Categoria: Cena

  • Dia de surpresas e consolidações no Warung Beach Club

    Na ultima sexta-feira, dia 3 de outubro, o clima do final de semana era de eleições. Porém, como não podia faltar, tivemos mais uma festa no Warung. Antecedendo o aniversário de 12 anos do clube, onde em duas datas teremos mais de 30 artistas nacionais e internacionais, o templo apresentou diversos nomes que já tinham se apresentado no passado. Foi uma noite tranquila, de casa cheia (mas nem perto da lotação vista em festas anteriores), fazendo com que as duas pistas tivessem um bom espaço para dançar, exatamente do jeito que eu gosto.

    Minha noite começou no garden, com um trecho do set de Bruno Be. Já incendiando a galera, Bruno trouxe várias produções de sua autoria, e seu set foi adequado ao horário e a proposta da pista. Assim que HNQO se preparava para virar a primeira música, me dirigi a pista principal, pois sabia que esse era o horário que entraria a dupla que valorizaria a noite: Audiofly. Velhos conhecidos dos Warungueiros, o duo estava de volta com sua identidade musical ímpar. O set foi recheado de melodias e grooves até então inéditos para mim. Com uma aula de construção e coerência e um som envolvente que abraçava quem estava na pista, a dupla realizou uma grande apresentação. 

    Quando citei surpresa no título desse review, quis dizer: Adana Twins. Primeiro, pelo horário da escalação dos irmãos. Famosos pelos set’s de Deep House, poucos entenderam a lógica do duo se apresentar após Audiofly, criando comentários e discussões durante a semana nas redes sociais. Segundo, pelo set apresentado. Apesar de as músicas selecionadas não parecerem fazer parte do repertório usual dos artistas, a dupla iniciou seu set de uma forma no mínimo intrigante: Não fazendo uma transição, mas parando o som, para então iniciar seu trabalho. A primeira track, acabou quebrando um pouco da atmosfera que Audiofly havia deixado na pista, mas ao longo do set, uma seleção de musicas conhecidas e animadas entraram no repertório, fazendo com que o set se tornasse interessante. Digo interessante pois, infelizmente, os erros de mixagem se tornaram nítidos até para os mais leigos, sendo frequente a famosa “sambada”.

    Por outro lado, o título ainda fala em consolidação por conta de Daniel Bortz. O artista, que mais de uma vez já havia se apresentado no club, iniciou seu set no às 4h no garden e criou uma atmosfera única. O set que começou leve, se tornou mais agressivo após sua música “Who is Manfred”, recentemente lançada pelo selo Innervisions. Uma construção muito bem feita, consolidando o artista e me surpreendendo positivamente.

  • Tribaltech renasce com edição histórica

    Após declarar seu fim em 2012, a Tribaltech está voltando à ativa com tudo neste ano. Com uma edição intitulada REBORN, a TT conseguiu se tornar o evento mais aguardado do ano, com proposta conceitual inédita no país: esta é a primeira parte de uma trilogia, que terá o episódio EVOLUTION no ano que vem e será concluída com ESCAPE em 2016. Nesta primeira parte o cenário é pós-apocalíptico, e o clima é de reconstrução. Para entender melhor, assista ao belo video teaser, produzido pela dpmovie:

     

    Passando agora para o lado musical, podemos dizer que temos uma das maiores diversidades entre festivais realizados no Brasil. São onze palcos, apresentando os mais variados estilos musicais. O mais privilegiado da festa com certeza é o techno, que domina o palco principal e ainda possui representantes em diversos outros palcos. No entanto, há bastante espaço também para o house e suas diversas vertentes, psytrance, bass music, breaks, entre outros. Confira abaixo as atrações de cada um dos stages, e uma breve descrição do que vai rolar por lá!

    Tribaltech Stage

    O palco principal deixou de se chamar Black Tarj e agora carrega o nome da festa, associando ainda mais o seu nome ao estilo predominante dele: o techno. A escolha do line-up também é bem condizente com este pensamento: Kevin Saunderson é um nome que era desconhecido da maioria até poucos meses atrás e certamente não tem peso comercial em um line-up, porém, trata-se de uma lenda viva, um dos pais do techno. Sua carreira iniciou-se na Detroit do final dos anos 80, cena que concebeu o estilo em questão – seu set certamente será uma aula de história para seus amantes. Além de Kevin, este palco tem pelo menos quatro estreias que merecem atenção: Radio Slave, Barem, Nastia e Matador. 

    Partindo agora para os nomes que voltam ao festival, temos outra grande destaque: o live de Anthony Rother, que conta com mais de 300kg de sintetizadores e equipamentos analógicos para fazer música eletrônica ao vivo – sua apresentação na Tribaltech de 2008 foi uma das mais marcantes da história do festival, e o seu retorno é aguardado por muitos dos seus frequentadores antigos. Ainda nesse time de bons artistas que fizeram história na TT temos o live de Gui Boratto, que está lançando seu quarto trabalho de estúdio (Abaporu) e deve apresentar muitas novidades, a comemorativo de 10 anos de carreira de D-Nox & Beckers e o retorno de Magda, cujo longset é uma das melhores lembranças da Tribaltech 2012.

    Apesar do domínio techneiro, amantes do deep house terão pelo menos dois bons motivos para visitar o ambiente: o live act da Hot Natured Band, formada por Jamie Jones, Lee Foss, Lucca C e Ali Love, e o da prata-da-casa consagrada HNQO. O line-up se completa com Alok & Gabe, D-Nox & Beckers, D-Nox e Ilan.

