O selo brasileiro Cabana Music acaba de lançar um EP envolvendo apenas artistas do detroitbr! Trata-se do Substance Remixes, lançamento que chega com duas releituras para músicas do Unterwelt80 previamente lançadas: Nagasaki, que adquiriu tons sinistros e melancólicos pelas mãos do Kultra, e Hiroshima, que ficou intensa e explosiva com o olhar de Eduardo M. Ouça agora e adicione à sua biblioteca em seu serviço de streaming preferido:
Neste fim de semana, 18 e 19 de julho, acontece o D-EDGE Live Festival, comemorando os 20 anos do club pioneiro da cena eletrônica do Brasil. Completar duas décadas é um marco alcançado por poucos e, mesmo em tempos de isolamento social, merece uma celebração à altura.
O line-up contará com atrações internacionais de peso e com a presença de boa parte dos residentes da marca. Além de levar música aos nossos lares, o D-EDGE Live Festival tem uma missão social muito importante: arrecadar doações para o Programa Acolher. Durante a transmissão o público poderá fazer doações que serão destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade, por intermédio do programa que é uma extensão da obra humanitária Amma, ligada à ONU.
Entre os artistas escalados para o festival está nosso residente Ziembik, que se apresentará no domingo às 19h. Por conta disso, você poderá acompanhar todos os DJs de domingo pelo nosso Facebook, com início de transmissão marcado para as 13h. Confira abaixo os horários de line-up:
SÁBADO 18/07
14h Gromma
15h Marko
16h Nick Curly
17h Darius syrossian
18h Vies
19h Brigado Crew
20h Mariano Mellino
21h Blancah
Kaluki showcase:
22h Manda Moor
23h Pirate Copy
00h Luke Welsh b2b Mike Morrisey
DOMINGO 19/07
(com transmissão no nosso facebook a partir das 13h)
13h Kaka Franco
14h Aninha & Fabo
15h Oxia
16h Renato Ratier
17h Risa Taniguchi
18h Alex justino 19hZiembik
20h Tarter
21h Daniel UM
Detroit é uma cidade norte-americana localizada no estado de Michigan, na fronteira dos EUA com o Canadá, que teve extrema relevância para a música do último século. Seu protagonismo iniciou-se na década de 1920, quando a expansão da indústria automotiva tornou-a a 4ª maior dos EUA, atraindo muitos trabalhadores negros e, por consequência, talentosos artista de blues e jazz, estilos musicais criados por afro-americanos de cidades do sul do país. Graças a bares e casas de shows em distritos como Black Bottom e Paradise Valley a cena local se tornou um pólo nacional desses estilos até meados dos anos 1950.
Black Bottom e Paradise Valley
Apesar da proeminência negra na cena musical de Detroit, até os anos 70 os afro-americanos eram minoria populacional e sofriam muito, tanto com o preconceito praticado pelos brancos nas indústrias, como pela falta de consideração por parte do poder público, já que, no período após a II Guerra Mundial, a cidade estava passando por um replanejamento urbano que desalojou pessoas mais desfavorecidas e partiu ao meio bairros até então funcionais. Diante disso, tradicionais bares e clubs foram fechados, encerrando o ciclo artístico anterior e abrindo espaço para que novas cenas surgissem, em especial de rock and roll e R&B.Rhythm and blues é um termo cujo significado já mudou bastante ao longo do tempo mas na época incorporava blues, soul e gospel, linha musical que consagraria a Motown Records, gravadora que fez a música de Detroit ultrapassar barreiras e ser reconhecida mundialmente, lançando artistas como Stevie Wonder, Marvin Gaye e até mesmo Michael Jackson.
Berry Gordy, fundador da Motown Records, segurando um dos muitos lançamentos do grupo “The Supremes” pela sua gravadora.
