Autor: Bernardo Ziembik

  • Derrick May, um dos pais do techno

    Quando comecei a estudar e aprender mais sobre música eletrônica, o Pump Up the Volume foi um dos documentários essenciais para que eu pudesse entender melhor como tudo começou e onde. Foi em duas cidades, que deram origem a dois gêneros que originaram grande parte do que ouvimos hoje nas pistas: o house de Chicago e o “irmão mais nervoso” que nasceu em Detroit, o techno. Nele, diversos artistas foram enfatizados e Derrick May era um deles.

    Afinal, por que o Derrick May é considerado um dos pais do techno? A resposta pode ser simples e objetiva: por ele ser um precursor do gênero. Pra não ficar nessa simplicidade, contarei mais uma história que contribui para que ele tenha esse respeito: ele, na época em que era moleque como nós, foi o formador do Rhythm is Rhythm, projeto que lançou um dos principais hinos da música eletrônica, Strings of Life.

    Essa é daquelas música poderosas, que mostra como a arte pode chegar a diferentes cantos. Através disso, Derrick May fez suas primeiras tours pela Europa, nas primeiras raves e squat parties que lá aconteciam, apresentando o primeira formato global de aceitação da música eletrônica. Essas eram daquelas festas clandestinas em que os caras locavam dois sistemas de som, dois jogos de iluminação, convidavam os DJs e conviviam com o risco da polícia aparecer a qualquer hora! Para saber onde era o local, normalmente havia um conjunto de charadas, ou você precisava ir a um orelhão em tal lugar e ligar para tal número. Já pensou que louco? Agora, imagina ser o disseminador de uma cultura que representa uma forma de expressão de uma geração e saber o que ela se tornou hoje em dia?

    Aí, anos depois, você procura vídeos do cara e, bingo: o cara continua super atualizado e fazendo sets incríveis. É pra poucos, né?

    Por isso e muito mais, agradeço por tudo o que ele fez e faz e me sinto extremamente honrado em tocar numa noite com ele, nessa sexta-feira, no Terraza de Floripa, assumindo a pista principal após a lenda. De quebra, o detroitbr assinará a pista alternativa da festa, onde faço warm up para meus amigos André Anttony e Hetich. Quer jeito melhor pra começar o mês de maio?

  • Noite atípica marca o aguardado retorno de Joris Voorn ao templo

    Sexta-feira, 19 de junho, uma das noites mais frias de 2015. Pessoas comuns estariam embaixo de suas cobertas, comendo um fondue, vendo televisão. Como sou mais um apaixonado por música, me programei para ir ao Warung, pois, das atrações agendadas para esse período do ano, Joris Voorn é, provavelmente o retorno mais aguardado por aqueles que frequentam o club por pelo menos alguns bons anos. Digo isso pois sua última apresentação no Templo, ao lado de Phonique, foi uma daquelas noites completas, nostálgicas.

    Chegando ao clube, nos deparamos com um pequeno inconveniente. Devido a questões burocráticas e a falta de uma pessoa de plantão pra resolver problemas operacionais, perdemos mais de uma hora na entrada, fazendo com que não ouvíssemos a maior parte do warm up da incrível Aninha. Sou suspeito para falar dela, pois, sou um grande fã há muito tempo. Da parte final que pude acompanhar, muito groove e uma pista fervida. A finalização com o remake de Sebastien Leger para a clássica “Jaguar” dividiu opiniões: Uns acharam desnecessário para o momento, outros sentiram uma conexão com o que estava por vir (coincidentemente, eu havia tocado ela dias atrás em uma festa entre amigos). A partir disso, começamos a acompanhar o long set que estava por vir. Artista muito completo, com produções figurando no topo há alguns anos, Joris é daqueles caras que monta sets como uma montanha russa, com variações de estilos frequentes. Utilizando uma fórmula que mesclava faixas melódicas e dançantes constantemente, seu set apresentou diversas músicas autorais. Sua técnica é refinada e, obviamente, a pista soube reconhecer seu mérito. No final, momentos de techno fizeram a pista bombar. Naquele momento, a energia só não foi maior porque o frio era realmente muito intenso e, devido a isso, o club apresentava público abaixo do normal. 

    Se no Inside o frio era controlado, no Garden, isso só foi possível no momento da apresentação do duo Elekfantz, que apresentou o seu live clássico e embalou a turma que lá se concentrava. Após eles, a dupla Shadow Movement, de artistas extremamente jovens, apresentou um set bem coerente, que, infelizmente, devido à gélida noite, foi apreciado por pouquíssimos clubbers que ali estavam.

