A agenda de carnaval do Warung Beach Club, um dos maiores superclubs do país, sempre é uma das mais aguardadas e, neste ano, não decepcionou. O templo da e-music confirmou 3 festas para o feriado prolongado em questão: no sábado, no domingo e na segunda.
A primeira festa é a melhor pedida do carnaval para amantes do techno: o longset de Dubfire deve colocar o templo abaixo, como já fez no carnaval passado. Na sequência, o hypado melhor-DJ-do-mundo-segundo-o-Resident-AdvisorJamie Jones é quem deve comandar a noite, ao lado de Lee Foss e dos brasileiros do The Twelves. Por fim, o ídolo de toda a cena deep house que se consolidou em 2011 encabeça o line-up: Solomun é o grande nome da última festa, tocando junto com Soul Clap e Âme na noite de segunda-feira.
Os ingressos já estão à venda pelo Alô Ingressos, pelo preço de R$85,00 masculino e R$45,00 feminino. Não está convencido a ir? Então confira o video que o Warung soltou neste verão e entenda porque ele é chamado de templo, e é respeitado pelos maiores nomes da e-music mundial:
Para o desespero das viúvas do vinil, o Brasil receberá um ilustre visitante no mês de março: Ean Golden. Para quem não o conhece, ele é dono do site DJ Tech Tools, e um dos grandes responsáveis pela disseminação de controladoras e softwares para DJs, tornando a apresentação destes com uso de notebook mais respeitada.
Ele estará por aqui entre os dias 29 de fevereiro e 13 de março, ministrando cursos rápidos de DJing com software (Traktor) e tocando também. Todos os cursos acontecerão nas sedes da Aimec, que é quem está bancando esta vinda, conforme cronograma abaixo:
Campinas: 29/fev e 1/mar; Porto Alegre: 5/mar e 6/mar; Curitiba: 7/mar e 8/mar; Balneário Camboriú: 12/mar e 13/mar.
Ao longo dos dois dias de curso, Ean irá falar desde o essencial do Traktor, até tecnicas avançadas de DJing usando o software. Confiram a ementa do curso:
Dia 1 – O Essencial
– Como configurar músicas com sucesso no Traktor (Beat- Grids, cue points e tags) – Traktor Essentials – 4 coisas que você precisa saber sobre o software (como a função de Sync funciona, conceito de master clok, snap, quantize) – 3 técnicas de mixagem que vão ajudar você a mixar qualquer tipo de música.
Dia 2 – Levando para o próximo nível
– Treinamento e prática do seu ritmo para criar truques – Mapping – como trabalhar com mapping, por que ele é tão importante, 2 funções especiais e importantes (Modifiers e Macros) – Cotrollerism – 2 técnicas essenciais: beat juggling e beat repeats (como combinar estes efeitos)
Esta pode ser uma oportunidade de ouro para os DJs iniciantes que desejam aprimorar o seu controllerism. Além de ser dono do site que é a maior referência mundial no assunto, ele também participou do desenvolvimento de diversas ferramentas importantes, como o Traktor S4, Novating Divers, Midi-Fighter e Vestax VCI-100SE, e já trocou experiências com vários dos DJs renomados que aderiram ao virtual DJing. Confiram esta entrevista que ele fez no ano passado com ninguém menos que Richie Hawtin, um dos precursores do techno, propietário do selo Minus e mais notável nome que abandonou as pick-ups e CDJs:
Para fazer o curso, basta entrar em contato com a Aimec mais próxima. Mais informações, no post original deles sobre o assunto.
E já temos um segundo finalista para o Circuito Techno & House Curitiba: a dupla Bruna Nicolini & Natasha Palma! As duas irão disputar o título com Di Assunção e mais dois finalistas no dia 4 de fevereiro.
Para a terceira etapa, teremos dois headliners: Camilo Razuk, dono do Club A, e o projeto Q.U.A.K.E., formado pelo brasileiro Diogo Andrade e pelo israelense Netaneal Asfraf. Confiram o SoundCloud deles:
Criado há dois anos, o SOME Festival já é uma das opções mais aguardadas do carnaval no sul do país (pra quem não quer correr atrás do bloco, claro). Desde 2009, Tribaltech e XXXperience se unem à Green Valley para levar os maiores nomes da música eletrônica ao clube de Camboriú na segunda-feira de carnaval. A festa já teve gente como Axwell, Loco Dice, Bob Sinclar, dOP, Booka Shade e Trentemoller em seus line-ups, e adquiriu respeito da cena.
