Autor: Mohamad Hajar

  • Música: arte ou negócio?

     

    Segundo a maioria das definições, do Aurélio à Wikipedia, música é uma forma de arte, expressada a partir da combinação de sons e ritmo. Desde os mais antigos registros, a música sempre figurou como forma de um artista se expressar, traduzir seus pensamentos e sentimentos em forma sonora. Partindo desse pressuposto, podemos concluir que a apresentação ao vivo nada mais é do que o diálogo do artista com a plateia que o está assistindo.


    Sven Väth, um mestre na arte de envolver o público por horas a fio

    Dentro de qualquer arte pressupõe-se que o público está interessado na qualidade do que está sendo apresentado: ninguém sai feliz do cinema se o filme foi ruim, ou de um teatro com péssimos atores. No entanto, presenciamos um momento no qual os ambientes voltados para apresentações musicais não favorecem em nada a apresentação da música enquanto arte. Na música eletrônica, isso é ainda mais evidente. Proporcionar diversão sempre foi o propósito de diversos estilos musicais, mas dentro de baladas e alguns festivais ela é mera coadjuvante até mesmo no propósito de divertir, e não é mais necessária para o público em geral. Nesses ambientes, aonde a atenção é dividida com efeitos visuais, drogas lícitas e ilícitas, busca por parceiros/as e ostentação, a música está se tornando cada vez mais vazia e “industrializada” – e os verdadeiros artistas estão perdendo seu espaço para produtos da mídia.

    Que fique claro que não estou me opondo à existência de todos os elementos citados no parágrafo anterior; o problema é a importância deles, que em muitos casos está acima da música. Em ambientes onde o artista disputa cada metro quadrado do palco com amigos do dono da balada, o ingresso feminino é mais barato (ou gratuito) e o cliente que compra champanhe com foguetinho brilha mais que o DJ, alguma coisa está errada. E entramos numa decadência sem tamanho a partir do momento em que os donos das casas noturnas e festivais perceberam que seu público busca estas coisas, e decidiram não mais investir em artistas inovadores e de talento. Hoje é comum vermos os melhores horários e datas serem ocupados por pessoas ligadas a empresas patrocinadoras, ou por pessoas influentes do meio, geralmente numa tentativa de conseguir uma “retribuição” de qualquer espécie. Falando dos internacionais, quem manda são as grandes agências – que por coincidência ou não, têm como proprietários os mesmos sócios dos maiores clubs e festivais do país.


    E viva o vazio!

    Em resumo, estamos vivendo o fim da curadoria artística. Com a desculpa de que “precisamos atrair público e pagar nossas contas”, hoje é o departamento de marketing que decide quem toca, quando toca e que destaque recebe – e o resultado é que clubs e festivais estão se tornando cada vez mais um espaço voltado a quem busca todos os outros atrativos, exceto a música. Paga-se cachês altos para DJs e produtores de talento duvidoso, enquanto os poucos que ainda valorizam a música como arte sequer conseguem espaço de destaque nos line-ups, ainda que cobrando muito menos. Mesmo artistas consagrados fora do país têm tido dificuldade para encontrar seu espaço na cena nacional – ótimo exemplo é ver que, apesar de termos diversos clubs com reconhecimento internacional, os artistas listados pelo Resident Advisor como melhores apresentações ao vivo (live acts) do mundo raramente são vistos nas festas brasileiras.

    O resultado negativo disso é que quem deveria ser o formador de opinião, o responsável por trazer novidades e enriquecer a cultura nacional, se tornou escravo do seu próprio público. Não bastando, mesmo os raros que gostariam de apostar em novidades acabam escravizados pela situação, pois o excesso de festas apresentando “mais do mesmo” acaba saturando o mercado, e um núcleo inovador dificilmente alcança a sustentabilidade.

    Para reverter a situação, não existe outra forma senão estes grandes abrirem os olhos e iniciarem um processo de renovação. Muito se fala que educar o público é papel do DJ, mas antes dela a própria casa deve fazer isso. Não será algo rápido ou automático, mas se continuarmos nessa inércia em que estamos, o futuro da música eletrônica no Brasil estará comprometido.

    Originalmente publicado na edição 36 da House Mag.