Com o declínio da economia da cidade a tensão racial escalou, culminando nos protestos de 1967. Cinco dias de violentos conflitos que resultaram em 43 mortos, centenas de feridos e intensificaram o “êxodo branco”, que levou boa parte doas pessoas e do capital para outros lugares. Nos anos 1970 a crise mundial do petróleo abalou a indústria automobilística e foi o golpe de misericórdia para a economia de Detroit, que já não era mais nem a 20ª maior cidade dos EUA e tornou-se a 1ª em crimes violentos, sendo considerada pelo FBI a cidade mais perigosa do país até meados dos anos 1980.
Protestos de 1967
Protestos de 1967
Protestos de 1967
Nessa época Detroit tornou-se uma cidade fantasma, mais da metade das construções estavam vazias e os negros buscavam caminhos para reerguê-la. Este cenário melancólico, subversivo e de luta, serviu como sopa primordial para a criação do gênero que hoje chamamos de techno. Tudo começou com três jovens estudantes de Belleville, Juan Atkins, Kevin Saunderson e Derrick May, que encontravam-se em seus porões para fazer música com sintetizadores. Era o encontro da música negra com a cultura sci-fi!
Os Três de Belleville reconheciam o valor da história musical da cidade, mas buscaram criar algo realmente novo, autêntico. Conheceram a cena house em Chicago, a onda synth-pop que vinha da Europa e decidiram que deveriam desenvolver uma nova alternativa para suceder a disco na linha evolutiva da música eletrônica, com atmosferas sombrias inspirados pela alma industrial de Detroit e timbres futuristas a la Kraftwerk que carregavam um idealismo muito forte, uma contrapartida otimista frente à realidade distópica vivida. Nos primeiros momentos os artistas de techno chegaram a enfrentar resistência dentro da própria comunidade negra, de pessoas que alegavam que a influência europeia fazia com que o estilo não fosse “essencialmente negro”, mas para eles o techno deveria ser exatamente isso: uma nova forma de expressão cultural negra, livre das regras e conservadorismos impostos pelos limites do R&B e do hip hop. Nesse sentido, gente como Mike Banks, Von Floyd e Drexciya já marcavam mais forte essa estampa política, trazendo uma estética mais suja e de base funk, que precedeu a base reta que acabou se tornando mais popular posteriormente.
O lado mais polido porém não menos importante veio em seguida, quando artistas como Carl Craig, Kenny Larkin e o duo Octave One protagonizaram a chamada 2ª onda de Detroit techno, com sonoridades mais alegres e vocais marcantes, aproximando-se inclusive do house. Em meados dos anos 90 o epicentro da cena techno mundial acabou movendo-se para a Europa, internacionalizando mais um grande legado musical dos negros de Detroit.
É por isso que todo mundo que se diz influenciado pela música de Detroit tem a obrigação moral de prestar respeito à causa negra. É impossível separar a música da luta política, em especial da luta contra o racismo, pois é graças a grandes artistas afro-descendentes, tanto de Detroit como de diversas outras partes do mundo, que temos a felicidade de poder desfrutar de músicas tão belas e ricas, do jazz ao techno.
Vidas negras importam, e muito!
Bonus Track
Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o assunto, indicamos o documentário “Black to Techno” by Jenn Nkiru | Frieze & Gucci, que ilustra a relação do techno com a cidade e a população de Detroit.
Ale Reis e Renee são artistas apaixonados por equipamentos analógicos, mas que mantêm-se conectados ao mundo digital. Esta dualidade pode ser sentida pelos dois labels comandados por eles: Sketches Records com lançamentos exclusivos em vinil e sudd records com lançamentos em formatos digitais.
Nesta semana o duo anunciou um lançamento que irá encher os ouvidos e corações de produtores que, como eles, possuem apreço pelo som único gerado pelas drum machines clássicas. Neste período de isolamento social o Stekke imergiu em estúdio e trouxe ao mundo pacotes de samples gravados nos diversos equipamentos analógicos que possuem, como uma das formas alternativas que a dupla encontrou para contribuir com o universo da música neste momento.
*Traduzido do original publicado em 19/03/2020 no Resident Advisor.
