Autor: Mohamad Hajar

  • detroitbr sessions #001

    Sejam bem-vindos ao detroitbr sessions, nova seção mensal do detroitbr.org. Aqui DJs e formadores de opinião irão dar dicas de músicas que encontraram em suas recentes pesquisas, começando hoje com uma edição especial com todos os residentes do detroitbr.

    Curadoria Artística

    Eduardo Roslindo

    Há quase dois anos venho acompanhando o trabalho dos irmãos Zenker na Ilian Tape e venho gostando a cada dia do que o label vem apresentando. Essa track traz um techno mais fechado, arrastado e hipnótico (ao mesmo tempo dançante) que bem aplicado em um set pode render bons momentos. 

    Mohamad (Kultra)

    Dono de um dos lives mais incríveis que já assisti e de um carisma sem igual, Strahil Velchev é um dos artistas em quem mais me inspiro atualimente. Musicalmente KiNK nem sempre passa dentro do espectro que o Kultra apresenta, mas ele começou 2015 me enchendo de alegria: esta incursão ácida intitulada Fantasia cairá como uma luva nos nossos próximos sets 

    Residentes

    Alex KameL

    Sempre estou a caça de novas musicas, e em minhas buscas recentes, visitando os lançamentos recentes da respeitada Soma Records, me deparo com essa linda track! Baterias bem arrumas, hipnótica e dançante, com certeza estará em meus próximos sets.

    André Anttony

    Eu sempre gostei muito de sons com bastante ambiência que trabalha muito a “mente”, movidos por batidas constantes que te mantém em movimento. Minha indicação é o remix de Felipe Valenzuela, artista que me chamou atenção no inicio do ano passado com a faixa “Mas” pelo seu groove de bateria constante, e elementos “inesperados”.

    Bernardo Ziembik

    Depois do álbum lançado pela Desolat, posso dizer que já sou fã de carteirinha do Traumer. Ano passado, pesquisando um pouco mais sobre o cara, me deparei com essa música e fiquei muito curioso, pois Hot Since 82 não me parecia compatível a ele. A música de incríveis 13 minutos me conquistou pelo sua percussão “afro” e o piano que é muito bem elaborado. A música não possui nenhum grande ápice, porém, conta uma bela história, criando a necessidade de ouvi-la inteira e por várias e várias vezes.

    Cheap Konduktor

    Confesso que conheci o trabalho de Matt Lange recentemente e por acaso, em meio a pesquisas costumeiras. Me impressionei com a qualidade de suas produções e acabei ouvindo diversas outras, quando pude constatar que Matt Lange caminha por diversas vertentes, incluindo o techno. Escolhi esta track em especial pois, além de ter elementos muito bem escolhidos, com peso e delicadeza ao mesmo tempo, tem uma atmosfera viajante, gostosa, e uns vocais misteriosos que soam como se monges tivessem sido gravados dentro uma igreja. É pra fechar os olhos e curtir. 

    Danee

    Recondite é dos meus favoritos na atualidade e quando eu vi que ele tinha remixado Plastikman, antes mesmo de ouvir os dois nomes juntos, já tinham me impactado bastante porque sou muito fã deles. O resultado é essa obra prima de um nome já consagrado e outro que certamente estará entre os grandes em breve.

    Davi Cecato

     Margaret Dygas. Alemã que teve seu som nascido em Nova York, podemos dizer amadurecido em Londres e por fim refinado em Berlim. Produtora com diversos lançamentos em 12″ pelo consagrado selo Perlon, e também lançamentos por selos como PowerShovelAudio e Non Standard Productions, residente bi-mestral do Panorama bar. Margaret associa seu tempo de produtora com pausas entre cuidar de seus gatos, escutar um bom disco de Jazz e tomar um copo de leite morno. Como muitos músicos dizem, vinil não tem idade, se torna atemporal em um mundo com tanta competitividade digital. Ai está minha ultima compra em vinil, e minha colaboração do mês.