    Warung Beach Club Stage

    O templo da música eletrônica definitivamente está disposto a levar sua magia para as festas open air. Depois de realizar seu primeiro festival na Pedreira Paulo Leminski, um lugar que certamente está compatível com a energia do club, agora ele chega à Tribaltech, em um casamento que tem tudo pra ser perfeito. No line-up, alguns dos principais ídolos da ala deep house do seu público: o desmembramento da Hot Natured em apresentações individuais (Jamie Jones, Lee Foss e Infinity Ink), Kolombo, Adana Twins e Dinamo Azari são os destaques internacionais. De sonoridade mais próxima do techno, apenas a hipnose melódica do Hunter Game, mas compreensível, já que o estilo está bem servido pelo Tribaltech Stage. Além destes, o palco conta com diversos artistas nacionais de destaque, entre eles os seus residentes Warung Savages.

    Club Vibe Stage

    O clubinho mais querido de Curitiba também estará representado no festival, porém ele já vai para sua segunda edição. Analisando o que aconteceu em 2012, pode-se esperar um clima intimista e melódico neste ambiente – o line-up também dá indicações de que isto irá acontecer. Os principais destaques são o live de Mathew Johnson, Bob Moses e Tone of Arc e o DJ set de Marcus Worgull e Kate Simko, mas dois velhos conhecidos do público também devem fazer apresentações marcantes: Pillow Talk e Catz n’ Dogs. Os residentes também prometem fazer bonito: Aninha, Gromma, Rolldabeetz farão as honras da casa do jeito que nós curitibanos já sabemos bem como é.

    VuuV Stage

    O estilo que predominava os line-ups das primeiras edições da festa continua sendo muito bem representado – com um palco que apesar de não ser o principal, é construído com a dedicação que os fãs de psytrance merecem. A cenografia será assinada pela Artescape, que trabalha não só com o VuuV Festival, na Holanda, mas também com o português Boom Festival, o húngaro Ozora e diversos outros. O line-up respeita o conceito geral do festival, que é apresentar um equilíbrio entre novidades surpreendentes e retornos aguardados: Loud, Neelix, Perfect Stranger, Rinkadink, Outsiders, Zyce, Ryanosaurus são alguns dos principais destaques internacionais, além dos brasileiros Element, Burn In Noise e Metal Broadcast, que fará back-to-back com o israelense Faders.

    Cambalacho Bass Station

    Pela primeira vez em anos a bass music terá espaço em um grande festival de Curitiba, e os méritos são da Cambalacho, label que representa o estilo na cidade há três anos. Encabeçando o line-up teremos um dos artistas brasileiros com mais relevância no exterior dentre todos os escalados para esta festa: Tropkillaz. Formado pelo curitibano André Laudz e pelo ex-integrante do Planet Hemp DJ Zegon, o duo produz trap music e já conquistou a cena mundial do estilo. Além deles, se apresentam também Jeff Bass, Sistema de Som Pesadão, Sweet Grooves e diversos outros artistas do estilo.

    Funk You Stage

    Eles estrearam no festival em 2011, com um stage que surpreendeu a maioria dos presentes, que divertiram-se muito com as batidas de breaks e funk, até então pouco conhecidas por eles. Seu retorno é sem dúvidas um dos pontos positivos desta edição do festival, e contará com a apresentação de Slynk, Splitmilk, Jayl Funk, Schasko, Murilo Mongelo, Black Tie, Funk The System e diversos outros DJs.

    Skol Beats Music Stage

    Os patrocinadores da festa também assinarão um palco: o estilo vai do techno ao house, com vários nomes já conhecidos e aclamados pelo público brasileiro. Funky Fat, Gustavo Bravetti, Flow & Zeo e Vintage Culture são alguns dos destaques.

    Florest Gump

    Em 2011 foi feito o primeiro piloto de palco dedicado a talentos regionais de techno e house: tratava-se de uma ação da Jägermeister que foi muito bem recebida pelo público, tanto que evoluiu e se tornou o Track Top Stage em 2012. Para o Reborn o palco evolui novamente, e ganha nome e temática integrados com o storytelling central da festa. No line-up deste ano, destaque para Dake, Kultra, Pimp Chic, Rodrigo Carreira e Villa Nova.

    La Folie & Brazilian Wax

    No clima do casamento entre prefeituras mais comentado do Facebook recentemente, o palco La Folie & Brazilian Wax proporcionará uma bela conexão Curitiba – Rio de Janeiro, com direito a bons convidados de SP. L_cio, Magal, Nepal são alguns dos destaques desse stage, que deverá levar muita musicalidade alternativa ao público reborner!

    Radiola Landrace Roots

    O label curitibano Radiola também assina um palco complementar de techno e house, privilegiando as sonoridades que mais refletem seus valores musicais. Aqui se apresentarão Elektantz, Mandy Hafez, Rick Ryan, Volkoder e diversos outros grandes artistas brasileiros.

    AIMEC & Yellow Stage

    A primeira experiência da Tribaltech em criação de espaço para novos talentos foi em 2009, com o Concurso Multicult. Na ocasião foi realizada uma peneira via internet para selecionar o artista que iria abrir cada palco – fato repetido na edição de 2010. Em 2011 não houve esse tipo de ação, porém em 2012 ela voltou em um formato mais complexo: organizado pela AIMEC, o Desafio DJ colocou diversos aspirantes a DJ à prova em etapas realizadas no Club Vibe, com a final sendo realizada dentro do festival, em um palco assinado pela escola. Neste ano o formato é semelhante, mas conta com o reforço de outra grande academia de DJs da cidade: a Yellow.

