Categoria: Cena

  • Dubfire visita o Brasil em tour marcante no mês de maio

    Durante o mês de maio Ali Dubfire esteve no Brasil para uma tour na qual visitou 4 cidades: Brasília na quinta, Curitiba na sexta, Itajaí no sábado e São Paulo no domingo. Nossa equipe esteve presente em dois destes eventos: Club Vibe, na capital paranaense, e Warung Beach Club, no litoral catarinense.

    Club Vibe, por Mohamad Hajar

    A estreia de Dubfire no clubinho foi uma surpresa para todos, inclusive para os donos da casa. Isso porque o cachê dele extrapola os limites orçamentários do club, que possui capacidade para apenas 350 pessoas. No entanto, o interesse partiu do próprio artista, que disse ter recebido bons relatos de amigos que haviam tocado lá recentemente e cobrou um valor simbólico, possibilitando à casa a realização de uma noite ímpar em seu currículo.

    Para nós o momento era especial também: seria a primeira vez que realizaríamos um detroitbr em Curitiba, fato que infelizmente nos levou a chegar tarde na festa. Pegamos apenas o final do warm up da Aninha, que estava envolvente e contextualizado, exatamente o que se espera dela que é uma das melhores DJs em atividade no país. Fato reforçado com o contra-ponto vindo logo em seguida: Hector, revelação da SCI+TEC vinda a pedido do próprio Ali, precisou de poucos minutos para quebrar toda o clima criado pela brasileira, tocando um tech house previsível e sem sal. A insatisfação da pista era nítida, mas a presença de Dubfire no backstage manteve os ânimos calmos e não houve exaltação negativa, apenas constantes comentários ansiosos pelo início do headliner.

    Era aproximadamente 4 horas da manhã quando ele finalmente assumiu o comando dos decks. O salto de qualidade era nítido em todos os sentidos: a técnica impecável e inconfundível dele logo se fez presente e, aliada a uma boa leitura de pista e escolha de repertório, fez com que a pista estivesse pegando fogo em poucos minutos. Pudemos acompanhar seu set apenas durante as duas primeiras horas, que apresentaram uma boa progressão com bons momentos criados. No entanto, para quem já estava o vendo tocar pela 5ª ou 6ª vez, nada de surpreendente ou fora do que você espera dele. Saímos do clubinho às 6:15, para os preparativos finais do after, mas quem permaneceu nos informou que o mesmo clima foi mantido até as 8:20.

    À parte da análise musical, vale ressaltar que por mais que o set de Dubfire não tenha sido um “divisor de águas” a noite em si foi muito proveitosa e divertida, com música boa rolando na maior parte do tempo e com pessoas que estavam ali em busca exatamente desse tipo de diversão. Fazendo um paralelo, diria que ela foi um capítulo de destaque na série de “grandes noites da Vibe” que tivemos a oportunidade de presenciar neste ano, como Mind Against, Recondite e Gaturamo.

    Warung Beach Club, por Rodrigo Ribeiro

    No dia seguinte foi a vez do templo receber Ali, tendo ainda o Watergate Showcase como atração no mesmo dia. Apesar de recentemente ter ocorrido uma grande festa no club, o Diynamic Festival, o hype duplo era suficiente para que a casa estivesse cheia, principalmente pelos feedbacks positivos das apresentações dele em Brasília e Curitiba.

    Após um bom tempo no congestionamento, finalmente consegui entrar no club, mas não sem antes perder os warm ups, que estavam sendo feitos por Albuquerque no Inside e Diogo Accioly no Garden. Quando entramos fomos direto ao palco do jardim, a tempo de prestigiar o som de Matthias Meyer, que fez um ótimo set, com muita melodia e uma atmosfera hipnotizante. Faltando pouco tempo para a entrada de Ali, era hora de se dirigir ao Inside e se preparar para a abertura. Ainda foi possível acompanhar uma parte do set de Hector, atração que foi divulgada nos últimos dias que antecederam a festa. Assim como na sua última passagem pelo Warung, recebeu o trabalho de abrir a pista para Dubfire, porém, não chegou perto de ser um dos destaques da noite, apresentando um som sem causar grandes impactos na pista.

    Ali coleciona passagens pelo club, das quais algumas foram memoráveis, o que criou uma grande afinidade entre ele e público. Dubfire veio com a missão de superar as expectativas e fazer dessa mais uma noite histórica no templo da música eletrônica. Apesar de ter um estilo bem caracterizado nas suas apresentações ele conseguiu fazer um set diferenciado, misturando novidades com algumas músicas de artistas que normalmente fazem parte de seu repertório. Durante as horas em que esteve no controle da pista fez uma construção excelente, com músicas marcantes e mixagens de muita qualidade.