  • Danghai Club comemora 4 anos com muita solidez na cena curitibana

    Neste mês Curitiba celebra o quarto aniversário desta que já está se tornando uma das baladas de música eletrônica mais características da cidade: o Danghai Club. Desde a festa de inauguração com Boris Brejcha, em 2009, muitas lendas da cena mundial já passaram por lá: Marc Houle, Dr. Lektroluv, Tocadisco, Popof, Dusty Kid, Felguk, Format: B, Captain Hook, Neelix, entre muitos outros.

    Para comandar a festa de aniversário, um artista inédito para a casa, mas que com certeza está no gosto do seu público: Stephan Bodzin. Além dele, o line-up conta com alguns nomes de Curitiba que fizeram parte da história da casa: Soundman Pako, Kultra, Edu Lima & Maykon Santolli (Pimp Chic), Delippe Reitenbach e os residentes do Villa Nova. Completando a lista do palco principal, Marcelo Medeiros, Lucas Bravo e Alex Zimmer.

    A festa terá também um palco alternativo, com o house de Mateus B, Rhalley, Germano Resner, Eduardo Cavassim, Bruno Romaniv, James Araújo, Dan Polastri e Octavio Neto. Os ingressos estão à venda antecipadamente pela rede da Uni Ingressos.

    SERVIÇO

    Site oficial: www.danghai.com.br
    Evento oficial: https://www.facebook.com/events/557862747609493/
    Ingressos: www.uningressos.com.br

  • Kaballah confirma edição em Curitiba em setembro de 2013

    Em março de 2009, Curitiba recebeu sua última edição da Kaballah Festival, que se despediu da cidade com uma das melhores edições realizadas até então, com direito a Dusty Kid em seus tempos áureos, uma das últimas apresentações “em forma” do GMS, um Perfect Stranger no auge do Free Cloud, um James Zabiela fazendo o que bem entendeu nas CDJs, um surpreendente Adam K que não deixou ninguém ir embora, e muito, muito calor.

    Quatro anos se passaram, e finalmente a Kaballah anuncia sua próxima edição open air em Curitiba: será realizada no dia 22 de setembro, no Jockey Club do Paraná. Além do local inédito, o dia e hora surpreendem: 10:00 da manhã de um domingo.

    O line-up ainda não foi divulgado, mas a organização do festival garante que será “padrão Kaballah” 😉

    SERVIÇO

    Evento: https://www.facebook.com/events/485998691475818/
    Fanpage: http://facebook.com/Kaballah

  • Squat Stage #006 – Fabø & HNQO (fotos, videos e set)

    A sexta edição do projeto Squat Stage, produzido pela Yellow em parceria com o Psicodelia, contou com dois ilustres visitantes: Fabø e HNQO, os curitibanos que estão conquistando o mundo do deep house. Confira abaixo todo o material do programa:

    BATE-PAPO

    SET

    Video

    Áudio

    FOTOS

     

    Mais fotos neste link.

  • Squat Stage #006 – Fabø & HNQO

    O Squat Stage é um projeto em parceria da Yellow com o Psicodelia.org, em que o público tem a oportunidade de tirar dúvidas, trocar experiências e ter um contato mais próximo com grandes artistas de de staque nacional e internacional, além de poder curtir um set exclusivo, cara a cara com os convidados.

    A Yellow DJ Academy está de casa nova, e para inaugurar esta nova fase do Squat Stage, vamos começar com o pé direito e trazer os dois meninos prodígio da música eletrônica curitibana: Fabø e HNQO.

    Fabø

    Sua música característica fez de Fabø um embaixador da cena house brasileira. Sua residência no Club Vibe – reconhecido pela DJ Mag como um dos melhores clubs do mundo – levou sua música a milhares de ouvidos e novos adeptos. Gravadoras internacionais tomaram notícia de seu trabalho e o colocaram em companhia de grandes artistas, em selos como Nurvous, Stranjjur, Electronique e sua própria Playperview. Jovem na idade, experiente em seu coração, Fabø está liderando uma revolução. O Brasil o conhece, e agora é hora de todo o mundo também.

