Autor: Mohamad Hajar

  • Dekmantel Festival e uma das mais legítimas manifestações culturais do nosso tempo

    Lá nos idos de 2010 em uma conversa de bar profetizei algo que, na época, fora refutado por quase todos que estavam na mesa: em um momento de empolgação disse que a década de 10 seria o momento no qual a música eletrônica seria reconhecida como uma forma de expressão artística legítima desta geração. A primeira metade seria o momento da massificação, com a tomada do mainstream musical por DJs com foco comercial, enquanto a segunda seria o momento da qualificação, quando o underground emergeria à superfície e, aos poucos, mostraria o verdadeiro potencial artístico da música feita por máquinas. Pois bem, já estamos no sétimo ano da década e o Dekmantel Festival, realizado nos dias 4 e 5 de fevereiro em São Paulo, é a materialização mais clara de que minha aposta foi certeira!

    Digo isso não só pela curadoria apresentada, algo que não era visto no Brasil desde o saudoso Sónar SP 2012, mas pelo contexto todo que foi vivenciado no último final de semana. Desde que comecei a escrever no Psicodelia.org, há sete anos, uma das bandeiras que levanto é a de que a cultura eletrônica pode sim ser o grande ponto de ruptura de nossa geração com o sistema imposto, se espelhando nos movimentos de décadas passadas e compreendendo as particularidades da atual, mantendo viva a esperança de que a arte possa ser o ponto de partida para que uma nova sociedade seja construída.

    Utopias à parte, podemos não ser os revolucionários da vez, mas temos que concordar que somos uma tribo muito mais elevada intelectualmente do que a Rede Jovem Pan FM tentou sugerir em uma matéria sensacionalista publicada às vésperas do festival, insinuando que ele seria uma rave frenética, com pessoas fazendo sexo nas ruas e sem as devidas autorizações legais para acontecer. Sobre a deturpação do termo rave já falei há alguns anos em outro texto, mas toda a imagem pintada serve de contra-ponto para que eu comece a descrever a minha experiência neste evento, que passei a chamar de ritual, dividido em três atos.

    1º ATO: UMA CONVERSA COM O DEUS DO TECHNO

    A beleza de um festival de música reside em sua pluralidade. É geralmente nele que encontramos pessoas de diferentes tribos, crenças, classes e com diferentes objetivos convivendo em plena harmonia. Ir a um bom festival é como fazer uma visita ao paraíso, àquele lugarzinho perfeito que nós idealizamos internamente e temos dificuldade em encontrar no “mundo real”. Por isso cada vez que vou a um que sei que irá atender às minhas expectativas me preparo para sentir emoções intensas, vivenciar momentos de epifania e me tornar uma pessoa diferente e melhor após seu término.

    No Dekmantel essa sensação começou já na entrada: apesar da chuva, os seguranças mantiveram o sorriso, recepcionando as pessoas com saudações e capas gratuitas. Depois de passar pela revista e validação do ingresso, um rápido giro por todas as pistas foi suficiente para surpreender-se tanto com a forma inteligente que a estrutura do Jockey Club foi aproveitada, criando uma ótima ambientação sem precisar de muita cenografia específica, bem como com o perfil do público presente. É difícil de descrever sem cair na armadilha de estereotipar, dava pra reconhecer diversas tribos com suas particularidades e talvez um único fator em comum: a relação com a música. O radicalismo na curadoria pode ter espantado a grande massa, mas serviu para atrair ao festival pessoas que o enxergam como mais do que uma simples festa, mas sim um ambiente de diversão, libertação e evolução pessoal. O line-up se dividiu em cinco pistas e obrigou o público a fazer escolhas, já que não eram raros os momentos em que duas ou mais atrações de interesse se apresentavam simultaneamente. Por conta disso este review irá falar mais sobre os artistas que vi e que construíram a experiência pessoal que vivi lá.

    Minha primeira parada foi na pista UFO, um “inferninho” montado entre duas construções com aspecto de deterioração visível, num visual que facilmente remetia ao termo underground. O artista se apresentando era Anthony Parasole, como não o conhecia fiquei muito satisfeito em começar por algo novo e agradável aos meus ouvidos. Com seu som dançante e pesado imergi na atmosfera do festival, de cuja qual só sairia dois dias mais tarde. De lá segui para o palco principal, onde finalmente veria Nina Kraviz do começo ao fim neste ano. O começo da apresentação foi conturbado, o volume do sound system estava baixo e o público estava visivelmente incomodado (e incomodando) com isso. Após quase meia hora finalmente a falha foi corrigida e nós pudemos, em paz, apreciar o que ela tinha a apresentar. O set que ela tocou foi menos experimental e ousado do que os tocados anteriormente na tour brasileira, imagino que pelo fato de que nesta data ela não fosse a maior headliner. O que passou na cabeça da artista jamais saberemos, o importante é que foi uma ótima seleção e mixagem de preparação para o que viria a seguir.

