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  • Green Valley surpreende com line-up de Winter Music Festival 2013

    Apesar de sua tradição comercial, ultimamente a Green Valley tem dado suas cartadas no mundo do underground. Alguns exemplos recentes: hospedou por duas vezes já a festa Cadenza Vagabundos, de Luciano; montou um palco alternativo de respeito no Dream Valley, com nomes como Magda, Dubfire, Dixon e DJ Sneak; hospedou o Festival Quinto Sol, de Ricardo Villalobos, no verão deste ano.

    Sua próxima aposta em nomes diferentes do esperado será no seu tradicional festival de inverno, que sempre acontece na terceira semana de julho: o Winter Music Festival.

    No palco principal, nada de Avicii ou David Guetta: é a lenda Paul Oakenfold e os americanos Sultan e Nedshepard que irá comandar a gigantesca pista da Green Valley. Na pista alternativa, dois grandes ídolos do techno, que já fizeram história em festivais como XXXperience e Tribe: Stephan Bodzin e Oliver Huntemann. O evento rola dia 20 de julho, e já tem ingressos à venda!

    SERVIÇO

    Compra de Ingressos: https://www.ingressonacional.com.br/index.php?route=product/category&path=266
    Facebook: https://www.facebook.com/wintermusicbr
    Mais info: www.greenvalley.art.br 

     

  • DJ Room emula Boiler Room no Brasil e obtém sucesso

    Se tocar no Essential Mix é o sonho de todo DJ que foca a carreira no mainstream, com certeza o Boiler Room é o equivalente para os artistas underground. O programa acontece sempre em locais secretos para poucos convidados, o que já o torna um objeto de desejo por si só, mas o nível das apresentações dos artistas é o que o torna uma referência mundial em matéria de música eletrônica conceitual.

    Várias pessoas já idealizaram e algumas até tentaram fazer versões brasileiras dele, mas a única que obteve certo sucesso (ao menos até agora) é o DJ Room, de Curitiba. Idealizado pelos DJs Kaká Franco e Fábio Marn e apresentado por Carlos Zeni, o evento já tem 7 edições no currículo, e tem a oitava marcada para o próximo domingo.

    Apesar de ser declaradamente inspirado no irmão europeu, o formato é um pouco diferente do Boiler Room. A começar pelo lugar aonde ele acontece, que é público e aberto a todos – o Espaço Vicente, no centro da capital paranaense. Outra diferença está na abertura de espaço para novos talentos, já que as duas principais escolas de DJ da cidade (Yellow e AIMEC) revezam-se na realização de peneiras para selecionar um integrante do line-up entre seus alunos e ex-alunos.

    Falando em line-ups, é claro que o DJ Room não recebeu nenhuma celebridade global – ainda. No entanto, os nomes que já passaram por lá tornam o começo dessa história bem digno. Quem sabe um dia não teremos uma apresentação única e memorável de um grande artista, aqui no “quintal” da nossa casa?

    SERVIÇO

    Facebook: https://www.facebook.com/djroomtv
    YouTube: http://www.youtube.com/user/djroombrasil

    Dica do Alexandre Albini.

  • David Amo encerra carreira

    Um dos grandes ídolos dos brasileiros acaba de anunciar o fim de sua carreira: David Amo, que se consagrou ao lado de Julio Navas em diversas edições de festas como Kaballah, XXXperience e Tribaltech.

    Em extenso anúncio oficial, ele diz ter tomado a decisão por não ter mais inspiração (ou como ele diz, não atingir o estado mental FLOW, teorizado pelo psicólogo Mihalyi Csikszentmihalyi) para criar, e também por não estar sendo mais possível para ele viver apenas de música, graças à crise do mercado.

    No entanto, todas as gigs já agendadas para a dupla Amo & Navas serão honradas. Em seguida, Julio Navas segue em carreira solo, além de continuar à frente da Fresco Records, que não deixará de existir. Confira comunicado oficial no site da label: clique aqui.

    Via Vicious Magazine.

  • Rapidinhas #002: Daft Punk, Zoominimal e Skream

    Esta semana foi curta, mas gerou bastante assunto nas rodas de música eletrônica. Vamos fazer agora um giro pelas diversas situações que foram notícia nos últimos dias.

