Categoria: Cena

  • Música eletrônica como produto e não como arte

    Advertência inicial, mesmo que óbvia, mas para evitar equívocos de interpretação: as críticas do texto se referem a comportamentos que o autor considera da maioria das pessoas envolvidas na cena eletrônica, não da totalidade. Sendo também esse o motivo do título do texto ser “a música eletrônica como produto e não como arte” e não o inverso.

    Pois bem. A música é uma forma de manifestação artística e, como tal, não se forma como um produto de consumo (como aqueles normalmente produzidos pela industria que visam satisfazer nossas necessidades e que podem ser negociados no mercado por um valor de troca – momento então que se convertem em mercadorias).

    Arte é a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, é algo que o artista precisa exteriorizar como necessidade de representação dos seus sentimentos, emoções, ideias, experiências, tendo como objetivo também estimular esse interesse de consciência em um ou mais espectadores, cada obra de arte possuindo um significado único e diferente.

    A música, como arte, deve ser uma representação dos sentimentos, emoções, pensamentos e experiências, manifestada de forma espontânea e livre de paradigmas,  para expressar uma visão ou abordagem sensível do mundo, seja este real ou fruto da imaginação, com isso ela se torna atemporal, assim como as demais manifestações artísticas (artes plásticas, literatura, dança, teatro, cinema, escultura, arquitetura, fotografia e etc.). Portanto, criar uma música deve ser o resultado de acreditar que se tem algo a exteriorizar através dela, agregando ao repertório do universo musical já existente. Por isso, a música é um fim em si mesmo e não um meio para outros objetivos materiais. O objetivo de se criar uma música deve ser o prazer, a satisfação nela mesma e não com interesses estranhos a isso, como por exemplo, retribuições financeiras. O fato é que a música deve proporcionar satisfação por si só e não pelo que ela pode gerar. 

    A música eletrônica não foge a esse conceito e se fugir, por consequência, não será música. Ela será simplesmente uma sequência de sons produzidos de forma aleatória ou padronizados, mas sem nada a dizer. Será algo desprovido de conteúdo artístico, isto é, não é a exteriorização de nada (de uma emoção, de um sentimento, de uma experiência, de uma história, de uma percepção de mundo), não possuindo significado, será apenas resultado de um processo mecânico de selecionar elementos-padrão dentro de um software com objetivo vazio de criar uma “track”.

    Serão produzidas como qualquer produto de consumo, possuindo as mesmas características, sendo as principais: produção em larga escala, forma e conteúdo padronizados, para atender objetivos temporários e sazonais. Criadas dessa forma se sujeitam ao mesmo tratamento que qualquer produto: algo descartável e substituível, com objetivo de uso temporário, em que se prioriza e valoriza a quantidade e não a qualidade. Inevitável que, possuindo essas características, receba esse mesmo tratamento do público, fazendo jus ao estereótipo de que “música eletrônica são apenas barulhos sintéticos, sem conteúdo, sazonais, com o objetivo exclusivo de embalar diversões de pessoas jovens”.

    Educadas sobre essa ideia deturpada da música eletrônica como produto, as pessoas acreditam que as músicas devem sempre ser novas e atualizadas, produzidas em novas remessas a cada período de tempo (alguns meses), assim como qualquer produto de consumo. Ou seja, a música eletrônica é um produto descartável e com prazo de validade. Mas não é só o público que vê a música eletrônica dessa forma. Essa é uma concepção que os próprios djs e produtores têm – mesmo que de forma inconsciente – sobre a música eletrônica. Assim, se estabelece um ciclo vicioso de comportamentos que se retroalimentam, em que o público e “artistas” se influenciam mutuamente: o artista/dj toca porque o público quer; o público quer porque o artista/dj toca.

    A mesma regra para o artista ou produtor: ele produz porque o público quer; o público quer porque existem artistas produzindo tal forma de música.  E com isso acabam reproduzindo e perpetuando essa visão distorcida e equivocada sobre a música eletrônica (produto e não arte).

    Mas essa mentalidade/comportamento é também influenciada, estimulada pela indústria da música eletrônica, que, apoiada na concepção da música eletrônica como produto descartável, lança músicas novas todos os dias. Aqui também acontece o ciclo vicioso por comportamentos que mutuamente se influenciam. As gravadoras se comportam assim porque acreditam que o mercado (público/djs) vê a música eletrônica como produto com prazo de validade, em que os estoques precisam ser repostos periodicamente com mais produtos novos. O público, djs e artistas por sua vez, consomem esse produto porque a indústria/gravadora passa essa ideia, produzindo música em larga escala, com lançamentos diários.

    Exemplo dessa mentalidade ou um sintoma dela, são djs fazendo downloads de músicas novas em larga escala toda semana, quando não todo dia, sem ao menos ouvir cada uma delas, para seus sets terem sempre músicas novas, mas músicas que eles nunca ouviram antes e só vão ouvir naquele set “único”, músicas sem qualidade ou conteúdo, mas que apenas estão dentro do conceito de produto. Se orgulhando de ter “X” gigabytes ou terabytes de arquivos de músicas.

