Buenos Aires vira a meca do techno durante festival Time Warp

Senhoras e senhores, com muito orgulho que apresento a vocês o primeiro review internacional da coluna detroitbr! Enquanto eu e uma parte do time estávamos no Brasil curtindo o Tale of Us (e o after, claro), o Eduardo Roslindo foi com o resto da galera pra Buenos Aires, vivenciando a histórica edição latina do Time Warp, um dos principais festivais de techno do mundo.

O relato abaixo é dele, eu apenas revisei e publiquei. Sendo assim, hora de apertar os cintos e apagar os cigarros, pois nossa aeronave já vai decolar 😉

A semana toda foi de bastante agonia. Só de curtir um festival fora do país já dá uma ansiedade enorme, sendo um festival do meu estilo favorito, e com tantos nomes de peso, tudo o que eu queria é que o tempo passasse mais rápido. No entanto, o dia da viagem guardava ainda mais emoções – isso porque o trânsito intenso na ponte que liga o continente à ilha de Florianópolis fez com que eu perdesse o voo, e me garantisse mais 6 longas horas de espera no saguão do aeroporto. O sofrimento era grande: alguns membros do grupo já estavam em Buenos Aires, por terem ido de carro ou pegado voo em Curitiba, e nós estavamos ali, com a cabeça que era só chegar em terras hermanas.

Passando por todo esse perrengue com os vôos (importante notar que foi minha primeira viagem aérea), a preocupação agora era outra: poder retirar os ingressos no tempo certo, pois a informação que tínhamos era que só seria permitido retira-los até certo horário, que já teria passado quando chegássemos lá pelo novo voo. No meio de toda essa aventura, fomos salvos pelos detroiters que foram de carro que, além de terem agilizado o transfer de Ezeiza até o hotel, nos deram a notícia de que seria permitida a retirada dos ingressos na bilheteria do evento. Ainda assim, só sossegamos de vez quando fizemos check-in no hotel, retiramos os ingressos e pisamos no solo que, pelos próximos dois dias, seria sagrado para o techno.

O primeiro dia de Time Warp foi o melhor: com um bom publico, sem aperto e um line-up de chorar. Para todos os lados que você andava era música boa, tendo Chris Liebing como grande nome da noite. O cara é um gênio, a construção de set dele é impressionante, você sentia que tudo aquilo estava sendo feito de verdade, não era mais um fanfarrão com a mãozinha pro alto. Um set absurdamente pesado, que certamente no Brasil seria tachado de ruim pelos amantes de ~future techno~, porém na Argentina a cultura é outra: para se ter uma ideia, o taxista que nos levou ao festival no dia seguinte conhecia todos os artistas que tocaram, perguntou como havia sido e ainda colocou numa rádio que estava rolando techno. Assim como ele, todo o público presente mostrou entender bem do que estava acontecendo, e Liebing foi mais do que ovacionado!

O segundo nome da noite estava tocando em casa: o argentino Barem, que destruiu o gigante Club Stage. Variando entre techno e tech house, o hermano levou a galera a loucura, seguido por Loco Dice que também foi muito elogiado pelos argentinos com quem conversamos (e nós concordamos com ele, naturalmente). Paco Osuna fez uma bela apresentação, mas tinha uma missão árdua: preparou a pista para Liebing. O “warm up” foi digno, e se encerrou com o a música Bad Kingdom – a mesma que Tale Of Us fechou no Warung no mesmo dia, porém com um remix diferente (o de Marcel Dettmann). Luciano, o último que assistimos, fez bom set, mais acabou apagado no meio de tantos bons nomes.

Se os DJs deram um show, a organização pecou em alguns aspectos – um deles foi o bar. Um combo de vodka com energético estava barato: 50 pesos (aprox. 12 reais), porém impossível de ser tomado de tão ruim. Na outra ponta vinha a cerveja: gostosa, mas custando os mesmos 12 reais! E a gente achando que ela era cara nas raves brasileiras…. A água também não aliviou no bolso: 30 pesos, equivalente a 7 reais. E… só! A pouca variedade de opções também foi negativa no bar. Outro ponto negativo foi a falha do sound system do Club Stage, que por horas ficou sem grave em um dos lados.

Bem, passando para o segundo dia, posso começar com o nome da noite que também foi o nome do festival todo: o italiano Joseph Capriati. Com um techno quadrado e ao mesmo tempo dançante, ele efervesceu a pista e levando todos ao delírio. O repertório variava entre Adam Beyer, Maetrik e até mesmo Radiohead (remixado, claro), obtendo uma sinergia plena com a pista. Um dos motivos que fez com que sua apresentação fosse agradável é o fato de a lenda canadense Richie Hawtin ter se apresentado no mesmo horário, levando grande parte do publico para o palco principal. Digo isso pois nesse dia a organização do evento acabou vendendo mais ingressos do que deveria, causando uma superlotação e um grande transtorno para os presentes.

A segunda melhor atração dessa noite foi Matador, aliás, percebe-se que ele é um grande ídolo dos argentinos, que o ovacionavam com muita energia. Chegou um ponto em que era impossível ficar na pista sem sofrer com tantas pessoas se apertando, até que nosso grupo resolveu assistir Tale Of Us no outro stage. Um bom set, mas longe de ser o que Liebing e Capriati apresentaram. A terceira melhor apresentação foi do Valentino Kanzyani, que ao contrário do que foi visto no Brasil em uma Tribaltech passada, apresentou um set bem animado.

Nos intervalos entre um dia e outro e no dia livre, procuramos fazer turismo e conhecer lugares e pessoas. O centro da cidade em si (onde nós ficamos) éra uma área bem antiga e linda pra se passear. Em vários lugares que fomos encontrávamos pessoas de todas as idades que gostavam de música eletrônica. Percebe-se que lá ela faz parte da cultura geral do país, assim como é o sertanejo por aqui.

E ah, uma dica para quem deseja se aventurar por lá no próximo TW, no Creamfields ou até mesmo em uma viagem de turismo: não cair na ilusão que tudo é barato, os preços lá são bem próximos da nossa realidade aqui. Algumas coisas até são mais baratas mais no geral as coisas se equivalem.

Bem, resumindo a ópera toda, foi uma viagem inesquecível. Conhecer uma nova cultura, uma nova dinâmica de festa, novas pessoas e, de quebra, assistir ao vivo diversos ídolos do techno, não tem preço. Se querem saber se vale a pena cair pra lá no ano que vem de novo? Eu não pensaria duas vezes!

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