    Até este ponto eu estava satisfeito, mas ainda sem aquele sentimento superlativo em relação ao festival – algo que seria rapidamente mudado por Jeff Mills. Apesar dele ser um dos precursores do movimento de Detroit e de eu apreciar muito seu trabalho como produtor, confesso que pouco pesquisei sobre seu live em si. Como um cara que odeia spoilers faço isso propositalmente e com frequência, guardando o máximo de surpresas para o momento de ver pessoalmente. Talvez por isso eu tenha sido tão impactado pelos minutos vividos diante do mago dos sinos!

    Sua capacidade de se comunicar utilizando a TR-909 como linguagem é incrível, imediatamente me colocando sob hipnose. Enquanto dançava em seu ritmo acelerado, mergulhei no transe e consegui encontrar respostas para diversas questões e reflexões que residiam em minha cabeça. Como disse anteriormente, cada um extrai uma experiência do festival, não julgo quem teve formação diferente da minha e estava em outra pista, no entanto eu, alguém que tem Detroit, techno e música clássica como referência para deixar uma marca no mundo, não poderia estar em outro lugar.

    O que vivi ali foi tão abstrato quanto a música de Mills, por isso resumo metaforicamente a minha impressão após ser ejetado de volta ao mundo: o deus do techno nos enviou o seu messias para dizer, em pleno bairro nobre de São Paulo, que a cultura eletrônica veio pra ficar! Como eu estava virado desde o dia anterior, quando havia prestigiado a festa do Club Vibe com Nina Kraviz em Curitiba, optei por não ir à Fabriketa neste dia. Fiquei sabendo que Ben Klock operou um massacre do qual gostaria de ter participado, mas macaco velho não entra em roubada: ainda havia um dia inteiro de novidades me aguardando.

    2º ATO: A FUSÃO ENTRE MÚSICA E ELETRÔNICA

    No domingo acordei com uma sensação maravilhosa de otimismo. Não sei se foi a “ressaca” do dia anterior, se foram os diversos comentários positivos pulando no meu Facebook ou se era o tempo lindo que fazia, com o Sol reinando imponente no céu de São Paulo. Sei que me apressei para almoçar e chegar cedo no Jockey Club, já que meu segundo dia começaria com uma das atrações para que mais criei expectativas nos últimos meses: Hermeto Pascoal.

    Isso aconteceu porque em 2015 tive a oportunidade de vê-lo no Festival Choro Jazz, no Piauí. O que eu estava fazendo em Barra Grande no exato fim de semana que a cidade recebia um festival de jazz com esta lenda é o tipo de acaso difícil de explicar, pois viajei apenas para aproveitar as passagens previamente compradas para um casamento que fora adiado. E apesar de já tê-lo visto lá, sabia que a experiência no Dekmantel seria nova, já que o público e a proposta do evento era outra.

    Dito e feito, pontualmente às 15:30 eu estava lá nas escadarias do fundo da pista Gop Tun / Boiler Room, resistindo a um calor escaldante muito graças ao protetor solar, oferecido gratuitamente por uma equipe espalhada pelo local. Poucos conhecidos na pista, certamente apreciar esse show não seria só chegar lá aleatoriamente, eu mesmo tive que fazer uma preparação meditativa para conseguir acompanhar sem perder o fio da meada. Nos primeiros minutos o que se viu foi um jazz extremamente intenso, improvisos que beiravam a confusão, mas que sempre encontravam um caminho para seguir e concluir suas tensas frases.

    A maratona mental foi quebrada pela primeira vez quando nosso Dumbledore brasileiro pegou o microfone e começou a dialogar conosco, seu público. As palavras exatas eu jamais lembrarei, mas a mensagem era simples: ele estava muito feliz por estar ali e havia vindo pelo mesmo motivo que nós, para sentir! E com um simples convite para solfejar junto ele desconsertava a todos, que não esperavam algo assim em uma rav… digo, festival de música eletrônica. Mesmo eu, que cantei sem receios no Piauí, não consegui entoar as notas com toda a força do pulmão. Porque será que não gostamos de abrir a boca em nossas festas?

    Alguns la-la-lê-lê depois voltamos ao caos com um insano solo de bateria e percussão, não sem antes ouvir do próprio mestre que já que eles tinham só uma hora, nessa hora eles tocariam mais do que em muitas horas! E a beleza daquele momento encantava, a mensagem que os holandeses queriam nos passar era clara: se queremos evoluir a música eletrônica nacional, temos que olhar para nossas raízes. Cada instrumentista fez seu solo, até que chegou o momento em que Hermeto concluiu sua obra, apresentando cada integrante do grupo enquanto eu sentia um orgulho gigantesco, por ter acompanhado uma hora do trabalho de pessoas tão geniais e por elas serem brasileiras.