“A dance music corre perigo. Clubs estão fechados, lojas de disco estão fechadas e festas foram canceladas. Muitas das pessoas que expiram vida na cena, artistas, promoters e pequenas empresas trabalhando nos bastidores, viram seus rendimentos serem varridos. Bartenders, engenheiros de som, staffs e outros trabalhadores da vida noturna estão à beira de serem demitidos. Frelaancers, como fotógrafos, designers, redatores e DJ’s não sabem de onde virá o próximo salário. Ninguém sabe por quanto tempo essa situação irá durar, mas apenas algumas semanas são suficientes para que o dano seja permanente.
Incontáveis pessoas ao redor do mundo estão enfrentando desafios semelhantes agora, e nós não temos a intenção de tirar a atenção de qualquer um que esteja em risco, especialmente os que estão seriamente doentes e as pessoas que estão cuidando deles. Todo mundo precisa de suporte e apoio agora, e todos nós precisamos fazer o que conseguirmos nas comunidades em que fazemos a diferença. É por isso que estamos comprometidos em fazer absolutamente tudo possível para ajudar a salvar a nossa cena.
A Dance music proporciona o sentimento de segurança, comunidade e conexão com o que estamos desejando agora. Ela proporcionou muito a muitos. Para muitos de nós, é como nós conhecemos nossos melhores amigos e parceiros. É a nossa fonte principal de prazer diário, em qualquer forma que seja: ouvir sets no ônibus, procurar discos tarde da noite com 25 abas abertas, mixar músicas com amigos ou tocar numa gig, contar os dias que faltam pra um festival ou dançar nos clubs até o amanhecer. É uma das coisas que fazem nossas vidas valerem a pena. Nós acreditamos que o mundo é um lugar melhor porque isso existe.
Nossa cena está correndo mais perigo agora do que nunca correu. Mas também, nunca valeu tanto a pena lutar por ela. Quando o coronavírus finalmente passar, nós retornaremos a um mundo diferente do que deixamos. É impossível dizer como o mundo será, mas as pessoas precisarão dos valores da dance music: inclusão, empatia, paz, amor, união e respeito.
Para que possamos atravessar os próximos meses, precisaremos nos reconectar com esses ideais – não só os artistas e as pessoas na chamada indústria, mas ravers, amantes de música, DJs amadores e produtores entre outras pessoas que apoiam a cena. Nós precisamos nos apoiar, nos comunicar claramente e com compaixão, explorar novas ideias e trabalharmos mais juntos do que nunca. Crucialmente, nós precisamos resistir às forças que tentam nos dividir, trazidas pelos tempos de preocupação. Ninguém sabe qual a melhor maneira de lidar com essa situação, então a discordância é inevitável. Mas se nós conseguirmos canalizar o espírito da cena originalmente no coração da dance music, teremos a chance de superar essa crise.
É por isso que, até quando muito de nós enfrentamos problemas pessoais, recorremos a você, comunidade da dance music, para ajudar a salvar nossa cena. #SaveOurScene
Como você pode ajudar? Compre música e merchandise. Faça uma doação para apoiar clubs e trabalhadores da vida noturna. Adie um reembolso de um evento cancelado. Faça o que você puder. O seu apoio faz uma diferença enorme.”
Ao redor do mundo, ações que buscam minimizar os efeitos do COVID-19 estão surgindo. Em Berlin, o club ://about blank iniciou uma campanha de arrecadação de fundos, com retribuições que variam de acordo com a colaboração. Entre elas estão cartas de agradecimento, folhetos antigos com a programação do club, discos de vinil e um kit com um chapéu de comissário, óculos de sol, máscara, um papel higiênico com o rosto de Vladimir Putin estampado e o volume 1 do livro “O Capital” de Karl Marx. Em Barcelona, a festa MARICAS criou uma plataforma com conteúdo online para apoiar artistas queer independentes. Há uma programação diária com atividades que incluem live streams, workshops de produção musical e tutoriais de maquiagem para drag queens.
No Brasil, o Club Vibe criou a iniciativa “Apoie Sua Cena #VibeLocals” com o objetivo de buscar suporte para quatro núcleos que têm se apresentado com frequência no club: 4×4, Horus, Momentum e Order. Para motivar a colaboração, o club está oferecendo uma série de benefícios, que variam de acordo com o valor da contribuição. Elas vão de um post e um quadro, que ficará exposto no club, com o nome de todas as pessoas que contribuíram à camisetas dos núcleos e entrada free e sem filas para todas as noites de 2020 no Club Vibe.