    No final gostaríamos de ter visto um pouco de Marcos Ressmann, mas o ídolo nos prendeu no Inside até o fim. Religiosamente como tem sido, o som parou às 7:00 e todos começaram a seguir seus rumos. After ou casa, uma coisa era comum à maioria: havia sido mais uma noite que atingiu as expectativas musicais do público presente nas duas pistas.

  • Sónar confirma edição São Paulo para 2015

    Já faz algumas semanas que diversos portais de informação sobre cena pop e alternativa divulgam o Sónar SP 2015 como confirmado, mas foi só há poucos dias que o site oficial incluiu a cidade no seu tour sul-americano do final do ano, entre os dias 24 e 28 de novembro. O line-up só será divugado no fim de junho, após a realização da edição principal em Barcelona, mas as especulações estão quentes: teoricamente o live de Chemical Brothers seria uma das atrações confirmadas, além da cantora Bjork (que furou em 2012 e abriu espaço para a vinda do Kraftwerk) e de Die Antwoord.

    Se tivermos como base a edição realizada em 2012, ou até mesmo o pré-line da edição cancelada de 2013, dá pra ter boas expectativas. Há três anos pudemos conferir em solo nacional grandes artistas como Justice, Modeselektor, James Blake, Jeff Mills entre outros. Já no ano seguinte nos foi prometido artistas como Nicolas Jaar, Darkside, Paul Kalkbrenner, o que pode dar esperanças de ver alguns destes no palco de 2015.

    Os ingressos deverão ser disponibilizados juntamente com o line-up, mas o padrão da última edição deve ser mantido: aproximadamente R$ 200,00 por dia, sendo dois de festa e dois de SonarPro, evento mais técnico, com workshops, painéis e outras atividades voltadas para quem vive o mercado da música eletrônica.

  • O crescimento da cauda longa na cena nacional

    O sucesso de pequenos núcleos e selos parece novidade para alguns no mundo da música eletrônica, mas o conceito que garante esta prosperidade é conhecido há mais de uma década. Estamos falando da Cauda Longa, termo utilizado em estatística para identificar distribuições de dados que sigam uma lei de potência, classificados de forma descendente. Se você já estudou sobre o funcionamento do mercado em Administração, com certeza já ouviu falar do Princípio de Pareto, que afirma que 80% das consequências advêm de 20% das causas. Graficamente falando, se colocarmos os produtos em ordem de popularidade — do maior para o menor — no eixo y e o volume de vendas no eixo x, vamos ter uma curva com convexidade decrescente, conforme ilustrado abaixo:

    O termo foi cunhado pela primeira vez em 2004, quando Chris Anderson escreveu um artigo para a revista Wired demonstrando que a internet estava mudando a realidade dos mercados que nela ingressavam, já que produtos de baixa demanda estariam coletivamente conseguindo alcançar fatias de vendas que rivalizavam ou excediam os poucos comercializados. Os primeiros segmentos a sentirem esse efeito foram exatamente os do entretenimento: se em outras épocas havia uma dominância das opções selecionadas e divulgadas pelas grandes gravadores e estúdios, atualmente a facilidade de catalogamento em sites como iTunes Store e Netflix tornou músicos e produtores alternativos mais acessíveis. Some a isso o fato de que redes como MySpace, Facebook, YouTube democratizaram a promoção destes artistas, e obtenha como resultado diversas opções independentes obtendo alcance estrondoso, como Arctic Monkeys e Atividade Paranormal.

    É importante ressaltar que tal teoria não representa a “vitória do underground sobre o mainstream”. Jornalistas empolgados e sensacionalistas utilizam este jargão para atrair leitores curiosos, mas a verdade é que este novo comportamento trouxe equilíbrio e sustentabilidade entre os dois tipos de produto. Se antes a maioria esmagadora do público só tinha acesso aos “big five major labels“, agora ele pode facilmente consumir o trabalho de novos talentos, aumentando a amplitude de conhecimento e fortalecendo a relação mantida com este tipo de arte. Com a crescente diversidade oferecida, as pessoas passaram a se especializar em estilos e vertentes específicas, criando assim diversos micro-nichos ávidos por conteúdo a ser consumido.

    Traduzindo isso para o ambiente da cena eletrônica nacional, temos grandes agências e superclubs agindo como trend setters, atendendo à grande demanda dos 20% iniciais do gráfico; enquanto que menores clubs e selos levam conteúdo para a outra parte, com cada um atendendo uma pequena parcela do total de adoradores dos 80% menos famosos. Note como eles podem coexistir: são produtos distintos para pessoas diferentes. Ao mesmo tempo em que os players da Cauda Longa “roubam” consumidores dos agentes principais, estes líderes trazem novos consumidores para o mercado global, tornando o processo um ciclo sustentável.