    A música eletrônica é um dos estilos mais democráticos que existe. Porém, isso tem um feito negativo: a falta de critérios. Qualquer um se autointitula produtor ou dj. Não há critérios ou qualidades mínimas pelo qual a pessoa precisa demonstrar. 

    Isso gera mais um outro ciclo vicioso: o mercado/público estimulam o processo, pedindo que a indústria da música produza o máximo possível de novos produtos (músicas) para eles usarem. A indústria então precisa do máximo de material humano para atender essa demanda. Para um mercado sem critérios, que só quer o máximo de produtos novos, se estimula/contrata o máximo de pessoas (produtores/mão-de-obra) possível, sem nenhum critério de qualidade.. Ou seja, só existe uma infinidade de autointitulados produtores ou artistas porque a indústria pede, e ela só pede porque alguém consome, e alguém só consome porque é produzido. Um setor mutuamente influencia a perpetuação do outro, numa simbiose.

    No caso, cada setor se baseia no comportamento do outro setor, mas todos compartilhando a mesma ideia que a música eletrônica é um produto. Mais um ciclo vicioso. Um comportamento que retroalimenta o outro: o público vê a música como produto porque ele é produzida como tal, mas ela é produzida como produto porque o público a vê como um produto. Ou seja, não se tem como definir qual comportamento vem antes do outro.

    É a valorização da quantidade ou invés da qualidade, típico de uma sociedade de consumo. E aí questiona-se: em qual estilo musical se produz tanta música nova todos os dias? Melhor dizendo: qual tipo de arte produz tanto material diariamente? Nenhum. Arte não se submete ao modelo de produção de produtos de consumo. Assim, como todo produto produzido em escala industrial, é óbvio que 98% são músicas sem qualidade e conteúdo algum. Meros produtos perecíveis/descartáveis.

    Mas o problema não para por aí. Desse tratamento dado a música eletrônica surgem outros problemas: os eventos e o público que os frequenta. Se a música eletrônica não é valorizada como música, mas como produto, um evento que pretende expô-la não será um evento artístico, mas evento comercial, que não visa a arte, mas o lucro.  O público não irá com o objetivo de ver um artista se apresentar (até porque o evento não proporcionará isso), mas com objetivos fúteis: sexo, status, ostentação, abuso de drogas lícitas e ilícitas e etc. A música, nesses ambientes, é só um plano de fundo em um lugar em que as pessoas estão procurando qualquer um dos objetivos já citados na frase anterior. Esses são os objetivos primários, a música vem em segundo, terceiro ou quarto plano, conforme os interesses de cada pessoa.

    No caso, o uso de drogas lícitas e/ou ilícitas vira um fim em si mesmo e não um meio de se chegar a um estado mental para melhor absorver a música. E conhecer pessoas ao invés de ser algo ocasional e espontâneo, vira um objetivo obsessivo. Ou seja, como consequência de a música eletrônica ser tratada como produto é existência de eventos que visam fins comerciais e não artísticos, oferecendo produto e não arte, para um público que quer estar num ambiente apenas para satisfazer objetivos vazios. 

    É a música como arte sendo deturpada pela sociedade de consumo, que não sabe lidar com alguma coisa se não for da mesma forma que um produto. Em analogia ao termo cunhado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é uma relação “líquida” com a música: frágil, tênue, descartável e temporária.

    É claro que a forma como a música eletrônica é tratada no Brasil é um sintoma de uma causa mais profunda, que é a falta de educação e valorização musical no geral, como acontece nos países europeus.  Mas, de qualquer forma, para reverter ou minimizar esse cenário, é necessário um constrangimento musical exercido pelo público em relação aos artistas e produtores de eventos e vice-versa, isto é, o dj/produtor deve saber que seu público é crítico e seletivo, da mesma forma o público deve saber que o evento/artistas têm conceito, são seletivos e críticos.

    Todas as pessoas envolvidas na cena eletrônica brasileira, seja como for (público, artistas, indústria, organizadores de eventos), que possuem consciência crítica não podem ser omissos e coniventes com esse cenário deturpador da música eletrônica, devem sempre se manifestar e buscar a propagação da ideia de arte e não de produto. A soma de todos os comportamentos e pensamentos individuais gera um modo de operação coletivo. E se a mentalidade coletiva for majoritariamente (não digo totalmente – seria algo incansável e desnecessário) a favor da música eletrônica como arte e não como produto, já teremos alcançado nosso ideal. 

  • Pista Vip Room leva a assinatura do detroitbr no aniversário da Discolovers

     

    Neste sábado, 13/08, a Discolovers comemora seu primeiro aniversario no Club Vibe. Na pista principal se apresentarão Carrot Green, Biel Precoma e Rafael Cancian. A pista VIP Room será assinada pelo nosso coletivo, com um line composto por Kultra, que fará um birthday set, Alex Kamel e Hetich.

