Categoria: Artistas

  • Alex Justino indica 5 produtores de techno

    Não há o que duvidar: o Techno cresce diariamente. O estilo está chegando ao ouvido de mais e mais pessoas, ecoando em lugares novos, ocupando cada vez mais espaço em festivais e apresentando um número maior de projetos, núcleos e iniciativas com o passar do tempo.

    Com as pistas paradas devido ao panorama atual implicado pelo coronavírus, a melhor saída que temos ultimamente é a pesquisa por novos artistas e a descoberta de novas paletas sonoras. Para ajudar nessa questão, nós trouxemos alguém gabaritado para te ajudar na missão. 

    Alex Justino é a cabeça de uma das maiores gravadoras de techno do Brasil, a Nin92wo. O goiano tem uma extensa bagagem nas costas e conhecimento profundo das diferentes camadas do estilo, sempre de olho no que acontece dentro do mercado. A nosso convite ele selecionou cinco produtores de Techno que ainda não estão nos holofotes mas estão fazendo um excelente trabalho, lançando músicas criativas e consistentes. Confira:

    Joton

    Começo a lista com Joton, um excelente produtor que imprime um som bem futurista, detalhado e um leve toque industrial em algumas faixas. Gosto bastante! 

    Ele já lançou na Planet Rhythm, Odd Even e é o nome por trás da Newrhythmic Records. O EP abaixo é um dos meus favoritos dele, com destaque pra Antioquia III.

    Marcal

    Além de um grande amigo, é um produtor excelente com tracks que já foram tocadas por Richie Hawtin, Amelie Lens, Sam Paganini e diversos outros. Tem músicas sólidas e uma identidade forte, na minha visão é um brasileiro que ainda vai decolar.

    Gosto muito de “Shutdown”, do EP que foi assinado pela Join Art Music (JAM). A faixa tem uma conexão muito forte com a pista e uma construção que chama a atenção.

    Adriana Lopez 

    As músicas dela em sua maioria tem muita textura e progressão hipnótica com um toque sci-fi, além disso é uma excelente DJ. Presenciei um set incrível em Barcelona durante o OFF Sónar em 2019. 

    Escolhi um remix dela que demonstra bem os detalhes e a técnica que ela possui, saiu pela Stockholm LTD.

    Troy

    Muita técnica em músicas que, relativamente, não parecem complexas, ele usa poucos elementos que dão um resultado incrível. Melodias simples, bons timbres, arpejos e baterias com muita dinâmica… recomendo muito!

    “Closure” saiu pela Klockworks, do mestre Ben Klock, e imprime todo o potencial do Troy.

    Pfirter

    Argentino que tem um som muito bom! A identidade dele é bastante hipnótica e chama a atenção pelo uso de elementos em polirritmo, texturas e velocidade.

    Atualmente ele reside em Barcelona e vem lançando ótimos materiais, como esse EP abaixo pela MindTrip:

  • Who is WhoMadeWho?

    O grupo WhoMadeWho é um trio pop de Copenhagen responsável pela autoria de hits como “Heads Above”, track remixada por Maceo Plex e “Tell Me Are We” com Rampa, que possuem a capacidade de emocionar pistas inteiras quando tocadas. Mas suas realizações não param por aí.

    Com quase duas décadas de carreira, a história da banda começa no “dance-rock”, estilo que foi abandonado com o passar dos anos e com o despertar de novas influências. Depois de gravarem seu primeiro demo, em 2003, foram rapidamente selecionados pela gravadora Gomma, que lançou seus primeiros covers de hits da dance music como “Satisfaction”, de Benny Benassi.

    Em seguida, vieram as composições originais no álbum “WhoMadeWho”, com “Space For Rent”, “Hello, Empty Room” e “Out the Door”, cujo remix feito em 2006 por Superdiscount estrelou na compilação fabric.Live 29

    Depois do lançamento de “The Plot” em 2009 o trio teve seu primeiro lançamento pela Kompakt, uma das grandes gravadoras do mundo da música eletrônica. O álbum “Knee Deep”, de 2011, traz a faixa “Every Minute Alone”, cujo remix feito por Tale Of Us e lançado pela Life And Death tornou-se um dos hits mais tocados no ano em Ibiza. Em 2012 veio o segundo lançamento pela Kompakt, seguido de apresentações em festivais como Sónar Festival.

    A soma desses acontecimentos às novas influências e ao desejo do trio de se aproximar a cena clubber resultou em uma transição para um novo formato de apresentação do grupo, chamado hybrid live. Nele o som é mais experimental e progressivo, utilizando tanto CDJs como sintetizadores, vocais e outros instrumentos. 

    As produções e parcerias seguintes da banda são reflexo dessa transição, a exemplo de “Heads Above”, hit que logo tornou-se clássico,  remixado em 2014 por Maceo Plex e capaz de levar pistas inteiras à comoção.

    Se aproximando cada vez mais do techno melódico e do house progressivo, o trio dinamarquês lançou, no ano passado, “Closer”, ao lado de Artbat (duo que também se apresentará no WDF) . Logo em seguida veio outro hit, “Tell Me Are We”, em parceria com Rampa. As duas track atingiram as principais posições dos portais de música.

     

     

    Em abril, o  grupo formado por Tomas Barfod, Tomas Høffding e Jeppe Kjellberg retorna ao Brasil para apresentar seu live híbrido no Warung Day Festival, que rola dia 25 de abril na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba.