  • Dia de surpresas e consolidações no Warung Beach Club

    Na ultima sexta-feira, dia 3 de outubro, o clima do final de semana era de eleições. Porém, como não podia faltar, tivemos mais uma festa no Warung. Antecedendo o aniversário de 12 anos do clube, onde em duas datas teremos mais de 30 artistas nacionais e internacionais, o templo apresentou diversos nomes que já tinham se apresentado no passado. Foi uma noite tranquila, de casa cheia (mas nem perto da lotação vista em festas anteriores), fazendo com que as duas pistas tivessem um bom espaço para dançar, exatamente do jeito que eu gosto.

    Minha noite começou no garden, com um trecho do set de Bruno Be. Já incendiando a galera, Bruno trouxe várias produções de sua autoria, e seu set foi adequado ao horário e a proposta da pista. Assim que HNQO se preparava para virar a primeira música, me dirigi a pista principal, pois sabia que esse era o horário que entraria a dupla que valorizaria a noite: Audiofly. Velhos conhecidos dos Warungueiros, o duo estava de volta com sua identidade musical ímpar. O set foi recheado de melodias e grooves até então inéditos para mim. Com uma aula de construção e coerência e um som envolvente que abraçava quem estava na pista, a dupla realizou uma grande apresentação. 

    Quando citei surpresa no título desse review, quis dizer: Adana Twins. Primeiro, pelo horário da escalação dos irmãos. Famosos pelos set’s de Deep House, poucos entenderam a lógica do duo se apresentar após Audiofly, criando comentários e discussões durante a semana nas redes sociais. Segundo, pelo set apresentado. Apesar de as músicas selecionadas não parecerem fazer parte do repertório usual dos artistas, a dupla iniciou seu set de uma forma no mínimo intrigante: Não fazendo uma transição, mas parando o som, para então iniciar seu trabalho. A primeira track, acabou quebrando um pouco da atmosfera que Audiofly havia deixado na pista, mas ao longo do set, uma seleção de musicas conhecidas e animadas entraram no repertório, fazendo com que o set se tornasse interessante. Digo interessante pois, infelizmente, os erros de mixagem se tornaram nítidos até para os mais leigos, sendo frequente a famosa “sambada”.

    Por outro lado, o título ainda fala em consolidação por conta de Daniel Bortz. O artista, que mais de uma vez já havia se apresentado no club, iniciou seu set no às 4h no garden e criou uma atmosfera única. O set que começou leve, se tornou mais agressivo após sua música “Who is Manfred”, recentemente lançada pelo selo Innervisions. Uma construção muito bem feita, consolidando o artista e me surpreendendo positivamente.

  • Mano le Tough rouba a cena do Warung do feriado

    Sexta-feira passada foi dia de reencontro. Reencontro com amigos e dois grandes DJs da cena eletrônica mundial: Seth Troxler e Mano le Tough. A noite fria do dia 20 começou com um congestionamento poucas vezes visto este ano no Canto do Morcego. Não só pela quantidade de carros, mais também pela quantidade de pessoas mal educadas. Foi possível ver 3 filas para o mesmo sentido na avenida principal do Warung, trancando carros que vinha na direção contrária e fazendo com que esperássemos muito tempo para chegar ao clube.

    Com a entrada tardia no club, acabei perdendo os sets dos meus amigos Ricardo Albuquerque e Thiago Schlemper. Na divisão de pistas, tivemos Renato Ratier fazendo warmup para Seth Troxler no main room e Alex Justino esquentando o garden para Mano le Tough. Renato apresentou um set bem consistente, sem grandes variações como era costumeiro. Já Alex – que pouco crédito tinha comigo e alguns conhecidos – surpreendeu. Um set que apresentou a sua identidade e que nos minutos finais encaixou perfeitamente ao set do irlandês que viria a seguir.

     

    Mano le tough – DJ e produtor que já havia me surpreendido no ano passado, protagonizou a cena excêntrica da noite. Lá pelas tanta da madrugada, decidiu que estava com fome e, durante a sua apresentação, começou a comer uma banana. Será este um reflexo do ato de Daniel Alves? Brincadeiras a parte, voltou a ser a grande estrela da noite. Seu set misterioso e por muitas vezes sombrio, teve uma construção muito semelhante a sua apresentação anterior. Muita melodia na primeira hora, muito techno sério e reto na segunda e terceira hora, muita nostalgia na hora final. Ele se consolida como um dos grandes DJs da atualidade e mostra a força do som que é proposto por ele e pelos artistas do selo Life & Death.

     

    Do outro lado do jogo, Seth Troxler. A expectativa era grande, principalmente porque durante a semana rolou um set na internet, onde Seth se apresentou após Dubfire e deu aula de técnica e repertório. Infelizmente, o sentimento foi frustração. Seu set apresentou tracks sem graça, com pouca conexão, as quais não fizeram eu, muito menos as pessoas ao meu redor vibrarem. No final, ficou um gostinho de b2b com Renato Ratier, que não se concretizou, fazendo com que a festa tivesse seu final prematuro.

    Ao menos, tivemos um nascer do Sol maravilhoso, daqueles que só a sacada do templo pode proporcionar 😉