    INGRESSOS:

    Antecipados disponveis em: http://bit.ly/Vibe13ago16

    R$ 60,00 masc e R$ 30,00 fem

    Listas no mural do evento

     

    EVENTO OFICIAL:

     

    https://www.facebook.com/events/567235596782828/

  • O Alataj celebra 4 anos de história com evento completíssimo

    A comemoração dos 4 anos do núcleo Alataj será celebrada com um evento bem amplo no dia 30 de julho no Music Park BC. O play na intro será tocado as 18h30, com uma conferência onde dois painéis de debates serão expostos. O primeiro deles abordará o relacionamento entre clubs e núcleos, enquanto o segundo versará sobre a importância do DJ na cena contemporânea. E sim, haverá um break a partir das 22h no espaço LOB da casa onde os participantes da conferência se congregarão num coquetel open bar até a abertura da pista do Terraza BC às 23h30 para a festa Tribute to Chicago.

    O detroitbr estará muito bem representado no evento pelo amigo Danee – membro do painel “DJs em Ação” – e Petrius D com Bernardo Zembiek estarão presentes no painel “Núcleos e Clubs”. Confira abaixo a programação completa e detalhada do evento:

    Painel 1 – Núcleos & Clubs

    Cada vez mais o trabalho dos núcleos tem sido reconhecido como de suma importância para o crescimento sustentável da cena, assim como o dos clubs, que são responsáveis por fazer o mercado girar de forma intensa e com atrações de grande porte. Um bom relacionamento entre ambas as partes garante ao público mais opções de acesso a música e aos artistas um mercado mais estável. Vamos colocar frente a frente as mentes por trás dos núcleos e profissionais responsáveis pelo cotidiano dos clubs para um debate que traz a plateia, duas visões distintas do mercado. 

     

    Participantes: 

    – Sevela (EMBED)

    – Bernardo Ziembik (Terraza BC/detroitbr)

    – Jefferson Miranda (El Fortin Club)

    – Rhenan Luiz (Garage)

    – Petrius D (detroitbr)

    – Willian Israel (HTBC)

    – Michel Dalmoro (Grupo GV)

     

    Painel 2 – DJs em Ação

    Em tempos onde consumir música se tornou tão fácil, DJs precisam se reinventar como artistas para continuar entregando algo relevante para as pistas por onde passam. Um bate papo franco e aberto sobre a real importância dos DJs junto ao público.

     

    Participantes:

    – Danee (At HOME/detroitbr)

    – Kaká Franco (Hot Legs Party/ Tropicália house.club)

    – Emmy Betiol (Terraza Music Park)

    – Dudu Palandre (Anhanguera/D AGENCY)

    – Doriva Rozek (Terraza Music Park/D.Agency)

    – Gabriel Boni (Entourage)

     

    +: Network, distribuição de brindes, coquetel open bar.

     

    Terraza BC e Alataj presents: Tribute do Chicago

    O Terraza de Balneário Camboriú presta uma homenagem à origem da house music com a festa Tribute to Chicago, marcada para o próximo dia 30 de julho, sábado. A cidade americana foi a primeira a abrigar uma cena voltada a este gênero eletrônico, no início dos anos 80. A house music logo saiu das garagens e clubes undergrounds de Chicago para ganhar pistas do mundo inteiro, não apenas por suas batidas e seu groove envolvente, mas também pela sensação de liberdade transmitida por meio de suas letras e melodias.

    – Michael Caliman (HTBC)

    – Kaká Franco (Hot Legs)

    – Anhanguera (D.AGENCY)

    VJ Daniel Paz – all night long

     

    Inscrições para o Alataj Conference 
    As vagas para esse completo evento são limitadas para propiciar um maior conforto para os participantes e melhor dinamismo entre os painéis. Para confirmar sua inscrição, preencha seus dados nesse LINK e siga o restante das instruções descritas na página.

  • E-Music na Cidade agitará Paranaguá em prol da Música Eletrônica

    O E-Music Na Cidade é um projeto que existe desde 2014 criado por João Rocha Loures em parceria com artistas e instituições do meio musical, atua no sócio cultural com eixos educativos e de entretenimento, provocando inovação e pluralidade para cena eletrônica. O E-Music Na Cidade envolve mais de 20 instituições locais, nacionais e internacionais e já mobilizou mais de 20 mil pessoas no litoral com oficinas, intervenções culturais, palestras, workshop e eventos.