    Doriva Rozek

    “Energia é algo que não pode ser definido.” Diz a ciência, mas pensar em artistas como Sven Väth e Deep Dish (Ali Dubfire e Sharam) esse conceito muda um pouco. Nas minhas pesquisas de sons mais antigos, buscando algumas coisas que andam sumidas do dancefloor aqui, encontro essa pérola, remix de um dos maiores clássicos do Papa. Tem uns timbres bem nostálgicos, uma música divertida e importante de ser lembrada. Ainda não a toquei mas estou ansioso para ver a pista transpirar energia.

    Eduardo M

    Sou totalmente viciado em WARP desde os primórdios do selo. E até hoje não é diferente. Como eu adoro pesquisar coisas mais “experimentais” ou não com foco em “dancefloor”, esta é minha indicação. Clark é o cara que não tem regra absolutamente nenhuma, em com certeza prioriza “mente” ao invés de “físico”. Essa é só uma das que eu adoro dele.

    Handerson (Unterwelt80)

     É de praxe receber belas produções de presente dos nossos ‘hermanos’ argentinos – como a faixa “What is Groovy Now”, do produtor “If You Ask”, que costuma transitar por vertentes como o Deep House e o Techno. Nesta faixa o Sul-Americano utilizou-se de uma construção simples, porém, hipnotizante. Vale destacar sua bassline envolvente e a percussão que trouxe uma conga marcante que da ritmo a sua bateria, com um groove intenso e sempre direcionado para a frente a faixa traz uma dinâmica que pode funcionar muito bem na pista.

    Petrius D

    Adult Only é o nome da label desta excelente música. Escolhi ela por ela ser completa em meus gostos, ela prende a pessoa em uma atmosfera fantástica. Musica lançada em 2009, tem grande apelo em sets construídos para warmup de gente grande.

    Tharik (Kultra)

    Monkkrater foi a descoberta do mês em nossas pesquisas, com o EP Siberia, lançado pela Klangwelt. Entre as duas, Sphere é minha preferida, por sua linha de grave e sua bela construção melódica. Não consegui link para a música completa, mas segue o preview disponibilizado no SoundCloud.

  • Carl Craig se apresenta no carnaval do Terraza Music Park

    Um dos artistas em atividade mais respeitados do techno mundial fará passagem histórica pelo Brasil. Carl Craig, importante protagonista do embrião da cena de Detroit (USA), é o headliner da duas festas que o Terraza Music Park realizará no carnaval – sexta em Florianópolis e terça em Balneário Camboriú.


    Pertencente à segunda onda de produtores de Detroit, Carl Craig é tido como um dos mais produtivos e inovadores de todos. Ele é um daqueles raros talentos cuja carreira não possui muitos momentos de inflexão ou episódios de baixa produtividade, nem sequer uma virada brusca ou erro de cáculo que tenha alienado seus fiéis admiradores em prol de uma nova audiência. O que não quer dizer, de forma alguma, que ele não se reinvente a cada novo release ou remix.

    Na primeira data ele contará com o apoio de outras duas lendas, mas estes, do cenário nacional: Renato Cohen e Mau Mau. O residente Ricardo Lin completa o line-up, fazendo o warm up da noite. Já em BC Carl chega para encerrar o feriado, pois toca na terça-feira (17). Neste line o apoio vem do sangue novo: Danee, residente detroitbr, e Antonela Giampietro, residente Terraza BC, farão as honras da casa para o ilustre convidado.

    Detroit Love

    Este ano marca a tour Detroit Love, que Craig lançou para espalhar o amor que existe pela cidade-berço do techno e já foi assunto aqui no site ano passado. Nada mais gratificante do que poder apoiar oficialmente um evento da tour, colocando um residente nosso no line-up, não é mesmo? 🙂 Os ingressos estão à venda pelo site do Blueticket, pelos valores iniciais de R$ 40,00 (masc.) e R$ 20,00 (fem.).

  • Carnaval de Curitiba terá espaço para a música eletrônica

    Samba, rock, música eletrônica, invasão zumbi. Mantendo a proposta iniciada em 2013, a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) transforma mais uma vez o Carnaval de Curitiba numa comemoração multicultural, que acontece entre os dias 25 de janeiro e 17 de fevereiro em toda a cidade. A Marechal Deodoro novamente será o grande “palco” da festa, e já no dia 1º de fevereiro ela abre espaço, pela primeira vez, a um trio elétrico de música eletrônica, projeto realizado em parceria com o Club Vibe e a Academia Internacional de Música Eletrônica (AIMEC). Entre os DJs escalados, residentes de ambas marcas: Dashdot, HNQO, Rolldabeetz, Aninha e Mateus B.

