Categoria: Cena

  • Awakenings divulga data e line-up de sua edição de 2015

    Nos dias 27 e 28 de junho Amsterdam recebe o Awakenings Festival, um dos mais tradicionais da cena techno mundial. Seguindo o exemplo da edição de 2014, em 2015 o festival terá dois dias, com programação das 12h às 23h. O evento iniciou sua história em 2001 já com foco total no techno, e apresentou nomes como Chris Liebing, Monika Kruse, Adam Beyer e Bem Sims já na primeira edição, que possuía apenas três stages.

     

    Neste ano serão 8 palcos (é isso mesmo que você leu: OITO), que receberão uma infinidade de artistas de muito peso, como Sven Vath, Adam Beyer, Jeff Mills, Chris Liebing, Marcel Dettmann, Ben Klock, e vários outros no primeiro dia; e nomes como Alan Fitzpatrick (Live), Gary Back, Paco Osuna, Len Faki, Joseph Capriati e Rodhad no segundo. 

    Se a pequena lista de artistas já impressiona, experimente então assistir o aftermovie oficial de 2014. Com 4 minutos de exibição ele consegue transmitir a grandiosidade da festa e a relevância que a cultura techno tem para tantas pessoas!

     

  • Terraza apresenta duas grandes festas com Radio Slave e Nic Fanciulli

    Nos dias 16 e 17 de janeiro o Terraza Music Park realizou as festas Insomnia1 e Insomnia2, sendo a primeira na matriz do grupo em Florianópolis e a segunda na recém inaugurada filial de Balneário Camboriú. O line-up de ambas era encabeçado por Radio Slave e Nic Fanciulli, e cada casa completou o seu com seus residentes.

    Insomnia1: Kraviz

    Era passado de meia-noite quando nosso time chegou ao Music Park, complexo de entretenimento localizado em Jurerê Internacional, bairro nobre de Florianópolis. Ali funcionam casas como Pacha Floripa, Garden Music Park, Posh, Devassa On Stage e o nosso destino do dia: Terraza. Entramos quando nosso residente Doriva Rozek fazia seu b2b com Idée (aka Renee), colocando pra dançar o público que já tinha chego. Teria sido um warm up perfeito para as estrelas da noite, mas antes deles ainda havia a apresentação de Ingrid. Uma ótima DJ, mas me pareceu que seu set não se encaixou na proposta da noite.

    Era 3:00 da madrugada quando o primeiro britânico iniciou sua apresentação. Nic Fanciulli parecia fazer jus ao nome da festa: ao longo do seu set vimos ele sinalizar para pessoas ao seu lado por duas vezes que estava com sono, e infelizmente isso era visível pelo seu som naquele dia. O repertório era bom e sua técnica operando o combo X1 + F1 da Native Instruments era impecável, mas faltou energia, a pista só começou a dar sinais de empolgação na sua segunda hora. 

    Ao contrário de Nic, Radio Slave chegou tarde e parecia descansado. Sua camiseta preta possuía apenas um número e um nome nas costas, em uma estampa que ficava discreta por ser na cor preta. Curiosamente, nela lia-se Kraviz. Quando assumiu, pouco depois das 5:00 da manhã, não demorou para soltar uma versão de Ghetto Kraviz, a exemplo do que fez na Tribaltech. Em poucos minutos a pista estava transformada, como se a festa finalmente tivesse começado. As três horas e meia que se seguiram foram intensas. Matt Edwards parecia muito mais empolgado e “solto” que em sua apresentação na TT, fruto do formato do palco do Terraza de Floripa, que deixa o DJ próximo do público. Misturando hits seus como Don’t Stop No Sleep e Repeat Myself a um repertório bem refinado e diversificado, contou boa parte da história do techno com seu set. Era passado das 8:00 da manhã (e que saudades de uma festa que fosse além das 7:00) quando ele emocionou o público presente com Shout n’ Out, clássico do house dos anos 90, India In Me, de Cobblestone Jazz, entre outras belas músicas.

