Categoria: Cena

  • Desafios e superação marcam o ano da evolução da Tribaltech

    No ano passado a Tribaltech iniciou uma trilogia na qual cada festa teria uma temática conceitual. A primeira foi intitulada Reborn: após declarar seu fim em 2012 e passar por um breve hiato em 2013, em 2014 o festival voltou completamente reinventado, abraçando novas tribos e valores e demonstrando o que pretendia enquanto evento cultural. A edição seguinte recebeu o título de Evolution e, assim como a morte foi necessária para o renascimento, grandes desafios tornaram a evolução uma realidade.

    Antes de começar o evento o primeiro baque veio da mesma maneira que veio para a maior parte das empresas brasileiras: a desvalorização do Real encareceu praticamente tudo, inclusive o cachê de diversos artistas internacionais, que recebem em Dólar ou Euro. Alguns dias antes da festa, o segundo baque veio, em forma de previsão do tempo, que apontava quase 100mm de água caindo do céu durante o fim de semana. Claro que as adversidades enfrentadas não estavam nos planos da organização, no entanto, sua experiência e sabedoria para lidar com elas demonstraram que a TT estava pronta para evoluir. Naturalmente nem tudo foram flores, em alguns momentos faltaram agilidade e comunicação diante dos problemas, porém, a execução como um todo foi satisfatória e digna de reconhecimento.

    Escrever um review de um evento do qual fizemos parte é sempre um problema, pois o conhecimento de fatos e detalhes de bastidores fazem com que nós tenhamos uma visão distinta da maioria das pessoas, por isso, novamente optamos por substituí-lo por um papo direto e transparente com os idealizadores do festival. Desta vez, no entanto, apenas eu e Jeje estávamos na mesa, para a conversa de 25 minutos que você ouve pelo link abaixo.

     

    Entrevista com Jeje (Tribaltech) – 19/10/2015 by Mohamad Hajar Neto on Mixcloud

    Como podemos ver, a T2 não só sobreviveu ao perrengue como já está com a cabeça em 2016. A edição de encerramento da trilogia deverá absorver todas as experiências vividas no ano da evolução, para alcançarmos a redenção com a intensidade que desejamos já há três anos. O set usado de fundo é o último Boiler Room gravado por RØDHÅD, que você pode assistir na íntegra clicando na foto abaixo.

  • Encontro Fnac de Música Eletrônica volta a São Paulo nesta semana

    Chegou a vez de São Paulo receber a última etapa da edição especial dos 10 anos do Encontro Fnac de Música Eletrônica! O evento acontece anualmente desde 2006 em Curitiba, realizado pela Yellow DJ Academy, e é considerado um dos mais importantes encontros voltados para este mercado no estado. Aberto a toda a comunidade e 100% gratuito desde a sua primeira edição, tem como seu principal objetivo promover o crescimento do mercado regional, por meio de debates, palestras e workshops, com profissionais envolvidos e engajados na área.

    PROGRAMAÇÃO

    | Quarta (21 de outubro) |

    18h – Credenciamento
    Warm up com DJ Baske (e-DJs) + Distribuição dos kits dos participantes

    19h – Debate “A evidente força do novo movimento itinerante”

    Elijah (Party Hard)
    Leonardo Ruas (ˈtīmləs)
    Thiago Guiselini (Soulset)
    Henrique Marciano (Fractal Mood)
    Mauro Farina (Free Beats)

    Mediação: Raul Aguilera

    20h – Bate papo “Vida de Artista”

    Gabriel Boni (Entourage)
    Erick Jay
    Marvin Hell (Electrixx/Toxxic)
    Stupidizko (Glide)
    Renato Cohen
    Mediação: Maurício Angelo (Glide)

    21h – Debate “Por que pagamos tanto para se fazer música em nosso país?”

    Sérgio (Music Company)
    Priscila Berquó (Roland Brasil)
    Shao (In Music)

    Mediação: Michel Skava

    | Quinta (22 de outubro) |

    18h – Credenciamento
    Warm up com DJ Adriano Cortez (Ban EMC) + Distribuição dos kits dos participantes

    19h – Debate: “Como gerar crescimento sustentável dentro da indústria musical eletrônica?”

    Diogo Andrade (DM7)
    Eli Iwasa
    Mauricio Angelo (Glide)

    Mediação: Mohamad (detroitbr)

    20h – Bate papo “Vida de Artista”

    Mandraks (Entourage)
    Tough Art (Season Bookings)
    Krash (Glide)
    Groove Delight
    Mau mau

    Mediação: Ban (Ban EMC)

    21h – Debate “Os produtores brasileiros estão prontos para um novo boom musical?”