    De lá segui direto para o palco principal, onde Moodymann já se apresentava há alguns minutos. Meu estado de choque era tão grande que mal conseguia ficar em pé, precisei sentar na arquibancada para processar todas as informações. O som de Kenny Dixon Jr caiu como uma luva para o estado em que me encontrava, agradeci a cada groove macio e melodia bela que fora tocada. Mais uma vez diversos nós se desfaziam em minha mente enquanto o DJ controlava as emoções, até que quando Do It Again (Steely) fora tocada tive que enxugar lágrimas que, literalmente, escorriam por meus olhos. 

    3º ATO: A CONSTRUÇÃO DO FUTURO QUE QUEREMOS

    A noite começava a cair quando me reposicionei diante da caixa esquerda pra acompanhar a última parte da jornada, que iniciava com John Talabot. Só depois dele começar o set que me dei conta de um fato curioso: apesar de praticamente todo o line-up poder ser considerado influência para mim, o resultado final que apresento com meu irmão à frente do Kultra é mais próximo das duas últimas atrações do palco principal, justamente as que estava prestes a ver.

     

    Mais alguns minutos e pude me identificar ainda mais com Talabot, já que sua característica mais marcante é a criação de uma atmosfera densa, algo que eu também busco desenvolver ao máximo em minhas apresentações. Conforme adentrávamos o período noturno o headmaster da Hivern Disc correspondia intensificando sutilmente a pressão com que as melodias nos abraçavam. Como alguém que já ouviu bastante set gravado seu (olha aí o mal do spoiler) fiquei com a impressão de que ele poderia ter ousado mais, mas ver a hora de Nicolas Jaar se aproximar criava ansiedade suficiente para desejar que o conforto fosse mantido até então.

    Quando John acabou que fui perceber que Nico seria o único a tocar em um patamar diferente do palco: no mesmo nível da mesa do DJ só que ao fundo fora montado o cockpit dele, cercado por sintetizadores e luzes, que acendiam-se em movimentos claramente sincronizados com a atmosfera proposta pelas músicas sendo tocadas. Sua introdução, um experimentalismo que misturava Garden Of Eden, Killing Time e mais alguns elementos que não deviam pertencer a trabalho algum de estúdio, demonstrava nitidamente que ele não estava pra brincadeira. Infelizmente os primeiros minutos de sua apresentação fora o momento no qual mais me incomodei com o “público vizinho”, diversas pessoas que estavam ali se importando mais em contar para os amigos o quanto eles eram superiores por estarem vendo Nicolas Jaar e menos em de fato sentir e apreciar o que torna o chileno um artista tão diferenciado.

     

    Alguns passos pra trás e finalmente pude mergulhar no mundo do jovem prodígio, que mostrou que mais uma vez o álbum é uma obra à parte do que ele faz ao vivo, apresentando um repertório muito equilibrado entre músicas conhecidas e músicas totalmente inéditas pra mim, aquelas que provavelmente jamais verão a luz do dia sem ser em um live do seu criador. Depois de ser deliciosamente torturado por uma hora de melodias e ambientações melancólicas encaixadas com maestria em grooves intensos, finalmente fui trazido à superfície pelos hits que sabemos cantar junto, todos em versões totalmente repensadas para o ambiente ao vivo. Quando o vocalista proferiu a frase “Space Is Only Noise If You Can See” vi que tínhamos apenas 10 minutos. Foi quando olhei para o céu, admirei o skyline paulistano servindo de cenário, cantei junto e encaixei as últimas peças que faltavam no meu quebra-cabeça, agradecendo muito a cada efeito borboleta que havia contribuído para a construção daquele momento.

    Ainda houve tempo para curtir um mash up de El Bandido com Mi Mujer, antes que Jaar tivesse que cortar abruptamente o som, obedecendo à determinação de que o som deveria acabar pontualmente às 22:30. Como havia me poupado no dia anterior, não hesitei em ir à Fabriketa para o after oficial, onde pude acompanhar um back-to-back entre John Talabot e Kornél Kovács muito bem entrosado, com uma sonoridade mais próxima do que eu esperava do espanhol. Um belo prêmio para alguém que sobreviveu a tantas emoções propostas nos últimos dias!

    PRÓLOGO: O LEGADO

    Como puderam perceber sou um cara romântico, que ainda acredita na humanidade e espera obter sempre a melhor experiência possível de cada situação. Para alguém com esses valores e uma base musical como a minha, o Dekmantel Festival parecia algo feito sob medida, com o propósito de abastecer as esperanças e mostrar que há um caminho que pode ser seguido. Fico ainda mais feliz em perceber que ele teve 5 pistas e dezenas de artistas que eu sequer sei o nome, mas que tenho certeza que tocaram outras pessoas da mesma maneira que meus selecionados fizeram comigo.