    “Fazemos questão de apoiar as iniciativas da Prefeitura de Curitiba para valorizar a música eletrônica. É uma vocação da cidade e estes eventos abertos ao público estimulam o crescimento de todo o cenário cultural local”, diz o empresário e produtor Carlos Civitate Júnior, o “Jeje”, sócio do Club Vibe.

    Programação completa

    (todos os eventos têm entrada franca)

    Garibaldis e Sacis
    25 de janeiro – Marechal Deodoro – a partir das 15h
    07 de fevereiro – Sítio Cercado – a partir das 15h
    08 de fevereiro – Com Orquestra Contemporânea de Olinda na Marechal Deodoro – a partir das 15h

    Eleição do Cortejo Real
    30 de janeiro – Sociedade Treze de Maio – 19h30

    Carnaval Eletrônico (CarnaVibe)
    1 de fevereiro – Marechal Deodoro Deodoro – a partir das 14h
    DJs Dashdot, HNQO, Rolldabeetz, Aninha e Mateus B

    Baile da Terceira Idade
    10 de fevereiro – Salão Azul do Clube Curitibano – 14h

    Desfile das Escolas de Samba
    14 de fevereiro – Marechal Deodoro – a partir das 18h 

    Curitiba Rock Carnival
    Sábado, 14 de Fevereiro – a partir das 13h
    Movie Star Trash (Curitiba)
    99Noizagain (Curitiba)
    A Carne (Curitiba)
    Motorama (Argentina)
    Sugar Kane (Curitiba)
    Goddamn Gallows (USA)
    Man Or Astro Man? (USA)

    Domingo, 15 de Fevereiro – a partir das 13h
    Phantom Powers (RS)
    Interceptor (SP)
    Aloha Haole (PI)
    The Brown Vampire Catz (Londrina)
    The Anomalys (Holanda)
    Ovos Presley (Curitiba)
    Relespública (Curitiba)

    Zombie Walk
    15 de fevereiro – Trajeto a ser divulgado

    Apuração do Desfile das Escolas de Samba
    15 de fevereiro – Memorial de Curitiba – a partir das 15h

    Carnaval Gospel
    17 de fevereiro – TUC Galeria Júlio Moreira, Largo da Ordem

    Bailes de Carnaval na Regional Bairro Novo
    16 e 17 de fevereiro – das 15h às 19h (infantil) e das 20h às 24h (adulto)

  • Tomorrowland surpreende com suas primeiras notícias de 2015

    O Tomorrowland é um dos festivais mais controversos do mundo. Famoso por ser um dos maiores, é consequentemente um dos mais comerciais, o que desperta a ira de alguns fãs mais ferrenhos do “underground” da música eletrônica. No entanto, quem olha com atenção para o line-up dos mais de 15 palcos do evento consegue encontrar qualidade de sobra no que rola por lá. Ainda não temos muitas informações da edição de 2015, mas uma das primeiras coisas que já foi confirmada pela organização é que neste ano haverá um palco destinado exclusivamente aos DJs de vinil, capitaneado por ninguém menos que Sven Väth, chefão da Cocoon e “papa” do techno.

     

    E se esta informação não foi suficiente para chocá-lo, conheça o primeiro artista confirmado para o palco principal. Não, não estamos falando de Hardwell, David Guetta ou Dimitri Vegas & Like Mike. Trata-se da Orquestra Nacional da Bélgica, que foi escalada para encerrar o palco principal no domingo, último dia de festa. O breve video teaser que foi divulgado apresenta alguns detalhes, como o tema e o nome do condutor, e também nos deixa mais curiosos quanto ao que vai rolar. Provavelmente muitos não irão entender o que estará acontecendo e alguns inclusive reprovarão o fato, mas quem aprecia a música como arte tem grandes chances de ver com bons olhos esta aposta da ID&T!