    A situação se torna ainda mais interessante se observarmos que pouquíssimas pessoas se deram conta do potencial que isto representa pro nosso país. Segundo Anderson a tendência é que a soma dos pequenos nichos atinja valores maiores do que o total das grandes empresas. Como isso está longe de ser realidade por aqui, subentende-se que existam ainda muitos nichos de consumidores desatendidos, aguardando o surgimento de núcleos que gerem conteúdo profissional e organizado para suprirem as necessidades destes segmentos em plena expansão.

    Publicado originalmente na 41ª edição da House Mag

  • Detroit Movement apresenta line-up completo de 2015

    O Movement Eletronic Music Festival não é apenas o festival favorito dos fãs de música eletrônica nos EUA, é um dos eventos historicamente mais importantes do ano. Mais do que um festival, o evento é a celebração das raízes musicais de Detroit, mais especificamente, o techno. Desde a sua criação em 2000, o festival Movement tem sido como um paraíso da dance music underground, onde iniciou sob os olhos de artistas como Juan Atkins, Derick May, Kevin Saunderson e MK (Marc Kinchen). 

    Em 2015 Richie Hawtin, DJ Snoopadelic e Dog Blood – o projeto de Skrillex e Boys Noize – serão os headliners, além de outros importantes artistas anunciados que incluem Disclosure, Tuskegee (Seth Troxler b2b the Martinez Brothers), Luciano e Dixon. Além deles, este ano o festival apresenta também muitos nomes de destaque do techno internacional, como já é praxe: Ben Klock, Marcell Dettmann, Loco Dice, Dubfire b2b Hot Since 82, Matador, Nina, Maya e muitos outros mais. Depois de anos colocando praticamente todos os nomes relevantes da cena em seus line-ups era difícil imaginar como o festival poderia melhorar seu nível de qualidade. No entanto, com o anuncio da fase 2, parece a organização conseguiu fazer exatamente isso: os pioneiros locais do gênero, Kevin Saunderson e Derrick May, vão tocar em b2b. Squarepusher traz seu live para o festival, enquanto as estrelas mais recentes como Paul Woolford, Gaiser, Maceo Plex e Brodinski foram adicionados à lista. Jimmy Edgar e Machinedrum unirão seus talentos para uma rara performance como JETS. 

    A organização do evento mais uma vez será do grupo Paxahau, que já mostrou nos outros anos a excelência no que faz. “O lineup deste ano é um grupo diversificado de lendas, heróis do underground e talentos novos que estão aparecendo, todos foram inspirados por Detroit em seu legado musical em algum momento de sua carreira”, disse em entrevista Chuck Flask, coordenador do grupo Paxahau. Amplamente abraçado pela cidade onde nasceu o techno, o Movement Eletronic Music Festival continua sendo um dos mais prolongados festivais de música independente no país. “Detroit define o tom para o mundo, e nós vamos ser muito cautelosos para qualquer coisa que nos é apresentado que não coloca a cidade em primeiro lugar”, diz o fundador do Paxahau, Jason Huvaere.

    Neste ano eu estarei lá, representando o detroitbr. Participar desde festival será a realização de um sonho, por mais que temos em nossa cena catarinense a possibilidade de ouvir muitos desses nomes, a experiência de participar de um festival internacional dessa proporção ficará marcado pra toda a minha vida. Estou ansioso para saber os horários e conseguir montar o meu lineup, infelizmente não dá para se dividir e ouvir todas as pistas ao mesmo tempo, mas meus ouvidos estarão atentos artistas como The Saunderson Brothers, Damarii e Dantiez – os filhos de Kenvin Saunderson – estão seguindo os passos do pai e tem mostrado o talento está no sangue. 

    O Movement 2015 será realizado de 23 à 25 ​​maio no Detroit Hart Plaza, uma das praças mais importantes de Detroit que fica na beira do Detroit River, esse que faz divisa com Windsor no Canadá, cidade onde Richie Hawtin cresceu depois que veio com os pais da Inglaterra. Os ingressos podem ser adquiridos neste site.

  • Assista 10 documentários sobre Detroit, a meca do techno

    Que Detroit é uma cidade que carrega uma mística no meio techno, não é nenhuma novidade para nós. Como consequência disso, nenhuma outra cidade na história da música vem sendo tão documentada. Isso para nós, espectadores apaixonados da cena, é um belo presente! Segue abaixo uma lista com os 10 melhores documentários de Techno Detroit, todos eles disponíveis e sem custo, para todo detroiter poder se apaixonar e reapaixonar quantas vezes quiser:

    Real Scenes: Detroit

    Em primeiro, e merecido lugar, está o Real Scenes: Detroit. Abordando a cena mais atual, sua regeneração e crescimento, este documentário produzido pelo Resident Advisor mostra a incrível realidade do Detroit Techno, deixando pra trás sua história passada e decadência pós industrial.

    Detroit: Blueprint of Techno.

