Falamos com um ícone do techno nacional: DJ MURPHY!

Falar de DJ MURPHY é falar de história. Na ativa desde o início dos anos 90, ele acompanhou o desenvolvimento da cena eletrônica no Brasil e foi um dos responsáveis por disseminar o techno pelos quatro cantos do país. Atualmente, apesar de carregar o título de um dos melhores DJs do Brasil, MURPHY não alimenta qualquer tipo de estrelismo, muito pelo contrário, quem já o viu atuando sabe que o foco é 100% na música e na própria discotecagem, técnica que ele domina como poucos.

Na sua rotina agitada, idas e vindas entre Brasil e Europa é algo constante e que já lhe renderam apresentações nos mais conceituados clubs e festivais do mundo, como Awakenings, Time Warp e Nature One, além de manter residência no conceituado D-EDGE. Como produtor, já assinou com importantes labels como Dolma Records, Fine Audio e Hotstage, gravadora gerenciada por ele ao lado de Spuri.

Não importa onde é chamado, DJ MURPHY consegue entregar através de seu techno aquilo que a pista espera: energia, pressão e emoção através de uma habilidade magistral no comando dos decks. Sua próxima parada acontece no Seas Festival neste final de semana, dia 13 de julho, onde ele toca especialmente no palco do detroitbr. Por isso, nós fizemos questão de bater um papo com ele antes de sua nova apresentação em terras catarinenses. Confira:

Olá, Murphy! É um prazer enorme falar com você. Como você lida com a posição de estar entre um dos principais nomes do techno da cena brasileira? Há uma certa responsabilidade envolvida?

Lido muito bem, de forma natural, pois já estou envolvido nisso e em certa posição há muitos anos! A responsabilidade eu vejo de forma que posso influenciar muito quem vem chegando, servindo como um espelho, por isso tento desenvolver um bom trabalho e que assim o sigam de maneira coerente!

Já são mais de 25 anos de carreira e imagino que você evoluiu muito desde o começo. Além da paixão em tocar, o que mais se mantém firme em suas apresentações em relação ao início da sua carreira? 

Sim, são muitos anos de estrada. Sempre tentei evoluir e alcançar novos horizontes na minha forma de discotecar e envolver a pista. O que se mantém firme é a minha característica forma de tocar fazendo o uso máximo do ‘turntabilismo’, efeitos, stems, desconstrução e remixes em tempo real!

Mudando um pouco o foco, hoje percebemos o surgimento de muitos núcleos e pessoas realmente interessadas em propagar a música underground aqui no Brasil. Você que está presente a tanto tempo na indústria, como avalia essa transformação da cena independente nos últimos anos?

Esse surgimento de novos núcleos é maravilhoso para a cena, agrega muito, absorve e introduz um público que clubs e festivais não alcançavam pois geralmente é uma galera mais alternativa e que se encontraram melhor nestes ambientes. Porém, isso não é algo novo, a internet evidencia muito hoje esses novos núcleos mas já existiram muitos desde os anos 90, mas agora sim eles têm força e conseguem mover multidões!

Dentre todos os momentos já vividos nas pista ao redor do mundo, há algum que você considera como um dos mais especiais ou simbólicos? O que mais te marcou até hoje?

Lembro muito bem quando toquei em Berlim, na Love Parade, para 1 milhão de pessoas no palco principal. Tiveram outras ocasiões também como os encerramentos que fiz no Main stage do festival Monegros, na Espanha, inesquecíveis!


Foto Love Parade Berlim

Você já tocou conosco em um showcase do detroitbr no Terraza BC e agora está de volta para uma nova jornada no Seas Festival. Como tem sido a preparação para gigs no Sul do país?

A preparação é sempre divertida, toco músicas que gosto e que sei que a pista vai absorver muito bem. É sempre mágico tocar no sul do país, a vibração e energia dessa galera é quase única e sempre tenho apresentações bastante satisfatórias, sempre conto os dias para estar de volta!

Há alguma novidade que você já pode anunciar pra gente? Quais os principais projetos para o segundo semestre?

Tenho novidades no cenário internacional; Agora faço parte da Miracle mngmt ao lado de grandes artistas mundialmente reconhecidos (Alex Stein, Oliver Koletzki, Pig & Dan, Stefano Noferini e Victor Ruiz são alguns) e vem uma tour internacional bem legal para os próximos meses! Também lanço em breve pelo selo francês Dolma, com quem tenho trabalhado muito, além de releases com Eric Sneo, Atze Ton e mais lançamentos do meu selo Hotstage com o talentoso Spuri!

Para encerrar, deixe um recado para quem está lendo, em especial para os novos artistas da cena. Muito obrigado pelo seu tempo, nos vemos na pista!

Corram atrás e invistam no que vocês acreditam, tanto em estúdio quanto nas pistas, fórmulas não funcionam para todos, então criem suas próprias! 😉