    Além dos competidores, neste palco também se apresentam professores e parceiros das escolas, como Rogerio Animal, Puka, Toxic Monsters, Wildboyz e Sound Cloup.

    Organização

    Você deve estar se perguntando se todos esses palcos caberão na Fazenda Heimari, casa da TT há sete anos. A resposta da organização é sim (claro), e ela prova isso com o mapa oficial da festa.

    A edição de 2014 da Tribaltech marca os 10 anos da marca, o renascimento do festival e, principalmente, um marco para a música eletrônica no Brasil. A consistência e a diversidade do line-up estão em um nível inédito para os padrões nacionais, e assim como aconteceu em 2012, deverá ditar os rumos que o nicho deverá tomar nos anos seguintes. Certamente, uma festa que proporcionará muita diversão e momentos inesquecíveis!

    Serviço

    Site oficial: www.tribaltech.com.br
    Fanpage oficial: facebook.com/TribaltechOfficial
    Ingressos: Alô Ingressos

  • Club Vibe apresenta detroitbr showcase com Pan-Pot

    No dia 5 de setembro o Club Vibe receberá uma belíssima noite de techno, abrigando nosso primeiro showcase. Para tanto, receberemos um long set de Pan-Pot, duo alemão que já possui uma década de história na cena techno.

    Completando o line-up, dois residentes nossos (Kultra e Petrius D) e um residente do club (Gromma). Os ingressos estão no primeiro lote, à venda pelo site do Alô Ingressos. A festa é a noite que muito techneiro de Curitiba sonhou em poder curtir na Vibe, sendo véspera de feriado, diria que é uma oportunidade imperdível de se divertir pra valer!

  • Bonobo leva novas sonoridades para o Warung

    A baixa temporada de 2014 está realmente sendo de ouro para o Warung. O clima frio e o público reduzido já são grandes motivos para preferir as noites de inverno, mas neste ano a curadoria tem ajudado muito. Depois de algumas apresentações memoráveis, como Stimming e Tale of Us, no dia 2 de agosto tivemos o privilégio de conferir uma das apostas mais ousadas do club nesse ano: Bonobo. O seu DJ Set, ao contrário do que muitos esperavam, conseguiu ser tão criativo e surpreendente como o seu próprio live. O britânico entrou após um warm up incrível de Aninha, que pode ser considerada rainha entre os residentes do Warung. No entanto, tocou em um ritmo desacelerado em comparação a outras noites, já dando mostras de que seria um Garden diferente dessa vez.

    Quando o headliner começou seu set, o choque. Quem conhece seu som certamente passou a semana se perguntando como ele o aplicaria em uma pista, e ele surpreendeu de uma forma muito positiva. Não se prendeu a gêneros e conseguiu passear livremente entre o techno, o house, o downtempo e até pelas batidas quebradas, em momentos que botou a pista para dançar glitch hop e breakbeat, com direito a linhas de baixo em wobble e vestígios de Neuro Funk, Dance Hall, Ghetto-tech, entre outras influências sonoras.

    E, ao contrário do que se imaginaria ao ouvir isso no Garden do Warung, a pista não parou um minuto, nem ao menos se assustou. Claro, algumas pessoas trocaram de pista já no início, mas é um movimento natural, devido à diversidade de gostos entre os frequentadores do club. Para os que ficaram, Bonobo foi maestro. Soube conduzir a pista em todos os seus momentos sem dispersar ninguém, enquanto flertava entre muitos estilos e influências que boa parte do público nunca havia escutado, em uma evolução extremamente compentente, que fez todo mundo continuar dançando, mesmo quando a batida sumia e em uma simples linha de piano hipnótica segurava a atenção de todos.

    Após o término do seu set, nos movemos para o main room, aonde Kate Simko já estava com a pista em ponto de ebulição, graças ao seu tech house bem groovado. No decorrer do seu set de 3 horas explorou bem o tempo que lhe foi oferecido, criando bons momentos melódicos – encerrando inclusive com Blue Monday, clássico do New Order. Ao mesmo tempo o garden recebia o que estavam chamando de “Novo André Marques“. Magro e loiro, o ex-mocotó também arriscou sonoridades diferentes – não estávamos lá para conferir pessoalmente, mas o feedback de quem esteve foi 8 ou 80: alguns amaram, outros odiaram.

    No fim, mais uma festa de muita qualidade e sucesso. Agora os fiéis ao templo se preparam para a próxima, que receberá Sharam Jey e Butch, no dia 23 de agosto.

    * Escrito com a ajuda essencial de Elijah.

  • Argentino e alemães brilham na ‘final da Copa’ do Warung

    Mais um dia de grandes nomes no templo da música eletrônica e estava formada a equipe selecionada para cobrir Dixon, Amê, Henrik, Guti, L_cio, Doriva Rozek, Davis e Boghosian: eu (Eduardo Roslindo), Marilice Minzoni e Rafhael Gavazzoni estávamos a postos.