    HNQO

    Recém chegado de sua última tour internacional, HNQO é uma das jovens estrelas em rápida ascensão na música eletrônica. Graças a estes sucessos, HNQO foi descoberto pelo inimitável Russ Yallop, e suas faixas foram lançadas pela Hot Creations, e Off Recordings, entre outros selos. Além disso, a marca própria de HNQO, Playperview, está vendo o sucesso internacional. Por quê? Porque a alegria e energia contagiante deste jovem talento permeia tudo o que faz, a partir de suas produções flutuantes, cheias de recursos para a pista de dança, e seus sets extremamente dançantes. HNQO traz o funk, soul, e uma dose completa de realismo ao seu talento musical. Com EPs de destaque já lançados e uma série de outros ainda por vir, ele está pronto para abraçar o mundo.

    As inscrições para o evento já se esgotaram, mas ele será gravado na íntegra e disponibilizado aqui no Psicodelia.org!

  • Deadmau5 revela o mau5bot, a novidade do seu show

    E a insanidade de Joel Zimmerman parece não ter limite. Em 2010 seu live ganhou status de show de rock ao estrear um palco de LED interativo (que inclusive sincroniza-se com uma mau5head de LED) no palco principal de festivais como Coachella e Lollapalooza. Agora, 3 anos depois, o palco já dava mostras de esgotamento, e precisava de uma renovação – especialmente com a iminente volta de Daft Punk para as estradas, já que o palco da tour Alive 2007 havia servido de inspiração para o rato e provavelmente a próxima tour não teria nada inferior a isto. A solução? Um robô gigante, chamado mau5bot.

    “12 pés e 2 toneladas de puro êxtase mecânico” foi como deadmau5 descreveu sua nova criação para a pequena pista que acompanhou essa estréia na última semana na balada Hakkasan, em Las Vegas. A principio os protótipos foram desenhados especialmente para o palco da casa – uma de cada lado da mesa do DJ, no entanto Joel garante que eles são parte do projeto final do novo liveshow, que ainda não tem data marcada para estrear. Confira um video e algumas fotos:

    Via Dancing Astronaut e In The Mix.

  • El Fortin desponta como opção entre os superclubs do litoral catarinense

    Enquanto a Space tentou chegar no litoral catarinense chutando a porta e se deu mal, um outro superclub vem crescendo e formando um público fiel no local: o El Fortin, localizado na cidade de Porto Belo, na metade do caminho entre Balneário Camboriú e Florianópolis.

    Um dos segredos é a aposta em line-ups diferentes dos concorrentes: enquanto o Warung está cada vez mais imerso na onda deep house capitaneada por Solomun e Kolombo e a Green Valley mantém-se no big room Tomorrowlander que a tornou o club #1 do mundo, o El Fortin Club, vem focando em nomes que se consagraram na cena raver, sem preconceito quanto ao estilo.

    Já figuraram por lá o electro de Dr. Lektroluv, o techno de Umek e Boris Brejcha, o house de John Acquaviva, o psytrance progressivo de Neelix e Captain Hook, entre muitos outros. Como o ambiente é amplo e semi-aberto (capacidade para cerca de 5.000 pessoas), é o reduto perfeito para um público que sempre teve que subir a serra para curtir estes artistas nas open airs de Curitiba.

    Vale a pena ficar de olho nos próximos eventos e escolher um dia para conhecer – ou relembrar, no caso dos que já conhecem a casa.

    AGENDA

    29/jun: Winter Festival, com Gustavo Mota, Groove Delight e outros;
    13/jul: Neelix;
    03/ago: a confirmar;
    24/ago: a confirmar. 

     

    SERVIÇO

    Site oficial: http://elfortinclub.com/
    Fanpage oficial: https://www.facebook.com/elfortinclubportobelo

  • Iono Festival voltará a Curitiba em julho

    Dia 5 de julho, sexta-feira, Curitiba recebe novamente um dos principais eventos focados psytrance progressivo: o Iono Festival. A festa está marcada para um ano e cinco meses depois do sucesso da primeira edição, que aconteceu na finada Momentai com nomes como Klopfgeister, Time In Motion, Cubixx e Ritmo, que também estará presente na próxima edição.