  • Prodigy está de volta após seis anos sem lançar

    Um dos grupos mais icônicos da história da música eletrônica está de volta: quase seis anos após o lançamento de Invaders Must Die, The Prodigy apresenta ao mundo Nasty, primeiro EP do seu próximo álbum de estúdio. A música é a pancadaria que se espera do trio, ou “pura energia violenta”, como classificou Liam Howlett. O lançamento oficial é dia 9 de fevereiro, mas o clipe já está no YouTube, e é tão agressivo quanto a track.

    O álbum que ela compõe se chama The Day Is My Enemy, e tem lançamento marcado pra 30 de março. Duas colaborações foram confirmadas: uma com o duo inglês de punk/hip hop Sleaford Mods e outra com Flux Pavillion, produtor de dubstep. A música título não possui clipe, mas já tem áudio oficial rolando:

    Durante sua passagem pelo Brasil em 2011 o Prodigy abriu seus dois shows com uma música inédita, intitulada AWOL, que não está confirmada no tracklist do novo album.

  • XXXperience confirma novo formato e primeiros nomes para a edição 2015 de Curitiba

    O grande festival que há mais tempo realiza eventos em Curitiba já está divulgando sua edição de 2015. O XXXperience Festival acontecerá no dia 25 de abril, na tradicional Fazenda Heimari, e a venda de ingressos se inicia nesta sexta-feira (24/01).

    Uma grande novidade desta edição é a criação de um stage exclusivo para o psytrance – o Peace Stage, presente na edição paulista de aniversário há alguns anos. Nele já estão confirmadas as apresentações de Captain Hook, Berg e Vini Vici. Para o Love Stage e o Union Stage, confirmados apenas os DJs Kolombo, Phonique, Vintage Culture e Alok, mas espera-se boas novidades para os próximos dias.

    Para garantir sua presença basta comprar seu ingresso no Alo Ingressos. Não deixe de acompanhar a fanpage oficial para ficar por dentro das novidades do festival.

  • Terraza apresenta duas grandes festas com Radio Slave e Nic Fanciulli

    Nos dias 16 e 17 de janeiro o Terraza Music Park realizou as festas Insomnia1 e Insomnia2, sendo a primeira na matriz do grupo em Florianópolis e a segunda na recém inaugurada filial de Balneário Camboriú. O line-up de ambas era encabeçado por Radio Slave e Nic Fanciulli, e cada casa completou o seu com seus residentes.

    Insomnia1: Kraviz

    Era passado de meia-noite quando nosso time chegou ao Music Park, complexo de entretenimento localizado em Jurerê Internacional, bairro nobre de Florianópolis. Ali funcionam casas como Pacha Floripa, Garden Music Park, Posh, Devassa On Stage e o nosso destino do dia: Terraza. Entramos quando nosso residente Doriva Rozek fazia seu b2b com Idée (aka Renee), colocando pra dançar o público que já tinha chego. Teria sido um warm up perfeito para as estrelas da noite, mas antes deles ainda havia a apresentação de Ingrid. Uma ótima DJ, mas me pareceu que seu set não se encaixou na proposta da noite.

    Era 3:00 da madrugada quando o primeiro britânico iniciou sua apresentação. Nic Fanciulli parecia fazer jus ao nome da festa: ao longo do seu set vimos ele sinalizar para pessoas ao seu lado por duas vezes que estava com sono, e infelizmente isso era visível pelo seu som naquele dia. O repertório era bom e sua técnica operando o combo X1 + F1 da Native Instruments era impecável, mas faltou energia, a pista só começou a dar sinais de empolgação na sua segunda hora. 

    Ao contrário de Nic, Radio Slave chegou tarde e parecia descansado. Sua camiseta preta possuía apenas um número e um nome nas costas, em uma estampa que ficava discreta por ser na cor preta. Curiosamente, nela lia-se Kraviz. Quando assumiu, pouco depois das 5:00 da manhã, não demorou para soltar uma versão de Ghetto Kraviz, a exemplo do que fez na Tribaltech. Em poucos minutos a pista estava transformada, como se a festa finalmente tivesse começado. As três horas e meia que se seguiram foram intensas. Matt Edwards parecia muito mais empolgado e “solto” que em sua apresentação na TT, fruto do formato do palco do Terraza de Floripa, que deixa o DJ próximo do público. Misturando hits seus como Don’t Stop No Sleep e Repeat Myself a um repertório bem refinado e diversificado, contou boa parte da história do techno com seu set. Era passado das 8:00 da manhã (e que saudades de uma festa que fosse além das 7:00) quando ele emocionou o público presente com Shout n’ Out, clássico do house dos anos 90, India In Me, de Cobblestone Jazz, entre outras belas músicas.

