O mundo da música eletrônica nos oferece uma vasta gama de nomes que se destacam tanto pela sua história quanto pela sua importância, Richie Hawtin é um desses expoentes, que se projeta para além do trivial e é sinônimo de inovação e criatividade. Pioneiro em várias tecnologias que envolvem a arte da mixagem, ele coleciona incontáveis contribuições para a difusão da mesma, seja apresentando novas ferramentas para DJs ou a inclusão de novos entusiastas para o mundo das pick ups.
No final da década de 70 Mick e Brenda Hawtin mudaram-se de um vilarejo no Reino Unido para a cidade de Windsor, no Canadá, levando consigo seu filho Richard, de 9 anos. Por ventura do destino a nova moradia era vizinha de Detroit, a famosa cidade das máquinas que viria a se tornar o berço do techno na década seguinte.
A localização geográfica foi importante mas outro fator foi igualmente relevante para que o pequeno Richie viesse a se tornar o grande artista que é hoje: seu pai era engenheiro robótico e fã de música eletrônica, apresentou Kraftwerk cedo e sempre estimulou o uso da tecnologia em casa. Não demorou muito para o garoto britânico se familiarizar com o desejo de embalar festas noturnas, tão logo o nerd de óculos e cabelo raspado começou a se apresentar utilizando o nome Richie Rich.
Richie Hawtin, na época “Richie Rich”, à esquerda e John Acquaviva à direita.
Richie Rich ainda não causava tanto impacto, foi quando ele se juntou a John Acquaviva e fundou o selo Plus 8, em 1989, que seus passos na cena eletrônica começaram a ser notados, lançando artistas como Speedy J e Kenny Larkin. Nos primeiros releases seu nome como produtor era F.U.S.E, que rapidamente seria trocado pela alcunha que o consagrou como um dos grandes nomes da second wave of detroit techno: Plastikman. Sua proposta musical era uma resposta ao techno “brutal” que rolava na Europa à época, bebendo em referências do electro, synth-pop e industrial para criar uma sonoridade minimalista e progressiva.
Richie Hawtin presents Plastikman – Spastik
No entanto foi só a partir de 1996, quando juntou-se com Robert Hood para uma série de EPs mensais chamada Concept 1, que o Minimal Techno viria a ser considerado uma vertente. Em 1998 o Plastikman já era sinônimo de tecnologia e novidade mas o minimal techno ainda era considerado cru, vivendo seus early days. Foi quando o aclamado álbum Consumed, lançado por sua outra gravadora M_nus, surge como um divisor de águas, superando tudo o que as pessoas conheciam sobre Plastikman, apresentando uma nova forma de explorar o minimalismo e despertando interesse global no estilo.
No início dos anos 2000, estimulado pelo seu sucesso, Richie decide mudar-se para Nova York, lugar onde não residiu por muito tempo, para logo em seguida firmar raízes em Berlim. Foi na Alemanha que os óculos ficaram de lado, o cabelo cresceu e seu estilo de vida mudou completamente. Foi lá que passou a ter uma forte amizade com Sven Vath, ícone lendário da Ilha de Ibiza, onde por incontáveis vezes compartilhou o line-up da festa Cocoon. Todo esse período de transição fez com que ele pudesse se dedicar mais ao lado Hawtin e à carreira dos jovens talentos que viriam a despontar por seu selo M_nus, como Gaiser, Magda, Troy Pierce e Marc Houle.
Em 2012 Hawtin decide fazer importantes movimentos para disseminar ainda mais sua cultura. Nesse contexto surge a festa ENTER., realizada naquele que foi considerado o melhor club do mundo sucessivas vezes: Space Ibiza. Durante os 3 anos de atividade Hawtin esteve envolvido diretamente em tudo, era a principal figura por trás de toda a temática e decoração, incluído o famoso sake bar. Um de seus ambientes favoritos era o MIND, espaço destinado para música eletrônica experimental.
Programação de Julho a Outubro de 2017 da festa “Enter”, no Space Ibiza.
Ainda em 2012 Richie retornou à América do Norte para o projeto CNTRL: Beyond EDM, realizou seminários, palestras e debates em universidades dos Estados Unidos e do Canadá, com a co-produção de Loco Dice e Ean Golden. Tal projeto lhe rendeu ainda uma grande honraria, pois recebeu diretamente das mãos do prefeito de Windsor as chaves da cidade na qual cresceu. Outra reconhecimento de bastante prestígio aconteceu 2015, quando recebeu o título honorário de doutor, através da universidade Huddersfield, “por sua notável contribuição ao mundo da música e da tecnologia”.
A primeira metade desta década foi também o último momento que seu projeto Plastikman deu as caras. Em 2013 aconteceu uma lendária apresentação no Guggenheim Museum, em New York, a qual acabou se tornando o último álbum do homem de plástico a ser lançado até o momento: EX. O minimalismo ainda predomina, mas recebe camadas melódicas que aquecem a sonoridade do lançamento, que é uma bela leitura contemporânea de todas as experiências que Hawtin havia vivenciado até então.
EXhale é a 7ª e última track do álbum “EX”.
Em 2015 a Plus 8 completou 25 anos e para celebrar o fato histórico Hawtin lançou um álbum completo com músicas inéditas, muitas delas reutilizando nomes que ele mesmo havia usado ao longo de sua carreira. O título do álbum não poderia fazer referência maior: From My Mind to Yours. Não bastando todas as notórias contribuições, no início de 2016 anunciou uma parceria com a designer Andy Rigby-Jones e as empresas Allen & Heath e Audiotonix. Intitulada Play Differently, a iniciativa está desenvolvendo um novo conceito de mixer, equipamento essencial ao trabalho do DJ. O MODEL1 ainda não é vendido comercialmente mas já se tornou exigência no rider técnico de inúmeros artistas de renome, como Chris Liebing Loco Dice, Dubfire e Stephan Bodzin.
Richie Hawtin conta sobre o setup que usa em suas apresentações, com ênfase no mixer “MODEL1”
Neste final de semana Richie Hawtin volta ao Brasil para duas apresentações bastante especiais: sexta ele se apresenta na edição nacional do Time Warp e sábado no Warung Beach Club, na Praia Brava. A conexão de Hawtin com o templo começou há exatos 10 anos, quando trouxe para o pistão a tendência do mercado europeu. Como fruto, em pouco tempo se tornou uma das pratas da casa, sendo sempre ovacionado em suas apresentações. Um de seus momentos mais icônicos foi durante sua passagem em janeiro de 2011, a energia elétrica falhou duas vezes, Yeke Yeke figurou no setlist e também teve o famoso episódio do chinelo, quem estava lá lembra claramente disso.
Apresentação de Richie Hawtin no Warung Beach Club em Janeiro de 2011.
Sua última passagem no Brasil foi no 1º semestre desse ano, no DGTL São Paulo, e a última passagem pelo Warung foi em 2016, quando estava fazendo tour apresentando o MODEL1. Podemos aguardar muitas novidades em seu retorno à São Paulo na sexta, e neste sábado, quando ele e outros medalhões coroarão o aniversário de 17 anos da mais tradicional casa de música eletrônica do litoral catarinense!
SERVIÇO
Matéria Principal Warung: Warung reúne alguns dos principais artistas do mundo no seu mês de aniversário.
detroitbr: Time Warp retorna ao Brasil com line-up de impacto.
Warung Beach Club – 17 Anos:
Site Oficial
Facebook Oficial
Instagram Oficial
Venda de Ingressos: Blueticket/Eventbrite
Time Warp Brazil 2019
Site Oficial
Facebook Oficial
Instagram Oficial
Venda de Ingressos