Guy Gerber (por Thiago Silva)
Era a última sexta-feira do ano de 2014, data que marcaria o início de uma série de festas que aconteceriam em Itajaí e região ao final do ano. No dia 26 de dezembro o Warung Beach Club recebeu Guy Gerber, Phonique e Gabe, para muitos seria mais uma noite qualquer no club tendo em vista que o line-up não apresentava nenhuma inovação em nomes. Já outros estavam satisfeitos em ver o retorno do aclamado israelense que assumiria a cabine principal às 4:00 horas da manhã.
Chovia naquela noite, a possibilidade de acontecer uma festa sem precedentes era praticamente nula e além disso, o horário estipulado para o headliner da Inside era muito curto levando em consideração suas épicas passagens pelo templo com long sets de 4 a 6 horas. Leo Janeiro e Leozinho eram os responsáveis por esquentar a pista superior até a chegada do big boss do D-Edge mais conhecido como Renato Ratier. Já passava das duas da madrugada quando entrei na festa, por esse motivo não pude acompanhar o B2B dos savages. Quem estava no comando na cabine principal era o dono do Black Belt, conhecido e adorado pelo atual público do templo. Neste momento o Garden contava com a apresentação do alemão nascido em Berlim – Phonique já é figura conhecida e não se intimidou com a noite que apresentava momentos de forte garoa e momentos de céu limpo.
Seguindo a sequência dos horários para a noite, Guy Gerber deveria iniciar sua apresentação pontualmente às 4:00, porém devido a um problema no setup utilizado para fazer seu set, o mesmo só iniciou seus trabalhos após às 4:30 da madrugada. Aproveitando o atraso, pude acompanhar um pouco de Gabe, o brasileiro que é conhecido pelo seu papel essencial como um dos pioneiros do psy trance nacional pouco-a-pouco conquista novos seguidores. Com seu novo estilo de discotecagem voltado para tracks mais groovadas e mais dançantes, o antigo Wrecked Machines conduziu com excelência o fim da noite para os que preferem ar fresco e espaço para dançar.
Finalmente era chegada a hora de assistir à apresentação do produtor das famosas tracks Hate/Love e Timing. Representando seu próprio selo Rumors que já lançou tracks de Hunter Game, Dixon e Martin Buttrich, o artista nascido em Tel Aviv, Israel mostrou porque seu nome está cravado nas memórias do templo da música eletrônica. Sem tempo suficiente para construir long set como fez em 2011, às 2 horas e meia que lhe restaram para hipnotizar o público foram utilizadas com sabedoria.As músicas foram sendo colocadas de forma progressiva, transitavam entre techno e house ecoando em perfeita harmonia no main room, a destreza na leitura de pista fez Gerber criar uma atmosfera de transcendência sem igual, exatamente do jeito que os amantes desse estilo adoram. Sem dúvidas essa noite serviu de “Warp Up” para o que estava por vir nas noites subsequentes a esta.
Hernán Cattaneo (por Moha)
Essa era uma festa feita sob medida para o público mais antigo do club, a começar pelo line-up, que contava com um long set de respeito e bons DJs locais e residentes para complementar. Outro ponto positivo foi a data: neste período do ano as festas costumam enfrentar super-lotação devido ao grande fluxo de turistas na região do Vale do Itajaí, porém sendo uma festa de domingo e competindo com Amine Edge & DANCE, Victor Ruiz e Alok no club verde, a expectativa era a de ter um público mais restrito e interessado no que a noite propunha. Chegando lá, de fato encontramos um ambiente agradável em ambas pistas e nos alocamos no Inside, aonde nosso residente Danee fazia o warm up da noite. Seu set introspectivo e cadenciado colocou toda a pista em uma intensa hipnose de espera pelo ídolo argentino, que faria um set de 6 horas em seguida. Fez uso de boas melodias, e encerrou o set com maestria enquanto reverenciava o mestre junto ao público presente.
Analisar Hernán Cattaneo é sempre um desafio: tenho pouca base de comparação (é a terceira vez que o vejo tocar) e os long sets são sempre muito intensos, levando certo tempo para assimilar sua mensagem. Na última vez que o vi no templo a progressão rolou ao longo da noite toda e eu destaquei a hora final, e nesta apresentação digo que ele fez o contrário: sua primeira hora foi a mais intensa, melódica e sentimental, abrindo caminho para uma segunda parte do set mais dançante. Ao longo destas quase 5 horas Hernán mostrou porque é um dos reis do progressivo, e porque o long set é necessário. Até o fim da noite não houve mais nenhum momento de grande destaque como o começo, no entanto, a progressão era muito bem construída, e os picos emocionais (muito bem posicionados) criavam um jogo de expectativa interessante, que perdurou a noite toda. Certamente, a melhor entre as três vezes que o vi tocar.
Deep Dish (por Jonas Fachi)
Poder ver ao vivo um dos maiores projetos de dance music da história, por si só já seria um grande privilegio. Deep Dish, a dupla conhecida mundialmente de DJs e produtores de origem iraniana Ali “Dubfire” Shirazinia e Sharam Tayebi, retornava ao lugar que marcaram época, de 2006 a 2008, com longsets e noites inesquecíveis para quem viveu este tempo. No ano de 2013, após 6 anos de hiato, o duo resolveu se juntar novamente, lançando musicas e um set aclamado na Radio BBC de Londres. Vencedores do Grammy com o remix para Dido da musica ‘’ Thank you’’, o projeto tinha grande expectativa pelo publico Brasileiro, e no ultimo evento do ano no Warung, eles vieram com força total.
Como grande apreciador desse estilo, me juntei a grande quantidade de publico presente no club e ao adentrar a casa, pude observar a boa entrada de Conti e Mandy no Garden e logo após a abertura de Gui Thome no Inside. Infelizmente o sound system estava um pouco baixo, fazendo seu set não surtir efeito na pista. Mesmo assim a expectativa era enorme e após uma hora de atraso do previsto, as duas lendas surgem no palco, sendo muito aclamados pelos presentes. Às 2 horas em ponto Dubfire deu inicio ao set, com uma linha mais introspectiva e linear, enquanto Sharam logo depois começava a dar mais emoção com sonoridades mais características do projeto, e foi assim por boa parte da noite. A dupla parecia um tanto desconexa, mas com grandes momentos individuais. Eu que fui para ver Deep Dish, acabei vendo Dubfire vs. Sharam, tocando individualmente seus gostos, com momentos de Techno mais intenso e outros do característico house progressivo da dupla. Dando um tempo na sala principal, pude pegar um pouquinho do final do set de Adnan Sharif, com um ótimo repertorio, com uma linha dançante e por vezes melódica, colocando o garden sob intensa harmonia. Ao final das 5 horas de set de Deep Dish, Sharam começa a reviver momentos de extrema euforia e emoção, soltando clássicos como Say Hello e Dreams, enquanto Ali Dubfire um tanto quanto tímido ainda com a volta do projeto tenta manter sua característica solo dos últimos anos. Nos últimos momentos da manhã surge Another Brick In The Wall, em um ótimo remix da incomparável Banda de rock progressivo Pink Floyd deixando todos em êxtase total. Resumindo a noite, pode-se dizer que era um pouco mais esperado dos astros, mas foi um extremo prazer poder vê-los novamente no Warung, e ver que a nova safra do publico do club, soube apreciar com energia digna da era de ouro do templo da musica Eletrônica.