    No próximo dia 23 de julho – em paralelo com as comemorações ao aniversario de 368 anos da cidade de Paranaguá – o “E-Music na Cidade” acontecerá na praça de eventos 29 de Julho e terá início as 14h. A Programação do Festival abre com o coletivo de rap HEY HO RAPS! Na sequência, teremos a estreia do projeto ROCK YOU MIND, com discotecagem voltadas ao Rock & Roll e vertentes com a curadoria dos Djs e produtores Alejandro Bargueño e Marcos Coloma (MARC2S). O projeto oferecerá também um concurso online para selecionar jovens que desejam se apresentar tocando no festival. As inscrições são validas até dia 21/7 no site da yellow.art.br e são exclusivas para alunos que participaram das oficinas do E – Music Na Cidade em 2015 (Ver regulamento site). Para completar o festival com assinatura da curadoria ART-E, trazendo ao palco do E-Music Na Cidade Festival um line up com artistas que navegam em influencias desde House, Minimal & Techno ao Trance reafirmando a diversidade cultural que a música pode oferecer.

    O detroitbr nasceu em um berço ideológico que visava o crescimento cultural e intelectual da cena eletrônica. Reverenciamos e apoiamos iniciativas semelhantes à nossa, assim como a proposta do Festival E-Music na Cidade. Juntos, zelamos com força cada vez maior pelo desenvolvimento de uma cenário mais próspero e rico culturalmente na música eletrônica.

     

     

     

     

  • TribalTech anuncia nova data e promete edição histórica

    Após longos meses de mistério o Grupo T2 finalmente abriu o jogo sobre a Tribaltech Escape: será realizada em 2017, ao contrário das expectativas populares de que ela seria em outubro deste ano, seguindo a lógica das últimas edições. A organização explica que 2016 foi um ano bastante desfavorável economicamente para a concepção de um line-up e estrutura à altura do que, segundo eles, seria digno de um novo “fim” para a festa, além do mês de outubro ter um grande volume de chuvas, experimentado não somente pela Tribaltech Evolution no ano passado, mas também por duas edições passadas da Tribe, quando era realizada nesta época do ano em Curitiba.

    A data escolhida é o dia 6 de maio, período em que tradicionamente acontecia a XXXperience de Curitiba. Em conversa com Jeje, proprietário do Grupo T2, descobrimos um pouco mais sobre a nova lógica do calendário de festivais da capital paranaense: “A XXXperience continua em maio também, mas acontecerá a cada dois anos, a exemplo da Tribaltech”. Quanto as razões para isso, “dois anos é tempo suficiente para nós montarmos algo realmente impactante, para o público sentir saudades e também para lançarmos projetos diferentes nas outras épocas do ano”. Com o adiamento, o que eram três meses até o evento se tornam 10 meses, abrindo a possibilidade para que muita coisa nova venha a acontecer. Segundo o departamento de marketing, mensalmente iremos conhecer os detalhes que construirão a festa, como a nova divisão de palcos, o local de realização, os primeiros nomes do line-up e, claro, a venda de ingressos. O principal ponto de comunicação será a página oficial no Facebook, portanto, curtam e fiquem atentos!

  • Guy J retorna ao templo em noite de reverência ao mais puro house progressivo

    Dia 25 de Junho o Warung Beach Club abriu suas portas para apresentar o produtor israelense Guy J, depois de 4 anos de espera ele estava de volta e disposto a fazer uma noite repleta de magia e emoção. O crescente número de admiradores de sua música no Brasil estava contando os minutos para sua apresentação, alguns deles resguardavam nas memórias de 2012 quando ele abriu a noite para seu até então “boss label”, John Digweed. De lá pra cá, Guy tornou-se um dos artistas internacionais mais aguardados do templo visto o crescimento que obteve em sua carreira, seja com lançamentos ou liderando a própria gravadora repleta de talentosos produtores. Novamente a convite do núcleo detroitbr e com muita satisfação fiquei responsável de abordar este reencontro, porém, antes de falarmos sobre a noite é preciso expor o impacto existencial que tive logo após final de semana da festa.

    Começando o review, me pego sentado à frente do computador em meu quarto ouvindo pássaros assobiarem pela janela de uma acinzentada sexta-feira à tarde. Desde que me propus a escrever sobre música eletrônica, foram poucas as vezes que me vi em tamanha dificuldade para relatar algo. O choque da volta à realidade forçou-me a refletir mais que o de costume e durante a semana busquei em alguns pensadores inspirações para expressar da forma mais verdadeira as impressões sonoras que tive com esse artista.

    Bem, ao entorno de um set existem diversos fatos que são necessários para algo especial acontecer, e nós vamos tentar encontrá-los. De alguma forma, pessoas dos mais diversos lugares tiveram seus caminhos colocados no mesmo instante sendo possivelmente preparadas para ouvir alguém que veio do outro lado do oceano a fim de manipular ondas sonoras. Então, de repente me peguei observando que estava diante de uma das questões mais intrigantes que se pode ter enquanto indivíduo humano e pensante. Qual o sentido de ter apenas uma fração da sua existência junto de seus novos eternos amigos ou alguém que você gosta? Por que tão pouco tempo? Segui adiante, só a noite poderia me dizer. 