    SERVIÇO

    Site oficial
    Ingressos: blueticket / eventbrite
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  • A ascendente trajetória de Wehbba

    * Com colaboração de: Caio Amaral
    ** Revisão de: Moha

    Imagine entrar no consultório de um dentista e perceber que a música ambiente é house e techno. Essa cena, no mínimo curiosa, poderia acontecer no consultório ou na sala de espera do dentista Rodolfo, caso ele tivesse seguido a profissão que é formado. Mas, para alegria das milhares de pessoas que acompanham seu trabalho, a decisão de Wehbba foi por seguir a carreira de DJ e produtor. 
    Apesar de não ser um sucesso recente, foi apenas de cinco anos para cá que artista começou realmente a brilhar nos quatro cantos do planeta. O DJ e produtor brasileiro já tem uma história antiga na música e nós vamos resgatar um pouco dela para você, aproveitando que ele está em turnê pelo Brasil e toca nesta semana em três lugares: Dia 19 no recém inaugurado Mauss Club, em Brasília, dia 20 na Lost and Found, em Goiânia, e dia 21 na Mothership do D-EDGE, em São Paulo.

    Foto: divulgação/Hotel 82

    2006: o início da projeção internacional

    Este pode ser considerado como o ano que foi um ponto de virada na carreira de Wehbba, iniciada em 2002. Em 2006 ele entrou no cenário internacional com alguns lançamentos pelas gravadoras Yin Yang, produzindo um remix para Stephane Signore, logo depois lançou um EP ao lado da produtora belga pela Bound e em seguida emplacou um single pela Naked Lunch, daí em diante seu status na indústria começou a crescer.

    2010: Full Circle, seu álbum de estreia

    Foram muitos (muitos mesmo) lançamentos nesse intervalo de quatro anos. Wehbba parece ser incansável quando está trabalhando dentro do estúdio: não houve um longo período de tempo entre um lançamento ou outro, o que acabou lhe garantindo um know-how para a produção do seu primeiro álbum: Full Circle. Assinado em junho pela Tronic (label do renomado Christian Smith), o álbum de 10 faixas mistura House e Techno em diferentes momentos. é um disco com muitas melodias e texturas que mexem com os sentidos, mas como um todo possui uma história com começo, meio e fim.

    2014: o convite do Boiler Room

    Mais quatro anos se passaram e o brasileiro parecia não ver qualquer barreira à sua frente. Em 2011, o álbum Full Circle recebeu um EP de remixes feito por artistas como 2000 And One, Joseph Capriati e D-Nox & Beckers, para citar alguns. Em março de 2013 lançou, com seu alter ego “Roscoe Sledge”, o EP “Frisson”, de house music, pela renomada 20/20 vision. Pouco mais de 1 mês depois, em maio do mesmo ano, lançou mais um disco pela Tronic, o chamado “Square Two”. No ano seguinte foi convidado para estrelar o Boiler Room São Paulo, que aconteceu em parceria com a Skol Beats.

     

    2014/2015: Conexão Brasil-Barcelona

    Um movimento fundamental para seu crescimento exponencial foi a mudança para a cidade espanhola, o que catapultou seu nome por diferentes lugares da Europa e lhe rendeu aparições regulares em selos como Kompakt, Soma, Suara, Bedrock, Second State, Systematic, 2020Vision e Knee Deep In Sound. Nos anos seguintes Wehbba ainda remixou grandes nomes internacionais como Laurent Garnier, Danny Tenaglia e Stephan Bodzin.

    2018: a estreia pela Drumcode

    Em agosto de 2017 Wehbba até havia emplacado o single “Fake” em um VA da gravadora alemã, o que fez o selo arregalar os olhos para seu trabalho. Em fevereiro do ano seguinte o produtor então ganhou espaço para um EP de quatro tracks originais poderosíssimas, intitulado Eclipse. As faixas foram parar no topo logo nos primeiros dias após o lançamento.

    Cinco meses depois, outro release pela Drumcode: Catarse EP, com mais quatro faixas originais, deixou claro que o produtor brasileiro não estava para brincadeira. Os suportes comprovam o sucesso do release: Ben Klock, Adam Beyer, Carl Cox, Charlotte De Witte, Amelie Lens e Joseph Capriati.

    2019: mais evidência do que nunca

    Podemos dizer que Wehbba diminuiu um pouco o ritmo de suas produções, muito provavelmente por conta da frequência em que se apresenta mundo afora, deixando sua marca em alguns grandes clubes como fabric (Reino Unido), Watergate (Alemanha), Rex Club (França). Veio também um novo release pela Drumcode, “We Have Bass”, um remix para a faixa “Spur”, do mestre Gui Boratto, e alguns outros lançamentos de peso.

    Ainda tem alguma dúvida se Wehbba é um nome imperdível para conferir na pista? Confira as datas do artista abaixo e programe-se:

    SERVIÇO:
    Mauss Club – 19.Dez: 5uinto c/ Wehbba
    Lost And Found – 20.Dez: Lost and Found apresenta: Wehbba (Drumcode)
    Mothership D-EDGE – 21.Dez: Mothership pres.Wehbba,Tarter,Flow & Zeo

     

     

     

     

     

  • Richie Hawtin: um fanático por tecnologia com amor pela música

    O mundo da música eletrônica nos oferece uma vasta gama de nomes que se destacam tanto pela sua história quanto pela sua importância, Richie Hawtin é um desses expoentes, que se projeta para além do trivial e é sinônimo de inovação e criatividade. Pioneiro em várias tecnologias que envolvem a arte da mixagem, ele coleciona incontáveis contribuições para a difusão da mesma, seja apresentando novas ferramentas para DJs ou a inclusão de novos entusiastas para o mundo das pick ups.