    Lisa Bueno (e-DJs)
    Ban (Ban EMC)
    Lucas Carrilho (Glide)
    Léo Casagrande (Léo Casagrande Studio)
    André Salata
    Michel Shkava

    Mediação: Christ (Yellow DJ Academy)

    Serviço

    Local: Fnac Paulista – Av. Paulista, 901 – Bela Vista, São Paulo – SP, 01311-100
    Inscrições: http://academy.yellow.art.br/fnac-sp2015

  • Terraza BC comemora um ano com grandes talentos nacionais

    Em apenas um ano de Terraza BC uma seleção de renomados artistas da música eletrônica passaram pelo club. Entre eles: Carl Craig, Radio Slave, Nic Fanciulli, DJ Koze, Daniel Stefanik, Audio Werner, Robag Wruhmme. Para celebrar o aniversário de um ano da casa, no dia 17 de outubro, talentosos artistas brasileiros foram selecionados. 

    Todos eles, com exceção à residente Antonela Giampietro, fazem sua estreia na pista do Terraza BC, sendo cada um originário de um estado diferente. Começamos a viagem pelo Paraná, terra de Kaká Franco, que apesar de ser uma revelação recente do house nacional, possui vasta experiência e uma invejável biblioteca de discos. Passando para o sudeste chegamos ao paulista Ney Faustini, que também tem encontrado destaque há pouco tempo. Em 2013 venceu o prêmio de DJ Revelação pelo Rio Music Conference, época em que também passou a integrar o casting do D.Agency, o que tem lhe rendido espaço em bons clubs do país nos últimos tempos. Finalizando nossa viagem, chegamos à Minas Gerais de Anderson Noise. O DJ é o mais experiente entre os três: com quase duas décadas de carreira, 32 países diferentes e mais de 50 lançamentos, Noise vem à pistinha mais quente de BC para compartilhar um pouco de todo esse conhecimento.

    SERVIÇO

    Evento: Terraza BC – Aniversário de 1 Ano
    Data: 17 de outubro de 2015 – Sábado
    Horário: 22 horas
    Local: Music Park BC – Rua Francisco Córrea, 908 – Balneário Camboriú/SC
    Preço: Primeiro lote – Feminino Pista R$ 20/ Masculino Pista R$ 50

    Pontos de venda

    Music Park – Balneário Camboriú
    Loop Brasil – Av. Brasil
    Postos Brava – Itapema e Balneário Camboriú
    Rede Multisom
    Rede Blueticket
    Promoters Autorizados
    Central de vendas Blueticket +55 (48) 4052-9001

    Mais informações: (47) 3366-6330

  • La Famiglia é a festa temática comandada pelos residentes do Terraza

    Inspirada na recente história do club, gerido pelo italiano Tony Milano, a Terraza criou La Famiglia, sua nova label que vai agitar a pista mais democrática de Florianópolis no dia 30 de outubro. A ideia da festa surgiu com a vontade de transmitir o clima dos bastidores da Terraza e levar para as longas noites do club a mesma animação e intensidade vividas no dia a dia. “Entregar uma festa ao público requer muito mais do que as pessoas imaginam, é um trabalho diário que gera expectativa e une os profissionais”, afirma Mariana Censi, responsável pelo marketing da casa. “Colocar em prática tudo que foi pensado é prazeroso e ver o resultado na pista é muito gratificante, não tem como não ficar feliz e comemorar. Afinal, nós gastamos de fazer festa”, finaliza.

    Criada na temporada 2011/2012, como after oficial das festas na Pacha Floripa, a Terraza se resumia a uma tenda montada do lado de fora da Pacha. A música era reproduzida sem um estilo definido e ao ar livre até o dia nascer. Foi essa maneira diferente de curtir a noite que fez a Terraza ganhar um público fiel e cara nova na temporada seguinte, com um ambiente fixo que se transformou na pista mais democrática da Ilha, que em 2014 abriu uma filial no litoral norte de Santa Catarina, a Terraza BC.

    Para mostrar o talento, a diversidade e a qualidade de quem conduz as cabines das duas sedes, a noite de 30 de outubro será comandada pelos residentes das casas com sets em estilo back to back com as duplas formadas por: Antonela Giampietro e Emmy Betiol, Bernanrdo Ziembik e Doriva Rozek, Gustavo Pamplona e Ricardo Lin, Guilherme Konnin e Idee a.k.a Renee, além da VJ Linien. “Vamos reunir toda a família do clube para festejar a sintonia de fazer da Terraza um local de música eletrônica de vanguarda, onde várias tribos se encontram e se divertem à noite”, celebra Tony Milano.

    SERVIÇO:

    Evento: La Famiglia
    Data: 30 de outubro de 2015 (sexta-feira)
    Local: Terraza – Rod. Maurício Sirotsky Sobrinho, 2.500, Jurerê Internacional – Florianópolis/SC
    Preço: R$ 30 (fem) e R$ 60 (masc) – valores de 1º lote

    Pontos de venda:

    Blueticket
    Music Park – Jurerê Internacional
    Loja Blueticket – Beiramar Shopping
    Cheia de Graça – Centro, Lagoa e Ingleses
    Petry Calçados – Biguaçu
    Rede Multisom – SC, RS E PR
    Promoters autorizados
    Central de vendas Blueticket +55 (48) 4052-9001

    Mais informações: (48) 3282-2054

    Via Assessoria de Imprensa.