    Insomnia2: Slave

    Depois de um belo dia de descanso, lá estavamos nós novamente na pista. Desta vez, no Terraza BC, que inaugurou em outubro do ano passado, dando uma nova vida e energia para o local aonde funcionava a antiga Space B. Camboriú. Desta vez a festa aconteceria no The Room, ambiente que no curto período de existência da balada espanhola recebeu pelo menos dois sets memoráveis – Josh Wink na inauguração e James Zabiela no carnaval do ano seguinte. A decisão foi acertada: o ambiente é maior e mais arejado do que a Pista Terraza, e foi perfeito para comportar as cerca de 1000 pessoas que prestigiaram o evento. Outro ponto positivo percebido foi o efeito “concorrência do bem”: assim como o Amine Edge na GV filtrou bem o público do Warung no dia do Cattaneo, desta vez o El Fortin nos brindou com um line-up composto por Alok, Boris Brejcha e Pleasurekraft, o que fez com que o Terraza tive somente pessoas realmente interessadas musicalmente no que Radio Slave e Nic Fanciulli iriam apresentar. Chegamos quando Guilherme Konnin estava finalizando seu set. Acompanhamos pouco para dar uma opinião, mas a se analisar pelo que ele apresentou no dia seguinte no detroitbr, aposto em um ótimo warm up para esta noite.

    Em seguida, foi a vez de Antonela Giampietro. Desta vez a residente estava “atacada”: seu set era mais pesado que os anteriores, mas sem extrapolar os limites do horário. Talvez tenha sido a influência certa para que Nic Fanciulli – agora descansado – mandasse um set muito melhor do que na noite anterior. A base tech house e as tracks chave do set eram as mesmas, mas a progressão foi mais pegada e criativa do que em Florianópois, surpreendendo a quem foi nas duas festas.

    Porfim, Matt Edwards assumiu os decks com meia hora de atraso, lhe garantindo apenas duas horas de set. Sua camiseta preta era idêntica á da noite anterior, exceto pelo fato de que estava escrito Slave no lugar de Kraviz. O set apresentado também contou uma história diferente: Ghetto Kraviz, Don’t Stop No Sleep e Repeat Myself foram tocadas em remixes diferentes da noite anterior, e todo o resto do repertório era novo. Slave teve dificuldades pra entrar em sintonia com a pista, principalmente pelo fato de ter tocado com uma deficiência de 3 caixas de grave na torre esquerda, mas da metade em diante conseguiu consquistar o público e colocar todo mundo pra dançar uma linha semelhante ao começo do seu set da noite anterior, mas sem os clássicos e surpresas que rolaram lá.

    Saindo da festa a “insônia” ainda teve a parte 3, na sexta edição do detroitbr. Em novo local, o label iniciou oficialmente suas atividades com uma bela festa, que contou com a apresentação do residente Cheap Konduktor e dos convidados Kaká Franco, Guilherme Konnin e Talking Frequencies.

     

  • Warung encerra o ano com boas festas

    Guy Gerber (por Thiago Silva)

    Era a última sexta-feira do ano de 2014, data que marcaria o início de uma série de festas que aconteceriam em Itajaí e região ao final do ano. No dia 26 de dezembro o Warung Beach Club recebeu Guy Gerber, Phonique e Gabe, para muitos seria mais uma noite qualquer no club tendo em vista que o line-up não apresentava nenhuma inovação em nomes. Já outros estavam satisfeitos em ver o retorno do aclamado israelense que assumiria a cabine principal às 4:00 horas da manhã. 