     

    No final da década de 70 Mick e Brenda Hawtin mudaram-se de um vilarejo no Reino Unido para a cidade de Windsor, no Canadá, levando consigo seu filho Richard, de 9 anos. Por ventura do destino a nova moradia era vizinha de Detroit, a famosa cidade das máquinas que viria a se tornar o berço do techno na década seguinte.

    A localização geográfica foi importante mas outro fator foi igualmente relevante para que o pequeno Richie viesse a se tornar o grande artista que é hoje: seu pai era engenheiro robótico e fã de música eletrônica, apresentou Kraftwerk cedo e sempre estimulou o uso da tecnologia em casa. Não demorou muito para o garoto britânico se familiarizar com o desejo de embalar festas noturnas, tão logo o nerd de óculos e cabelo raspado começou a se apresentar utilizando o nome Richie Rich.

    Richie Hawtin, na época “Richie Rich”, à esquerda e John Acquaviva à direita.

    Richie Rich ainda não causava tanto impacto, foi quando ele se juntou a John Acquaviva e fundou o selo Plus 8, em 1989, que seus passos na cena eletrônica começaram a ser notados, lançando artistas como Speedy J e Kenny Larkin. Nos primeiros releases seu nome como produtor era F.U.S.E, que rapidamente seria trocado pela alcunha que o consagrou como um dos grandes nomes da second wave of detroit techno: Plastikman. Sua proposta musical era uma resposta ao techno “brutal” que rolava na Europa à época, bebendo em referências do electro, synth-pop e industrial para criar uma sonoridade minimalista e progressiva.

    Richie Hawtin presents Plastikman – Spastik

    No entanto foi só a partir de 1996, quando juntou-se com Robert Hood para uma série de EPs mensais chamada Concept 1, que o Minimal Techno viria a ser considerado uma vertente. Em 1998 o Plastikman já era sinônimo de tecnologia e novidade mas o minimal techno ainda era considerado cru, vivendo seus early days. Foi quando o aclamado álbum Consumed, lançado por sua outra gravadora M_nus, surge como um divisor de águas, superando tudo o que as pessoas conheciam sobre Plastikman, apresentando uma nova forma de explorar o minimalismo e despertando interesse global no estilo.

    No início dos anos 2000, estimulado pelo seu sucesso, Richie decide mudar-se para Nova York, lugar onde não residiu por muito tempo, para logo em seguida firmar raízes em Berlim. Foi na Alemanha que os óculos ficaram de lado, o cabelo cresceu e seu estilo de vida mudou completamente. Foi lá que passou a ter uma forte amizade com Sven Vath, ícone lendário da Ilha de Ibiza, onde por incontáveis vezes compartilhou o line-up da festa Cocoon. Todo esse período de transição fez com que ele pudesse se dedicar mais ao lado Hawtin e à carreira dos jovens talentos que viriam a despontar por seu selo M_nus, como Gaiser, Magda, Troy Pierce e Marc Houle.

     

    Em 2012 Hawtin decide fazer importantes movimentos para disseminar ainda mais sua cultura. Nesse contexto surge a festa ENTER., realizada naquele que foi considerado o melhor club do mundo sucessivas vezes: Space Ibiza. Durante os 3 anos de atividade Hawtin esteve envolvido diretamente em tudo, era a principal figura por trás de toda a temática e decoração, incluído o famoso sake bar. Um de seus ambientes favoritos era o MIND, espaço destinado para música eletrônica experimental.

    Programação de Julho a Outubro de 2017 da festa “Enter”, no Space Ibiza.

    Ainda em 2012 Richie retornou à América do Norte para o projeto CNTRL: Beyond EDM, realizou seminários, palestras e debates em universidades dos Estados Unidos e do Canadá, com a co-produção de Loco Dice e Ean Golden. Tal projeto lhe rendeu ainda uma grande honraria, pois recebeu diretamente das mãos do prefeito de Windsor as chaves da cidade na qual cresceu. Outra reconhecimento de bastante prestígio aconteceu 2015, quando recebeu o título honorário de doutor, através da universidade Huddersfield, “por sua notável contribuição ao mundo da música e da tecnologia”. 

    A primeira metade desta década foi também o último momento que seu projeto Plastikman deu as caras. Em 2013 aconteceu uma lendária apresentação no Guggenheim Museum, em New York, a qual acabou se tornando o último álbum do homem de plástico a ser lançado até o momento: EX. O minimalismo ainda predomina, mas recebe camadas melódicas que aquecem a sonoridade do lançamento, que é uma bela leitura contemporânea de todas as experiências que Hawtin havia vivenciado até então.

    EXhale é a 7ª e última track do álbum “EX”.