Neste ano o line-up não está tão violento como nas outras duas ocasiões, mas ainda assim vale o ingresso estava mediano no principio, mas novos nomes foram confirmados e agora avaliamos estar de bom tamanho. Confiram abaixo quem se apresentará no próximo dia 20/fev no evento:
GREEN VALLEY STAGE
Chuckie Ferris Rodrigo Vieira
TRIBALTECH STAGE
Ellen Allien Kanio Subb-an Shonky Dexter Kane Rolldabeetz
XXXPERIENCE STAGE
Sander van Doorn Tocadisco Gustavo Bravetti Felguk Mush
Os ingressos já estão à venda pelo Ingresso Nacional, ao preço de R$40,00 para mulheres e R$60,00 para homens. As opções open bar ainda estão em valores acessíveis, saindo por R$190,00 para os homens e R$130,00 para as mulheres.
Já tem algum tempo que estamos presenciando uma dominação progressiva na cena psytrance, e o ano já começa com tudo para este estilo. A Iono Music, uma das principais gravadoras de prog do mundo, traz ao Brasil o seu festival: Iono Music Party. As duas primeiras edições acontecem em fevereiro, no dia 10 em Belo Horizonte e no dia 11 em Curitiba, mas segundo a fanpage oficial do festival, podemos aguardar mais 6 edições ao longo do ano, em lugares a serem definidos.
Estas duas primeiras festas possuem os mesmos headliners: Ritmo, MUTe, Time In Motion, Egorhytmia e Klopfgeister. Em Curitiba, o line-up é completado por Cubixx, dono da Iono, Element e o versus de Musatti com Vidigal, já para a festa de Belo Horizonte ainda não temos confirmado o resto do line, com exceção do versus entre Musatti e Vidigal. Quem é da área já deve estar em polvorosa com uma constelação dessas, mas aos entusiastas que não conhecem os nomes, confiram abaixo um pouco de cada um:
Vale a noite, né? Na capital paranaense a festa acontece no Momentai, que apesar de não ser uma casa tradicional de música eletrônica, possui uma estrutura excelente (que inclusive está passando por uma reforma, a ser estreada na Iono Music Party). Já na capital mineira é o tradicionalíssimo Deputamadre que hospedará a festa. Os ingressos de Curitiba estão à venda pelo Alô Ingressos, já os de BH apenas em pontos físicos indicados no evento no Facebook. Quem comprar antecipado irá ganhar um Kit com CD e um adesivo, além de ter direito a 50% de desconto nas compras de produtos do selo durante os eventos. Corram e comprem, não é sempre que temos uma festa dessas no quintal da nossa casa! 😉
Este provavelmente é o review mais difícil que já fiz pro Psicodelia.org. Falar de um evento como o Universo Paralello não é fácil: além de ser um dos principais expoentes da música eletrônica no Brasil e no mundo, são 7 dias de evento, 4 palcos e mais uma infinidade de entretenimentos paralelos a serem analisados. Entre os dias 28 de dezembro de 2011 e 4 de janeiro de 2012 a cidade de Ituberá, na Bahia, hospedou uma experiência única para cerca de 15 mil pessoas e também uma revolução na cena open air nacional.
LOCAL
Depois de passar um ano um tanto desastroso na Praia do Garcez, a volta do Universo Paralello à praia de Pratigi, em Ituberá, era muito aguardada. Também pudera: o local, que inclusive é uma APA (área de proteção ambiental), é um dos mais lindos que já visitamos. Água limpa, vegetação nativa, praias limpas (mesmo com milhares de pessoas convivendo)… Inclusive uma cena emblemática aconteceu em um dos últimos dias: ao parar de costas pro mar, olhar para pessoas curtindo um downtempo na Concha Acústica à frente, outros curtindo psytrance à direita no 303 stage, mais alguns no UP Club dançando tech e deep house, e um resto ainda na praia se divertindo, todos educadamente, sem desrespeito ao ambiente e ao próximo, chegamos a uma triste conclusão: nunca mais será possível sentir prazer em ir a uma praia comum. Antes de ir, todos se perguntam o que o UP tem de tão grandioso a ponto de fazer com que as pessoas passem todos os seus reveillons lá, e o primeiro motivo é este: é um paraíso raro e exclusivo.