    Produzido há alguns bons anos atrás e com apenas 25 minutos de duração, Blueprint of Techno é um documentário super aprofundado, com imagens de muitas figurinhas conhecidas da cena, como por exemplo Terrence Parker, e muito mais.

    Slices – Pioneers of Electronic Music: Richie Hawtin.

    Por mais que ele tenha passado a maior parte da sua formação do outro lado do rio, em Windsor, é impossível falar de Detroit Techno sem citar o nome que o disseminou pelo mundo: Richie Hawtin. Este é um documentário que olha para trás na vida e carreira do artista, e mostra como foi sua passagem para a Europa nos anos de 2000.

    Belle Isle Tech

    Produzido por Ari Marcopoulos, famoso fotógrafo de skatistas, Belle Isle Tech é um filme com um trecho da vida real dos reis do guetto-tech (senhores; isso não tem nada a ver com o G-house de hoje), DJ Assault e Mr. De, em um giro por Detroit, contrastando sua origem, num estúdio humilde em casa, com uma super festa em um cruzeiro na cidade de Belle Isle.

    Universal Techno

    Produzido na França em 1996, com uma hora de duração, este documentário mostra o impacto de Detroit, no exterior e no mundo. E tem muitos dos principais nomes do Techno, conhecidos até hoje, muito bem representados. Jeff Mills é um exemplo…

    Modulations 

    Modulations, apesar de ir além do âmbito “Detroit”, mostra várias raízes desse meio em vários outros locais, e ainda tem cenas incríveis de Derrick May, Juan Atkins, Eddie Fowlkes e muito mais! 

    Current TV’s – Underground Resistance episode

    Documentário criado pela Current TV que retrata a realidade dos anos 90, foi criado com a intenção de pregar o verdadeiro lado underground de Detroit em questão musical, numa tentativa de perturbar a industria dominante na época. 

    High Tech Soul

    Este documentário faz uma mistura do social, com o musical. Olhando para Detroit com olhos de quem sabia que a cidade seria uma grande indústria de música boa, e mostra nomes conhecidos, mas não menos importantes para a cena.

    Techno City 

    Produzido em 2001, Techno City ficou pouco conhecido. Lendas como Carl Craig, Stacey Pullen, e Kenny Larkin conduzem boa parte dessa turnê, que atinge seu ponto mais alto na segunda edição do Detroit’s Eletronic Music Fest. 

    Detroit Techno & The Eletrônic Music Festival

    Este documentário trata sobre 15 anos do Detroit’s Electronic Music Fest, hoje conhecido como Movement. Em 03 partes ele faz uma retrospectiva do festival, desde o início (no ano 2000), até sua solidificação, uma década depois. 

    Fonte: Beatport.

  • Pedreira Paulo Leminski recebe segunda edição do Warung Day Festival

    A Pedreira Paulo Leminski é um dos mais tradicionais centros de eventos de Curitiba. Ao longo da sua história recebeu shows muito importantes para a cena musical da cidade, como AC/DC, Paul McCartney, Pearl Jam, além de eventos de outros estilos musicais, como festivais de reggae e até mesmo uma edição do Creamfields, em 2004. Entre 2008 e 2013, no entanto, ela esteve fechada, por conta de uma ação judicial movida pelos vizinhos. Foi apenas no ano passado que retomou as atividades, contemplando a música eletrônica ao abrigar o Warung Day Festival, que teve sua primeira edição realizada em maio.

    O festival foi um sucesso: o ambiente “natureza em meio à cidade” remeteu bastante ao clima do templo, o line-up agradou a diversos gostos sem perder a característica da casa e outros detalhes você pode conferir no review que fiz para o Psicodelia.org. Tanto foi que o evento cresceu um palco, e abrigará quase 40 DJs em seu line-up. Os destaques ficam por conta de Sasha, que surpreendeu no último aniversário do Warung, Seth Troxler, uma das estrelas do carnaval, Marc Houle e Troy Pierce, em um revival parcial do showcase da Items & Things, além das novidades Agoria e The Martinez Brothers. Além deles, vale citar também a escalação de Nastia para encerrar o Pedreira Stage, algo que os fãs estão aguardando desde que ela não pôde se apresentar no palco principal da Tribaltech.

    A ala nacional do line-up também está repleta de destaques: o live de Gaturamo é uma das melhores novidades que a cena techno nos trouxe recentemente, além dos sempre bem construídos sets de Stekke, Ney Faustini, Gromma, e do time de residentes do templo, que agrega grandes talentos como AninhaBoghosian. Algumas sonoridades mais comerciais também se fazem presente, como Kolombo e Vintage Culture, que deverão agradar a outra parcela do público que se fará presente.

    O festival acontece no próximo dia 21, sábado, com início marcado pras 11:00 da manhã. Os ingressos estão a venda pelo Alo Ingressos e pelo Blueticket, e existe um serviço de transporte oficial atendendo Curitiba e diversas cidades de Santa Catarina, prestado pela Transpassaporte.