    Enquanto aguardávamos a chegada do pequeno gênio, o sentimento na parte à frente da cabine era de festa na sala, por todos os lados me via cercado por conhecidos, amigos e isso só fazia aumentar a expectativa. Guy J tem cada vez mais sintetizado o tipo de música que melhor desperta meu interesse, arranjos de bateria e percussão tribais somados a timbres obscuros carregados de melancolia na dosagem certa, sem exageros. Tendo que começar a noite praticamente do zero, ele deu mostras já nos primeiros minutos de que tem se tornado um DJ de primeira linha, de forma sutil recolocou a pista onde deveria estar e começou a moldar seu set.

    As pessoas estavam dançando e elas queriam ver do que Guy J era capaz, porém, junto de alguns amigos, constatei que o sistema de som estava bem abaixo da sua normalidade. Possivelmente devido a troca de equipamentos e assim como no carnaval com Luciano, falta de atenção por parte dos técnicos da casa. Somente depois de quase uma hora que conseguimos chamar a atenção do manager de Guy J, que fez o pedido do ganho no sound system. Infelizmente a essa altura, ele já tinha tocado Melt – uma das minhas favoritas – mas que infelizmente não surtiu efeito na pista, paciência. Dai em diante foi outra festa, era possível sentir as batidas no peito e os médios entorpecendo a mente. Guy J foi subindo o set até determinado ritmo e ali se manteve alternando entre breaks delirantes e transições sequenciadas, emotivas e obscuras. Era como se estivéssemos uma hora caminhando nas nuvens e logo depois éramos jogados no limbo, sem dó. Ficou nítido que ele queria tocar tudo que sempre imaginou ali, todos estavam vibrantes e a cada virada em camadas eu recebia estalos cognitivos no cérebro, circuitos iam se ligando e lapsos de memória começaram a surgir, assisti momentos da minha infância, coisas que já vivi e de onde já estive, uma imersão ao subconsciente como poucas vezes já tive. É como se Guy J tivesse pego como referência os efeitos anestesiantes do Sasha e as mixagens desconcertantes do Hernan Cattaneo e colocado em sua forma de tocar, não com a mesma excelência – é verdade – mas formando um conjunto que não deixa a pista se dispersar da música um segundo.

    É difícil colocar em uma linha do tempo todas músicas próprias que ele tocou, foram diversas, acredito que mais de 1/3 da noite tenha sido só de faixas autorais, ainda assim é impossível não destacar o clima explosivos que o público teve em Dizzy Moments e Nirvana. Ele tentava se manter concentrado mas suas expressões entregavam a emoção de comandar aquela pista, em nenhum momento precisou acelerar o bpm ou jogar mais techno, a noite não era pra isso, era um momento de reverência ao mais puro house progressivo, ao estilo que marcou a vida de muitos dos que estavam ali esperando por isso, e que de forma sublime foram recompensados. 

    O canto de Miriam Vaga em Tomorrow pela manhã, música que tocou em 2012 também, foi uma forma de dizer: “Como eu queria estar de volta” e me fez encontrar as respostas que tanto me incitaram no início da festa. As mãos no rosto do Guy J ao final junto com o coro de seu nome pelo público provaram tanto pra ele quanto pros presentes que se há recompensa – se é que ela existe – de termos nos tornados autoconscientes sobre nossa existência é de ter pequenos momentos como este, tudo vale a pena!

  • Uma noite no Main Room com Marcel Dettmann

    No último dia 11 de junho, véspera do dia dos namorados, os apaixonados por techno tinham um compromisso inadiável: a noite com Marcel Dettmann e Carl Craig no Warung Beach Club. Já fazia quase um ano que eu não pisava no templo, um tanto pela atual curadoria, que tem selecionado nomes que não me atraem, mas principalmente pela dificuldade em ter uma noite confortável no ambiente cada vez mais apertado e tomado por pessoas que deixam a educação em casa para sair. Pessimismos à parte, a esperança de viver uma noite no Warung como antigamente sempre existe, não pensei duas vezes para decidir apostar e, graças ao deus do techno, não me arrependi!

    Como de costume, chegamos ao club por volta de meia-noite, a tempo de comprar fichas, bebidas, ir ao banheiro e dar um giro. Desde minha última visita, em julho de 2015, poucas mudanças – um bar novo e pequenas reformas estruturais, coisas boas mas já citadas por outros detroiters em reviews passados. Indo ao que interessa, começamos a jornada musical com o final do set de Gromma, que nem preciso de muito esforço para imergir: após meio ano vendo ele fazer excelentes warm ups no Club Vibe consigo sentir com clareza cada mixagem e intenção dele, o que torna a experiência ainda melhor, pois apesar disso ele continua surpreendente sem perder a identidade.