ESTRUTURA
Armar estrutura para um festival de 7 dias, com 15 mil pessoas, não é uma tarefa fácil. Festas de poucas horas de duração para o mesmo volume de gente costumam encarar grandes dificuldades neste quesito, e foi aqui que residiu o maior ponto positivo do UP11: tudo estava incrivelmente perfeito! Dentre tudo o que será analisado nas próximas linhas, se tivessemos que escolher apenas um ponto para parabenizar a organização, sem dúvidas que seria a estrutura. Vamos esmiuçar item a item agora.
Pra começar, vamos falar de algo básico e que foi uma das maiores críticas do UP10: banheiros. Os banheiros em festas e festivais geralmente são alvo de duras críticas, pois em poucas horas já estão sem papel, mal-cheirosos e muitas vezes intransitáveis. Porém o UP11 conseguiu vencer este desafio que quase nenhuma festa no Brasil consegue: durante os 7 dias de evento, os banheiros estavam limpos e perfeitamente utilizáveis. Mérito disso para quem projetou os banheiros, que contavam com um sistema de exaustão que os deixou cheirando bem o tempo todo, para o fato de que cada 4 banheiros possuiam uma pessoa responsável por sua manutenção e limpeza 24 horas por dia, e para o público, que soube respeitar o espaço comum.
E já que estamos falando de itens importantes para a convivência, palmas também para os chuveiros. Outro ponto falho do UP10, no qual houve falta de água por mais de 2 dias, nesta edição não houveram relatos dessa espécie: foi possível tomar banho todos os dias. Um ponto que pode-se considerar negativo é o fato de que não havia distinção entre masculino e feminino, então o banho era estilo Big Brother Brasil de ser, mas os que imergiram no espírito do festival vão dizer que isso é frescura, afinal muita gente simplesmente ignorou o fato e tomou banho como veio ao mundo.
Seguindo na estrutura para abrigar pessoas por 7 dias a fio, vamos à praça de alimentação. Provavelmente esta foi a primeira surpresa positiva que tivemos, assim que chegamos ao festival. Eram mais de 30 opções de alimentação, das mais simples, como o tradicional acarajé baiano e lanches, até opções mais sofisticadas, como temakis e risotos de frutos do mar, sem contar o restaurante buffet, que servia todo tipo de comida. Menção honrosa para o açaí, base da alimentação de quase todos que enfrentavam o calor em alguma das pistas! E para os que não quiseram gastar “comendo fora”, havia ainda a Cozinha Circular, um ambiente comunitário com um fogão a lenha, para que fosse possível a cada um preparar sua própria comida.
Passando da comida, vamos à bebida – os bares. Por mais difícil que possa parecer (tanto pelo isolamento do lugar, como pelo calor), a principal exigência para que um bar seja decente foi atendida: em todos os 7 dias as bebidas estavam deliciosamente geladas! Mesmo com quatro bares e uma demanda imensa (que inclusive fez com que a catuaba acabasse no último dia), cada latinha de cerveja ou garrafa de água comprada estava na temperatura ideal para consumo. Os preços, muito justos: R$3,00 pela água, R$5,00 pela cerveja e copo de catuaba, R$10,00 pela dose de vodka. Além das bebidas, os bares vendiam também um produto um tanto interessante: as Cool Towels, umas toalhas geladas umedecidas (com duração de cerca de 2 horas) que eram de grande ajuda para enfrentar o calor típico da Bahia. No Main Stage e no UP Club, além do bar comum também havia um bar vendendo coquetéis especiais, como Hi-Fi e outras misturas. Vale mencionar também as fichas de caixa, que aparentemente tinham tantos itens de segurança quanto a nota de Real!
Outra necessidade básica de quem estava lá era dormir – e o camping também estava muito bacana. Bem distribuído, dificilmente você ficava longe de um banheiro, chuveiro ou bar, sem contar que todas as ruas estavam iluminadas e era possível se achar sem o uso da lanterna. Importante ressaltar que nesse ambiente sim, haviam seguranças trabalhando o dia todo.
E finalizando a estrutura básica, o posto médico também estava em conformidade com o necessário. Grande, com uma boa quantidade de médicos e enferemeiros, contava também com uma UTI Móvel e, como já é praxe, a tenda SOS Bad Trip, com psicólogos que tratavam as pessoas que enfrentavam o efeito adverso das drogas psicoativas. Este último ambiente era organizado pelo pessoal da redução de danos, que possuía também uma tenda de conscientização com relação às drogas. Diversos folders informativos estavam sendo distribuídos, bem como palestras e debates sobre drogas aconteceram na Arena Circular.