  • Uma aula de música em pleno carnaval, por Carl Craig

    No último carnaval o grupo Terraza Music Park trouxe para o sul do país uma das maiores lendas do techno. O primeiro e o último dia do carnaval, em Florianópolis e Balneário Camboriú, foram comandados por Carl Craig, detroitiano com quase 30 anos de história. Seus sets foram recheados de referências históricas, para ouvir cada música que citamos basta clicar na primeira vez que o nome dela aprece no review 😉

    Florianópolis

    O carnaval começou e as condições climáticas não inspiravam empolgação. Uma chuva intensa castigou o litoral catarinense durante toda a noite, bloqueando estradas e atrasando o início da festa em 2 horas. Era passado de meia-noite quando entramos para conferir o warm up que o residente Ricardo Lin estava fazendo. Diante de toda a situação, a sua história teve que ser encurtada, e ele já apresentava uma sonoridade mais dançante. Em seu repertório, um pequeno presságio do que viria: Knights of the Jaguar (Underground Ressistance), clássico do techno.

    Seguindo com a noite, era a vez de Mau Mau. O brasileiro apresentou um som dinâmico e muito dançante, a pista pegava fogo enquanto ele tocava. Em seguida foi a vez de Renato Cohen, que como de costume, soube assumir muito bem a pista deixada pelo colega. Seu set foi mais puxado para o techno e tech house, com bastante valorização para sonoridades mais old school. Enquanto ele tocava vimos um dos momentos mais divertidos da festa, quando Mau Mau curtia na pista, junto com o público.

    Era passado das 5 da manhã quando a grande atração da noite subiu à cabine. Ao ver Carl Craig tocar, a primeira coisa que se nota é a sua postura, extremamente séria e concentrada. Cada movimento dele em direção a um knob ou fader parece milimetricamente calculado, assim como seus atos dentro do set, executado em 4 decks, mesclando tracks e samples de maneira impecável. No seu repertório, uma verdadeira aula de história da música e da arte. O seu primeiro momento marcante foi ainda durante a noite, quando sorrateiramente inseriu Also Sprach Zarathustra (o tema de 2001: Uma Odisseia no Espaço) no set, devolvendo o groove para o pista logo em seguida com o seu próprio remix para Use Me Again, de Tom Trago.

    Esta primeira parte da apresentação foi predominantemente dançante, tendo até música do Maceo Plex sendo tocada de uma forma surpreendente. Com o amanhecer clássicos como Behind The Wheel (Depeche Mode), J.A.N. (Moodymann) e Knights of the Jaguar (The Aztec Mystic) em versão remixada sem batida davam a impressão de que o set iria acabar, mas quem conhece o Terraza de Florianópolis sabia que a festa iria longe ainda.

    E foi a partir daí que o set atingiu níveis de genialidade que somente um artista com a bagagem de Craig poderia proporcionar. A primeira grande bomba foi Lovely Day, um soul dos anos 70 que deixou a pista sem entender nada, mas empolgada e dançando, principalmente diante dos primeiros sorrisos e gestos mais soltos do maestro da noite. Quando a música acabou, muitos aplausos, interrompidos pela famosíssima melodia de Seven Nation Army, do White Stripes. Desta vez a perplexidade do público foi tanta que Carl pegou o microfone pela primeira e única vez na noite e justificou em apenas uma frase: “Vocês talvez não saibam disso, mas esta é uma genuína música de Detroit”.

     

    Nos minutos que se seguiram, pode-se ouvir não um dos milhares de remixes fanfarrões que esta pobre track possui, mas sim um simples edit, bastante fiel à versão original, mas com um final mais energético, que foi a ponte perfeita para que ele voltasse para a tradicional batida reta 4×4 a ~120 bpm, e prosseguisse com a segunda parte do seu set. Deste momento em diante, o clima era outro, ainda mais intenso. A pista estava completamente entregue, nas mãos de um Carl Craig sorridente e nitidamente feliz por estar tocando ali. Ainda houve tempo para outros picos, como quando o remix dele mesmo para Your Love Will Set You Free, de Caribou, foi tocado, ou no finalzinho, quando o remix de Ricardo Villalobos para Everywhere You Go emocionou cada um dos presentes.

     

    Era quase 8:30 da manhã quando a festa acabou. Sem fôlego e com a alma lavada, toda a legião detroiter saiu do Terraza satisfeita por ter presenciado um dos melhores sets do estilo já apresentados no país, e triste por saber que ainda era o segundo dia de carnaval e dificilmente outra coisa nos surpreenderia novamente.