    Insomnia2: Slave

    Depois de um belo dia de descanso, lá estavamos nós novamente na pista. Desta vez, no Terraza BC, que inaugurou em outubro do ano passado, dando uma nova vida e energia para o local aonde funcionava a antiga Space B. Camboriú. Desta vez a festa aconteceria no The Room, ambiente que no curto período de existência da balada espanhola recebeu pelo menos dois sets memoráveis – Josh Wink na inauguração e James Zabiela no carnaval do ano seguinte. A decisão foi acertada: o ambiente é maior e mais arejado do que a Pista Terraza, e foi perfeito para comportar as cerca de 1000 pessoas que prestigiaram o evento. Outro ponto positivo percebido foi o efeito “concorrência do bem”: assim como o Amine Edge na GV filtrou bem o público do Warung no dia do Cattaneo, desta vez o El Fortin nos brindou com um line-up composto por Alok, Boris Brejcha e Pleasurekraft, o que fez com que o Terraza tive somente pessoas realmente interessadas musicalmente no que Radio Slave e Nic Fanciulli iriam apresentar. Chegamos quando Guilherme Konnin estava finalizando seu set. Acompanhamos pouco para dar uma opinião, mas a se analisar pelo que ele apresentou no dia seguinte no detroitbr, aposto em um ótimo warm up para esta noite.

    Em seguida, foi a vez de Antonela Giampietro. Desta vez a residente estava “atacada”: seu set era mais pesado que os anteriores, mas sem extrapolar os limites do horário. Talvez tenha sido a influência certa para que Nic Fanciulli – agora descansado – mandasse um set muito melhor do que na noite anterior. A base tech house e as tracks chave do set eram as mesmas, mas a progressão foi mais pegada e criativa do que em Florianópois, surpreendendo a quem foi nas duas festas.

    Porfim, Matt Edwards assumiu os decks com meia hora de atraso, lhe garantindo apenas duas horas de set. Sua camiseta preta era idêntica á da noite anterior, exceto pelo fato de que estava escrito Slave no lugar de Kraviz. O set apresentado também contou uma história diferente: Ghetto Kraviz, Don’t Stop No Sleep e Repeat Myself foram tocadas em remixes diferentes da noite anterior, e todo o resto do repertório era novo. Slave teve dificuldades pra entrar em sintonia com a pista, principalmente pelo fato de ter tocado com uma deficiência de 3 caixas de grave na torre esquerda, mas da metade em diante conseguiu consquistar o público e colocar todo mundo pra dançar uma linha semelhante ao começo do seu set da noite anterior, mas sem os clássicos e surpresas que rolaram lá.

    Saindo da festa a “insônia” ainda teve a parte 3, na sexta edição do detroitbr. Em novo local, o label iniciou oficialmente suas atividades com uma bela festa, que contou com a apresentação do residente Cheap Konduktor e dos convidados Kaká Franco, Guilherme Konnin e Talking Frequencies.

     

  • Warung encerra o ano com boas festas

    Guy Gerber (por Thiago Silva)

    Era a última sexta-feira do ano de 2014, data que marcaria o início de uma série de festas que aconteceriam em Itajaí e região ao final do ano. No dia 26 de dezembro o Warung Beach Club recebeu Guy Gerber, Phonique e Gabe, para muitos seria mais uma noite qualquer no club tendo em vista que o line-up não apresentava nenhuma inovação em nomes. Já outros estavam satisfeitos em ver o retorno do aclamado israelense que assumiria a cabine principal às 4:00 horas da manhã. 

    Chovia naquela noite, a possibilidade de acontecer uma festa sem precedentes era praticamente nula e além disso, o horário estipulado para o headliner da Inside era muito curto levando em consideração suas épicas passagens pelo templo com long sets de 4 a 6 horas. Leo Janeiro e Leozinho eram os responsáveis por esquentar a pista superior até a chegada do big boss do D-Edge mais conhecido como Renato Ratier. Já passava das duas da madrugada quando entrei na festa, por esse motivo não pude acompanhar o B2B dos savages. Quem estava no comando na cabine principal era o dono do Black Belt, conhecido e adorado pelo atual público do templo. Neste momento o Garden contava com a apresentação do alemão nascido em Berlim – Phonique já é figura conhecida e não se intimidou com a noite que apresentava momentos de forte garoa e momentos de céu limpo.

    Seguindo a sequência dos horários para a noite, Guy Gerber deveria iniciar sua apresentação pontualmente às 4:00, porém devido a um problema no setup utilizado para fazer seu set, o mesmo só iniciou seus trabalhos após às 4:30 da madrugada. Aproveitando o atraso, pude acompanhar um pouco de Gabe, o brasileiro que é conhecido pelo seu papel essencial como um dos pioneiros do psy trance nacional pouco-a-pouco conquista novos seguidores. Com seu novo estilo de discotecagem voltado para tracks mais groovadas e mais dançantes, o antigo Wrecked Machines conduziu com excelência o fim da noite para os que preferem ar fresco e espaço para dançar.