    Em 2015 a Plus 8 completou 25 anos e para celebrar o fato histórico Hawtin lançou um álbum completo com músicas inéditas, muitas delas reutilizando nomes que ele mesmo havia usado ao longo de sua carreira. O título do álbum não poderia fazer referência maior: From My Mind to Yours. Não bastando todas as notórias contribuições, no início de 2016 anunciou uma parceria com a designer Andy Rigby-Jones e as empresas Allen & Heath e Audiotonix. Intitulada Play Differently, a iniciativa está desenvolvendo um novo conceito de mixer, equipamento essencial ao trabalho do DJ. O MODEL1 ainda não é vendido comercialmente mas já se tornou exigência no rider técnico de inúmeros artistas de renome, como Chris Liebing Loco Dice, Dubfire e Stephan Bodzin.

    Richie Hawtin conta sobre o setup que usa em suas apresentações, com ênfase no mixer “MODEL1”

    Neste final de semana Richie Hawtin volta ao Brasil para duas apresentações bastante especiais: sexta ele se apresenta na edição nacional do Time Warp e sábado no Warung Beach Club, na Praia Brava. A conexão de Hawtin com o templo começou há exatos 10 anos, quando trouxe para o pistão a tendência do mercado europeu. Como fruto, em pouco tempo se tornou uma das pratas da casa, sendo sempre ovacionado em suas apresentações. Um de seus momentos mais icônicos foi durante sua passagem em janeiro de 2011, a energia elétrica falhou duas vezes, Yeke Yeke figurou no setlist e também teve o famoso episódio do chinelo, quem estava lá lembra claramente disso. 

    Apresentação de Richie Hawtin no Warung Beach Club em Janeiro de 2011.

    Sua última passagem no Brasil foi no 1º semestre desse ano, no DGTL São Paulo, e a última passagem pelo Warung foi em 2016, quando estava fazendo tour apresentando o MODEL1. Podemos aguardar muitas novidades em seu retorno à São Paulo na sexta, e neste sábado, quando ele e outros medalhões coroarão o aniversário de 17 anos da mais tradicional casa de música eletrônica do litoral catarinense!

    SERVIÇO

    Matéria Principal Warung: Warung reúne alguns dos principais artistas do mundo no seu mês de aniversário.
    detroitbr: Time Warp retorna ao Brasil com line-up de impacto.

    Warung Beach Club – 17 Anos:
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    Time Warp Brazil 2019
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    Venda de Ingressos

     

  • Falamos com um ícone do techno nacional: DJ MURPHY!

    Falar de DJ MURPHY é falar de história. Na ativa desde o início dos anos 90, ele acompanhou o desenvolvimento da cena eletrônica no Brasil e foi um dos responsáveis por disseminar o techno pelos quatro cantos do país. Atualmente, apesar de carregar o título de um dos melhores DJs do Brasil, MURPHY não alimenta qualquer tipo de estrelismo, muito pelo contrário, quem já o viu atuando sabe que o foco é 100% na música e na própria discotecagem, técnica que ele domina como poucos.

    Na sua rotina agitada, idas e vindas entre Brasil e Europa é algo constante e que já lhe renderam apresentações nos mais conceituados clubs e festivais do mundo, como Awakenings, Time Warp e Nature One, além de manter residência no conceituado D-EDGE. Como produtor, já assinou com importantes labels como Dolma Records, Fine Audio e Hotstage, gravadora gerenciada por ele ao lado de Spuri.

    Não importa onde é chamado, DJ MURPHY consegue entregar através de seu techno aquilo que a pista espera: energia, pressão e emoção através de uma habilidade magistral no comando dos decks. Sua próxima parada acontece no Seas Festival neste final de semana, dia 13 de julho, onde ele toca especialmente no palco do detroitbr. Por isso, nós fizemos questão de bater um papo com ele antes de sua nova apresentação em terras catarinenses. Confira:

    Olá, Murphy! É um prazer enorme falar com você. Como você lida com a posição de estar entre um dos principais nomes do techno da cena brasileira? Há uma certa responsabilidade envolvida?

    Lido muito bem, de forma natural, pois já estou envolvido nisso e em certa posição há muitos anos! A responsabilidade eu vejo de forma que posso influenciar muito quem vem chegando, servindo como um espelho, por isso tento desenvolver um bom trabalho e que assim o sigam de maneira coerente!

    Já são mais de 25 anos de carreira e imagino que você evoluiu muito desde o começo. Além da paixão em tocar, o que mais se mantém firme em suas apresentações em relação ao início da sua carreira? 

    Sim, são muitos anos de estrada. Sempre tentei evoluir e alcançar novos horizontes na minha forma de discotecar e envolver a pista. O que se mantém firme é a minha característica forma de tocar fazendo o uso máximo do ‘turntabilismo’, efeitos, stems, desconstrução e remixes em tempo real!

    Mudando um pouco o foco, hoje percebemos o surgimento de muitos núcleos e pessoas realmente interessadas em propagar a música underground aqui no Brasil. Você que está presente a tanto tempo na indústria, como avalia essa transformação da cena independente nos últimos anos?

    Esse surgimento de novos núcleos é maravilhoso para a cena, agrega muito, absorve e introduz um público que clubs e festivais não alcançavam pois geralmente é uma galera mais alternativa e que se encontraram melhor nestes ambientes. Porém, isso não é algo novo, a internet evidencia muito hoje esses novos núcleos mas já existiram muitos desde os anos 90, mas agora sim eles têm força e conseguem mover multidões!