    Balneário Camboriú

    Depois de quatro dias de muita música e diversão, ainda havia uma reserva de energias para acompanhar o ídolo em sua segunda gig na região, no Terraza BC. Infelizmente o costumeiro recesso da quarta-feira de cinzas não aconteceu neste ano, fazendo com que a festa tivesse um público reduzido (o que pelo menos garantiu uma pista menos apertada e mais interessada). A festa começou com Antonela Giampietro, e a residente da casa mais uma vez mostrou que warm up não é a sua praia. Seu set foi dançante e construído com boas tracks, mas inadequado para o horário. Pontualmente as 2 da manhã nosso residente Danee assumiu a pista, e começou a história novamente do zero.

    Preparar a pista para um grande artista é uma das especialidades de Daniel, que já executou este trabalho com louvor para artistas como Hernán Cattaneo e Troy Pierce no Warung. Para esta festa no entanto, houve uma preparação especial. Carl Craig é uma de suas maiores referências na música, tocar antes do ídolo era uma tarefa na qual ele não poderia dar menos que seu máximo. E o resultado foi digno de todo o esforço: conquistou a pista em poucos minutos e com uma construção progressiva e cadenciada, sem hits ou tracks coringa, conduziu a pista para o estado de espírito adequado para receber a obra que viria a seguir. Pontualmente às 4 horas da manhã o americano já estava no palco, e assumiu o posto sob fortes aplausos do público.

    Bem, para quem estava em Florianópolis é claro que a emoção não foi tão grande – o que não significa que o set pecou em qualidade. A construção foi diferente: em BC Craig explorou menos clássicos e hits, e apresentou uma sonoridade mais housada. No entanto a hipnose da pista era semelhante à de quatro dias antes, e alguns momentos chave foram repetidos, como o tema de 2001, Conjure Superstar e Depeche Mode. Uma das novidades desse set é que Knights of the Jaguar não foi tocada, mas o seu papel foi desempenhado por outro clássico: um remix desconhecido para Black Water, do Octave One com vocais de Ann Saunderson. Outra novidade é que aqui, infelizmente, o climax do set marcou mesmo o seu fim: a track Lovely Day foi tocada poucos minutos antes da festa acabar, mas não sem antes dar brecha para momentos de deixar a pista com cara de espanto, como com um dubstep de deixar qualquer Skrillex no chinelo.

     

    Neste momento já era quarta-feira, e ao sair do Terraza BC custávamos a acreditar que o carnaval havia acabado. A satisfação era imensa, pois estas duas memoráveis apresentações de uma lenda detroitiana coroaram um feriado marcante para cada detroiter que reside na região.

  • Estrangeiros atendem às expectativas, mas brasileiros são o destaque do carnaval do Warung

    Sexta-feira 13/02, por Thiago Silva

    Um dos momentos mais aguardados pelos consumidores de música eletrônica no Brasil com certeza é o carnaval. Durante os dias de folia o país todo recebe artistas internacionais de peso, e o litoral catarinense é um dos principais destinos deles. O Warung em sua primeira noite iria receber o lendário Pete Tong, o criador do aclamado Essential Mix era uma novidade aguardada com ansiedade no Brasil. Infelizmente por motivos pessoais o britânico cancelou seu tour pelo país e, para substituí-lo, a curadoria do club trouxe um velho conhecido das cabines: H.O.S.H.

    A previsão do tempo era de chuva e inevitavelmente a mesma se fez presente durante horas, mas o mau tempo não afugentou os frequentadores da casa. Fabo foi quem iniciou os trabalhos na pista principal, transitando entre deep house e tech house o curitibano se manteve dentro de sua linha de conforto e deixou o público pronto para a estreia do duo Andhim. Ao mesmo tempo, o Garden era aquecido por Conti e Mandy que com carisma fizeram uma boa apresentação.

    Tobias e Simon são os integrantes da dupla Andhim, que recentemente lançou boas tracks pelo selo Get Physical Music. Mostrando seriedade e perspicácia superaram as expectativas e demonstraram que podem ser uma boa opção no line-up. Enquanto o Inside era trabalhado pelas mãos deles, André Marques era quem se apresentava no Garden. Em uma rápida passagem por lá fui presenteado com a música Ghetto Kraviz, o que mostra que o ex-mocotó anda fazendo a lição de casa.

    Pontualmente às 3:30 da madrugada H.O.S.H assumiu a pick up do antigo main room. Autor de tracks e remixes conhecidos como Keep Control e We Do It, deixou claro o que já é notável recentemente nos sets dos integrantes da Diynamic: o techno é a bola da vez. Revelando inovação e criatividade na escolha de suas músicas, algumas vezes transitou por ritmos melódicos e modestos, em outras preferiu arriscar e acertar em arranjos com tribais latinos. Lamentavelmente seu set foi marcado pelo famoso hino que insulta um dos clubs concorrentes, que possui foco em música eletrônica comercial. Uma certa infantilidade e falta de respeito por parte de alguns frequentadores para com a pessoa que está no palco tentando apresentar sua arte. Esbanjando simpatia e sorrisos Holger Behn encerrou sua performance às 7 da manhã, declarando assim aberta a folia no templo. 