    Não acho que todo mundo deveria gostar de Nicolas Jaar, Hermeto Pascoal ou Jeff Mills como eu gosto, cada um tem sua história e seus anseios. No entanto, se todos encarassem a música e a vida com amor e sinceridade, quem sabe seja possível transformar nossa sociedade, para que nossas gerações futuras encarem um evento desses não como água no deserto, mas sim como parte da sua criação de base. A chave para isso está em nossas mãos! Qual será a próxima jornada?

  • Dekmantel Festival traz Nicolas Jaar ao Brasil

    Nicolas Jaar é jovem artista de apenas 25 anos, mas que possui um currículo de dar inveja em qualquer um que respire música. Nasceu nos Estados Unidos, cresceu no Chile, terra de seus pais, antes de retornar a New York. Sua origem faz com que frequentemente seja comparado a Ricardo Villalobos, o que em sua opinião não faz o menor sentido. “Não estou nem perto de atingir seu nível de técnica”, afirmou ao Pitchfork em uma entrevista. “Quando eu era jovem e pegava o metrô para o colégio, gostava de ouvir Thé Au Harem D’Árchimède, de Ricardo, e The Last Resort, de Trentemoller. Com o primeiro eu estava sempre pensando ‘Aonde você quer chegar com isto?’, enquanto que o segundo era fácil de ouvir, como doce. Eu sempre quis fazer um Trentemoller mais experimental e um Ricardo mais melódico” completou.

     

    Seu primeiro contato com a dance music, no entanto, foi com DJ Kicks, de Tiga, em 2004. “Quando ouvi eu pensei ‘Que porra é essa? É incrível!’, acabei obcecado por aquelas tracks” confessou. Poucos anos mais tarde já estava esbanjando talento em seu live act, como podemos perceber nesta gravação de 2008, que é muito mais dancefloor friendly do que seu som atual, apesar de já possuir os elementos melódicos e o experimentalismo que posteriormente tornaram-se sua característica.

    E foi no ano de 2011 que finalmente veio a consagração, com o lançamento de Space Is Only Noise If You Can See, seu primeiro álbum. A obra é dividida em 14 faixas, mas pode-se dizer que é apenas uma de 46 minutos, já que ela foi criada para ser apreciada como um todo. O disco conquistou elogios e reviews positivos de dentro e fora do mundo da dance music, muito graças ao fato de que a maioria das tracks fugia do padrão da época. Foi neste ano em que tornou-se líder do ranking de live acts do Resident Advisor, posição que seria mantida pelos dois anos seguintes, com ajuda do seu projeto paralelo Darkside, alias sob a qual Nico passou 2012 e 2013 se apresentando, ao lado do guitarrista Dave Harrington. Junto a ele encabeçou a lista de headliners de diversos festivais conceituados, como Sónar e Pitchfork, mas sobrando um tempinho para fazer o que foi considerado o melhor Essential Mix de 2012, na BBC Radio One.

    Foi em 2013 também que os fãs brasileiros tiveram uma decepção que está entalada até hoje: tanto Nicolas Jaar como Darkside eram atrações confirmadas no Sónar SP daquele ano, que acabaria sendo cancelado antes de sua realização. Como em 2014 ele surpreendeu a todos anunciando que o Darkside entraria em um hiato por tempo indefinido, a apresentação no Dekmantel Festival 2017 é a concretização de uma expectativa acumulada de 4 anos.

     

    Sua confirmação na primeira edição do festival holandês no Brasil vem como parte da tour de Sirens, álbum lançado no final de 2016. Ao contrário do primeiro, que tinha como característica forte a atmosfera e unidade (um “Ricardo mais melódico”?), neste as emoções atingem picos mais intensos e diversos, muitas vezes você acha que é outra música quando ainda é a mesma. A estética musical também está mais próxima do new wave, caminho músical seguido pelo outro ídolo dele, Trentemoller.

    Como isso se traduz na apresentação ao vivo, descobriremos no dia 5 de fevereiro. Além dele, o Dekmantel receberá também Jeff Mills, Ben Klock, John Talabot, Ben UFO, Moodyman, Nina Kraviz, Hermeto Pascoal e diversos outros grandes artistas. Confira o line-up completo e compre seu ingresso pelo site oficial.

  • Dekmantel Festival confirma atrações e reafirma proposta renovadora

    Houve um dia de 2016 em que o coração dos brasileiros amantes da música, dos que se alimentam de novidades e experiências inovadoras, bateu mais rápido: falo de quando foi anunciada a realização do Dekmantel Festival em São Paulo no início do próximo ano. Só o fato de termos aqui mais um grande festival global já seria motivo para comemoração, sendo ele um dos poucos sem foco na musicalidade mais comercial a vir pra cá, as razões se multiplicam.