    Logo em seguida Wilian Kraupp começou e o ambiente começou a ficar apertado – descemos para o Garden, para esperar Carl Craig. Como o som de Mandi estava longe de ser o que buscávamos, especialmente numa noite com tantos mestres do techno, demos um tempo fora da pista. Quando Carlão subiu no palco, nós (e uma boa quantidade de gente) decidimos buscar nosso lugar à caixa, para ver da primeira fila mais uma apresentação do DJ de Detroit que mais veio ao país nos últimos anos. E talvez esse fato tenha sido a sina de Craig: seu set foi obviamente muito bem construído, mas para quem estava o assistindo pela quarta vez, era apenas mais do mesmo. Até momentos que haviam sido emocionantes em outras apresentações, como o sample de Also Sprach Zarathustra, tema de 2001: A Space Odyssey, soaram como um “de novo essa?”. É uma tarefa difícil escrever negativamente sobre um cara que é referência e que sei que tem muito talento, mas contra fatos não há argumentos: seu repertório é composto principalmente por clássicos e clássicos não se renovam a cada seis meses. Se não houver tempo para renovação, Craig será mais um nome saturado pelo sedento mercado brasileiro.

    Como a decepção foi maior que o conforto, optamos por migrar para o Inside novamente, ver o final de Kraupp e aguardar pela atração principal. Neste momento a pista já estava bem mais habitável, pudemos ver com tranquilidade o catarinense tocando uma linha mais aberta que a sua costumeira, passando o bastão de bandeja para o gigante alemão, que já impunha respeito apenas com sua presença. As horas que se seguiram posso dizer que foram as melhores do ano, em termos de experiência musical. Como eu sabia que o término do Craig e o frio descomunal logo iriam lotar o Main Room, rapidamente fiz meu caminho até o acrílico, aonde fiquei até 7 da manhã sem arredar o pé.

    Sim, você leu certo: Main Room. Tomo a liberdade de me referir ao Inside pelo seu antigo nome pois foi exatamente a sensação que tive naquele dia, a de estar vivendo uma noite “das antigas” no templo. Marcel Dettmann fez um set de 3h30 sem um hit sequer, apenas um ou outro clássico que somente os ouvidos mais apurados reconheciam, de maneira a construir uma hipnose na qual cada música era uma nova viagem introspectiva. O som era constante, pesado, breaks eram quase inexistentes e sempre curtos, mas momentos de respiro existiam com belas levadas melódicas que eventualmente surgiam e arrancavam suspiros do público. Pela primeira vez em muitos anos pude presenciar uma pista em quase completo silêncio, não havia espaço para falar, tanto pela música como pela vontade de imersão, infinitamente superior à de participar de qualquer diálogo.

    Não há muito o que detalhar sobre o que Marcel fez, seu som é do tipo que se sente e não se explica, que se lembra e se recomenda. O dia já estava amanhecendo e as energias se esvaindo quando ele concluiu sua lenda com categoria, soltando um Kraftwerk enquanto o Sol indicava que era hora de voltar à realidade. De alma lavada e esperanças renovadas, saímos rumo ao after, sonhando com mais noites memoráveis como essa. Seria pedir muito, Warung?

  • A trupe de Carlos Capslock invade o Terraza BC!

    Uma das festas alternativas de maior expressão no Brasil chega a Santa Catarina para seu primeiro showcase no estado. Neste sábado (04) o Terraza BC apresenta Carlos Capslock Showcase! Toda a transgressão e efervescência cultural de Paulo Tessuto se catabolizam na festa itinerante Carlos Capslock. O nome veio de uma brincadeira entre amigos e o personagem, deformador de opiniões e designer de teclados, é parte integrante de toda a identidade visual do projeto.

    Toda a comunicação é feita com bom humor e de forma viral. São telenovelas, fanzines, montagens e uma série de artifícios que adicionam um toque de humor e acidez ao evento. Críticas políticas e sociais são constantemente abordados como temática dos eventos. A música passeia de forma hipnótica entre sons minimalistas, techno, nudisco, downtempo, micro house e o que mais possa levar os frequentadores a uma experiência inovadora e destoante do cenário local. O núcleo, que já tem mais de meia década de existência, foi o estaleiro de grandes talentos que estão começando a despontar na grande cena, como L_cio e Fractal Mood, grande atração sendo apresentada ao público do litoral catarinense. Além dele, o line-up conta com o idealizador Paulo Tessuto e o residente do Terraza BC e do detroitbr, Bernardo Ziembik.

     

  • Warung aposta no techno com Marcel Dettmann e Carl Craig

    No próximo dia 11 de junho teremos a oportunidade de aproveitar uma noite no Warung como há algum tempo não temos: dois grandes nomes do techno, um encabeçando cada pista. No Inside, antigo Main Room, o clima europeu fica por conta do DJ alemão Marcel Dettmann, uma das grandes figuras da Ostgut Ton, selo do Berghain. Marcel é sempre um dos principais headliners dos maiores festivais de techno do mundo, como Time Warp, Awakenings e Movement. Igualmente relevante mas vindo da escola americana, mais especificamente de Detroit, é a grande atração do Garden: Carl Craig. O DJ estreou no templo no começo do ano e caiu no gosto do público, garantindo nova escalação em um contexto diferente do de sua estreia.