    Abrindo a noite, nosso velho conhecido Doriva Rozek nos surpreende com um começo fantástico, indo de Massive Attack, Bonobo a James Blake. Quem chegou cedo pôde presenciar uma musicalidade que dificilmente se encontra nos clubes brasileiros. Após meia hora nesta linha, o set partiu para sonoridades mais próximas do que viria a seguir na noite.  Um fato inusitado observado pela nossa equipe foi que durante a apresentação de Doriva incensos eram acesos, deixando assim o ambiente mais agradável do que o habitual. Assim como nossa equipe, os presentes ovacionaram ao final apresentação, afinal, warm-up é coisa séria e quando bem feito é emocionante.

    Seguindo o cronograma de horários, nos mudamos para o palco principal para ver o começo do Innervisions. Em decorrência de um atraso de aproximadamente uma hora, pegamos o final da apresentação do Davis. O residente da casa jogou a pista para o alto, com músicas boas, passando até por Stephan Bodzin, porém que não funcionaram como warm up para o que viria a seguir: o live de Âme, inédito no templo, formado por Kristian Beyer e Frank Wiedemann. Com o começo do live, tivemos a sensação de que estava aquém do esperado, o ritmo era bem mais “arrastado” do que o que estava rolando antes. Prestigiamos aproximadamente meia hora e optamos por seguir nosso cronograma, voltando para o Garden para ver o também inédito Guti, que foi uma das estrelas da noite.

     

    Com um tech-house arrojado o argentino deu uma aula de música, mostrando que os hermanos estão anos-luz à frente dos brasileiros. O live apresentado foi diferente do que esperávamos. Guti é um artista que comporta uma grande musicalidade, e o argentino também soube fazer uma leitura incrível da pista, tocando algo mais pegado e groovado, deixando-a em chamas. Um fato interessante foi a participação do L_cio tocando flauta em uma das músicas do LIVE, a sincronia disso foi incrível. Infelizmente não assistimos à apresentação do mesmo, mas os detroiters que haviam ficado no Garden foram unânimes em enaltecê-la!

    Seguindo os horários disponibilizados pelo evento, seria hora de voltarmos ao Main Room, desta vez para assistir Henrik Schwarz. No entanto, por alguma razão os horários foram mudados e Dixon estava na vez – diante disso e da hipnose causada pela apresentação do Guti, optamos por assistir o argentino até o fim, e só subir ao principal quando Henrik começou. Ele, junto com Guti, foram os grandes destaques da noite, mas com perfis diferentes. Henrik carrega consigo uma musicalidade ímpar, como poucos artistas que vimos até hoje. Foi simplesmente emocionante, que live, meus amigos! Sua base era o house, com muita influência de música orgânica, e algumas ousadas escapadas para o techno. 

     

    Ainda no palco principal, pudemos prestigiar Âme DJ SET, com uma surpresa: ao contrário do que todos esperavam, não foi Frank Wiedemann quem tocou sozinho representando o projeto, mas sim Kristian Beyer. Comparado ao live, tivemos um DJ set excelente. Como um todo foi pesado e melódico ao mesmo tempo, com uma construção incrível e com hits pontuais como Bad Kingdom e Cleric. O estreante teve um domínio de pista impecável, conduzindo com maestria o palco principal até o fim da festa, fechando a noite com Hot Ship – Flutes, em versão original. Foi lindo, e quem frequenta o clube sabe que essa música é um clássico que está marcada na história. 

    Após o termino no palco principal, podemos pegar a ultima hora de set do residente Boghosian, que seguiu com a linha que dominou o Garden na noite: pegada e intensa. Podemos dizer que foi ótimo, Boghosian é um grande DJ e um dos melhores residentes do Warung, e fez jus ao seu status, foi uma pena podermos ter assistido apenas uma hora. 

    E assim se encerrou mais uma grande noite no Warung, que cada vez mais tem feito jus ao título de templo da música eletrônica. Mais uma capitulo de uma grande história foi escrito e ficará eternizado para os que estiveram presentes. 

    Fotos: Doriva Rozek (1) e IMAGECARE (2, 3 e 4).
    Videos: Eduardo Roslindo (1), Lcio Schwantes (2), Rodrigo Pacheco (3) e Rafael Bedin (4).

  • Elfortin Club recebe noite incrivel com Kaballah Showcase

    No dia 05 de julho as atenções também estavam voltadas para o El Fortin, que apresentou mais uma edição da Kaballah Showcase. Minha expectativa já era gigante para essa festa, que ao meu ver é uma grande mostra que a essência do underground no Brasil não está morta. Além disso, era meu aniversário e eu mal podia esperar para assistir novamente a apresentação de Oliver Huntemann, pois a última vez que vi esse big forehead tocar foi em 2011, um set inesquecível. Ainda no combo de aniversário havia Julian Jeweil, que seria a novidade da noite pra mim.

     

    Chegamos na festa um pouco tarde, o set do Glen já estava na metade. Pelo tempo que ouvi posso dizer que fez jus aos elogios que Maceo Plex fez a ele para a revista House Mag. Às duas da manhã, Huntemann assumiu as pick-ups da pista principal, como esperado foi uma bela apresentação, com seu estilo de som sinistro, com bpm baixo mas pesado ao mesmo tempo! O warm up perfeito para o que estava por vir: Julian Jeweil. A minha expectativa sobre ele era grande, pois gosto muito do seu som e nunca havia visto tocar, além de que já tinha em mente que não teria outra oportunidade e o prazer de vê-lo tão cedo.