A COVID-19 é uma pandemia global sem precedentes. Independente de qual seja sua taxa de mortalidade, ela está impactando severamente a população mundial, exigindo uma mudança drástica e imediata de comportamento. Já houveram outras epidemias que mexeram com a humanidade, mas essa é a primeira na era globalizada, com fluxo intenso de pessoas entre os países principalmente por via aérea.
Na China, local de origem da doença, as autoridades tentaram, inicialmente, camuflar a situação, porém não demorou para as coisas tomarem proporções que tornaram impossível esconder do mundo o que estava acontecendo. A partir deste momento províncias inteiras foram isoladas e medidas radicais foram tomadas. Três meses após o início do surto, finalmente, o país asiático está conseguindo contê-lo, chegando a não registrar mais contágio local.
Bing COVID Tracker, um mapa que mostra dados instantâneos sobre os casos de coronavírus no mundo. Clique na imagem para acessar.
Por lá as coisas foram controladas, mas já custou mais de 3000 vidas humanas e o vírus se alastrou pelo mundo. A Europa passa hoje pelo cenário mais crítico da epidemia até o momento, com a Itália e a Espanha superando a China, tornando-se hoje os lugares onde mais mortes são registradas por conta da COVID-19, consequência da negação inicial da gravidade, somada à incapacidade dos sistemas de saúde em atender a tantas pessoas que ficaram doentes de uma hora pra outra, com uma condição sobre a qual pouco ainda se sabe. Os EUA e o Irã também vivem situação alarmante hoje, com suas estatísticas subindo cada vez mais.
Tentando aprender com os erros dos desafortunados países que tiveram contato primeiro com o novo coronavírus, todos os outros começaram a executar seus planos no sentido de conter o avanço da doença. Quarentena e distanciamento social se tornaram palavras de lei, fábricas paralisaram suas atividades, escritórios passaram a funcionar remotamente e somente serviços essenciais estão operando. Satélites registraram recordes positivos de despoluição e muita gente viu peixes e cisnes na água agora cristalina nos canais de Veneza. Para não morrer, todo mundo foi obrigado a reduzir seu ritmo e repensar suas atitudes.
(Reprodução The Guardian/Casa.com.br)
Em meio a isso tudo, a economia enfrenta dias caóticos e de incerteza. Bolsas de valores do mundo todo registrando quedas vertiginosas, enquanto alguns setores da economia viram suas atividades serem reduzidas a zero nesse período de isolamento. Empresas ligadas a turismo e eventos, por exemplo, não estão podendo operar, especialmente porque seria uma irresponsabilidade enorme com os clientes e com os colaboradores executar qualquer tipo de atividade neste momento. Com isso existe toda uma cadeia de profissionais que estão sem saber como continuar pagando as contas enquanto estiverem impossibilitado de obter qualquer tipo de receita, como artistas, empresários da noite, produtores de eventos, locadores de equipamentos, agências de bookings.
Com criatividade e liderança é possível extrair coisas positivas da situação, como utilizar o momento para planejamento e criação, bem como se posicionar de maneira inteligente e obter engajamento do público nas redes sociais. Tais medidas podem inclusive resultar em números ainda melhores no período pós-quarentena, mas no curto prazo dificilmente irá gerar receita suficiente para que as empresas e profissionais do ramo consigam arcar com todos seus custos fixos. E agora, o que fazer?
Cada país deverá tomar suas medidas para salvar cada setor específico da economia. Na França o governo suspendeu a cobrança de luz, água e gás, enquanto na Alemanha o ministério da cultura já prometeu ajuda financeira a artistas.Aqui no Brasil, algumas medidas que ajudarão a economia como um todo estão sendo tomadas, como a aprovação do Projeto de Lei na Câmara que prevê uma renda mínima de R$ 600 aos trabalhadores informais, podendo chegar a R$ 1.200, no caso de mães solteiras (agora, o texto vai pra aprovação do Senado e, se passar, seguirá para sanção do presidente) e os 100 bilhões que o Banco do Brasil disponibilizou para empréstimo, destinado a empresas e pessoas físicas. A redução da taxa selic e afrouxamento de algumas exigências fez com que os bancos privados tivessem mais capacidade de crédito, que está sendo repassada aos clientes. Para alguns tipos de dívidas está sendo concedido o direito de suspender por até 60 dias o pagamento.