    Sábado 14/02, por Mohamad Hajar

    O sábado era uma das noites mais aguardadas do carnaval, principalmente pela vinda de Loco Dice, artista para o qual rolou até campanha do grupo Fiel Ao Templo pedindo sua volta ao club. Tendo isso em vista e também o fato de que era a noite que mais me criou expectativas no pré-evento, elegi ela para ser a minha visita ao templo durante o feriado.

    Ainda no caminho pude constatar que uma das melhores novidades que têm acontecido são as blitzes em Cabeçudas. Em poucos minutos você apresenta a documentação e segue rumo para uma Praia Brava sem todo aquele caos que sempre foi um ponto negativo das idas ao Warung, fato que se refletiu também na quase ausência de fila para entrar. Uma vez dentro do club nos apressamos para seguir para o Inside, pois Aninha fazia o aquecimento naquela pista. A DJ estava vestindo um imponente cocar indígena, contextualizando-se tanto com o feriado em questão como com a temática dos residentes da casa. Os fãs do Loco talvez me apedrejarão, mas ela se confirmou como minha savage favorita fazendo o melhor set da noite.

    Com a mesma mestria da noite do Bonobo mas explorando sonoridades diferentes, devido aos artistas que se seguiriam, Aninha mostrou que entende da arte do warm up, e hipnotizou a pista por todo sua apresentação. Em seguida quem subiu ao stage (que agora está mais alto) foi Bella Sarris, estreante da noite. Eu estava com expectativas neutras para sua apresentação e foi exatamente esse o papel que ela teve na minha noite. O set era muito bem construído e apresentava bons momentos de criatividade, mas infelizmente ela acabou ofuscada pela energia da brasileira que abriu a pista.

    Houveram também dois fatos negativos que influenciaram neste momento: a super-lotação, que havia tempos que eu não presenciava, infelizmente se mostrava presente, bem como o novo sistema de iluminação, que estava muito forte, cegando o público nas diversas vezes que um canhão acertava os olhos em cheio. Pouco antes de Bella encerrar fomos para o andar de baixo tomar um ar e se deparar com outra novidade negativa: a loja de souvenirs eliminou um dos poucos pontos de descanso que o club oferecia, ao lado da temakeria. Recuperamos energia por um tempo e mergulhamos no Inside novamente, com Loco Dice já no stage.

    E aí infelizmente passei por um momento que me lembrou o Richie Hawtin do carnaval de 2012: um ótimo set, com uma boa construção e seleção de tracks, mas impossível de se apreciar com conforto, devido ao excesso de pessoas no ambiente. Encaramos o desafio até o fim, mas depois de muito tempo optei por deixar o club antes do término da festa, por já não restar mais ânimo para continuar no caos. No fim, uma noite divertida e satisfatória musicalmente, mas infelizmente sem uma boa lembrança devido a todo o perrengue que é encarar um Warung super-lotado.

    Segunda-feira 16/02, por Eduardo Roslindo

    O último dia de carnaval no Warung Beach Club foi muito bom musicalmente, marcado por grandes apresentações de Stekke e Seth Troxler.

    Iniciando a noite o duo brasileiro Stekke, formado pelo savage Ale Reis e por Renee, desenvolveu uma das apresentações mais interessantes do carnaval. Quem chegou cedo pôde presenciar um set muito bem construído, transitando entre Efdemin, Delta Funktionen, Roman Fluguel, The Persuader, entre outros artistas. Um dos pontos positivos da apresentação deles foi o fato da pista ainda não estar super-lotada, foi possível se divertir frente ao palco com tranqüilidade.

    Conforme o set chegava ao fim, eu me perguntava: o que o aniversariante da noite havia preparado para tal ocasião? Prestigiei os primeiros 30 minutos de Renato Ratier, e posso dizer que dentro do que estou acostumado a vê-lo tocar foi muito bem, um set digno da pista e do momento, mas sem a genialidade do duo que abriu a pista horas antes. Na busca por novas sonoridades, fui assistir Jackmaster, um dos estreantes da noite. Infelizmente ele não foi coerente com a atração que viria posteriormente, apresentando um som maçante e sem criatividade, mesclando house e tech-house sem nenhuma história, trocando apenas uma música por outra.

