Argentino e alemães brilham na ‘final da Copa’ do Warung

Mais um dia de grandes nomes no templo da música eletrônica e estava formada a equipe selecionada para cobrir Dixon, Amê, Henrik, Guti, L_cio, Doriva Rozek, Davis e Boghosian: eu (Eduardo Roslindo), Marilice Minzoni e Rafhael Gavazzoni estávamos a postos.

Abrindo a noite, nosso velho conhecido Doriva Rozek nos surpreende com um começo fantástico, indo de Massive Attack, Bonobo a James Blake. Quem chegou cedo pôde presenciar uma musicalidade que dificilmente se encontra nos clubes brasileiros. Após meia hora nesta linha, o set partiu para sonoridades mais próximas do que viria a seguir na noite.  Um fato inusitado observado pela nossa equipe foi que durante a apresentação de Doriva incensos eram acesos, deixando assim o ambiente mais agradável do que o habitual. Assim como nossa equipe, os presentes ovacionaram ao final apresentação, afinal, warm-up é coisa séria e quando bem feito é emocionante.

Seguindo o cronograma de horários, nos mudamos para o palco principal para ver o começo do Innervisions. Em decorrência de um atraso de aproximadamente uma hora, pegamos o final da apresentação do Davis. O residente da casa jogou a pista para o alto, com músicas boas, passando até por Stephan Bodzin, porém que não funcionaram como warm up para o que viria a seguir: o live de Âme, inédito no templo, formado por Kristian Beyer e Frank Wiedemann. Com o começo do live, tivemos a sensação de que estava aquém do esperado, o ritmo era bem mais “arrastado” do que o que estava rolando antes. Prestigiamos aproximadamente meia hora e optamos por seguir nosso cronograma, voltando para o Garden para ver o também inédito Guti, que foi uma das estrelas da noite.

 

Com um tech-house arrojado o argentino deu uma aula de música, mostrando que os hermanos estão anos-luz à frente dos brasileiros. O live apresentado foi diferente do que esperávamos. Guti é um artista que comporta uma grande musicalidade, e o argentino também soube fazer uma leitura incrível da pista, tocando algo mais pegado e groovado, deixando-a em chamas. Um fato interessante foi a participação do L_cio tocando flauta em uma das músicas do LIVE, a sincronia disso foi incrível. Infelizmente não assistimos à apresentação do mesmo, mas os detroiters que haviam ficado no Garden foram unânimes em enaltecê-la!

Seguindo os horários disponibilizados pelo evento, seria hora de voltarmos ao Main Room, desta vez para assistir Henrik Schwarz. No entanto, por alguma razão os horários foram mudados e Dixon estava na vez – diante disso e da hipnose causada pela apresentação do Guti, optamos por assistir o argentino até o fim, e só subir ao principal quando Henrik começou. Ele, junto com Guti, foram os grandes destaques da noite, mas com perfis diferentes. Henrik carrega consigo uma musicalidade ímpar, como poucos artistas que vimos até hoje. Foi simplesmente emocionante, que live, meus amigos! Sua base era o house, com muita influência de música orgânica, e algumas ousadas escapadas para o techno. 

 

Ainda no palco principal, pudemos prestigiar Âme DJ SET, com uma surpresa: ao contrário do que todos esperavam, não foi Frank Wiedemann quem tocou sozinho representando o projeto, mas sim Kristian Beyer. Comparado ao live, tivemos um DJ set excelente. Como um todo foi pesado e melódico ao mesmo tempo, com uma construção incrível e com hits pontuais como Bad Kingdom e Cleric. O estreante teve um domínio de pista impecável, conduzindo com maestria o palco principal até o fim da festa, fechando a noite com Hot Ship – Flutes, em versão original. Foi lindo, e quem frequenta o clube sabe que essa música é um clássico que está marcada na história. 

Após o termino no palco principal, podemos pegar a ultima hora de set do residente Boghosian, que seguiu com a linha que dominou o Garden na noite: pegada e intensa. Podemos dizer que foi ótimo, Boghosian é um grande DJ e um dos melhores residentes do Warung, e fez jus ao seu status, foi uma pena podermos ter assistido apenas uma hora. 

E assim se encerrou mais uma grande noite no Warung, que cada vez mais tem feito jus ao título de templo da música eletrônica. Mais uma capitulo de uma grande história foi escrito e ficará eternizado para os que estiveram presentes. 

Fotos: Doriva Rozek (1) e IMAGECARE (2, 3 e 4).
Videos: Eduardo Roslindo (1), Lcio Schwantes (2), Rodrigo Pacheco (3) e Rafael Bedin (4).