    O lugar que hospedará esta celebração é o Park.art, em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), que já vem formando seu próprio publico de psytrance por intermédio da festa Progressive. Conheça agora um pouco mais dos artistas que se apresentarão no festival.

    LINE-UP

    Ritmo

    Protonica

    Sphera

    Symbolic

    Element

    Vidigal

    Musatti

    Ahlan Droid

    SERVIÇO

    Evento oficial: https://www.facebook.com/events/600051826680121/
    Ingressos: http://aloingressos.com.br/ingressos/parana/progressive-04-iono-festival/
    Site oficial do Park.art: http://www.park.art.br/

  • Space B. Camboriú não sobreviveu ao primeiro verão?

    E a noite de Balneário Camboriú, a “Ibiza brasileira”, parece ter sofrido um forte revés neste ano. A filial brasileira do club espanhol Space, eleito por diversas vezes melhor do mundo, está fechada desde abril – e tudo indica que não voltará a abrir.


    Foto meramente ilustrativa, a casa não foi vandalizada

    Tudo foi estranho desde o começo – ou antes disso. Anunciada em 2011 e prometida para a temporada de 2013, foi dúvida até a véspera. Poucas semanas antes da inauguração (já amplamente divulgada) nós recebemos de um leitor algumas fotos da obra bem inacabada, e quem passava em frente pela BR-101 confirmava: não haveria possibilidade de tudo ficar como no projeto em tempo hábil.

    O dia 29 de dezembro chegou e, de fato, a estrutura ainda estava incompleta – suficiente para a realização do evento, claro, mas pouco para o que se esperava do so-called Space. A falta de acesso organizado gerou uma fila de carros imensa, e as pessoas estavam levando cerca de 2 horas para chegar ao club. Fosse só na inauguração, tudo bem, mas diferentes falhas foram acontecendo ao longo do verão, tais como problemas no sistema de lista e falta de bebidas geladas.

    Pra completar, os line-ups também ficaram abaixo da expectativa – para se ter um exemplo, no terceiro fim-de-semana do ano os pratas-da-casa Warung e Green Valley atacaram de Magda e Ricardo Villalobos, não dando chance alguma para a despedida de Layo & Bushwacka (isso que eles possuíam um grande público na região, graças a inúmeras festas memoráveis no Warung). No carnaval, mais uma vez decepções, desta vez contando até com cancelamento de uma das noites (com Bob Sinclar) e redução de outra (a festa de James Zabiela, que aconteceu no palco secundário).

    A última festa da casa, realizada no feriado da páscoa com os pouco conhecidos Richard Gray e Sebjak parece ter sepultado de vez o club, que teve entrada relâmpago no Top 100 da DJ Mag (95ª colocação) e falência mais relâmpago ainda, 4 meses após a inauguração. A fanpage, que ficava na URL http://www.facebook.com/spacebcamboriu foi excluída sem deixar vestígios, a placa com a logo já foi retirada da fachada (se alguém da região puder mandar uma foto para confirmar o fato, seria de grande valia), a equipe que trabalhava na casa foi dissolvida e ninguém sabe ou ouviu falar de nada relacionado a próximas festas na casa.

    Boatos inclusive indicam que deverá ser aberto um centro de eventos no lugar, para não desperdiçar tamanho investimento em estrutura física. Se é verdade, não sabemos, mas se for, será um belo balde de água gelada em quem achava que a música eletrônica estava em alta.

    Escrito com informações de Alataj e mais um informante anônimo.

  • Paul McCartney lança música com Bloody Beetroots

    O dia está mesmo para as notícias difíceis de acreditar. Sir Paul McCartney, ex-integrante dos Beatles e dono do segundo cachê mais caro do mundo da música (cotado em cerca de R$ 10 milhões, perdendo apenas para Madonna), assina participação especial em música dos italianos do Bloody Beetroots.

    Paul flerta com a música eletrônica desde os anos 80, quando lançou seu álbum solo McCartney II. No entanto esta música é a primeira participação dele em algo que podemos chamar de “música eletrônica atual”.

    O resultado é muito bom e deve agradar aos fãs de ambos artistas, e você confere no player abaixo:

    A música já está disponível no iTunes.