ENTRETENIMENTO
A grande sacada do Universo Paralello é que ele é muito mais do que um evento de música eletrônica: é um festival cultural. E isso implica em muito mais arte e espetáculo do que um punhado de stages musicais pode proporcionar. Lá o entretenimento era muito diverso: intervenções circenses aleatórias nas pistas, com malabaristas, pirofagistas e outras coisas do gênero, intervenções nas ruas, com músicos e instrumentistas se apresentando na base do improviso de estrutura e também com um stage “clandestino” armado por uma barraquinha de lanches próximo ao 303 Stage.
Havia também a Aldeia Circulou, um ambiente multicultural dividido em várias sub-áreas, como a tenda dos indígenas locais, que faziam rituais e pinturas no pessoal, centros de cura natural e cura energética, massagens, a já citada Cozinha Circular, o ambiente para crianças chamado Circulinho, com brinquedos e animadores, e a Arena Circular, que abrigava desde rituais Diksha até palestras de conscientização sobre drogas, promovido pelo pessoal da redução de danos.
Vale citar também a Villa, um ambiente aonde podíamos nos conectar ao outro universo (vulgo mundo real): duas LAN houses, uma central de telefones e espaços para carregar baterias de câmeras e celulares. Chamou a atenção que, enquanto as tomadas da LAN house eram pagas, você poderia optar pelas bicicletas gratuitas, que transformavam sua energia mecânica em energia elétrica para carregar os equipamentos. Talvez o esforço não valesse a pena, pois levava horas para carregar um celular, mas valeu a iniciativa.
Por fim, haviam também as feirinhas. Vendendo de tudo ligado ao mundo psicodélico, lá era possível encontrar artesanato hippie em camisetas, cangas, toalhas, brincos, pulseiras, havia também a tenda do Inspire-se Bazar, que vendia plantas naturais psicoativas, haviam cartucheiras da Matramba, artigos oficiais do Universo Paralello (inclusive um botton que era brinde para quem coletasse 50 bitucas de cigarro). Essa era a hora em que era difícil reprimir o espírito capitalista: os materiais são tão bons que a tentação de levar muita coisa pra casa é grande!
PALCOS: ARTISTAS E DECORAÇÃO
Vamos agora à parte central do festival: os palcos musicais. Neste ano foram 4: Main Stage, com os principais artistas da cena psytrance, desde o dark até o progressivo; 303 Stage, que ocupa o lugar do antigo Goa Stage com uma proposta diferente – a de valorizar novos artistas; UP Club, como o nome já sugere, para a música de club, como techno, house, tech house, deep house, electro e afins; e a Concha Acústica, que abrigava o chill out e a diversidade cultural, tendo desde o show do Arnaldo Antunes até os DJ Sets já conhecidos do pessoal da Funk You. Ufa! Considerando que os palcos ficaram ligados praticamente o festival inteiro, temos quase um mês de apresentações musicais. Como foi humanamente impossível para nossa equipe assistir e avaliar tudo que merecia destaque, no review nos limitaremos a dar um apanhado geral e citar alguns nomes destacados, bem como analisar a ambientação de cada stage. Se alguém que você viu foi extremamente foda e nós não citamos, considerem que talvez no momento nós estavamos em outro lugar da festa.
MAIN STAGE
O palco principal, ou como o guia oficial do festival descreveu, “o coração do Universo Paralello, a bomba que irradia e distribui o fluído vital para todos os outros órgãos“. Lá os principais nomes da cena psicodélica se apresentaram, sejam mainstream ou underground. Da turminha pop, sem surpresas: Growling Machines, Wrecked Machines, Shanti tocaram exatamente o que a gente já viu 1000 vezes; dos novos nomes, uma decepção daquele que talvez era o mais hypado do momento: Captain Hook está cada vez mais se entregando ao dubstep ruim (que ele insiste em chamar de trancestep). Ficou nítido em seu set a empolgação da galera na intro, bem como a decepção geral depois de 40 minutos.