     

    Finalmente era chegada a hora de assistir à apresentação do produtor das famosas tracks Hate/Love e Timing. Representando seu próprio selo Rumors que já lançou tracks de Hunter Game, Dixon e Martin Buttrich, o artista nascido em Tel Aviv, Israel mostrou porque seu nome está cravado nas memórias do templo da música eletrônica. Sem tempo suficiente para construir long set como fez em 2011, às 2 horas e meia que lhe restaram para hipnotizar o público foram utilizadas com sabedoria.As músicas foram sendo colocadas de forma progressiva, transitavam entre techno e house ecoando em perfeita harmonia no main room, a destreza na leitura de pista fez Gerber criar uma atmosfera de transcendência sem igual, exatamente do jeito que os amantes desse estilo adoram. Sem dúvidas essa noite serviu de “Warp Up” para o que estava por vir nas noites subsequentes a esta.

    Hernán Cattaneo (por Moha)

    Essa era uma festa feita sob medida para o público mais antigo do club, a começar pelo line-up, que contava com um long set de respeito e bons DJs locais e residentes para complementar. Outro ponto positivo foi a data: neste período do ano as festas costumam enfrentar super-lotação devido ao grande fluxo de turistas na região do Vale do Itajaí, porém sendo uma festa de domingo e competindo com Amine Edge & DANCE, Victor Ruiz e Alok no club verde, a expectativa era a de ter um público mais restrito e interessado no que a noite propunha. Chegando lá, de fato encontramos um ambiente agradável em ambas pistas e nos alocamos no Inside, aonde nosso residente Danee fazia o warm up da noite. Seu set introspectivo e cadenciado colocou toda a pista em uma intensa hipnose de espera pelo ídolo argentino, que faria um set de 6 horas em seguida. Fez uso de boas melodias, e encerrou o set com maestria enquanto reverenciava o mestre junto ao público presente. 

    Analisar Hernán Cattaneo é sempre um desafio: tenho pouca base de comparação (é a terceira vez que o vejo tocar) e os long sets são sempre muito intensos, levando certo tempo para assimilar sua mensagem. Na última vez que o vi no templo a progressão rolou ao longo da noite toda e eu destaquei a hora final, e nesta apresentação digo que ele fez o contrário: sua primeira hora foi a mais intensa, melódica e sentimental, abrindo caminho para uma segunda parte do set mais dançante. Ao longo destas quase 5 horas Hernán mostrou porque é um dos reis do progressivo, e porque o long set é necessário. Até o fim da noite não houve mais nenhum momento de grande destaque como o começo, no entanto, a progressão era muito bem construída, e os picos emocionais (muito bem posicionados) criavam um jogo de expectativa interessante, que perdurou a noite toda. Certamente, a melhor entre as três vezes que o vi tocar. 

    Deep Dish (por Jonas Fachi)

    Poder ver ao vivo um dos maiores projetos de dance music da história, por si só já seria um grande privilegio. Deep Dish, a dupla conhecida mundialmente de DJs e produtores de origem iraniana Ali “Dubfire” Shirazinia e Sharam Tayebi, retornava ao lugar que marcaram época, de 2006 a 2008, com longsets e noites inesquecíveis para quem viveu este tempo. No ano de 2013, após 6 anos de hiato, o duo resolveu se juntar novamente, lançando musicas e um set aclamado na Radio BBC de Londres. Vencedores do Grammy com o remix para Dido da musica ‘’ Thank you’’, o projeto tinha grande expectativa pelo publico Brasileiro, e no ultimo evento do ano no Warung, eles vieram com força total.