    Podemos dizer que desde a histórica edição do Sónar SP 2012 não tínhamos a oportunidade de ver tantos grandes artistas de uma só vez em território nacional. Os tempos de crise espantaram os grandes investidores internacionais por um tempo, mas graças aos grandes eventos nacionais a peteca não caiu: Tribaltech, Warung e Dream Valley são alguns dos que proporcionaram encontros inesquecíveis com grandes ídolos ao longo desses quatro anos.

    No entanto, os tempos de escassez parecem ter passado: além dos brasileiros estarem vindo com força total para 2017, o cartão de boas-vindas desse tão aguardado ano vem das mãos do label holandês nos dias 4 e 5 de fevereiro, quando o Jockey Club de São Paulo e a Fabriketa abrigarão dezenas de produtores e DJs de grande talento e relevância para a cena musical.

    A lista é tão ampla que fica difícil escolher por onde começar a listar: seria pelas lendas de Detroit Jeff Mills e Moodyman? Ou talvez pelo desejadíssimo live de Nicolas Jaar? Para alguns o ponto alto será a intensidade e sedução de Nina Kraviz, mas não podemos esquecer que até mesmo o octagenário compositor e multi-instrumentista Hermeto Pascoal foi escalado, destoando deliciosamente do predomínio eletrônico do plantel!

    Poderia continuar falando de cada atração por mais algumas linhas, mas esse é o ponto que esquecemos o álbum de figurinhas e lembramos que o festival oferece uma experiência que vai além das apresentações artísticas. Nesse primeiro fim de semana de fevereiro teremos a oportunidade de vivenciar um contexto que idealizamos há um bom tempo e que ainda é utópico em nosso país, muitas pessoas terão contato com ele pela primeira vez e o momento pode representar mais um passo rumo à cena que objetivamos.

    Por isso vale o lembrete: confira mais uma vez o line-up, prepare sua viagem e não perca esta oportunidade ímpar que caiu em nosso colo 😉

    Line-up completo

    4/fev (sábado)

    Jockey Club (dia):

    Jeff Mills / Nina Kraviz / Bixiga 70 / Azymuth / Hunee / Tom Trago / Makam / Juju & Jordash (live) / Young Marco / Anthony Parasole / Awesome Tapes From Africa / Dekmantel Soundsystem / DJ Nobu / Kornél Kovács / Solar / Aurora Halal (live) / Sassy J / Renato Cohen / Davis / Marcio Vermelho / Valesuchi / Ney Faustini / Gop Tun DJs / 40% Foda/Maneiríssimo (live) 

    Fabriketa (noite):

    Ben Klock / DVS1 / Mike Servito / Vakula / Veronica Vasicka / Orpheu The Wizard / L_cio (live) / Tessuto / Luisa Puterman (live) / Cashu / EXZ (live)

    5/fev (domingo)

    Jockey Club (dia):

    Nicolas Jaar (live) / Moodymann / John Talabot / Hermeto Pascoal / Ben UFO / Joy Orbison / Fatima Yamaha (live) / Palms Trax / Helena Hauff / Dasha Rush / San Proper / Call Super / Lena Willikens / Joey Anderson / Huerco S. / Shanti Celeste / Selvagem / Carrot Green / Gop Tun DJs / Zopelar (live)

    Ingressos

    Pacote 4/fev (dia) + 5/fev (dia), 3º lote: R$ 400,00 (meia c/ doação de livro)

    Apenas um dia (4 ou 5/fev), 2º lote: R$ 225,00 (meia c/ doação de livro)

    4/fev (noite), lote único: R$ 99,00
    Compre: https://www.eventbrite.com.br/e/dekmantel-festival-sao-paulo-2017-tickets-27916916248 

  • Terraza BC celebra aniversário com Makam e detroitbr no line-up

    O dia 11 de outubro é uma terça-feira que irá ficar marcado na memória. Na véspera do feriado pela padroeira do Brasil a Terraza BC comemora seu segundo aniversário em grande estilo: trazendo Makam pela primeira vez para o Vale do Itajaí. Integrante da Dekmantel, o holandês coleciona apresentações em clubs lendários como Panorama Bar, Fabric e Amnesia. Nos dois anos últimos anos ele fez duas tours pelo Brasil com apresentações muito marcantes no Terraza Music Park de Florianópolis, fato que certamente garantiu seu retorno agora para a filial de Balneário Camboriú.

    Se a presença deste grande artista já seria razão suficiente para que a festa fosse inesquecível, os outros escalados para este line-up reduzem as dúvidas a zero: nossos residentes André Anttony e Bernardo Ziembik. O primeiro, que terá a missão de fazer o warm up, atravessa uma ótima fase em sua carreira, chegando às melhores pistas do sul do país e mais do que isso, se destacando nelas. O segundo é também residente da casa e, mais uma vez, mais do que isso: é o cérebro e a força motriz da Terraza BC, sendo a escolha mais justa para fazer o as honras nesta data especial. Parece pouco? Então adicione Ricardo Lin, residente do Terraza de Floripa que mandou muito bem em sua apresentação no detroitbr #014 e completa o time de grandes artistas regionais dessa festa!

