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  • Richie Hawtin fala sobre o boom da música eletrônica nos EUA

    Na última semana a Mixmag internacional publicou um artigo escrito por Richie Hawtin que arrisco dizer que é um dos mais importantes e esclarecedores dos últimos tempos. Nele, o inglês naturalizado canadense deixa seus preconceitos de lado e faz uma análise minuciosa sobre os efeitos da grande popularização que a música eletrônica está sofrendo nos EUA, principalmente depois de Skrillex virar símbolo da nova geração teen americana e alvo da raiva de muita gente da cena. As conclusões dele resumem perfeitamente a nossa opinião sobre o assunto, e o seu otimismo ao final do artigo são bem semelhantes ao nosso quando falamos do assunto, mesmo não apreciando o electro-dubstep do ex-emo californiano. Confiram abaixo a tradução que nós fizemos, na íntegra:


    Richie Hawtin

    Eu sou uma pessoa muito otimista, mas por algum motivo eu passei o ano passado um tanto preocupado com a explosão em popularidade da música eletrônica nos Estados Unidos. Talvez porque nosso som não foi o centro dessa nova onda de interesse, talvez porque a maioria dos artistas na crista dessa onda americana possuem metade da minha idade e são influenciados por rock e Rn’B em vez de Kraftwerk, ou talvez seja apenas eu sendo super-protetor do gênero musical que passei os últimos 25 anos apoiando. Mas graças ao tempo que despendi nesse artigo e à série de conversas que tive com amigos e colegas, estou me sentindo mais otimista sobre isso agora.

    Então, onde devo começar? Bem, vamos pegar o Skrillex agora. Você goste ou não, Skrillex, também conhecido como Sonny Moore, é o cara do momento, e está protagonizando a primeira experiência de muita gente com música eletrônica. Sonny é uma “usina de energia humana com laptop” que leva tanta energia aos seus shows quanto uma banda de hard rock levava nos seus dias de glória: melodias rápidas, linhas de grave que te fazem vibrar por dentro, e pára, e começa, e gagueja tanto que me fazem tropeçar nos meus próprios pés quando tento dançar (daí a tendência atual da música eletrônica bate-cabeça e crowd-surfing).

    Como alguém que cresceu dançando música de olhos fechados em longas e obscuras festas em warehouses, eu ainda não sei o que pensar sobre tudo isso, mas é fato que tem uma energia extrema e um engajamento inegável.

    Dois anos atrás eu nunca tinha ouvido falar sobre Skrillex, então a primeira coisa que perguntei a ele foi há quanto tempo ele estava no porão praticando…


    Skrillex

    Eu estou tocando desde os 16 anos“, disse Sonny, “então são 8 anos. Pouca gente sabe disso. As pessoas acham que eu simplesmente tropecei em alguma bandwagon, mas eu dormi no chão e não fiz dinheiro algum por anos. Eu nunca imaginei que chegaria aqui. Ninguém se importava com o que o Skrillex estava fazendo. Dubstep não era popular quando eu comecei a fazer isso; ele ainda era muito underground.”

    Essa pode não ser a música eletrônica que eu toco, mas isso significa que não seja relevante ou, no mínimo, uma grande porta para o mundo cada vez maior da música eletrônica para os que ainda não o adentraram? Eu perguntei ao pioneiro do techno Derrick May o que ele achava dessa crescente popularidade da música eletrônica nos Estados Unidos, e ele resumiu bem: “Eu consigo apenas imaginar o fascínio e a excitação das pessoas; ouvindo esta música pela primeira vez após nunca ter tido nada parecido em suas juventudes.


    Derrick May

    Cara, eu consigo me identificar com isso! Eu posso me lembrar da primeira vez que ouvi uma gravação de Derrick May em 1987, e pensei que estava ouvindo a música do futuro! Maldição, eu estou começando a desejar ser uma dessas crianças tendo a primeira experiência com música eletrônica em um show do Skrillex. Sonny nasceu em 1988: um ano após aquela gravação de Derrick May me causar uma obsessão tão grande por música eletrônica que eu fiquei 6 meses trancado no porão tentando aprender como tocar com uma turntable Technics SL-1200! Como ele ficou tão bom tão rápido?