    Chovia naquela noite, a possibilidade de acontecer uma festa sem precedentes era praticamente nula e além disso, o horário estipulado para o headliner da Inside era muito curto levando em consideração suas épicas passagens pelo templo com long sets de 4 a 6 horas. Leo Janeiro e Leozinho eram os responsáveis por esquentar a pista superior até a chegada do big boss do D-Edge mais conhecido como Renato Ratier. Já passava das duas da madrugada quando entrei na festa, por esse motivo não pude acompanhar o B2B dos savages. Quem estava no comando na cabine principal era o dono do Black Belt, conhecido e adorado pelo atual público do templo. Neste momento o Garden contava com a apresentação do alemão nascido em Berlim – Phonique já é figura conhecida e não se intimidou com a noite que apresentava momentos de forte garoa e momentos de céu limpo.

    Seguindo a sequência dos horários para a noite, Guy Gerber deveria iniciar sua apresentação pontualmente às 4:00, porém devido a um problema no setup utilizado para fazer seu set, o mesmo só iniciou seus trabalhos após às 4:30 da madrugada. Aproveitando o atraso, pude acompanhar um pouco de Gabe, o brasileiro que é conhecido pelo seu papel essencial como um dos pioneiros do psy trance nacional pouco-a-pouco conquista novos seguidores. Com seu novo estilo de discotecagem voltado para tracks mais groovadas e mais dançantes, o antigo Wrecked Machines conduziu com excelência o fim da noite para os que preferem ar fresco e espaço para dançar.

     

    Finalmente era chegada a hora de assistir à apresentação do produtor das famosas tracks Hate/Love e Timing. Representando seu próprio selo Rumors que já lançou tracks de Hunter Game, Dixon e Martin Buttrich, o artista nascido em Tel Aviv, Israel mostrou porque seu nome está cravado nas memórias do templo da música eletrônica. Sem tempo suficiente para construir long set como fez em 2011, às 2 horas e meia que lhe restaram para hipnotizar o público foram utilizadas com sabedoria.As músicas foram sendo colocadas de forma progressiva, transitavam entre techno e house ecoando em perfeita harmonia no main room, a destreza na leitura de pista fez Gerber criar uma atmosfera de transcendência sem igual, exatamente do jeito que os amantes desse estilo adoram. Sem dúvidas essa noite serviu de “Warp Up” para o que estava por vir nas noites subsequentes a esta.

    Hernán Cattaneo (por Moha)

    Essa era uma festa feita sob medida para o público mais antigo do club, a começar pelo line-up, que contava com um long set de respeito e bons DJs locais e residentes para complementar. Outro ponto positivo foi a data: neste período do ano as festas costumam enfrentar super-lotação devido ao grande fluxo de turistas na região do Vale do Itajaí, porém sendo uma festa de domingo e competindo com Amine Edge & DANCE, Victor Ruiz e Alok no club verde, a expectativa era a de ter um público mais restrito e interessado no que a noite propunha. Chegando lá, de fato encontramos um ambiente agradável em ambas pistas e nos alocamos no Inside, aonde nosso residente Danee fazia o warm up da noite. Seu set introspectivo e cadenciado colocou toda a pista em uma intensa hipnose de espera pelo ídolo argentino, que faria um set de 6 horas em seguida. Fez uso de boas melodias, e encerrou o set com maestria enquanto reverenciava o mestre junto ao público presente. 

    Analisar Hernán Cattaneo é sempre um desafio: tenho pouca base de comparação (é a terceira vez que o vejo tocar) e os long sets são sempre muito intensos, levando certo tempo para assimilar sua mensagem. Na última vez que o vi no templo a progressão rolou ao longo da noite toda e eu destaquei a hora final, e nesta apresentação digo que ele fez o contrário: sua primeira hora foi a mais intensa, melódica e sentimental, abrindo caminho para uma segunda parte do set mais dançante. Ao longo destas quase 5 horas Hernán mostrou porque é um dos reis do progressivo, e porque o long set é necessário. Até o fim da noite não houve mais nenhum momento de grande destaque como o começo, no entanto, a progressão era muito bem construída, e os picos emocionais (muito bem posicionados) criavam um jogo de expectativa interessante, que perdurou a noite toda. Certamente, a melhor entre as três vezes que o vi tocar. 