    Como grande apreciador desse estilo, me juntei a grande quantidade de publico presente no club e ao adentrar a casa, pude observar a boa entrada de Conti e Mandy no Garden e logo após a abertura de Gui Thome no Inside. Infelizmente o sound system estava um pouco baixo, fazendo seu set não surtir efeito na pista. Mesmo assim a expectativa era enorme e após uma hora de atraso do previsto, as duas lendas surgem no palco, sendo muito aclamados pelos presentes. Às 2 horas em ponto Dubfire deu inicio ao set, com uma linha mais introspectiva e linear, enquanto Sharam logo depois começava a dar mais emoção com sonoridades mais características do projeto, e foi assim por boa parte da noite. A dupla parecia um tanto desconexa, mas com grandes momentos individuais. Eu que fui para ver Deep Dish, acabei vendo Dubfire vs. Sharam, tocando individualmente seus gostos, com momentos de Techno mais intenso e outros do característico house progressivo da dupla. Dando um tempo na sala principal, pude pegar um pouquinho do final do set de Adnan Sharif, com um ótimo repertorio, com uma linha dançante e por vezes melódica, colocando o garden sob intensa harmonia. Ao final das 5 horas de set de Deep Dish, Sharam começa a reviver momentos de extrema euforia e emoção, soltando clássicos como Say Hello e Dreams, enquanto Ali Dubfire um tanto quanto tímido ainda com a volta do projeto tenta manter sua característica solo dos últimos anos. Nos últimos momentos da manhã surge Another Brick In The Wall, em um ótimo remix da incomparável Banda de rock progressivo Pink Floyd deixando todos em êxtase total. Resumindo a noite, pode-se dizer que era um pouco mais esperado dos astros, mas foi um extremo prazer poder vê-los novamente no Warung, e ver que a nova safra do publico do club, soube apreciar com energia digna da era de ouro do templo da musica Eletrônica. 

  • Confira a agenda do Warung Beach Club para o verão

    Seguindo o ciclo anual típico de um beach club, o Warung já está em plena temporada, com datas mais constantes e comerciais. Até o último dia do carnaval são 11 festas já confirmadas, e o feriado supracitado concentra as melhores delas. Vamos dividir o período em três partes.

     

    O pré-ano novo

    Nos poucos dias entre o natal e o ano novo que o litoral catarinense recebe seu maior volume de turistas. Graças a isso, a casa abrirá três vezes no período, com uma boa composição de line-ups. No dia 26, sexta-feira, Guy Gerber e Phonique se apresentam, no domingo, dia 28, é a vez do tradicional extended set de Hernán Cattaneo, que contará com o warm up do nosso residente Danee; concluindo a primeira parte da saga, um dos retornos mais aguardados dos últimos tempos: Deep Dish – ou para os mais recentes na cena, o antigo projeto formado por Sharam e Dubfire, que voltou à atividade no início de 2014.

    Janeiro

    Quem acredita em superstições ligadas a começar o ano com o pé direito certamente não ficou feliz com o line-up do dia 2: Loulou Players e Kolombo não devem levar muita novidade musical, mas certamente farão um bom caixinha pro verão com o iminente sold out. Seguindo adiante as coisas melhoram, com Mano Le Tough e Barem dividindo a noite do dia 9 e Visionquest encabeçando a do dia 16. Concluindo o mês teremos Benoit & Sergio e Sharam Jey no dia 23 e Sharam + Gui Boratto no dia 30. 

    Carnaval

    O verão todo tem boas festas, mas certamente no carnaval que as coisas pegam fogo. Já na sexta teremos uma lenda viva como headliner – Pete Tong, a mente por trás do histórico Essential Mix. No sábado que os clamores populares dos fiéis finalmente será saciado: Loco Dice é a estrela da noite. Concluindo o feriado, segunda-feira Marco Carola e Seth Troxler comandam o templo.

    Ingressos à venda pelo Alô Ingressos.

  • Warung comemora 12 anos com mais de 12 horas de festa

    Dando continuidade ao feriado da república, no sábado o Warung Beach Club realizava a segunda parte da sua comemoração de aniversário. Dessa vez nossa equipe estava reduzida, já que para a maioria o line-up do dia 7 era muito mais atrativo, mas ainda assim alguns de nós estavam lá para conferir a parte desta data que nos interessava. A festa começou cedo: às 18:00 o club já estava aberto (e estaria às 14:00, se não tivesse enfrentado resistência dos moradores da região), no entanto, optei por preservar energias para a madrugada (lembrando que no dia anterior eu estava no Dream Valley), e cheguei à casa pouco antes das 22:00.

    E ao chegar lá, a primeira grande surpresa: absolutamente nenhuma fila de carros. Quando chegamos ao Canto do Morcego até cogitamos a possibilidade da festa ter sido cancelada, de tão vazia que estava a Brava – nem mesmo os indesejáveis que passam a noite ali ouvindo música ruim ingerindo bebidas de baixa qualidade se faziam presentes! Chegando ao estacionamento descobrimos que não, a festa não foi cancelada, o que significa que o novo horário foi um sucesso, ao menos do ponto de vista logístico. Já dentro do club, a segunda surpresa: apesar do sold out anunciado previamente, não se tratava daquele sold out que todos odiamos, no qual o club se torna uma simulação de lotação na hora do rush. O Garden era sem dúvidas o stage mais cheio, com bastante gente até na área atrás do palco, e o Inside era o que preferi chamar de paraíso. Com menos gente do que na noite de Hawtin e Gaiser, conforto e frescor eram os melhores adjetivos para o ambiente. Inclusive nesta festa pude perceber o que provavelmente foi uma das razões para a mudança de nome: já que o ambiente é mais apropriado para o techno e o estilo não é o que mais leva público, nada mais justo do que tirar dele o título de “Main Room” e deixar o Garden aos poucos assumir o posto de “palco principal”. OK, o saudosismo talvez dificulte nossa aceitação para isso, mas se pensarmos bem, foi a melhor decisão.