     

    Quando os relógios marcavam 3:00 cada palco receberia a sua estrela da noite: Marco Carola no Inside e Seth Troxler no Garden. Devido à infame super-lotação no clube, comecei a jornada na pista de baixo. Infelizmente este problema tem afetado a bela experiência que sempre foi ir ao Warung. Vendas exageradas de ingressos, grandes tumultos de pessoas, reclamações por roubos… Diante desses fatos se divertir se tornou uma tarefa ainda mais difícil, sem conforto e a constantemente alerta aos pertences pessoais. Em um espaço próximo a fim da pista pude acompanhar Troxler fazer uma de suas melhores apresentações no clube. O americano se inovou fazendo um belo set com CDJ e tocadiscos, transitando entre vários clássicos, como por Paul Johnson, Carl Craig, Green Velvet, entre outros. Foi do house ao techno com maestria, inclusive tocou música brasileira de uma forma objetiva e contextualizada com a sua apresentação. Além de confirmar seu talento, Seth provou sua fama de ser carismático. Antes de sua apresentação demonstrou simplicidade caminhando pelo club, cumprimentado as pessoas, dando atenção, tirando fotos.

    Seguindo com a noite, aproximadamente 5:00 voltei para o antigo Main Room, para acompanhar uma das atraçòes mais esperadas do carnaval pela grande massa que freqüenta o clube. Apesar de ter pego a apresentação pela metade, pude constatar que Marco Carola fazia set muito bem construído, fato dificilmente constatado entre artistas de tech house, devido à dificuldade de prender uma pista por tanto tempo. A prova disso é que a pista estava nas suas mãos, o público presente interagia bastante e há claramente uma fidelidade a ele, semelhante a que Hernán Cattaneo possui. Entre as boas tracks tocadas por Marco, ressalto minha surpresa ao ouvir um sample de Under Pressure da lendária banda Queen, de uma maneira condizente ao set.

    Sua apresentação terminou as 7h00min, como fielmente o clube tem fechado seus eventos, encerrando assim o carnaval 2015 do templo.

  • Carl Craig se apresenta no carnaval do Terraza Music Park

    Um dos artistas em atividade mais respeitados do techno mundial fará passagem histórica pelo Brasil. Carl Craig, importante protagonista do embrião da cena de Detroit (USA), é o headliner da duas festas que o Terraza Music Park realizará no carnaval – sexta em Florianópolis e terça em Balneário Camboriú.


    Pertencente à segunda onda de produtores de Detroit, Carl Craig é tido como um dos mais produtivos e inovadores de todos. Ele é um daqueles raros talentos cuja carreira não possui muitos momentos de inflexão ou episódios de baixa produtividade, nem sequer uma virada brusca ou erro de cáculo que tenha alienado seus fiéis admiradores em prol de uma nova audiência. O que não quer dizer, de forma alguma, que ele não se reinvente a cada novo release ou remix.

    Na primeira data ele contará com o apoio de outras duas lendas, mas estes, do cenário nacional: Renato Cohen e Mau Mau. O residente Ricardo Lin completa o line-up, fazendo o warm up da noite. Já em BC Carl chega para encerrar o feriado, pois toca na terça-feira (17). Neste line o apoio vem do sangue novo: Danee, residente detroitbr, e Antonela Giampietro, residente Terraza BC, farão as honras da casa para o ilustre convidado.

    Detroit Love

    Este ano marca a tour Detroit Love, que Craig lançou para espalhar o amor que existe pela cidade-berço do techno e já foi assunto aqui no site ano passado. Nada mais gratificante do que poder apoiar oficialmente um evento da tour, colocando um residente nosso no line-up, não é mesmo? 🙂 Os ingressos estão à venda pelo site do Blueticket, pelos valores iniciais de R$ 40,00 (masc.) e R$ 20,00 (fem.).

  • Tomorrowland surpreende com suas primeiras notícias de 2015

    O Tomorrowland é um dos festivais mais controversos do mundo. Famoso por ser um dos maiores, é consequentemente um dos mais comerciais, o que desperta a ira de alguns fãs mais ferrenhos do “underground” da música eletrônica. No entanto, quem olha com atenção para o line-up dos mais de 15 palcos do evento consegue encontrar qualidade de sobra no que rola por lá. Ainda não temos muitas informações da edição de 2015, mas uma das primeiras coisas que já foi confirmada pela organização é que neste ano haverá um palco destinado exclusivamente aos DJs de vinil, capitaneado por ninguém menos que Sven Väth, chefão da Cocoon e “papa” do techno.

     

    E se esta informação não foi suficiente para chocá-lo, conheça o primeiro artista confirmado para o palco principal. Não, não estamos falando de Hardwell, David Guetta ou Dimitri Vegas & Like Mike. Trata-se da Orquestra Nacional da Bélgica, que foi escalada para encerrar o palco principal no domingo, último dia de festa. O breve video teaser que foi divulgado apresenta alguns detalhes, como o tema e o nome do condutor, e também nos deixa mais curiosos quanto ao que vai rolar. Provavelmente muitos não irão entender o que estará acontecendo e alguns inclusive reprovarão o fato, mas quem aprecia a música como arte tem grandes chances de ver com bons olhos esta aposta da ID&T!