    Deep Dish (por Jonas Fachi)

    Poder ver ao vivo um dos maiores projetos de dance music da história, por si só já seria um grande privilegio. Deep Dish, a dupla conhecida mundialmente de DJs e produtores de origem iraniana Ali “Dubfire” Shirazinia e Sharam Tayebi, retornava ao lugar que marcaram época, de 2006 a 2008, com longsets e noites inesquecíveis para quem viveu este tempo. No ano de 2013, após 6 anos de hiato, o duo resolveu se juntar novamente, lançando musicas e um set aclamado na Radio BBC de Londres. Vencedores do Grammy com o remix para Dido da musica ‘’ Thank you’’, o projeto tinha grande expectativa pelo publico Brasileiro, e no ultimo evento do ano no Warung, eles vieram com força total.

    Como grande apreciador desse estilo, me juntei a grande quantidade de publico presente no club e ao adentrar a casa, pude observar a boa entrada de Conti e Mandy no Garden e logo após a abertura de Gui Thome no Inside. Infelizmente o sound system estava um pouco baixo, fazendo seu set não surtir efeito na pista. Mesmo assim a expectativa era enorme e após uma hora de atraso do previsto, as duas lendas surgem no palco, sendo muito aclamados pelos presentes. Às 2 horas em ponto Dubfire deu inicio ao set, com uma linha mais introspectiva e linear, enquanto Sharam logo depois começava a dar mais emoção com sonoridades mais características do projeto, e foi assim por boa parte da noite. A dupla parecia um tanto desconexa, mas com grandes momentos individuais. Eu que fui para ver Deep Dish, acabei vendo Dubfire vs. Sharam, tocando individualmente seus gostos, com momentos de Techno mais intenso e outros do característico house progressivo da dupla. Dando um tempo na sala principal, pude pegar um pouquinho do final do set de Adnan Sharif, com um ótimo repertorio, com uma linha dançante e por vezes melódica, colocando o garden sob intensa harmonia. Ao final das 5 horas de set de Deep Dish, Sharam começa a reviver momentos de extrema euforia e emoção, soltando clássicos como Say Hello e Dreams, enquanto Ali Dubfire um tanto quanto tímido ainda com a volta do projeto tenta manter sua característica solo dos últimos anos. Nos últimos momentos da manhã surge Another Brick In The Wall, em um ótimo remix da incomparável Banda de rock progressivo Pink Floyd deixando todos em êxtase total. Resumindo a noite, pode-se dizer que era um pouco mais esperado dos astros, mas foi um extremo prazer poder vê-los novamente no Warung, e ver que a nova safra do publico do club, soube apreciar com energia digna da era de ouro do templo da musica Eletrônica. 

  • Confira a agenda do Warung Beach Club para o verão

    Seguindo o ciclo anual típico de um beach club, o Warung já está em plena temporada, com datas mais constantes e comerciais. Até o último dia do carnaval são 11 festas já confirmadas, e o feriado supracitado concentra as melhores delas. Vamos dividir o período em três partes.

     

    O pré-ano novo

    Nos poucos dias entre o natal e o ano novo que o litoral catarinense recebe seu maior volume de turistas. Graças a isso, a casa abrirá três vezes no período, com uma boa composição de line-ups. No dia 26, sexta-feira, Guy Gerber e Phonique se apresentam, no domingo, dia 28, é a vez do tradicional extended set de Hernán Cattaneo, que contará com o warm up do nosso residente Danee; concluindo a primeira parte da saga, um dos retornos mais aguardados dos últimos tempos: Deep Dish – ou para os mais recentes na cena, o antigo projeto formado por Sharam e Dubfire, que voltou à atividade no início de 2014.

    Janeiro

    Quem acredita em superstições ligadas a começar o ano com o pé direito certamente não ficou feliz com o line-up do dia 2: Loulou Players e Kolombo não devem levar muita novidade musical, mas certamente farão um bom caixinha pro verão com o iminente sold out. Seguindo adiante as coisas melhoram, com Mano Le Tough e Barem dividindo a noite do dia 9 e Visionquest encabeçando a do dia 16. Concluindo o mês teremos Benoit & Sergio e Sharam Jey no dia 23 e Sharam + Gui Boratto no dia 30. 

    Carnaval

    O verão todo tem boas festas, mas certamente no carnaval que as coisas pegam fogo. Já na sexta teremos uma lenda viva como headliner – Pete Tong, a mente por trás do histórico Essential Mix. No sábado que os clamores populares dos fiéis finalmente será saciado: Loco Dice é a estrela da noite. Concluindo o feriado, segunda-feira Marco Carola e Seth Troxler comandam o templo.