    Revista Rolling Stone visita Daft Punk e faz longa entrevista

    Alguns dias antes do lançamento de Random Access Memories, a revista Rolling Stone fez uma visita a Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Cristo – o Daft Punk. Na semana passada a filial brasileira finalmente traduziu a matéria, que rendeu 6 páginas de uma ótima leitura.

    Cliquem na imagem pra acessar a matéria e entendam um pouco mais sobre o dia-a-dia destas duas celebridades que conseguem andar nas ruas como anônimos, além de saber várias curiosidades sobre a origem dos capacetes, o perfeccionismo que faz com que cada álbum leve anos pra ficar pronto, as parcerias e diversas outras coisas.

    Giorgio Moroder toca seu primeiro set aos 73 anos

    O sucesso do Daft Punk também trouxe efeitos colaterais muito benéficos para seus colaboradores. Um dos beneficiados é Giorgio Moroder, pioneiro dos sintetizadores e lenda da Disco Music. Ele foi um dos principais colaboradores na produção de “Random Access Memories”, que conta inclusive com uma faixa em sua homenagem, chamada “Giorgio by Moroder”. E seguindo a onda, Moroder aproveitou para tocar em público seu primeiro DJ Set, aos 73 anos:

    Filho de Eike Batista diz trará Daft Punk ao Brasil nesse ano

    E a dupla emplacou outra notícia polêmica, desta vez no âmbito nacional. Em matéria do jornal O Globo, Olin Batista afirmou que trará ninguém menos que Daft Punk para sua festa de aniversário de 18 anos.

    O filhinho-de-papai no entanto não é egoísta: segundo ele, a festa não será fechada para convidados, e terá ingressos à venda para o público. A data para tal acontecimento é o dia 16 de dezembro de 2013, e a cidade escolhida é o Rio de Janeiro. Resta agora saber até onde o dinheiro pode comprar tudo.

    Veja fotos da Zoominimal

    O fotógrafo Thiago Dea, do portal Zooe, nosso parceiro oficial para coberturas fotográficas, esteve presente na Zoominimal no último fim-de-semana. A festa aconteceu em Curitiba e teve Amine Edge & DANCE, Gustavo Bravetti, Click Box e Kanio entre seus headliners. Clique na imagem abaixo e confira todas as fotos feitas no evento.

    Calvin Harris diz que vai fazer música boa agora

    Este título parece forçado, mas não é. Após ultrapassar Michael Jackson e ser o primeiro artista da história a ter conquistado o 1º lugar das paradas com nada menos que oito músicas do mesmo álbum, o escocês disse em entrevista à publicação Music Week que este recorde será um marco na sua carreira. Segundo ele, agora quer entrar em estúdio e “trabalhar em músicas boas, que não estarão nos charts” (ele se refere a listas como o Top da Billboard) – o contrário dos últimos dois anos, quando ele trabalhou intensamente na fabricação de hits para o mundo pop, inclusive com parcerias de peso, como a feita com Rihanna.

    Em resumo: ganhou dinheiro suficiente para poder fazer o que gosta sem se preocupar. Sábio Calvin!

    Skream anuncia que não tocará mais dubstep

    Quem acompanha a carreira do inglês já sabia, mas ele fez questão de oficializar a decisão em um comunicado. O DJ e produtor Skream não tocará mais dubstep, o estilo que o consagrou. Seu pronunciamento foi um tanto ríspido: ele alegou que o movimento dubstep não existe mais, e que o estilo não o inspira mais. Sobre o futuro dos seus DJ sets, ele diz que será baseado em disco/garage/house.

    Cliquem na imagem para acessar a notícia original no Be The Rave, e ler o que ele falou em inglês, no original.

     

  • Confira o line-up completo dos três dias de Tomorrowland, por palco

    Na semana passada o Tomorrowland, maior festival do mundo, divulgou a lista de mais de 200 artistas, que deverão preencher os mais de 10 palcos durante os 3 dias de festival.

