No último sábado muitos curitibanos puderam realizar um sonho: curtir uma rave – ou um festival de música eletrônica, como alguns preferem chamar – na Pedreira Paulo Leminski, tradicional centro de eventos que já recebeu artistas de diversos estilos e do mundo todo, e que faz parte da história de qualquer um que viveu na capital paranaense nas últimas décadas. O responsável por isso? O Warung Beach Club, que realizou seu primeiro grande festival lá.
O anúncio da festa gerou uma grande expectativa no público: mesmo com a reabertura da Pedreira, ninguém esperava algo assim. Desde 2004, quando o Creamfields realizou uma edição lá (com direito a Paul Oakenfold e Groove Armada), não acontecia algo parecido, e boa parte das pessoas que hoje vivem esta cena ainda estavam na fase rock n’ roll dez anos atrás (eu incluso). Pois bem, ao chegar no local, primeira felicidade: a estrutura, que estava ótima. No local aonde normalmente fica a pista dos shows, o main stage: uma grande tenda retangular com um palco grande e muito bem decorado. De um lado, uma grande praça de alimentação e um bar servindo chopp Heineken, do outro lado, os camarotes. Atrás deste stage estava o Pedreira Stage, que abrigou outra pista de dança e possibilitou que muitos subissem pela primeira vez no palco que já recebeu bandas como AC/DC, Iron Maiden e Paul McCartney. Para finalizar, havia ainda um terceiro stage, o Warung Garden, menor e intimista, na beira do lago.
Depois de “reconhecer o terreno”, começamos a prestar atenção em outros detalhes e detectamos o que talvez tenha sido o único ponto negativo do festival: o sound system, que estava perfeito no Warung Garden e no Pedreira Stage, deixou a desejar no palco principal. Deixou a desejar, mas não comprometeu. O primeiro artista que pudemos assistir com a devida atenção foi Hot Since 82, que cumpriu bem o papel de preparar a pista para a noite.
Em seguida Paul Ritch começou o “massacre”, com um techno pesado e dançante, abrindo espaço para uma das surpresas da noite: Renato Ratier, que mandou um set mais conceitual do que comumente se vê ele tocar em suas noites no templo. Fechando a noite com chave de ouro, tivemos o privilégio de presenciar Ali Dubfire em uma noite inspirada – coisa que pra mim não acontecia há umas 3 apresentações dele que assisti. O set de 2:30 foi linear e introspectivo, e reflete exatamente o que ele disse em uma entrevista em 2008, antes de tocar no Skol Beats: que gosta de “quebrar” a pista nos primeiros minutos, para reconstruí-la do zero em seguida. O set foi estranho no começo, e se encontrou de uma forma surpreendente no seu decorrer – grande Ali 😉
Enquanto tudo isso rolava, o Pedreira Stage estava incendeado, devido à apresentação de Amine Edge & DANCE – o gangsta house estava claramente fora de contexto no evento, mas o povo gosta, não é mesmo? A pista não parou um minuto sequer! Outro destaque neste palco foi o live de Ten Walls que, apesar de ter durado apenas 45 minutos, esbanjou qualidade e melodia. No encerramento, Rolldabeetz mandou bem também, sendo uma ótima alternativa ao Dubfire.
No fim, mais um grande evento para o currículo. Para nós, que já vivemos épocas de 5/6 raves por ano e hoje temos que nos contentar com 2, uma grande esperança. A organização afirma que 9 mil pessoas passaram pela festa, e já confirmou a realização de uma nova edição em 2015. Ao que tudo indica, o Warung Day Festival agora faz parte do calendário permanente de Curitiba, com um conceito diferente de festa, com muitas características importadas de festivais europeus de techno e house. Nós só temos a agradecer!
PS: se tinha gente fantasiada, era RAVE sim! 😉
* Informação importante: este review está publicado em uma coluna, o que significa que ele reflete exclusivamente a opinião do seu autor, não coincidindo com a opinião do Psicodelia.org e muito menos com algum tipo de verdade absoluta.
Créditos: Fotos 1, 4, 5 e 6 por Thiago Nakaguishi. Foto 2 por Divulgação Oficial. Foto 3 por Moha.