    Dentre todos os momentos já vividos nas pista ao redor do mundo, há algum que você considera como um dos mais especiais ou simbólicos? O que mais te marcou até hoje?

    Lembro muito bem quando toquei em Berlim, na Love Parade, para 1 milhão de pessoas no palco principal. Tiveram outras ocasiões também como os encerramentos que fiz no Main stage do festival Monegros, na Espanha, inesquecíveis!


    Foto Love Parade Berlim

    Você já tocou conosco em um showcase do detroitbr no Terraza BC e agora está de volta para uma nova jornada no Seas Festival. Como tem sido a preparação para gigs no Sul do país?

    A preparação é sempre divertida, toco músicas que gosto e que sei que a pista vai absorver muito bem. É sempre mágico tocar no sul do país, a vibração e energia dessa galera é quase única e sempre tenho apresentações bastante satisfatórias, sempre conto os dias para estar de volta!

    Há alguma novidade que você já pode anunciar pra gente? Quais os principais projetos para o segundo semestre?

    Tenho novidades no cenário internacional; Agora faço parte da Miracle mngmt ao lado de grandes artistas mundialmente reconhecidos (Alex Stein, Oliver Koletzki, Pig & Dan, Stefano Noferini e Victor Ruiz são alguns) e vem uma tour internacional bem legal para os próximos meses! Também lanço em breve pelo selo francês Dolma, com quem tenho trabalhado muito, além de releases com Eric Sneo, Atze Ton e mais lançamentos do meu selo Hotstage com o talentoso Spuri!

    Para encerrar, deixe um recado para quem está lendo, em especial para os novos artistas da cena. Muito obrigado pelo seu tempo, nos vemos na pista!

    Corram atrás e invistam no que vocês acreditam, tanto em estúdio quanto nas pistas, fórmulas não funcionam para todos, então criem suas próprias! 😉

  • Marcel Dettmann retorna ao Brasil para três apresentações

    Quando se fala de Berlim logo nos vem à cabeça o lendário Berghain, tido como a meca mundial do techno contemporâneo. O lugar possuiu uma mística impar que começa logo na entrada com seu famoso bouncer Sven Marquardt, responsável por permitir a entrada ou bloqueio dos que tentam se aventurar pelas estruturas inabaláveis do club alemão. Os principais chamarizes são as festas insanas que começam sábado e terminam na madrugada de domingo para segunda e, claro, o seu imbatível time de residentes. De Anthony Parasole a Steffi, passando por Efdemin e Ryan Elliot, a cultura dos residentes permanece forte e confirma o quão importante eles são para difundir e representar o seu local de residência.

    Um dos nomes que também pertence ao “dream team” do club alemão é Marcel Dettmann. Nascido e criado em Pößneck, cidade que fica localizada no estado de Turíngia, desde pequeno esteve envolvido com música, pois sua mãe era professora e uma grande influenciadora em favor da arte em sua família. Sempre que todos estavam reunidos aproveitavam o tempo para cantar e tocar instrumentos, não demorando muito para ele se familiarizar com bandas como Depeche Mode, Joy Division e New Order. 

    Sua cidade natal fica a 60 quilômetros de Berlim, onde fica localizada a famosa loja de discos Hard Wax. No início dos anos 90 Marcel fazia festas em sua cidade com seus amigos, pouco tempo antes de fundar sua loja dentro de sua própria casa, afim de incentivar a disseminação da música eletrônica, o que criou um vínculo inegável com a record store berlinense. Em contato direto com os clubs E-Werk e Tresor, não por acaso começou a despertar o seu desejo pelas novidades que estavam vindo de Detroit. Em 1999 se tornou residente do Ostgut, predecessor do Berghain, e após um curto período recebeu o convite para trabalhar na Hard Wax, onde além de vender discos poderia refinar ainda mais o seu aguçado conhecimento.

    Rapidamente seu nome se popularizou por toda a Alemanha, até que em 2006 fundou sua própria label intitulada Marcel Dettmann Records, por onde passou a ter liberdade para lançar suas próprias músicas e ajudar a revelar novos talentos. O primeiro single, chamado MDR 01, trazia as músicas Let’s Do It e Radio e seu lançamento foi um sucesso, seguido pelo single MDR 02, remixado por T++. 


    Em 2014 seu nome já havia se estabelecido como um dos maiores embaixadores do techno industrial de Berlim, seu mix fabric 77, lançado em agosto do mesmo ano, confirma toda a sua notoriedade e a sua precisão cirúrgica na escolha das músicas que figurarão em seus sets.

    Aqui no Brasil a sua primeira aparição foi em 2009 no Club Kraft em São Paulo. Uma de suas vindas mais recentes e memoráveis foi em 2016, quando ele retornou para uma turnê na qual mais uma vez passou por São Paulo, agora na festa Moving do D-Edge, e por Itajaí, quando foi protagonista de uma das noites mais geladas do Warung Beach Club naquele ano.

    Marcel Dettmann é o tipo de DJ que atrai os olhares de qualquer amante de techno, seu nome por si só causa bastante impacto, o qual é correspondido por suas performances, em club ou em open air elas sempre são de tirar o fôlego. Dettmann retorna ao nosso país como uma das principais atrações do festival holandês Dekmantel, que aporta em São Paulo pela segunda vez apresentando grandes artistas da música eletrônica mundial. Antes da sua apresentação lá, que será no dia 4 (domingo), o DJ alemão passa pela festa Caos no dia 2 (sexta) e pelo Warung Beach Club no sábado (3), sendo que ao longo de toda a tour ele se apresentará junto de Nina Kraviz.