    Apesar do costumeiro domínio do house/big room no palco principal, com Sebastian Ingrosso, Dimitri Vegas & Like Mike, Steve Aoki e um inesperado versus entre David Guetta, Afrojack e Nicky Romero, palcos alternativos são um prato cheio para quem gosta de outros estilos: do techno de Loco Dice, Sven Väth e Len Faki ao deep house de Solomun, dOP e tINI, tem de tudo – até palco de psytrance, com direito a Neelix, Astrix e Infected Mushroom.

    Confira a lista completa:

    FRIDAY 26 JULY

    MAIN STAGE

    Tiësto
    Sebastian Ingrosso
    Hardwell
    Dimitri Vegas & Like Mike
    Fedde Le Grand
    ARTY
    Otto Knows
    NO_ID
    Nervo
    Sunnery James & Ryan Marciano
    MC Stretch

    CARL COX AND FRIENDS

    Carl Cox
    Loco Dice
    Marco Carola
    John Digweed
    Marco Bailey
    Uto Karem
    Yousef
    Jon Rundell
    MC Gunner

    DIM MAK

    Steve Aoki
    Joachim Garraud
    Deorro
    Autoerotique
    Sound of Stereo
    Angger Dimas
    Dirtyphonics
    Felix Cartal
    TAI
    Dan Sena
    Botnek
    Dzeko & Torres
    Jidax
    South Central
    PeaceTreaty
    Dj Pierre
    Datsik
    Army of The Universe

    MARKUS SCHULZ ARENA

    Markus Schulz + more

    PARADISE

    Hermanez
    Jamie Jones
    Art Department
    Craig Richards
    Infinity Ink
    Richy Ahmed
    Russ Yallop
    Waff

    FORMA.T

    Crookers
    Cream Dream
    goldFFinch
    Digitalism (dj set)
    Feadz & Kito
    Para One (live)
    Miss Kittin (live)
    Surfing Leons
    Bad Dancer
    Folie Douce

    WE PLAY HOUSE RECORDINGS

    Dixon
    Todd Terje
    Soul Clap
    Locked Groove
    Bicep
    Levon Vincent
    FCL

    B2B

    Infected Mushroom
    Astrix
    John 00 Fleming
    Neelix
    Bizzare Contact
    Bitkit
    Firaga vs Synsun
    Jackie White vs Norion

    Q-DANCE

    Headhunterz
    B-Front & Ran-D
    Argy
    Psyko Punkz
    Frontliner
    Adrenalize
    Omegatypez
    Audiofreq
    Outlander
    Mark with a K
    Davoodi & Bestien
    MC Villain

    SATURDAY 27 JULY

    MAIN STAGE

    Avicii
    Armin van Buuren
    Axwell
    Knife Party
    Chuckie
    Sander van Doorn
    Zedd
    Thomas Gold
    Audien
    Maxim Lany
    MC Stretch

    SUPER YOU&ME

    Laidback Luke
    Martin Solveig
    Benny Benassi
    Tommy Trash
    Congorock
    Sunnery James & Ryan Marciano
    Superman, Spiderman & Batman
    La Fuente
    Sandro Silva
    Moska

    V SESSIONS

    Pete Tong
    Eric Prydz
    Yves V
    Nicky Romero
    AN21 & Max Vangeli
    Jacob Van Hage vs Loopers
    Michael Calfan
    Felguk
    D-wayne
    Gregori Klosman
    Sultan & Ned Shepard
    Nause
    MC Mitch Crown

    COCOON HEROES

    Sven Väth
    Joachim
    Massimo Girardi
    Smos
    Ricardo Villalobos
    Joris Voorn
    Julien Bracht (live)
    DJ W!LD

    DERRICK CARTER PRES. FAMILY & FRIENDS

    Derrick Carter vs Mark Farina vs Sneak
    Masters At Work
    Riva Starr
    Kerri Chandler
    Flapjackers
    Sven Van Hees

    FULL ON

    Ferry Corsten
    Aly & Fila
    Cosmic Gate
    Orjan Nilsen
    John O’Callaghan
    Sied van Riel
    W&W
    Solarstone
    Shogun
    MC Gunner

