dubfire e Carlo Lio juntos no garden em um b2b de tirar o fôlego.

    A programação de páscoa foi regida por Guy Gerber e Sharam. Gerber fez sua magnifica estreia e contagiou a todos com toda a sua genialidade.

    Em agosto daquele ano, a gravadora Dynamic escolheu o templo para celebrar os 5 anos de sua existência, trazendo Solomun, H.O.S.H e Stimming. Em setembro, a tão aguardada semana da música eletrônica ficou marcada pelo long set de Dubfire, que se iniciou no main e terminou no garden às tantas horas da tarde. Passando para outubro mais uma estreia, que deixou saudades: Trentemoller.

    O aniversário de 9 anos trouxe John Digweed, Loco Dice, Jamie Jones e Damian Lazarus. Mas foi em dezembro que todas as atenções se voltaram para a Praia Brava, ninguém menos que Carl Cox pisaria no clube mostrando todo o seu arsenal house e techno! Neste fim de ano a primeira edição da revista Warung foi publicada. O templo se dirigia para o seu décimo aniversário, ao longo do caminho muito autos e baixos aconteceram. O público mudou, a música e o foco do clube também mudaram. As comemorações de 10 anos de vida começaram em janeiro com Ricardo Villalobos e Marco Carola. Seguiram em diante para o carnaval com Dubfire, Guy Gerber, Solomun e Soul Clap & Wolf + Lamb.

    A programação de baixa temporada foi contemplada pela presença do papa Sven Väth que fez um ‘simplório’ set de pouco mais de 3 horas. Importante ressaltar que neste período já não era mais permitido festas até altas horas do dia. Seth Troxler tocava pela primeira vez em maio e seria um dos principais convidados para o aniversário de 10 anos. Celebrar uma década de vida não é para qualquer casa, o time escolhido confirmou que uma nova era estava começando e os tempo de ouro haviam realmente chegado ao fim.

    O ano de 2013 foi marcado pela bolha do deep house, gênero que aos poucos se tornaria uma epidemia para alguns e um amor de primavera para outros. Aquele carnaval seria um “escape” com Richie Hawtin, Seth Troxler e Dubfire, que fez um dos sets mais pesados para a época.

    Em outubro, o showcase da gravadora Items e Things abalou todas as estruturas do templo trazendo Troy Pierce, Marc Houle e Magda. Danee foi responsável por um dos melhores warm-ups daquele ano. Pulando para o aniversário, Dubfire novamente, com a companhia de Nastia, Guy Gerber, Seth Troxler e Pan-Pot.

    Chegando em 2014, foi possível notar que não haviam tantas apostas quanto nos anos anteriores, a exceção foi a vinda de tINI, que conduziu a noite no estilo Desolat. O carnaval também reservava um grande nome: Ben Klock, figura constante em noites insanas no Berghain/Panorama Bar. Tida como a noite que fez o templo voltar as suas origens, o encerramento deste carnaval contou com Nina Kraviz tocando até às 9 horas da manhã e Innvervisions no outro stage

    O inverno foi marcado por boas festas, como a noite em que Barem e Stimming supriram com louvor a falta de Solomun, o choque de realidade de Bonobo no Garden e o fabuloso retorno de Tale of Us, em um set de 4 horas no Main Room, que passou a se chamar Inside.

    Para celebrar 12 anos de vida a festa de dois dias contou com 30 nomes, dentre eles Gaiser, que fez sua estreia junto de Hawtin, e Apollonia, que comandou o Garden durante a maior parte da noite. Na outra semana, o combo Maceo Plex, Sasha e Tale of Us levou o público à loucura, apesar dos sets curtos que cada um teve que apresentar. Mais um janeiro chegou, com uma mescla de artistas conhecidos e outros em ascensão. O carnaval foi de grande destaque para Loco Dice, que retornava ao clube depois de passar quase 3 anos ausente. Bella Sarris fez sua charmosa estreia e Marco Carola mais uma vez comandou com seu estilo italiano de ser.

    Finalmente chegamos às comemorações de 13 anos, com a aguardadíssima a da estreia de Joseph Capriati. A expectativa para ver o baixinho era grande e tendo isso em vista, a curadoria lhe concedeu 3 horas de set. Renato Ratier foi quem fez as honras preparando a pista para o primeiro italiano da noite.

    Joseph parecia um pouco tímido no início o que é totalmente compreensível, diante de um público como o do Warung. Em poucos minutos sua timidez foi embora, deixando toda a sua versatilidade aflorar. Usando e abusando de baixos, baterias e vocais construiu seu set de maneira sucinta, deixando espaço para seu conterrâneo Carola. Apostando em clássicos como Crazy Frog e até mesmo a música tema de Top Gear (antigo jogo de carros da Nintendo) mostrou porque seu nome sempre figura em grandes festivais como Awakenings e Time Warp. Se mostrando feliz com o resultado alcançado, finalizou seu set pontualmente às 3 da madrugada. Neste momento aproveitei para dar uma espiada no Garden.

    HNQO era quem estava tocando, o curitibano passou por uma grande evolução musical desde a sua explosão com o selo Hot Creations em 2012, é notável que agora ele transita por novas sonoridades e fez um bom set. Paulo Bogoshian foi quem conduziu os trabalhos até a chegada do carismático Seth Troxler, destaque para a música, Howling – ‘Signs’ (Rødhåd Remix), usada no início de sua apresentação. É difícil mensurar algo sobre Troxler, ele simplesmente se reinventa a cada minuto, um verdadeiro camaleão dos palcos. Iniciou sua performance com uma versão acapela de Underground Resistance – Transition e, aos poucos, foi mostrando tudo o que sua case de vinis tinha para revelar. Transitando por house, dance e techno o fanfarrão, como é conhecido, se saiu bem até nas vezes em que a energia do Garden falhou.