    As primeiras tours de Sonny foram com a banda de rock From First To Last, tendo mudado para a música eletrônica alguns anos depois. Mas essa escola precoce de tour parece ter ensinado a ele algumas coisas sobre como engajar e entreter uma multidão – multidão esta que, como ele, nasceu em uma era em que o hip hop, o Rn’B e o grunge dominavam os Estados Unidos e quando a música pop estava começando a absorver idéias daqueles dias de início do techno e do house. Madonna incorporou claps e hi hats inspirados em Derrick May, e o hip hop usou samples de Cybortron e Juan Atkins, e outras músicas de house amigáveis para a rádio. “House de New York era demais pra mim“, relembra Sonny, “conheço Robyn S da minha infância, cresci com isso.

    Que mistura de inspirações, referências, sons e idéias. Não é de se surpreender que as faixas que dominam a música eletrônica nos Estados Unidos são próximas da esquizofrenia. É assim que você obtém sucesso com música eletrônica para as massas na América do Norte, misturando as melhores partes do hip hop, rock, techno e house?

    O hip hop usou sons e loops de techno por muito tempo (Missy Elliot/Timberlake),”, aponta Seth Hodder, ex-manager da label NovaMute, “e as rainhas do pop atual Beyoncé, Lady Gaga, Rihanna e Katy Perry e artistas como Black Eyed Peas e David Guetta estão lançando pop eletrônico influenciado por house, techno, rave, trance e um belo UK synth-pop à moda antiga.


    David Guetta

    A música eletrônica agora ocupa múltiplos níveis simultaneamente, cada um demandando diferentes formas de compreensão e apreciação. Eu perguntei ao David Guetta sua opinião, um cara que levou seu som ao topo da Billboard americana, mas agora é tido como responsável por muito desse foco do mainstream na cena. “Eu acho que a popularidade da música eletrônica é maravilhosa para todos nós,“, ele me disse, “não interessa se nós tocamos ou produzimos música de outros estilos, ou mais underground. O sucesso da nossa cena faz todos nós mais fortes. Por que deveríamos temer uma coisa tão positiva? Sempre vão haver as duas cenas, e eu acho que elas precisam uma da outra para manter a música eletrônica forte.

    A ex-integrante da Minus Magda vê as coisas de uma perspectiva similar: “O atual interesse em música eletrônica tem muito a ver com o efeito multiplicador das colaborações com pop/dance comercial. Se você liga o rádio hoje em dia, mais da metade das músicas que você ouve são influenciadas pelo dance. Isso abre o mundo da música eletrônica para pessoas que talvez nunca haviam sido expostas a ele antes. E aí eles começam a garimpar mais profundamente e tornam-se capazes de descobrir outras formas de música eletrônica.


    Magda

    O nosso gosto musical continua se desenvolvendo pelo tempo conforme vamos sendo expostos a novos e inspiradores artistas. Para cada Robin S há um Aphex Twin. Para cada Skrillex há um Underground Resistance. As portas estão abertas, e só depende de nós para darmos o passo adentro e continuar a jornada de descoberta e esclarecimento musical.

    Modismos vão e voltam,“, afirma Josh Wink. “Nós já vimos isso antes, e a música eletrônica muda constantemente, o que é uma coisa ótima. Quanto mais as pessoas tomam conhecimento sobre alguma coisa nem sempre é o pior cenário.

    Na cabeça de algumas pessoas eu mudei e não sou mais o artista de techno underground que eu era no começo da minha carreira. Mas na minha perspectiva, há um desenvolvimento lento e natural das minhas idéias e aspiração. E com tantos outros artistas orientados de forma criativa e talentosa na música eletrônica, não é nenhuma surpresa que ela se torne cada vez mais popular.

    Liz Miller, que passou os últimos 15 anos envolvida com a cena eletrônica e é a diretora da Warner pós-big beat, casa de artistas como Skrillex, Chuckie e Martin Solveig, ve dessa forma: “A exposição crescente ao mainstream significará um leque maior de novos talentos. Mais idéias e diferentes pontos de vista irão ampliar as fronteiras dos estilos e artistas, o que significa, é claro, mais fãs, que significa novas gerações e desenvolvimento contínuo.

    Vinte anos atrás eu jamais me imaginaria fazendo tour como Plastikman em festivais com um ônibus com dez pessoas na equipe: técnicos de som e de luz, manager de palco, apoio de back-line e todos esses componentes que são comuns em tours de rock há anos. O desenvolvimento do “show de música eletrônica” nos tirou do conforto das casas noturnas e nos levou aos main stages de festivais mundo afora. Pode-se dizer que conforme as idéias e conceitos dos artistas se desenvolveram, a cena e popularidade da música cresceu.