Um homem lê o cartaz que informa a interrupção da programação do Berlin State Opera, por conta do coronavírus. Clique na imagem para acessar a matéria. (Foto: ANNEGRET HILSE / REUTERS)
Tudo isso vai dar fôlego por um tempo, mas temos que torcer para as coisas melhorarem rápido. Além das medidas de socorro terem prazo de validade, quanto mais tempo durar a quarentena, mais eventos serão cancelados com esperança de serem adiados para as primeiras semanas de retorno à normalidade, podendo levar a um overbooking no segundo semestre. Mesmo que o isolamento não passe de poucas semanas o ano inteiro já está comprometido, terá de haver comunicação, compreensão e cooperação por parte de todos os profissionais, para reduzir ao máximo os prejuízos que o mercado irá levar até o fim do ano.
Para alguns uma quarentena curta pode parecer um sonho distante, mas nos últimos dias a ciência apresentou uma novidade que nos permite ter esperança. Um estudo preliminar, com apenas 36 pessoas, obteve ótimos resultados no uso de hidroxicloroquina para a contenção da COVID-19 dentro do corpo do paciente infectado. Trata-se de um medicamento já existente no mercado, indicado para quem tem condições como malária, lúpus e artrite reumatoide. Esse anúncio gerou euforia e irresponsavelmente muitas pessoas ao redor do mundo já estão tentando estocá-lo, embora ainda não se saiba qual a forma certa de se executar o tratamento. Uma pessoa já morreu por usar a substância sem orientação médica. Novos estudos já estão sendo realizados e talvez tragam boas notícias dentro de poucos dias.
Enquanto não temos certeza do futuro, nos resta cumprir o nosso papel e salvar o mundo diretamente do conforto do nosso lar. Seguir as recomendações de distanciamento social e higiene pessoal, além de aproveitar o momento para fazer um balanço geral da vida, aprender coisas novas, multiplicar informações e sentimentos verdadeiros, e, por que não, colocar o corpo e a mente pra descansar um pouco, afinal, o ritmo do dia-a-dia é intenso e raramente temos oportunidade de desconectar totalmente por um tempo muito prolongado. É hora de nos prepararmos para fazer coisas ainda melhores quando a pandemia passar!
Pra tentar facilitar todo esse processo, grandes labels e grandes artistas têm se movimentado, realizando live streams direto de suas residências, como é o caso do Boiler Room, da Defected, Drumcode (que em parceria com o Beatport está fazendo o #DrumcodeIndoors) e da Big Fish, núcleo de techno de Curitiba que está completando 20 anos e organizou um evento online com apresentação de 3 djs residentes e 1 convidado.
Seguindo na mesma linha, o produtor Kyle Geiger liberou para download gratuito uma pasta com alguns de seus samples e projetos do Ableton Live, e contou com o apoio de Truncate, Chris Liebing, Arjun Vagale, Alexander Kowalski e Deepchild, que adicionaram as suas contribuições. A expectativa é de que mais produtores também contribuam.
O Bandcamp, um dos principais portais de venda de música, abriu mão de sua porcentagem nas transações durante 1 dia, para chamar ainda mais a atenção para os impactos do COVID-19 na vida de músicos ao redor do mundo, repassando 100% do valor da venda para os artistas pois, como declarou o CEO da empresa em nota, um dia bom de vendas pode ser a diferença entre um artista pagar ou não seu aluguel. Como resultado, o site registrou aproximadamente 800.000 itens vendidos na data, superando em mais de 15x a média de 47.000 itens vendidos por dia, atingindo o valor de 4.3 milhões de dólares em música e mercadorias.