  • DJ Vibe surpreende e faz bela apresentação no showcase da FACT

    O Warung Beach Club apresentou o showcase da FACT no dia 19 de setembro, com nomes como André Jalbut, Rick Maia e o bom DJ Vibe no Garden, onde nossa equipe passou a maior parte do tempo. No Inside, o time escalado foi Diogo Accioly, Phonique e a estreia de Oliver Giacomotto. Infelizmente desta vez nossa equipe não conseguiu comparecer ao evento desde o começo, pois tivemos uma edição do detroitbr labs em Curitiba no dia anterior e enfrentamos vários contra-tempos na BR-101, sendo surpreendidos pela forte chuva e acidentes que fizeram com que nossa chegada ao templo fosse por volta da 01h00. Já dentro do clube pudemos notar algumas coisas interessantes, a primeira delas foi a excelente ação realizada pela Tribaltech, com vendas de ingressos, camisas, além de esclarecer duvidas sobre o festival. 

    No segundo momento fomos conhecer o novo bar da casa, citado pelo Jonas Fachi no review anterior. Posso dizer que o “Temple Drinks” foi um grande acerto! Trata-se de um bar não convencional localizado entre os dois bares do térreo do Inside. Antigamente essa era uma área pouco utilizada no clube e agora passa a ser mais uma boa opção para quem procura algo diferenciado. Depois de passear e conhecer as novidades subimos para a pista, onde Phonique se apresentava. Um dos fatores que nitidamente contribuía para deixar a experiência mais agradável foi o fato do Inside, assim como todo o club, estar extremamente confortável. Comparado a apresentações passadas, pode-se dizer que o alemão teve uma boa evolução, mas ainda assim longe de fazer um set com grandes emoções. Mesmo assim pudemos apreciar bons momentos, como o classic Green Velvet “lala land”.

    Já no Garden o clima era outro. De cara pudemos notar que não havíamos perdido a apresentação de André Buljat, ele e Rick Maia optaram pelo formato b2b, fazendo um long set de 6 horas. A apresentação era dinâmica, não se prendendo a rótulos e criando bons momentos. O legal de vê-los tocando é notar que possuíam um entrosamento importante para que o set funcionasse, era nítido que um conhecia muito bem o trabalho do outro. Próximo às 04h00 me desloquei para o inside para acompanhar a estreia de Oliver Giacomotto, que teve a difícil missão de substituir Marc Houle no headline desta festa. O assisti por uns 40 minutos e, durante esse tempo, seu set foi pouco criativo, como se não contasse uma história, apenas fizesse uma transição de uma música para outra. Diante disso o Garden se tornou a melhor opção novamente. 

    Ele já havia se apresentado outras vezes no Warung, mas nunca foi um DJ que me chamasse atenção. Com uma ótima mixagem e uma variação interessantíssima entre sons mais novos e outros old school, DJ Vibe colocou o tempero que faltava nessa noite que ainda oscilava. Sua apresentação permaneceu numa faixa de altos BPMs, sendo em um primeiro momento uma adaptação do que foi apresentado anteriormente por André e Rick, caracterizado por house e tech house, e em um segundo momento já com a pista na mão o techno como evidencia. Seu principal momento foi quando meio toda essa variação Fly Life surgiu como uma bomba na pista, clássico de Basemant Jaxx que soa até hoje como som atual. 

    Warung teve seu termino às 07h00, como vem religiosamente acontecendo. O próximo evento conta com grandes atrações, como Stekke e Mathew Jonson, no dia 03 de outubro. 

  • Cattaneo celebra 10 anos de residência no Warung

    O feriado de independência do Brasil foi ao longo do tempo se tornando uma das principais datas do calendário de eventos do Warung Beach Club, visto a enorme quantidade de turistas que se movimentam em direção ao litoral catarinense, onde mesmo com as condições climáticas não favoráveis, fizeram formar-se filas ao longo da BR-101 entre Navegantes e Porto Belo, mostrando a importância que a vida noturna tem na região. Além disso, o club da Praia Brava não apostava em nomes consagrados da casa nesta data desde 2011, com o épico long set de Dubfire, o que significa que já estava na hora de outra desse porte, desta vez com o DJ argentino Hernan Cattaneo como convidado.
     
    No verão de 2005 ele fez sua estreia no templo e durante o passar dos anos alternou entre carnavais, revéillons e páscoas, mas nos últimos 5 anos ele religiosamente se apresentou no club entre 28 e 29 de dezembro, período de férias que facilitava muito a vinda de turistas de toda América do Sul, argentinos principalmente. A realocação de Hernan, no entanto, não inibiu os hermanos, que fizeram grande número à frente da cabine para apreciar o aguardado long set do mestre. A composição do line-up é algo a se ressaltar, ter uma noite praticamente inteira dedicada a um artista já foi parte da identidade do club em tempos áureos, e hoje apenas ele é um dos poucos a ter o privilégio de dar o start à 1:00 em ponto e tocar até o amanhecer. O destaque dado na divulgação do evento a isto somado ao nome de Sharam Jey, que tem boa relevância em meio ao público mais novo do club, fez os lotes de ingressos girarem rapidamente, culminando no sold-out no sábado a tarde, dia da festa. A prova de que podemos voltar no tempo e ter noites mais enxutas de artistas já estava dada.
     