Mas se tem uma coisa que ficou muito clara nesse UP, é algo que já falavamos aqui no Psicodelia.org há algum tempo: 2012 será o ano do progressivo. Era unanimidade por lá que os destaques eram todos dessa linha: Ritmo, Klopfgeister, Symphonix, Protonica, Interactive Noise, Grouch, Day Din… Estejam todos preparados para uma invasão dessa turma nas open airs e clubs ao longo dos próximos meses!
A decoração estava bacana: tenda psicodélica produzida por Sagaz Corp, e decoração (assinada pelos Piratas de Ibiza) baseada em alguns bonecos “extraterrestres” feitos com lixo reciclável. No palco, um desses boneco em posição de lótus, dentro de uma decoração branca que de longe, à noite, ficava nítido que representaria a flor de lótus. Uma coisa vista de forma negativa foi a utilização de treliças de metal, que tiraram um pouco daquele tom natural e roots do palco, mas honestamente, nada que estragasse a ambientação.
303 STAGE
Mais uma vez roubando a descrição oficial, “o 303 Stage é o pulmão [do UP11], que absorve todo o oxigênio da cena, misturando o sangue novo da psicodelia a renomados artistas que influenciaram toda essa geração de artistas”. Uma iniciativa muito bacana, mas talvez o excesso de artistas desconhecidos (por melhores que fossem) fez com que este tenha sido o palco com menor público ao longo do festival. Apesar disso, o fato de ter muito sangue novo o torna importantíssimo para a renovação da cena, tanto que foi lá que foi “revelado” um dos nomes que promete bater ponto no Brasil neste ano: Grouch.
O mais impressionante é que ele sequer estava bookado: em cima da hora alguns estrangeiros tiveram que cancelar suas apresentações por não terem conseguido visto de entrada no Brasil, e ele foi um dos chamados para cobrir o problema. Ele inclusive estava com ingresso comprado para ir ao festival como expectador! O neo-zelandês se apresentou duas vezes: no Main Stage e no 303 Stage, mas foi neste que mandou o set que está na memória de muita gente ainda.
Destacados aqui também foram as festas da TropiKalien, de dark, e da Mosaico Records, de groove. A decoração ficou a cargo de artistas de Brasília e Lello.
UP CLUB
Assim como o Tribe Club, a proposta deste stage era simular a céu aberto o ambiente dos clubs. E sinceramente, o clubinho à beira da praia de Pratigi é de dar inveja a muita casa Brasil afora! Apoio de peso não faltou: mais de 10 selos assinaram festa dentro desse palco, como Heaven & Hell, Tropicalbeats, Air London, The Rebel Agency, Inner, Synk, Mixmag, House Mag.
O destaque para a grande massa naturalmente que foi o Felguk. Naturalmente também que mandaram a chacoteira que já conhecemos, uma pena. O interessante é que desta vez contextualizaram o live deles: no dia 2 tivemos uma tarde só de electro, com direito a Electrixx, Dirtyloud e Tim Healey! Para quem gosta, um prato cheio, mas foi impossível não estranhar o electro rasgado dentro de um UP.
Particularmente, considero a noite da virada o destaque do UP Club. Alok mais uma vez mostrou que não é só o filho-do-dono e mandou um tech house de muita qualidade, Khainz tocou seu híbrido de prog e techno já consagrado, Fusi & Falabella apelaram para tracks de gente como Boris Brejcha e Stephan Bodzin mas não decepcionaram, SQL e Sheff (aka Captain Hook) fizeram o primeiro dia do ano amanhecer com o peso que merecia. Nos outros dias, diversos sets maravilhosos, que mais uma vez não poderemos citar um-a-um para não sermos injustos com os que perdemos.
Sobre ambientação, além da tenda inovadora (que à noite te fazia jurar estar dentro de uma balada) havia também um telão inovador, que parecia um colchão inflável gigante. Três projetores jogando na tela o trabalho de VJs de verdade (nada de “vamo fritá galera” e coisas do tipo) completaram a reprodução praiana de um club. Tudo trabalho da junção de Arte.Ficial e Laborg. Porém, infelizmente outra coisa colaborou para nos sentirmos em um balada: era a pista com mais lixo no chão. Uma pena.
