Abril foi um mês e tanto. Foram três semanas de muita loucura e, é claro, muita música de primeira. A aventura foi iniciada na XXXperience de Curitiba, que teve apresentações memoráveis de Stimming e Visionquest, seguiu para o segundo carnaval de 2014, com o feriadão de cinco dias coroado pelo talento de Hernán Cattaneo, H.O.S.H e Stimming novamente, e finalmente concluiu sua maratona no último final de semana, com as apresentações de Marc Houle no The Garden e no El Fortin, ambos em Santa Catarina.
A terceira parte da trip começou na sexta-feira à noite. Apesar de termos saído de Curitiba com tempo de sobra, um acidente nos manteve 4 horas parados na BR-376. Perrengue superado, chegamos a tempo de comprar umas fichas, ir ao banheiro e se posicionar diante do palco, pois Marc Houle começaria a tocar em 10 minutos. O live apresentado lá foi bem competente. Um belo equilíbrio entre hits e lados b e com bastante exploração de recursos ao vivo, como os vocais. Foi a terceira vez que vi o alemão insano tocar, tendo sido a primeira na XXXperience 2010 (no lendário Minus Stage) e a segunda no Danghai Club, quando inclusive fizemos o warm-up para ele – diria que este live do The Garden foi mais parecido com a primeira, mas com menos agressividade. Importante notar que o sound system da casa estava aquém do esperado de uma festa deste porte, talvez isso tenha “diminuído” o brilho do artista principal – fica a dica para a organização do evento 😉
Na pista, vimos um público misto entre frequentadores assíduos da cena e alguns paraquedistas, que com certeza nunca tinham presenciado nada parecido em termos de música eletrônica. Nota-se que é uma cena em formação, e trazer Houle foi uma grande tacada rumo à criação de um público com gostos mais diversificados, além do óbvio que bate ponto em clubs do país todo. Com certeza voltaremos ao local daqui alguns meses e encontraremos uma pista ainda melhor!
A dura missão de fechar a noite ficou com a DJ Anna que, apesar do seu talento, não conseguiu segurar a pista. Seu set tinha bons momentos, mas parecia não ter unidade, e isso foi esvaziando o club aos poucos.
No dia seguinte, avançamos mais 120 km no estado vizinho e chegamos a Porto Belo, cidade que abriga o El Fortin Club, um dos maiores do estado. Ao chegar lá já deu pra perceber que a noite ia bombar: cambistas vendendo ingressos em toda parte, e uma fila enorme para entrar. Infelizmente perdemos o warm up da noite, que foi feito por Davi Cecato, mas pudemos apreciar o trecho do seu set na internet:
Uma vez lá dentro, Kanio já estava se apresentando – e surpreendendo. O britânico percebeu que sua função seria preparar a pista para o artista principal e fugiu um pouco da sua costumeira linha, tocando um techno mais introspectivo e com cara de warm up. Apenas nos minutos finais ele soltou a mão e tocou os hits de minimal que seus fãs estavam aguardando.
Chegada a vez de Marc Houle, mais surpresas. Se o live de Joinville foi semelhante ao da XXX, este de Porto Belo sem dúvidas foi uma “versão pocket” do que ele tocou no Danghai Club. A atmosfera era ainda mais sombria (contextualizando com o apelido da casa, “trevas”), e ele apostou em mais músicas antigas, da época de Sixty Four, aproveitando-se do público que, em sua maioria, sabia o que os aguardava. O live pareceu mais consistente e o sound system ajudou – algumas pessoas da pista diziam que ele estava “encapetado”!
Na sequência, a tortura: Groove Delight. De fato tentamos dar uma chance a ela, mas a construção sem começo, meio e fim, sem alma, não foi capaz de nos manter na pista por mais do que 15 minutos. Rapidamente estavamos na outra pista, ouvindo um DJ local cujo nome não sei até agora mandar melhor que ela. A festa se encerrou com Chemical Surf, que até teve um começo empolgante, mas logo já estava em clima de “fim-de-festa”.
No fim das contas, um fim-de-semana muito proveitoso. Não é sempre que você pode ver duas boas apresentações de Marc Houle, ainda mais passando pela experiência de vê-las em lugares bem diferentes, com público e características bem distintas. O feedback após os eventos está sendo muito bom – pelo jeito, o alemão está cada vez mais no gosto do brasileiro!