    Para a abertura do Main Room novamente escalado foi o talentosíssimo DJ catarinense e integrante do núcleo detroitbr, Danee. Historicamente nomes como Leozinho e Daniel Kuhnen fizeram warm-ups elogiáveis para o argentino, porém ninguém conseguiu fazer uma leitura tão precisa como ele, do que é ideal para deixar a pista no ponto para o perfil de Hernan. Danee tem uma percepção de pista e uma qualidade técnica muito diferenciada, sendo provavelmente uma das melhores apostas do Brasil para o mundo nos próximos anos, seu set cadenciado com uma elaboração sistêmica fez a pista vibrar positivamente e já começar a viver o clima de uma noite ímpar. 
    Por volta de meia noite e vinte tive o prazer de bater um papo bem descontraído com Hernan em sua chegada à casa, no novo bar localizado atrás do banheiro masculino da parte inferior. Catta nos contou um pouco sobre como tem sido maravilhoso voltar a morar em Buenos Aires, e que não se importa em ter que pegar mais conexões aéreas para seus shows mundo afora, pois nas suas palavras, “família é tudo, filhos são a melhor coisa que pode acontecer na vida de um homem, por isso voltei”. Hernan também nós contou um pouco da magia do Burning Man e que sofreu uma torção no pé andando de bicicleta no deserto, fato que fez seu médico recomendar que não viajasse para a gig no Brasil. Como já era hora do show subimos à cabine e, como de costume, a recepção do publico foi muito quente. HC, mesmo mancando, não via a hora de tocar! Logo me juntei à enorme quantidade de amigos na pista e comecei a entrar no ritmo envolvente que foi se criando logo na primeira hora de set, um tom mais tribal e sério, que foi ganhando ritmo e abrindo espaço para os primeiros picos de euforia.
    Falar sobre um artista que você admira e respeita tanto é mais difícil do que parece, isso quando ele sempre acha uma forma de te surpreender. Hernan Cattaneo é como um livro sem fim, se você começar a ler, de verdade, vai fazer isso pro resto da vida. É como se ele contasse a mesma história sempre de maneira diferente, você sabe o caminho que vai percorrer com ele, mas nem imagina todas maravilhas que vai encontrar durante o percurso. Neste ano ele contornou um pouco as melodias e a soturnidade tão comum em seu estilo e preferiu levar a pista por uma onda mais fria e anestesiante. Um dos destaques das duas primeiras horas foram as músicas “Virgo” de Alex Niggemann, com remix de Fur Coat, e “Walls” de Monkey Safari, com fantástico remix de Guy Gerber. Dali em diante, já com com o pitch no ponto, ele seguiu conduzindo todos com uma linha de baixo pesada e de groove delirante, fazendo a tão esperada “peneira na pista” Hernan moldou e jogou o que queria, são as famosas duas horas do meio do set em que a pista fica praticamente sem reação, tamanha intensidade que ele vai colocando as músicas, com viradas desconcertantes e forte carga de elementos aleatórios, que aparecem e somem sozinhos.
    Certamente momentos de emoção também não faltaram, principalmente nas últimas duas horas, musicas como Chrysalism de Rodriguez Jr., Acamar de Frankey & Sandrino, e Lalitha de Sahar Z & Audio Junkies foram possivelmente os pontos mais simbióticos da noite. As escolhas finais no amanhecer dão sempre um tom de volta ao mundo real, e os destaques ficaram na ótima sequencia de All I Want de Bob Moses com remix desconhecido, virando para um classico de 1998 chamado Hale Bopp, de Der Dritte Raum, com versão remasterizada por Raumgleiter em 2013, e a escolha pro encerramento foi uma das melhores já vistas, Timing de Guy Gerber é reconhecível nos primeiros dois segundos por tamanha singularidade que tem, apontada por muitos como o maior clássico do club, já foi tocada por caras como Sven Vath, John Digweed, e o próprio Gerber. Só faltava encaixar no set de Hernan e o momento era esse, o público não se conteve e o canto de reverência “Ole, ole, ole, Hernan, Hernan” ecoou por toda estrutura do templo até se perder no mar. O maestro mais uma vez provou ter o espírito totalmente conectado com o Warung, e isso, nem os argentinos discordam.
     
    Fotos: Gustavo Remor / Juliano Viana / IMAGECARE.
  • Boghosian brilha na ausência de Dettmann

    Quando o primeiro line-up da noite de 22 de agosto foi divulgado não pude conter a criação de grandes expectativas: um dos meus maiores ídolos, Marcel Dettmann, seria o grande headliner do Inside, que contaria ainda com o warm up de um surpreendente b2b entre Boghosian e Ale Reis. Infelizmente agosto faz parte da alta temporada de festivais na Europa, o que fez com que Marcel cancelasse a data dias após a divulgação do material abaixo.