CONCHA ACÚSTICA
Ah, a Concha Acústica. Novo nome para o velho conhecido Palco Paralello, este era o meu ambiente favorito do festival (psyzeros gonna hate). Foi na Concha que encontrei a maior diversidade cultural, era lá que era possível ver instrumentistas de todo tipo, DJs tocando os sons mais alternativos, era lá que era possível viajar de verdade ao som do downtempo e do chill out. O som menos agressivo, o mar ao lado, a belíssima decoração, enfim, tudo contribuiu para que fosse um dos palcos mais prestigiados (estava quase sempre lotado) e elogiados.
Foi lá que aconteceu o melhor show do festival (e mais uma vez, psyzeros gonna hate): Arnaldo Antunes. É irônico que em um festival voltado para a música eletrônica isso aconteça, mas se você, leitor, realmente abraça a causa da diversidade e do respeito, você irá aceitar minha opinião. Voltando ao foco, a banda de Arnaldo Antunes (que tem ninguém menos que o mestre Edgar Scandurra nas guitarras) criou na noite do dia 29/dez um clima de reflexão, de respeito, de satisfação incrível. O som instrumental te colocava em transe, e as letras muito bem escritas davam produtividade à trancendencia. Não à toa que o melhor after video já feito para o UP11 usa músicas dele como fundo. Sugiro a todos agora pararem para ver esse video de 10 minutos e refletir:
Forte, né? O design e estrutura da Concha foram concebidos por Michelle Petrillo & Equipe e ambientados por Naiana Motta, Talita Vilela e equipe. Além de tudo, era a tenda mais bonita do local.
A EXPERIÊNCIA
Depois de tudo isso, paramos e nos perguntamos… Por que o Universo Paralello é único? O que o torna algo tão acima do resto, por que todo mundo volta dizendo que foi a melhor experiência de suas vidas e acaba retornando ao evento ano após ano? O UP é uma experiência antropológica, sociológica. Depois de passar uma semana em um festival com mais de 15 mil pessoas, no qual não existem brigas, todos se respeitam, ninguém fica feio e vergonhoso por exagerar nas drogas (eu desafio qualquer a me mostrar um video de alguém passando mal no UP), você percebe o quão lixo é o nosso mundo real. Você começa a refletir coisas como por exemplo… Quanto nós gastamos para nos proteger de nós mesmos? Afinal, boa parte do orçamento de um evento (seja rave, micareta, balada) é com seguranças. Por que temos necessidade de nos mostrar, de enaltecer nossas posses? Lá, todo mundo é igual, está de bermuda ou biquini e havaianas, dançando a mesma música e pisando no mesmo solo. Por que há tanta interferência na liberadade alheia? Lá as pessoas fazem o que desejam sem interferir na liberdade dos outros, e ninguém reprime isso. Há quem use drogas, há quem não use, há quem ande pelado pelas ruas, há quem passe o dia na praia, há quem passe o dia na pista, há quem faça artesanato, há quem faça música… Arrisco dizer que lá existe um conceito de sociedade utópica.
Quem vai ao UP começa a refletir sobre tudo, e é isso que o torna tão especial – é quase como tomar a pílula vermelha de Morpheus. Quem vai ao Universo Paralello jamais será a mesma pessoa, e esse é o fato de todo o review que todos vocês irão concordar. Que dure por muitos anos, e nunca perca a sua essência!
PS: Mais fotos do Universo Paralello você pode conferir na nossa fanpage!
A primeira etapa do Circuito Techno & House de Curitiba rolou no último sábado e já temos um classificado para a final: Di Assunção. De acordo com a organização do evento, as notas serão divulgadas apenas aos participantes, pessoalmente ao final da etapa.
Aproveitando a oportunidade, seguem abaixo algumas novidades divulgadas pela organização do evento:
1. Além dos prêmios que já citamos, o campeão ainda terá o direito de tocar no Club Stage do Soul Vision Festival, a acontecer neste carnaval. 2. Além dos participantes, todas as edições contarão com um convidado especial – um DJ já renomado que apoia a iniciativa do CT&H. Na primeira edição tivemos Biro, o campeão do ano passado. Na próxima etapa, teremos o set do DJ Rogério Animal. 3. As regras do evento estão disponíveis para download neste pdf, para quem quiser consultar.
No próximo dia 14/jan teremos a segunda etapa, no mesmo local e horário. Relembrem os participantes que irão se apresentar:
2ª ETAPA
Rada Alex Senna Alex Galvão Geovane Quexo Bruna Nicollini & Natasha Palma Kantek Marcelo Markes Felipe Casagrande
Já está virando tradição: início de ano é época de revelar novos talentos da cena techno e house em Curitiba. Isso porque pela terceiro ano consecutivo a Esparta Eventos está organizando em janeiro o Circuito Techno & House, um concurso de DJs destes estilos.
