A noite do dia 4 de julho foi mais uma daquelas noites de inverno em que o Warung nos surpreende. A primeira noticia positiva se deu através da curadoria da noite, que fez um belo strike com a divulgação dos horários do line-up. Uma das coisas que sempre defendemos neste assunto é a equidade artística, esse equilíbrio é fundamental para que a noite renda boas experiências ao público. Nesse quesito que o clube acertou, atingindo diferentes tipos de públicos que se dividiram entre o Inside e Garden. Ao longo da festa a lotação esteve em um nível agradável, com uma divisão ideal em ambos os stages, que eram duas pistas bastante confortáveis, mas sem perder a energia. No palco em que a nossa equipe ficou a maior parte do tempo, pudemos ver uma articulação muito bem feita por Gromma, Boghosian e Mind Against.
Abrindo a noite, Gromma mais uma vez nos surpreendeu. Digo isso pois recentemente o vimos tocar no Terraza, com uma proposta bem diferente da apresentada no templo, mostrando que seu repertório é vasto, mas sem perder sua identidade. Essa flexibilidade musical tornou-se possível devido à versatilidade do artista, que mais uma vez norteou-se pelo house e pelo techno, criando bons momentos dentro de uma construção consistente. O primeiro ápice da noite aconteceu quando ele tocou um remix de Kerri Chandler para Westwind, de Nina Simone, artista de jazz/blues dos anos 60. Outro momento marcante foi quando rolou o remix de XDB para Angels of Night, de Lawrence, enquanto a pista era preparada para Paulo.
Com a entrada de Boghosian, o Inside ganhou mais peso. Sua apresentação foi dinâmica, passando por variações que dividem o set em três partes, que foram essenciais para que o headliner pudesse ter uma boa atuação. Na primeira, sonoridades voltadas pro tech-house, com uma personalidade mais séria, e sendo intensificadas conforme sua apresentação evoluía. A cada passada de música era nítida a euforia nos presentes, bem como o controle e feeling de pista do artista. Na segunda parte o techno foi predominante, em uma transição muito bem elaborada. Próximo ao fim, a terceira parte surge com características melódicas, o que se aproximava da linha musical do próximo artista. Em sua última música o savage arrematou o segundo grande momento da noite: uma versão de Signs do artista Howling, que colocou a pista abaixo. Após um warm up sob medida, era só Federico e Alessandro derrubarem os pinos restantes e correrem para o abraço do público, que aguardava ansiosamente sua entrada.
Logo na abertura já foi possível notar a identidade do duo, com bastante melodia e timbragens impactantes, além de sua técnica apurada, combinação que fez com que o público vibrasse com frequência. A apresentação seguiu uma mesma estética do começo ao fim, hipnotizando os presentes. Foi durante esse transe coletivo que surgiu o terceiro grande momento da festa: A música REJ, do artista Âme – um clássico de música eletrônica. Com a ausência da super-lotação e este ótimo trabalho da curadoria, de tudo o que foi presenciado no Main Room nesta festa apenas um fator pode ser citado como negativo: o sound system, que parecia estar com intensidade aquém do que foi presenciado nas festas anteriores.
Quanto ao Garden, nas poucas vezes que o visitei pude ver um Leo Janeiro diferente do seu tradicional, tocando um som elaborado e acessível para os presentes, comentário que se estende a Lauren, headliner do stage. Agora todas as atenções miram no dia 18 de julho, data em que o templo recebe o showcase da 24bit no Garden e da Maeve no Inside, com Mano Le Tough, Baikal e The Drifter, com warm-up do nosso residente Danee.
Fotos: Gustavo Remor e Juliano Viana / IMAGECARE.