    Apostando sempre na veracidade dos clássicos a primeira bomba veio às 5 da madrugada, com Johnny Corporate – Sunday Shoutin (B Boys Shoutin Dub), que logo em seguida deu espaço para Kings of Tomorrow featuring Julie McKnight – Finally (Tom De Neef Club Mix). Perto do amanhecer outro momento ímpar, uma versão única de Dee Mac’s House of Funk Featuring Oliver Night Singing You Got To. Após isso me dirigi ao Inside para encontrar os amigos que lá estavam. Marco Carola já tinha hipnotizado a todos com seu estilo de música sem fim, era notável que todos dançavam conforme sua vontade e desejo. A pista já não se mostrava tão fervilhante quanto estava com Capriati, e ele parecia gostar disso. Como tem feito regularmente no fim de suas apresentações, finalizou a noite com Freak Like Me (Lee Walker Garage Edit) – DJ Deeon.

    O Garden, como sempre, funcionou por alguns minutos a mais. Em um lindo gesto de solidariedade aos franceses, Troxler tocou Daft Punk – Revolution 909 e postou um vídeo com a música em sua página no Facebook. Imediatamente o vídeo se tornou um viral e, em menos de 24 horas, já tinha alcançado 100 mil visualizações. Infelizmente o vídeo foi removido pois muitas pessoas ainda estavam sensibilizadas com os ataques.

    De 2002 a 2015 o Warung Beach Club se tornou um dos maiores diamantes do povo catarinense. Sempre pleno, nunca deixou de levantar a bandeira da música eletrônica durante estes treze anos. Feliz aniversário templo! Que venham mais anos de arte, vida, sabedoria, música e euforia!

  • Guy Gerber supera sua estreia no templo com long set emocionante

    Já se passaram 4 anos desde que Guy Gerber fez sua mítica estreia no Warung Beach Club, um long set de mais de 6 horas que ainda persistia como sua melhor aparição por aqui, época em que ele ainda carregava seu Rolland Juno 106 pelo mundo e se preocupava mais em mostrar todo seu talento como músico. Hoje ele já não precisa mais disso, pois consegue deixar qualquer pista ainda mais marcada por seu estilo envolvente, sendo aclamado como ‘”rei do groove”. O seu lado DJ floresceu e o colocou entre os nomes mais respeitados da atualidade. Gerber é o exemplo do artista moderno, excepcional tanto no estúdio quanto na pista de dança.

    Depois de sua estreia ele figurou todos os anos no Club sem ter espaço para uma noite só sua novamente, porém no último sábado, após o cancelamento do Bill Patrick, ele pôde ter novamente um long set para mais uma bela história. Guy Gerber protagonizou um espetáculo inigualável repleto de nostalgia e felicidade. Anos atrás o club tinha como principal característica apresentações que variavam entre 5 e 8 horas, hoje, apenas alguns convidados são agraciados com essa oportunidade.

    Eu estava há meses sem frequentar a casa e confesso que estava ansioso pela noite como um todo. Logo na entrada pude notar o bar novo, algo que me intrigou, pois descaracteriza o estilo da casa, mas não se pode agradar gregos e troianos não é mesmo? Rapidamente segui para o Inside, aonde Leo Janeiro iniciava as festividades com tranquilidade,  fazendo um bom warm up. Em uma rápida passagem pelo Garden conversei um pouco com o duo Andhim, Tobias e Simon estavam ansiosos e felizes por retornar ao Canto do Morcego após a boa passagem no carnaval deste ano.

     

    Sem atrasos, a fábula do headliner israelense começou a ser escrita pontualmente às duas horas da madrugada. Oriundo de Tel Aviv, ele sempre bebeu de boas fontes musicais e contou com o apoio de grandes gravadoras como Bedrock e Cocoon para formar o artista que é hoje. Sua conexão com a pista do club catarinense se sobressai sem que ele faça muitos esforços, cada música sempre surge de forma simples e mágica. Logo na primeira hora de set o público foi agraciado com o seu remix feito para a música Catch You By Surprise de Art Department, lançada no início deste ano pela gravadora canadense No.19 Music. Era nítido, o principal artista da noite estava inspirado e sem mais delongas tratou de soltar a intimista No Distance, feita em colaboração com Dixon.

    Gerber construiu seu set com sua habitual hipnose viajante e apresentou no auge da noite um lado obscuro e mais pesado do que já tinha se visto por aqui. Ainda tinha tempo para algumas cartas na manga como The Mirror Game, que referenciou um pouco à noite de Halloween que acontecia. Pouco antes do término do seu set o inigualável e inesperado remix de Radio Slave para Moan foi sacado e extasiou a pista inteira. Para quem não conhece, esta é uma das principais produções do emblemático Trentemøller, o qual não vemos em terras tupiniquins desde a sua passagem pela trinca D-Edge, Club Vibe e Warung em 2011.

    As luzes do dia já haviam tomado conta do Inside indicando o fim de mais uma bela noite quando a magia de Timing começou a ser tocada. Em poucos segundos toda a atmosfera se transformou dando espaço a toda genialidade por trás dessa música, artistas lendários como Hernan Cattaneo, John Digweed e até mesmo o papa Sven Väth já tocaram ela no pistão. Ao fim do set, Gerber ainda deixaria um último presente, a especial Dillon – Thirteen Thirtyfive (Deniz Kurtel Remix), para fechar com emoção mais este belo capítulo na história do templo!

    Fotos: Gustavo Remor e Juliano Viana / IMAGECARE.