A fórmula segue a mesma de anos anteriores: Dos 76 inscritos (dos estados do PR, SC e SP), foram selecionados 32 participantes. Estes, foram divididos em 4 etapas, cada uma com 8 DJs/projetos, das quais saem os 4 finalistas, que se apresentam na quinta e última festa do circuito. As etapas acontecem nos próximos 4 sábados: 07, 14, 21 e 28 de janeiro. A final está marcada para o sábado seguinte, 4 de fevereiro, mas está passível de mudança ou confirmação até 20/jan. Todos os eventos acontecerão no Jockey Club de Curitiba.
Para avaliar as apresentações com propriedade foi escolhida a Yellow DJ Academy, que estará lá representada por Gustavo Tomasi e pelo seu fundador, Christ. Os critérios vão desde técnicas básicas de mixagem até a apresentação de diferenciais criativos, passando por presença de palco, repertório adequado e outros itens. O vencedor leva contrato anual de residência com a Esparta Eventos, uma case com 100 mídias virgens, um curso de produção musical na Yellow DJ Academy, um headphone Technics DH1200 e uma festa como headliner.
Uma novidade é que neste ano o Psicodelia.org que irá revelar, com exclusividade, o resultado de cada etapa! E diferentemente de anos anteriores, desta vez serão divulgadas as notas de todos os participantes em cada um dos critérios analisados, o que além de conferir credibilidade ao concurso, ajuda os participantes a melhorarem nos pontos em que ainda são falhos. Sendo assim, a partir da semana que vem, toda segunda-feira você poderá conferir aqui no nosso site o resultado da etapa anterior.
Os participantes de cada etapa são:
1ª etapa
Dyego Jhulio K-Wizard Hallac Arn Stephan Di Assunção Fabio Gmach Seco No disc
2ª etapa
Rada Alex Senna Alex Galvão Geovane Quexo Bruna Nicollini & Natasha Palma Kantek Marcelo Markes Felipe Casagrande
3ª etapa
Meuamigorobo Play Live Johnjhow Succi Fabbu Camilo Bueno White Glove
4ª etapa
One Icon Project Gus Man Lucas Bravo Diego Lima Kultra Jpossan Eversson Mazzuco Felippe Revigat & Victor Hugo
Se no ano passado os fãs brasileiros de The Chemical Brothers sofreram com o duro cancelamento da turnê nacional dees, em 2012 parte da decepção poderá ser recompensada. Claro que nem se compara a um show ao vivo, mas a estréia do filme Don’t Think será um marco em terras tupiniquins e na carreira duo: além de ser a primeira exibição no país de um filme-concerto em imersão total, com som mixado em Dolby 7.1, é também o primeiro show deles a ser documentado, em 20 anos de carreira.
Para tanto, a produção foi de primeira: sob a direção de Adam Smith, 21 câmeras registraram o show da banda no Fuji Rock Festival, no Japão, que contou com luzes e efeitos visuais incríveis e, somados ao som do Chemical Brothers, imergiram o público de 50.000 pessoas numa experiência única. O trailer mostra um pouco disto:
A exibição nacional acontece nos dias 2 e 3 de fevereiro, e os ingressos já estão à venda pelo site da UCI*, ao preço inteiro de R$50,00. Seis cidades recebem o espetáculo, confiram na tabela abaixo em que cinemas:
Cidade
Cinema
Curitiba
UCI Palladium
São Paulo
UCI Jardim Sul
Rio de Janeiro
UCI New York City Center
Recife
UCI Kinoplex Recife Shopping
Salvador
UCI Orient Iguatemi Salvador
Fortaleza
UCI Ribeiro Fortaleza Iguatemi Shopping
O mais legal disso é ver que um show de música eletrônica está ganhando este espaço nos cinemas nacionais, em vez de um Michel Teló da vida. Cabe a nós prestigiar – tanto para mostrar que existe público para isso, bem como para aproveitar a experiência única oferecida, ao som de ninguém menos que Chemical Brothers.
*Enquanto a notícia era escrita o site não estava funcionando, mas deve voltar em breve.
Hoje a cena eletrônica brasileira acordou mais triste. Um dos principais projetos do underground anunciou o encerramento de suas atividades: o Metropolis Project.