    Completando os line-ups, grandes talentos nacionais: Mandi e HNQO no Garden e Gromma e Wilian Kraupp no Inside. Os ingressos estão à venda pelo site www.warung.com.br.

  • Sven Vath arrastou o público de todo Brasil para os Trilhos da Mooca em única apresentação da tour

    Na noite do dia 15 de Abril de 2016, sexta-feira, aconteceria um dos eventos mais esperado do ano até então para nós, e muitos outros techneiros apaixonados, Sven Vath, o “Papa” do Techno viria para o Brasil para uma apresentação única e exclusiva, e nos presentearia com um long set. Inclusive, semana cheia de eventos bons espalhados pelo Brasil, na quinta, teria Rodhad na ODD, sábado Detroit Swindle e domingo Raww Room com diversos artistas, todos em São Paulo, e também o Warung Day Festival na capital paranaense, porém, optamos por ir em uma única festa e aproveitá-la ao máximo: a volta do Papa. Malas prontas, saímos de Santa Catarina por volta das 10h00, rumo ao Bairro da Mooca, em São Paulo. Viagem tranquila e ansiedade a mil.

    Já em São Paulo, tirando as quase duas horas para percorrer 15 km por causa do trânsito caótico somadas as mais de oito horas de viagem, tudo foi muito fácil. Estávamos hospedados uma rua ao lado de onde aconteceria festa, então não precisamos utilizar nenhum tipo de transporte para chegar ao local. Durante a semana havíamos entrado em contato com a Entourage através da Fan Page no Facebook perguntando sobre o estacionamento e a indicação deles foi que utilizássemos Metrô ou Taxi, pois a festa não teria estacionamento próprio. Por algumas informações que obtivemos havia um estacionamento privado funcionando próximo ao local, provavelmente em parceria com a produtora do evento.

    O local: Nossa entrada aconteceu com facilidade e sem filas ou tumulto. A festa havia começado as 22h00, e nós chegamos por volta da meia-noite. “Nos Trilhos” é um espaço encantador de São Paulo. Em meio a vagões de trens centenários desativados, ao lado de uma ferrovia ainda em funcionamento e em baixo de um viaduto, o local não poderia ser outro para que esse evento acontecesse. Tudo isso, somado a decoração fez com que nossa experiência fosse ainda mais marcante. O lugar que inspira cultura e história, fez com que nos sentíssemos realmente envolvidos com a noite que viria pela frente. Depois da volta de reconhecimento, era hora de comprar as fichas do bar, e achar um local para começar a curtir a festa e aguardar o início da apresentação da estrela da noite. O acesso as fichas era muito fácil, havia vários ambulantes pela festa, uniformizados e com placas de indicação para fazer a venda das fichas, o que tornava o atendimento mais rápido, sem muitas filas ou tumulto para fazer a compra.

     

    O palco era localizado na parte mais fechada, o que fez com que a pista ficasse muito quente. Bombas de CO² existentes em cada pilar espalhavam de tempo em tempo uma fumaça geladinha que tinha a intenção de ajudar temporariamente a galera que optou por ficar no meio da pista. O bar não ficava longe da pista, mas ficava em uma área mais fresca, assim, cada vez que saíamos para ir ao bar / banheiros aproveitávamos para aliviar um pouco o calor. O preço das bebidas também não estava fora da realidade das festas que frequentamos. Cerveja long neck (355ml) a R$ 10,00, água também R$ 10,00 e pra quem preferia comprar doses, elas eram bem caprichadas. Havia alguns carrinhos de Food Truck na festa também, na parte do fundo da pista, próximo aos vagões desativados. Isso possibilitava a quem quisesse fazer aquele pit stop para se alimentar, não perdesse nenhum minuto da festa para isso.

    A música: Davis Genuino foi o escolhido para preparar a pista para o Papa. Tivemos oportunidade de ouvir o seu set que pensamos estar no final, já que Sven Vath deveria ter começado a tocar à 1h00, como dizia o post fixado no evento oficial. Davis já era conhecido pelos integrantes da nossa trip, já havíamos visto apresentações dele no Warung. O que ouvimos não fugiu do que esperávamos, ele é eclético e fez um set com bastante variedade, tracks que hora agradavam a alguns, hora a outros. Ou seja, ele colocava a pista pra cima em alguns momentos, e em outros fazia o papel de Warm Up tranquilo, com alguns vocais e batidas animadas. Quando o relógio marcou 1h, a agonia de esperar a aparição da figura inconfundível do DJ Alemão começou a tomar conta de nós. Davis continuou tocando, e o Papa não tinha nem aparecido no palco ainda. Não sabemos o motivo do atraso, mas Davis levou a pista até depois de 2:30h, quando todos os equipamentos necessários para a apresentação de Sven Vath já estavam a postos. Toca discos prontos, era hora daquela noite finalmente acontecer. Confesso que já havia uma certa irritação no ar com o atraso, afinal, o prometido eram no mínimo 7 horas de set, e ali já tínhamos perdido mais de uma hora e meia, e não sabíamos ainda se a festa acabaria pontualmente as 8h, ou não.