     

    Partindo agora para a análise artística, vamos falar da parte que pudémos apreciar com a atenção necessária, e o senso crítico ligado. Adentramos a pista Inside pouco depois da meia-noite, quando Tale Of Us já estava tocando. Quem acompanha nosso site com certeza leu o review A Fábula de Tale Of Us no Templo, que escrevi relatando a passagem deles pelo club em maio. Naquela ocasião eles executaram um set de 4 horas com a maestria que pouquíssimos artistas com o tempo de carreira deles é capaz de fazer – eu que nunca fui de acompanhar o trabalho da dupla me tornei fã incondicional. No entanto no aniversário eles não eram headliners e tinham apenas 1:30 para tocar, e souberam se adaptar ao meio. Um set sem tantos picos emocionais, mas com uma bela seleção de tracks e uma condução tranquila e sábia – começamos a noite com o pé direito!

    Na sequência foi a vez de mais um repeteco do ano: o live de Paul Ritch. O francês começou bem, um pouco mais pesado do que o final dos italianos, no entanto não conseguiu segurar a barra. Seu som reto e pouco dinâmico acabou se tornando monótono comparado às belas harmonias de Karm e Matteo, e mesmo tendo apenas 1 hora de live, era visível a perda de foco da pista no final. Sua apresentação porém teve um efeito muito positivo na noite: influenciou Sasha, que seria o próximo a tocar e viria a ser o nome da noite. O galês era uma das maiores incógnitas da noite, por duas razões: primeiro por ser um DJ de progressivo, um estilo que demanda longas apresentações para fazer sua arte aflorar (vide Hernán Cattaneo e suas longas madrugadas no templo); segundo por que além do seu som ser progressivo, ele é extremamente intimista e desacelerado. Como um DJ desses se sairia tendo um set de apenas 2 horas, entre Paul Ritch e Maceo-hype-Plex?

     

    E foi aí que vimos o peso que a experiência e o talento tem numa hora dessas. Como Ritch havia tocado uma hora inteira de techno pesado, Sasha optou por manter o peso, mas sem abandonar sua raiz progressiva e melódica. O resultado foi uma primeira hora de set surpreendente e maravilhosa. Com a pista toda nas mãos (e ela começou a crescer, tanto pela qualidade do que estava sendo apresentado como pela chegada dos fãs de Plex guardando lugar), aos poucos ele foi reduzindo o ritmo, até concluir sua apresentação exatamente do jeito que todos acharam que seria ela inteira: intimista e melancólica.

     

    Neste ponto a noite já tinha valido a pena, mas ainda tinha um último DJ para tocar, que por acaso era a grande estrela da noite, aguardada há anos. Emitir uma opinião sobre essa apresentação de Maceo Plex é um tanto difícil: foi um set bem construído, os hits Crossfade e a série Conjure foram tocados (para o delírio dos fãs) e a pista não parou um minuto. Só faltou uma coisa: surpreender. Quem passou o ano acompanhando o trabalho dele na ENTER, como nós, ficou duas horas em um permanente estágio de deja vu. Óbvio que não tenho dados exatos, mas eu seria capaz de apostar que 80% das track que ele tocou no Warung estavam presentes em algum dos seus sets gravados e divulgados ao longo do ano. Talvez ele tenha guardado as relíquias pra soltar no after, já que logo após o termino da festa ele já estava tocando em outro evento. Como não fomos conferir, voltamos pra casa com esse gostinho de “queria mais”.

    E assim concluímos mais uma jornada no templo da música eletrônica. O Garden ainda reservou muitas emoções para quem gosta de gangsta e deep house, vide a apresentação de Sharam Jey e Jamie Jones, mas como esta não é a nossa praia, nos limitamos a relatar o que aconteceu no Inside – que mais uma vez, foi muito bom!