O projeto envolvia tanta coisa, que fica até difícil classificá-lo: foi selo fonográfico, núcleo de festas, agência, blog… O mais correto é dizer que em cada dia dos seus 4 anos de existência, o projeto estava preocupado em fomentar a cultura urbana de alguma forma. Além de lançar nomes como Bruno Barudi, Database, Wildboyz, Kultra e muuuitos outros, o projeto de Elijah Hatem e Felipe Kantek realmente fez a diferença na cena. Nós do Psicodelia.org só temos a agradecer a eles por tudo o que fizeram, e lembrar que as portas do site estarão sempre abertas a eles sempre que desejarem. Com a palavra agora, Elijah e o comunicado oficial publicado no site do projeto:
“E chega ao fim… Rest In Peace Metropolis. (Nascido 2007 – Encerrado 2011)
O Metropolis, projeto cultural independente que nasceu em Curitiba, Paraná idealizado pelos DJs e produtores culturais Elijah Hatem e Felipe Kantek e que agregou um coletivo de dezenas de artistas diretos, além de centenas de pessoas que colaboraram indiretamente encerra suas atividades em 2011.
De um modesto blog e pequenos eventos em Curitiba em 2007, onde o objetivo era apenas reunir alguns amigos e tocar o som que gostávamos, o coletivo de artistas e produtores culturais Metropolis foi capaz de se auto-organizar e apresentar o que muitos chamaram de cena em Curitiba.
Eu, sinceramente, sempre fiz questão de não usar esta palavra, o que fazíamos não era um simples cenário para mostrar aos outros, era sim, algo que prefiro chamar de ARTE.
É impossível descrever em poucas palavras tudo que vivenciamos e experenciamos em 2007 e, detalhe, coloco este texto no plural “nós”, porque Elijah e Kantek não eram sozinhos e, literalmente, não eram nada, perto dos inúmeros DJs, artistas, produtores, promoters, clubs, fotógrafos e pessoas que permearam e construíram este projeto todo chamado Metropolis, os quais seria impossível citar e dizer o que representaram.
Em 2008, além da “família”, o projeto cresceu com o surgimento de um selo fonográfico, a Metropolis Project Records. Deste momento em diante, estávamos em dezenas, talvez centenas de artistas construindo uma imagem que seria exportada através de lançamentos, álbuns, compilações e outras formas de expressão mundo a fora através da distribuição musical.
Deste selo, surgiram novos amigos, novas ideias, novos conceitos e maneiras de se relacionar com a música em si. Nunca esquecendo, é claro, da essência que sempre fez a diferença, o RESPEITO e a DIVERSIDADE MUSICAL em prol daquela tar ARTE e paixão pela música.
O resultado foram anos de trabalho e satisfação de muita gente envolvida, festas, um festival e muita música! Uma geração que teve a visão de construir algo maior do que sua simples vida ou seu círculo de amigos, mas sim, acreditou e foi capaz de mudar todo um pensamento coletivo.
Mas, o fim sempre chega. Pode e deve, muitas vezes, ser encarado como um recomeço. O Metropolis encontrou o seu, mas não é com tristeza, fracasso ou saudosismo que se fecha este ciclo, este se fecha para permitir o início de outros.
Tenho certeza que cada um que conviveu e vivenciou o Metropolis tem muitas histórias para contar e, principalmente, aprendeu muita coisa e leva esta ideia toda na alma pelo resto da vida.
Não vou conseguir citar nomes, pois tenho certeza que seria impossível citar todos que participaram direta ou indiretamente de toda esta história. Mas, também não seria justo, não pelo menos citar os primeiros. Aqueles que estavam presentes desde o seu início, muito início, obrigado por acreditar Kantek, Anginha, Luana, Marcelo Prozac, Manolo Neto, Curinga, Joel Guglielmini, Pinguim, Hamdan, Chr1z_b, Ludi Moreira, Yobani Merida, Psapo, Valter “A Industrya” Sangregório, Eliel Cezar, Bruno “Sonido Sintetico” Aldrighi, Adalicio Junior Messi, entre tantos outros.
Gostaria de agradecer a TODOS mesmo, sem exceção, que fizeram parte deste ideal, trabalharam juntos pela criação de um senso crítico de respeito e diversidade musical e se permitiram vivenciar e expressar sua arte.