    BONZAI

    Bonzai All Stars
    Yves De Ruyter
    Push (live)
    Ghost
    Nico Parisi
    Ramirez (live)
    Hardfloor (live)
    Frank De Wulf
    Franky Jones
    Franky Kloeck
    Bountyhunter
    Phi-Phi

    KOZZMOZZ

    Len Faki
    Adam Beyer
    Technasia
    Oscar Mulero
    Ben Sims
    Joseph Capriati
    Kr!z
    Spacid

    Q-DANCE

    Coone
    Wildstylez
    Brennan Heart
    Hard Driver
    Atmozfears
    Alpha²
    Da Tweekaz
    Toneshifterz
    Gunz for Hire
    Code Black
    Kutski
    MC Villain

    KETALOCO

    Solomun
    Satoshi Tomiie
    Guti (live)
    tINI
    dOP (live)
    don Santos
    Don Cabron
    Caspar
    Bollen & Fichtner

    STAR WARZ

    DJ Hype & MC Daddy Earl
    Delta Heavy
    S.P.Y
    Fred V & Grafix
    Brookes Brothers
    The Prototypes
    Ulterior Motive
    One87 & Hookerz ft. Mc Mush
    Tito & Echo Virus b2b James Marvel
    Foxy Lady & Mc Elvee
    Cedex & Higher Underground
    Speedwagon & Stykz b2b Alert
    Dub-Timus Soundsystem
    +Battery- b2b Meddik & Toxidelic ft. Mc Mota
    SP:MC
    MC Master X
    MC LowQui
    DMC

    SUNDAY 28 JULY

    MAIN STAGE

    David Guetta vs Afrojack vs Nicky Romero
    Steve Angello
    Steve Aoki
    Alesso
    Joachim Garraud
    Yves V
    Deniz Koyu
    Porter Robinson
    Djaxx & Neurotique
    MC Stretch

    DAVE CLARKE PRESENTS…

    Dave Clarke
    Green Velvet
    Jeff Mills
    Ben Klock
    Heidi
    Deg
    MC Gunner

    PROFOUND SOUNDS

    Josh Wink b2b Davide Squillace
    Marcel Dettmann
    Tale of Us
    M A N I K (live)
    Alix Alvarez
    Zoet & Hartelijk
    Pheak

    TRANCE ADDICT

    Andy Moor b2b Lange
    Max Graham vs Protoculture
    Indecent Noise
    Arctic Moon
    Bryan Kearney
    Tenishia
    Paul van Dyk
    Allure
    Fast Distance

    KNE’DEEP

    Rush
    Miss Djax
    J.Fernandes
    Huma Noyd
    Mauro Picotto
    Joey Beltram

    CAFEINA

    Gregor Salto
    Roma
    Tom Leclercq & Dave Lambert
    Mr Grammy & DJ Licious
    Dyro
    Dannic
    Stereoclash
    Philip & Joeri
    Phill Da Cunha & Alec
    Disco Dasco
    2Dirty
    Audio Boulevard

    DAILY DUBSTEP

    Benga
    Dismantle
    N-Type b2b Walsh
    Distance
    Icicle b2b Youngsta
    Nicon
    NGA Sound
    AFTER 12
    Subreachers
    Undertone
    Electrified
    SP:MC
    MC LX One

    Q-DANCE

    Noisecontrollers
    Zatox
    Wasted Penguinz
    Bass Modulators
    The Prophet
    Endymion vs Evil Activities
    Max Enforcer
    Luna
    ACTI
    MC Villain

    COINCIDENCE

    Rebekah
    Psytox
    Miss Sunshine
    Mary Velo
    Esther Duijn
    Tom Dazing
    Antony Nardella
    Umlaut

    I LOVE THE ‘90S: THE PARTY

     

    Johan Gielen
    Marshal Masters
    Charly Lownoise and Mental Theo
    Cor Fijneman
    Kai Tracid
    DaHool
    DJ Ward
    DJ Jean
    MC Boogshe

  • Review: Daft Punk – Random Access Memories

    Um ano atrás eu fiz um review que classifiquei como um dos mais difíceis em anos de Psicodelia.org: tratava-se do álbum Army of Mushrooms, do Infected Mushroom. Foi difícil pois o álbum não agradou, e precisaríamos falar a verdade sobre dois artistas com muito simbolismo embutido: foi graças a ele que eu e Eliel entramos para o mundo das raves sete anos atrás, além de terem sido forte influência na criação do nome e mascote do site.