  • Chris Liebing faz história no Mystic Stage do Dream Valley

    Nos dias 14 e 15 de novembro o Beto Carrero World recebeu a terceira edição do Dream Valley Festival, realizado pela Green Valley em parceria com a Engage, produtora de eventos do grupo RBS. Nossa equipe esteve presente no primeiro dia de evento, e acompanhou todos os DJs que se apresentaram no Mystic Stage, palco alternativo dedicado a vertentes do techno e do house.

     

    Infelizmente enfrentamos contratempos na estrada rumo a Santa Catarina e não chegamos a tempo de assistir Matador, que estranhamente estava escalado para as 22:00. Chegamos pouco depois da meia-noite, horário que deveria ser de Julio Bashmore, mas quem estava no palco era Maya Jane Coles, com um som dançante e criativo. Quando fomos tentar entender a bagunça que estava o line-up, a primeira grande surpresa da noite veio: Matador havia se recusado a tocar no horário que lhe fora atribuído, por isso, todos os artistas estavam se apresentando cerca de uma hora adiantado.

    Dando sequência no line, era a vez de Amine Edge & DANCE, a atração que sem dúvidas levou mais pessoas ao Mystic Stage neste dia. A pista não ficou parada um minuto sequer com o g-house da dupla – nós não compartilhamos da mesma empolgação – e assistimos de longe (com direito a um rápido role pelo palco principal, aonde vimos uma parte da apresentação de R3hab). Em seguida foi a vez de Boris Brejcha, que infelizmente está cada vez mais empolgado com seu hitech minimal, uma mistura estranha de techno com electro, bem diferente das atmosferas sombrias e intrigantes do bruxo.

    Quando os relógios já passavam das 4 horas, finalmente Matador voltou para executar seu trabalho – ato feito com maestria. Quem já viu o live dele tem uma boa noção de como foi, já que suas apresentações são sempre semelhantes entre si – no entanto, comparada às outras 3 vezes que o vi, esta certamente foi a mais pesada, sendo um belo warm up para o que estava por vir. Chris Liebing assumiu os decks e mostrou que sabe ler a pista muito bem e se comunicar com ela. Acostumado a fazer long sets em eventos de techno, ele conseguiu adequar muito bem seu som para um set de apenas uma hora, diante de uma pista que não estava acostumada com o estilo. Em poucos minutos seu repertório e sua técnica impecável já haviam colocado o público sob uma intensa hipnose, e a cada virada surpreendente era visível a empolgação das pessoas com o que estavam vivendo.

    De alma lavada, voltamos para casa satisfeitos com a noite, mas desapontados com a carência de nomes atrativos para o próximo dia. Um evento que já teve Sven Vath, Loco Dice, tINI e Tale of Us em uma mesma edição ficou devendo um pouco neste ano. No entanto, a oportunidade de ver ao vivo um artista como Chris Liebing, acompanhado de Matador e Maya, certamente valeu o ingresso!

  • Review Dream Valley 2014

    Nos dias 14 e 15 de novembro o Beto Carrero World recebeu a terceira edição do Dream Valley Festival, realizado pela Green Valley em parceria com a Engage, produtora de eventos do grupo RBS. Nossa equipe esteve presente no primeiro dia de evento, e acompanhou todos os DJs que se apresentaram no Mystic Stage, palco alternativo dedicado a vertentes do techno e do house.

     

    Infelizmente enfrentamos contratempos na estrada rumo a Santa Catarina e não chegamos a tempo de assistir Matador, que estranhamente estava escalado para as 22:00. Chegamos pouco depois da meia-noite, horário que deveria ser de Julio Bashmore, mas quem estava no palco era Maya Jane Coles, com um som dançante e criativo. Quando fomos tentar entender a bagunça que estava o line-up, a primeira grande surpresa da noite veio: Matador havia se recusado a tocar no horário que lhe fora atribuído, por isso, todos os artistas estavam se apresentando cerca de uma hora adiantado.

    Dando sequência no line, era a vez de Amine Edge & DANCE, a atração que sem dúvidas levou mais pessoas ao Mystic Stage neste dia. A pista não ficou parada um minuto sequer com o g-house da dupla – nós não compartilhamos da mesma empolgação – e assistimos de longe (com direito a um rápido role pelo palco principal, aonde vimos uma parte da apresentação de R3hab). Em seguida foi a vez de Boris Brejcha, que infelizmente está cada vez mais empolgado com seu hitech minimal, uma mistura estranha de techno com electro, bem diferente das atmosferas sombrias e intrigantes do bruxo.