Pra contribuir com esse movimento e tentar deixar o momento mais leve, nós da detroitbr preparamos uma programação com dicas de afazeres e passatempos relacionados à música, que serão divulgados aqui e nas nossas redes sociais. Fique de olho e faça sua parte!
Quem conhece o trabalho e o histórico do D-EDGE sabe que o club sempre apostou numa curadoria musical avançada, trazendo nomes que muitas vezes são raros de aparecer pelo Brasil. Por trás da Moving, festa dedicada ao techno que rola toda quinta-feira no club paulistano, não é diferente. As atrações confirmadas nesta reta de final são prova disso.
Começando já por esta quinta (28), a alemã Nur Jaber e o argentino Flug, artistas que não brincam em serviço, serão os headliners da noite. Na próxima semana quem sobe ao palco do D-EDGE é D.A.V.E. The Drummer (05/12), uma verdadeira lenda da cena acid e techno mundial. Em seguida, o club recebe o americano Truncate (12/12) e encerra sua programação com outro nome fortíssimo do techno, a sueca conhecida como SPFDJ (19/12).
Abaixo nós separamos um set de cada um dos artistas confirmados para você curtir e já ir entrando das noites que vem a seguir. Para mais informações, clique aqui.
Falar de DJ MURPHY é falar de história. Na ativa desde o início dos anos 90, ele acompanhou o desenvolvimento da cena eletrônica no Brasil e foi um dos responsáveis por disseminar o techno pelos quatro cantos do país. Atualmente, apesar de carregar o título de um dos melhores DJs do Brasil, MURPHY não alimenta qualquer tipo de estrelismo, muito pelo contrário, quem já o viu atuando sabe que o foco é 100% na música e na própria discotecagem, técnica que ele domina como poucos.
Na sua rotina agitada, idas e vindas entre Brasil e Europa é algo constante e que já lhe renderam apresentações nos mais conceituados clubs e festivais do mundo, como Awakenings, Time Warp e Nature One, além de manter residência no conceituado D-EDGE. Como produtor, já assinou com importantes labels como Dolma Records, Fine Audio e Hotstage, gravadora gerenciada por ele ao lado de Spuri.
Não importa onde é chamado, DJ MURPHY consegue entregar através de seu techno aquilo que a pista espera: energia, pressão e emoção através de uma habilidade magistral no comando dos decks. Sua próxima parada acontece no Seas Festival neste final de semana, dia 13 de julho, onde ele toca especialmente no palco do detroitbr. Por isso, nós fizemos questão de bater um papo com ele antes de sua nova apresentação em terras catarinenses. Confira:
Olá, Murphy! É um prazer enorme falar com você. Como você lida com a posição de estar entre um dos principais nomes do techno da cena brasileira? Há uma certa responsabilidade envolvida?
Lido muito bem, de forma natural, pois já estou envolvido nisso e em certa posição há muitos anos! A responsabilidade eu vejo de forma que posso influenciar muito quem vem chegando, servindo como um espelho, por isso tento desenvolver um bom trabalho e que assim o sigam de maneira coerente!
Já são mais de 25 anos de carreira e imagino que você evoluiu muito desde o começo. Além da paixão em tocar, o que mais se mantém firme em suas apresentações em relação ao início da sua carreira?
Sim, são muitos anos de estrada. Sempre tentei evoluir e alcançar novos horizontes na minha forma de discotecar e envolver a pista. O que se mantém firme é a minha característica forma de tocar fazendo o uso máximo do ‘turntabilismo’, efeitos, stems, desconstrução e remixes em tempo real!
Mudando um pouco o foco, hoje percebemos o surgimento de muitos núcleos e pessoas realmente interessadas em propagar a música underground aqui no Brasil. Você que está presente a tanto tempo na indústria, como avalia essa transformação da cena independente nos últimos anos?
Esse surgimento de novos núcleos é maravilhoso para a cena, agrega muito, absorve e introduz um público que clubs e festivais não alcançavam pois geralmente é uma galera mais alternativa e que se encontraram melhor nestes ambientes. Porém, isso não é algo novo, a internet evidencia muito hoje esses novos núcleos mas já existiram muitos desde os anos 90, mas agora sim eles têm força e conseguem mover multidões!