    Um ano depois estou aqui com uma tarefa ainda mais difícil: falar do polêmico álbum Random Access Memories, de Daft Punk. Se Infected me levou pra rave em 2006, foi o Daft Punk que proporcionou o meu primeiro contato com a música eletrônica em 1999, quando comprei o CD Discovery – sem contar que a intro do primeiro set do Kultra também foi com uma música do duo (Harder, Better, Faster, Stronger). Enfim, as músicas vazaram na segunda-feira (13), mas esperei até quarta-feira (15) para ouvir – e até hoje (20) para emitir qualquer opinião.

    Antes de falar das músicas em si, vamos falar de todo o ecossistema criado em torno desse lançamento. Foi, sem dúvidas, uma das maiores campanhas de marketing da história da música – eletrônica ou não. O novo visual deles foi patrocinado pela Yves Saint-Laurent, o pré-lançamento foi exclusivo da Apple (via iTunes), houve um especial “The Collaborators“, com documentários mostrando um pouco sobre cada participação especial que o disco teve, entre diversas outras formas de criar uma expectativa imensa no público – culminando no lançamento de Get Lucky, o primeiro single do disco. E aí que as coisas começaram a ficar “confusas” pro público.

    Bem, vamos agora pensar com a cabeça do público – e falo de todos nós como uma coisa só, é claro que individualmente cada um terá a sua opinião. Enfim, hoje nós somos um grupo carente, muito carente de qualidade. O mainstream é dominado pelo house denominado big room – para quem não conhece a terminologia, é fácil de descrever: som farofa e repetitivo que rola no palco principal do Tomorrowland (e festivais similares). A geração David Guetta, Avicii, Swedish House Mafia inundou o mundo com música eletrônica vazia – aquela velha receita do pop Billboard, de 4 acordes manjados, um vocal pegajoso e curta duração, aplicada aos timbres e elementos do electro house. No começo era legal, mas já se passaram anos e ainda estamos estacionados na mesma coisa. Alguns poucos de diferenciaram – deadmau5 e Skrillex por exemplo – mas ninguém conseguiu marcar época como Daft Punk fez. Todos nós estavamos sentido falta disso, dessa liderança, desse artista com cacife e culhão pra chegar e dizer “tá tudo errado, vamos fazer assim” – aí vem o Daft Punk depois de 8 anos sumido, e nos empolga com essa mega-campanha de retorno. É claro que a expectativa estava altíssima.

    Usar Get Lucky como primeiro single foi um ato ousado – exagerado até, eu diria. Um mundo que esperava pela salvação da EDM foi chocado com o Daft Punk vestindo YSL, tocando baixo e bateria, com Pharrell gemendo nos vocais. Teriam eles se vendido? Será que são as mesmas pessoas dentro da máscara? Enfim, que porra era essa? Get Lucky foi duramente criticada (por mim inclusive), mas nesses anos de música eu aprendi uma coisa muito importante: as melhores expressões artísticas não são facilmente digeríveis. Comecei a dar outras chances – e quando dei atenção para a letra que tudo começou a fazer sentido.

    “Nós viemos longe demais para desistir de quem somos”

    O Daft Punk sempre teve o seu estilo, e nunca teve medo de fazer música com vocais pegajosos – ta aí One More Time (melhor música eletrônica da história, segundo votação promovida pela Mixmag) pra provar. E se pensarmos na base da música, é o estilo deles, puro. OK, Get Lucky “aceita”, vamos ver o que mais vem por aí.