    Quando os relógios já passavam das 4 horas, finalmente Matador voltou para executar seu trabalho – ato feito com maestria. Quem já viu o live dele tem uma boa noção de como foi, já que suas apresentações são sempre semelhantes entre si – no entanto, comparada às outras 3 vezes que o vi, esta certamente foi a mais pesada, sendo um belo warm up para o que estava por vir. Chris Liebing assumiu os decks e mostrou que sabe ler a pista muito bem e se comunicar com ela. Acostumado a fazer long sets em eventos de techno, ele conseguiu adequar muito bem seu som para um set de apenas uma hora, diante de uma pista que não estava acostumada com o estilo. Em poucos minutos seu repertório e sua técnica impecável já haviam colocado o público sob uma intensa hipnose, e a cada virada surpreendente era visível a empolgação das pessoas com o que estavam vivendo.

     

    De alma lavada, voltamos para casa satisfeitos com a noite, mas desapontados com a carência de nomes atrativos para o próximo dia. Um evento que já teve Sven Vath, Loco Dice, tINI e Tale of Us em uma mesma edição ficou devendo um pouco neste ano. No entanto, a oportunidade de ver ao vivo um artista como Chris Liebing, acompanhado de Matador e Maya, certamente valeu o ingresso!

  • Primeira festa dos 12 anos do Warung esbanja qualidade musical

    Novembro é, certamente, um dos melhores meses para se divertir no litoral catarinense. Dentre as razões para tal está o aniversário do Warung Beach Club, que pela 12ª vez nos brinda com uma comemoração de cair o queixo – neste ano, em duas partes. Na última sexta-feira pudemos conferir a primeira, que tinha um line bem mais curto e conceitual do que a festa que acontecerá no próximo sábado. No antigo Main Room, agora intitulado Inside, ninguém menos que Richie Hawtin e Gaiser, enquanto o Garden recebia a estreia do trio Apollonia. Para não perder um minuto sequer dessas apresentações, nossa equipe se dividiu já no começo da festa.

    Uma parte chegou e já dirigiu-se ao lotado Inside para uma surpresa: Gaiser estava atrasado. Enquanto o time lutava por um lugar ao acrílico, Albuquerque e Aninha estendiam seu warm up muito bem, segurando a ansiedade de todos pelos ídolos. Já era 2:45 da manhã quando o americano-alemão iniciou seu live. Quem já tinha visto sabia o que viria, e teve as expectativas correspondidas: um techno empolgante e groovado, deixando a pista no ponto para o não-tão-long set do chefão da ENTER que viria logo a seguir.

    Quando Richie começou, o público quase foi à loucura: começando com uma sonoridade característica do seu repertório e muito bem conectada ao warm up feito por Jon Gaiser, em poucos minutos o canadense-inglês já tinha colocado todos sob sua intensa hipnose. A linha reta e sombria predominou, mas surpreendentes momentos melódicos deram um toque de novidade para o set – lembrando que Richie Hawtin tem uma longa história com o club e desde sua estreia em 2008 já protagonizou momentos históricos na casa, os fãs sempre esperando algo no nível do que já foi apresentado. Como infelizmente hoje em dia não é mais possível termos sets de 8, 10 horas, o DJ se vira como pode, não é mesmo?

    Enquanto isso, no Garden, praticamente outra festa. Sem aperto ou calor, nossa equipe já entrava no ritmo da noite com o ótimo warm up de Boghosian, que pontualmente entregou a pista para o trio Apollonia, às 2:00. O que aconteceu nas cinco horas seguintes pode ser classificado como uma nova forma de apreciar a música eletrônica. Apesar de ser um trio, a apresentação não era num formato “b2b em trio”: cada um tocava sozinho por um tempo, e passava a bola para o outro sucessivamente. Com isso, pudemos ver um set longo, com vários picos e mudanças de humor, tudo sendo feito com uma técnica absurda de mixagem. A naturalidade com que os três se entrosavam ao longo do set certamente era o destaque da apresentação: Shonky conduzia a ópera, com um tech house mais sério, enquanto Dyed fazia o link até a quebra de gelo da linha mais houseada de Dan. Uma estreia de ouro, que contribuiu para tornar esta uma festa inesquecível!

    Agora as atenções se voltam para a segunda parte do aniversário: neste sábado o club recebe uma verdadeira constelação, agradando tanto ao público do techno, como do deep house. Maceo Plex, Sasha, Tale Of Us, Jamie Jones, Damian Lazarus e Sharam Jey são alguns dos destaques, confira mais informações no evento oficial.