    Serviço

    Data: 11/10/16
    Hora: 23:00
    Local: Terraza BC, R. Francisco Correa, 908
    Evento: https://www.facebook.com/events/1789519441315031/

  • TribalTech anuncia nova data e promete edição histórica

    Após longos meses de mistério o Grupo T2 finalmente abriu o jogo sobre a Tribaltech Escape: será realizada em 2017, ao contrário das expectativas populares de que ela seria em outubro deste ano, seguindo a lógica das últimas edições. A organização explica que 2016 foi um ano bastante desfavorável economicamente para a concepção de um line-up e estrutura à altura do que, segundo eles, seria digno de um novo “fim” para a festa, além do mês de outubro ter um grande volume de chuvas, experimentado não somente pela Tribaltech Evolution no ano passado, mas também por duas edições passadas da Tribe, quando era realizada nesta época do ano em Curitiba.

    A data escolhida é o dia 6 de maio, período em que tradicionamente acontecia a XXXperience de Curitiba. Em conversa com Jeje, proprietário do Grupo T2, descobrimos um pouco mais sobre a nova lógica do calendário de festivais da capital paranaense: “A XXXperience continua em maio também, mas acontecerá a cada dois anos, a exemplo da Tribaltech”. Quanto as razões para isso, “dois anos é tempo suficiente para nós montarmos algo realmente impactante, para o público sentir saudades e também para lançarmos projetos diferentes nas outras épocas do ano”. Com o adiamento, o que eram três meses até o evento se tornam 10 meses, abrindo a possibilidade para que muita coisa nova venha a acontecer. Segundo o departamento de marketing, mensalmente iremos conhecer os detalhes que construirão a festa, como a nova divisão de palcos, o local de realização, os primeiros nomes do line-up e, claro, a venda de ingressos. O principal ponto de comunicação será a página oficial no Facebook, portanto, curtam e fiquem atentos!

  • Uma noite no Main Room com Marcel Dettmann

    No último dia 11 de junho, véspera do dia dos namorados, os apaixonados por techno tinham um compromisso inadiável: a noite com Marcel Dettmann e Carl Craig no Warung Beach Club. Já fazia quase um ano que eu não pisava no templo, um tanto pela atual curadoria, que tem selecionado nomes que não me atraem, mas principalmente pela dificuldade em ter uma noite confortável no ambiente cada vez mais apertado e tomado por pessoas que deixam a educação em casa para sair. Pessimismos à parte, a esperança de viver uma noite no Warung como antigamente sempre existe, não pensei duas vezes para decidir apostar e, graças ao deus do techno, não me arrependi!

    Como de costume, chegamos ao club por volta de meia-noite, a tempo de comprar fichas, bebidas, ir ao banheiro e dar um giro. Desde minha última visita, em julho de 2015, poucas mudanças – um bar novo e pequenas reformas estruturais, coisas boas mas já citadas por outros detroiters em reviews passados. Indo ao que interessa, começamos a jornada musical com o final do set de Gromma, que nem preciso de muito esforço para imergir: após meio ano vendo ele fazer excelentes warm ups no Club Vibe consigo sentir com clareza cada mixagem e intenção dele, o que torna a experiência ainda melhor, pois apesar disso ele continua surpreendente sem perder a identidade.

    Logo em seguida Wilian Kraupp começou e o ambiente começou a ficar apertado – descemos para o Garden, para esperar Carl Craig. Como o som de Mandi estava longe de ser o que buscávamos, especialmente numa noite com tantos mestres do techno, demos um tempo fora da pista. Quando Carlão subiu no palco, nós (e uma boa quantidade de gente) decidimos buscar nosso lugar à caixa, para ver da primeira fila mais uma apresentação do DJ de Detroit que mais veio ao país nos últimos anos. E talvez esse fato tenha sido a sina de Craig: seu set foi obviamente muito bem construído, mas para quem estava o assistindo pela quarta vez, era apenas mais do mesmo. Até momentos que haviam sido emocionantes em outras apresentações, como o sample de Also Sprach Zarathustra, tema de 2001: A Space Odyssey, soaram como um “de novo essa?”. É uma tarefa difícil escrever negativamente sobre um cara que é referência e que sei que tem muito talento, mas contra fatos não há argumentos: seu repertório é composto principalmente por clássicos e clássicos não se renovam a cada seis meses. Se não houver tempo para renovação, Craig será mais um nome saturado pelo sedento mercado brasileiro.