    Após a perda do artista, Ale Reis também foi sacado do line-up, que contou apenas com Dimitri Nakov como reforço. No lançamento dos horários, Blond:ish assumiu a vaga principal do Inside e surpreendentemente Paulo ocupou a outra vaga “nobre” dos horários, deixando o aquecimento a cargo do francês. Conversando com o público presente pude perceber que muitos achavam que Dimitri deveria estar no segundo horário, mas após ver o resultado da noite podemos afirmar que a curadoria acertou nesta “inversão”. Quem conhece o trabalho de Nakov sabe: é um camaleão, e um excelente DJ. Nesta noite provou que warm up nem sempre é sinônimo de BPMs baixos. Com um set dinâmico, soube fazer uma construção bem elaborada, tendo momentos de intensidade, como também cadenciados. Podemos dizer também que Dimitri apresentou um profissionalismo de primeira, que mesmo com um set fora do habitual, soube respeitar o artista subsequente e ao mesmo tempo encantar quem o assistia.

    Com a entrada de Paulo, o impacto veio em sua primeira música. Vocês sabem aquela sensação de que algo grande viria? O sentimento era esse. Já de início aplicava algo desconcertante, até então inédito para mim, pelo tempo que acompanho seu trabalho. Na sua primeira hora de set já era evidente o porquê de ele estar ali e, naquele horário, justificando tamanha confiança que o clube tem no Savage. Desta vez sua construção, normalmente bem equilibrada entre techno, tech house e house, foi focada no techno na maior parte do tempo, transitando por selos como Klockwork, de Ben Klock, tocando em um momento muito ímpar a track “Black Russian” de DVS1. 

    A vibração do público no momento era de emocionar, o que me fez refletir sobre o estágio de maturação do público relacionado à música. Mesmo sem o desejado Dettmann presente pudemos acompanhar um set com muita conexão com o universo que o alemão carregaria consigo, sendo executado por um brasileiro com a mesma maestria do mega-time que havia roubado a cena no começo do mês. Nesta noite  o ponto era de Paulo, que fazia uma apresentação fantástica, acredito que um dos melhores que já o vi fazer. Artista de muita qualidade, saindo totalmente da sua zona de conforto, buscando algo inovador, o que esperamos de grandes apresentações. No final o público o aplaudia, como forma de reconhecimento pelo grande trabalho que foi apresentado.

    Com a entrada de Blond:ish, houve um rompimento na história que estava sendo contata pela noite. Não necessariamente como algo pejorativo, mas descontextualizado com que Dimitri e Paulo apresentaram. As canadenses apresentaram bons momentos e outros aquém do que se espera de um artista que já encabeça bons EPs por selos como Kompakt e Get Physical. Infelizmente na pista elas não conseguiram surpreender ou sequer desenvolver uma linearidade para quem o assistia, era um set com boas referências, mas longe de ser algo próximo do que já havíamos assistido ali naquela noite. Religiosamente o término do evento aconteceu as 7h da manhã. A próxima noite do templo é com a lenda argentina Hernan Cattaneo, no feriado da independência, e o warm-up é por conta do nosso residente Danee

    Imagens: Juliano Viana / IMAGECARE.

  • Cultura Eletrônica vive ótimo momento em Curitiba

    O mês de agosto de 2015 sofreu um surpreeendente e injusto bullying esse ano, com diversos memes e piadas clamando pelo seu fim. A brincadeira era engraçada mas não fazia muito sentido para mim, dada a quantidade de acontecimentos importantes para o contexto em que estamos inseridos. Nos últimos dias vimos a consolidação de Curitiba como um grande pólo de cultura eletrônica, graças a diversos projetos e acontecimentos sediados na cidade.

    Encontro Fnac de Música Eletrônica

     Nos dias 19 e 20 de agosto a livraria Fnac, situada no ParkShoppingBarigui, sediou a décima edição do Encontro, idealizado e organizado pela Yellow DJ Academy. Pela terceira vez participamos da curadoria, que apresentou dois interessantes debates com figuras importantes e experientes da cena (um sobre crescimento sustentável e outro sobre os sucessos e desafios das novas empresas do meio), duas sessões de perguntas e respostas com alguns ídolos da atualidade (Click Box, Re Dupre e Groove Delight) e um workshop de apresentação da nova linha de sintetizadores modulares da Roland.

     

    Tribaltech 2015

    No dia 24 de agosto a Tribaltech divulgou seu line-up completo e entrou na reta final do evento, que acontece em menos de 45 dias e deverá se confirmar como um dos festivais mais ousados e conceituais do país. Entre os artistas confirmados, algumas lendas como Carl Craig, Derrick Carter e Claude Von Stroke, novidades interessantes como Cobblestone Jazz, Rodhad, Roman Flugel, Traumer e o live Hybrid, de Dubfire, além de diversos bons artistas, nacionais e internacionais. Neste ano a festa terá dois dias e um camping oficial, com estrutura de primeira e festas paralelas exclusivas, criando uma experiência imersiva até então inédita na cidade.