    A forma de divulgar o álbum em um streaming de track única foi muito bem pensada também: ele conta uma história por completo – assim como Discovery fez tendo Interstella 5555 como apoio, mas dessa vez sem imagens. Para apreciar este disco é preciso, primeiramente, limpar a mente de todo e qualquer preconceito. Se até a terceira faixa, Giorgio by Moroder, você ainda não tiver feito isso, ele te chama a atenção: 

    “Uma vez que você liberta a sua mente de um conceito de harmonia e música como corretos, você pode fazer qualquer coisa que você quiser. Então ninguém me disse o que fazer, e não havia nenhuma ideia preconcebida do que fazer.”

    O Daft Punk não veio pra salvar a música eletrônica, pois esse é um conceito que não deveria existir. Música é música, seja fruto de batuques na mesa, de uma guitarra elétrica distorcido por pedais, ou de um sintetizador ligado a um computador. O que o Daft Punk fez é uma bela forma de unir música “orgânica” com eletrônica, criando um trabalho único no mainstream. Os vocais sintetizados, marca registrada deles, estão presentes em quase todo o álbum, e a atmosfera criada, as sensações transmitidas, são de qualidade digna de tudo o que o duo já fez.

    Duas coisas importantes de se notar: primeiro que o álbum não tem tour, e segundo que Thomas Bangalter já deixou claro em entrevistas que é um álbum “experimental” – tudo leva a crer que o próximo release do Daft Punk será menos “fora da casinha”, e deverá ser voltado para as pistas. Inclusive, Thomas já afirmou em entrevista que eles mesmos remixarão várias faixas desse álbum, de forma a torná-las “tocáveis” em pistas de dança. Todo o pânico acerca do “abandono da EDM” é puro desespero sem conhecimento de causa. 

    Comparar os trabalhos é sempre algo difícil de fazer, talvez Homework e Discovery realmente sejam melhores do ponto de vista técnico e criativo, mas Random Access Memories veio na hora certa, na medida certa. O lançamento oficial é amanhã (21), e com o tempo todos iremos digerí-lo bem, e nos restará torcer para que músicas desse nível de qualidade tomem a rádio e os grandes festivais das mãos do big room vazio.

  • E-Fact apresenta mundo de sonhos recheado de electro house em Curitiba

    Com a saída da Tribaltech do calendário de Curitiba, o espaço ficou aberto para outras festas crescerem e consolidarem-se na capital paranaense. Apesar de apostar em um estilo totalmente diferente, a E-Fact é a primeira que dá mostras de que fará algo grandioso, ocupando inclusive o mês da finada festa da T2.

    Organizada pela estreante EF Eventos, a E-Fact já nasce com cara de gente grande, com uma identidade visual bonita e condizente com a proposta, e um line-up de deixar qualquer fã de electro house maluco. Apostando na valorização dos talentos nacionais, pode-se dizer que está sendo montado um “dream team” do estilo, a começar pelos nomes já confirmados.

    De Ask2Quit a Digitalchord, praticamente todos os brasileiros que hoje são referência do estilo estarão presentes. Além destes dois, já foram confirmados Dirtyloud, E-Cologyk e Alex Mind, mas a organização promete mais nomes de peso.

    A festa está marcada para acontecer dia 14/09/2013, um sábado, no Park Ball. Os ingressos ainda não estão à venda, mas vale a pena ficar de olho na fanpage oficial e o no site, pra não ficar de fora!

    Fanpage: www.facebook.com/efact.art.br
    Site: www.e-fact.art.br

  • Confira os horários do line-up e concorra a ingressos para a XXXperience Curitiba 2013

    Nesta semana a cidade de Curitiba mantém a tradição e recebe a XXXperience, para a primeira festa após a edição de 16º aniversário da marca, que acabou revolucionando a proposta do evento. Desde o começo do mês, quem passa pela Fazenda Heimari já pode ver o gigante Love Stage sendo montado.

    HORÁRIOS DO LINE-UP

     

    Faltando menos de uma semana para a festa, a divulgação dos horários do line-up e a chegada do tradicional frio que atinge as edições curitibanas da XXXperience deixaram os ânimos da galera ainda mais à flor da pele. Confira abaixo o time-table e programe-se:

    PROMOÇÃO

    Ainda não tem ingresso? O Psicodelia pode levar você de graça! Clique na imagem abaixo para cair no nosso Facebook. Compartilhe-a, curta a página e já está concorrendo! O sorteio será realizado na terça-feira (23), às 21:00.