    Eu disse que o som do Huntemann foi um warm up perfeito pois já mostrou ao público (que apesar de menor do que de costume, era um público de qualidade) qual seria a tônica da noite: um som sério, combinando bem com a presença de Julian no palco. Artistas da Minus parecem ter todos essa característica de associar o som à sua personalidade. E foi genial, uma pegada séria mas com um ritmo animado, diferente do Oliver, Julian mandou ver com um BPM bem mais alto, inclusive Whyt Noyz e Marcel Dettmann fizeram parte do set desse mito. No fim, foi além do que eu estava esperando. E a sensação que ficou foi a de que ele não superou apenas a minha expectativa, mas sim a de todos que estavam compartilhando esse momento. Não presenciei nada igual na região, desde o carnaval. Fiquei encantada! 

    Depois de duas horas dessa linha, enfim já estava amanhecendo e era hora da festa acabar. Lucas Magalhães entrou tocando o tal do future techno, interrompendo a massagem sonora em meus ouvidos. Até tentamos, mas infelizmente o cansaço era grande em 15 minutos já estavamos deixando a casa. Brincadeiras à parte, não podemos avaliar um set só pelos seus minutos inciais, né? Espero ter outra oportunidade de vê-lo tocar e tocar como sabe que pode 🙂

    Mas tudo bem, a noite já havia valido! Duas apresentações com estilos diferentes e mais uma sensação de missão cumprida. Foi realmente memóravel e como previsto uma comemoração de aniversário perfeita! Aliás tem comemoração melhor que estar ao lado de amigos, ouvindo uma boa música? É meus caros, eu tenho certeza que não.

    Videos: Emilio Tarter.

  • Stimming e Barem dão show em festa que sequer estavam no line-up

    O Warung do dia 5 de julho era um daqueles que provavelmente sequer teríamos review por aqui. Inicialmente marcado para receber Solomun, o dia estava riscado da nossa agenda, até porque na semana seguinte seria a vez de Dixon e toda a trupe da Innervisions, atrações muito mais interessantes. No entanto, um gesto nada profissional do “Rei Salomão” mudou toda a história deste mês de julho: o DJ cancelou sua apresentação, sem mais nem menos, sem nem avisar os donos da casa.

    Discussões digitais à parte, a boa notícia veio quando o line-up substituto foi divulgado: provavelmente para compensar os prejuízos a Diynamic mandou seu melhor atleta, Martin Stimming. Não bastando, o próprio Warung foi atrás de mais atrações e nos brindou com Hunter/Game e Barem. E se isso ainda não era suficiente pra convencer, o live do alemão, que seria de apenas uma hora, foi aumentado para duas horas, de surpresa, no dia da festa! Seleção formada, hora de curtir, não é mesmo?

    Mais uma vez, tínhamos como objetivo chegar cedo pra pegar o warm up desde o começo, mas não rolou, por diversos imprevistos. Adentramos o club a tempo de assistir a hora final do set de Gromma, que demonstrou entender a tônica da noite, mandando um som muito contextualizado com o que os dois headliners do Main Room teriam para apresentar. Uma pena que antes deles tivemos que encarar a “quebra de ritmo” causada pelo set de Leo Janeiro, que não agradou e nos fez ir para o Garden ver o que estava rolando por lá. Ao chegar no jardim, nos deparamos com Cretini & Lazarenti tocando para uma pista absurdamente cheia, daquelas que você mal consegue dançar de tão cheia. Mas até aí tudo bem, era o começo da festa e ainda estavamos mais preocupados em reunir o time. O set apresentado foi dentro do esperado, servindo bem de warm up para a dupla italiana.

    De volta à pista principal, finalmente era hora do reencontro com um dos meus maiores ídolos. Depois de presenciar sua apresentação ao vivo por duas vezes nesse ano (uma épica, na XXXperience, e uma mediana, no próprio Warung) a expectativa era muito grande, ainda mais por se tratar de um live de 2 horas. E para felicidade geral da nação ele nao decepcionou: mesclando hits e novidades, ritmos envolventes e melodias emocionantes, Martin construiu um clima único no Main Room. Ao mesmo tempo em que era dançante, era sentimental, era belo, era artístico! Sem dúvidas, uma amostra do que está faltando na cena eletrônica brasileira: música, com sua devida musicalidade.

    Às 5 da manhã era a vez do argentino Barem, e a dúvida que estava no ar era: como ele vai se sair dessa? E bem, quem é DJ sabe. Se você não tem armas para conectar-se na história do DJ anterior, o melhor mesmo é começar a sua do zero. E foi o que ele fez: começou a apresentar sua linha sonora de leve, como se estivesse fazendo um “warm up para si mesmo”, e aos poucos foi colocando o peso e o groove que são característicos do seu trabalho. Ao amanhecer, o Main Room (que, de fato, já estava ficando bem vazio) estava completamente hipnotizado, apenas obedecendo aos comandos dele. Um som reto, pesado e absurdamente groovado, o contrário do outro headliner. Uma combinação que tinha tudo pra dar errado, mas deu muito certo. O carinha que organiza os lines pode respirar tranquilo, sua aposta foi arriscada, mas foi paga 😉

    Encerrados os trabalhos na pista de cima, ainda tivemos tempo para ver o final do Hunter/Game na de baixo. Difícil emitir uma opinião sobre alguém que tocou por 4 horas sendo que só vimos a última meia, mas a impressão que deu é a de que foi um bom set, com construção sólida e texturas envolventes. Menção honrosa para o momento em que descemos e fomos recepcionados com Triton, de Bodzin e Romboy.