    RMC Regional Sul

    Nos dias 27 a 29 de agosto o Portão Cultural sediou a edição regional Sul do Rio Music Conference, que reuniu boa parte dos realizadores da música eletrônica de PR, SC e RS, proporcionando uma grande troca de experiências entre eles. Além disso, diversos painéis discutiram diferentes pontos dos bastidores, com o objetivo de profissionalizar e direcionar todos que possuam algum objetivo dentro deste mercado, e a AIMEC ministrou cinco workshops técnicos, voltados para DJs e produtores em início de carreira.

     

    Sounds in da City

    Já tem algum tempo que Curitiba apresenta bons eventos em espaços urbanos públicos, como praças e ruas. De música eletrônica no entanto, não muitos. Tivemos o carnaval da Vibe na Marechal Deodoro, que apesar de ter reunido mais de 30 mil pessoas teve um final tenso, e a Free Zone, coletivo que ocupa diferentes espaços há algum tempo, em proporções menores do que a citada anteriormente. 

    No dia 29 de agosto a ocupação do espaço urbano pela cultura eletrônica deu mais um importante passo: o Sounds in da City, núcleo que já fez dezenas de eventos em Florianópolis, realizou sua primeira edição na capital paranaense. A festa aconteceu no Largo da Ordem e se estendeu por todo o sábado, criando um clima de paz e diversão não tão típico no lugar, com pessoas de diversas tribos interagindo entre si.

    Diz-se que não somos capazes de reconhecer uma revolução quando estamos no meio dela, pois ela só será caracterizada se mudar drasticamente os paradigmas de uma sociedade. De fato, não podemos afirmar com certeza, mas querem meu palpite? Estamos fazendo história e, pouco a pouco, melhorando o espectro cultural que ofereceremos aos nossos decendentes. Quem venham os próximos capítulos!

  • D-Edge comemora seus 15 anos com agenda imponente

    O clube noturno D-Edge representa uma das peças fundamentais da construção da cena da música eletrônica brasileira. Comemorando seus 15 anos de história, o clube que foi idealizado pelo empresário, DJ e produtor Renato Ratier é conhecido mundo afora pela mais diversa gama de artistas e produtores musicais, e seu design minimalista com painéis de LED do chão ao teto já serviu de referência para diversos outros clubes do mundo.

    Em um momento de instabilidade econômica local, a curadoria artística se mantém fiel aos seus ideais e apresenta uma programação imponente. As comemorações de 15 anos do D-EDGE ganham o seu primeiro vídeo, com depoimentos de personagens da indústria que já fizeram e/ou ainda contribuem como parceiros para o clube, entre eles Ellen Alien, Pillowtalk, Fred P, Roman Fluegel, Cesare vs. Disorder.

    O segundo semestre já apresentou diversos artistas de peso como a lenda do techno Derrick May e o frontman da maeve, Mano le Tough. A lista promete surpreender ainda mais até o final do ano. Confira abaixo.

    Agosto

    29 – Alex Niggemann
    29 – Philogrezs aka. Phil Hinter Ensemble
    29 – R&B (Deep Secrets, DC)

    Setembro

    10 – Barem
    17 – Rick Maia
    25 – CJ Jeff

    Outubro

    8 – Matthew Johnson
    15 – Justin Martin
    17 – Francesco Tristano + Gaturamo
    22 – Kolombo
    24 – Lawrence
    24 – Vera
    30 – Andhim

    Novembro

    07 – Ben UFO
    12 – Ellum Showcase: Maceo Plex + Shall Ocin
    13 – Seth Troxler
    14 – Fur Coat
    21 – Fumiya Tanaka

    Dezembro

    3 – Rodriguez Jr. (live)

    Via Assessoria de Imprensa.

  • Tribaltech: mais de dez anos de evolução

    Em outubro Curitiba receberá nova edição do seu mais tradicional festival de música eletrônica: a Tribaltech. A temática da festa deste ano gira em torno do conceito de Evolução, o segundo capítulo da trilogia que teve o Renascimento ano passado e terá a Fuga (ou seria Libertação?) no ano que vem, no entanto, a história do núcleo mostra que evolução é uma constante em suas edições. Como frequentador assíduo que não perdeu uma sequer desde a minha primeira em 2007, decidi remontar os momentos deste festival que tanto contribuiu para a música em nosso país.

    2004 a 2008 – Uma infância no trance

    No começo da década passada Curitiba recebia suas primeiras open airs, como Big Fish, Union e XXXperience, rave paulista que era realizada localmente por dois grandes entusiastas da cena que estava nascendo: Jeje e Dudu Marcondes. Foi há 11 anos, em agosto de 2004, que eles deram vida à sua própria festa, intitulada Tribaltech, com a primeira edição realizada no Haras Bom Pastor, em São José dos Pinhais.

    Nesta época o line-up era quase todo composto por artistas de psytrance e vertentes, como Bizarre Contact, Sub6 e Eskimo, mas a veia “tech” já existia e não era apenas no título: os italianos do Presslaboys se apresentaram no primeiro aniversário, em 2005, e Trentemoller era uma surpreendente atração de 2006, fato que infelizmente não se concretizou, pois o artista cancelou sua turnê brasileira na ocasião. Nestes primeiros anos também aconteceram edições em Londrina, Toledo e Florianópolis, o que com certeza contribuiu para que a marca se tornasse conhecida fora da grande Curitiba.

