Ion Ludwig: um exemplo de artista e de pessoa

A história com o Ion Ludwig esse ano foi engraçada: tudo começou quando eu apresentei ele a uns amigos em um after em agosto, sem nem saber o que estava por vir. Ouvimos vários lives dele em sequência e eu mesmo, que já há algum tempo não o acompanhava, voltei a encaixar nos meus sets. Poucos dias depois sua booker Isis Salvaterra, da agência Toi Toi Musik de Londres, me disse que ele estaria no Brasil no começo de novembro. O que eu achava uma oportunidade única, já que seria um live que cairia como uma luva na pista do Terraza.Me dispus a fazer o road mananger dele, já que não poderia perder a chance de passar um dia com um cara genial como ele. Negociação avançada e já perto de assinar contrato, eu já estava vivo dentro do dia que ele tocaria aqui em Floripa, com a ansiedade cada vez maior.

Chegando perto da data, mandei uma mensagem para a fanpage dele, e ele super educado me respondeu em poucos minutos, dizendo que estava muito feliz de conhecer uma cidade nova e um clube novo. Fiquei ainda mais curioso, como será que deve ser esse cara? Em minha cabeça criei a imagem daquele nerd pirado, que mal se comunica e é cheio de frescuras para fazer qualquer coisa. Chegando no dia a surpresa: na hall de desembarque do aeroporto, quando eu o avisto, ele já vem em minha direção dizendo “Heyy Doriva, nice to meet you, finally!”. A partir daquele momento eu sabia que a noite que estaria por vir seria diferente e especial. Fomos ao clube, passamos o som e em seguida jantamos junto com Renee, Ale Reis e Henrique. Ali conversamos um pouco sobre música e contei para ele algumas experiências que tive ouvindo o som dele, falei sobre o Terraza e como ele poderia conduzir o som naquela noite. Deixei ele no hotel e fui para o clube para começar o warm-up sem ter ideia que ele, eu e o Digitaria tocaríamos para o maior público já presente dentro do Terraza desde a sua fundação, 4000 pessoas!

O live começou pontualmente as 02:15. Fiquei surpreso com o começo, normalmente em apresentações mais longas ele começa com uma viagem mais introspectiva na primeira hora, passando para um lance mais voltado para a pista na segunda hora, porém o que aconteceu foram quase três horas de pista, o que mostra que o artista tem versatilidade mesmo fazendo uma apresentação live. Além disso, a quantidade de novidades apresentadas foi muito grande, conhecia poucas músicas das que foram tocadas, mas que ainda assim representaram momentos especiais, como quando tocou Maternity Album Church, música que ele me contou mais tarde que foi feita para a namorada que está grávida, e com os synths e vocal de After Ysle, sobre uma bateria bem mais acelerada que a original do seu último álbum. 

No começo a pista estava pouco desconfiada, porque realmente o techno que ele toca é bem diferente e bem difícil de absorver em alguns momentos, mas a partir da segunda hora foi como ouvi o comentário depois: “Parecia um estádio de futebol, cada virada era gol”, o que rendeu uma esticada além do horário previsto. Às 5:00 ele passou o controle para o Digitaria e agradeceu muito a oportunidade e principalmente o carinho que todas as pessoas tiveram com ele aqui em Floripa. Vimos um pouco do set deles, que teve um começo muito bom, mantendo a pegada, que estava bem mais acelerada que o de costume dos dois, mas Ion já estava bem cansado de som alto por dois dias seguidos (na sexta ele tocou em São Paulo), então saí com ele de lá e fomos para um ambiente mais tranquilo fazer um som com volume mais baixo. Neste momento tive a chance de tocar quase 6:00 com ele, ali foi onde eu ouvi tudo o que eu ouvi nos lives dele antes da festa, mais uma vez, mesmo tocando com pen drives, somente musicas dele durante todo o tempo. Houveram momentos paranoicos, algumas pitadas de acid house, com bastante complexidade, tudo numa pegada bem after hours. 

Neste final de semana vivi dias especiais, pois além de ter feito um novo amigo, conheci um artista fantástico, que mostra porque a música é tão incrível: ela une pessoas as pessoas. Com um respeito incrível com todos, em todo momento, Ion Ludwig deu uma aula de um pouco de tudo para todos naquele fim de semana, tanto de cordialidade, como de amor ao que faz.