  • Boas surpresas marcam a inauguração do Terraza BC

    No dia 19 de outubro Balneário Camboriú recebeu uma nova e promissora casa de música eletrônica: o Terraza BC. Assim como em Florianópolis, ele faz parte do complexo Music Park, que conta com outros espaços para eventos – inclusive um deles receberá deadmau5 no final do ano. Quem chegou a visitar a Space B. Camboriú durante sua curta existência não conseguiu fugir das comparações: o espaço foi totalmente repensado. Aonde havia o antigo saguão de entrada, agora existe uma pista – até as 2:00 da manhã era o único ambiente aberto, com o live de Akel & Nana Fracta. Infelizmente a acustica do local não ajudou a dupla, e poucos apreciaram o som que foi apresentado. No momento em que se perguntava o porquê da existência dessa segunda pista, eis que o terraço é aberto, com a apresentação de Jean Villegas.

    Neste momento entendemos: além da pista principal não comportar todo o público presente, fazia muito calor e um “refúgio” com sonoridades diferentes se mostrou de grande valia. O set de Jean foi agradável, um belo warm up que infelizmente não foi muito bem aproveitado a seguir: Audio Werner não correspondeu às expectativas, e não conseguiu segurar toda a pista que recebeu. O som repetitivo e sem muita criatividade aliou-se ao calor e fez com que nós voltássemos para o outro stage. Lá encontramos o detroiter e residente da casa, Bernardo Ziembik, que pode-se dizer que salvou a noite. Sua tarefa não era fácil, mas certamente prazerosa: com 5 horas de set nas mãos, Bernardo soube criar momentos e contar uma história ao longo da sua apresentação, alternando muito bem os momentos melódicos, os pesados, os dançantes, os introspectivos.

    Ao amanhecer ele ainda tocava, mas as atenções voltaram-se para a outra pista novamente, com outra surpresa “de casa”: Antonela Giampietro, que apresentou uma bela e dançante seleção de techno e house bem mixada, diferente da última apresentação sua que haviamos visto. Ponto pra ela, que “salvou o dia” e conduziu a festa manhã adentro.

    No fim da festa, sentimento de satisfação. Existem alguns pontos que precisam ser melhorados, como a ventilação e a acústica do segundo palco, mas no geral a casa certamente vem para acrescentar à região, musicalmente falando. Que venham as próximas datas!

  • Terraza inaugura filial em Baln. Camboriú

    Quem é fã da música eletrônica e acompanha o crescimento que ela tem tido nos últimos anos, vai gostar de saber da novidade. Quem ainda não é fã, vai perceber porque chegou a hora de dar uma oportunidade para esse movimento vibrante e em constante renovação. A Terraza Music Park, clube referência em Florianópolis, chega a Balneário Camboriú como uma das quatro casas do complexo Music Park BC (situado na BR-101, exatamente aonde era a Space B. Camboriú). Para a inauguração, dia 18 de outubro, a Terraza BC traz uma atração inédita em Santa Catarina: o DJ e produtor alemão Audio Werner.

    A Terraza BC seguirá a mesma identidade da matriz de Florianópolis, que vai do conceito sonoro ao visual. Inspirado em clubes de diferentes regiões do globo terrestre, como o Club der Visionaere, de Berlim, as projeções visuais fazem parte da festa e estão completamente ligadas à sequencia musical de cada artista. Além da decoração, as paredes foram todas pintadas a mão pelo artista plástico de Balneário Camboriu e DJ residente da Terraza Jean Villegas.

    Estas e outras surpresas aguardam os convidados para o Grand Opening da Terraza BC, que vai acontecer no dia 18 de outubro, a partir das 23h. Completam a programação da noite os residentes Bernardo Ziembik, Jean Villegas e a argentina Antonela Giampietro. As projeções visuais ficam por conta da VJ Linien.

    Texto: Adão Pinheiro/Buriti Jornalistas Associados

    SERVIÇO

    Data: 18 de outubro
    Horário: 23h
    Ingressos: De R$ 20 até R$ 40,00
    Vendas online: blueticket.com
    Pontos de venda: Music Park BC, Rede Blueticket (SC, PR e RS), Rede Multisom, Pit Stop (Balneário Camboriú), Loja Blueticket (Florianópolis: Shopping Beira-Mar. Balneário Camboriú: Balneário Shopping) e central de vendas Blueticket (48) 4052 9001. Reservas pelo reservas@musicparkbc.com.br e (47) 3241 6020 com Patrícia.