    Foi a partir de 2007 que a TT começou a tomar ares de festival. Ao contrário dos primeiros anos, agora a festa era realizada exclusivamente em Curitiba, apenas uma vez por ano, o que possibilitou um crescimento considerável, tanto em público como em estrutura. Uma das principais novidades era o surgimento do palco alternativo, concebido para ampliar os horizontes artísticos e abrigar artistas de techno e house. O parque de diversões, que já havia se tornado uma das marcas registradas da festa, estava ainda maior. O sucesso foi tão grande que em 2008 a fórmula foi repetida, com a adição de um terceiro palco, separando o techno do house. Neste ano a Tribaltech recebeu uma de suas apresentações mais marcantes, que mudou a vida e os conceitos de muitos que estavam ali assistindo: o live 100% analógico de 300kg de Anthony Rother. Pela primeira vez aquele público tinha contato com a criação pura e grosseira, em tempo real, um verdadeiro live sem Ableton pré-montado.

     

    2009 a 2010 – Uma adolescência multicult

    Diante de todo o sucesso recente não só da TT, mas da cena eletrônica como um todo, em 2009 a T2 Eventos resolveu pular de bungie jump pra fora da zona de conforto e fazer uma aposta que mudaria completamente a cara do festival, além de ter sido a semente que garantiu a força do conceito que ela tem hoje. Com a adição de um quarto palco, 100% voltado para sonoridades orgânicas, e a expansão dos outros dois palcos alternativos, a Tribaltech se tornou um verdadeiro festival multicultural, abraçando diversas tribos e se destacando em meio a tantas raves iguais entre si. Nessa vibe multicultural que surgiram as intervenções durante a festa, os paineis de arte plástica e o Cinetech, ambiente no qual foi realizado uma mostra de cinema independente. Neste ano a cenografia também ganhou um upgrade, ao apresentar o Laser Beam Factory pela primeira vez no Brasil, espetáculo visual que viria a se tornar praxe na maioria das festas do gênero em seguida. O line-up também passou a ter mais peso, contando com apresentações memoráveis de Maetrik (atualmente Maceo Plex), Thomas SchumacherMarc Romboy, Gui Boratto, Tigerskin e diversos outros.

    Com mais um sucesso na conta, em 2010 foi dado mais um passo ousado: o trance, que até então habitava o main stage, agora teria seu próprio stage alternativo, enquanto o principal passou a ser ocupado por artistas de techno e tech house. Na época a organização fora apedrejada pela decisão, no entanto, a mesma foi copiada por todas as raves de origem semelhante Brasil afora, e hoje não há um fã de psytrance que abra mão do seu espaço próprio devidamente contextualizado. Além disso, esta festa também fora castigada pelo tempo frio e cheio de serração, o que acabou por inviabilizar o videomapping do palco principal, a grande novidade visual que seria apresentada. Somando isso a um line-up que em geral não agradou (à exceção de Green Velvet, Sascha Funke e boa parte do psytrance), a Tribaltech enfrentou sua primeira grande baixa.

    2011 a 2012 – Tempo de se reinventar

    Após o balde de água fria, ficou claro que deveria ser feita uma reavaliação dos últimos anos, para selecionar os pontos de sucesso e montar um formato sustentável. Isso era tão claro que em 2011 a temática multicult deu lugar ao Reuse, Repense, Reaja, mostrando outra grande característica do núcleo organizador: a transparência com o público. Apesar do formato enxuto, mais uma vez o tempo não permitiu que o sucesso acontecesse: uma chuva constante fez com que o Organic Beat e até mesmo o main stage (que havia voltado para o formato misto de psytrance e techno/house) ficassem “vazios” por diversos momentos. Nesta festa deu sorte quem ficou com a cobertura: o Black Tarj, que recuperaria o espaço principal no ano seguinte, e o Funk You, que conquistou bastante gente que estava tendo o seu primeiro contato com aquele tipo de sonoridades.

    Foi em 2012, ano do fim do mundo, que a Tribaltech encarou o que iria ser sua última edição. Depois de muitos altos e alguns baixos, decidiu-se fazer a “melhor de todas as edições”, para sair de cena com a imagem que sempre se quis ter para o festival. O palco principal agora era definitivamente techno, com artistas que encabeçam festivais como Time Warp e Awakenings, o trance voltou a ter seu próprio palco, desta vez, com cenografia e decoração impressionantes, e o house passou a ser assinado pelo Club Vibe, que havia sido incorporado ao ecossistema T2 após reforma realizada alguns anos antes. Como as pessoas só dão valor ao que tem quando perdem, o The End se tornou a maior e mais elogiada Tribaltech da história.

