O Warung do dia 5 de julho era um daqueles que provavelmente sequer teríamos review por aqui. Inicialmente marcado para receber Solomun, o dia estava riscado da nossa agenda, até porque na semana seguinte seria a vez de Dixon e toda a trupe da Innervisions, atrações muito mais interessantes. No entanto, um gesto nada profissional do “Rei Salomão” mudou toda a história deste mês de julho: o DJ cancelou sua apresentação, sem mais nem menos, sem nem avisar os donos da casa.
Discussões digitais à parte, a boa notícia veio quando o line-up substituto foi divulgado: provavelmente para compensar os prejuízos a Diynamic mandou seu melhor atleta, Martin Stimming. Não bastando, o próprio Warung foi atrás de mais atrações e nos brindou com Hunter/Game e Barem. E se isso ainda não era suficiente pra convencer, o live do alemão, que seria de apenas uma hora, foi aumentado para duas horas, de surpresa, no dia da festa! Seleção formada, hora de curtir, não é mesmo?
Mais uma vez, tínhamos como objetivo chegar cedo pra pegar o warm up desde o começo, mas não rolou, por diversos imprevistos. Adentramos o club a tempo de assistir a hora final do set de Gromma, que demonstrou entender a tônica da noite, mandando um som muito contextualizado com o que os dois headliners do Main Room teriam para apresentar. Uma pena que antes deles tivemos que encarar a “quebra de ritmo” causada pelo set de Leo Janeiro, que não agradou e nos fez ir para o Garden ver o que estava rolando por lá. Ao chegar no jardim, nos deparamos com Cretini & Lazarenti tocando para uma pista absurdamente cheia, daquelas que você mal consegue dançar de tão cheia. Mas até aí tudo bem, era o começo da festa e ainda estavamos mais preocupados em reunir o time. O set apresentado foi dentro do esperado, servindo bem de warm up para a dupla italiana.
De volta à pista principal, finalmente era hora do reencontro com um dos meus maiores ídolos. Depois de presenciar sua apresentação ao vivo por duas vezes nesse ano (uma épica, na XXXperience, e uma mediana, no próprio Warung) a expectativa era muito grande, ainda mais por se tratar de um live de 2 horas. E para felicidade geral da nação ele nao decepcionou: mesclando hits e novidades, ritmos envolventes e melodias emocionantes, Martin construiu um clima único no Main Room. Ao mesmo tempo em que era dançante, era sentimental, era belo, era artístico! Sem dúvidas, uma amostra do que está faltando na cena eletrônica brasileira: música, com sua devida musicalidade.
Às 5 da manhã era a vez do argentino Barem, e a dúvida que estava no ar era: como ele vai se sair dessa? E bem, quem é DJ sabe. Se você não tem armas para conectar-se na história do DJ anterior, o melhor mesmo é começar a sua do zero. E foi o que ele fez: começou a apresentar sua linha sonora de leve, como se estivesse fazendo um “warm up para si mesmo”, e aos poucos foi colocando o peso e o groove que são característicos do seu trabalho. Ao amanhecer, o Main Room (que, de fato, já estava ficando bem vazio) estava completamente hipnotizado, apenas obedecendo aos comandos dele. Um som reto, pesado e absurdamente groovado, o contrário do outro headliner. Uma combinação que tinha tudo pra dar errado, mas deu muito certo. O carinha que organiza os lines pode respirar tranquilo, sua aposta foi arriscada, mas foi paga 😉
Encerrados os trabalhos na pista de cima, ainda tivemos tempo para ver o final do Hunter/Game na de baixo. Difícil emitir uma opinião sobre alguém que tocou por 4 horas sendo que só vimos a última meia, mas a impressão que deu é a de que foi um bom set, com construção sólida e texturas envolventes. Menção honrosa para o momento em que descemos e fomos recepcionados com Triton, de Bodzin e Romboy.
E assim foi mais uma noite memorável do templo. E esta com um gostinho especial: de vitória do pensamento underground, da musicalidade, sobre o pensamento comercial, a repetitividade. Que venham mais novidades, mais artistas de verdade, mais noites de qualidade. O público só tem a crescer e a agradecer!
Imagens: Emerson Touche / IMAGECARE. Video: Christ Krueger.