    Serviço

    Evento: Caos

    Data: 2 de março de 2018
    Locais: Rua Luis Otavio, 2995, Campinas (SP)
    Ingressos: Bilheteria Digital
    Link: evento no facebook

    Evento: Warung Beach Club

    Data: 3 de março de 2018
    Locais: Av. José Medeiros Vieira, 350, Itajaí (SC)
    Ingressos: Blueticket / Alô Ingressos
    Links: site oficial / evento no facebook

    Evento: Dekmantel Festival

    Data: 3 e 4 de março de 2018
    Locais: Rua Inhaúma, 263 (Antigo PlayCenter) e Av. Olavo Fontoura, 1209 (Sambódromo do Anhembi), ambos em São Paulo (SP)
    Ingressos: Eventbrite
    Links: site oficial / evento no facebook

  • DJ Stingray vem ao Brasil para mostrar lado roots de Detroit

    Se no ano passado o Dekmantel Festival São Paulo teve a Helena Hauff fazendo uma sessão de “massacre electro”, este ano teremos DJ Stingray para dar sequência nessa missão. O veterano americano Sherard Ingram ajuda a perpetuar o espírito mais roots dos ares de Detroit, trazendo sua marca registrada: electro techno ou o electro funk, sendo tocado no estilo gangsta clássico. 

    Tanto no lado DJ quanto no lado produtor a identidade é bem forte. As referências de MODEL 500 a Drexciya são claríssimas e mostram exatamente a fase em que a cultura negra trombou o sci-fi, lá no final da década de 80. Essa estrutura é esteticamente diferente da mais popularmente conhecida 4/4 e evidencia mais o lado “ghetto” do techno de Detroit, definitivamente algo que não é feito para o lado hype do mercado. 

    Em outras palavras: pode ser um beat de funk que lembra o nosso aqui do Brasil, mas com outro molho por cima. Para quem é adicto de toda a cultura e misticismo por trás da história de Detroit com o techno Stingray é imperdível, pois apresentará muita batida quebrada e mostrará que o espírito de lá transcende muito além das batidas quadradas. 

    Serviço

    Evento: Dekmantel Festival São Paulo
    Data: 3 e 4 de março de 2018
    Locais: Rua Inhaúma, 263 (Antigo PlayCenter) e Av. Olavo Fontoura, 1209 (Sambódromo do Anhembi), ambos em São Paulo (SP)
    Ingressos: Eventbrite
    Links: site oficial / evento no facebook

  • Modeselektor está de volta e com data no Brasil

    “Diversificados e inspirados pelo absurdo, os grooves do Modeselektor parecem emanar de todos os gêneros musicais, criando um caos controlado cuja expressão eleva as sobrancelhas da crítica e os batimentos cardíacos das pistas ao redor do mundo.”

    A frase acima é uma tradução adaptada do começo do release da dupla, composta por Gernot Bronsert e Sebastian Szary, dois alemães que nasceram na Berlim oriental e passaram sua juventude participando do movimento acid underground da Alemanha pós-queda do muro. O projeto foi concebido em 1995, mesclando ideias para as quais futuramente não iriam faltar rótulos, tentativas de descrevê-las: big bass techno, acid rap, psychedelic electro, entre outros. Fugindo destas nomenclaturas, poderíamos descrever a música deles como a floresta: densa, texturizada e rica em sonoridades nunca antes experimentadas.

    Em 2001 Gernot e Sebastian encontraram Ellen Allien, cujo selo BPitch Control fora a catapulta que ejetou o Modeselektor às cabeças da cena techno europeia da época. Com uma série de singles e EPs começaram a conquistar o gosto de grandes artistas, como Thom Yorke e Apparat, com quem viriam a colaborar futuramente. Na segunda metade da década vieram os dois primeiros álbuns, Hello Mom! (2005) e Happy Birthday! (2007), cuja sonoridade completamente fora dos limites de qualquer rótulo acabou por influenciar toda uma geração de DJs de diferentes nichos e partes do mundo.

    Em 2009 o duo fez seu debut como trio: com Sascha Ring, músico alemão responsável pelo projeto Apparat, lançaram o álbum Moderat, cujo nome seria utilizado para se referir também à banda recém lançada. Gravado utilizando apenas equipamentos analogicos, o Moderat apresentava uma sinérgica e funcional mistura entre a robustez caótica do Modeselektor e a viagem obscura de Apparat, que somada à dinâmica musical da apresentação ao vivo da banda fez com que ela adquirisse respeito global instantâneo.

    Ainda no mesmo ano de 2009 o mundo viu a Monkeytown Records nascer, gravadora criada com o propósito de lançar materiais próprios e de amigos, mas que rapidamente tornou-se uma das principais referências de bass music da década atual, junto com seu sub-label 50WEAPONS. Pouco tempo depois viria o terceiro álbum de estúdio, intitulado Monkeytown (2011), com participação de Thom Yorke em duas faixas e uma atmosfera ainda mais densa, demonstrando a maturidade adquirida no decorrer da carreira.

