Warung comemora 12 anos com mais de 12 horas de festa

Dando continuidade ao feriado da república, no sábado o Warung Beach Club realizava a segunda parte da sua comemoração de aniversário. Dessa vez nossa equipe estava reduzida, já que para a maioria o line-up do dia 7 era muito mais atrativo, mas ainda assim alguns de nós estavam lá para conferir a parte desta data que nos interessava. A festa começou cedo: às 18:00 o club já estava aberto (e estaria às 14:00, se não tivesse enfrentado resistência dos moradores da região), no entanto, optei por preservar energias para a madrugada (lembrando que no dia anterior eu estava no Dream Valley), e cheguei à casa pouco antes das 22:00.

E ao chegar lá, a primeira grande surpresa: absolutamente nenhuma fila de carros. Quando chegamos ao Canto do Morcego até cogitamos a possibilidade da festa ter sido cancelada, de tão vazia que estava a Brava – nem mesmo os indesejáveis que passam a noite ali ouvindo música ruim ingerindo bebidas de baixa qualidade se faziam presentes! Chegando ao estacionamento descobrimos que não, a festa não foi cancelada, o que significa que o novo horário foi um sucesso, ao menos do ponto de vista logístico. Já dentro do club, a segunda surpresa: apesar do sold out anunciado previamente, não se tratava daquele sold out que todos odiamos, no qual o club se torna uma simulação de lotação na hora do rush. O Garden era sem dúvidas o stage mais cheio, com bastante gente até na área atrás do palco, e o Inside era o que preferi chamar de paraíso. Com menos gente do que na noite de Hawtin e Gaiser, conforto e frescor eram os melhores adjetivos para o ambiente. Inclusive nesta festa pude perceber o que provavelmente foi uma das razões para a mudança de nome: já que o ambiente é mais apropriado para o techno e o estilo não é o que mais leva público, nada mais justo do que tirar dele o título de “Main Room” e deixar o Garden aos poucos assumir o posto de “palco principal”. OK, o saudosismo talvez dificulte nossa aceitação para isso, mas se pensarmos bem, foi a melhor decisão.

 

Partindo agora para a análise artística, vamos falar da parte que pudémos apreciar com a atenção necessária, e o senso crítico ligado. Adentramos a pista Inside pouco depois da meia-noite, quando Tale Of Us já estava tocando. Quem acompanha nosso site com certeza leu o review A Fábula de Tale Of Us no Templo, que escrevi relatando a passagem deles pelo club em maio. Naquela ocasião eles executaram um set de 4 horas com a maestria que pouquíssimos artistas com o tempo de carreira deles é capaz de fazer – eu que nunca fui de acompanhar o trabalho da dupla me tornei fã incondicional. No entanto no aniversário eles não eram headliners e tinham apenas 1:30 para tocar, e souberam se adaptar ao meio. Um set sem tantos picos emocionais, mas com uma bela seleção de tracks e uma condução tranquila e sábia – começamos a noite com o pé direito!

Na sequência foi a vez de mais um repeteco do ano: o live de Paul Ritch. O francês começou bem, um pouco mais pesado do que o final dos italianos, no entanto não conseguiu segurar a barra. Seu som reto e pouco dinâmico acabou se tornando monótono comparado às belas harmonias de Karm e Matteo, e mesmo tendo apenas 1 hora de live, era visível a perda de foco da pista no final. Sua apresentação porém teve um efeito muito positivo na noite: influenciou Sasha, que seria o próximo a tocar e viria a ser o nome da noite. O galês era uma das maiores incógnitas da noite, por duas razões: primeiro por ser um DJ de progressivo, um estilo que demanda longas apresentações para fazer sua arte aflorar (vide Hernán Cattaneo e suas longas madrugadas no templo); segundo por que além do seu som ser progressivo, ele é extremamente intimista e desacelerado. Como um DJ desses se sairia tendo um set de apenas 2 horas, entre Paul Ritch e Maceo-hype-Plex?

 

E foi aí que vimos o peso que a experiência e o talento tem numa hora dessas. Como Ritch havia tocado uma hora inteira de techno pesado, Sasha optou por manter o peso, mas sem abandonar sua raiz progressiva e melódica. O resultado foi uma primeira hora de set surpreendente e maravilhosa. Com a pista toda nas mãos (e ela começou a crescer, tanto pela qualidade do que estava sendo apresentado como pela chegada dos fãs de Plex guardando lugar), aos poucos ele foi reduzindo o ritmo, até concluir sua apresentação exatamente do jeito que todos acharam que seria ela inteira: intimista e melancólica.

 

Neste ponto a noite já tinha valido a pena, mas ainda tinha um último DJ para tocar, que por acaso era a grande estrela da noite, aguardada há anos. Emitir uma opinião sobre essa apresentação de Maceo Plex é um tanto difícil: foi um set bem construído, os hits Crossfade e a série Conjure foram tocados (para o delírio dos fãs) e a pista não parou um minuto. Só faltou uma coisa: surpreender. Quem passou o ano acompanhando o trabalho dele na ENTER, como nós, ficou duas horas em um permanente estágio de deja vu. Óbvio que não tenho dados exatos, mas eu seria capaz de apostar que 80% das track que ele tocou no Warung estavam presentes em algum dos seus sets gravados e divulgados ao longo do ano. Talvez ele tenha guardado as relíquias pra soltar no after, já que logo após o termino da festa ele já estava tocando em outro evento. Como não fomos conferir, voltamos pra casa com esse gostinho de “queria mais”.

E assim concluímos mais uma jornada no templo da música eletrônica. O Garden ainda reservou muitas emoções para quem gosta de gangsta e deep house, vide a apresentação de Sharam Jey e Jamie Jones, mas como esta não é a nossa praia, nos limitamos a relatar o que aconteceu no Inside – que mais uma vez, foi muito bom!