    Sven Vath superou toda e qualquer expectativa. Sua musicalidade, carisma, amor pelo que faz e carinho com o público fazem parte desse personagem mítico que ele é. Tínhamos ouvido alguns sets recentes dele durante o mês que antecedeu a festa, e durante a viagem também. E o início do seu set lembrou muito sua apresentação na Time Warp da Alemanha, que aconteceu no dia 03/04/2016.

     

     

    Tracks marcantes como “I Know Change” de Jaap Ligthart Feat Alice Rose (Show B remix), e “Accident Paradise” de 1994, remixada por Kink com lançamento acontecendo exatamente neste dia 15, sendo tocadas logo no início, nos deram motivação para enfrentar o grande público e permanecer na frente do palco para conseguir assistir de perto a história que seria contada por ele. 

     

     

    O sistema de som Pure Groove usado para a ocasião, fez o set ficar ainda mais lindo, em qualquer lugar da pista ouvia-se com excelência cada detalhe das tracks, cada detalhe contado por ele em cada vinil que ele trocava. Sem distorções ou qualquer falha, o som podia ser ouvido em qualquer canto da festa exatamente da mesma maneira que se ouvia na frente: Limpo. O palco era baixo, por isso, enquanto estávamos na frente tínhamos contato visual direto com ele, que interagia com o publico enquanto cantava as músicas e brincava com seus discos, um verdadeiro “showman”, completo. 

    Infelizmente, contratempos aconteceram. Pudemos notar que parte do público da festa “não estava muito aí” para a apresentação do DJ em si. Houve comentários de alguns roubos de celular, e haviam muitas garrafas espalhadas pelo chão. Nós vimos alguns lixeiros na festa, mas nem todos colaboram com a limpeza. Aqui no Brasil (e acredito que fora também) sempre vai haver o tipo de público que vai “para a festa” e o tipo de público que vai “para a música”. Algumas pessoas batiam e esbarravam na mesa e nos fios, isso afetava os toca discos, fazendo com que os vinis “pulassem” ou que o som tivesse algumas falhas em alguns momentos. Outras insistiam em bater fotos e gravar vídeos com o flash atrapalhando o DJ. Em em outras ocasiões que eu não poderia dizer o porque tecnicamente, se foi por conta alguma poeira no disco ou a trepidação do grave na mesa, que fez com que o vinil desse alguns pequenos deslizes. Mas Vath, com seus mais de 30 anos de experiência em discotecagem se saia muito bem e com classe de todos os embaraços. Os seguranças foram instruídos a formar um “cordão de isolamento” na frente do palco, impedindo que as pessoas continuassem atrapalhando o show. Um laser verde apontava para os inconvenientes, e o segurança fazia sua parte pedindo que as pessoas se afastassem do palco ou colocando a mão na frente do flash, para que nada mais incomodasse.

    Seguindo o baile, uma apresentação dançante, muito techno, mixagens incríveis. Ali pudemos ter a certeza do motivo de Sven Vath ser conhecido como “Papa” ou então como “Godfather of Techno”. Amanheceu, muitas pessoas passavam pelo viaduto, indo e vindo de seus afazeres, a maioria delas parava pra dar uma olhada na festa que rolava lá em baixo. Foi uma sensação estranha e engraçada, um choque de realidades. Algumas pessoas haviam dito que a festa acabaria as 7h00, então permanecemos na pista para aproveitar o máximo que podíamos. Sven tocou pontualmente até 8h00, e com um incrível sol na cidade (quase) sempre cinza de São Paulo, um vocal que dizia: “No one gets left behind, not this summer time…” ecoou sobre aquele lugar criando uma atmosfera absurda. Era o final do set, e com certeza, nós saímos dali com gostinho de quero mais. Tínhamos a esperança que a festa fosse até mais tarde, afinal o prometido seriam no mínimo 7 horas de set. Ele tocou apenas 5 horas e alguns minutos. Felizmente essas 5 horas de muita música boa fizeram valer cada esforço para estar naquele lugar. A com a música do DJ Yellow, Flowers And Sea Creatures – No One Gets Left Behind (Konstantin Sibold Remix) foi sua penúltima musica.

     

     Depois da última música, o corpo estava cansado, porém a alma estava lavada e os ouvidos limpos. Era hora de voltar pra casa, a missão havia sido cumprida.