    E assim foi mais uma noite memorável do templo. E esta com um gostinho especial: de vitória do pensamento underground, da musicalidade, sobre o pensamento comercial, a repetitividade. Que venham mais novidades, mais artistas de verdade, mais noites de qualidade. O público só tem a crescer e a agradecer!

    Imagens: Emerson Touche / IMAGECARE. Video: Christ Krueger.

  • Mano le Tough rouba a cena do Warung do feriado

    Sexta-feira passada foi dia de reencontro. Reencontro com amigos e dois grandes DJs da cena eletrônica mundial: Seth Troxler e Mano le Tough. A noite fria do dia 20 começou com um congestionamento poucas vezes visto este ano no Canto do Morcego. Não só pela quantidade de carros, mais também pela quantidade de pessoas mal educadas. Foi possível ver 3 filas para o mesmo sentido na avenida principal do Warung, trancando carros que vinha na direção contrária e fazendo com que esperássemos muito tempo para chegar ao clube.

    Com a entrada tardia no club, acabei perdendo os sets dos meus amigos Ricardo Albuquerque e Thiago Schlemper. Na divisão de pistas, tivemos Renato Ratier fazendo warmup para Seth Troxler no main room e Alex Justino esquentando o garden para Mano le Tough. Renato apresentou um set bem consistente, sem grandes variações como era costumeiro. Já Alex – que pouco crédito tinha comigo e alguns conhecidos – surpreendeu. Um set que apresentou a sua identidade e que nos minutos finais encaixou perfeitamente ao set do irlandês que viria a seguir.

     

    Mano le tough – DJ e produtor que já havia me surpreendido no ano passado, protagonizou a cena excêntrica da noite. Lá pelas tanta da madrugada, decidiu que estava com fome e, durante a sua apresentação, começou a comer uma banana. Será este um reflexo do ato de Daniel Alves? Brincadeiras a parte, voltou a ser a grande estrela da noite. Seu set misterioso e por muitas vezes sombrio, teve uma construção muito semelhante a sua apresentação anterior. Muita melodia na primeira hora, muito techno sério e reto na segunda e terceira hora, muita nostalgia na hora final. Ele se consolida como um dos grandes DJs da atualidade e mostra a força do som que é proposto por ele e pelos artistas do selo Life & Death.

     

    Do outro lado do jogo, Seth Troxler. A expectativa era grande, principalmente porque durante a semana rolou um set na internet, onde Seth se apresentou após Dubfire e deu aula de técnica e repertório. Infelizmente, o sentimento foi frustração. Seu set apresentou tracks sem graça, com pouca conexão, as quais não fizeram eu, muito menos as pessoas ao meu redor vibrarem. No final, ficou um gostinho de b2b com Renato Ratier, que não se concretizou, fazendo com que a festa tivesse seu final prematuro.

    Ao menos, tivemos um nascer do Sol maravilhoso, daqueles que só a sacada do templo pode proporcionar 😉

  • Review – Detroit Movement 2014

    Mais uma vez, a coluna detroitbr abre o espaço para a colaboração da galera – desta vez o texto é de Lucas Graczyki, grande amigo que mora nos EUA há alguns anos e foi ao seu segundo Movement alguns dias atrás. Mais um festival para a lista de desejos de consumo, ainda mais depois de ler um relato desses! Com a palavra, Mr. Gratyk:

    É com muita satisfação que faço minha primeira postagem aqui na coluna detroitbr, falando sobre um festival que aconteceu em Detroit mesmo, USA, no feriado do Memorial Day, que homenageia os soldados que morreram em combate. O festival é chamado Movement e acontece por 3 dias, do meio-dia a meia-noite, com uma vasta lista de after parties. É festa o tempo todo.

    Detroit é considerada a “Meca” do techno e do house, é o berço de vários artistas consagrados como Kevin Saunderson, Carl Craig, Richie Hawtin (que cresceu em Windsor, do outro lado do rio Detroit), entre outros. Ao mesmo tempo, a cidade passa por uma crise financeira enorme, chegou a ir a falência recentemente. Porém, o techno e house continua mais forte que nunca, é uma cidade extremamente artística e maconha medicinal já é liberada por lá.

    História à parte, o final do semana do Movement é o mais esperado do ano para mim. O melhor line-up de festival que um amante do techno pode ter por aqui. A organização é feita pelo grupo Paxahau, e você já sente o profissionalismo antes de entrar no festival. Eles deixaram um app disponível para Android e iOS com o line-up customizável, lista de alguns after-parties, mapa e localizador, que funciona 100%. Dentro da festa, apresentou uma infraestrutura ótima para comida, bebidas e lojas para todos os gostos com preços justos.

    O festival é realizado no centro da cidade, no parque Hart Plaza, fronteira com o Canadá. Haviam 6 palcos: Silent Disco, Made in Detroit, Red Bull, Moog, Beatport, e Underground. Em geral, todos tinha um sistema de som de primeira, não deixaram a desejar em nenhum momento. Outro ponto positivo foi a área VIP, que ficava atrás do palco com uma estrutura melhor, “meet and greet”, com alguns drinks na faixa. Não atrapalhava a festa de ninguém e dava mais conforto para quem quisesse. O festival também contou com uma sala tecnológica com marcas apresentando seus produtos voltados a DJs e produtores, e mostras de artes de artistas locais espalhado por todos os lados.