    Como a decepção foi maior que o conforto, optamos por migrar para o Inside novamente, ver o final de Kraupp e aguardar pela atração principal. Neste momento a pista já estava bem mais habitável, pudemos ver com tranquilidade o catarinense tocando uma linha mais aberta que a sua costumeira, passando o bastão de bandeja para o gigante alemão, que já impunha respeito apenas com sua presença. As horas que se seguiram posso dizer que foram as melhores do ano, em termos de experiência musical. Como eu sabia que o término do Craig e o frio descomunal logo iriam lotar o Main Room, rapidamente fiz meu caminho até o acrílico, aonde fiquei até 7 da manhã sem arredar o pé.

    Sim, você leu certo: Main Room. Tomo a liberdade de me referir ao Inside pelo seu antigo nome pois foi exatamente a sensação que tive naquele dia, a de estar vivendo uma noite “das antigas” no templo. Marcel Dettmann fez um set de 3h30 sem um hit sequer, apenas um ou outro clássico que somente os ouvidos mais apurados reconheciam, de maneira a construir uma hipnose na qual cada música era uma nova viagem introspectiva. O som era constante, pesado, breaks eram quase inexistentes e sempre curtos, mas momentos de respiro existiam com belas levadas melódicas que eventualmente surgiam e arrancavam suspiros do público. Pela primeira vez em muitos anos pude presenciar uma pista em quase completo silêncio, não havia espaço para falar, tanto pela música como pela vontade de imersão, infinitamente superior à de participar de qualquer diálogo.

    Não há muito o que detalhar sobre o que Marcel fez, seu som é do tipo que se sente e não se explica, que se lembra e se recomenda. O dia já estava amanhecendo e as energias se esvaindo quando ele concluiu sua lenda com categoria, soltando um Kraftwerk enquanto o Sol indicava que era hora de voltar à realidade. De alma lavada e esperanças renovadas, saímos rumo ao after, sonhando com mais noites memoráveis como essa. Seria pedir muito, Warung?

  • A trupe de Carlos Capslock invade o Terraza BC!

    Uma das festas alternativas de maior expressão no Brasil chega a Santa Catarina para seu primeiro showcase no estado. Neste sábado (04) o Terraza BC apresenta Carlos Capslock Showcase! Toda a transgressão e efervescência cultural de Paulo Tessuto se catabolizam na festa itinerante Carlos Capslock. O nome veio de uma brincadeira entre amigos e o personagem, deformador de opiniões e designer de teclados, é parte integrante de toda a identidade visual do projeto.

    Toda a comunicação é feita com bom humor e de forma viral. São telenovelas, fanzines, montagens e uma série de artifícios que adicionam um toque de humor e acidez ao evento. Críticas políticas e sociais são constantemente abordados como temática dos eventos. A música passeia de forma hipnótica entre sons minimalistas, techno, nudisco, downtempo, micro house e o que mais possa levar os frequentadores a uma experiência inovadora e destoante do cenário local. O núcleo, que já tem mais de meia década de existência, foi o estaleiro de grandes talentos que estão começando a despontar na grande cena, como L_cio e Fractal Mood, grande atração sendo apresentada ao público do litoral catarinense. Além dele, o line-up conta com o idealizador Paulo Tessuto e o residente do Terraza BC e do detroitbr, Bernardo Ziembik.

     

  • Warung aposta no techno com Marcel Dettmann e Carl Craig

    No próximo dia 11 de junho teremos a oportunidade de aproveitar uma noite no Warung como há algum tempo não temos: dois grandes nomes do techno, um encabeçando cada pista. No Inside, antigo Main Room, o clima europeu fica por conta do DJ alemão Marcel Dettmann, uma das grandes figuras da Ostgut Ton, selo do Berghain. Marcel é sempre um dos principais headliners dos maiores festivais de techno do mundo, como Time Warp, Awakenings e Movement. Igualmente relevante mas vindo da escola americana, mais especificamente de Detroit, é a grande atração do Garden: Carl Craig. O DJ estreou no templo no começo do ano e caiu no gosto do público, garantindo nova escalação em um contexto diferente do de sua estreia.

    Completando os line-ups, grandes talentos nacionais: Mandi e HNQO no Garden e Gromma e Wilian Kraupp no Inside. Os ingressos estão à venda pelo site www.warung.com.br.

  • SFX revela que pode declarar falência a qualquer momento

    Em um novo relatório a SFX Entertainment revelou que pode declarar falência em breve. A empresa ficou famosa após seu CEO Robert Sillerman declarar que iria conquistar a dance music mundial com um investimento de 1 bilhão de dólares. As intenções megalomaníacas se confirmaram com as aquisições feitas em seguida: a produtora ID&T (de Tomorrowland e Sensation), o Rock In Rio, o Beatport, o app Shazam, a agência brasileira Plus Talent são só alguns exemplos de empresas que passaram a fazer parte do império de Sillerman.