    Foi na tour do Monkeytown que o Brasil teve a última oportunidade de ver a dupla em ação, quando se apresentaram no Sónar SP em 2012. Logo em seguida Gernot e Sebastian passariam a dedicar suas energias ao Moderat novamente, período que rendeu dois novos álbuns e longas tours à banda, deixando o Modeselektor em um hiato que só foi acabou há poucos meses.

    No período em que a criatividade e as datas na agenda eram dedicados à colaboração com Apparat, o Modeselektor ainda se fez presente nas playlists dos fãs graças ao Vol. 3 da compilação Modeselektion, pela qual o duo apresenta seu lado DJ.

    E é esse lado que conheceremos neste sábado no Dekmantel Festival São Paulo, que aproveitou o retorno deste grande nome da história da música eletrônica e o selecionou para encerrar o primeiro dia no formato DJ set. Ouvir a discografia completa (álbuns de estúdio e compilações) do Modeselektor é uma boa exercício para sentir a amplitude da musicalidade deles e testar nossa própria ecleticidade. Assim como eu, você certamente vai encontrar coisas horríveis para seu gosto, vai se perguntar “como é que eles tem coragem de lançar isso?”

    Mas ao ouvir as belas pérolas que nos agradam, conseguimos perceber a genialidade e a ousadia intrínseca ao projeto, qualidades tão essenciais e cada vez mais escassas em artistas dos tempos atuais. E aí até dá pra reconhecer que mesmo as músicas ruins, no fundo, são muito boas.

    Serviço

    Evento: Dekmantel Festival São Paulo
    Data: 3 e 4 de março de 2018
    Locais: Rua Inhaúma, 263 (Antigo PlayCenter) e Av. Olavo Fontoura, 1209 (Sambódromo do Anhembi), ambos em São Paulo (SP)
    Ingressos: Eventbrite
    Links: site oficial / evento no facebook

  • Conheça a mente criativa e empolgada de Traumer

    No próximo sábado, 11/11, o detroitbr celebrará 4 anos decorridos desde que sua ideia fora concebida e sua evolução e proliferação iniciada. Para tanto, está sendo organizada a maior festa da história do coletivo: o Galera’s Beach Bar foi escolhido tanto pelo cenário paradisíaco da Praia Brava como pela capacidade do salão superior, ambiente aonde será montada a pista de dança que receberá o francês Traumer, grande atração da festa.

    Pra aquecer os ânimos e colocar todo mundo na mesma sintonia convidamos Bernardo Ziembik, nosso residente e fã incondicional do cara, para fazer uma entrevista com ele. Para nossa grata surpresa as respostas demonstraram um artista sincero, empolgado e um tanto louco – exatamente o que esperamos de alguém que vai tocar por 4 horas em um importante capítulo de nossa história.

    Entrevista

    Bernardo: Olá Traumer, antes de qualquer coisa, eu gostaria de dizer que é uma grande honra pra mim fazer esta entrevista. Eu sou um grande fã da sua música desde quando ouvi seu lançamento pela Desolat, que acredito que o introduziu massivamente no mercado da música eletrônica. Você poderia nos falar um pouco sobre este trabalho e que influências você teve naquele tempo?

    Traumer: Olá, a parte engraçada é que eu não tinha a Desolat em mente quando produzi a track. Para ser bem honesto, eu nem estava certo sobre a faixa Hoodlum e ao mesmo tempo eu ainda estava no meio das coisas diferentes que eu vinha testando, se eu queria fazer techno ou house no meu projeto Traumer. Naquele tempo o projeto Romain Poncet ainda estava sendo concebido e eu ainda estava testando as coisas.
    Então eu fiz algumas músicas inspiradas em techno, com alguns cortes apoiados em house como Hoodlum ou Insola. Eu me lembro que uma manhã o meu agente da época me ligou e me disse, “Boas notícias, você vai lançar um EP pela Desolat” – eu obviamente disse que estava bem feliz em ouvir esta notícia mas também não conseguia entender como era possível. Ele me disse que havia enviado previamente todos meus materiais para a Desolat e eles gostaram tanto que decidiram que eles tinham músicas suficientes para fazer um EP duplo. Aqui está a história 🙂

    B: Nós podemos dizer que a identidade de Traumer mudou desde então, enquanto Romain Poncet se aproximou mais do som do DeDust EP. Além desses dois alter-egos, você já assinou faixas como Poncet Family, Möd3rn, Sergie Rezza, Adventice e RedSpecs. Nos diga como você administra todos esses projetos e qual a diferença entre eles!

    T: Você está absolutamente certo sobre o som de DeDust. Eu realmente tenho outros projetos mas vou deixar você encontrar eles por si mesmo… Sobre essa “esquizofrenia”, administração da multi-personalidade da minha identidade: eu realmente não sei como eu faço isso pra ser honesto. Mas o que eu posso dizer é que tendo tantas identidades diferentes é a minha forma de me manter inspirado. Isso me permite nunca cair no tédio, porque uma vez que estou entediado fazendo techno por exemplo, eu apenas me movo naturalmente para o house, depois para o ambient, depois minimal etc. Essa esquizofrenia artística “controlada” (não estou tão certo se é mesmo controlada haha) mantém o ciclo criativo em movimento perpetuo, tudo está sempre zumbindo em minha cabeça. Também, se eu tivesse que analisar objetivamente essa necessidade de fazer malabarismos com diferentes projetos, psicologicamente, eu pensaria que é também uma forma de me tranquilizar. Eu posso ficar um pouco ansioso com relação ao futuro algumas vezes – ter todos esses projetos talvez seja minha maneira de criar diferentes finais e saídas de emergências pra mim…?