    Falando de música agora, vamos começar pelo Silent Disco: sinceramente, eu passei quinze minutos lá dentro só para não dizer que não fui. Seria como o chill out da festa e usava-se fone de ouvido patrocinado pela Sennheiser para escutar o dj tocar. Também ao lado havia uma cadeira com um encosto removível que vibrava conforme a música que você estivesse ouvindo.

    Quanto ao resto, para poder explicar melhor vou falar por dia, pois a cada dia nós ficávamos mais em um stage do que nos outros. Vamos aos destaques! No sábado, comecei na pista Beatport, vendo o final do Deadbeat tocando um dub de warm-up, e já na sequência eu fui conferir Asher Perkins na Made in Detroit. Asher foi um dos escolhidos para começar a festa, mas tinha capacidade para representar bem em horário nobre, pois tocou um minimal techno de primeira. Indo para a pista Underground, vimos Monoloc tocar um set sinistro, mas “groovado” ao mesmo tempo. A pista Underground é em um salão literalmente abaixo da terra, que te remete aos clubs nas warehouse. Outros dois nomes que me chamaram bastante atenção nesse dia foram Simian Mobile Disco, que apresentou um techno mais hipnótico, e DBX live, com uma apresentação ao vivo de minimal techno totalmente analógica. Para fechar a noite vimos um set de drum n’ bass do Ed Rush and Optical na tenda Moog, onde prevaleceu um som mais alternativo, variando entre alguns estilos de break-beat e até mesmo electro.

    No domingo, segundo dia de festa, começamos com Max Cooper no Beatport Stage. Instrospectivo e melódico, fez muito bem seu papel de warm up. O Beatport Stage é o palco mais afastado, com vista para o rio Detroit e para o Canadá. Após isso nos situamos no maior palco, Red Bull, para conferir talvez o que foi a melhor sequencia ininterrupta do festival: Seth Troxler, Marco Carola, John Digweed e Richie Hawtin. Seth Troxler tocou pesado, diferente de seu estilo de club, separando o melhor do techno para Detroit. Marco Carola seguiu a linha, e tocou como nos velhos tempos. John Digweed teve uma levada mais psicodélica, com suas melodias. Por último, Hawtin chegou a assustar a multidão quando soltou o primeiro bassline. Seis horas e meia do velho Richie em ação, apresenção memorável! O palco da RedBull é tem uma vista privilegiada da arquibancada para o stage.

    Na segunda, último dia de festival, o pano de fundo do Made in Detroit Stage apresentava uma nova arte referente ao projeto Origins de Kevin Saunderson, e foi por lá onde ficamos o dia todo. Destaque para a apresentação do Detroit Techno Militia com DJ Seoul & T. Linder fazendo um b2b 2X4 no vinil, dando uma aula de detroit techno a 135bpms, energético e dançante do começo ao fim. Mais tarde Saunderson veio ao palco trazendo Origins, apresentando músicas do detroit techno dos criadores do estilo e dos seus influenciados, que ao longo dos 27 anos de estrada se tornaram criadores e influências a outros também. Prova disso foi o b2b de Saunderson com Seth Troxler durante os últimos 45 minutos da apresentação, que foi como uma viagem no tempo. Saunderson tem uma maestria no palco ímpar, e suas músicas ainda carregam traços dos anos 90. Para fechar a noite, Jeff Mills dominou o underground tocando seu som mais técnico em 4 decks de vinil. Terminamos o festival assistindo J Phlip, substituindo Boyznoise que não compareceu por motivos de saúde. Uma surpresa muito boa de encerramento.

    Atraindo em torno de 100.000 pessoas a Detroit, o Movement Festival continua com um line up puro, garantido qualidade em todas as apresentações. O público é bem diferenciado, não pela variedade de estilos e idades entre ele, mas pela educação em relação a música eletrônica que ele apresenta. Todas as pessoas que vem de fora estão lá com o propósito de apreciar seus djs/produtores favoritos, e o pessoal da cidade tem a música eletrônica como algo cultural, eles demonstram o maior orgulho em relação a riqueza musical que há na cidade. Um festival para apreciadores de techno/house e afins para todas as idades. Essa foi minha segunda vez no festival, e irei a todos enquanto puder pelo resto da minha vida. Sobram apenas as memórias do melhor festival da minha vida com a gratidão por ele existir e me dar mais certeza de nunca desistir do techno!

    Confira abaixo um video que editei com minhas próprias captações, de alguns momentos altos do festival.

  • Buenos Aires vira a meca do techno durante festival Time Warp

    Senhoras e senhores, com muito orgulho que apresento a vocês o primeiro review internacional da coluna detroitbr! Enquanto eu e uma parte do time estávamos no Brasil curtindo o Tale of Us (e o after, claro), o Eduardo Roslindo foi com o resto da galera pra Buenos Aires, vivenciando a histórica edição latina do Time Warp, um dos principais festivais de techno do mundo.

    O relato abaixo é dele, eu apenas revisei e publiquei. Sendo assim, hora de apertar os cintos e apagar os cigarros, pois nossa aeronave já vai decolar 😉

    A semana toda foi de bastante agonia. Só de curtir um festival fora do país já dá uma ansiedade enorme, sendo um festival do meu estilo favorito, e com tantos nomes de peso, tudo o que eu queria é que o tempo passasse mais rápido. No entanto, o dia da viagem guardava ainda mais emoções – isso porque o trânsito intenso na ponte que liga o continente à ilha de Florianópolis fez com que eu perdesse o voo, e me garantisse mais 6 longas horas de espera no saguão do aeroporto. O sofrimento era grande: alguns membros do grupo já estavam em Buenos Aires, por terem ido de carro ou pegado voo em Curitiba, e nós estavamos ali, com a cabeça que era só chegar em terras hermanas.