     

    SERVIÇO

    Site Oficial: http://www.xxxperience.com.br/
    Fanpage: http://facebook.com/experimenteavida

  • Conferência nos EUA sobre ciência psicodélica chega à segunda edição

    Ecstasy contra estresse pós-traumático, LSD para dor de cabeça, psilocibina no tratamento do tabagismo. O que poderia parecer um sonho há alguns anos está se tornando realidade. Depois de décadas de perseguição, os alucinógenos estão na mira de cientistas do mundo do todo, interessados no possível potencial dessas substâncias para tratamentos diversos. Esse novo cenário é o tema da segunda edição da conferência Psychedelic Science, que começou na quinta (18), em Oakland, na Califórnia, e termina nesta segunda (22). 

    A conferência reúne mais de 100 dos principais pesquisadores de 13 países, que apresentarão as descobertas mais recentes sobre os benefícios e riscos de diferentes substâncias psicoativas, como ibogaína (que faz o usuário sonhar acordado), ketamina (anestésico veterinário) e maconha. As palestras e workshops deram destaque para estudos sobre o potencial terapêutico da ayahuasca, beberagem de origem amazônica usada em rituais indígenas e em cultos religiosos brasileiros, como Santo Daime e União do Vegetal.

    Nunca se pesquisou tanto esse tema, diz a antropóloga brasileira Bia Labate, professora visitante do Programa de Política de Drogas do Centro de Pesquisa e Ensino Econômico – Cide, em Aguascalientes, no México. Ela é consultora do Maps (sigla em inglês para Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos) e diz que o evento é “o maior encontro internacional da história entre estudiosos do campo da ayahuasca”.

    Segundo ela, houve uma explosão de interesses sobre a natureza, e os efeitos e usos do chá psicoativo. “Depois de uma longa jornada de perseguição e banimento pelos colonizadores, seguido pelas políticas proibicionistas de drogas, observamos a propagação de rituais da ayahuasca em toda a Europa e América do Norte, e uma enorme expansão no estudo científico dessa substância”, relata.

    O eixo do evento voltado para o chá psicodélico, coordenado pela antropóloga, reúne 30 apresentações de pesquisas, um dia de workshop, exibição de filmes e debates em torno de questões como segurança, ética e comercialização do uso da ayahuasca no chamado ‘turismo espiritual’. Com recorte multidisciplinar, inclui perspectivas de neurociência, neurobiologia, psiquiatria, farmacologia, etnofarmacologia, etnobotânica, psicologia, saúde pública, epidemiologia, antropologia, direito e educação. “São pesquisadores do Brasil, EUA, Canadá, Alemanha, Espanha, Peru e México”, acrescenta a antropóloga.

    “Em sua maioria, apresentações abordam o ritual e os usos clínicos dessa substância no tratamento de várias doenças e enfermidades, como a depressão, e especialmente seu papel no bem-estar psicológico, qualidade de vida e na formação da identidade”, prossegue Labate. Outra abordagem relevante são as investigações dos efeitos da ayahuasca como complemento para a psicoterapia em casos de dependência química.

    É esse, aliás, o campo de atuação do brasileiro Dartiu Xavier, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, onde também é diretor do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad). O psiquiatra, que é um dos palestrantes na conferência norte-americana, participa atualmente de vários estudos sobre o tema, entre eles um de avaliação neurofisiológica dos efeitos agudos da ayahuasca (dosagens de hormônios no sangue e eletroencefalograma), e outro que trata dos sintomas depressivos e ansiedade em usuários do chá amazônico.

    “Esta conferência abrange todos os alucinógenos, mas tem uma ênfase especial na ayahuasca, pelo fato de aparentemente ser uma substância de uso seguro, e que não causa dependência, além do fato deste uso estar aumentando no mundo inteiro nos últimos anos”, argumenta Xavier.