    B: Algo que me impressiona nas produções do projeto Traumer são suas referências tribais e percussivas. Você poderia nos falar um pouco sobre sua formação musical, quem ou o quê te inspirou em sua carreira?

    T: Eu não tive nenhum treinamento musical formal, eu não toco piano ou qualquer outro instrumento. Eu estou apenas ajustando. Eu comecei a fazer música no computador quando eu tinha 14 anos e eu acredito que esse é o meu instrumento. O computador me permite curtar, colar, mover, fatiar, truncar, desacelerar ou acelerar qualquer fonte de áudio, e é isso que eu gosto de fazer. Muitas pessoas me inspiraram ao longo dos anos e são tantos, mas tantos que continuam me inspirando, que eu não vou fazer uma lista pois sempre esqueço alguns, e também porque essa lista seria tão grande! Eu obtenho minha inspiração de tantas coisas diferentes, mas eu acho que no final eu tenho a maioria das minhas ideias enquanto estou viajando e das gigs em que eu toco. É importante ouvir os DJs que tocam antes ou depois de você.

    B: A festa na qual você vai tocar celebra 4 anos da fundação do detroitbr, um projeto underground que é parte de uma onda que está mudando a forma como os brasileiros interagem com a música. Como a cena da França é bem mais desenvolvida, fico curioso sobre o que está acontecendo aí agora. Como estão as coisas? Quem são os “sangues-frescos” que fazem você acreditar no futuro da cena musical do seu país?

    T: Como você disse, as coisas estão se desenvolvendo bem aqui – em termos de evento ficou um tanto enorme, e é o mesmo em várias cidades, não somente Paris. Mas também há muitos grandes artistas aqui na França que continuam elevando os níveis, em diferentes estilos de música eletrônica. Eu estou pensando em gente como Varhat, Lazare Hoche, Cesar Merveille (ele mora em Berlim, mas ainda assim é um grande artista francês), Antigone, DJ Deep, Molly, Seuil só pra nomear alguns dos amigos mais estabelecidos (eu tenho que dizer que sempre esqueço vários nomes – eu realmente não gosto de listar assim). Mas a chave para o desenvolvimento está acontecendo nas comunidades na internet. Eu estou pensando nos grupos de Facebook nos quais música é compartilhada, como o grupo “Beau Mot Plage”, aonde você pode encontrar músicas absolutamente incríveis que você nunca ouviu antes. Eu acho que a França está se desenvolvendo bastante por este desenvolvimento ser global, ele vem dos artistas estabelecidos aos novatos, dos promoters ao público e à super-ativa comunidade na internet.

    B: Suas última tour brasileira teve gigs em festivais, agora você volta para três noites em clubs. Quais são suas expectativas para a tour dessa semana?

    T: Festivais significam menos tempo de set, então nem sempre temos tempo para nos expressar. Tocar em clubs significa o oposto e essa tour é definitivamente o caso. Eu vou tocar no mínimo duas horas em todos os lugares que irei, o que é ótimo. Então, eu espero me conectar mais com a multidão e ir mais fundo musicalmente… Se você quiser me ver na vibe de festival, irei para Lima (Peru) para tocar no Get Out Festival e Cordoba (Argentina) para pegar o palco no Riot no fim de semana depois do Brasil.

    Serviço

    Quando? 11/11 (sábado), 22:00
    Onde? Galera’s Beach Bar – Praia Brava, Itajaí (SC)
    Quem toca? Traumer, Bernardo Ziembik, André Anttony
    Ingresso online: http://bit.ly/dtbr4anos
    Equipe de vendas: http://bit.ly/EQdtbr4anos
    Evento oficial: https://www.facebook.com/events/1488652177838495/
    Reservas: (47) 99900-0837

  • Kultra lança três músicas originais pela AIA Records

    Com três criações originais, o Kultra apresenta Arnemetia EP, seu primeiro lançamento pela AIA Records. Com quase meia hora de duração, o release convida o ouvinte a uma verdadeira imersão, passando por três atmosferas distintas.

    A viagem começa no clima gélido e mecânico de Glacial Rumble, que encanta conforme sua bela melodia se desenvolve. Em seguida somos conduzidos pela levada aconchegante de Ocean Hiss, cujos synths intrigantes sutilmente intensificam a jornada. Finalmente, alçamos voo com a suave Cirrus Whisper, que conclui o EP de maneira emocionante.

    Criamos essas músicas após fazer nossos primeiros warm-ups no Club Vibe”, conta Moha, integrante do projeto, que recentemente tem apresentado um leque maior de possibilidades no DJ set. “A água, referenciada em seus três estados, representa a diversidade de características que uma mesma coisa pode ter, dependendo das influências que ela recebe do meio”, completa.

    O artwork foi criado por Natalie Nodari, enquanto a masterização ficou por conta da Tree Mastering. Ouça ou baixe a música pelo seu serviço preferido:

    Spotify / Deezer / Apple Music
    Beatport / Traxsource / Amazon / Juno

    Foto: Gustavo Remor