    O passar do tempo, porém, mostrou que só dinheiro não é suficiente para tal feito: depois de ser avaliada em um bilhão de dólares no final de 2013, viu o começo do declínio quando anunciou que seria vendida ao seu fundador, deixando de ter capital aberto. Neste meio tempo o Beatport congelou os pagamentos às gravadoras e tentativa de Sillerman de reaver a empresa falhou, desvalorizando-a ainda mais. Em setembro de 2015 sua ação valia apenas 45 centavos de dólar, uma queda de mais de 95% se comparado ao seu pico de US$ 11,59, atingido em 2013.

    Com os débitos crescendo cada vez mais a companhia começou a atrasar alguns compromissos, o que a levou a contratar uma consultoria para ajudar a administrar o caos financeiro. Os últimos relatórios divulgados revelaram que a empresa, que possui cerca de 60 milhões de dólares em caixa e 310 milhões de dólares em dúvidas (info via NASDAQ), não sobreviverá a 2016 e declare sua falência.

    via Resident Advisor

  • Yellow fomenta a cena independente da Grande Curitiba com Encontro neste sábado

    Neste ano o formato de Encontro realizado pela Yellow completou 10 anos e teve, de fato, um de seus mais brilhantes anos. Nascido dentro da Fnac em 2005, seu propósito sempre foi reunir pessoas envolvidas com os bastidores da cena eletrônica para que estas troquem experiências e ideias, visando um melhor resultado na busca de objetivos em comum. Em 2015 o Encontro fez sua maior tour, sendo realizado em três filiais da Fnac (Curitiba, São Paulo e Brasília), além de duas edições independentes: uma em Ponta Grossa e outra em Almirante Tamandaré, que acontece no próximo sábado.

    O Encontro de Almirante Tamandaré pode ser entendido como uma edição complementar ao Encontro Fnac Curitiba, pois como a edição da capital acaba assumindo o perfil de “edição nacional”, por sua tradição e grande exposição, a cena independente local acaba ficando sem os benefícios sentidos nas praças aonde ele assumiu o perfil mais regional. Pensando nisso, a curadoria escolheu uma cidade da região metropolitana para sediar este Encontro, que se dividirá em três painéis:

    15h00 – Como a cultura eletrônica pode obter representatividade fora das capitais?

    Nas capitais a cultura eletrônica já possui certa aceitação por parte da sociedade, o que permitiu que as empresas e coletivos ligados à ela se proliferassem na última década. Nas cidades menores, no entanto, o desafio ainda é grande, por isso convidamos os heróis que assumiram praticamente sozinhos a responsabilidade de levantar a bandeira desta cena alternativa em suas respectivas praças. Na mesa redonda teremos G.Felix, Guilherme Cujary e Fábio Jurevitz representando a Grande Curitiba, Edson Richard vindo do litoral, Sam Pierry dos Campos Gerais e Alex Sevela e Michael Caliman do norte de Santa Catarina. A mediação fica por minha conta, que além de estar à frente de um coletivo sediado em Itajaí, comecei minha carreira na pequena Palmeira.

    16h20 – A importância e a missão das festas, selos e artistas independentes.

    Curitiba viu em 2015 um grande avanço em sua cena independente. Vimos o nascimento da festa Reddoma, realização do coletivo Gold Dome em parceria com outro grupo, que está introduzindo na cidade uma nova forma de viver a arte, enquanto a tradicional Hot Legs alcançou grandes voos fora do estado e o “semi-forasteiro” detroitbr lançou seu braço paranaense. Paralelo a isso, a Laguna Music cresceu e os selos ToneMind e Music Nerds revelaram diversos produtores locais. Neste painel, que ainda está com a mediação pendente, todos discutirão formas de se posicionar no mercado de maneira equilibrada e eficaz, para que haja ainda mais interação entre os realizadores da cidade.

    17h40 – Vida de Artista.

    O terceiro painel sai dos bastidores da realização de eventos e se volta aos artistas, que são quem de fato cria a história da cultura eletrônica. Nele o público e o mediador Christ irão tentar extrair de três nomes já consagrados as suas experiências, entendendo um pouco da cabeça do DJ e do produtor em meio ao cenário musical. Na mesa redonda, Roma Dias representando a cena trance, Renan Mendes a house/nu-disco e Malik Mustache o g-house.

    Programação musical

    Os dois vencedores do Circuito Techno & House 2015 se apresentarão no evento. O campeão Royce Laroca toca às 14h, durante o credenciamento, enquanto o vice-campeão Soney assume o fechamento, às 19h.

    Serviço

    Data: sábado, 5 de dezembro de 2015
    Hora: 14:00 (início do credenciamento)
    Local: Centro da Juventude de Almirante Tamandaré – R. Dep. Max Rosenmann, 100
    Evento oficial: https://www.facebook.com/events/1677199135825892/