    Ele vê com otimismo o crescimento do interesse cientifico nos psicodélicos em geral. “Vários grupos de cientistas no mundo estão de olho nesse tema, estamos para começar um destes estudos aqui no Brasil”, informa o psiquiatra. “Estamos elaborando uma pesquisa que pretende investigar o uso terapêutico de alucinógenos em dependentes de cocaína e crack, sendo um deles com ayahuasca e outro com ibogaína”. O psiquiatra, entretanto, explica que falta ainda a aprovação dos comitês de ética.

    DEPRESSÃO

    Outro destaque do congresso são os estudos que investigam o uso da ayahuasca como antidepressivo, dos brasileiros Dráulio de Araújo, especialista em neuroimagens, e Sidarta Ribeiro, neurocientista, ambos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Investigamos dois processos cognitivos modulados pela ayahuasca: mudança do foco da atenção para processos internos e a potencialização na criação de imagens visuais mentais. Os dois estudos foram realizados usando a imagem funcional por ressonância magnética”, descreve Xavier.

    Parte dos resultados, segundo ele, contém indicações do potencial de uso da ayahuasca como antidepressivo. Há um estudo piloto sendo conduzido no Brasil (em fase final), com a participação dos pesquisadores da UFRN, sob a coordenação do psiquiatra Jaime Hallak, da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto. “As conclusões são bastante animadoras”, comenta Araújo.

    A segunda fase da pesquisa será coordenada pela equipe da UFRN. “Pretendemos utilizar vários marcadores biológicos (bioquímicos, eletroencefalografia, imagem por ressonância magnética, avaliações neuropsicológica e psiquiátrica) para fazer uma avaliação mais abrangente sobre esse suposto potencial no tratamento de pacientes com depressão”, detalha o neurocientista.

    RECEIO

    Mas para pesquisadores mais ortodoxos ainda faltam algumas etapas para que o uso terapêutico de alucinógenos se torne um fato. É o que defende Arthur Guerra, diretor do Programa de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas da USP (Universidade de São Paulo). “Vejo essas experiências com muita reserva”, diz. “Qualquer conduta que não seja suficientemente comprovada oferece riscos”.

    Guerra reconhece a qualidade e o avanço das pesquisas nesse campo, mas se diz de outro time. “Sou da ala mais clássica”. Após a fase de diagnóstico do dependente químico, segundo ele, em geral são identificados outros problemas, como fobia, depressão e outros, por isso sua opção ainda é por tratamentos convencionais. “São mais seguros”, diz.

    Embora na outra margem, o neurocientista Draúlio de Araújo concorda com o cuidado sugerido por Guerra. Para ele, qualquer medicamento novo passa por várias etapas de testes para que sejam avaliados seus benefícios e riscos. “O processo é, e deve ser, exatamente o mesmo nos casos de qualquer substância psicoativa”.

    Também participam das apresentações sobre ayahuasca os pesquisadores Gabor Maté, médico canadense nascido na Hungria, especializado no estudo e tratamento de dependência, o francês Jacques Mabit, diretor do Centro Takiwasi em Tarapoto, no Peru, dedicado à  reabilitação de dependentes químicos com ayahuasca e práticas tradicionais de cura, e José Carlos Bouso, psicólogo clínico do Programa de Pesquisa de Neurociências do Hospital del Mar Research Institute.

    Via UOL Saúde.

  • Psicodelia Sessions #014 – Rogerio Animal & Tazz Martins

    Para a décima-quarta edição do podcast, uma novidade: o primeiro back-to-back do Psicodelia Sessions. Na última segunda-feira visitamos Rogerio Animal e Tazz Martins, os criadores da We Love to Dance. 

    No bate-papo que rolou antes da gravação do set, os dois falaram sobre como se conheceram, e como chegaram a esta união representada pela festa. Falaram também sobre as expectativas para a próxima edição do evento, marcada para acontecer no dia 18 de abril no Club Vibe:

    Depois de tanto lero-lero, finalmente as CDJs foram ligadas, e os motores começaram a se aquecer.

    Tudo pronto, largada dada com a primeira faixa entregue por Rogerio Animal. E agora o resto da história é o set quem conta para vocês:

    SERVIÇO

    Evento We Love to Dance: https://www.facebook.com/events/612396322107232/