    Nesta festa tudo funcionou: o line-up equilibrado e a inspiração de Dubfire e Magda recriaram pela primeira vez o clima de um verdadeiro festival de techno; o pavilhão da Vibe conseguiu transpor o clima intimista do clubinho para as proporções de superclub; a cenografia, localização e contextualização do psytrance fez com que até os mais xiitas se sentissem à vontade no “mini-festival” ali montado; e o tempo ajudou de verdade, com um dia ensolarado e bonito.

    2014 – Let’s Reborn

    O sucesso do formato e a recepção do público foi tanta que o inevitável aconteceu: dois anos depois o festival estaria renascendo, com mais força do que nunca! A edição de 2014, intitulada Tribaltech Reborn, trouxe o melhor do festival de volta à vida, abrindo espaço para inúmeros novas tribos em nada menos do que 12 palcos, que iriam dos tradicionais techno, house e psytrance, até novidades como bass music e breaks. A ambientação atingiu níveis nunca antes alcançado por um festival brasileiro: a cidade temporária tinha diversos ambientes e detalhes a serem explorados, proporcionando uma verdadeira imersão para o reborner.

    2015 – It’s Time For Evolution

    O segundo capítulo da trilogia, a ser realizado neste ano, é mais um salto evolutivo no conceito, como foi em 2009 e 2014. A começar pela duração de dois dias, velho sonho da organização que finalmente está se concretizando. Para tanto, será fundada a Evolution Town, cidade temporária com camping, estrutura de primeira e festa exclusiva para moradores, projetada para receber pessoas dispostas a dar um passo adiante na imersão. Fora desta cidade a quantidade de palcos encolheu, no entanto, o line-up escalado é um dos melhores da América do Sul no ano, em termos de techno e house.

    A grande aposta é naquele que garantiu uma manhã inesquecível em 2012: Dubfire, que desta vez, vem com seu live Hybrid, inédito no Brasil. No setor da aula de história, alguns mestres: o representante do house de Chicago, Derrick Carter; o chefão da Dirtybirdz, Claude Von Stroke; e a lenda do techno de Detroit, Carl Craig, que já realizou duas obras-primas no Terraza no começo deste ano e deve ser um dos destaques do festival. A ala europeia também está muito bem representada: a experiência de Roman Flugel; o set mais dinâmico que muito live do frontman da CLR, Chris Liebing; o ascendente e inédito Rødhåd; a aposta em Traumer; a volta de Ellen Allien, um dos cancelamentos de 2014 (ainda acreditamos em um Rother triunfal em 2016 🙂 ).

    Quem procura lives mais complexos e bem trabalhados também terá um prato cheio: um dos grandes nomes de 2014, Mathew Jonson, retorna para duas apreentações: a sua individual e da banda Cobblestone Jazz, que apresenta uma mistura de jazz com techno utilizando diversos instrumentos analógicos e uma expressão ao vivo impressionante. Não tão analógico mas de grande valor também é o live de Stimming, que já garantiu grandes noites no Warung e não deve fazer diverente na Tribaltech. Na ala mais freak agitada dos lives teremos o dOP, que já é um clássico da TT e também tem um cancelamento em a ver com o público.

    Com essa verdadeira seleção mundial escalada, o Brasil não poderia ficar mal representado. Por isso, foram escalados bravos guerreiros que lutam para manter acesa a chama da arte num país tomado pela repetição. Stekke, Renato Cohen, Aninha, Boghosian, Eli Iwasa, Gromma, Renato Ratier, Albuquerque são apenas alguns dos representantes do time verde-e-amarelo, que contará tambem com o residente do detroitbr Kultra. As raízes psicodélicas também foram respeitadas: confesso que atualmente pouco conheço deste universo, mas sei que Merkaba, Shadow FX & Tetrameth, Loud, Avalon e Tristán são artistas de muito respeito, sem contar os grandes realizadores da cena nacional, como The First Stone, Circuit Breakers, Fábio Leal Element, que além de ótimo DJ é o responsável pela curadoria do Vuuv Stage.

    E com tantas novidades, fica a pergunta: e aquele pessoal que sempre pede mais do mesmo? São volumosos e importantes para fechar o equilíbrio da festa, portanto, foram atendidos. Boris Brejcha, Alok, Kanio, Vintage Culture, Volkoder são alguns dos nomes de destaque que deverão atrair multidões para a festa – nada que uma boa curadoria de horários não resolva. Eu provavelmente fui injusto e deixei de destacar outros nomes merecedores, mas daqui pra frente deixo a lista completa livre para o julgamento de cada um:

    Como pudemos ver, a Tribaltech é mais do que um simples festival arriscando um line-up ousado. A Tribaltech é o mais vistoso fruto do crescimento orgânico da árvore da cena eletrônica do sul do país. Ela, assim como nós, passou por erros, acertos, metamorfoses e revelações no longo trajeto trilhado até aqui, e sabe que este ainda não é o topo da linha evolutiva. Dizer que “é hora da evolução” parece redundante após conhecer toda essa história, mas é um grito necessário para que compreendamos a importância do momento vivido e depositemos nossa confiança do fundo da alma, com a certeza de que os dias 10 e 11 de outubro de 2015 serão dias para guardar na memória como marcos em nossas vidas. Eu farei parte dessa história, e vocês?