    Essa é a primeira vez que vemos tantos artistas fazendo live shows incríveis,” diz Skrillex. “Não é mais apenas um cara tocando músicas gravadas.

    Agora nós temos novas formas de engajar nosso público: design de palco, show de luzes, paredes de LED e video produzem uma nova experiência. Esses foram os elementos-chave do desenvolvimento dos nossos shows Contakt e Plastikman. Em 20 anos nós passamos de DJs de club a entertainers: apenas olhe a diversidade de live shows sendo oferecidos por artistas de eletrônico hoje. Mas ainda há espaço para artistas de música eletrônica terem sucesso sem uma mega produção por trás? Pode o underground ainda se desenvolver?

    Skrillex está certo disso. “Com certeza, cara. Pense no Burial: ninguém sequer sabe como ele se parece, ele não toca em show, mas as pessoas ainda o amam. Ele não quer ser um rock star. Aphex Twin – ele não tem lançado muita coisa e nem feito muito marketing, mas ele ainda pode botar pra quebrar. Se as pessoas conseguem conectar-se com a música, isso vai falar mais alto que qualquer coisa.


    Electric Daisy Carnival

    É claro que a cena underground continua tão forte como nunca em todo o mundo. No entanto, a América continua a ser o maior desafio, e há sinais positivos agora. Insomniac, os promotores por trás do Eletric Daisy Carnival, estão colaborando com a minha equipe para trazer uma nova experiência ao público americano. Loco Dice, uma estrela moderna a emergir da cena underground, também é otimista para o futuro.

    É ótimo ver a experiência da música eletrônica de ter outro florescimento nos EUA“, diz o DJ e produtor alemão. “A música eletrônica tornou-se finalmente um tema para a imprensa convencional, os festivais são maiores do que nunca e a cena club está em boa forma. Sinto que há uma grande troca de idéias em curso na nossa cena, e em maior escala do que era no passado. Isso só pode ser uma coisa positiva.


    Loco Dice

    Eu também estou encorajado por esses comentários do promotor do influente Movement Festival, de Detroit, que se destaca na América como um farol de pensamento do passado, presente e futuro. “O público nacional está começando a aprender e compreender as raízes e os potenciais da música eletrônica mais e mais com a sua popularidade sempre crescente“, diz Jason Huvaere, “e que resultou em um aumento na freqüência e participação de artistas no Movement Festival a cada ano.

    Estamos em um cenário de “ano zero” para muitas das pessoas e em torno desta cena. Toda a história da música eletrônica está aí para ser referenciada, e consciente ou inconscientemente extraída. As possibilidades são infinitas, lembrando-me – mais uma vez – o que me animou sobre música eletrônica em primeiro lugar, e ainda desafia minhas próprias idéias de onde a música eletrônica deve e pode ir. Há motivos de sobra para ser otimista. Novos horizontes, na verdade.

     

     

    Escrito por Richie Hawtin, originalmente publicado na Mixmag. Traduzido por Mohamad Hajar.

  • Skrillex usa sample de videos virais em suas músicas

    O sampling é uma técnica bastante comum no mundo da música eletrônica desde que ela foi criada. Apesar de servir de argumento para alguns que acham que samplear serve para cobrir uma possível falta de criatividade dos produtores, inserir na música eletrônica um elemento de outra que nada tem a ver com a nova criação não é tão simples quanto parece. Basta lembrar-se dos semi-deuses da e-music que fazem isso com maestria desde os anos 90:

    The Prodigy – Out of Space aos 0:43 samplando Max Romeo – Chase The Devil aos 0:34

     

    Daft Punk – Harder Better Faster Stronger sampleando Edwin Birdsong – Colla Bott

      

    Bom, voltando agora para os anos 10, vamos falar de quem está no topo neste momento. Skrillex, dono de 3 Grammys e causador de muita crise existencial nos cagadores de regra da cena, tornou-se conhecido por misturar coisas absurdas (como dubstep e electro farofa) ao criar seu estilo próprio. Pois bem, essa receita possui mais um ingrediente bizarro: virais engraçadinhos do YouTube. Sim, isso mesmo: Skrillex tem o costume de usar trechos de videos amadores que bombam nas esquinas da internets como matéria-prima para suas produções! É mais ou menos como os blogs brasileiros fazem ao criar coisas do tipo Funk do Jeremias, com a diferença que ele é um artista com carreira séria. Confira comigo no replay:

    Scary Monsters and Nice Sprites aos 0:39 sampleando a japa ninja emocionada aos 0:08

     

    First Of The Year (Equinox) a 1:04 sampleando a gorda mau humorada aos 0:24

     

    Lembrando que foi a Scary Monsters… que ganhou o Grammy. E agora, quem é que vai cagar regras dizendo que não pode?

    Com a ajuda essencial do Who Sampled?, que conheci via J. Light.

  • Element ministra workshop sobre marketing pessoal p/ DJs – assista ao vivo!

    Nos dias atuais para ter uma carreira de sucesso no mundo musical você precisa de muito mais do que talento e criatividade: com o advento da internet, qualquer um pode criar um SoundCloud e sair divulgando sets e produções por aí, o que acaba dificultando a peneira para separar quem realmente é bom. Por isso, é essencial que o aspirante a DJ/produtor tenha um bom marketing pessoal, para que ele consiga atingir público e promoters com seu trabalho e se destaque da infinidade de conteúdo da cauda longa. 

    Um grande exemplo de sucesso nessa área é o paulista (mas curitibano de coração) Marco Lisa, que está por trás do projeto de progressivo Element. Com menos de 2 anos de carreira, ele já possui mais de 65 mil fãs no Facebook, conseguiu bater os 85 mil plays e 50 mil downloads no SoundCloud com facilidade e, o mais importante, já conseguiu tocar em eventos como Universo Paralello, Tribaltech e XXXperience.

    Por ser esse case de sucesso que a Yellow DJ Academy o convidou para ministrar um workshop sobre o assunto hoje. As inscrições esgotaram-se na segunda-feira, mas não se preocupe: você poderá assistir ao vivo aqui no Psicodelia.org! Basta abrir este post na quarta-feira às 19h e usar o player abaixo. E se você está lendo esse post após o evento, não há porque se preocupar também: no player estará disponível o replay do que aconteceu.

  • Fusion inicia o ano consolidando-se no calendário nacional de festivais

    O ano passado tem sido reconhecido por muitos como o ano da “retomada do psytrance”, que voltou às cabeças da cena depois de alguns anos ruins, e um dos grandes responsáveis por isso é a Fusion Festival.

    A cada edição que passa o evento ganha mais respeito, principalmente devido à sua preocupação de levar inovação e qualidade ao seu público. Tentando fugir ao máximo do conceito “vamos armar um sound system, chamar meia dúzia de amigos pra tocar e dizer que é festival“, a Fusion oferece diversas opções de entretenimento além da música, como feira de artigos artesanais e esotéricos, oficina de gestão ambiental, malabarismo, pirofagia, maracatu, exposições artísticas, pinturas ao vivo. Tudo isso como parte da sua proposta de ser uma fusão sócio-cultural dos povos latinos americanos, um festival de verdade.


    Sua seriedade pode ser comprovada ao ler nosso review da última edição: apesar de rasgarmos elogios, apontamos alguns pontos falhos que aconteceram, e a organização prontamente se posicionou, assumindo-os e comprometendo-se a corrigi-los para esta edição. Tal transparência infelizmente ainda é rara na cena, por isso merece destaque. Outro ponto positivo é a preocupação do núcleo com a sustentabilidade: no site oficial você poderá conhecer as diversas ações que estão sendo planejadas neste campo.

    Indo agora para o line-up, sentimos também aqui o crescimento do evento. Com nomes de grande relevância na cena, como Burn In Noise, Swarup, The First Stone e Element, a pista principal promete ser uma verdadeira celebração à psicodelia. A decoração deste palco será inédita e promete ser inovadora, mas a grande novidade mesmo fica a cargo da criação do palco alternativo: com sonoridades que irão do club ao chill-out, ele será a opção de diversidade para quem quiser dar um tempinho do psy do Main Stage. Neste ambiente, apresentarão-se projetos como Kultra, Cheap Konduktor (que já participou do Psicodelia Sessions), Deejoker, Yako, entre muitos outros.

    O festival acontece no dia 24 de março em local a ser divulgado, e os ingressos já estão à venda no segundo lote, a R$40,00. Neste link você pode ver uma lista dos pontos-de-venda autorizados. Não deixe de confirmar a presença no Facebook e de curtir sua fanpage:

     
  • Forbes indica: o Brasil é o país da música eletrônica

    Realmente estamos em tempos de sentir orgulho da nossa nacionalidade. Depois que o Rio Music Conference divulgou os dados do crescimento estrondoso da cena eletrônica nacional (e que nós noticiamos aqui), não demorou muito para um dos principais veículos de economia do globo terem acesso a esses dados. Por intermédio do seu colunista brasileiro Anderson Antunes, a Forbes publicou um texto com o singelo título de “Esqueçam a Bossa Nova: agora o Brasil é o país da música eletrônica”.

    Da relevância da Forbes não se tem dúvida. Se você sabe que já ouviu esse nome em algum lugar e não lembra onde, te digo: é ela quem divulga anualmente a lista dos homens mais ricos do mundo. Mas além dessas listas, ela também é uma importante publicação do mundo da economia, e, mesmo a comparação com a bossa nova sendo um exagero, a atenção que deram a esses dados da e-music brasileira só endossam o discurso que temos tido aqui nos últimos tempos: esse é o grande momento da nossa cena.

    O texto deles não foge do óbvio que você já cansou de ler no nosso site, mas é de extrema importância o fato de estar sendo veículado por uma revista estrangeira. Além de citar os dados estatísticos de crescimento no faturamento, público e afins, também citam o fato de termos alguns dos principais clubs do mundo (Warung, Green Valley, Disco Club e D-Edge), citam as turnês internacionais que passaram por aqui recentemente (como The Prodigy, David Guetta, Sven Väth, Fatboy Slim, entre diversos outros), e inclusive citam a cidade de Balneário Camboriú como uma “resposta brasileira a Miami”. O autor atribui essa expansão eletrônica ao fato do brasileiro gostar mesmo de festa e ao crescimento econômico do país.

    Se você souber ler em inglês, o texto original merece uma leitura. E se você não aguenta mais ouvir falar que somos o país do Michel Teló, bem… Temos uma luz no fim do túnel!

  • Dave Grohl defende música eletrônica em justificativa por discurso polêmico

    Polêmica com gente falando que música eletrônica não teria o mesmo valor que a orgânica não foi privilégio só de nós, brasileiros. A diferença é que no âmbito internacional o papo torto veio de uma boca muito mais relevante do que a de um colunista de jornal B: Dave Grohl (caso você tenha passado os últimos 20 anos congelado, a gente apresenta: ex-baterista do Nirvana, vocalista e guitarrista do Foo Fighters, já tocou em gravações de The Prodigy e já foi remixado por Deadmau5, entre muitas outras coisas que o tornam um dos poucos rostos ainda respeitados do mundo rock). Tudo começou com esse discurso de agradecimento no Grammy deste ano, após o Foo Fighters ganhar o prêmio pela melhor performance rock:

    Para quem não entende inglês, segue abaixo os minutos finais, que são os mais polêmicos: 

    “Para mim, este prêmio significa muito porque mostra que o elemento humano da música é o que é importante. Cantando em um microfone e aprender a tocar um instrumento e aprender a fazer seu ofício, que é a coisa mais importante para as pessoas a fazer… Não se trata de ser perfeito, não é sobre soar absolutamente correto, não é sobre o que se passa em um computador. É sobre o que se passa aqui [seu coração] e o que se passa aqui [a cabeça].”

    Não precisa ser gênio para sacar que foi uma crítica direcionada aos diversos “entertainers” que nao tocam, nem cantam, mas são venerados pelo público, mas também aos  falsos DJs que ganham fama internacional e dinheiro fingindo fazer performance para o público e produtores que misturam um punhado de loops mecânicos sem sentido e dizem-se músicos. Porém a grande massa se doeu além da conta, e uma onda de “raiva em caps lock” inundou as páginas do Foo Fighters em redes sociais.

     

    Porém, Grohl manteve a postura e se explicou na fanpage de sua principal banda. E ainda assinou a justificativa com um peculiar mau5 no nome, que todos nós sabemos a quem referencia. Confiram comigo no replay:

    “Ah, que noite tivemos domingo passado no 54o Annual Grammy Awards. O brilho! O Glamour! SEACREST! Onde devo começar?? Relaxando com Lil’ Wayne… conhecendo a adorável mãe de Cyndi Lauper… a amável pulseira piscante do Coldplay…. muito coisa para recapitular. Ainda está um pouco borrado na memória. Mas, se há uma coisa que eu me lembro muito claramente, foi aceitando o Grammy de Melhor Performance Rock… e, em seguida, dizer isto: 

    ‘para mim, este prêmio significa muito porque mostra que o elemento humano da música é o que é importante. Cantando em um microfone e aprender a tocar um instrumento e aprender a fazer seu ofício, que é a coisa mais importante para as pessoas a fazer… Não se trata de ser perfeito, não é sobre soar absolutamente correto, não é sobre o que se passa em um computador. É sobre o que se passa aqui [seu coração] e o que se passa aqui [a cabeça].’

    Não é o discurso de Gettysburg, mas hey….Eu sou um baterista, lembra?

    Bem, eu e minha grande boca. Nunca tinha visto um discurso retórico de premiação de 33 segundos invocar tanta caps-lock rage como essa minha ode à gravação analógica fez. OK…. talvez seja o Kanye em mim, mas….”Imma let you finish”…. só queria esclarecer uma coisa…

    Eu amo a música. Eu amo TODOS os tipos de música. Do Kyuss ao Kraftwerk, Pinetop Perkins a The Prodigy, Dead Kennedys a Deadmau5….Eu amo a música. Eletrônica ou acústica, não importa para mim. O simples ato de criar música é um dom bonito que todos os seres humanos são abençoados com. E a diversidade da personalidade do um músico para o outro é o que torna música tão emocionante e….. humana. 

    Isso é exatamente o que estava a referir. “Elemento humano”. Aquela coisa que acontece quando uma música acelera um pouco, ou um vocal vai um pouco forte. Aquela coisa que faz as pessoas soarem como pessoas. Em algum lugar ao longo da evolução as coisas tornaram-se coisas “ruins”, e com os grandes avanços na tecnologia de gravação digital ao longo dos anos eles se tornou facilmente “arranjado”. O resultado final? Em minha humilde opinião…. um monte de música que soa perfeita, mas que carece de personalidade. A única coisa que faz música tão excitante em primeiro lugar.

    E, infelizmente, alguns desses grandes avanços tiraram do foco o verdadeiro ofício da performance. Olha, eu não sou Yngwie Malmsteen. Eu não sou John Bonham. Inferno… Eu não sou mesmo Josh Groban, para esse assunto. Mas eu tento realmente duro para que eu não tenho que confiar em nada, que não minhas mãos e meu coração para reproduzir uma canção. Eu faço o melhor que posso possivelmente dentro de minhas limitações e aceitar que soa como eu. Porque é o que eu acho que é mais importante. Ele deve ser real, certo? Todo mundo quer algo real.

    Eu não sei como fazer o que Skrillex faz (embora eu adoro isso), mas eu sei que a razão que ele é tão amado: é porque ele soa como Skrillex, e isso é bad ass! Temos um processo diferente e um conjunto diferente de ferramentas, mas o “ofício” é igualmente importante, tenho certeza. Eu quero dizer…. se fosse tão fácil, qualquer um poderia fazê-lo, certo? (Viram o que eu fiz lá?)

    Então, não me dê dois Crown Royales e, em seguida, peça-me para fazer um discurso em seu casamento, porque eu talvez só fale das vantagens da gravação em fita de 2 polegadas. 

    Agora, eu acho que eu tenho que ir gritar com algumas crianças para caírem fora de meu gramado. 

    Fiquem frios.
    Davemau5″

    Se um dos nomes mais influentes do rock atual disse, quem somos nós pra desdizer? 😉

    Dica do Marcelo Wolfgang, que não é parente do Gaertner mas curte uma boa música!

  • Confira os vencedores do Prêmio RMC 2011

    Listas e premiações são abundantes na cena atual – parece que todo mundo quer eleger os melhores, mas a verdade é que poucas possuem prestígio. Uma das que vale a pena olhar é a do Prêmio RMC, que elege os melhores do ano em diversas categorias por um juri de embaixadores, e não pelo voto popular. Vale lembrar que nenhuma lista pretende alcançar uma verdade absoluta, são um resumo de opiniões de um certo nicho.

    Dito isso, vamos conhecer agora os 5 melhores em cada categoria, segundo o Rio Music Conference:

    Melhor produtor/remixer

     

    • 1º – Gui Boratto
    • 2º – Tiko's Groove
    • 3º – Memê
    • 4º – Dubshape
    • 5º – Wehbba

    Track do ano

    • 1º – Gui Boratto – This Is Not The End
    • 2º – Felguk – Jackit!
    • 3º – Tiko's Groove – Don't Know What To Do
    • 4º – Dubshape – Every Cow Has A Bird
    • 5º – Copacabana Club – Just Do It 

    DJ do ano

    • 1º – Mau Mau
    • 2º – Mario Fichetti
    • 3º – Carlo Dallanese
    • 4º – Fabrício Peçanha
    • 5º – Renato Ratier 

    DJ Revelação do ano

     

    • 1º – Ricardo Estrella
    • 2º – Gromma
    • 3º – Renne Mussi
    • 4º – Marie Bouret
    • 5º – Pic Schmitz 

    Live Act do ano

    • 1º – The Twelves
    • 2º – Life is a Loop
    • 3º – Ask2Quit
    • 4º – Hands Up
    • 5º – Dexterz

    VJ do ano

    • 1º – Vagalume
    • 2º – Toshiro
    • 3º – Leo
    • 4º – Cadu Del Toro
    • 5º – Axell

    Tour internacional

    • 1º – David Guetta
    • 2º – Sharam
    • 3º – Erick Morillo
    • 4º – Kaskade
    • 5º – Avici

    Club (até 1000 pessoas)

     

    • 1º – D-Edge (São Paulo/SP)
    • 2º – Club Vibe (Curitiba/PR)
    • 3º – Confraria Club (Florianópolis/SC)
    • 4º – Beehive (Passo Fundo/RS)
    • 5º – Disco (São Paulo/SP)

    Superclub (mais de 1000 pessoas)

    • 1º – Warung Beach Club (Itajaí/SC)
    • 2º – Pacha Floripa (Florianópolis/SC)
    • 3º – Clash Club (São Paulo/SP)
    • 4º – Green Valley (Camboriú/SC)
    • 5º – Privilège (Búzios/RJ)

    Agência de artistas

     

    • 1º – 3plus
    • 2º – DJcom
    • 3º – Tune
    • 4º – Hypno
    • 5º – Entourage

    Agência de eventos

    • 1º – No Limits (XXXperience)
    • 2º – Grupo Green Valley
    • 3º – Dream Factory (Rock In Rio)
    • 4º – ID&T (Skol Sensation, Mysteryland, One Rio)
    • 5º – XYZ (UMF Brasil)

    Veículo especializado em música eletrônica

     

    • 1º – Mixmag
    • 2º – House Mag
    • 3º – PorraDJ
    • 4º – Electro Mag
    • 5º – Bate-Estaca

    Jornalista especializado

     

    • 1º – Camilo Rocha
    • 2º – Claudia Assef
    • 3º – João Anzolin
    • 4º – Jesus Light
    • 5º – Ronald Villardo

    Festival de música eletrônica

    • 1º – MOB Festival
    • 2º – UMF
    • 3º – SWU
    • 4º – Rock In Rio
    • 5º – Tribe 

    Escola para DJs

    • 1º – AIMEC
    • 2º – DJ Ban
    • 3º – DJ Lab
    • 4º – IATEC
    • 5º – D-Edge

    Personalidade do ano

    • 1º – Renato Ratier
    • 2º – Sandro Horta
    • 3º – Bazinho Ferraz
    • 4º – Camilo Rocha
    • 5º – Edo Van Duyn
  • Mercado da música eletrônica cresce estratosfericamente em 2011

    Quem frequenta a cena já sentia isso ao longo do ano, mas agora é oficial: a retomada da cena eletrônica está acontecendo – e está forte. Os números apresentados pelo Rio Music Conference são incríveis, e deixam claro que investir em música eletrônica é um bom negócio sim.

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    Segundo o anuário do RMC, a arrecadação total passou de R$ 1,06 bilhão em 2010, para R$ 1,95 bilhão em 2011, é quase 100% de crescimento! O público dos clubs e festivais também cresceu: de 12,5 milhões no ano retrasado, para 19,5 milhões no ano passado – 56,6% a mais. Esse crescimento acabou impactando também o bolso dos artistas e o interesse dos patrocinadores: o investimento total com cachês passou de R$ 54,3 milhões em 2010, para R$ 97,8 milhões em 2011, e os patrocínios passaram de R$ 288 mi em 2010 para R$ 460,8 mi no ano seguinte (contemplando patrocínios em dinheiro, bonificação em bebidas e permutas de mídia). Confiram os gráficos:

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    Além dos números, os grandes eventos também demonstram esta crescente. Além dos nacionais estarem com força total – XXXperience e Club Vibe trazendo The Prodigy, Tribe retornando triunfalmente com a festa mais aclamada do ano, Kaballah introduzindo Sven Vath, Vitalic e Boys Noize na cena open air, Green Valley, Warung e D-Edge colecionando prêmios mundiais, a invasão de gringos mostra como o mercado aqui é promissor: Ultra Music Festival e Creamfields já completando alguns anos com edição brasileira, Lollapalooza e Sónar investindo por aqui em 2012 e principalmente a abertura do escritório tupiniquim da ID&T, que traz o Sensation, trará Mystery Land para cá e criará a nossa própria spin off One Rio, são só meros exemplos de investimento internacional na nossa terra.

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    A atenção da grande mídia nacional para a cena também é termômetro: temos o exemplo da Kaballah, que colocou Sven Vath na capa da Veja São Paulo, o filme Paraísos Artificiais, que vai levar este cenário para as telas do cinema e o G1 (portal de notícias da Globo), que noticiou hoje esta mesma notícia que você está lendo agora.

    Diante disso, só nos resta dizer que o futuro é muito promissor. Ao menos até 2016 (período que engloba Copa do Mundo e Olimpíadas) o nosso mercado terá todos os holofotes do mundo voltados para ele. O nosso papel agora é aproveitar esses 4 anos para fazer um bom trabalho, que possibilite que a partir de 2017 o país se mantenha na rota dos grandes festivais e DJs.

  • Fedde Le Grand cancela tour brasileira no carnaval

    O DJ holandês Fedde Le Grand anuncia que está cancelada sua tour pelo Brasil no próximo carnaval. No último mês ele passou por um processo cirurgico de urgência, e infelizmente sua recuperação não foi rápida o bastante para possibilitar sua vinda ao país na próxima semana.

    Ele se apresentaria sábado no Green Valley, domingo na Masquerade Party em Florianópolis e segunda-feira no Rio Music Conference. Os eventos já buscaram os substitutos para o holandês: Abel Ramos em Camboriú, Richard Grey em Floripa e Felix da Housecat no Rio de Janeiro. Uma pena, mas infelizmente essas coisas acontecem. Melhoras ao DJ!

    Via e-sets.

  • Skrillex leva 3 Grammys e carimba o nome na história da e-music

    Haters já estão odiando, mas o inevitável aconteceu: domingo aconteceu o 54º Grammy Awards e Soony Moore, vulgo Skrillex, levou 3 dos 5 prêmios a que foi indicado.

    O californiano abocanhou o prêmio nas 3 categorias voltadas para a música eletrônica a que foi indicado: melhor remix com a sua versão para Cinema, do Benny Benassi, e melhor canção dance/eletrônica e melhor álbum dance/eletrônica com Scary Monsters And Nice Sprites. E agora relembro o que falei quando noticiamos as indicações: ele e seu complextro podem não ser dubstep, ou até mesmo não ser uma música admirável, mas sem dúvidas estão abrindo portas para a e-music pelas quais os grandes artistas poderão passar nos próximos anos.

    Acredito que antes de nos distinguirmos em techno, house, trance, dubstep, complextro e afins, todos somos da música eletrônica, e tudo o que alguém deste estilo conquista é nossa conquista. Sendo assim, parabéns Skrillex! Chegou aonde só gente do nível de Chemical Brothers e David Guetta já chegaram!

    E agora só nos resta esperar sua apresentação no Lollapalooza Brasil em abril, para que o complextro invada nosso país, como já fez no hemisfério norte! Com a ajuda do Steve Aoki, que está bookado na XXXperience Curitiba e Kaballah Festival no mesmo mês e também toca bastante dubstep/complextro no set, podemos esperar uma revolução na cena neste ano de 2012!