    Ingressos à venda pelo Alô Ingressos.

  • Terraza BC recebe encontro entre Cohen e Mau Mau

    Após um opening em grande estilo, a Terraza BC se prepara para sediar sua segunda festa. No próximo dia 29 sobem ao palco do club de Balneário Camboriú [SC] os DJs residentes Antonela Giampietro e Guilherme Konnin. A dupla fará as honras da casa para ninguém menos que Renato Cohen e Mau Mau. Os DJs paulistanos trazem na bagagem uma história estreita com a música eletrônica nacional. Renato Cohen se apresentou em importantes festivais internacionais, como o Dance Valley, na Holanda, I Love Techno, na Bélgica, e Love Parade, na Alemanha. E é ele quem fala com exclusividade ao detroitbr sobre sua carreira e as expectativas para a apresentação de sábado no litoral catarinense.

     

    Qual foi o marco inicial da tua carreira. O que mudou de lá para cá?

    Eu não diria que foi o marco inicial, mas depois que a minha musica Pontapé estourou no mundo inteiro em 2001 as coisas mudaram bastante pra mim.

    E uma festa inesquecível…

    Dificil pensar em uma só. São tantos anos com festas tão especiais de formas diferentes. As que me vem logo à cabeça são o Skol Beats de 2002, a festa Caligula em Londres e a festa Poperô que eu fazia em São Paulo. Esta era de graça num porão da Rua Augusta e teve edições históricas.

    Qual situação mais inusitada ocorreu com você durante uma gig?

    No Lançamento do meu álbum, no club Womb, em Tóquio, a polícia fechou a festa por causa de barulho. O clube esvaziou mas metade do público ficou escondido numa pista menor incluindo eu e os outros DJs. Ficamos todos em silêncio por uma hora, fingindo que o club já estava vazio até a policia ir embora pra ligar o som e começar tudo de novo. Foi bem surreal.

    Em alguns centros do país, gêneros como o pop tem invadido as pistas que antes eram exclusivamente eletrônicas. Como você vê este movimento?

    A musica eletrônica sempre tem altos e baixos, é normal.  Quando parece que a coisa vai encolher até acabar, ela volta com mais força. Nos meus quase 20 anos de carreira, eu já vi esse ciclo se completar algumas vezes. A musica eletrônica comercial, de alguma maneira sempre vai trazer um público novo, que não conhece muito de música, mas vai acabar se interessando por coisas melhores. A longo prazo acho que isso acaba ajudando.

    Você prefere se apresentar em superclubs, festivais ou prefere os inferninhos?

    A energia que é gerada quando voce toca para uma multidão é uma coisa bem legal, mas eu prefiro os lugares pequenos e intimistas, onde a música acaba tento uma força muito maior sobre as pessoas.

    Quais são suas inspirações para produzir? E os próximos projetos?

    Acho que minha inspiração vêm de tudo que eu escuto em casa. Ainda sou um comprador compulsivo de vinil.  Escuto muita coisa dos anos 70, 80 e 90. Muito House de Chicago, Disco, Krautrock, Instrumental Brasileiro, Dub, Jazz. Ultimamente tenho ouvido muita Disco e Boogie japonês, Post Punk  e New Wave. Tenho alguns projetos em parcerias com amigos. No momento estou terminado um EP junto com o Wehbba para o selo do Dudu Marote, o Ganzá.

    Fale um pouco de tocar ao lado de Mau Mau. A dobradinha é inédita em SC.

    A primeira vez que eu fui num clube ouvir Techno era o Mau Mau que estava tocando . Ele foi uma influência muito grande para mim desde o começo. A gente já tocou juntos muitas vezes e hoje em dia somos amigos, mas eu me lembro da primeira vez que dividi cabine com ele. Penso que foi em 1999. Eu fiquei tão nervoso que nao conseguia colocar a agulha no disco.

    Qual recado você deixa para quem for vê-los tocar dia 29 na Terraza, em Balneário Camboriú?

    Como eu estou esperando a mesma energia da Terraza de Floripa, aposto que vai ser uma noite intensa e animada.