Dentre todos os momentos já vividos nas pista ao redor do mundo, há algum que você considera como um dos mais especiais ou simbólicos? O que mais te marcou até hoje?
Lembro muito bem quando toquei em Berlim, na Love Parade, para 1 milhão de pessoas no palco principal. Tiveram outras ocasiões também como os encerramentos que fiz no Main stage do festival Monegros, na Espanha, inesquecíveis!
Foto Love Parade Berlim
Você já tocou conosco em um showcase do detroitbr no Terraza BC e agora está de volta para uma nova jornada no Seas Festival. Como tem sido a preparação para gigs no Sul do país?
A preparação é sempre divertida, toco músicas que gosto e que sei que a pista vai absorver muito bem. É sempre mágico tocar no sul do país, a vibração e energia dessa galera é quase única e sempre tenho apresentações bastante satisfatórias, sempre conto os dias para estar de volta!
Há alguma novidade que você já pode anunciar pra gente? Quais os principais projetos para o segundo semestre?
Tenho novidades no cenário internacional; Agora faço parte da Miracle mngmt ao lado de grandes artistas mundialmente reconhecidos (Alex Stein, Oliver Koletzki, Pig & Dan, Stefano Noferini e Victor Ruiz são alguns) e vem uma tour internacional bem legal para os próximos meses! Também lanço em breve pelo selo francês Dolma, com quem tenho trabalhado muito, além de releases com Eric Sneo, Atze Ton e mais lançamentos do meu selo Hotstage com o talentoso Spuri!
Para encerrar, deixe um recado para quem está lendo, em especial para os novos artistas da cena. Muito obrigado pelo seu tempo, nos vemos na pista!
Corram atrás e invistam no que vocês acreditam, tanto em estúdio quanto nas pistas, fórmulas não funcionam para todos, então criem suas próprias! 😉
A música que abre o lançamento é a versão original para Synchronized, uma velha conhecida dos fãs de Tharik e Moha, tendo sido peça chave em sets da dupla há alguns anos. Seus timbres instigantes foram matéria-prima para três belas leituras que remontam as origens do detroitbr, por terem sido produzidas quando os produtores estavam se conhecendo e a crew se formando. André Anttony apostou em uma pegada progressiva, enquanto Eduardo M adicionou sua agressividade à sonoridade, ao passo que Nik Ros deu ares tropicais sem deixar a atmosfera misteriosa de lado.
Só então que surge a faixa título do lançamento, Parallel Engines. Mais recente que as anteriores, apresenta uma sonoridade ainda mais hipnotizante, semelhante à das músicas do Arnemetia EP, lançado pelo Kultra há alguns meses. Seu único remix, assinado por Bernardo Ziembik, adicionou groove e intensidade à ela, fechando com classe um EP que faz parte do DNA da família detroitbr!
Com três criações originais, o Kultra apresenta Arnemetia EP, seu primeiro lançamento pela AIA Records. Com quase meia hora de duração, o release convida o ouvinte a uma verdadeira imersão, passando por três atmosferas distintas.
A viagem começa no clima gélido e mecânico de Glacial Rumble, que encanta conforme sua bela melodia se desenvolve. Em seguida somos conduzidos pela levada aconchegante de Ocean Hiss, cujos synths intrigantes sutilmente intensificam a jornada. Finalmente, alçamos voo com a suave Cirrus Whisper, que conclui o EP de maneira emocionante.
“Criamos essas músicas após fazer nossos primeiros warm-ups no Club Vibe”, conta Moha, integrante do projeto, que recentemente tem apresentado um leque maior de possibilidades no DJ set. “A água, referenciada em seus três estados, representa a diversidade de características que uma mesma coisa pode ter, dependendo das influências que ela recebe do meio”, completa.
O artwork foi criado por Natalie Nodari, enquanto a masterização ficou por conta da Tree Mastering. Ouça ou baixe a música pelo seu serviço preferido: