Após um opening em grande estilo, a Terraza BC se prepara para sediar sua segunda festa. No próximo dia 29 sobem ao palco do club de Balneário Camboriú [SC] os DJs residentes Antonela Giampietro e Guilherme Konnin. A dupla fará as honras da casa para ninguém menos que Renato Cohen e Mau Mau. Os DJs paulistanos trazem na bagagem uma história estreita com a música eletrônica nacional. Renato Cohen se apresentou em importantes festivais internacionais, como o Dance Valley, na Holanda, I Love Techno, na Bélgica, e Love Parade, na Alemanha. E é ele quem fala com exclusividade ao detroitbr sobre sua carreira e as expectativas para a apresentação de sábado no litoral catarinense.
Qual foi o marco inicial da tua carreira. O que mudou de lá para cá?
Eu não diria que foi o marco inicial, mas depois que a minha musica Pontapé estourou no mundo inteiro em 2001 as coisas mudaram bastante pra mim.
E uma festa inesquecível…
Dificil pensar em uma só. São tantos anos com festas tão especiais de formas diferentes. As que me vem logo à cabeça são o Skol Beats de 2002, a festa Caligula em Londres e a festa Poperô que eu fazia em São Paulo. Esta era de graça num porão da Rua Augusta e teve edições históricas.
Qual situação mais inusitada ocorreu com você durante uma gig?
No Lançamento do meu álbum, no club Womb, em Tóquio, a polícia fechou a festa por causa de barulho. O clube esvaziou mas metade do público ficou escondido numa pista menor incluindo eu e os outros DJs. Ficamos todos em silêncio por uma hora, fingindo que o club já estava vazio até a policia ir embora pra ligar o som e começar tudo de novo. Foi bem surreal.
Em alguns centros do país, gêneros como o pop tem invadido as pistas que antes eram exclusivamente eletrônicas. Como você vê este movimento?
A musica eletrônica sempre tem altos e baixos, é normal. Quando parece que a coisa vai encolher até acabar, ela volta com mais força. Nos meus quase 20 anos de carreira, eu já vi esse ciclo se completar algumas vezes. A musica eletrônica comercial, de alguma maneira sempre vai trazer um público novo, que não conhece muito de música, mas vai acabar se interessando por coisas melhores. A longo prazo acho que isso acaba ajudando.
Você prefere se apresentar em superclubs, festivais ou prefere os inferninhos?
A energia que é gerada quando voce toca para uma multidão é uma coisa bem legal, mas eu prefiro os lugares pequenos e intimistas, onde a música acaba tento uma força muito maior sobre as pessoas.
Quais são suas inspirações para produzir? E os próximos projetos?
Acho que minha inspiração vêm de tudo que eu escuto em casa. Ainda sou um comprador compulsivo de vinil. Escuto muita coisa dos anos 70, 80 e 90. Muito House de Chicago, Disco, Krautrock, Instrumental Brasileiro, Dub, Jazz. Ultimamente tenho ouvido muita Disco e Boogie japonês, Post Punk e New Wave. Tenho alguns projetos em parcerias com amigos. No momento estou terminado um EP junto com o Wehbba para o selo do Dudu Marote, o Ganzá.
Fale um pouco de tocar ao lado de Mau Mau. A dobradinha é inédita em SC.
A primeira vez que eu fui num clube ouvir Techno era o Mau Mau que estava tocando . Ele foi uma influência muito grande para mim desde o começo. A gente já tocou juntos muitas vezes e hoje em dia somos amigos, mas eu me lembro da primeira vez que dividi cabine com ele. Penso que foi em 1999. Eu fiquei tão nervoso que nao conseguia colocar a agulha no disco.
Qual recado você deixa para quem for vê-los tocar dia 29 na Terraza, em Balneário Camboriú?
Como eu estou esperando a mesma energia da Terraza de Floripa, aposto que vai ser uma noite intensa e animada.