    Passando por todo esse perrengue com os vôos (importante notar que foi minha primeira viagem aérea), a preocupação agora era outra: poder retirar os ingressos no tempo certo, pois a informação que tínhamos era que só seria permitido retira-los até certo horário, que já teria passado quando chegássemos lá pelo novo voo. No meio de toda essa aventura, fomos salvos pelos detroiters que foram de carro que, além de terem agilizado o transfer de Ezeiza até o hotel, nos deram a notícia de que seria permitida a retirada dos ingressos na bilheteria do evento. Ainda assim, só sossegamos de vez quando fizemos check-in no hotel, retiramos os ingressos e pisamos no solo que, pelos próximos dois dias, seria sagrado para o techno.

    O primeiro dia de Time Warp foi o melhor: com um bom publico, sem aperto e um line-up de chorar. Para todos os lados que você andava era música boa, tendo Chris Liebing como grande nome da noite. O cara é um gênio, a construção de set dele é impressionante, você sentia que tudo aquilo estava sendo feito de verdade, não era mais um fanfarrão com a mãozinha pro alto. Um set absurdamente pesado, que certamente no Brasil seria tachado de ruim pelos amantes de ~future techno~, porém na Argentina a cultura é outra: para se ter uma ideia, o taxista que nos levou ao festival no dia seguinte conhecia todos os artistas que tocaram, perguntou como havia sido e ainda colocou numa rádio que estava rolando techno. Assim como ele, todo o público presente mostrou entender bem do que estava acontecendo, e Liebing foi mais do que ovacionado!

    O segundo nome da noite estava tocando em casa: o argentino Barem, que destruiu o gigante Club Stage. Variando entre techno e tech house, o hermano levou a galera a loucura, seguido por Loco Dice que também foi muito elogiado pelos argentinos com quem conversamos (e nós concordamos com ele, naturalmente). Paco Osuna fez uma bela apresentação, mas tinha uma missão árdua: preparou a pista para Liebing. O “warm up” foi digno, e se encerrou com o a música Bad Kingdom – a mesma que Tale Of Us fechou no Warung no mesmo dia, porém com um remix diferente (o de Marcel Dettmann). Luciano, o último que assistimos, fez bom set, mais acabou apagado no meio de tantos bons nomes.

    Se os DJs deram um show, a organização pecou em alguns aspectos – um deles foi o bar. Um combo de vodka com energético estava barato: 50 pesos (aprox. 12 reais), porém impossível de ser tomado de tão ruim. Na outra ponta vinha a cerveja: gostosa, mas custando os mesmos 12 reais! E a gente achando que ela era cara nas raves brasileiras…. A água também não aliviou no bolso: 30 pesos, equivalente a 7 reais. E… só! A pouca variedade de opções também foi negativa no bar. Outro ponto negativo foi a falha do sound system do Club Stage, que por horas ficou sem grave em um dos lados.

    Bem, passando para o segundo dia, posso começar com o nome da noite que também foi o nome do festival todo: o italiano Joseph Capriati. Com um techno quadrado e ao mesmo tempo dançante, ele efervesceu a pista e levando todos ao delírio. O repertório variava entre Adam Beyer, Maetrik e até mesmo Radiohead (remixado, claro), obtendo uma sinergia plena com a pista. Um dos motivos que fez com que sua apresentação fosse agradável é o fato de a lenda canadense Richie Hawtin ter se apresentado no mesmo horário, levando grande parte do publico para o palco principal. Digo isso pois nesse dia a organização do evento acabou vendendo mais ingressos do que deveria, causando uma superlotação e um grande transtorno para os presentes.

    A segunda melhor atração dessa noite foi Matador, aliás, percebe-se que ele é um grande ídolo dos argentinos, que o ovacionavam com muita energia. Chegou um ponto em que era impossível ficar na pista sem sofrer com tantas pessoas se apertando, até que nosso grupo resolveu assistir Tale Of Us no outro stage. Um bom set, mas longe de ser o que Liebing e Capriati apresentaram. A terceira melhor apresentação foi do Valentino Kanzyani, que ao contrário do que foi visto no Brasil em uma Tribaltech passada, apresentou um set bem animado.

    Nos intervalos entre um dia e outro e no dia livre, procuramos fazer turismo e conhecer lugares e pessoas. O centro da cidade em si (onde nós ficamos) éra uma área bem antiga e linda pra se passear. Em vários lugares que fomos encontrávamos pessoas de todas as idades que gostavam de música eletrônica. Percebe-se que lá ela faz parte da cultura geral do país, assim como é o sertanejo por aqui.

    E ah, uma dica para quem deseja se aventurar por lá no próximo TW, no Creamfields ou até mesmo em uma viagem de turismo: não cair na ilusão que tudo é barato, os preços lá são bem próximos da nossa realidade aqui. Algumas coisas até são mais baratas mais no geral as coisas se equivalem.

    Bem, resumindo a ópera toda, foi uma viagem inesquecível. Conhecer uma nova cultura, uma nova dinâmica de festa, novas pessoas e, de quebra, assistir ao vivo diversos ídolos do techno, não tem preço. Se querem saber se vale a pena cair pra lá no ano que vem de novo? Eu não pensaria duas vezes!

    Para mais videos, acesse o canal de Eduardo no YouTube!